ENTENDENDO: Crise Infinita

Normalmente chamamos de “Crise” um período ruim de nossas vida. Na DC não é diferente. By the way, a obra se chama “Crise Infinita”. A saga monstro foi lançada de 2005 à 2006, e saiu toda da cabeça do Geoff Johns. Impossível um leitor da DC não conhecer o cara, ele tem uma carreira longuíssima, tendo sido roteirista por séculos nas histórias do Flash, da Sociedade da Justiça, Jovens Titãs, Lanterna Verde e alguns outros. Talvez seja esse background com tanto conhecimento a fundo de tantos heróis que o permita criar sagas como essa, e como a “Noite Mais Densa” (uma saga alguns anos a frente essa).

Explicar isso não é como explicar o evento “Terra de Ninguém”, onde o cenário é apenas Gotham, e os personagens são os mesmos que aparecem quase sempre. A Crise Infinita mexe não só com UMA cidade, nem só com UM planeta, nem só com UM universo. São vários universos, cada um com seus personagens, cada um do seu jeito, e fora isso mistura personagens de praticamente todas as séries da DC, tanto Lanterna Verde quanto Mulher Maravilha, Superman, e diversos outros, dentre eles o Batman, claro.
Então infelizmente não poderei lhes fazer O SENHOR DOS TEXTOS explicando perfeitamente todos os detalhes da Crise Infinita, nem tudo que se passa com cada personagem, nem entrar com uma biografia autografada de cada herói/vilão que dá as caras na trama. A intenção do texto é fazer um mega-resumo da Crise Infinita e dizer como isso afetou o “mundo morcego”.

Nota: não confundir com “A Crise nas Infinitas Terras“.

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A Crise Infinita foi a penúltima das crises da DC (até agora), a última foi a “Crise Final”, cujo o nome sugere ter sido a última, e assim eu espero. Tentarei me ater a falar apenas da Crise Infinita, que já é confusa demais por si só.
A história consiste em Superman da Earth 2 (Kal-L), Superman da Earth-Prime (posteriormente conhecido como Superboy Prime), Luthor Jr. da Earth 3 e Lois Lane Kent da Earth 2.
Pra quem não sabe, Earth 2, Earth 3, Earth-Prime e locais do gênero são outros planetas Terra, de universos diferentes. A teoria do multiverso (até apresentada no filme “The One” do Jet Li) é de que existem vários universos, e cada universo é uma cópia aproximada do outro, com os mesmos lugares e mesmas pessoas, só que com histórias diferentes, exercendo papéis diferentes e etc. É como fazer vários filmes com o mesmo elenco e o mesmo cenário, só que com roteiro diferente.
Essa história não é uma saga em especial das revistas do Batman, na verdade você sequer perceberia que o morcego entrou no roteiro da tal Crise se apenas lesse a série mensal do morcego. Saberia que ela sofreu alguma mudança aqui ou ali, mas só.
Essa saga foi pro papel de 2005 à 2006, começando pouco depois da época do retorno do Jason Todd (o segundo Robin, morto pelo Coringa na saga “Uma Morte em Família” nos anos 80), retorno esse arquitetado pelo roteirista Judd Winick (que só voltará a dar as caras em um roteiro de Batman por alguns números após a Crise Final e na série da Mulher Gato após o reboot).

L-001 (2)L-001 (13)Antes da “Crise Infinita” em si rolou a “Countdown to Infinite Crises“, algo como “Contagem Regressiva para a Crise Infinta“. Nessa “contagem regressiva”, temos participação direta do grupo Checkmate, liderado por Max Lord, grupo este do qual a Sasha Bordeaux (das sagas “Assassino?/Fugitivo“) faz parte.

