#50 – Batman: Contágio

Este post será sobre a saga “Contágio”, ou Contagion no original, de 1996. Desde já fique claro que minha falta de ânimo para escrever sobre essa história está diretamente ligado ao fato da qualidade da mesma.
Sei que dizer uma coisa dessas logo no primeiro parágrafo deve desanimar a pessoa a ler, mas eu (assim como qualquer outro) tenho uma opinião, que não necessariamente é igual a dos demais.
A saga é boa SIM, o roteiro até então não teve nenhum que sequer fosse parecido, foi original pra série, só que eu não tenho paciência com histórias tão mal desenhadas. Pra época não era lá tão mal desenhada, mas vá, é tosqueira demais. Há quem prefira esse estilo de traço e cores, negócio mais retrô. Se fosse refeito do zero, com outros desenhistas, ficaria excelente, pois o roteiro não tem problema algum, pelo contrário, foi muito interessante. Preparem seus uniformes lacrados. Vamos ao Contágio.

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001Como já falei, a arte dessa história é tosquíssima. O Azrael (que a essa altura ainda é o Jean-Paul Valley) parece o Gorpo do He-man. Se não lembram de quem falo, é o anão encapuzado que anda com o He-man. Roupa roxa, só os olhos a mostra e tal. Enfim.
Em alguns traços vocês vão ver um Robin às vezes com o corpo igual ao do Batman, às vezes com rosto de garoto, às vezes com rosto de adulto, às vezes com o rosto do Bert do Vila Sésamo (ou aqueles bonecos do South Park, Philip e Terrance)….
002Uma Mulher Gato daquelas bem 1900 e poeira, ainda com roupa branca pra combinar com a neve e uma juba que a deveria render nome de Mulher Leão, um Batman de orelhas ridiculamente grandes, como ocorreu na “Batman & Lobo”, lançada na Batman Extra #15 aqui do Brasil (se não me engano), e pela época, claro, a elipse amarela no peito, que a mim só traz más lembranças.
A elipse me representa a época boba e infantil das histórias/seriados, onde vilão nenhum mata, só se criavam armadilhas pra Batman e Robin saírem, havia um telefone vermelho com ligação DIRETA na base SECRETA do Batman, e tudo sempre terminava em um “Santa alguma coisa, Batman!”. Tenham dó e compreendam minha frustração com essa elipse.
003Essa história foi fragmentada em trocentos titulos. Uma parte saiu na Robin, outra na Sombra do Batman, outra na Batman, outra na Mulher-Gato e dai por diante. Uma benção na vida de qualquer colecionador.
A história teve diversos desenhistas, e nenhum deles escapa do “estilo da época”, tudo antiquado, monocromático e etc… Citarei os nomes só por dever essas informações a vocês leitores, pois não to aqui escrevendo pra mim, e por mim nem mereciam ser citados. Tommy Lee Edwards, Mike Wieringo, Barry Kitson, Kelley Jones, Vince Giarrano, Graham Nolan, Dick Giordano e se tiver mais alguém passou despercebido no tornado de esterco. Vamos ao roteiro, pois a arte eu quero esquecer.
004Chuck Dixon está na parada, eis a salva-guarda/ponto-alto dessa saga. Também não foi o único roteirista, e como eu disse antes, o roteiro está bom, todo mundo fez sua parte bem feita. Que eu me lembre, não haviam abordado um tema assim nas histórias do Morcego. Alguém que não esteja afim de fazer vista grossa dirá “mas isso não é temática original, problemas vindos de doenças mortais é mais velho que andar pra frente” (diz isso pro Curupira). Sabemos que o tema não surgiu pela primeira vez numa história do Batman, claro, mas foi a primeira vez que foi utilizada essa ideia na série, e foi muito bem feita, usou um leque bom de personagens e situações.
Está rolando uma doença mundial e adivinhem, Gotham também está pra ser atingida. A equipe Morcego corre atrás do prejuízo antes a gripe do morcego (mentira, é “Ebola Golfo-A”) chegar em Gotham. Eles podiam arrumar a cura a partir do sangue de um determinado homem, para então imunizar todos que precisassem, e curar quem já estivesse doente.
004-1Rola parceria em missão conjunta entre Robin e Mulher-Gato, que poderia ter sido resolvida com deteminada velocidade se não fosse o babaca do Azrael vir com as ideias dele. Depois de muito corre-corre, encontros, “roubos”, troca de uniformes, de desenhistas e roteiristas, tcharam, geral se ferrou. Batman anunciou que estavam todos condenados, não dava mais tempo de bolar uma cura.
Como sabemos, a Hera Venenosa costuma a saber lidar com coisas do gênero, e se nós pensamos isso, óbvio que uma hora ou outra isso ia bater nas idéias do Morcego. Asa Noturna e Caçadora se juntam ao grupo. O Asa com aquele rabo de cavalo tipo Steven Seagal super Saiyajin lvl. 3, a Caçadora parecendo uma fusão de uma Xena gótica com a Gretchen, e o Robin apenas com cara de Robin infectado. Sim, o “Bird-Brain” (vide o jogo Arkham City) foi infectado pela doença macabra Ebola Golfo-A. O primeiro sintoma se manifestou, sangue pelos olhos.

