#54 – Batman: Terra de Ninguém

“… Depois que o solo partiu e os edifícios tombaram, a nação abandonou Gotham City. A partir de então, apenas os valentes, os saqueadores e os insanos permaneceram no lugar que passou a ser chamado de Terra de Ninguém.”

(Imaginem isso na voz do Cid Moreira, terminando com um “E agora, paladino mascarado?”, estilo Mister M.)
Senhoras e senhores, meninos e meninas, religiosos e comunidade GLS (e mais algumas letras caso eu já esteja antiquado), preparem-se para a maior zona que Gotham já viu. Quase mais absurdo do que um embate entre o Capitão Codorna e o Naruto, esta saga é a “Terra de Ninguém”.
Você verá Batman, Asa Noturna, Coringa, Arlequina, Crocodilo, Caçadora, Scarface, Duas-Caras, Barbara Gordon, Bane, Mulher-Gato, Azrael, uma nova Batgirl.
Nome auto-explicativo, como boa parte das vezes. Sequência direta do “Terremoto”. Uma saga muito, mas MUITO longa, dividida em MUITOS titulos do morcego. Gotham foi aos frangalhos, uma ruína gigante. Batman lutava pela cidade, e agora a cidade não existe, mas o Morcego não desistiu, lutou pelo que restou e lutou para reconstruir.
Você acompanha agora as partes importantes desse arco que mudou o rumo de todas histórias até o último reboot da DC recentemente.
Proteja o que é seu, pois daqui pra frente não há leis. Terra de Ninguém.

Nota da Jéssica:
Preciso, antes de tudo, agradecer demais ao Augusto por ter escrito esse texto, que consumiu tanto tempo dele. Não posso expressar minha gratidão por essa contribuição, e por todas os outros magníficos textos que você fez para o Batman Guide. Esse blog não seria o mesmo sem você. Obrigada!
Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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001Roteiristas: Bob Gale, Dennis O’Neil, Devin Grayson, Greg Rucka, Ian Edginton, Chuck Dixon, Scott Beatty, Lisa Klink, Kelley Puckett, Mark Wayd, John Ostrander, Larry Hama, Janet Harvey, Paul Dini, Bronwyn Carlton e Steven Barnes.
Desenhistas: Alex Maleev, Roger Robinson, Dale Eaglesham, Jason Pearson, D’Israeli, Frank Teran, Andy Kuhn, Will Rosado, Guy Davis, Jon Bogdanove, Phil Winslade, Pascal Alixe, Mike Deodato, Staz Johnsson, Damion Scott, Mark Pajarino, Dan Jurgens, Jim Balent, Rick Burchett, Jason Minor, Tom Morgan, Sérgio Cariello, Scott McDaniel, Paul Gulacy, Yvel Guichet, Gordon Purcell, Paul Ryan, Mat Broome, Rafael Kayanan, Greg Land, Steven Harris e Pablo Raimondi.
002(Uma massagem do Bane pra quem conferir se eu pus algum presidente americano no meio dessa bagunça).
Temos desenhistas muito bons e muitos ruins nessa equipe, e roteiristas que, querendo ou não, não podiam fugir da ideia principal da saga. Então podemos dizer que os roteiros são equivalentes. Alguns tem diálogos e falas mais articuladas e naturais, coisa menos manjada e clichê, mas no geral, bom. A temática então nem se fala. Foi extrema.
003As primeiras cenas relatam bem o que está havendo. A cidade parece Racoon City (Resident Evil), tá lá, aos pedaços, mas está. Não tem uma doença, mas a cidade parece estar em quarentena, ninguém entra, ninguém sai, ninguém pode sobrevoar… Virou uma terra proibida. Vemos a tentativa de um padre e de um outro camarada tentando jogar comida pra dento da cidade de qualquer jeito e sendo impedidos, por terra e por céu.
Bárbara continua em suas “funções de Oráculo”. Ela está em um prédio à prova de terremotos e com painéis solares, gerando energia normalmente. Sorte? Não, é um prédio Wayne.
Bárbara explica como a cidade ficou, com gangues pra todo canto marcando seus territórios, tornando-se reis da “terra de ninguem”. Isso em boa parte foi graças ao Jeremiah Arkham, que soltou todos os detentos do Asilo Arkham (relembre aqui.)
Quem acompanha a história há algum tempo e já teve oportunidade de ler histórias a frente dessa já deve ter percebido que o Jeremiah Arkham é um desgraçado de marca maior. Eu sinceramente não entendo porque os heróis da familia morcego tem tanta tolerância com as merdas que esse cara faz. Mas deixando ele de lado (por enquanto…).
004A cidade foi dividida entre os “grandes” do submundo. A revista proporcionou um mapa muito interessante de Gotham, não me recordo de terem apresentado um mapa político de Gotham antes. Duas-Caras com seu território, Hera Venenosa com o seu, Crocodilo com o seu, assim como Mr. Freeze, Scarface, Zsasz, Pinguim, Espantalho, Máscara Negra, Caçadora e também a polícia.
O Coringa desapareceu, e isso deveria assustar muita gente. Já ouviram o ditado “amigos perto, inimigos mais perto ainda”? Então.
Quem estava se dando melhor na confusão foi o Pinguim que estava se aproveitando da situação graças a algum meio de importar coisas de fora da cidade. E o Batman? Pois é, sumiu. Segundo relatos, Bruce Wayne após ter obtido falha em sua tentativa de resolver os problemas de Gotham no congresso, simplesmente desapareceu, e isso já fazia 3 meses. Ainda deu ordens a seus morcegos menores para ficarem fora de lá.
Sumiço por sumiço, Gordon desiste do Batsinal, acha que Batman abandonou a cidade como todos os demais, disse que ele só vai pelos caminhos fáceis… É.

