“Batman Guide” no Coringa-Files!

Olá, queridos!

Hoje, para minha surpresa e imensa alegria, o Coringa-Files, um excelente site de scans de quadrinhos, publicou um post sobre o Batman Guide. Foi uma imensa honra para mim, já que esse site foi uma das inspirações para criar o meu blog!

Para acessar o post, clique na imagem!

É muito bom ver que meu trabalho – no melhor sentido da palavra, já que faço o Batman Guide com muito prazer – está sendo reconhecido. Agradeço a todos vocês pela visita e ao Coringa-Files pela divulgação e pelo texto maravilhoso!

Vocês fizeram essa Batmaniaca muito feliz hoje 😉

#24 – Batman: Uma Morte em Família / Resultado do Sorteio!

Olá, queridos leitores!

Bom, vou começar esse texto com uma confissão. Nunca demorei tanto para começar a escrever uma resenha. Geralmente já tenho as idéias em mente, sento e começo a escrevê-las, mas com a HQ de hoje foi diferente. Abri o Word, peguei um café, vi umas notícias, dei uma olhada no blog, divulguei o sorteio, outro café… Tudo isso porque essa é uma história forte, impactante, importante. Não é fácil falar sobre ela. Mas finalmente comecei a escrever, então espero que você continue lendo! E, claro, espero que você acompanhe o resultado do sorteio! 😉

A HQ de hoje é “Uma Morte em Família” (A Death in Family, roteiro de Jim Starlin e arte de Jim Aparo; ela foi publicada primeiramente como “A Morte de Robin” e depois num encadernado em formato americano com o nome de “Uma Morte em Família”).

O ano era 1988. Véspera do 50º aniversário do Batman. Dennis O’Neil acreditava que a participação dos leitores era essencial na criação das histórias do Homem-Morcego. Então ele deu aos leitores a oportunidade de decidir o destino da Dupla Dinâmica: manter como estava, com Jason Todd sendo o braço direito de Batman, ou encerrar essa relação, voltando o Batman a ser o Cavaleiro das Trevas solitário e frio.

Essa votação foi feita por telefone. Abaixo, temos a divulgação dessa votação:
Nas 36 horas de votação, o placar foi de 5343 votos para a morte de Robin e 5271 votos para que ele continuasse sendo o Garoto-Prodígio. Esse resultado não era inesperado, pois como conversamos no post passado o personagem de Jason Todd era bastante impopular.

Nos quadrinhos, Batman também estava bastante insatisfeito com a atuação de Robin. Insubordinado e inconsequente, ele colocava a segurança dos dois – e de toda Gotham – em risco o tempo todo. Definitivamente, ele não estava pronto ainda para um papel tão importante. A raiva que tinha pela morte dos pais não tinha sido superada, e o trauma ainda obscurecia sua visão. Batman decide tirá-lo do papel de Robin. Jason se revolta com a decisão dele, e sai para andar pelo Beco do Crime, enquanto o Homem-Morcego precisa se preocupar com Coringa – que escapou do Asilo Arkham mais uma vez. Dessa vez, ele conseguiu um míssil nuclear para negociar com terroristas em Tel Aviv.

Enquanto isso, no Beco do Crime, Jason onde encontra uma velha amiga de seus pais que o presenteia com uma caixa de lembranças da sua família – papéis envelhecidos, agendas, certidões, fotos, rascunhos. Ao analisá-los melhor…  O nome de sua mãe, riscado, começava com “S”! Mas como isso seria possível, se ela se chamava Catherine Todd? Seria possível que sua mãe estivesse viva? Todd retorna aos potentes computadores da Batcaverna, e encontra a localização das três mulheres com “S” que encontra na agenda do seu pai. Todas estão na África/Oriente Médio.  E é lá que ele vai procura-las.

Os caminhos de Jason e Batman se cruzam. Eles enfrentam Coringa e os terroristas juntos, e ainda encontram com Lady Shiva, uma das suspeitas de ser mãe de Robin. Mas depois de intensa luta, descobre-se que ela não é.

O próximo ponto de parada da recém-reunida Dupla Dinâmica é a Etiópia, para conversar com uma enfermeira chamada Sheila Haywood. Ela é a mãe de Robin. Mas… Descobre-se que, além de péssima mãe, ela é uma péssima profissional, que está sendo chantageada por Coringa. E o que ela faz? Entrega o próprio filho ao Coringa.