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#49 – Batman: Filho Pródigo

“Eu sou o Batman, mas o Batman não sou eu. Dick Grayson, Robin, Asa Noturna, Batman… Todos diferentes, mas nem tanto. A pele de Robin agora é usada por outro… E ser Batman é só temporário. Talvez mais um mês, talvez mais uma noite. Mas só leva um segundo para perder tudo… E é preciso coragem para usar um morcego sobre seu coração.”

Olá!
Dando prosseguimento à cronologia regular de Batman, os eventos da HQ de hoje se passam imediatamente após “A Queda do Morcego”. Batman precisa deixar a cidade novamente, e dessa vez, seu lugar será ocupado por Dick Grayson. Espero que você goste de “Batman: Filho Pródigo” (Batman, Prodigal, 1994).

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O título se refere à famosa parábola bíblica do Filho Pródigo, que disserta sobre um filho que retorna à casa de seu pai após uma vida dedicada à prazeres mundanos. Você pode lê-la clicando aqui.

002A premissa inicial de roteiro é a seguinte: Depois de ter retirado de Azrael o manto de Batman (lembrando novamente: Os eventos de “Filho Pródigo” são sucessores aos eventos de “Queda de Morcego”, então caso você não se lembre de algum detalhe, dê uma olhada no post), Bruce Wayne precisa deixar Gotham novamente. E a única pessoa que pode substituí-lo é Dick Grayson, o Asa Noturna.
Dick Grayson foi o primeiro “filho” de Batman, isto é, o primeiro Robin. Mas quando Batman precisou de um substituto, depois de ter a coluna quebrada, ele não foi convocado. A relação entre ambos não era das melhores, e um dos responsáveis por melhorá-la foi o jovem e esperto Tim Drake. É notável que ele está se transformando em um homem realmente responsável e inteligente.
001E uma das coisas mais interessantes sobre “Filho Pródigo” é a relação estabelecida entre Dick Grayson e Tim Drake, em como atuam juntos combatendo o crime em Gotham. Parecem dois irmãos, unidos e em sincronia, uma sincronia que nunca seria possível entre Wayne e Drake devido ao caráter de “pai” que Wayne assume.
A trajetória de Grayson nos mostra que, em certo momento, ele não pode mais se subordinar a Batman. Ambos divergiam muito, e tinham personaldiades fortes demais. Assim, Dick decidiu seguir carreira-solo como Asa Noturna – e assim desenvolver seu próprio método, suas próprias maneiras de combater o crime e consequentemente seus próprios erros. Algumas coisas entre eles ficaram pendentes desde então. Mas nessa ausência de Wayne, ele era o único que podia proteger Gotham adequadamente.

