#36 – Batman: Dia das Bruxas

Oi!

Como vocês devem saber, hoje é Dia das Bruxas/Halloween nos países anglo-saxônicos. E para comemorar esse dia, o Batman Guide trouxe um especial de Dia das Bruxas do Homem-Morcego para você!

A HQ de hoje traz três contos que envolveram Batman nas proximidades do Dia das  Bruxas, em Gotham City. Essa data tem um significado simbólico para Bruce Wayne. Em três Dias das  Bruxas distintos, a sanidade mental do cavaleiro das trevas é testada; lembranças vêm à tona, fazendo Bruce repensar sobre os próprios limites. Elas foram criadas por Jeph Loeb e Tim Sale ainda no início da carreira.

Bons sustos com “Batman – Dia das Bruxas!” (Batman: Haunted Knight, roteiro de Jeph Loeb e arte de Tim Sale, 1993-1995)!

Ah! Tome cuidado para não confundir com O Longo Dia das Bruxas, ok? Para evitar isso, a edição brasileira poderia ter traduzido o título original da HQ, “Haunted Knight” (Algo como “Cavaleiro assombrado”), mas como não foi, corre-se o risco de confundir com a outra obra de Loeb e Sale.

#1 – Temores
(Batman: Legends of the Dark Knight Halloween Special Vol 1 – Fears, 1993)

Começamos com o Espantalho espalhando seu perigoso gás do medo e aterrorizando Gotham City. Temos também uma narrativa paralela à de Espantalho, onde podemos ter uma ideia da estarrecedora dimensão da solidão de Bruce Wayne. Ele conhece Jillian Maxwell, uma mulher bonita, jovem e interessante, que o encanta de tal maneira… Batman não é um homem normal. Há riscos para ambos em desenvolver esse relacionamento. Mas e o medo da solidão? E o temor de ser sempre um homem enclausurado, amargo, solitário…? Até que ponto vale a pena abandonar o papel de Batman e buscar a felicidade como Bruce Wayne?

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#35 – Batman: Silêncio

Oi!

Essa HQ precisou de muito tempo para ser postada. Primeiro porque ela envolve muitos personagens, sobretudo vilões, e postá-la sem falar sobre os vilões primeiro comprometeria muito a compreensão de vocês.
E segundo porque essa é uma daquelas HQs que marcaram época. Você não poderia dizer que leu Batman sem ter lido essa. Para vocês terem idéia, ela é tão rara que está variando de R$ 150 a R$ 199 reais no Mercado Livre  (há um tempo atrás tinha uma à venda por R$ 300), e está esgotada em todas as lojas de comércio eletrônico possíveis. Ela é um sucesso de crítica, sucesso de público, por seu roteiro maravilhoso e sua arte inigualável.

Acompanhe agora “Batman: Silêncio” (Batman: Hush, roteiro de Jeph Loeb e arte de Jim Lee, 2003)!

Primeiramente, dois nomes: Jim Lee e Jeph Loeb. Eu sou muito fã do trabalho do Jeph Loeb e, como era de se esperar, ele não decepciona em “Silêncio”. Diz-se que “Silêncio” é uma das melhores histórias de Loeb. A arte de Jim Lee, desenhista do aclamado “Pelo Amanhã” , se destaca pelos quadros grandes, com coloração adequada, que aproxima a história de um conto policial. E é nesse roteiro que mergulharemos agora.

Começamos com o sequestro de Edward Lamont IV, um magnata da indústria química. Ao investigar, Batman se depara com o vilão Crocodilo, cada vez menos humano e mais aproximado do seu lado reptiliano. Mas essa é só a ponta do iceberg. Todos os vilões de Batman vão acabar se unindo contra ele, e isso envolve desde Duas-Caras até Ra’s Al Ghul, Espantalho, Pinguim, enfim…
Temos como pano de fundo mais o lado detetive do Homem-Morcego em detrimento do seu lado “super-herói”. Menos Batman e mais Bruce Wayne. Essa habilidade de detetive será muito útil nesse momento conturbado para Gotham City. Um vilão conhecido apenas por Silêncio está orquestrando ataques dos inimigos de Batman. Como descobrir quem ele é?
Batman conta com a ajuda de seus aliados Robin (Tim Drake), Oráculo, Gordon, Asa Noturna e Caçadora (aliás, falarei mais sobre os aliados do Homem-Morcego em breve aqui no Batman Guide). Em “Silêncio”, esses relacionamentos serão amplamente explorados.
Há uma página, em especial, que eu gostaria que você observasse. Preste atenção, por favor.