Robin é brutalmente espancado com um pé de cabra por Coringa, numa das cenas mais fortes e violentas da saga do Homem-Morcego. Acompanhe.

Ambos, mãe e filho, são trancados no armazém com uma bomba armada. Sheila acreditara no Coringa e agora seu destino era morrer. Mas Todd tinha um grande coração e, mesmo tendo sido traído por sua mãe, ainda tenta tirar os dois ali. Mas não houve tempo. Antes que Batman possa chegar para salvá-los, a bomba explode, tirando a vida do Garoto-Prodígio.

Mas Coringa tem ambições maiores. Ele se reúne com o Aiatolá Khomeini e se torna o representante do Irã na ONU. Sim, o Coringa! Agora ele possui imunidade diplomática, e um incidente envolvendo o Batman poderia causar um caos diplomático que o governo americano não desejava. As consequências de um embate direto poderiam surtir numa guerra entre os países (lembre-se da guerra Irã-Iraque que durou de 1980 a 1988). Por isso Superman é enviado para impedir que Batman tomasse atitudes inconsequentes.

Durante um discurso, Coringa desfila uma série de argumentos doentios e perigosos e, repentinamente, libera seu mortífero gás do riso em uma Assembléia lotada. Mortes, mortes e mortes – como todo o caminho que fica sob os pés de Coringa. Uma história mal-resolvida, como todas as histórias entre Batman e Coringa.  E o sentimento de culpa que persegue Wayne por toda a sua história.

Existe uma história de que, na ocasião dessa votação, um garoto burlou o sistema de ligações e programou seu telefone para ligar a cada 90 segundos, votando pela morte de Jason Todd. Mas por mais que eu pesquise, não consigo uma fonte oficial sobre isso, então não posso confirmar para vocês se é verdade ou não.

Essa história é ou não de tirar o fôlego?

Mas vamos ao momento que todos estavam esperando: o resultado do sorteio!

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#23 – Batman: O Filho do Diplomata

Olá, queridos leitores!
Não se esqueçam do sorteio está rolando aqui no Batman Guide. Ainda dá tempo de se inscrever, então corre lá!

Hoje tornaremos a falar de Jason Todd. A HQ se chama “O Filho do Diplomata” (Batman #424 – “The Diplomat’s Son”, outubro de 1988), escrita por Jim Starlin e com a arte de Mark Bright. É um episódio dramático e revelador sobre Todd. Mas começaremos conversando um pouco sobre seu comportamento.

O Segundo Robin tem uma história um pouco parecida com Batman – a mãe desaparecida, o pai morto. Contudo, Jason Todd não teve a assistência de um segundo pai, como Bruce Wayne teve Alfred Pennyworth. Ele cresceu nas ruas, cometendo pequenos furtos para sobreviver, roubando pneus de carro, fumando… Mas Batman viu potencial nesse menino. Acreditou que sua raiva, bem canalizada, poderia surtir num Robin capaz de combater o mal que acabara com seus pais, não por conta própria, mas deixando-os à cargo da justiça. Você viu sua atuação em “Batman – O Messias”. Era perceptível que, naquele momento, ele possuía as características necessárias – raciocínio rápido, senso de justiça, equilíbrio.

Mas… O tempo foi passando, e Jason Todd começou a se tornar irritado, inconsequente, explosivo,  desobediente, cheio de fúria. Ele não estava conseguindo transformar todos os seus rancores em algo positivo, que era a vontade de agir com justiça. Pelo contrário – ele começou a burlar as ordens de Batman, atacando de maneira violenta, destruindo todos os planos feitos cautelosamente e pegando os vilões na porrada, simplesmente, sem pensar nas consequências.

O uso excessivo da força se transformava em algo inadmissível para Batman. Ele não estava batendo para desacordar momentaneamente – ele estava batendo para machucar, para matar. É possível perceber isso no seguinte trecho de Batman #422:

Páginas 15 e 16 da HQ “Batman #422 – O que merece” (Batman #422 – Just Deserts), de agosto de 1888.

Essa não era, de modo algum, a prática comum de Batman, que entendia que a violência era apenas um meio intermediário para praticar a justiça – e não a própria justiça em si, que era como Robin estava agindo.