Max Lord não é bem um “sujeito legal”, mas pelo menos não encontramos ele fazendo quadradinho de 8 no Youtube. O cara é o responsável por colocar um monte de OMACs pra perseguir super heróis pelo mundo inteiro. OMAC pra quem não sabe é abreviação de “Omni Mind And Community”, são robôs com as habilidades de superheróis, tipo visão de calor do Superman e etc.
Acham que um sujeito assim fica simplesmente circulando por aí e pondo robôs assassinos atrás dos heróis? Não é moleza assim. Por fatores x e y que são complexos, a Mulher Maravilha mata o cidadão. É, o voto de não-matar rodou.
Ainda nessa parte da história, surge a Sociedade Secreta de Super Vilões. Formada pelo velho carecão do Luthor (Lex Luthor, o inimigo do Superman), Deathstroke (o galã da terceira idade aka Mercenário), o Adão Negro (Teth-Adam, uma versão dark do Shazam, que ao invés de ganhar os poderes do Shazam, ganha de 6 deuses egípcios, negócio é death metal), Dr. Psycho (telepata inimigo nas histórias da Mulher Maravilha), Talia Al Ghul (filha do imortal Ra’s Al Ghul, mãe do filho biológico de Bruce Wayne) e o Calculator (vilãozinho de segunda em termos de ser bacana, apesar de terem sidos precisos vários heróis juntos pra derrotá-lo), este último ainda recrutou o Mr. Freeze pra tal sociedade. Só pra não fazer confusão: Todos esses vilões são da Earth 1, a dimensão que nós conhecemos.
Neste ponto já podemos começar a “Crise Infinita”.
L-001 (12)Aqueles nomes que citei das demais “Earths”, ao fim do “Crise nas Infinitas Terras” vão para a dimensão que corresponde ao paraíso, só que os caras não querem ficar lá. Um lugar cristalino sem as emoções fortes e tal… Pior ainda pro Superboy-Prime, que desejava voltar a ser um herói e salvar vidas.
E querendo sair de lá de qualquer jeito, entra o método Morrison de solucionar as coisas: inventar. Superboy dá um soco na realidade. Um SOCO NA REALIDADE.
Vocês que começaram a ler HQs há poucos anos talvez não saibam, mas na época do soco na realidade isso foi um absurdo tão ridículo que entre a galera fã de quadrinhos isso virou piada. “Tá com algum problema? Dá um SOCO NA REALIDADE”. Claro que tinha que virar piada, olha que MERDA de idéia os caras arrumaram. Se ele desse um jeito de enfiarem o Flash na história e ele usasse algum poder absurdo ligado a força de aceleração… Sei lá, podia fazer um background melhor pra essa história de cruzar as dimensões. Um SOCO? Putz…
O Luthor Jr. é malandrão, ele deu mais poderes ao Superboy-Prime, roubou o controle do “Brother Eye”, que é tipo um mecanismo de vigia feito pelo próprio Morcego após a história em que Zatanna apaga a memória de todo mundo pra impedirem o Batman de descobrir os podres que o Dr. Light aprontou. Em resumo: o negócio observa a tudo.
Não satisfeito ele ainda monta uma nova sociedade de vilões, pega o Caçador de Marte como refém, recupera o corpo do Anti-Monitor e dá inicio a uma guerra entre Rann e Thanagar.
“Puxa o freio, mano. Quem é Rann e Thanagar? E quem diabos é o anti-monitor? É algum aluno que odeia o monitor do colégio?”. Devagar e sempre, vamos lá. Rann e Thanagar não são pessoas, são LUGARES. São planetas. L-001 (19)Rann fica em Alfa Centauro, e Thanagar em Polaris. O Luthor Jr. e o Superboy-Prime empurraram Rann (sim, eles empurraram o planeta) pra Polaris, e a entrada do astro em Polaris causou uns efeitos geológicos bizarros em Thanagar, o que levou os planetas a entrarem em guerra. Thanagar é cenário pra algumas aventuras do Hawkman, ou Gavião Negro, o maluco com máscara e asas de pássaro.
E o Anti-monitor… bom, isso é mais “existencial”. No universo, a coisa mais antiga de que se tem registro, é o Monitor e sua contra-parte, o Anti-monitor. O Monitor tem poderes de gerar vida, ou desfazer as ações do Anti-Monitor, que por sua vez controla a anti-matéria, e simplesmente desintegra as coisas e etc. Um lance bem “origens do universo”. Eles entraram numa guerra de milhões de anos, guerra esta que terminou em empate com ambos desacordados. Então o Luthor Jr. pegou o corpo do anti-monitor uns 9 bilhões de anos depois do knockout.
L-001 (11)Já tá bom de problemas? Não. O Espectro, que vocês devem conhecer de velhas histórias do Lanterna Verde, a entidade super poderosa que por algum tempo era tipo “mesma pessoa” que Hal Jordan, isso lá atrás quando Hal Jordan havia morrido, não agora. Nesse caso o Espectro era o Espectro puro, e ele foi designado a acabar com todos usuários de mágica ou poderes mágicos pelo mundo, como por exemplo a Zatanna. Isso enquanto os OMACs estavam atrás dos que tinham super poderes independentes de mágica. Tecnicamente, todos heróis da Terra estavam numa roubada fenomenal.

Um grupo chamado de “Freedom Fighters” foi exterminado pela Sociedade de Vilões. Esse grupo é de uma dimensão onde os nazistas venceram a guerra e eles lutam contra a tirania e opressão. Eles foram parar ali graças ao “soco na realidade”.
O lugar escolhido pra servir de base contra a crise foi o “New Chronus”, um planeta que serve de residência para deuses, e também pra Donna Troy, a falecida Wondergirl, ou Moça Maravilha, ou Tróia, ou Darkstar (…). Ela vivia lá porque foi levada pelos “Deuses” no momento em que ia morrer nas mãos do Superman Andróide, que acreditavam que ela seria a pessoa que os salvaria num determinado momento. Apagaram a memória dela, implantaram algumas falsas e lá estava ela vivendo como esposa de um deles sem saber de nada sobre sua real vida.
L-001 (9)Também ocorre uma batalha entre as amazonas de Themyscira (lar da Mulher Maravilha e Donna Troy) contra os OMACs, e a Sociedade Secreta dos Super Vilões ainda joga o Chemo em cima de Blüdhaven, cidade onde Dick Grayson resolveu ficar para proteger como se fosse sua Gotham. Isso só pra distrair os heróis. O Chemo pra quem não sabe é um vilão que tem habilidade de causar um efeito de uma explosão de bomba atômica. Superman da Earth 2 queria fazer de sua dimensão a “oficial”… Coringa tentou entrar pra sociedade e não conseguiu… Faz jus ao nome “Crise Infinita”, os problemas nunca acabam.

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#66 – Capuz Vermelho: Dias Perdidos

“Meu pai estava certo. Eu liberei uma maldição sobre o mundo.”

Oi!
O último post do Batman Guide foi com o arco “Sob o Capuz”, em que lemos o reencontro de Batman com Jason Todd, renascido dos túmulos devido a uma alteração na realidade provocada pelo Superboy Primordial, no contexto da Crise Infinita.
Mas as informações ficaram meio “jogadas” nesse arco. O responsável por esse retorno de Jason Todd, Jude Winick, explicou que essa ausência de informações devia-se ao fato de ele estar muito mais interessado no fato de trazer Jason de volta à vida e o quanto isso iria afetar o Batman do que explicações mais complexas para a ressurreição do personagem. Winnick estava muito ansioso para fazer o personagem, e de criar uma enredo em que ele enfrentasse Batman usando as habilidades que ele mesmo lhe ensinara. Leia aqui uma entrevista que ele concedeu ao Comic Book Resources a respeito de Jason Todd.  Assim, a edição de Batman Annual #25 (presente no arco Sob o Capuz) gerou bastante controvérsia por ter explicado a ressurreição de Jason de maneira quase superficial, meio confusa.
Restou um monte de dúvidas: mas como assim, ele simplesmente levantou e saiu do coma? Se seu corpo estava todo lesionado, se sua mente estava fragmentada, como ele conseguiu se reestabelecer e voltar a lutar? Onde esteve, até ser encontrado por Talia? Como foi o período em que Talia cuidou dele? Ra’s Al Ghul aceitou sua presença sem questionar?
Todas essas questões você vai descobrir lendo “Capuz Vermelho: Dias Perdidos”! (Red Hood: The Lost Days, roteiro de Judd Winick e arte de Pablo Raimondi, agosto de 2010 a janeiro de 2011).