003A caracterização de Dick Grayson é muito diferente daquela desempenhada por Bruce Wayne. Ele se torna um Batman mais benevolente, menos impulsivo, menos autoritário com o jovem Tim Drake, mais equilibrado. Mas isso também implica um Batman menos enérgico, menos “justiceiro”, menos forte e completo.
E os desafios começam logo cedo. Eles precisam enfrentar vários vilões: Crocodilo, Scarface. e… Duas-Caras foge da prisão e ameaça a cidade, juntamente de seus capangas. Como sabemos, o Duas-Caras é obcecado pelo fato de que o sistema penal de Gotham não funciona como deveria, então ele decide mudá-lo sozinho, e segundo suas próprias regras, mudando as penalidades dos presos de Blackgate e misturando os arquivos sobre os criminosos. Ele cria o caos.
004É importante saber que, nessa e em outras grandes sagas do Morcego, não são os mesmos artistas responsáveis pela arte de todo o arco. Isso significa que de edição para edição podem ocorrer mudanças estílisticas, na coloração, nos logotipos, nas letras, enfim. Mas de maneira geral, a arte é o que se espera de uma grande saga: clássica, simples de entender, sem muitos floreios ou inovações. É o que se espera de uma HQ de Batman.
007O grande trunfo desta HQ é lançar uma luz à um personagem tão relevante como Dick Grayson, e vislumbrar como seria se Batman não fosse Bruce Wayne. Costuma-se dizer que essa é uma das histórias mais significativas para a cronologia de Grayson, e de fato, é realmente um marco. Sua aparição em “A Queda do Morcego” foi modesta e não fez justiça à grandeza de seu personagem. Então, “Filho Pródigo” é uma compensação mais do que justa. Além de ser uma ótima história, claro.

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Originalmente, eram 13 edições, mas eu compilei num link só para vocês. Eu pessoalmente acho melhor baixar num link só do que baixar as 13 edições, uma por uma. O que vocês acham?
Boa leitura!

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Crônica do Leitor: “A lancheira do Batman”

Olá!
Talvez vocês não se lembrem, mas eu tenho uma seção aqui no blog chamada “Crônicas do Leitor”, em que os leitores são convidados a compartilhar suas experiências com os quadrinhos do Batman – e de um modo geral também. Na primeira crônica, a Lívia Bomediano nos contou sobre como seu pai a influenciara nos gostos literários.
E hoje, o Pedro Witchs nos honrou com um depoimento sobre suas experiências com Batman. O texto está lindo! Obrigada por compartilhar, Pedro!

E caso você também queira mandar um texto, entre em contato!

Lancheira

Não sei o que eu via nele, nem sei dizer por que ele era o que mais me agradava. Na época, nem fazia comparações do tipo “ele não tem superpoderes”, “usa apenas sua inteligência investigativa e seus gadgets”. Só achava o uniforme dele legal. Acho que era a barra da capa imitando o contorno da asa dos morcegos. Dava um efeito legal quando ele se jogava dos prédios. O fato é que sempre preferi o Batman aos outros (super)heróis. Lembro-me que antes dos seis anos de idade, em um Carnaval, eu queria me fantasiar de Batman, mas minha mãe preparou uma linda fantasia de palhaço para mim. Quando cheguei ao bailinho, o resultado foi uns cinco batmans correndo atrás de mim, que estava parecendo um Coringa (uma pena na época o Coringa não ter tanto apreço pelo público como acabou ganhando depois da interpretação do Heath Ledger). Mas essa não é a história que eu quero contar. Quero contar sobre uma coisa relacionada ao Batman que acho que foi importante para a minha formação.

Quando entrei na pré-escola, em meados da década de 1990, ganhei minha primeira lancheira. Essas de plástico em que as crianças levam o lanche que vão comer na hora do recreio. Como vocês devem saber, a escolha da primeira lancheira diz muito sobre o que a família espera de uma criança e as questões de gênero não estão fora do que os pais depositam em um filho ou em uma filha. Meninos geralmente ganham lancheiras relacionadas a super-heróis, que representam a força masculina, ou a automóveis velozes, que representam toda a potência esperada de um homem. Nos dias de hoje, Ben 10 e suas variações. Meninas, pelo menos na minha época, tinham menos possibilidades, o que devia ser uma lástima. Todas com lancheiras cor-de-rosa, se possível, da Barbie. Desse modo, elas teriam uma boa referência para crescerem sendo um modelo de feminilidade desejado pela sociedade. Não sei como está essa situação nos dias de hoje.
Só que entre tantas lancheiras azuis e rosas, ganhei uma lancheira laranja. E o melhor: do Batman! Claro, não podia deixar de ser de super-herói, afinal de contas, me inventaram menino. Como nunca fui muito ligado a carrinhos (a autora deste blog tem conhecimento sobre a minha relação com automóveis), super-herói foi a melhor escolha. Ainda mais um que eu gostava tanto. O problema, e que acredito que não foi percebido pelos meus pais, é que a minha lancheira laranja do Batman era mais diferente do que se podia esperar. O desenho “adesivado” nela ilustrava um Batman em apuros no alto de um prédio. Batman estava imobilizado por um chicote que prendia seu tronco e seus braços. Na outra ponta do chicote, ela, em látex preto e salto alto. Mulher Gato, uma mulher, dominando poderosa e violentamente (na perspectiva foucaultiana) Batman, um homem. Não sei vocês, mas creio que essa imagem colaborou, mesmo que subliminarmente, com a constituição do que penso sobre as mulheres, sobre o movimento feminista, sobre a igualdade de gênero. Uma simples lancheira laranja do Batman…