Página 225 da HQ “Batman – Silêncio”.

Nesse caso específico, não era Jason Todd vindo dos mortos, mas apenas o vilão Cara-de-barro tentando atingir a psique de Batman. Mas guarde o fato da “ressurreição” de Todd na cabeça, ela será importante posteriormente.

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#34 – Coringa – Brian Azzarello

Oi!
Em primeiro lugar, quero agradecer os comentários compreensivos e carinhosos que recebi no meu último post! Obrigada por terem me entendido e por visitarem o Batman Guide!

Para comemorar o retorno das minhas postagens, hoje eu trouxe para vocês uma HQ que você NÃO PODE deixar de ler. Sério. Ela foi lançada em 2008, mas continua sendo referência quando falamos em histórias mais realistas do Batman. Os traços dessa HQ são adultos, bem desenhados, e o roteiro é superdenso. É uma daquelas obras para se ler avidamente.
Talvez você já tenha ouvido falar dela, ou mesmo tenha lido, mas em todo caso, hoje vamos falar de “Coringa”, de Brian Azzarello (Joker, roteiro de Brian Azzarello e arte de Lee Bermejo, dezembro de 2008).

Você se lembra da outra HQ de Brian Azzarello que eu postei aqui, “Cidade Castigada”? (Caso não lembre, sempre é tempo de dar uma olhadinha!) Então você sabe que estamos falando do renomado autor da série “100 balas” (que você encontra no excelente site de scans Coringa-Files). Antes mesmo de saber o roteiro, dá pra sentir que vem coisa boa nesse material, não é? Mas vamos conhecer um pouco mais.
De alguma maneira sórdida, Coringa foi solto do Asilo Arkham depois de uma suposta “regeneração”. Na saída da prisão para criminosos que necessitam de tratamento psiquiátrico, está à sua espera Jonny Frost, que leva Coringa para um passeio em Gotham. (Aliás, toda a HQ se passa pelos olhos atentos de Jonny Frost, um capacho que nutre admiração profunda pelo vilão). Mas Coringa não tem mais nada, além do seu nome. Ele não tem mais dinheiro, não tem mais capangas, não tem mais poder – toda sua influência foi ultrapassada pelas diversas facções que disputam o poder no submundo de Gotham City.
Mas ele continua sendo Coringa, e nunca aceitaria tal humilhação, não é mesmo? Ele precisa recuperar seu poder. E é essa a narrativa central da HQ.

Entretanto, essa busca de influência não é pacífica – ela envolve sangue e brutalidade, com um nível de insanidade que só seria possível ao Coringa. Aliado ao Crocodilo – que aqui é mostrado muito mais como um gângster truculento do que como um réptil, e não obstante, acaba por obter a ajuda forçada de Pinguim e de Duas-Caras. “Por que eles o ajudam?”, você pode pensar. Por medo das armas? Por medo de apanhar do Coringa? Não. Por medo de sua insanidade, algo tão grande e tão terrível que pode aterrorizar mais que um rifle apontado para seu peito. Todos percebem que, durante todo este tempo em que esteve submetido à tal reabilitação só serviu para torná-lo ainda mais psicótico.
Talvez você não saiba o que vai encontrar nessa HQ, então vou te contar um trechinho do primeiro acontecimento após a chegada de Coringa na cidade: ele dá uma festa. Na festa, está o homem que deixara no comando ao ser internado no Asilo Arkham, e que deveria tomar conta de seus negócios. Obviamente, ele não fizera um bom trabalho. E como ele é punido? Simples. Coringa arranca sua pele do corpo todo, deixando apenas o rosto. Para quem quiser ver a imagem, é só clicar aqui, mas adianto que é um pouco forte.

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“Férias” forçadas & pedido de desculpas

Olá, queridos!