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001Começamos com Ra’s Al Ghul ameaçando Talia por ela algo terrível que ela fez. Nós sabemos que o Cabeça do Demônio a ama muito, então não estaria tão mortalmente nervoso por algo banal. Ele a está culpando por ter soltado uma maldição no mundo.
A cena volta para um flashback de anos atrás. Talia é orientada a resolver alguns problemas de Ra’s Al Ghul que envolveriam Bruce Wayne, mas sem se envolver pessoalmente com ele. Quando é informada que Jason Todd morreu num acidente, ela fica bastante sensibilizada, principalmente pensando nas emoções de Batman. Em Gotham, descobrimos que ela colocou uma equipe para monitorar os passos de Jason Todd.
002Depois de ter fugido da casa de repouso onde ficou internado por 5 meses, ele foi viver nos esgotos. Atualmente, ele está meio morto, tem traumas graves, queimaduras de uma explosão, mas… Continua vivo. Ra’s Al Ghul deseja saber como ele pôde ressuscitar dos mortos, e sair sozinho do caixão em que estava. Pede que Talia comande as investigações. A capacidade física dele não é problema, ele a resgatou, mas as habilidades mentais ainda estão deterioradas, como um efeito autista causado pela lesão no cérebro. Quando ele é atacado, ele reage se defendendo e derrotando o oponente, mas nunca quando Talia o ataca.
003Apesar desse laço emocional que os une, Jason não é capaz de falar ou de expressar emoções, apesar de derramar uma lágrima triste quando Talia o fala do quanto Bruce está arrasado e destruído depois de perdê-lo. De qualquer forma, ele não está fazendo grandes progressos mentais. Ra’s Al Ghul se irrita porque a investigação de Talia não está avançando, e ele tampouco acredita que Todd poderá se recuperar um dia e revelar os segredos de sua ressurreição, e se irrita pelo fato de que Talia estaria cuidando de Jason apenas para conseguir tocar o coração de Batman. Então estabelece que no dia seguinte ele iria embora da mansão, para ser cuidado em outro lugar. Talia não pode aceitar isso.
004Então joga Jason no Poço de Lázaro.
A carta que deixa para ele é muito bonita, começam a ficar claros os motivos pelos quais ela se apegou tanto a Todd. E por que ela o está tornando imortal. Ela acredita que ele tem um destino a cumprir, e que se até agora esse mesmo destino o auxiliou a chegar até ali, ele não deve ser interrompido. E, mais do que uma forma de não atrapalhar o curso do destino, ela a jogou no Poço de Lázaro por amor. Depois do Poço, ela o jogou de um penhasco, lançando-o à água com um kit de sobrevivência, uma grande quantidade de dinheiro e a carta em que explicava o caminho dele até ali. Ra’s Al Ghul fica profundamente nervoso ao tomar conhecimento do fato de que ele havia sigo jogado em sua fonte da imortalidade.

“- Esse Jason Todd é uma entidade desconhecida. Não conhecemos a força que o mandou de volta do além. E você lhe deu poderes pela natureza do poço.
– Lhe devolvi sua vida.
– Não. Apenas liberou uma praga. Eu vivo dentro do poço. E conheço o que queima dentro de meu coração.”

005Foi a partir desse momento em que foi jogado no Poço que ele recuperou suas memórias em sua forma integral. E quando fica sabendo, através dos jornais, que Batman não matou Coringa depois de Coringa tê-lo condenado à morte, ele fica inconsolável. Extravaza sua dor através da violência. Jason Todd é um homem que carrega muita dor e sofrimento em seu coração. Ele não consegue entender porque Batman permitiu que Coringa continuasse vivo após ter sido responsável pela sua morte – e para outros inúmeros assassinatos, ferimentos, roubos, mortes de pessoas próximas. Mas, independentemente disso, ele está de volta… Para fazer o que precisa ser feito. Seu destino é Gotham.
xxEle adquire armamentos militares, fuzis, supercomputadores. Quer atacar Batman, mas não há jeito de penetrar a mansão Wayne. Decide se utilizar do Batmóvel, com as informações que tinha na época em que era Robin – O Batmóvel, que havia sido sua porta de entrada para o mundo de Batman. Ele explodirá o Batmóvel, com Batman dentro. Batman, o hipócrita, que se recusou a matar o monstro que os separou. Seria simples, apenas explodir o carro, e ele seria vingado… Mas na última hora, desiste. Seria muito fácil. Era necessário que Batman soubesse porque estava morrendo, que se arrependesse. Seria necessário planejar cada passo do seu ato de vingança. Jason queria matá-lo, com suas próprias mãos. Jason queria que ele estivesse olhando em seus olhos, quando partisse desse mundo.
007Ra’s Al Ghul estava certo. Ele se tornara um monstro. Talia havia libertado uma maldição sobre esse mundo.
Mas Jason não foi treinado para matar. Contrata um homem que o ensina a lidar com produtos químicos. Contrata um franco atirador que passa três meses o ensinando técnicas de assassinato, mas Jason descobre, através de suas grandes habilidades, que ele está envolvido com tráfico de meninos menores de idade. Tráfico de escravos chineses, talvez tailandeses. Ele não poderia permitir isso… O mundo não seria um lugar pior sem ele, ele não fará falta a ninguém. Jason acredita tem toda a energia, decisão e a mentalidade que faltam a Batman. Jason não tem medo de fazer o que é necessário. Batman tem medo de fazer o trabalho de verdade que vai resultar no que é realmente necessário – na maior parte das vezes, a morte daqueles que nada acrescentam à sociedade.

