#40 – Batman: Ankh – De Volta à Vida

Oi!
Temos uma novidade no Batman Guide. Nessa semana, e na próxima, ficará humanamente impossível postar no blog, devido aos últimos trabalhos e provas da faculdade. Então, nesse período vou ser substituída pelo meu amigo Augusto, o autor das geniais resenhas para o post “Especial: Filmes do Batman”. Ele fica sendo meu sidekick temporário! 🙂 Mas eu prometo que volto, ok?

A HQ que ele escolheu pra hoje foi Batman: Ankh – De volta à vida (Batman: The Ankh, roteiro de Chuck Dixon e arte de John Van Fleet, 2001).


Ao olhar a capa (aqui no Brasil saiu na Batman Extra #13), pensei “É manolo, o Bátema virou zumbi”. Tirando esses primeiros 3 segundos iniciais de avaliação, aquilo estava cheirando como uma obra prima em matéria de escuridão, temática pesada e ocultista, e sabe lá mais o que. E querem saber? Realmente foi, mas não à primeira vista, nem pela capa nem pelas primeiras páginas da história.

O nome original da história é “Batman: The Ankh”, que eu considerei MUITO mais a caráter do que “Batman: De Volta à Vida” como foi publicado aqui no Brasil. Por essas e outras não gosto muito de traduzir os títulos.
Para mim não foi bom a primeira vista porque tanto o desenho quanto as cores são detalhes que eu tive de me acostumar antes de curtir de fato a leitura. Eu nunca tinha ouvido falar desse tal de “John Van Fleet”. O traço é muito grosseiro e espesso, parece feito com pincel, o que em conjunto com esse estilo de colorir que parece não haver degradê é como o filtro “stamp” no Photoshop, só que com cores, sei lá, não sei explicar, só sei que é bem “simplista” comparado a algumas outras histórias.

Quem for ver com maus olhos, e quem está acostumado com muitas cores, muitos detalhes e algo realista a nível Alex Ross, Lee Bermejo e etc, vai quebrar a cara. Para estes, os desenhos do Van Fleet vão parecer feitos com suvinil num papel de pão que foi amassado, pegou chuva e foi posto pra secar atrás da geladeira. Mas quem compreende que a graça da arte está na inovação com bom-senso, e que “admirar arte” é responsabilidade de quem vê, verá isso de forma diferente.

Com isso não estou dizendo que esteja ruim, como eu disse antes, pra mim foi só questão de me acostumar, depois de uns minutos lendo eu já estava achando o tal Van Fleet um gênio com estilo único de desenhar, e juntamente a isso, achando que pro roteiro e temática dessa história, esse foi o estilo que melhor encaixou, era capaz de algum outro grande desenhista não pegar o ”clima” do roteiro em seus traços.

Podem reparar que maioria dos quadros não tem cenário, mas que quando o sujeito resolve por um cenário pra situar, ele faz estrago. Está tudo bastante “escuro”, ele faz muito bom uso das sombras, coisa que era essencial pra qualquer desenhista que pegasse uma história do Batman pra fazer. Único ponto negativo nessa história foram os personagens um tanto magros e retos, e o Croc que tá parecendo um macaco.

O roteiro é do Chuck Dixon, dispensa muitos comentários. Ele fez uma viagem louca pro Egito antigo, com lendas, poções, tumbas, e no presente levou a trama pro subsolo de Gotham, onde ficava a antiga Gotham antes do terremoto. Pra quem não sabe, Gotham foi destruída por um terremoto, e quando foi reconstruída, foi em cima da outra cidade, a outra está embaixo, como uma cidade subterrânea vazia, uma mistura de esgoto com ruína e sei lá o que. (Nota da Jéssica: vou falar sobre isso ainda aqui no Batman Guide).

Outro detalhe bom do roteiro é ver o Batman tratando “Bruce Wayne” como um personagem, uma ferramenta, não como “ele próprio”. Há um diálogo do Batman com o Alfred que é este:

Alfred: (…) me incomoda como se refere a Bruce Wayne na terceira pessoa.
Batman: Você ficaria mais incomodado se eu… lhe dissesse que penso nele dessa forma?

E quando Khatera confundiu Batman com Anubis, o rei dos mortos… e a conversa do Croc com Khatera:

Khatera: Nunca vi um homem como aquele, não é a toa que o confundi com um deus.
Croc: É, ele também se acha um.

Impagável de tão incrivel. Vamos a história em si.

