#27 – Chapeleiro Louco – Dia das Bruxas: Loucura

Tire seu chapéu! Eu guardo todos… pra vender. Eu sou um chapeleiro! Cortem. Cortem. Cortem-lhe a cabeça!

Olá!
A postagem de hoje trará um dos vilões mais neglicenciados do Batman, na minha opinião. O motivo dessa neglicência é seu aspecto um pouco “infantil”, que parece destoar do caráter sombrio do Cavaleiro das Trevas. Mas essa suposta infantilidade parte da não-compreensão do personagem: ele é um maníaco com tendências à pedofilia que se inspira na Alice de Lewis Caroll. E a história de Alice contém vários elementos adultos, misteriosos e enigmáticos, que ao estabelecerem-se numa mente doentia como a do doutor Jervis Tetch, resultam no vilão Chapeleiro Louco.
A HQ de hoje pertence à saga que no exterior se chama “Batman: Haunted Knight” e que aqui no Brasil foi publicada como “Batman – Dia das Bruxas”. Essa publicação contém 3 histórias; falaremos da segunda, que se chama “Loucura” (Madness. setembro de 1996, roteiro de Jeph Loeb & arte de Tim Sale)!

Bárbara Gordon, adotada por James Gordon e sua esposa (que também se chama Bárbara), redige um diário em que conta seus dramas adolescentes. Para Gordon, essa fase de crescimento e rebeldia é difícil de lidar, pois ainda precisa cuidar da esposa e ser o comissário de uma polícia corruptível e desorganizada.

Mas um maníaco está raptando crianças em Gotham City, e a jovem Bárbara é levada por ele. Ninguém sabe o paradeiro delas, e cabe à Gordon procurá-las – com a ajuda do Cavaleiro das Trevas.

A identidade do sequestrador é revelada: Jervis Tetch, um ex-neurocientista oibsessivo-compulsivo e esquizofrênico viciado nas obras de Lewis Caroll, capaz de desenvolver chapéus que controlam pessoas – e que acaba mergulhando nos próprios delírios e se torna o Chapeleiro Louco. Não fala nada que faça sentido, declama versos e trechos de “Alice no País das Maravilhas”, alterna seu espírito maníaco e assassino com a depressão.
Quando Batman descobre isso, se revolta profundamente porque o Chapeleiro não é um simples vilão que Batman conseguiria desacordar com um soco – ele está destruindo uma das lembranças mais fortes que ele possui, isso considerando uma infância que não teve muitos momentos felizes. Bruce Wayne quase é derrotado por sua tristeza ao lembrar-se de sua mãe lendo “Alice” para ele no mesmo dia em que fora assassinada.

A menina Bárbara é sequestrada e mantida em cativeiro, obrigada a vestir-se de Alice, numa doentia simulação da “cerimônia do chá” no livro mais famoso de Lewis Carroll.

Assim, a trama envolve duas relações de pais-e-filhos: Gordon e sua dificuldade em lidar com a filha adolescente, e seu desespero por seu desaparecimento, e Bruce tentando salvar um dos únicos pontos luminosos de sua memória. Ambas as coisas seriam possíveis com a prisão de Chapeleiro Louco.
Mas sua loucura o tornou mais forte e difícil de ser capturado… Como Batman conseguirá combater insanidade e loucura carregando dentro de si suas próprias lembranças e alucinações?
Falar sobre o roteiro e a arte seria tornar-me repetitiva. É sempre bom ver Jeph Loeb & Tim Sale em ação. Relembre as duas outras HQs que postei aqui: Batman: O Longo Dia das Bruxas e a continuação Batman: Vitória Sombria.

Então, boa leitura!

PS: Estou traduzindo uma HQ para o Batman Guide. Preparem-se, vem coisa muito legal por aí!