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CeteraComics #09 – Batman (Parte 1) / NerdCetera

Oi, gente bonita!
É com muito prazer que venho dividir com vocês o CeteraComics #09, do NerdCetera, onde o querido Mustefaga fala tudo sobre o Batman, detalhes da sua criação, sobre os sidekicks, os equipamentos que o Morcego usa, enfim, tem muitas referências interessantes! E de quebra o Batman Guide ainda é citado no começo do vídeo. Que honra! 😀

Essa é a primeira parte sobre o Batman, quando sair a segunda eu posto aqui também. Cliquem em “Gostei” e favoritem o vídeo, o trabalho dos caras no NerdCetera é muito bom!
Obrigada ao Mustefaga, ao NerdCetera e a todos vocês que me ajudam a construir o blog!

#65 – Sob o Capuz

“Ele não podia explicar como voltou dos mortos. Mas na verdade… Esta não era a pergunta que queimava em sua mente. A pergunta será feita… Foram os fogos do poço de Lázaro, ou a força vital de Ra’s Al Ghul… Ou talvez pela carne mortal jamais poder retornar do túmulo sem sujeira… Ou terá sido um surrealíssimo instante de decepção? Estar dentre os vivos sabendo que seu assassino permanece vivo e à solta? E sabendo quem culpar por isto? Foi isso que transformou o coração dele? “

Oi!
Tranque portas e janelas, apague as luzes e se segure na sua cadeira porque as coisas vão ficar sérias aqui no Batman Guide. Aquele que estava morto surge de novo para exorcizar seus demônios e destruir os responsáveis pela sua desgraça.
Prepare-se para o que vai encontrar “Sob o Capuz” (Under the Hood, roteiro de Judd Winick e arte de Doug Mahnke, Tom Nguyen, Paul Lee, Shane Davis, Eric Battle, fevereiro de 2005 a abril de 2006).

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001Começamos essa HQ com David Coates, um garoto que mora na rua há uns 14 meses. Ele está sentado na chuva, sozinho, desolado, quando sente alguns pingos de sangue caindo na sua testa. Antes que arranje mais encrenca, foge. O que ele não sabe é que o sangue que cai sobre ele vem dos lábios do próprio Cavaleiro das Trevas – sangue arrancado com um poderoso soco de um homem misterioso com um capuz vermelho sobre sua cabeça.
Mas Batman não é um homem que apanha sem revidar, e a frenética luta parece se destacar contra a chuva fina que cai sobre Gotham. Batman consegue empurrar o misterioso homem de capuz para o chão, o imobiliza com uma voadora no peito e antes do golpe final anuncia que aquela luta sem sentido está terminada. Mas o outro homem não aceita. Num golpe só, arranca a máscara de Batman – uma ousadia que poucos homens já tiveram. Bruce Wayne parece estar derrotado, seriamente contundido. O misterioso homem então, para se equiparar ao segredo revelado por Batman, retira também seu Capuz Vermelho. Sabemos que poucas coisas surpreendem o “sempre-prevenido” Batman. E essa foi uma delas.

002Corte para 5 meses antes, na Mansão Wayne, onde o clima está bem pior do que antes (e olha que a Mansão Wayne nunca foi o lugar mais alegre do mundo). Lucius Fox vem visitar Bruce Wayne para trazer as notícias ruins: a Wayne Enterprises fora vítima de um minucioso roubo, Wayne fora removido da diretoria e a divisão de PYD fora totalmente eliminada. Em termos práticos, significa que todos os gadgets que já foram criados por Batman – e isso envolve uma maça de alta potência que não causa dano permanente, uma toxina paralisante de nervos capaz de simular morte, e uma variedade incrível de precisos sistemas de guia explosivos de curto alcance, bombas químicas e outras dezenas de acessórios exclusivos – poderiam ser, na melhor das hipóteses, abertos ao público. Ou, na pior das hipóteses, serem vendidas a psicóticos, governos, mercenários ou terroristas.

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Enquanto isso, em algum dos lugares escondidos de Gotham, está acontecendo uma reunião de pessoas envolvidas com negócios ilegais. Os oito mais prósperos traficantes de rua da cidade. Estranho é que ninguém sabe quem marcou a reunião. Mas logo ele dá as caras.

É o misterioso homem de Capuz Vermelho, que só pra garantir que seria ouvido porta uma AK-47 totalmente carregada. Então, ele começa sua pequena lista de exigências: a partir de agora, ele será o chefe do tráfico de Gotham, e deve receber 40% dos lucros dos traficantes (bem melhor do que o acordo que eles tinham com Máscara Negra), e que não traficassem em áreas escolares ou perto de crianças. Em troca, teriam proteção total contra Máscara Negra e Batman. E é claro que todos eles riem da cara pela sua ideia absurda, e se perguntam que diabos de motivo teriam para aceitá-la. Como resposta, ele joga uma singela mala com a cabeça dos tenentes deles com a seguinte frase: “Isso me levou duas horas. Querem ver o que consigo fazer durante toda uma noite?”. O rapaz é perigoso. E na verdade ele não estava nem perguntando se eles aceitavam o acordo. Estava ordenando.