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A relação do Batman com o Gordon tem horas que é incrível, ver a confiança mesmo o Batman sendo um mascarado sem garantia alguma de que vai fazer o que faz, porém não e a primeira vez que o Gordon joga tudo pro alto na hora do nervosismo. Sempre que a merda aperta e ele não consegue garantir pra si mesmo que o Batman ainda tá na boa intenção o velho alopra. Não é como o Dick Grayson ou o Alfred. Tudo bem que ambos sabem a identidade secreta do homem, mas vamos lá, o Gordon tá careca de saber que o Batman tá do lado do bem, só que age por caminhos “diferentes”.
Lembram o que falei do Coringa? Então, ele está montando a“Coringaville”, os território dele. Competindo diretamente com a Batgirl pixando por aí em nome do morcego.
007Não demorou muito e Batman voltou a ação. Por onde andava ninguém sabe, mas Alfred ficou na pior e ele apareceu. Deu um parecer que precisa reaprender a andar pela cidade, uma vez que está tudo destruido e tudo o retarda. Não demora muito e ele encontra a Batgirl. Ele elogia o uniforme e manda a mulher sumir, explica que já mandou todos demais morcegos não se envolverem pois a chapa tá quente em Gotham (ou no que sobrou dela). A mulher diz que a cidade precisa de um morcego, ele concorda, e ele então simplesmente deixa a mulher continuar fazendo o que estava fazendo. Não aprova, mas como ele mesmo disse, “não desaprovo”.
Batman decide adotar a “pixação do morcego” que a Batgirl estava fazendo por Gotham, e como primeira atitude toma o bando do Scarface, dá as ordens como se fosse um líder de gangue e deixa todo mundo avisado de proteger o território recém-tomado SEM armas, e pra continuarem pegando o tributo. Força os “ladrões de território”a pixar o Morcego por cima do próprio simbolo da gangue deles… O sujeito tá gangsta malvadão. Podemos chegar a um acordo… Agora é “GTA: Gotham City”.

“Você começa a salvar o mundo salvando um homem por vez, todo resto é romantismo ou política”. (Charles Bukowski.)

008Caçadora, Batgirl e Azrael meio que são forçadamente necessários pro Batman. O Morcego aciona o Azrael para caçar um dito cujo que pode jogar pra trás o maior investimento já feito por Bruce Wayne. O Morcego pretende aplicar todo seu dinheiro na cidade. Deu-lhe um novo uniforme, pois o outro estava associado a figura de um Azrael criminoso acusado de assassinato. Agora Jean Paul Valley virou uma boneca cibernética, um Robocop Gay. Brincadeira. Mas a roupa é lata pura, de longe até lembra o atual Batwing.
Caçadora ganha mais uns pontos de confiança com o Batman pelo trabalho incansável, entra um período de muita conversa com o Espantalho, espionagem de um ex-Máscara Negra…

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A história por muito tempo é isso, jogadas políticas não-oficiais e decisões sem tempo de pensar. Batman está tendo que aceitar diversas coisas que muito provavelmente em outras ocasiões não aceitaria. Batgirl (que ainda não é Batgirl oficialmente nessa altura), como eu disse antes, foi “não-reprovada” e ficou na ativa na Terra de Ninguém.
Batman ainda encontra a Dra. Leslie e tem mais uma daquelas conversas ótimas que tanto gosto, ela sempre faz o temível Batman ser um eterno garoto.
Os mapas são um plus dentro dessa saga tão complexa e longa. Você vai vendo os avanços das “gangues”, e nesse caso, também estou pondo a polícia de Gotham e os “morcegos” como gangues. (Clique nas imagens para ampliar)

O título o tempo inteiro faz jus a história. Terra de Ninguém. Guerras e tomadas de território ocorrem de hora em hora. Em um trecho, Barbara narra 3 conflitos ao mesmo tempo, enquanto a polícia de Gotham invade territórios do Pinguim, o Pinguim em si quebra o trato que tem com o Batman e invade as terras do Morcego, e Duas-Caras avança rumo a algum lugar, e possui mais homens do que os demais pensavam.

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Duas-Caras foi ao encontro do Pinguim, que estava tendo uma “barreira” do território dos morcegos, a Batgirl. Lá Pinguim foi traído pelo Duas-Caras da mesma forma que traiu o Batman. Ele iria dobrar seus territórios, e acabou perdendo metade do que possuia. E o Batman… Perdeu também. Batgirl abriu mão da luta pois estava sozinha. Batman foi preso por uma russa que foi cobaia de um implante cerebral para ler mentes, a mulher foi ao Batman a mando do Duas-Caras, mas de alguma forma ela não ficou como “inimiga” do Batman, apesar de ter lido a mente dele e descoberto todos os segredos. Pena talvez.