Bom, como vocês devem ter notado, faz algum tempinho que não apareço por aqui – o que é bem anormal, para quem costuma postar duas vezes por semana.

Acontece que nesse último mês andei tendo alguns problemas pessoais bem sérios e chatos, coisas que acabaram me deixando sem tempo pra postar. 😦 Vocês sabem que mesmo quando estou ocupada eu dou um jeitinho e posto, mas os últimos acontecimentos foram bem difíceis mesmo. (Mas não se preocupem, as coisas estão melhores!)

Então eu vim aqui pedir desculpas para vocês e comunicar que não, o blog não acabou! Eu só acabei tendo que tirar um período para me recuperar, colocar as coisas no lugar, e agora estou de volta! 😀

Mesmo com o Mediafire me atrapalhando, essa semana tem post novo, então aguardem!

Obrigada pela confiança e pela paciência!

#33 – Robin: A Lenda Renasce

Oi!
No último post apresentei para vocês o personagem de Tim Drake. Ele apareceu como um menino esperto que descobriu sozinho toda a verdade sobre Batman e Asa Noturna, e tentou convencer Dick Grayson a voltar a atuar como Robin. Diante das negativas, pediu a Batman uma chance de atuar como Robin. Ele negou no momento, mas aceitou tentar aceitar Drake para o papel.
A HQ de hoje é um encadernado que foi lançado pela Abril em 1992 mas tornou-se um pouco rara de encontrar para comprar. É nela que vamos encontrar o desenvolvimento de Tim Drake, sua evolução e crescimento. E, como o título sugere, a ascensão de um herói.
Fique com a leitura de “Robin: A Lenda Renasce” (Robin: A Hero Reborn, roteiro de Chuck Dixon e Alan Grant e arte de Norm Breyfogle e Tom Lyle, publicada em 1992 no Brasil).

O garoto Drake tem uma grande necessidade de se superar, de superar seus medos. Sua mãe morreu e seu pai está em coma. Para alguns garotos, isso poderia ser motivo suficiente para se perder no caminho, mas não para ele. Ele é um garoto inteligente e dedutivo, extremamente benevolente. Mas ainda assim, o Cavaleiro das Trevas está hesitante em deixar Drake participar – ainda mais depois do que aconteceu à Jason Todd.
A cidade está sendo assolada por um assassino misterioso, mascarado, de quem ninguém suspeita a identidade. Batman é designado para encontrá-lo, mas, apesar da insistência de Drake, ele não se utiliza da ajuda de Robin nesse trabalho. Isso obviamente frustra o menino, porque ele tem razões pessoais para querer ajudar e, assim, superar seus medos e ser digno na confiança de Batman. É necessário estar preparado, ter calma e paciência para ser Robin.

Além disso, a imagem dos dois Robin anteriores paira incessantemente sobre a cabeça de Drake: o primeiro, tão bem sucedido que saiu em carreira solo, e o segundo tão devotado que foi capaz de morrer em serviço. E se ele não estivesse preparado? E se ele manchasse a imagem de Robin, um manto que carregava tanta importância?
Tim Drake parece ser o mais investigativo e inteligente dos Robins. Consegue utilizar as tecnologias disponíveis da Batcaverna a seu favor, cruzando informações de maneira brilhante na ausência de Batman. E através dessas pesquisas, ele acredita chegar à identidade secreta do assassino. Ele havia recebido ordens expressas de Batman para não se envolver e para ficar na Batcaverna durante sua ausência. Mas ao mesmo tempo, se sua pesquisa e intuição estivesse certa, Batman teria ido direto sozinho para uma armadilha que poderia lhe custar a vida… E então, o que fazer? Obedecer as ordens de seu futuro mentor e permanecer na Batcaverna, o que lhe garantiria pontos a mais na sua tentativa de se tornar Robin, mas o mesmo tempo deixar Batman ir direto para uma armadilha?

