#50 – Batman: Contágio

Este post será sobre a saga “Contágio”, ou Contagion no original, de 1996. Desde já fique claro que minha falta de ânimo para escrever sobre essa história está diretamente ligado ao fato da qualidade da mesma.
Sei que dizer uma coisa dessas logo no primeiro parágrafo deve desanimar a pessoa a ler, mas eu (assim como qualquer outro) tenho uma opinião, que não necessariamente é igual a dos demais.
A saga é boa SIM, o roteiro até então não teve nenhum que sequer fosse parecido, foi original pra série, só que eu não tenho paciência com histórias tão mal desenhadas. Pra época não era lá tão mal desenhada, mas vá, é tosqueira demais. Há quem prefira esse estilo de traço e cores, negócio mais retrô. Se fosse refeito do zero, com outros desenhistas, ficaria excelente, pois o roteiro não tem problema algum, pelo contrário, foi muito interessante. Preparem seus uniformes lacrados. Vamos ao Contágio.

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001Como já falei, a arte dessa história é tosquíssima. O Azrael (que a essa altura ainda é o Jean-Paul Valley) parece o Gorpo do He-man. Se não lembram de quem falo, é o anão encapuzado que anda com o He-man. Roupa roxa, só os olhos a mostra e tal. Enfim.
Em alguns traços vocês vão ver um Robin às vezes com o corpo igual ao do Batman, às vezes com rosto de garoto, às vezes com rosto de adulto, às vezes com o rosto do Bert do Vila Sésamo (ou aqueles bonecos do South Park, Philip e Terrance)….
002Uma Mulher Gato daquelas bem 1900 e poeira, ainda com roupa branca pra combinar com a neve e uma juba que a deveria render nome de Mulher Leão, um Batman de orelhas ridiculamente grandes, como ocorreu na “Batman & Lobo”, lançada na Batman Extra #15 aqui do Brasil (se não me engano), e pela época, claro, a elipse amarela no peito, que a mim só traz más lembranças.
A elipse me representa a época boba e infantil das histórias/seriados, onde vilão nenhum mata, só se criavam armadilhas pra Batman e Robin saírem, havia um telefone vermelho com ligação DIRETA na base SECRETA do Batman, e tudo sempre terminava em um “Santa alguma coisa, Batman!”. Tenham dó e compreendam minha frustração com essa elipse.
003Essa história foi fragmentada em trocentos titulos. Uma parte saiu na Robin, outra na Sombra do Batman, outra na Batman, outra na Mulher-Gato e dai por diante. Uma benção na vida de qualquer colecionador.
A história teve diversos desenhistas, e nenhum deles escapa do “estilo da época”, tudo antiquado, monocromático e etc… Citarei os nomes só por dever essas informações a vocês leitores, pois não to aqui escrevendo pra mim, e por mim nem mereciam ser citados. Tommy Lee Edwards, Mike Wieringo, Barry Kitson, Kelley Jones, Vince Giarrano, Graham Nolan, Dick Giordano e se tiver mais alguém passou despercebido no tornado de esterco. Vamos ao roteiro, pois a arte eu quero esquecer.
004Chuck Dixon está na parada, eis a salva-guarda/ponto-alto dessa saga. Também não foi o único roteirista, e como eu disse antes, o roteiro está bom, todo mundo fez sua parte bem feita. Que eu me lembre, não haviam abordado um tema assim nas histórias do Morcego. Alguém que não esteja afim de fazer vista grossa dirá “mas isso não é temática original, problemas vindos de doenças mortais é mais velho que andar pra frente” (diz isso pro Curupira). Sabemos que o tema não surgiu pela primeira vez numa história do Batman, claro, mas foi a primeira vez que foi utilizada essa ideia na série, e foi muito bem feita, usou um leque bom de personagens e situações.
Está rolando uma doença mundial e adivinhem, Gotham também está pra ser atingida. A equipe Morcego corre atrás do prejuízo antes a gripe do morcego (mentira, é “Ebola Golfo-A”) chegar em Gotham. Eles podiam arrumar a cura a partir do sangue de um determinado homem, para então imunizar todos que precisassem, e curar quem já estivesse doente.
004-1Rola parceria em missão conjunta entre Robin e Mulher-Gato, que poderia ter sido resolvida com deteminada velocidade se não fosse o babaca do Azrael vir com as ideias dele. Depois de muito corre-corre, encontros, “roubos”, troca de uniformes, de desenhistas e roteiristas, tcharam, geral se ferrou. Batman anunciou que estavam todos condenados, não dava mais tempo de bolar uma cura.
Como sabemos, a Hera Venenosa costuma a saber lidar com coisas do gênero, e se nós pensamos isso, óbvio que uma hora ou outra isso ia bater nas idéias do Morcego. Asa Noturna e Caçadora se juntam ao grupo. O Asa com aquele rabo de cavalo tipo Steven Seagal super Saiyajin lvl. 3, a Caçadora parecendo uma fusão de uma Xena gótica com a Gretchen, e o Robin apenas com cara de Robin infectado. Sim, o “Bird-Brain” (vide o jogo Arkham City) foi infectado pela doença macabra Ebola Golfo-A. O primeiro sintoma se manifestou, sangue pelos olhos.