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#53 – Batman: Caminho Para “Terra de Ninguém”

“- Você é como um guardião de Gotham, não?
– Eu passei a vida toda aqui. Gotham me moldou.
– Mas a cidade caiu… E te derrubou.
– Não para sempre.
– Eu sei. As ruas, os prédios… Tudo será reconstruído. Algum dia, todos vão olhar ao redor sem lembrar desta tragédia. Mas essa é a restauração física, Bruce. E quanto às almas devastadas?
– Tem razão… São elas que mais importam. As cicatrizes invisíveis. Só nos resta esperar que o tempo as apague.
– Vamos rezar por isso. […] Eleve o espírito de Gotham. Ele é precioso demais para ruir.”

Olá!
Dando prosseguimento à cronologia do Batman, as obras de hoje contam o que aconteceu em Gotham City depois da tragédia que se abateu em “Terremoto”. Essa história se divide em cinco “arcos”: “Depois do Terremoto”, “Azrael, Agente do Morcego”, “O Homem de Cera e o Palhaço”, “Sr. Wayne via a Washington” e “Lutar ou Fugir”.
A HQ de hoje é: “Batman: Caminho Para Terra de Ninguém” (Batman: Aftershock / Road to No Man’s Land, 1998-1999).

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001Começamos com Batman e Robin tentando desobstruir as passagens da Batcaverna, inacessíveis devido ao terremoto. Apesar de perderem dois batmóveis, eles conseguem cavar a entrada. Contudo, essa parece ser a única boa notícia: ainda há pessoas presas no metrô de Gotham, que costumavam receber comida e água, mas que com os tremores de assentamento pós-terremoto ficaram completamente inacessíveis. Para os policiais de Gotham seria impossível tentar abrir uma passagem até elas, pois poderia soterrá-las. Mas isso na perspectiva das pessoas normais, claro. Batman desconhece o termo “impossível”.
E claro que ele consegue libertar essas pessoas. A única saída seria conduzi-las pela abertura recém-cavada da Batcaverna – e permitir que tomem conhecimento sobre a identidade secreta de Batman. Entretanto, o Morcego acha um preço justo a se pagar.
002Mas eis que são impedidos pelo desequilibrado Otis Flannegan, o Caça-Ratos, que estava preso em Blackgate antes dela ser destruída pelo terremoto. Ele está liderando uma tropa de ratos furiosos, e quer alimentá-los com os cruéis humanos a quem Batman tenta proteger. Mas devido à pressão que os ratos exercem, eles acabam caindo e sendo esmagados pelos destroços do metrô. E agora, subjugado, Caça-Ratos é obrigado a mostrar o caminho de saída para todos os sobreviventes.
Agora é necessário lidar com outro problema: como reconstruir a Mansão Wayne sem que os trabalhadores tomem conhecimento da Batcaverna? Dick Grayson e Alfred tem uma idéia: remover temporariamente toda a mobília, acessórios, batmóveis, batcomputadores, etc. Assim, a caverna pareceria, aos profissionais da construção civil, apenas uma fenda aberta pela ação do terremoto. E assim é feito.
005As corporações Wayne têm contribuído majoritariamente no projeto de reconstrução de Gotham, fornecendo verbas, abrigando pessoas que perderam tudo que tinha, investindo em projetos anti-terremoto. Quando questionado sobre como ficariam os lucros da empresa durante esse período, Bruce é taxativo: “Até Gotham se reerguer, a única prioridade das empresas Wayne não será lucrar. Nós vamos priorizar a melhoria da qualidade de vida na cidade”.
Uma cena tocante é ver Batman desabando nos ombros de Alfred, que, emocionado, se lembra de quando os pais do pequeno Bruce Wayne morreram e ele também se sentiu muito perdido. É emocionante porque Batman sempre se ocupa em esconder seus verdadeiros sentimentos sob uma capa de força desmedida. Nos esquecemos que ele é humano.
003Mas uma cidade tão fragilizada acaba atraindo inúmeros pistoleiros se espalham pela cidade, trazendo o caos a uma cidade em ruínas. (Para isso, Batman conta com a ajuda de Balístico, um ex-policial da SWAT) Além disso, há outros problemas estruturais: os escombros impedem que o caminhão de coleta de lixo passe por toda a cidade, então alguns pontos estão simplesmente com pilhas enormes de lixo. Animais como ratos e cachorros estão se alastrando indiscriminadamente pela cidade.