Robin descobre, por conta própria nos computadores da Batcaverna, que seu pai havia sido morto por Duas-Caras. Furioso pelo fato e por Batman ter escondido dele, ao encontrar o vilão tenta mata-lo com suas próprias mãos:

Páginas 12 e 13 da HQ “Batman #411 – Segunda Chance” (Batman #422 – Second Chance), de setembro de 1987.

Os valores de Batman e Jason estavam se chocando drasticamente. E a HQ de hoje é um dos episódios mais dramáticos desse choque de valores.

Começamos com Jason ouvindo um grito de mulher de um apartamento. Depois de desacordar os bandidos, Batman e Robin encontram uma mulher, Gloria, com sinais claros de ter sofrido violência física e sexual. Ela havia sido sequestrada e violentada por um espanhol chamado Felipe Garzonas. A dupla dinâmica o entrega à polícia, mas… por ser filho de um embaixador americano, Garzonas tem imunidade diplomática e é liberto para ser deportado.

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Crônica da Leitora: “Herói fora do papel”

Olá, queridos!

Hoje vou fazer uma postagem diferente.

No último sorteio, em que presenteei dois leitores com a HQ “Spawn/Batman“, acabei conhecendo melhor a Lívia, uma das pessoas que ganhou. Começamos a trocar e-mails em que ela me contou porque ficara tão feliz de ganhar a revista, e sua história toda era tão bacana e interessante que a convidei para escrever sobre tudo isso para vocês.
Ela, muito gentilmente, aceitou. (Obrigada, Lívia!)

E assim surgiu essa crônica, chamada de “Herói fora do papel“.

Boa leitura!

Quando ganhei a revista do Batman e Spawn no sorteio do Batman Guide me senti muito bem, pois se trata de dois dos meus personagens preferidos, especialmente Spawn.  Ao mencionar esse fato para a Jéssica, a mesma se surpreendeu, não esperava que eu fosse tão fã de histórias em quadrinhos, pois realmente não demonstro isso no meu dia a dia. Mas ao contar a ela sobre minha relação com esse mundo, ela me pediu que escrevesse um pouco sobre isso e o faço com muito prazer.

Meu pai possui uma vasta coleção de gibis de super heróis, como Batman, Super Homem, Homem Aranha e outros, como Tarzan, Cripta, Asterix. Todos datados dos anos 60, 70 e início dos anos 80, talvez.  Com isso, eu e meu irmão crescemos influenciados por ele a ler todos esses tipos de gibis e não teve como não dar continuidade nesse hábito, embora eu e meu irmão não colecionamos, mas sempre compramos uma HQ ou outra. Meu pai possui uma excelente memória da adolescência e eu sempre adorei ouvi-lo contando sobre como adquiriu as primeiras HQs, pois  como ele morava em uma cidade do interior de São Paulo,  ele não tinha quase acesso e dependia dos irmãos mais velhos para conseguir  as novidades da capital. Não só os gibis, mas as músicas, as comidas, as bebidas. Meu pai se lembra da primeira vez em que bebeu coca-cola, da primeira vez que ouviu Pink Floyd, do primeiro gibi do Batman que leu, da primeira vez que chupou sorvete Kibon. E cada uma delas é uma história que eu não me canso de ouvir. 

E de algumas delas, eu me alegro em fazer parte. Lembro quando saiu a HQ da morte do Super Homem. Compramos duas cópias, uma pra ler e outra pra guardar. Meu pai não quis nem chegar perto. Pra ele, aquilo era uma afronta ao seu personagem preferido. Ele sempre diz que a época áurea dos gibis acabou junto com a década de 80 e que daí pra frente, eles acabaram com a essência dos heróis, modificaram suas histórias, fizeram horríveis adaptações para tv e cinema e que com isso, a magia, o encanto se foram e já não vale mais a pena. Até hoje ele se contorce quando começa algum episódio de Smallville – minha mãe adora. 

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#22 – Batman Preto e Branco

Olá!
Hoje leremos uma das HQs mais legais e completas do Homem-Morcego. É uma coletânea de 17 histórias curtas do Batman, com argumento e desenho de vários artistas famosos, e que possuem por característica… serem em preto-e-branco!
Roteiros variados, sátiras, várias homenagens à história do Morcego, personagens de outras HQs dando pitaco, releituras de personagens famosos…
Só pode vir coisa boa disso, né?
Então, divirta-se e entusiasme-se com “Batman: Preto e Branco” (Batman: Black & White, dezembro de 2004, vários autores)!