005A cidade foi posta em quarentena, isolada e com militares por toda parte. Um cenário bem Resident Evil (antes dos zumbis pegarem os militares). Tim Drake levado de volta a caverna fora de combate pelo Asa Noturna para receber os devidos cuidados de Alfred, e Batman junto a Gordon tentando se salvar de um incêndio, ambos no alto de um prédio e ainda tendo que carregar a Hera Venenona junto.
Eis que então, surge o que chamo de “ponto alto” da história. Tem sempre algo de bom nas histórias, por mais tosca que seja a arte, as vezes por pior que seja o roteiro, seleção de personagens… Acontece alguma coisa, ou algum diálogo que salva a obra. E esse ponto alto foi a conversa entre Batman e Gordon no alto do tal prédio em chamas.
006A relação deles já é algo riquíssimo que pode ser explorado quantas vezes for possível e ainda assim haver o que mostrar. A conversa dessa vez partiu de uma pergunta simples. Batman perguntou “Confia em mim?”, e o Jim diz algo que resumidamente foi “Após todos esses anos você ainda me pergunta isso? Você é o Batman original?”, o Batman confirma, e Jim termina dizendo “Graças a Deus”. Isso é a imagem do Batman perante seus conhecidos. A personificação do “nunca dá errado com ele”.
007Mais a frente na história, temos a primeira oportunidade de ver Azrael sem máscara nessa história, revelando ser um misto de Ozzy com Kurt Cobain. Dessa vez vou me redimir de todas criticas que faço a ele. O rapaz salvou o dia. O Azrael, como vocês devem saber, faz parte da Ordem de São Dumas, e o lance começou lá pela galera dele, então ele foi atrás pra ver direito os papos, voltou com uma cura e a entregou no centro médico de Gotham.
008Cura “descoberta” e distribuída, Asa Noturna pega uma mostra para usarem no Robin mas… Tarde demais. Você que terminou de ler esse número já deu por encerrado a carreira de mais um Robin, o que culminaria em mais uma vitrine estilosa na caverna.
Morreu? Não morreu? Brincou de Jason? Tá vivo? Rodou? Se salvou? Cantou pra subir? Pegadinha do Alfred! Haaa ie-ié! Quem esperou um mês pra ver o que aconteceu com o Tim deve ter incendiado a banca onde comprou o exemplar. [Alerta de spoiler! Se deseja ler, posicione seu mouse sobre esse texto].
O Garoto-Prodígio já pôs a farda e pulou pra rua de novo, e mais uma vez rolou uma ação conjunta com a Mulher-Gato. Nessa época eles se davam relativamente bem, coisa que já não ocorreu em Batman – Silêncio.

Resumo dessa obra… Para quem aprecia o velho estilo, é um prato cheio. Pra quem o roteiro e a arte se completam, prato médio. Pra quem não abre mão de um bom desenho, Senegal na veia (leia como “cadê o prato?”).

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Cover

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  1. Pingback: #53 – Batman: Caminho Para “Terra de Ninguém” | Batman Guide

  2. Oi, eu gostei demais do trabalho que você vem realizando. Seu blog é o melhor sobre o Homem-Morcego que já pude ler. São tantas informações que até dá pra se perder de tão interessante. Estarei te visitando algumas vezes para poder aprender mais sobre o herói que é um dos meus preferidos desde moleque.

  3. Oi, blza? Eu concordo q a arte dessa saga é bem podrinha, principalmente a do Kelley Jones, mas até q gostei da arte do Graham Nolan. Mas apesar desse “detalhe”, eu acho essa saga mt foda, até pq foi ela q me levou a colecionar as revistas do Batman naquela época.
    Só q tá faltando Catwoman 31! Eu estava lendo agora e na parte q o Azrael mete o pé na porta p/ salvar a Mulher-Gato e o Robin a edição acaba e na sequinte já tá o Azrael num barco com a Mulher-Gato, sem o Robin, e com outro sobrevivente q nem havia aparecido ainda. Qualquer coisa tem essa edição no Darkseid Club!
    Um outro detalhe são as partes q parecem ter sido traduzidas, a escrita é sofrível em várias partes, mas sei q isso ñ é culpa de vcs, é só um comentário msm. Eu posso até ser chato, mas me incomoda mt ler algo errado, tira um pouco da atenção da leitura!
    Agora uma sugestão: vcs podiam postar tbm a saga O Legado Do Demônio (Legacy). Eu vejo como uma sequência de Contágio e tbm acho uma saga mt boa!
    Bom, então é isso, parabéns pelo trabalho, o blog é ótimo e estou aqui na espera do próximo post! Vlw!
    PS: adorei o post das sagas A Noite Mais Densa/O Dia Mais Claro! Ainda ñ li, mas o texto tá ótimo!

  4. Pingback: Feliz 2014! | Batman Guide

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