Download no MEGA – Chapeleiro Louco – Dia das Bruxas: Loucura

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  1. Eu não gosto muito do Chapeleiro, mas essa representação de Sale/Loeb é muito boa, pois dá sentido ao vilão, dá a ele um significado na mitologia do herói. Quanto à dupla de criadores, tenho um sentimento meio ambíguo sobre eles. Loeb é um grande roteirista, mas porque consegue compor cenas muito, muito boas. Ele sabe aproveitar a presença e os sentimentos dos personagens como poucos, mas tem o defeito de pesar um pouco a mão quando mexe em partes ainda pouco exploradas das origens desses personagens. Talvez esse sentimento, muito particular meu, venha do que ele fez com Superman em “As Quatro Estações”. Até hoje não sei se gosto ou não daquela série. Já o Sale é outra história. Tem seus momentos medíocres e irregulares, mas quando acerta o tom com o parceiro mata a pau. Cria imagens que ficam na mente por muito, muito tempo. Como a cena do labirinto do primeiro número de Haunted Knight. E falando nisso, o nome original da mini é muito melhor que o nacional. O que os editores pensaram? Que iriam vender mais só porque era dos mesmos criadores de Long Halloween? Cada ideia ridícula, viu. Mas acho que o ponto forte desse número dois é mesmo as histórias paralelas e a presença da Bárbara ali, completando o quadro de Alice que o Chapeleiro montou, aquilo é um verdadeiro deleite.

    • Oi Ed!
      Eu particularmente adoro a atuação do Loeb e do Sale. Não consigo encontrar defeitos, talvez com uma análise mais criteriosa como a sua eles fiquem visíveis, mas pra mim eles são muito bons!

      Olha, também achei “The Haunted Knight” muito melhor, porque as 3 histórias da coleção se passam com personagens muito assustadores. Confesso que quando li pela primeira vez achei que tinha alguma relação com “Long Halloween”, mas depois que percebi que era apenas uma estratégia – que acaba por confundir um leitor mais distraído.

      Achei que essa representação do Chapeleiro seria a melhor, tem outra HQ que conta sua história também, mas essa do Loeb & Sale é a mais interessante!

      Obrigada pela visita, moço (:

  2. Olá, novamente parabéns pelo site, está ficando cada vez melhor. Sobre esse arquivo do Dia das Bruxas: Loucura, não consegui visualizar; fiz o download, mas consta que o arquivo está corrompido. Por favor verifique para eu saber se o problema não é com o meu computador. Abraços.

  3. Olá! Baixei novamente o arquivo e está certo agora! Parabéns pela rapidez e eficiência! Desde que conheci o site já está nos meus favoritos. Inclusive, tenho algum material do Batman no computador (nem li tudo ainda). Se houver algum modo de ajudar o site, avise! Abraços!

  4. A propósito, eu adoro o Chapeleiro, e acho que ele é um vilão que poderia ser muito melhor explorado. Ele é um gênio em tecnologia, mas ao mesmo tempo um doente mental… e o fato de ele conseguir dominar mentes dos outros é interessante e (partindo dele), muito assustador. Claro que o Coringa reina absoluto entre todos, mas a “loucura” do Chapeleiro quase chega ao nível dele, e só por isso com certeza já vale a leitura.
    Abraços!

  5. Pingback: #36 – Batman: Dia das Bruxas | Batman Guide

  6. Pingback: #48 – Asilo do Coringa I e II – COMPLETO | Batman Guide

  7. Primeiramente, queria dizer que o site é ótimo, estive procurando HQ’s do Batman por um tempo e aqui estão… Muito obrigado.
    Agora, sendo um pouquinho chato, eu queria dizer que sou um grande fã do Chapeleiro, porém, nunca consegui ler a HQ Batman#49 de 1948 e então, queria pedir para colocar-la aqui, se já colocou e eu não achei, por favor, mande o link.
    Novamente agradeço.

  8. Está ocorrendo um erro ao tentar baixar esta HQ no MEGA, não sei se é só comigo.

    Meus parabéns pelo blog, é ótimo, comecei a acompanhar hj e pode ter certeza d q não irei parar 😉

    • Leandro querido, tudo bem?
      Testei o link do Mega aqui no meu navegador, está funcionando perfeitamente.
      Por favor, tente limpar o seu navegador e começar o download de novo, tudo bem?
      Caso não consiga, retorne aqui e tento te ajudar, tá?

      Obrigada pelo seu comentário, querido, contamos realmente com a sua fidelidade ao blog!

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