004Falando em Máscara Negra, o vilão é o chefe do crime em Gotham. Ou, nas suas palavras: “Onde há fogo, há fogo. E no momento detenho toda a gasolina.” Ele ouve os boatos desse novato que está roubando lugar, mas no momento tem coisas mais importantes para fazer do que prestar atenção neles. Como por exemplo, contratar o Senhor Frio para um trabalho bem remunerado e com o assassinato de várias pessoas – justamente o que ele mais gosta, depois de ficar lembrando de Nora Fries.
007No escritório de Máscara Negra, Senhor Frio está tendo alguns problemas para se habituar a um trabalho em equipe – leia-se: matando todos os técnicos que estavam desenvolvendo seu traje. E também todos aqueles que o irritavam. Mas Máscara Negra não vê problemas nisso. Antes vê-lo ao seu lado do que contra ele. Senhor Frio e Máscara Negra discutem a relação, quer dizer, a natureza da relação entre eles: uma relação de parceria, não de submissão. Frio foi chamado para ajudar a proteger um carregamento ilegal muito importante. Máscara Negra também descobre que o louco que estava causando toda essa confusão em Gotham se intitula Capuz Vermelho.
006Mais uma noite em Gotham City. Batman não pode mais contar com Oráculo, depois da saga Jogos de Guerra, então está conversando com Asa Noturna, seu prodígio. Eles vão, juntos, detonar uma operação que envolvia armas de alto calibre roubadas do Departamento de Operações Extraordinárias. Mas as armas militares eram meramente um esconderijo para um roubo muito mais perigoso: bombas e armas de vários vilões de Gotham, coletadas e reunidas – para um colecionador, talvez. Antes que conseguissem descobrir a verdade, uma das bombas explode. Um homem está por trás disso: Capuz Vermelho. Enquanto vão atrás dele, Batman nota que algo nos movimentos de Capuz Vermelho soa estranhamente familiar. Mas não tem muito tempo de pensar isso: se deparam com um gigante chamado Amazo, que é um andróide altamente avançado com células de assimilação. O grandão adquiriu e detém as habilidades e poderes de sete membros da Liga da Justiça. Ou como Asa Noturna diz, “cantar cover com poderes de heróis“. Em resumo, um problema. Um GRANDE problema.
Enquanto lutam contra esse gigante poderoso, vemos os pensamentos de Asa Noturna sobre trabalhar com Batman. Transcrevo esse trecho a seguir:

“Nunca me acostumei ao silêncio de Batman. Na vida já era difícil. Mas no trabalho… Ele nunca tira onda ou ofende o oponente. Não faz a dele. Talvez por isso quando criança, quando Robin, eu nunca calasse a boca. Ele nunca me mandou ficar quieto mesmo. Como depois refleti em retrospectiva, sempre achei que ele não ligasse. Ou ele se valia como distração? Porque ele sempre foi de achar o movimento seguinte. Sempre soube como finalizar a luta. Agora o silêncio leva a nós dois. Compreendo agora. E outrora eu compreendia. Há uma hora para falar… E uma hora de agir.”

008E como estamos falando de Bruce Wayne e Richard Grayson, é óbvio que eles conseguem detonar Amazo (ainda que temporariamente), e frustrar a ação de Máscara Negra. Esse está tendo seu primeiro contato com Capuz Vermelho, que roubou algo muito importante que o pertencia – uma caixa com mais de cem libras de kryptonita. Nós sabemos que kryptonita é um material raríssimo, que possuem um valor inominável, e cujo valor seria pago por qualquer preço por uma quantia pequena dela. E, bem, Capuz Vermelho estava com um enorme carregamento dela, pertencente a Máscara Negra. Para tê-la de volta, o preço era 50 milhões de dólares. Capuz Vermelho, o rei dos pedidos absurdos. O secretário de Máscara Negra fica chocado e diz que ele é insano, ao que Máscara Negra rebate: “Não, os insanos fariam um traje com a pedra e marchariam até Metrópolis bancando o rei da montanha. Este aí sabe o que faz.” Embora relutante, ele aceita, e Capuz Vermelho fica de retornar a ligação dizendo o local desse encontro tão amigável.
011Hora do encontro de amigos, Frio vai junto para tentar resolver o problema, e é claro que dá tudo errado e Capuz Vermelho sai atirando como se tivesse munição infinita ao seu dispor e matando todos os capangas, exceto Frio – com ele, é necessário um toque especial. Mas Victor tem esse dom de deixar as coisas um pouco mais frias (piada pronta, desculpem), e quando está pronto para fazer Capuz Vermelho virar sorvete ele é interrompido por Batman e Asa Noturna (que conseguiram rastrear os sinais de radiação da kryptonita). Mas antes que ficasse feio pra ele, Capuz abre uma barreira no chão e foge, e Frio usa sua arma para se impulsionar. Ninguém gosta de ficar perto de um Batman furioso e um Asa Noturno irritado. Mas eles tem que reconhecer: Capuz Vermelho é habilidoso.
No fim dessa edição, um epílogo. Alguém está procurando por outra pessoa. A encontra em um circo, jogada num canto. É Coringa, talvez um pouco triste. E a pessoa que veio procurá-lo está segurando um pé-de-cabra. Ela espanca Coringa até que ele vire quase uma poça de sangue. Ao fim dessa sessão de tortura, pergunta:

“Diga-me… Como é a sensação?”

ToddvsJoker

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#64 – Aves de Rapina: Almas Gêmeas

Oi!
Hoje o texto será sobre as Aves de Rapina. Me baseei nos textos descritivos do Augusto para formular esse – e isso significa que darei enfoque muito mais na história das personagens do que na história escolhida. O grupo das Aves de Rapina possui um longo histórico de mudanças, e tentarei falar um pouco sobre todas elas nesse texto. Espero que gostem!