Animais

O necrotério municipal de Gotham está com a capacidade sobrecarregada, tornando-se urgente iniciar a cremação forçada dos corpos que lá estavam. Os bombeiros, apesar de seu trabalho incessante, parecem estar espiritualmente derrotados. As adutoras de água da cidade estão praticamente impossíveis de serem controladas, e há o risco de uma epidemia de cólera e outras doenças contagiosas na cidade. Os serviços públicos suspenderam todas as suas atividades, causando um problema não só financeiro, mas de logística. A alimentação enviada por helicóptero é insuficiente em todas as áreas da cidade. Os hospitais estão trabalhando com o mínimo de recursos possíveis. O corpo de policiais parece não dar conta de lidar com a efervescência de criminosos nascidos com o caos de Gotham. Até mesmo o inquebrantável Batman vê sua esperança diminuindo progressivamente.
004Diversas ocorrências vão surgir durante essa HQ, como quando criminosos cercam o hospital de Gotham para saquear os remédios e drogas medicinais lá estocados. Com um efetivo reduzido, a polícia não conseguiria garantir a segurança das pessoas lá internadas, mas com a ajuda de Batman e Robin isso se torna possível. Crianças perdidas sem as mães precisarão de toda a ajuda possível para não ficarem à deriva. A contagem oficial estabelece o número de um milhão de mortos, além de milhões de desabrigados. Há um crescimento desenfreado da criminalidade e desobediência civil, provocado pelo egoísmo e maldade humanas, ou, numa perspectiva mais otimista, pela destruição dos sonhos da pessoa e da perda de sua capacidade de acreditarem que tudo ficaria bem um dia, de novo. E esses cidadãos parecem ter poucos motivos para acreditar. “Há poucos dias o mundial de beisebol era a preocupação deles. Hoje eles se matam por água.”

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#52 – Batman: Noël

Sejam bem-vindos à mais um post de one-shot. Venho satisfeito por essa história ter caído em minhas mãos, vocês talvez nem tanto, pois a morcego-chefe talvez fosse falar mais bonitinho a respeito dessa história tão bem feita.
Essa é uma história made in Lee Bermejo’s head. Eu já sabia que ele era um desenhista de mão cheia, mas revelou-se também um roteirista de primeira. Acredito eu que esta é a primeira história que leio dele como roteirista.
Assim como as demais histórias “recentes” que ele tem desenhado pra DC, “Coringa” (com o Azzarello no roteiro) e a “Lex Luthor” (também com o Azzarello no roteiro), essa história é bastante envolvente, e com um diferencial que eu achava ser marca registrada só do Azzarello, o “herói” não é o foco.
Vamos a Noël. (“Batman: Noël“, no original)

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A história tem uma arte impecável, provavelmente o uniforme mais realista e bem feito que o Morcego pode ter. Talvez essa seja uma das razões que Lee Bermejo não poderia ser desenhista da série mensal, ele deve demorar séculos pra terminar uma simples revista. Isso é dedução minha, se ele tiver capacidade pra ser desenhista mensal a DC tinha que ter um pingo de vergonha na cara e contratar o homem pra série mensal, URGENTE, porque o atual tá deixando a desejar.

CapaContracapa

Detalhes da capa e contracapa de “Batman: Noël”.
Clique para aumentar.

Mas então, o uniforme. Querem detalhes? Os olhos por dentro da máscara. Eu prefiro os olhos “brancos” que fazem aquele contraste na escuridão, coisa que faz parte de qualquer boa história sombria do Batman, mas se for pra fazer sem os olhos brancos TEM que ser igual ao Bermejo. Segundo ponto, as costuras das calças e camisa, em terceiro o cinto que claramente tem caimento na cintura e grandes compartimentos que não são meras caixinhas de tic-tac. Quarto, fivelas nas botas (isso eu particularmente achei meio dominatrix demais, porém ficou bom). Fora os cenários que são dignos de você perder um tempo procurando algum Wally, de tão detalhados e completos.

Detalhes da roupa de Batman

O roteiro, também vindo das mãos desse artista, se assemelha muito aos roteiros do Brian Azzarello, coisa que ele deve ter pego com certeza do próprio Azzarello, uma vez que eles trabalham/trabalharam juntos diversas vezes ao longo da vida.
A história fala de Bob e Scrooge. Começa com o tal Bob, um sujeito caricato com jeito de ser um baita enrolado. O narrador diz que ele tem um filho, que o menino tem um problema na perna e não tinha a saúde boa, que mora em um lugar ruim, que passam necessidades… Enfim, conta por alto a vida do Bob. Na boa, eu fiquei até meio triste.
Bob em suas andanças e busca por algum boost em sua vida, foi dar uma mão a quem não devia, carregando algum pacote… E durante uma chuva de Xuxa, no colo dele caiu o Pelé. O Batman desceu na frente do coitado igual um demônio por causa da tal caixa, deu-lhe um susto básico e botou o cara pra correr.