2Rodape

#48 – Asilo do Coringa I e II – COMPLETO

“Bem-vindos! Bem-vindos, internos, ao Asilo do Coringa!
Se você não estiver maluco quando entrar…
Você ficará na hora de partir!”

Oi!
Conforme eu prometi para vocês há algum tempo, hoje eu trouxe as duas coleções de “Asilo do Coringa”: a #1, lançada em 2008, e a #2, de 2010!
Como o nome sugere, Coringa é o narrador dessas histórias. Em cada edição, ele nos conta a história de cada um dos vilões de Batman: como ele perdeu a sanidade e se dispôs a perseguir o Homem-Morcego. É muito interessante ver a descrição de um louco sob a ótica de outro, ainda mais doentio. Conseguimos, nessas histórias, avaliar com precisão onde o caminho de cada personagem começou a convergir para a loucura. E, de certa forma, compreender esse movimento particular. Não se trata de “aceitar” ou “estar do lado” dos vilões: não se pode deixar de lado as grandes maldades que cada um deles fez, muitas atingindo inocentes, crianças, idosos, multidões e o próprio Batman. Mas essas edições do Asilo do Coringa nos aproximam do lado que já foi humano de cada uma dessas pessoas.

Espero que vocês gostem! São histórias curtas, de 22 páginas, então eu fiz uma pequena resenha de cada uma – mas leiam todas, viu?

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#1 – Coringa – “O Coringa Moderado”
(Joker’s Asylum: The Joker -“The Joker’s Mild”!)
Roteiro de Arvid Nelson e arte de Alex Sanchez

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A primeira história dessa série é sobre o Coringa… Contada pelo próprio Coringa!
Ele narra um ataque seu à um programa de auditório ao vivo, em que mantém todos os presentes como reféns. O produtor do programa impede que a produção pare a exibição do terrível espetáculo, e também impede que a polícia de Gotham entre para impedir Coringa de matar alguém – tudo em nome da audiência que gerava para o canal. Mas como o nome dessa HQ sugere, Coringa está moderado. Ele não matará ninguém. Não hoje. Sua real intenção é mostrar que, a despeito de pessoas ditas “loucas”, existem pessoas consideradas “normais” que podem ser responsáveis por barbáries ainda maiores…

#2 – Pinguim – “Ele Quem Ri por Último…”
(Joker’s Asylum: Penguin – “He Who Laughs Last…!”)
Roteiro de Jason Aaron e arte de Jason Pearson

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» Leia outra HQ que postei sobre o Pinguim clicando aqui.
O pequeno garoto Oswald Cobblepot sofre bullying na escola, e extravasa sua fúria através do poder desmedido e do controle de métodos excusos de empoderar-se. Poderia ser mais uma história clichê, mas não é isso que acontece nessa HQ. Ele viveu uma vida de dificuldades.
Claro que isso não pode ser uma desculpa plausível para suas maldades, mas nos abre a possibilidade de pensar: “E se tivesse sido diferente em sua infância”? Nessa história ele resgata uma mulher chamada Violeta de um regime de escravidão forçada. Ela demonstra ternura pelo seu gesto heroico, e ele se sente comovido – como nunca se sentira antes. Então eles passam a ficar mais tempo juntos – ele até fica, veja só, DOIS ias sem roubar nada!
Ao levá-la para jantar fora e contar a ela de sua paixão, um cozinheiro ri de sua deformidade no nariz. Bom… Esse ato conseguiu despertar o pior de Pinguim. A vida do cozinheiro nunca mais foi a mesma. Aliás… Ninguém que cruza o caminho de Pinguim é o mesmo depois.
Ah! O roteirista Jason Aaron concedeu duas entrevistas sobre essa HQ. Uma foi para o e outra para o Comic Book Resource e  a outra para Newsarama. Vale a pena ler! Basta clicar sobre o nome dos sites.