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004A série intitulada “Birds of Prey” começou com o roteirista Chuck Dixon. Oráculo era um personagem popular, mas para agregar valor a Canário Negro (Dinah Lance) também foi convocada. As histórias faziam constantes intercâmbios com outros personagens. A dupla focava em combater vilões terroristas, traficantes de armas e de narcóticos. Era uma série regular, mas não espetacular. Dixon precisou abandonar Aves de Rapina e por um período a série foi assumida por Terry Moore e Gilbert Hernandez – que produziram histórias de gosto duvidoso, minando ainda mais a preferência do público por essa publicação. Estaria “Aves de Rapina” fadada ao fim?
Não. Gail Simone assumiu a revista mensal de Birds of Prey e foi responsável pelo que pode ser chamado de “período de ouro” dessa publicação. Simone começou sua carreira escrevendo os roteiros de Simpsons para a Bongo Comics, e depois desenhando Deadpool e Agente X. Depois desse período, foi contratada para a DC Comics, onde assumiu o comando a partir da edição #56 de Aves de Rapina. Como desenhista oficial, foi convocado o brasileiro Ed Benes, conhecido por desenhar mulheres voluptuosas – o que contribuiu para a popularização de Aves, além, é claro, dos roteiros interessantes de Simone.
AndersonQuando assumiu, colocou a Caçadora como personagem efetiva de Aves de Rapina. O relacionamento entre as personagens não era dos mais perfeitos, pois Bárbara não se relacionava bem com Helena Bertinelli. Esse lado dos relacionamentos das personagens é amplamente explorado por Simone, através de diálogos curtos e diretos; ela também abusa de elementos mais próximos da realidade dos leitores, como saídas noturnas, o bom humor entre as personagens, momentos tensos e emocionantes – tudo para cativar o leitor.Mulheres tão diferentes entre si convivendo de maneira tão próxima e em situações de tensão são um tema bastante interessante para se tratar, e Simone soube fazer isso de forma magistral.
1456174-birds_of_prey_8 Depois dos eventos da HQ desse post (parte final desse texto), elas começam a ter uma relação menos conflituosa. Mas Bárbara teme que Dinah entre em perigo mortal novamente, e insiste para que a amiga fique mais tempo no planejamento estratégico do grupo – ficando mais segura na torre central. É óbvio que Canário se recusa, e é, assim, demitida do grupo. Bárbara surpreende novamente nesse arco, pois fica claro que o responsável pelo sequestro de Dinah está sendo torturado na cadeia sob suas ordens, como forma de vingança pelo que fez com a amiga. Enquanto isso, Canário treina novas táticas com Batgirl, para conseguir evoluir enquanto lutadora.
Bárbara repensa sua decisão e aceita Canário novamente na equipe, e as três conseguem se aproximar e fortalecer a equipe.
tumblr_mj9p4wvIHs1rd8w6so1_500Gail também busca reunir várias personagens da DC Comics, não da maneira superficial como muitas vezes elas são retratadas, mas com uma abordagem psicológica bastante interessante e detalhada. Canário Negro começa a conviver com Lady Shiva em Hong Kong, Bárbara Gordon está com problemas pessoais que acabam refletindo em seu trabalho (lembre-se que ela é consultora de Batman, da Sociedade da Justiça da América e de Cassandra Cain). Essa abordagem aproxima o leitor das personagens, porque até mesmo Oráculo, o cérebro por trás de supercomputadores tão complexos, também pode se deixar afetar por problemas pessoais. Bárbara é sequestrada por falsos agentes do FBI, e é acusada de traição aos EUA. Eles estão a serviços de um senador corrupto que descobre a identidade dela e a desativa. Ela consegue se comunicar com as outras duas Aves, mas quem a salva é justamente Caçadora. Ambas conseguem chegar a tempo de resgatar Lady Shiva e Helena.
Após esse trabalho em equipe (não estou descrevendo todo o roteiro de todos os arcos aqui senão o texto ficaria muito cansativo e longo), Caçadora é convidada para entrar de forma definitiva nas Aves de Rapina.
O quarto arco é uma continuação no processo das Aves para se tornarem uma equipe de verdade. A arte desse arco contou com a presença de Joe Bennett, também brasileiro. A convivência e o ajuste entre elas não tem sido fácil. E, para ajudar, na minissérie “Asa Noturna / Caçadora” de 1998 (clique aqui para baixá-la), Helena dormiu com Dick Grayson – ou seja, Bárbara não consegue aceitar isso. Canário também fica irritada com Caçadora ter ido para cama com Roy Harper, seu protegido, a quem ajudou a salvar dos problemas com dependência química. Ou seja, elas tem muitas idas e vindas. O arco termina de forma positiva: Bárbara presenteia Canário com um imóvel para que ela construa sua floricultura e arranja um emprego de professora para Helena, o seu verdadeiro sonho. Tudo parece melhor.
O quinto arco é inspirado no caso do suicídio coletivo promovido por Jim Jones. Helena é convocada para investigar a morte de vários jovens por todos os Estados Unidos, com um padrão entre eles: eles morrem vestidos de super-heróis que já morreram. Essa seita é comandada pelo Reverendo Brusaw, e relacionado a alterações químicas dos membros, lavagem cerebral e sacrifícios de crianças. Light. Gail Simone procurou trabalhar temas atuais, como tecnologia e fundamentalismo religioso.
É nessa época que Gail Simone introduz a personagem Lady Falcão Negro, que é Zinda Blake, uma antiga personagem da DC que fora criada no começo dos anos 60. Originalmente, ela era uma moça que queria fazer parte da equipe de soldados especiais Falcões Negros, e participar das ações da Segunda Guerra Mundial. Ela dominava armas pesadas, aviões modernos, táticas de defesa e combate, mas fora impedida de ingressas nos Falcões Negros por ser mulher. MAS Zinda é tão perigosa e boa no que faz que o Falcão Negro em pessoa aceita a mulher no grupo. (Mulheres fortes são tão lindas). Bom, de alguma forma sinistra ela parou no tempo e veio parar na atualidade. Ela tem que se virar de algum jeito, então acaba virando uma garçonete, mas ainda não perdeu suas habilidades de combate. Ela é, então, convidada por Oráculo para ingressar as Aves de Rapina, mas muito mais como uma colaboradora esporádica em missões especiais.