Como as histórias são curtinhas, farei uma review também curtinha de cada uma delas, para não dar spoiler, ok?

1ª História: Estudo de Caso
(“Case Study”, originalmente feita para “Batman – Preto e Branco”)
Roteiro: Paul Dini
Arte: Alex Ross

Talvez a explicação para o comportamento doentio de Coringa seja diferente do que o esperado… É isso que discutem dois psiquiatras do Asilo Arkham, enquanto esperam pela volta de Coringa depois da última fuga. Um arquivo não catalogado pode revisitar a origem de sua atuação criminosa. Mas será ela verdadeira?

É uma HQ de Alex Ross, autor de Guerra ao Crime, então você já sabe o que esperar da arte, né? Sublime!

2ª História: Batsman, o espancador do Submundo
 (“Batsman: Swarming Scourge of the Underworld”, originalmente feita para “Batman – Preto e Branco”)
Roteiro: Ty Templeton
Arte: Marie Severin

Uma paródia hilária sobre Batman e toda a lenda nobre que o cerca. A dessacralização total da figura poderosa do Homem-Morcego, de Robin, de Alfred… Todos os personagens sendo ironizados! Lembra as paródias da revista MAD.

3ª História: Uma questão de confiança
(“A Matter of Trust”, originalmente feita para “Batman – Preto e Branco”)
Roteiro: Chris Claremont
Arte: Steve Rude

Bruce Wayne cuidado de… crianças?
Ele é padrinho dos gêmeos de uma amiga médica, que o convoca para cuidar de seus filhos enquanto ela atende uma emergência no hospital. E se Batman está totalmente apto a cuidar do crime e de bandidos perigosos, ele se revela praticamente um fiasco lidando com duas pestinhas cheias de energia. Mas a inocência e sensibilidade dessas crianças pode surpreendê-lo…

4ª História: Noite após noite
(“Night After Night”, originalmente feita para “Batman – Preto e Branco”)
Roteiro: Kelley Puckett
Arte: Tim Sale

Acompanhamos a rotina de Batman durante um dia, desde o momento em que interrompe seu sonho até o momento em que volta a ter suas lembranças. Sua rotina de combater o crime e cuidar das almas em perigo de Gotham nos é mostrada de forma integral.

5ª História: Destino
(“Fortunes”, originalmente feita para “Batman – Preto e Branco”)
Roteiro: Steven T. Seagle
Arte: Daniel Torres

O estranho suicídio de uma cartomante, possivelmente uma charlatã, une Batman e um detetive particular. Qual será a explicação para esse crime? E quais as diferenças e semelhanças entre esses dois homens que, a seu modo, conseguem solucionar crimes tão complicados?

6ª História: Para se tornar o Morcego
(“To Become the Bat”, publicada originalmente em “Gotham Knights #1)
Roteiro: Warren Ellis
Arte: Jim Lee

Como Batman aprendeu tudo que sabe? Quanta investigação, sangue frio e desapego foi necessário para que atingisse o nível em que se encontra? Enquanto investiga um assassinato brutal, Batman revisita todo esse treinamento que o levou a abandonar a calmaria de ser um milionário e o levou a se tornar o Cavaleiro das Trevas.

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#21 – Batman: Cidade Castigada

“Todo mundo tem medo de alguma coisa.
Do que eu tenho medo?
Não é de aranhas, do escuro, da perda… da perda..ou até mesmo da morte…Mas de sonhar.”

Olá!
Hoje apresentarei uma HQ escrita por Brian Azarello, velho conhecido de quem já está familiarizado com boas e clássicas obras. A arte é de Eduardo Risso.

Nela você vai se deparar com um Batman cheio de memórias que o atormentam, assuntos nunca resolvidos antes da perda de seus pais, e considerando a dimensão de suas responsabilidades. E paralelamente a isso, Gotham está sendo tomada por vilões como Crocodilo, Coringa, Pinguim, Scarface e outros. Gotham é mostrada como uma cidade fragilizada, danificada, cheia de almas doentes que buscam algum tipo de socorrro, mas… Será Batman capaz de ajudar cada uma dessas almas a encontrar a redenção?
Descubra em Batman: Cidade Castigada (Batman: Broken City, lançado no Brasil em 2007)!