Continuar lendo

Anúncios

#39 – Batman/Caçadora: Legado de Sangue

Ufa!
Consegui um tempo para vir escrever aqui. Fim de semestre na faculdade é sempre a mesma coisa, o mesmo desespero para terminar os trabalhos, não importa se você está no primeiro ou no terceiro ano. Odeio ficar ser tempo para escrever para o blog. Mas em parte isso é minha culpa, porque simplesmente não consigo levar quinze, trinta minutos apenas para escrever. Gosto de escrever os textos com atenção, pesquisar bastante, achar as melhores imagens e as melhores scans para o Batman Guide. Mas sorte que daqui a duas semanas acabam minhas aulas e também começam minhas férias, daí poderei postar com a regularidade que eu costumo aqui no blog e também fazer os especiais temáticos que venho planejando – e também sortear algumas coisinhas para vocês 🙂

Hoje falaremos da Caçadora, e de sua história. A primeira vez que li essa minissérie fiquei realmente impressionada, ela é muito bem escrita e deixa transparecer toda a intensidade dessa personagem. É uma história de vingança, de justiça… É uma história escrita com sangue.

A HQ de hoje é “Batman/Caçadora: Legado de Sangue” (Batman/Huntress: Cry for Blood, roteiro de Greg Rucka e arte de Rick Burchett, 2000)!

Durante toda a história o que mais me chamou atenção foram os complexos conflitos internos da personagem Helena Bertinelli. Ela conta sua história de luta e vingança, de como lidou com a morte quando ainda não tinha idade para compreender que os responsáveis por sua tragédia estavam mais próximos do que ela imaginava. Sua busca por justiça fez com que muitas vezes ela ultrapassasse as linhas do bom-senso e incorresse na vingança. Ela tem seus próprios motivos para desejar tanto assim se vingar.

Ela nasceu numa das mais poderosas famílias da máfia italiana. Mas essa família tinha sérios problemas internos, de relacionamento, e como vingança sua família foi assassinada na sua frente, durante um jantar. Ela foi a única poupada, e foi enviada aos Estados Unidos para ser criada pelo que lhe restara da família. Lá recebeu treinamento de seu primo Sal para responder ao “chamado do sangue.” E volta para Gotham para cumprir a promessa de exterminar aqueles que foram responsáveis pelo assassinato brutal da sua família. Para ganhar a vida, é uma pacata professora. Mas para cumprir a promessa que fizera, se torna a Caçadora.
E é justamente o fato de ela ter motivos para se vingar que acaba recaindo sobre ela a culpa de um misterioso assassinato, que é o ponto inicial da nossa HQ. Dois mafiosos aparecem mortos em Gotham. E com um “simples” agravante: foram mortos com uma flecha igual à que Caçadora usa.

Uma matéria totalmente incoerente sobre Caçadora é publicada no jornal, e ela decide ir tirar satisfações com a jornalista. E a encontra morta, o corpo ainda quente trespassado com, novamente, duas flechas iguais às que usa. Alguém estava tramando para ela.

Para Batman e Dick Grayson ela diz ser inocente, mas diante de tão fortes evidências fica quase impossível acreditar que ela não esteja envolvida no caso. E acaba disparando uma flechada acidental em Batman, perdendo a sua confiança e a de Asa Noturna. Ela está sozinha. O iniciante Tim Drake desconfia que ela não tenha culpa, mas não pode fazer muita coisa na reclusão da Batcaverna. O único que parece acreditar nela é o misterioso Questão, um homem sem rosto que cruza seu caminho e para quem ela acaba contando toda a história da sua vida.

Continuar lendo

#38 – Batman / Super-Homem / Mulher Maravilha: Trindade

“Eu entendo que não posso resolver todos os problemas da Terra. Mas isso nunca vai me impedir de tentar.”

Olá!

Continuando com as postagens sobre as pessoas que atuam a lado de Batman, hoje eu trouxe uma HQ super conceituada. Esse é o “triunvirato” dos heróis da DC. A “Trindade”. O deus da luz, o deus das trevas e a deusa. No roteiro da história de hoje, Batman e Super-Homem já se conheciam, e o Cavaleiro das Trevas é apresentado à Mulher-Maravilha.

Leia “Batman / Super-Homem / Mulher-Maravilha – Trindade” (Batman/Superman/Wonder Woman: Trinity, arte e roteiro de Matt Wagner, 2003)!

Começamos com um dos maiores inimigos de Batman, Ra’s al Ghul, recrutando Bizarro, uma criatura feita por Lex Luthor (o maior inimigo de Super-Homem), e a amazona Artemis. O objetivo era criar uma situação de caos no planeta, que envolveria destruir satélites de telecomunicações, liberar ogivas nucleares e queimar reservas de combustíveis fósseis de todo o mundo. Um holocausto nuclear, sem precedentes na história.