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003Chegando em casa, Bob correndo de medo da “assombração”, dá de cara com seu filho lhe mostrando a árvore de natal que ele fez com coisas que achou no lixo. O pai nervoso e assustado grita com ele, o garoto fica triste e logo o pai sente o que fez. Ele pede desculpas e dá atenção pra árvore feita com latas e bonecos.
O menino comenta que queria colocar o simbolo do Superman no soldadinho, pois ele (Superman) tinha cores vermelhas que lembrava o natal, e que talvez colocasse algo do Batman. O pai (que tinha acabado de tomar um apavoro do morcego) diz que o Batman não tem nada de natalino, a criança argumenta que ele só pega gente ruim, e surge o dilema, “Às vezes, mesmo as pessoas boas fazem coisas ruins”.
004Depois desse tanto da vida do Bob, assim como vários personagens nos quadrinhos e filmes, caímos na caverna. Lá está o Scrooge, mais conhecido como Bruce, visivelmente gripado, junto ao Alfred que… Talvez tenha sido a única coisa feia que vi o Bermejo desenhar. Ignorando esse detalhe, o Alfred comenta que o Bruce pode ter pego algo devido ao frio, Bruce nega, então Alfred solta uma frase muito boa: “Seria, depois de tudo, impossível o ‘Cavaleiro das Trevas’ assoar o nariz”.
Temos um quadro interessante nessa altura da história na caverna. Uma vitrine com uniformes antigos do Batman, inclusive o primeiro de todos. Ver algo tão antigo no traço do Bermejo faz até parecer que ficaria legal hoje em dia. Tá, nem tanto.

Acervo
005Ainda falando de uniformes, impossível não notar o uniforme de um Robin ali. Até então, foi a primeira vez algo relacionado a Robin apareceu em uma história feita pelas mãos de Bermejo. Finalmente vemos que nesse universo “Azzarello/Bermejo” (lembrando que Azzarello não está nessa produção) existiu um Robin, só que ficou no ar uma lacuna maior que o tríceps do Hulk. Quem diabos era aquele Robin?
Foi dito ali que aquele Robin tinha morrido, e que após isso o Batman “secou” por dentro e virou um pitboy na rua. “Ah, se morreu, só pode ser o Jason!”.

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#51 – Batman: Terremoto

“O homem já andou na lua. Ele constrói cidades… Explora o oceano… E planta no deserto. Mas quando a natureza se volta contra ele… Quando placas tectônicas se chocam e a terra se move…
Só lhe resta sofrer.”

Olá!
A HQ de hoje é uma daquelas grandes sagas envolvendo inúmeros personagens. Talvez você não goste porque elas são mais extensas do que one-shots ou minisséries, ou seja, são maiores para ler e exigem um certo conhecimento prévio dos personagens. Mas ainda assim, esse tipo de saga traz eventos que vão repercutir na cronologia por um bom tempo.
Além disso, essa história é o prelúdio para um arco MUITO importante, do qual eu e o Augusto falaremos em breve aqui no Batman Guide.

Explicações dadas, vamos à HQ de hoje, que é “Batman – Terremoto” (Batman: Cataclysm, 1998!)

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001Um terremoto de magnitude 7.6 na escala Richter atinge Gotham. Apesar de tentar avisar com antecedência, a sismóloga Dra. Relazzo não consegue estabelecer contato com Batman, e também Oráculo perde a conexão que tinha com a Batcaverna. Ela está em ruínas, bem como a Mansão Wayne – com Batman e Alfred lá dentro. Batman consegue escapar do meio dos destroços, e promete à Alfred que buscará ajuda. O Comissário Gordon é encontrado em meio às ruinas de Gotham.
Eu gostaria de chamar atenção para o texto no momento em que a Batcaverna e a Mansão Wayne estão sendo atingidas pelo terremoto. Acompanhado por uma arte que eu considerei primorosa, é uma narração muito bem-feita. Na verdade, toda a descrição do momento do terremoto é belíssima, mas colocarei só um trecho. Acompanhe.

“Um rugido infernal toma a caverna. O chão se move, e toneladas de pedras estremecem violentamente. Os computadores se recolhem automaticamente, protegidos por cilindros de kevlar. Ele pensa na segurança dos outros… Como a mansão terá sido afetada? Então, o mundo parece implodir. A mansão Wayne está a penas um quilômetro do epicentro do abalo. Seus tijolos racham sobre a pressão intolerável gerada pelo solo. Por fim, ela cai no abismo.
Estalagmites milenares se quebram como vidro, afundando no chão da caverna. O túnel de saída está intacto, mas o Batmóvel… Agora a única saída é pela passagem para a casa dos Drak. A passagem de Robin. Mas até ela se fecha. Um lençol subterrâneo invade o lugar com a força de um tsunami… Carregando um herói indefeso.”

004Quando Bruce Wayne sai da Batcaverna, constata que os prédios de que é dono aparentemente não haviam sofrido dano, devido à tecnologia anti-sísmica  que absorvia impactos de até 8.5. Após avaliar a situação, volta à Batcaverna para salvar Alfred.
As notícias já estão sendo veiculadas nos meios de comunicação, e chegam aos ouvidos de Dick Grayson.
Ele chega a Gotham pelo porto para verificar como o antigo parceiro estava.

002E também ajuda as vítimas do terremoto que Gotham sofreu (a cena do resgate de um criança realizado por Asa Noturna é comovente). O caos estava definitivamente instaurado na cidade; incontáveis vítimas estavam soterradas, pontes caídas isolavam trechos impossibilitando a chegada de resgate, a cidade está sem energia, a distribuição de água é insuficiente, há postes caídos nas ruas, carros amassados com latarias torcidas, fendas se abrem repentinamente nos espaços deixados pelo movimento das placas tectônicas, incêndios se espalham por toda a cidade…
Gotham está destruída.