#3 – Hera Venenosa – “Desflorada”
(Joker’s Asylum: Poison Ivy – “Deflowered!”)
Roteiro de J.T. Krul e arte de Guillem March

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» Leia outra HQ que postei sobre a Hera Venenosa clicando aqui.
É a história de Pamela Isley, ex-bióloga que teve os genes alterados e agora é capaz de interagir com as plantas num nível jamais observado.
Hera Venenosa está destruindo os responsáveis por uma Companhia que destruiria boa parte da flora de Gotham. Mas não é apenas isso… Ela o está fazendo de uma maneira cruel e violenta. E Batman precisa pará-la antes que seja tarde demais.
Destaque para a imitação que Coringa faz de Hera Venenosa no final da HQ.

#4 – Espantalho – “A Obscura Noite do Espantalho”
(Joker’s Asylum: Scarecrow – “Dark Knight of the Scarecrow”)
Roteiro de Joe Harris e arte de Juan Doe

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» Leia outra HQ que postei sobre o Espantalho clicando aqui.
Lindsay é uma dentre tantas vítimas de bullying na escolar. Mas há algo diferente em sua história. Ela é convidada pelas patricinhas da sua escola para uma festa do pijama – com os garotos do time de futebol americano, é claro. Esse convite certamente tem um motivo obscuro, de humilhá-la e fazê-la se sentir mal. E ela comparece à festa.
Mas ela tem um motivo para isso. Espantalho está ajudando-a a se vingar. E a vingança virá a todos aqueles que a humilharam, um por um.
Eu, particularmente, achei o traço dessa HQ maravilhoso. É um tipo com o qual não estamos acostumados a ler, envolve adolescentes mas sem se tornar um pastelão de filme americano. O roteiro conduz com maestria a questão do medo que é central na vida de Espantalho, de como ele é capaz de descobrir o ponto fraco de cada pessoa e transformar a vida dela num inferno através disto.
(E um destaque especial para o Coringa vestido para uma festa do pijama no começo da HQ. Muito divertido!).

#5 – Duas-Caras – “Duas Caras, também!”
(Joker’s Asylum: Two Face – “Two-Face, Too!”)
Roteiro de David Hine e arte de Andy Clarke

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» Leia outra HQ que postei sobre o Duas-Caras clicando aqui.
Duas-Caras está no Asilo Arkham se vê numa situação incomum. Ele é levado a conversar com Holman Hunt, um homem que tem a mesma deformidade que ele. Ele era bombeiro e, durante um salvamento, seu rosto pegou fogo e foi destruído pela metade. Ele foi salvo por Batman e apoiado por sua família – e desde então trabalha como mentor motivacional para pessoas com o mesmo tipo de dificuldade que ele. O que é totalmente o contrário da história vivida por Duas-Caras: ele e Batman são inimigos, ele foi largado pela esposa e enlouqueceu.

Holman diz a Duas-Caras que pode fazê-lo ser como ele, feliz e bem realizado. Mas Duas-Caras tem uma ótica diferente: acha que pode fazer Holman ficar doentio como ele.
Então, numa noite, ele foge do Asilo Arkham e vai ao encontro de Holman Hunt, para provar sua teoria. O final dessa história? Só a sorte poderá dizer.
Uma das minhas histórias preferidas desse clássico.

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#6 – Charada – A Casa Construída de Cartas”
(Joker’s Asylum II: Riddler – “The House the Cards Built”)
Roteiro de Peter Calloway e arte de Andres Guinaldo e Raul Fernandez

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Charada está apaixonado por Jéssica, uma jovem garota que visitava um museu que ele decidira assaltar. Ele tenta conquistar mandando “flores o suficiente para fazer a Hera Venenosa chorar”. Chocolates. Brincos, jóias, ursinhos, vinhos, colares, e ela devolve a todos eles. Aparentemente ela não o ama de volta, então ele quer resolver a charada e encontrar os motivos pelos quais ele não é correspondido. (Claro que ele não cogita não ser correspondido pelo fato de ser um criminoso insano, perigoso e mundialmente reconhecido por seus atos perigosos). Então… Ele decide se transformar em um homem melhor. Um homem que Jéssica possa amar. Um homem digno, humano, que renunciou ao crime para contar historinhas para crianças doentes e alimentar pessoas famintas em mutirões comunitários. Tudo para resolver essa charada.