LineNo sétimo arco, temos a situação das Aves de Rapina durante a saga Jogos de Guerra. Os erros de Stephanie foram se sucedendo de tal forma que o prédio (Torre) das Aves de Rapina é totalmente destruído. Máscara Negra descobre a localização da Torre onde ficam armazenadas as informações de Oráculo, e antes que ele possa atingir o local e ter acesso às informações confidenciais do Morcego, Bárbara aciona a auto-destruição dos arquivos. Tudo se perde, anos de trabalho, de lembranças, de conhecimento. Para superar, Oráculo precisa sair da cidade, e as meninas também precisam reconstruir sua história longe dali. Elas precisam agir em outros lugares do mundo. Mesmo em um momento doloroso, é bonito ver como as Aves de Rapina se aproximaram para se fortalecer.

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#63 – Batman: Jogos de Guerra

Estamos aqui hoje reunidos em memória de ”Batman: Jogos de Guerra” (no original “War Games”, bem traduzido graças às entidades cósmicas regentes). Trata-se de um roteiro complexo demais, com muitos personagens, tanto vilões quanto heróis, alguns personagens desenterrados, outros relativamente novos ou quase nunca usados… Enfim, MUITOS personagens sendo usados ao mesmo tempo na trama, como toda história do Batman deveria ser.

Não está tão longo e absurdo quanto o “Terra de Ninguém”, dêem graças ao São Dumas, ou a quem preferirem. E o número de pessoas envolvidas nos roteiros e traços também é bem grande, é gente pra encher uma sala (pequena, mas enche).

Nessa história, os fatos culminam numa total virada de mesa, tudo que o Morcego conquistou ao longo de anos vai por água a baixo devido a uma sequência de erros, e um vilão se torna o “rei do crime” se aproveitando dos fatos. Nessa história contamos também com um óbito de personagem. Quem será? Não ganho pra fazer mistério, mas também não vou contar agora.

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001“Jogos de Guerra” foi um titulo devidamente posto. Se formos ver Gotham como um território onde grupos tentam chegar ao poder, derrotando uns aos outros em matéria de domínio, influência e até conflitos diretos de gangues, essas verdadeiras batalhas que ocorrem no submundo e o povo sequer tem conhecimento, o termo “guerra” encaixa como uma luva. Mas porque “jogos”?
Estamos falando de Gotham, e Gotham tem um dono, o tal do morcego. Ou como diria aquele palhacinho bem apessoado, o “Batsy”. Uma vez que é virtualmente impossível acabar com todas as gangues no braço, uma jogada de estratégia seria extremamente necessária e eficaz.
002Dentro do conceito de “estratégia”, em grego “strateegia”, em latim “strategi” (…), (faca na caveira), Batman escreveu um passo-a-passo de como resolveria todo o problema, com todas as pessoas envolvidas, lugares… Tudo. Esse é o Batman. Dez saídas diferentes para todos cenários que se possam imaginar. Eis a razão de “jogos”. É um xadrez, onde as peças têm de estar nos devidos lugares pra tudo funcionar. Um jogo que levaria Gotham a um novo período, um período melhor. Batman montou esse “jogo de guerra” a ser feito.
O problema do jogo foi o mais simples possível, o problema veio logo no primeiro passo. O jogo era pra ser feito pelo BATMAN, mas quem fez foi Stephanie Brown, como Salteadora. E sabem do melhor? Por conta própria, sem o Batman saber. Lindo, né? Se ela resolvesse pintar um afresco com uma metralhadora de fezes não teria saído tão bom.
003Ela tomou decisões sem contar com os passos que Fósforos Malone daria, pois não sabia que Fósforos Malone era Bruce Wayne. Esse era um jogo que Bruce Wayne criou, e ele controlava 2 personagens: Batman e Fósforos. E acima disso, Steph esqueceu um detalhe óbvio. Ela não tem a eficiência do Batman. O morcego traçou um jogo onde ELE jogaria, não a Steph, muito menos Steph SOZINHA.
Foi interessante ver que no decorrer da história o Batman não se tocou de que era o plano que ele traçou, mas ele estava reconhecendo padrões, vendo que tudo parecia ter sido premeditado por alguém inteligente demais, e mal sabia que tinha sido ele mesmo.
004Cavalheiros, olhando por esse lado, eu tive vontade de mudar o título de “Jogos de Guerra” por “Cagadas da Steph”. Já tinha sido reprovada como Robin e depois faz essa lambisgoiada de estourar a rabiola do papagaio. É triste, Batman vai direto pro céu quando morrer. Essas peças como a Steph o cara leva nas costas, fica consertando todos os erros que esse povo faz, come o pão que o diabo amassou, feito do trigo do quinto dos infernos pra resolver as pancadarias com vilões e ainda tem que desfazer burrada interna do time.
011Falei bastante da trama em si e não falei dos responsáveis por ela. Razão simples, tem uma HORDA de gente envolvida nisso. Kinsun, Brad Walker, Mike Lilly, Jon Proctor, Pete Woods, Mike Huddleston e Paul Gulacy nos traços. Ed Brubaker, Devin Grayson, A.J. Lieberman, Dylan Horrocks, Andersen Gabrych, Al Barrionuevo e Bill Willingham nos roteiros, e desculpem se esqueci alguém.
Em resumo de todos os traços, posso dizer que a história merecia melhores desenhistas. Teve um ou dois que fazem jus, mas algo desse porte, de tamanha importancia pro rumo dos fatos e das histórias futuras, merecia melhor representação. Mas os roteiristas fizeram bem seu trabalho, claro que tem altos e baixos, mas na média ficou tudo bem, ao contrário da arte, que ao meu ver ficou em “baixa” tirando a média entre todos.
E já que falei da arte, mais especificamente do Barrionuevo, temos uma observação, ou se quiser chamem de “easter egg” desse post, há um desenho do Batman pilotando uma moto em uma das páginas que ele fez que você poderá encontrar igual numa história bem mais a frente, se não me engano na saga “Guerra pelo Manto”. Só que ao invés do Batman na moto, era o Asa Noturna.