007Pouco antes do terremoto, Bane estava sendo conduzido de avião a Gotham, para ser enclausurado na prisão Blackgate. Mas devido às instabilidades do solo no momento do pouso do avião, ele consegue fugir. Azrael corre em seu encalço. Paralelamente, a Caçadora está no metrô de Gotham, enfrentando o pânico de uma população enclausurada no subterrâneo de uma cidade em ruínas. Ao conseguir escapar, encontra os criminosos de Gotham em polvorosa com a situação caótica, se aproveitando da ausência de vigilância dos policiais para fugir impunemente por seus crimes. Mesmo levando um tiro no braço, ela ajuda pessoas soterradas.
003Enquanto isso, Batman está descobrindo uma saída pela qual possa levar Alfred, mas os possíveis caminho para fora da Batcaverna se obstruem rapidamente – sobrando somente um túnel de água cujo fim ninguém pode deduzir.
Mulher-Gato estava começando um assalto quando o terremoto aconteceu. Havia uma criança lá, ela tenta salvá-la, mas… Não consegue. É uma cena tocante. Após constatar o estado geral da sua amada cidade, Selina ajuda a colocar os sobreviventes em segurança e revela algo que não é muito comum em suas histórias: seu lado sensível.
Drake, que envolveu-se numa jornada violenta com Shiva na Europa, chega a Gotham bem no momento em que ela já está devastada.

009O terremoto atinge a prisão Blackgate. E “Wayne não é dono de Blackgate. A prisão não foi feita para suportar terremotos, fortes ou não”. Apenas uma cela se abre: a de um condenado à prisão por mortes brutais. Contudo, logo uma onda de 25 metros varre a baía de Gotham, inundando rapidamente a prisão Blackgate – alguns prisioneiros se afogam, mas outros conseguem se salvar, e começam uma verdadeira cena de horror na prisão, matando os guardas e tomando reféns. Os helicópteros da SWAT são convocados para a contenção, assim como Batman.
005Um momento interessante dessa HQ é quando Batman obriga Pinguim e seus capangas a ajudá-lo a salvar os feridos de Gotham. Toda uma corja de assassinos, ladrões e estupradores estão fazendo algo que nunca fizeram antes: ajudar o próximo. (Mas isso não impede que Pinguim, fora das vistas de Batman, ajude somente aqueles que poderão vir lhe fazer favores futuramente. Há pessoas que simplesmente nunca mudam…)
Há um trecho na HQ em que Ra’s Al Ghul assiste, via satélite, o caos em que Gotham se encontra. Então senta-se e começa a refletir, como se estivesse conversando com Batman. Transcrevi todo esse trecho aqui porque achei muito significativo, acompanhado de uma arte extremamente bem concebida.

“Diga, detetive… Você vê o que eu vejo? Sua cidade o traiu. O concreto e o aço de Gotham mataram mais inocentes do que qualquer interno do Arkham. Quantos morrem? 50 mil? Talvez um milhão? Que ironia! As criações o homem se tornam suas assassinas durante um terremoto. […] A humanidade precisa aprender que nem sempre pode domar a natureza. Eis uma lição que cada cidadão de Gotham aprendeu. […] Fracos e poderosos, ricos e pobres. Todos estamos sujeitos à cruel vontade do meio ambiente.
Essa é a realidade que Bruce Wayne partilha com os cidadãos inferiores que tanto protege. Nem toda a riqueza o afastou do mesmo destino que o povo de Gotham. Veja a casa do pai dele. Até seu santuário foi violado. A terra se abriu e expôs o seu segredo à luz do dia. Como ele pretende consertar isso? E quanto a você, detetive? O campeão de Gotham é forçado a andar nas ruas entre escombros, tentando vencer o invencível.
Não há vilões a esmurrar. Não há Bane ou Coringa. Você não pode dar vazão à sua necessidade infantil de se vingar. Você não pode depender do que sempre confiou. A instabilidade de Gotham tornou inúteis todos os seus truques. Seus esforços são em vão.
Ainda assim, você continua a perseguir o que considera o inimigo. Você espera derrubar um oponente intocável. Por fim, você encontrou algo em que não pode aplicar suas percepções ingênuas de bem e mal. Mesmo com tantos desafios, você prossegue em sua guerra santa, mas não pode salvar Gotham desta vez. Eu pergunto, detetive… Quem é o louco agora?
Não importa… A sua obsessão cega não vai mudar a conclusão inevitável: Gotham não pode ser reconstruída. Ela será abandonada e consumida pela vegetação, erosão e decadência. Tente enxergar além dos seus interesses locais. Veja o mundo. Talvez agora você assuma seu devido lugar ao meu lado. Talvez aceite a verdade. A guerra acabou. Sua cidade não precisa mais de proteção. Gotham caiu.”

RasAlGhul

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RESULTADO DO SORTEIO: “Batman – A Guerra de Secessão”

Olá, queridos!
Para a resenha da HQ de hoje eu convidei meu amigo Silas Couto, que cursa História comigo na USP e é uma das pessoas mais inteligentes que conheço.  Obrigada pelo texto, querido!