Uma empreitada tão grande precisa envolver também Super-Homem e Mulher-Maravilha. Mas antes de parar o curso dessa destruição massificada, é necessário que os três encontrem características em comum nas suas próprias personalidades (convenhamos, nenhum dos três é dócil e afável) e deixar as suas diferenças conflitantes de lado, complementando seus poderes para neutralizar seus poderosos inimigos. Com o objetivo principal de salvar algo que é muito precioso aos três: o planeta e a humanidade.

Falando assim parece que foi tudo muito lindo, mas a realidade é outra. O choque de personalidades é muito forte. São como elementos químicos indissolúveis. Batman é soturno, gosta de trabalhar sozinho, é impulsivo. A Mulher-Maravilha é agressiva, sempre pronta a desconfiar de tudo. E Super-Homem, mesmo com sua personalidade equilibrada, não está imune às alterações emocionais que esse convívio repentino pode trazer. O diálogo abaixo acontece no momento em que Batman é apresentado a Mulher-Maravilha (e se a hostilidade é tamanha no primeiro encontro de ambos, imagine quando eles passam a conviver com frequência):

Esse é um dos lados mais apreciados dessa obra, o senso de humor refinado, contrastado com a seriedade do problema que os três vão enfrentar. Deixadas de lado as características individuais deles, o problema parece se multiplicar. Ra’s Al Ghul, auxiliado pelo monstrengo Bizarro, possui poder aparentemente ilimitado. Sequestrar Mulher-Maravilha e a mantém aprisionada, mas a mesma é salva por Batman. Enquanto os vilões fogem, ela mergulha no poço da imortalidade Ra’s Al Ghul, repleto de energia mística, e retorna abalada emocionalmente, instável. Acaba voltando desesperada para seu próprio mundo, a ilha do Paraíso ou  Themyscira, para junto de todas as suas irmãs amazonas. E mesmo sabendo que aquela terra é uma terra sem homens, Batman e Super-Homem partem para procurá-la e trazê-la de volta, pois sem sua força o mundo não poderia ser salvo.

Continuar lendo

#37 – Batman/Arqueiro Verde: Futuro Venenoso

Oi!

Preciso agradecer a vocês pela repercussão excelente do último post, o “Especial: Filmes do Batman”. Recebi vários comentários bacanas, que me deixaram muito feliz! Espero fazer mais alguns desses “Especiais”, talvez um sobre os jogos do Batman, quem sabe? Se alguém quiser me ajudar, deixe um comentário ou entre em contato que a gente vai se acertando 😉 E, claro, se tiverem alguma sugestão, é só falar comigo!

Hoje vou começar a falar dos amigos/parceiros do Batman. Estou pensando em um formato mais dinâmico do que quando falei sobre os vilões – talvez fazer postagens duplas, ainda vou decidir. Mas enquanto isso, hoje eu trouxe o Arqueiro Verde. Ele tem uma história complicada, cheia de altos e baixos causados pelas crescentes reformulações da DC Comics. O Arqueiro Verde original, Oliver Queen, chega até a morrer num acidente e ser substituído por seu recém-descoberto filho Connor Hawke. Mas depois Oliver Queen voltou a assumir o papel (A DC explicou o fato da seguinte forma: a explosão do avião em que ele estava o matou, mas ele foi ressuscitado por Lanterna Verde, primeiro seu corpo e depois sua alma.*)

* Não sou expert em Arqueiro Verde, então se eu tiver pesquisado algo errado ou tiver escrito algum equívoco, deixe um comentário com a correção. Obrigada! 😉

A HQ de hoje mostra sua atuação em conjunto com o Batman. Eles são dois homens com um apurado senso de justiça, mas se vêem juntos num grande problema causado pela Hera Venenosa… Que medidas tomar para evitar que ela envenene toda a cidade? Descubra lendo “Batman/Arqueiro Verde: Futuro Venenoso” (Batman/Green Arrow: The Poison Tomorrow, roteiro de Denny O’Neil e arte de Michael Netzer, junho de 1992)!