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ESPECIAL Dia dos Namorados #1 – Bruce Wayne e Selina Kyle

Olá!
Como vocês sabem, hoje é Dia dos Namorados em muitos países do mundo. Feliz Dia dos Namorados para vocês!

001Para comemorar essa data tão bonitinha, eu traduzi uma HQ lançada há pouquíssimo tempo. Ela está compilada no volume #1 da série “Young Romance: A New 52 Valentine’s Day Special” (Jovem Romance: Um Especial de Dia dos Namorados dos Novos 52, em tradução livre), lançada em 6 de fevereiro. O nome “Young Romance” faz referência à uma série de quadrinhos lançada em 1947 por Jack Kirby e Joe Simon para a Crestwood Publications, e trazia uma luz a um lado mais romântico dos heróis. De fato, essas publicações eram dirigidas aos leitores mais adultos, a despeito do público-alvo mais adolescente para quem as HQs regulares eram feitas.

AquamanNessa antologia, a DC mostra em 64 páginas várias one-shots com o Dia dos Namorados de vários personagens. É uma edição muito bonita, primorosamente feita, com histórias curtas mas lindíssimas. Os nomes são de peso: conta como roteiristas como Andy Diggle, Ann Nocenti, Cecil Castellucci, Peter Milligan, e a arte de Gene Ha, Emanuella Luppichinno, Phil Jimenez, Sanford Green, etc., praticamente todos envolvidos com o reboot (de que eu falarei mais no Batman Guide posteriormente).

Os casais desse volume #1 são Aquaman & Mera, Batgirl, Apollo e Meia-Noite, Asa Noturna e a filha de Lucius Fox, e Super-Homem e Mulher Maravilha. E tem também a história que eu traduzi. Desculpem por não traduzir toda a HQ, mas eu ainda tenho muitas dificuldades nisso, então prefiro deixar para pessoas mais capacitadas. Eu não sou expert em tradução, mas procurei ser o mais fiel possível. Meus agradecimentos à algumas pessoas que me tiraram de enrascadas na tradução: aos queridos Pedro, Lennon e Jair  e a querida Tati Guedes!

Espero que vocês gostem de “Pense Duas Vezes” (Think it through, roteiro de Ann Nocenti e arte de Emanuela Lupacchino e Jaime Mendoza, 2013)! Ah, e tem material extra no post… Cartões de Dia dos Namorados do Batman no fim do post!

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002A Mulher-Gato está em um telhado, pensando sobre o Dia dos Namorados com um certo rancor. Um assalto acabara de ser concluído precipitadamente, porque ela fora engada por seus comparsas. E então ela se lembra da última vez em que um parceiro de roubo a abandonara: também era Dia dos Namorados, anos atrás… O dia em que ela conheceu Batman.
Ela era muito jovem, mas já era uma garota ambiciosa e de bom gosto. Um dia, ela e seu amigo Billy estavam olhando vitrines de um shopping, e ela gostara de uma bota de pele muito cara. Foram repelidos por um policial grosseiro.

Então, à noite, ela e Billy decidem roubar algumas TVs e aparelhos de som de um conjunto popular, para revender e poder comprar aquelas botas de pele. E então…

Não vou contar o resto, até porque a história é bem curtinha.

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Espero que gostem da minha tradução. Estou totalmente aberta à comentários, sugestões ou críticas, é só deixar um comentário ou entrar em contato! Obrigada e boa leitura!

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Download no MEGA – “Pense Duas Vezes”


Esses cartões de Dia dos Namorados vieram junto com a edição. Tem de vários personagens lá, é uma graça. Eu separei as dos personagens de Batman, agora é só imprimir (ou não) e enviar para a pessoa amada! Clique para aumentar a imagem.

Eu não traduzi porque todos os cartões trazem trocadilhos que perderiam o sentido quando passados para o português!

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#47 – Batman: Pulp Fiction

Quem acreditaria? Uma ruiva linda e um delinquente juvenil, ambos mascarados… E em busca de encrenca.

Oi!
Conforme eu prometi, aqui estou com um post maior para compensar o fato de o anterior ter sido curtinho. Antes de tudo, preciso agradecer ao Jair, do CoringaFiles, que foi quem me ajudou a encontrar essa HQ em formato digital. Obrigada! Aliás, vocês já visitaram o melhor site de scans de toda a internet?