O roteiro da nossa HQ começa com uma mulher grávida encontrada morta num depósito de lixo em Gotham – mas ela não está apenas morta, está parcialmente devorada. Além disso, seu irmão desapareceu. Qual seria o motivo desse desaparecimento? Seria ele culpado por esse crime?

O interrogatório inicial com Crocodilo, que Batman acredita ter sido pago para cometer esse crime, é apenas o início da sua jornada. Batman precisa encontrar os responsáveis por esse crime hediondo, em meio à ascensão de vilões grotescos e perigosos. O clima noir é evidente em todo o enredo. Há uma dupla de vilões que demonstra possuir grande conhecimento sobre Gotham City.
Como se não bastasse toda a tortura a que se submete mentalmente, a ironia do destino o pega de jeito ao pular de um prédio, perseguindo o irmão da mulher morta: Ele acaba se deparando com uma criança cujos pais acabaram de ser mortos por um homem armado, e então é revisitado por um todos os traumas que o machucam ainda na vida adulta, afetando a sua própria investigação.

Ele também se questiona sobre sua verdadeira identidade: ele era Bruce Wayne, que se vestia de Batman, ou ele era verdadeiramente Batman, e Bruce Wayne era apenas uma sombra de sua personalidade? Ele vê na maquiagem escorrida de Margô, uma mulher fatal e perigosa, a sua própria maquiagem, sua máscara, que o esconde… O esconde de que?
E depois de encontrar todas as pistas que acreditava serem verdadeiras, Batman está quase certo sobre quem é o assassino – mas depois de uma reviravolta, já não tem mais certeza da autoria do crime!
A arte de Eduardo Risso abusa das variações, com quadros grandes, com efeitos sombrios, personagens plásticos e amedrontadores, closes em sorrisos violentos, enquadramentos fluidos… Os personagens são muito realistas, suas roupas são adequadas para tomadas de ação em Gotham, para combates intensos. O sangue não é poupado, bem como os socos, e a violência de todos os personagens. Os sonhos de Batman são um caso à parte, e o atormentam noite após noite, até que ele resolva esse caso.

Não vou comentar mais sobre a HQ para evitar spoilers, mas é uma trama que vai te prender até o fim, numa caçada policial que demonstra ser mais complicada e intensa do que o previsto.

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#20 – Batman: O Messias

“Minha realidade, hoje, não é uma visão muito atraente. Ela é feita de agonia e de delírio.”

Olá!

Hoje já adianto que teremos uma obra muito forte e impactante. Ela foi criada por Jim Starlin, responsável por diversas obras clássicas do Batman. É um roteiro denso; a sobrecarga psicológica vai agradar aqueles que gostaram de Asilo Arkham, por exemplo. A arte de Bernie Wrightson se caracteriza pelo seu realismo violento, sujo, com uma ênfase impactante nas cenas de ação. A sensação claustrofóbica de prisão nos persegue durante toda a HQ, fruto da combinação genial de roteirista e artista.

Publicada em 1988, a sinopse nos traz um Batman dilacerado, quase louco, com pensamentos que nunca tivera antes. Ele está amarrado, acorrentado em um dos esgotos da doentia Gotham City. Ele foi drogado, espancado, está há dias sem comer. Quem é responsável por isso? Descubra em “Batman: O Messias”! (Batman: The Cult, 1988)

O responsável pela prisão de Batman é o Diácono Blackfire. Ele é um líder religioso megalomaníaco e agressivo, que arrebanha mendigos e desesperados para sua seita religiosa hedionda, que tem por objetivo assassinar criminosos. Ganhando a confiança dessas pessoas oprimidas, o Diácono Blackfire pretende… tomar Gotham de assalto e dominá-la.
E claro que Batman seria um empecilho a esse tipo de dominação ideológica e física, por isso Blackfire decide subjugá-lo. Seu pensamento de usar a violência somente quando estritamente necessário vai contra os planos doentios de Blackfire: ele quer extirpar o crime, que considera o pior mal da humanidade, através da morte dos criminosos. O Cavaleiro das Trevas já não tem noção de quanto tempo está ali; seus sonhos revelam possíveis desejos de seu subconsciente de que ele não pode se orgulhar.