A HQ já começa de forma intensa: um velho está destruindo potes no que parece ser um laboratório com um machado. Ele parece estar cheio de estranhas feridas em seu rosto. Seu nome é Efrem Parsons. Batman chega para impedir que ele prossiga com tal destruição. O velho oferece resistência, mas Batman é mais forte e mais esperto.  Após desacordá-lo, o Homem-Morcego está pronto para levá-lo para as autoridades competentes, quando é impedido pela aparição súbita do Lanterna Verde. O Arqueiro faz questão de levar dr. Parsons para Seattle, o lugar onde vive, mas Batman se nega a conceder isso sem uma explicação muito plausível. Então Arqueiro conta a história que ocorrera a sua mulher Dinah (Canário Negro): aquele homem começara a agir de forma impulsiva em um supermercado e, ao tentar detê-lo, Dinah fora mordida por aquele velho. Ele fora preso, mas em seguida liberado com pagamento de fiança. Mas Dinah… Entrara em coma, e alguns dias depois começou a aparecer com algumas erupções e feridas na pele, tais quais Dinah. E era em busca do antídoto para o que quer que seja a doença que ele fora atrás do doutor.

Enquanto isso, a mortal Hera Venenosa estava seduzindo um doutor. Devo dizer que ela está excepcionalmente atraente nessa HQ. Esse é um dos lados mais letais dela, não se consegue simplesmente resistir à sua sedução. Mas ela não é uma simples mulher. Ela está planejando algo, o tal antídoto, e irá testá-lo em um rapaz chamado Jason – que está num grau bastante severo da doença. Ela também havia seduzido e abandonado o doutor Parsons. Aliás, falando nele, ele morre devido à moléstia que o atingira. (Ao mesmo tempo, por telefone um empresário chamado Sr. Fenn estava “encerrando o contrato” – leia-se: encomendando a morte – do dr. Parsons. E na frente dos seus filhos! Que tipo de vilão encomenda uma morte na frente dos seus filhos?). Um legista amigo de Batman constata, na autópsia, que o sangue do morto possui alta concentração de hemometatrioxina, uma toxina altamente contagiosa que gera um vírus letal nas próprias hemácias do sangue. Imediatamente, Batman estabelece a ligação com Hera Venenosa.

O tal antídoto funcionara perfeitamente com Jason. Hera discute seus planos megalomaníacos com Mr. Fenn, depois de uma noitada. Qual é o plano? Um plano diabólico. Infectar papinhas de bebê com hemometatrioxina, e, sendo essa altamente contagiosa, ela não ficaria somente nos bebês, mas contagiaria milhares de pessoas. Então, miraculosamente, o laboratório de Fenn venderia a vacina – pelo preço abusivo de $ 50 mil dólares.

Continuar lendo

ESPECIAL: Filmes do Batman

Oi!

Alguns de vocês devem saber disso, mas hoje é meu aniversário 😀 E como diz aquele slogan clichê meia-boca e super manjado de qualquer loja, “quem faz aniversário sou eu, mas quem ganha o presente são vocês”!

Então, decidi falar sobre todos os filmes do Batman.

A perspectiva adotada nas análises desse post foi: partir dos QUADRINHOS para os filmes. Não bastaria fazer uma análise somente do filme em si, sem contexto, analisando somente os aspectos de fotografia, trilha sonora, atuação etc, mas era necessário dar foco na qualidade da adaptação feita nos filmes em relação aos quadrinhos. Por isso, algumas análises vão demonstrar aspectos que vocês talvez nunca teriam notado, e sinceramente isso é ótimo porque ninguém consome (ou ninguém deveria consumir) 100% de entretenimento só para “agregar conhecimento” ou “formar opinião”. Claro que todos os filmes aqui são ótimos programas para se fazer e nenhuma resenha visou denegrir a imagem de algum ator e/ou diretor. Da mesma forma, sabemos que os filmes tem trunfos que quadrinhos nunca terão – a trilha sonora, os efeitos visuais de tirar o fôlego, enfim.
Mas que fique claro que, aqui, se buscou dar um segundo olhar aos roteiros, um olhar criterioso na transposição dos quadrinhos para os filmes.

Para tal feito, convidei para escrever as resenhas meu amigo Augusto, que conhece muito bem os quadrinhos do Homem-Morcego e que me influenciou a começar de gostar das HQs. Desde já agradeço MUITO à ele pela colaboração, sem ele esse post não seria possível.

Ah, sobre os downloads, por razões óbvias eu não pude baixar um por um, então por isso peço que caso vocês tenham problema  com os links, que deixem um comentário relatando que eu dou um jeitinho de achar outro link, ok?

Bom, basicamente é isso. Leiam todas as resenhas, estão bem legais! Mas para facilitar a navegação e a pesquisa, tem um menu de filmes aqui embaixo, guiem-se por ele. Boa diversão!

Continuar lendo