Eu não tenho palavras suficientes para falar sobre essa história. Eu a li pela primeira vez na Gibiteca Henfil (SP) e fiquei apaixonada. É uma das HQs mais transgressoras e inesperadas que já tive o privilégio de ler. E a arte, então, eu nunca poderia esperar algo tão incrivelmente bem-feito. É uma história madura, inteligente, moderna. Se você curte história e cinema, então, vai adorar. É material muito bom que você simplesmente não pode deixar de ler!

Prepare-se para ler uma das melhores HQs do Batman (na minha opinião): “Batman – Pulp Fiction” (Batman: Thrillkiller, roteiro de Howard Chaykin e arte de Daniel Brereton, 1997-98)!

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04Antes, uma pequena explicação: o título dessa HQ vai remeter a maioria de vocês ao filme “Pulp Fiction – Tempos de Violência” (1994), de Quentin Tarantino. Entretando, o conceito de pulp fiction é um pouco mais abrangente. As revistas conhecidas como “pulp fiction” eram publicações lançadas desde as primeiras décadas do século XX e até meados dos anos 50, caracterizadas por serem feitas de material mais barato e de menor qualidade. Custavam algo em torno de 10 cents, isto é, eram bem populares. Os roteiros envolviam casos policiais misteriosos, grandes reviravoltas, e conteúdo sobre violência bem explícito. Esse é o ponto principal dessa HQ.

002Vamos nos situar: essa revista saiu sob o selo “Elseworlds”, que foi traduzido aqui no Brasil para “Túnel do Tempo” (no caso das editoras  Abril, Devir e Mythos) e para “Realidade Alternativa” (no caso da editora Brainstore). E o que isso significa? Significa que nos quadrinhos da coleção “Elseworlds” a realidade é apresentada era totalmente não-convencional, isto é, de forma paralela à habitual nos quadrinhos. Personagens são movidos de seus mundos para serem colocados em outras situações a que NUNCA chegariam numa HQ da cronologia normal. O contexto original dos personagens é transferido; criam-se situações que nunca ocorreriam normalmente. Vão para lugares e situações que nunca iriam em seu mundo.

02É exatamente isso que acontece em “Pulp Fiction”. (Prepare-se para as novidades dessa HQ). A dupla dinâmica já não é mais Batman & Robin. Agora é Robin & Batgirl. São eles que combatem o crime no submundo de Gotham City. Os pais de Batman não foram mortos por assaltantes: após entrarem em falência na Depressão, eles foram assassinados pelos ex-empregados da mansão Wayne, e o pobre garoto, crescido num orfanato, precisou vender sua única herança, a própria mansão, para pagar as dívidas do pai e poder exercer a profissão de um detetive comum. Aliás, a mansão foi comprada por Bárbara, com o dinheiro que recebeu do seguro da mãe morta quando ela tinha 12 anos. Duas-Caras não se chama mais Harvey Dent. A Mulher-Gato, loira, abandonou o crime e tornou-se dançarina. Charada é um psicólogo dos bons. E o Coringa… É uma mulher. É a fria, calculista, venenosa, sedutora Bianca Steeplechase. Quantas mudanças do roteiro original, não é?
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A contextualização histórica da HQ é das mais complicadas: 1961, Kennedy acaba de se tornar presidente dos Estados Unidos, os Beatles ainda não existiam, e o submundo de Gotham estava tão denegrido quanto nós o conhecemos. Batgirl & Robin são, aqui, os vigilantes de Gotham, responsáveis por limpar da cidade desta escória. E o fazem de maneira sensacional – as cenas do primeiro combate retratado na HQ é de tirar o fôlego. A Batgirl me deixou orgulhosa, ela desceu a porrada em todos os corruptos que a subestimaram por ser mulher.

“Na época, a idéia de uma bela mulher com a habilidade necessária para derrubar um homem de maior porte era tão rara que às vezes precisava de umas sovas para entrar na cabeça.”

03O comissário Jim Gordon fora designado para cuidar pessoalmente do caso desses misteriosos justiceiros que perturbavam a paz da cidade – e que atrapalhavam os negócios excusos dos ladrões engravatados de Gotham. A Dupla Dinâmica estava interferindo negativamente em casos em que policiais corruptos, e gerando publicidade negativa para os egos inflados da corporação policial da cidade. E Jim Gordon nomeia o detetive Bruce Wayne para o caso, um dos poucos que não estava corrompido e em conluio com o crime organizado. Mal sabe Jim Gordon que sua filha é a própria Batgirl, e o seu namorado Richart Graustark (que ele considerava um molecão dando um golpe do baú) é Robin.