Ele está perdendo o controle, está prestes a cruzar a linha entre a sanidade e a loucura. Mesmo Bruce Wayne não consegue ficar imune a esse tipo de tortura psicológica. Ele é um homem. Ele também tem limites. Estamos acostumados a vê-lo se saindo bem em suas batalhas, mantendo suas convicções firmes, e quando chegamos em “O Messias”, temos um Batman prestes a desistir do que acredita, sucumbindo à torturas que mostram o que ele tem de mais frágil. Ele sonha que está matando – e sente prazer nisso. Isso não é um pensamento habitual do Batman. Então… Quais são mesmo os objetivos do Homem-Morcego?
Tudo isso como a obra de um extremista religioso, cego em seus objetivos… O contexto social dessa obra está presente em nosso dia-a-dia, também.
Ela é impactante porque é violenta, uma saga brutal que não nos poupa de enormes banhos de sangue ao longo das páginas – mas também porque é contemporâneo, porque é verossímil. E nos mostra que, levado ao extremo do fanatismo religioso, até mesmo o Cavaleiro das Trevas pode sucumbir. Conseguirá ele se safar dessa lavagem cerebral?

Não deixe de ler essa, que é uma das HQs mais sombrias do Batman. Nela você também verá a atuação de Jason Todd, que foi introduzido na postagem passada, como Robin. Acompanhe o descontrole de Batman. Veja até onde ele consegue aguentar.

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#19 – Batman: O Dia em que Robin Morreu & Batman: No Beco do Crime

Oi!
No post anterior, eu abri uma exceção para falar um pouco sobre o Bane, o vilão de The Dark Knight Rises. Mas hoje daremos prosseguimento à ordem certinha que eu tinha programado para o Batman Guide.

Como você deve lembrar, estávamos falando de Dick Grayson, o primeiro Robin, que se juntou a Batman como seu fiel escudeiro e seu braço direito. Existem várias histórias em que ele participa, e eu postarei conforme forem aparecendo, deixando bem claro que se trata do Robin I, ok?
Hoje, no entanto, leremos uma HQ que trata do desligamento de Dick Grayson do papel de Robin. E também leremos a história em que conhecemos um pequeno ladrão com raízes no Beco do Crime, mas que irá auxiliar Batman no papel de novo garoto-prodígio! Apesar de serem duas revistas, elas são curtinhas, então você conseguirá ler as duas sem problemas.

As duas HQs são “Batman: O Dia em Que Robin Morreu!” (Batman Vol 1 #408, junho de 1987) e “Batman: No Beco do Crime!” (Batman Vol 1 #409, julho de 1987)!

Vamos relembrar um pouco do surgimento de Dick Grayson.

Dick Grayson como Robin e os Jovens Titãs

Ele surge como um auxiliar de Batman, o “garoto-prodígio”, que possui os mesmos princípios que Batman acerca de justiça e uso moderado da violência. Entretanto, um personagem tão bonzinho pode ter má recepção se ele soar muito conservador para os leitores, em sua parte jovens. Para suprir essa carência de mais “atitude” por parte de Dick Grayson, a DC Comics decide reunir os personagens jovens da época em um único grupo, que recebe a incumbência de proteger a sociedade. Assim temos a criação da Turma Titã, cuja característica principal era ser um grupo formado só por adolescentes. Formavam a Turma Titã o Aqualad (parceiro-mirim do Aquaman), o Kid Flash (parceiro-mirim do Flash), a Moça-Maravilha (parceira da Mulher-Maravilha) e o Ricardito (parceiro do Arqueiro Verde). Robin, com um senso de liderança natural, torna-se o líder entre eles – mas SEM abandonar o manto de Robin.

Tornando-se cada vez mais rebelde, Robin vai se afastando cada vez mais de Batman e de sua atuação como auxiliar do Homem-Morcego. E conforme o tempo vai passando, Dick passa a se sentir insatisfeito com o caráter secundário que recebe no papel de Robin, e com as ordens impostas pelo seu tutor Batman. Ele precisa de mais espaço para expressar sua própria personalidade – espaço esse que não é possível desenvolver sendo apenas um auxiliar. Sua atuação nos Jovens Titãs vai crescendo ainda mais.
E então, durante o ano de 1983, Dick Grayson adota a identidade que o acompanharia pelos próximos anos: Asa Noturna. Veja a seguir o momento dessa epifania.