E o resultado do sorteio está no fim do post! Obrigada a todos que se inscreveram. Prometo fazer outro sorteio em breve 😉

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Nesta HQ, encontramos uma situação hipotética (ou elsewords, leia mais neste post) em que, no ano de 1863, nosso herói Bruce Wayne é um Tenente Coronel da cavalaria Yankee e agente secreto (com a identidade de Batman) no governo de Abraham Lincoln (1861-1865). Não sei exatamente oque vocês sabem sobre história americana, portanto o post de hoje tratará muito mais do contexto histórico do que a trama em si [vide que não é a Jéssica quem está lhes escrevendo].

Vocês devem saber que existem, desde os tempos coloniais, diferenças culturais e econômicas entre o norte e o sul da costa leste do atual EUA. Essas divergências ideológicas foram de certo modo toleradas no início da história independente dos Estados Unidos, devido ao forte caráter de federalismo adotado pelas 13 colônias originais e pelos estados que viriam a se formar com o tempo. Porém com o tempo essas diferenças passaram a gerar atritos na União, e esses atritos atingiram o ápice na eleição de Lincoln e suas políticas mais próximas da burguesia industrial nortista à aristocracia escravocrata sulista. Assim, sentindo-se ameaçados de perder parte da autonomia político-econômica da região, um combinado de estados sulistas e escravistas se unem e fundam os Estados Confederados da América (vale ressaltar que nem todos estados escravistas aderiram a Confederação) .Antecedendo um intervenção militar Unionista, a Confederação declara guerra, e invade os EUA, dando assim início a famigerada Guerra de Secessão da América.

Pior que uma guerra civil generalizada dentro de uma nação, é uma guerra civil dentro de uma nação que ainda está se formando. A revolta confederada se inicia poucas semanas após o presidente Lincoln assumir seu mandato, portanto, no ano de 1861, e neste momento os Estados Unidos e Estados Confederados compreendem na costa leste e alguns estados do meio-oeste, (vale do Mississipi, antigo terrirório francês da Louisiana) além das repúblicas da Califórnia (aderindo a União) e do Texas (entrando para a União, mas migrando para Confederação quando esta é formada). Porém, áreas sobre a influências dos EUA pré-1861 e sem pertencer a nenhum estado específico caracterizavam os chamados territórios indígenas, e eram ocupados muito precariamente por cidadãos americanos sem se filiar a União ou aos Confederados durante a guerra. Essa situação de distanciamento das instituições políticas gerava uma situação de “terra sem leis”, envolvendo conflitos entre colonos brancos, pelo domínio dos recursos naturais e minerais da região, além de, claro, conflitos entre colonos e nativos pela posse da terra.

 

Mas aí vocês me perguntam: “Onde é que entra o Bátima nessa história?”

Enfim… Acho que agora já dá pra falar da HQ Batman: A Guerra de Secessão. Como eu já disse, Bruce é um militar e agente secreto da União e recebe a missão de investigar, com apoio de outros agente, roubos de prata no deserto de Nevada. O mais intrigante do caso é que já sabe-se que o roubo não faz parte de uma estratégia de sabatogem da União por parte dos Confederados. Sendo assim, o Tenente Coronel Wayne segue para o Oeste, afim de investigar o caso da prata, além de tentar influenciar a região de Nevada a aderir  a União assim que for elevada a categoria de estado.

001Após se despedir de seu mordomo Alfred, o Tenente descobre que viajará em um diligência acompanhado de duas moças, a jovem e encantadora Margaret Barensaver (ou simplesmente Peggy) e a velha e chata Mary Louise Pilchard.
Atravessando a América do Norte, a diligência se aproxima da região de Nevada, e olhando pela janela a “tia” Mary contacta uma nativo americano e logo se aflige temendo o “selvagem”, porém trata-se somente de um mestiço. Pouco depois um perigo real cruza os caminhos de Bruce e das moças, Robert Arnold Armstrong (Bloody Bob) e seu bando de renegados cercam a diligência em um assalto, Wayne decide então entrar em ação para proteger as moças, subindo no teto da carruagem para trocar tiros com os bandidos, em uma clássica cena de ação do gênero Western. Porém o Tenente acaba se ferindo e caindo da diligência, mas é claro que isso faz parte do plano… Fora de ação Wayne encontra um dos agentes prometidos por Lincoln, o agente P, um mestiço chamado Pássaro Vermelho (o mesmo avistado pela velha chata anteriormente – Ou Robin, se você preferir.). Pássaro e Bruce então se encontram e nosso herói recebe de seu assistente um cavalo negro chamado Apocalipse, juntamente de sua excêntrica veste de agente secreto. Finalmente o Tenente assume seu alter-ego Batman e parte para ação com seu jovem escudeiro, possuído pela sede de vingança. Batman e Pássaro Vermelho conseguem fazer com que Bloody Bob e seus homens se dispersem, salvando assim a diligência e consequentemente as moças.