05Ao investigar o caso, o detetive Wayne cruza pela primeira vez o caminho de Blanca Steeplechase, tentando suborná-lo. Ela está por trás dos policiais corruptos que veem em Wayne um inimigo perigoso, a ser destruído. A relação entre Batgirl e Robin começou há um ano, quando a Companhia Gloriosos Graustark de artes circenses via um dos meninos, Richard, com poucos progressos para a acrobacia. A jovem Barbara Jordan (sobrenome falso), fugida da família para se juntar ao circo, tentava se apresentar como garota de palco, também sem sucesso. Ao tentar um salto numa cama elástica, o jovem caira nos braços dela – e foi amor à primeira vista. O interesse de ser Batgirl decorre do fato de que, ao se deparar com a mãe morta em casa, a poça de sangue formava um morcego. E decidira combater o crime com suas próprias mãos, encontrando em Robin o companheiro com a energia necessária.

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#46 – Batman: Noiva do Demônio (‘Trilogia do Demônio’ – 3ª Parte)

Para relembrar:

Trilogia do Demônio

Olá!

Depois de uma semana complicadíssima e decisiva, apareci aqui novamente!
E muito chateada, porque eu já tinha deixado o texto desse post pronto, era só criar as imagens; e de repente, não achei mais o texto! Hahaha imagina só a tristeza? 😦 Eu tenho vários pen drives, mas preciso comprar um pen drive próprio para o blog. Vou resolver isso o mais rápido possível. Enquanto isso, vou escrever o texto de novo!

Na realidade, o texto não será muito grande. A HQ de hoje não é exatamente clássica; pelo contrário, ela é considerada a mais “fraca” das três que compõe “A Trilogia do Demônio”. Mas isso não significa que ela seja necessariamente ruim; mas sim que, à luz das grandes obras que foram “O Nascimento do Demônio” e “O Filho do Demônio”, a HQ de hoje fica ligeiramente ofuscada. Entretanto, não deixe de lê-la.

Acompanhe a última HQ sobre Ra’s Al Ghul: “Batman: Noiva do demônio” (Bride of the Demon, roteiro de Mike W. Barr e arte de Tom Grindberg, 1990)!

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01Começamos a HQ com dois caças indo verificar uma estranha alteração na camada de Ozônio. Chegando ao lugar da verificação, os dois caças são abatidos por naves inimigas. Os planos de Ra’s envolvem elementos grandiosos: a alteração climática e a extinção da vida humana no planeta (como sempre, ele é um homem megalomaníaco). O poço de Lázaro parece estar começando a falhar. Os cabelos de Ra’s estão brancos e ele parece estar mais cansado, envelhecido. Em consequência disso, Ra’s declara seu novo plano. Ele percebe que precisa de uma noiva, com quem possa gerar alguém à sua altura para assumir o papel de Cabeça do Demônio – já que o único mortal apto a isso é Bruce Wayne, e ele recusa veementemente. Procurar uma noiva e gerar um herdeiro é uma tentativa desesperada de se redimir diante de tantos séculos de falha, de planos que não deram certo – para aí sim aceitar a própria morte.

02Ele aparece nessa HQ como um homem muito solitário, tiranizado pelo seu próprio poder excessivo e desmedido. A solidão em que vive é a consequência imediata da sua recusa em deixar a vida seguir seu curso natural; as experiências normais de uma vida humana são negadas a alguém que é imortal.
03A presença de Tim Drake aqui também é interessante de ser observada. Batman é, verdadeiramente, um pai para ele, preocupadíssimo com sua segurança, sobrevivência e felicidade.

PS: Sei que, para os meus padrões, o texto ficou curto; mas confesso que o estilo dessa HQ não é dos meus preferidos (apesar de reconhecer sua importância).  Achei difícil escrever sobre ele, mas por favor, leia para tirar suas próprias conclusões. Então, prometo compensar esses dias de ausência e o tamanho pequeno do texto com outro post ainda essa semana. Fora um especial no dia 14 de fevereiro 😛

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