Página 21 da HQ “Tales of the Teen Titans Vol 1 #44 – The Judas Contract: Book Three – There Shall Come a Titan!”, de julho de 1984

Página 22 da HQ “Tales of the Teen Titans Vol 1 #44 – The Judas Contract: Book Three – There Shall Come a Titan!”, de julho de 1984

(Não se preocupe: no Batman Guide ainda falarei especificamente sobre o Asa Noturna, mas no momento vamos nos concentrar no papel de Robin)

Vamos ler as HQs agora?

Batman: O Dia em Que Robin Morreu!

Na nossa HQ, temos precisamente o momento em que Batman decide afastar Dick do papel de Robin, depois de uma empreitada mal-sucedida que culmina no Coringa atirando no ombro de Dick Grayson. As justificativas de Batman são plausíveis – ele estava expondo um garoto à riscos mortais. Mas Dick Grayson não era um mero garoto, e sua ascensão como Asa Noturna ainda será muito útil ao próprio Robin ao longo da sua saga.
Depois dos eventos que sucedem no afastamento (por isso o termo “morte” no título da revista), Batman prossegue sua vida, não tão normalmente porque estava acostumado a ter um parceiro para se sair bem nas empreitadas contra o crime no submundo de Gotham. Em uma visita ao Beco do Crime – o lugar em que seus pais foram assassinados – e à “exemplar” Escola para Garotos da Mamãe Gunn , seu carro tem as rodas roubadas por um marginal muito corajoso.

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#18 – Vingança de Bane I e II

Olá!

Hoje temos uma postagem excepcional no Batman Guide, que vai sair um pouco do planejamento que estou seguindo com vocês.

Irei falar um pouco sobre Bane, o vilão que aparece em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Ele é tido por muitos como um dos vilões mais fortes e inteligentes do homem-morcego. Dotado de força quase sobrenatural devido à utilização de um poderoso entorpecente, possui um passado cheio de dor e sofrimento, que se converteram numa vida em que tudo que se conhece são as sombras. Não houve outro passado pra ele. Bane é “o homem que quebrou Batman”.

Então, vamos ler hoje: “Vingança de Bane” e “Vingança de Bane II: A Redenção!” (Batman: Vengeance of Bane I , 1993, e Batman – Vengeance of Bane II: The Redemption, 1995).

Se você ainda não assistiu “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, não se preocupe muito, não darei grandes spoilers.

Vingança de Bane I

Nessa HQ, temos o surgimento do personagem de Bane, com roteiro de Chuck Dixon e com os desenhos de Graham Nolan. Começa com a história de uma mulher que vê o filho ainda na barriga ser condenado à prisão perpétua pelos crimes que ela e o pai da criança cometeram, de acordo com as leis do local. Contudo, não é uma prisão qualquer – é Santa Prisca, uma ilha caribenha, e a prisão é Peña Duro (que foi traduzido para Pietra Dura na nossa HQ), um lugar onde só há caos e violência. Depois de 6 anos, sua mãe morre de inanição e desgosto pela vida, e o pequeno Bane se vê sozinho num lugar em que nem o pior dos homens pensaria em crescer.
Depois da morte dela, ele é transferido para a ala geral, para o convívio com o resto dos homens, e vê sua inocência (que já sofria um processo regressivo desde o nascimento) se esvair com o convívio com homicidas, assaltantes frios, agressores e psicopatas. Além disso, a vivência com a corrupção dos carcereiros e de quem devia organizar aqueles presos destrói qualquer indício de justiça limpa que ele possua.

Aos 8 anos, depois de um ano em coma, sem qualquer traço de piedade, comete seu primeiro crime: um assassinato a sangue frio. Pela brutalidade do crime, é trancado numa solitária especial: a “Cavidad obscura”, sem circulação de ar adequada, recebendo suprimentos alimentares racionados, convivendo com ratos e outros animais esquerosos, com inundações quando a solitária ficava abaixo do nível do mar… Uma tortura psicológica que destruiria qualquer mente sadia… Mas não a de Bane, que aproveita sua reclusão para desenvolver sua personalidade violenta e sanguinária, paralelamente ao cultivo da forma física e do seu intelecto. Todo o ambiente opressor do local transformam seu interior em puro ódio – ódio que se personifica na figura do Cavaleiro das Trevas, levando-o à obsessão de encontrá-lo.

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