Ou arriscar sair para desvendar sozinho o mistério do assassino, correndo o risco de estar errado e, em consequência disso, arruinar totalmente qualquer chance de ser o terceiro Robin? O que você faria, no lugar dele?
Uma coisa interessante de se notar nessa HQ é a excelente relação que se estabelece entre Drake e Asa Noturna. É como uma relação de irmãos. Isso se dá porque Drake consegue o respeito, ele MERECE, por ser tão nobre e inteligente.
O papel de Robin é importante para Batman. Quando Batman está sozinho, ele se torna duro, quase ficando cego pela sua raiva. A presença de um sidekick o torna mais afável, mais ponderado e razoável.
Nessa HQ, vemos como um Drake, um homem comum, luta com seus medos, controla suas angústias, desafia sua própria zona de conforto e… se torna um herói.

Boa leitura!

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#32 – Batman: Um Lugar Solitário para Morrer (Tim Drake)

Olá, queridos!
Bom, vamos fazer uma pausa nos vilões do Batman para retornar às suas histórias mais clássicas. Ainda falta falar de alguns vilões, como Ra’s Al Ghul e o Charada, mas isso virá em breve. Aliás, se quiser dar alguma sugestão de vilão que não pode faltar, deixe um comentário ou entre em contato!

Vamos dar uma situada na história do personagem do Robin.

Na última vez em que falei dele, apresentei a HQ “Uma Morte em Família”, em que o segundo Robin, Jason Todd, é morto cruelmente pelo Coringa quando finalmente havia encontrado a mãe desaparecida na Etiópia. O acontecimento desconsola profundamente Batman, mas ele nada podia fazer, pois o Coringa havia se tornado o Embaixador do Irã na ONU e qualquer tentativa de agressão contra ele poderia causar um grave incidente diplomático entre as nações. Mas Coringa promove um atentado durante uma assembléia e, ao ser perseguido pelo Super-Homem e por Batman, consegue desaparecer no mar – deixando as coisas mal-resolvidas mais uma vez entre ele e o Homem-Morcego.

Pois bem. Na HQ de hoje, iremos apresentar o jovem Tim Drake, um garoto persistente e inteligente que começa a relacionar os fatos e compreender melhor Batman. E com sua audácia e perspicácia, ele pode vir a ocupar um lugar que Bruce Wayne prometera deixar vazio em sua carreira…

Acompanhe hoje a história “Um Lugar Solitário para Morrer” (A Lonely Place of Dying, roteiro de Mary Wolfman e George Pérez, arte de Jim Aparo, George Pérez e Tom Grummette, outubro-dezembro de 1989)!

Bruce Wayne sente um grande remorso devido à morte de Jason Todd, que acredita ser sua culpa. Você pode observar isso nesse trechinho da HQ “Batgirl & Robin”, em que ele está conversando com Barbara Gordon (que já havia abandonado o posto de Batgirl devido ao crime cometido por Coringa em “A Piada Mortal”, que a deixara paraplégica) sobre sua tristeza ao ter perdido o menino:

Trecho da página 23 da HQ “Batgirl & Robin” (Gotham Knights #43, setembro de 2003).

Depois desses eventos, começamos a perceber o quanto a morte de Todd afetou Batman. Ele começa a se tornar inconsequente e correr riscos desnecessários, ainda mais sombrio e distante do que costumava ser. Robin, que trazia leveza e amenizada um pouco do sofrimento que Batman carregava, agora estava morto. Como não havia tempo para se curar das feridas, Wayne simplesmente se jogou no trabalho de maneira inconsequente. Aprofundar-se em duas dores. Agredir desnecessariamente. Em suma, é Batman tão afundado em sofrimento que mal consegue seguir suas próprias diretrizes de “pensar primeiro, bater depois”. Abaixo, temos um pedaço de algumas reflexões feitas por Alfred sobre seu patrão.

Enquanto isso, surge um garoto misterioso, que parece saber tudo sobre o que acontecera entre Batman, Dick Grayson e Jason Todd. Esse garoto é Tim Drake. A forma como ele faz as deduções é simplesmente brilhante e concisa. Ele recorre a Dick Grayson, que agora é Asa Noturna, para pedir que volte a atuar como Robin. Seu argumento? Ele PRECISA de um Robin. Asa Noturna vai até ele para, juntos, lutarem contra o atual problema que Batman enfrenta: o doentio Duas-Caras que aparentemente está possuido por vozes estranhas que dizem que ele precisa matar Batman.

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