002Por fim o tenente chega a seu destino em Nevada e logo tenta contatar a população local a aderir a guerra civil em nome da União. Numa dessas empreitadas, em uma taverna local ele acaba encontrando o outro agente com quem trabalhará no caso da prata, James Butter Hickok (Wild Bill), o agente H. Ou Comissário Gordon.
Com a trupe formada, Wayne pode organizar melhor suas ações. Percebendo o desinteresse da população branca pela guerra de políticos do leste, Batman procura outra forma de montar um milícia pró-união: encontra-se com um grupo de negros escravos fugidos convocando-os ao serviço militar Unionista prometendo-lhes a alforria.

003Então é este o cenário que obtemos: Bátima e Pássaro Vermelho descendo o cacete nos bandidos, com apoio de uma milícia negra e do jornalista Sam Clemens divulgando os feitos no cavaleiro negro. Usando da influência social de sua patente, o Tenente Wayne adentra o meio da alta sociedade da cidade para investigar o caso da prata, e depois de conseguir algumas informações coloca Wild Bill e Clemens para investigarem cargas suspeitas em um trem. Enquanto isso, Batman e Pássaro Vermelho caem em uma cilada de Bloody Bob e escapam com a astúcia de Batman, perseverança do nativo prodígio e da providencial ajuda do agente H e a milícia negra.

004Com isso, os heróis partem atrás da prata roubada, que está indo para o México com escolta do exército francês. E que merda é essa de exército Francês entrando em território norte americano pela fronteira com o México? Como havia avisado anteriormente, este post é mais preocupado com a contextualização da HQ do que com o roteiro em si, lembrando que o conto se passa em 1863, e nessa época a política do México também não era nada estável. Vou explicar porcamente pra vocês: sabe quando um governo latino-americano apela pro nacionalismo pra tentar minar a influência das grandes potências e defender a soberania nacional? Então, isso não é um evento recente, tem acontecido desde o século XIX. O caso mexicano em questão é assim: em 1861 um presidente mexicano decretou que não pagaria mais os juros da dívida externa, e quem era um dos principais credores do México? A França! Neste momento a França estava sobre o Segundo Império Francês, governada por Napoleão III (reinado: 1852 – 1870), sendo assim, Napoleão III, com o apoio de outras potências europeias derruba o governo republicano no México e instaura uma monarquia pró França (o Segundo Império Mexicano [sim, não é o primeiro governo monárquico no México indepente]). Oficialmente esse Império Mexicano se inicia em 1864, porém a intervenção militar francesa começa em 1862, explicando assim como a cavalaria francesa entra na história do Batman.

005Pra encerrar esse post, gostaria de tocar em alguns apêndices. A arte dessa HQ é bem simplista e não chama muito atenção comparando com outras publicações do mesmo período (1992), porém ela remete aos quadrinhos Western das décadas de 50 e 60, caracterizando os personagens com os mesmos traços dos clássicos do gênero. Outro apêndice é sobre o título original da obra, Batman: The Blue, The Gray, The Bat, uma clara citação ao filme Western Spaghetti de Sérgio Leone de 1966, Il Buono, Il brutto, Il cattivo (Br: Três homens em Conflito, EUA: The Good, The Bad, The Ugly). Você pode assistir o filme completo em italiano aqui.

O título também representa a Guerra Civil uma vez que o azul (blue) é a cor da União, e o cinza (gray) representa a Confederação. O que nos leva ao último apêndice: a HQ não expõe a posição política do vilão Bloody Bob, mas percebe-se que ele usa vestes cinzas, cor dos uniformes militares confederados, levando a crer que o vilão seja um simpatizante confederado.

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E agora, finalmente, o resultado do sorteio!

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SORTEIO! “Batman: A Guerra de Secessão” [ENCERRADO]

Oi!
Faz um tempinho já que eu não faço um sorteio por aqui, não é? Mas não pensem que eu me esqueci de vocês, não! 🙂

A HQ que eu vou sortear hoje é uma one-shot (composta de um único volume) lançada em 1993 aqui no Brasil, com roteiro de Elliot S. Maggin e arte de Alan Weiss. O contexto histórico é, como o nome sugere, a Guerra da Secessão – mais popularmente conhecida como “Guerra Civil Americana”, um conflito ocorrido de 1861 a 1865 nos Estados Unidos.

Ela tem um traço claramente inspirado nos desenhos do Zorro e do Cavaleiro Solitário, e é uma das HQs de “Elsewords”, isto é, coloca os personagens em um mundo alternativo (você poder ler mais sobre HQs Elsewords nesse post).

Cover

E como você pode ganhá-la? É bem fácil! 😉

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E o Batman Guide chega ao 50º post!

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E ontem saiu o post de número 50 do blog!
Quero agradecer a todos vocês que tem acompanhado meu blog e que tem feito dele algo tão bacana e importante na minha vida!
Ao Augusto por ser meu mentor e sidekick, ao CoringaFiles pela ajuda de sempre, e a todos vocês que acessam sempre o Batman Guide. Desde que comecei cuido do blog com muito carinho e com MUITA pesquisa – são pelo menos 5h para fazer cada post! E eu só tenho a agradecer a vocês, e convidá-los para estarem comigo nos próximos 50 posts! 😉

Ah! Daqui a alguns dias vai rolar um sorteio por aqui!
E em abril o blog faz um ano, se preparem!

Obrigada por tudo!

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