006Como em toda guerra, há divisão de territórios. Selina é responsável pela zona leste. Ela intercepta Steph numa corrida, e um diálogo interessante cheio de detalhes começa. Selina foi praticamente a primeira a saber pela boca da Steph que a cagada toda começou com ela.
A Steph contou tin-tin por tin-tin pra Selina, da Batcaverna, do Batcomputador com planos B, do plano que ela roubou de colocar todas as gangues e criminosos sob controle do Batman, que ela mesma enviou as mensagens e fez a reunião que constava no plano acontecer… Só que a peça principal, Fósforos Malone, não apareceu. O legal é que antes de citar o nome “Fósforos”, ela só disse que um dos caras, o principal, não apareceu e que o plano foi pras cucuias.

Segue então uma das frases que define BEM o que é ser Batman, e mais adiante, em outra parte, há outra, vou colocar as duas aqui:

Selina: Espera um pouco… o plano do Batman tinha uma FALHA? Não pode ser.
&
Selina: Ele tem planos de contingência pra qualquer coisa que aconteça.

008

Isso é uma das coisas mais incríveis quanto ao universo do Morcego, o que os demais personagens acham dele. Ele está sempre em um patamar de… Não direi de deus, nem semi-deus, nem exu, mas algo praticamente sobre-humano.
Eu particularmente achei interessante que a Selina se mostrou bastante compreensiva. Claro, não tinha mais o que se fazer, mas ao menos perder a cabeça pelo inferno que veio por causa do erro da Steph, mas ainda assim manteve a calma. Mais a frente quando Selina revela que o Bruce e o Fósforos são a mesma pessoa, a Steph dá um piti, mete uma bifa na lata da Mulher Gato e tenta fugir, leva um cacete baiano e sossega o facho.
Nessa cena da “revelação”, houve um quadro em especial que, podia ter rendido uma arte sensacional. Quando a Steph aponta pra Gotham em chamas, tiro e fogo, dizendo “Tudo isso é culpa minha”… Caramba, dava pra ter explorado isso, terfeito uma única página com um desenho dessa cena, só que bem feito, não com esse traço PORCO do Brad Walker.
010Quando foram procurar pelo Tim, Batman diz “O primeiro a encontrar o Tim avisa os outros imediatamente. Ele já terá localizado os criminosos”, Batgirl (Cassandra) pergunta “Como pode ter certeza?”, e o Morcego lança um “Porque eu o treinei”, fuck yea.
Primeira imagem em vídeo do lendário protetor de Gotham. E a TV/imprensa fazendo o que faz de melhor, falar merda. Vocês estão vendo isso numa revista em quadrinhos, a imprensa falando um monte de asneira só de ter visto o Batman, mas isso acontece MUITO na vida real, e como se não bastasse, as vezes nem é só por ingorância, mas também por conveniência. Muitas vezes eles sabem qual é a realidade e apresentam outra coisa, ou apresentam o problema pela metade, as razões variam entre dinheiro e rabo preso. O mundo bem representado.
Enfim, retrataram muito bem o que já se esperava que fosse acontecer caso o Batman aparecesse em público.
Asa Noturna, Oráculo, Robin, Caçadora, Canário, Batgirl (Cassandra Cain), Salteadora (escondida), Mulher Gato e Tarântula… um time de dar inveja para resolver o problema em Gotham.

O Jim Gordon aparece um pouco mais a frente na trama, falando com o novo Comissário de polícia.

Gordon: Ele esteve aqui?
Akins: Sim.
Gordon: E aí?
Akins: Pensei em prendê-lo na mesma hora.
Gordon: Mas…?
Akins: Em vez disso, resolvi gritar, me indignar e fui embora.
Gordon: Ele tem esse efeito nas pessoas.

013Porém mais a frente, ao encontrar o morcego, Gordon foi extremamente sincero, como sempre é com o Batman, e admitiu que se o pedido de assumir o controle da força policial de Gotham tivesse sido pra ele, ele o teria prendido.
No decorrer dessa história você vai ver todo império do Batman cair, pessoas ficarem contra ele, e pessoas aliadas também acabarem ficando contra. Numa medida meio… Extrema, o Batman toma conta da frequência da polícia e fala com a cidade inteira. Todo mundo sente o quão sinistro e extremo isso foi. Ele comanda a polícia quando ninguém mais sabia o que fazer, e novamente trabalhando às cegas sem saber que tem um elemento faltando no plano, ele comete outro erro. Uma sequência de fatos que fez com que a polícia e o povo tomassem os mascarados como inimigos, e o grupinho do Batman ficou resumido a “os morcegos”.
015Estes “morcegos” ficaram numa enrascada federal, Asa Noturna baleado, Steph gravemente ferida, Bárbara cercada… E o Batman além de ter sua imagem revelada, ainda foi de forma negativa. Agora ele é tão vilão quanto o Coringa aos olhos do povo.
Toda essa confusão vira palco para quem? Máscara Negra. Ele é um dos vilões mais legais, desde o “Jogos de Guerra” até as confusões com o Jason Todd a respeito de dinheiro, poder e kryptonita (mais a frente vocês verão isso). Ele é um dos meus vilões preferidos. Não que ele seja legal, forte, diferente nem nada, mas ele de certa forma é engraçado, extremamente sagaz e sarcástico, é como se fosse o Coringa, só que menos pirado e mais “chefe”. Ele não tem poder algum, não é grande lutador, ele é um bagunceiro, um fanfarrão que conseguiu chegar onde quis.
018Você que está lendo as sagas de acordo com a ordem apresentada aqui, e não tem noção do que virá adiante, adianto que nesta saga “Jogos de Guerra”, o Máscara Negra assume um reinado, ele ganha bastante poder e influência em Gotham, e só vai cair muuuito tempo depois, e não será pelas mãos do Batman. Quer dizer, será pelas mãos do Batman, mas não como vocês imaginam. E de quebra vocês vão descobrir quem é que está debaixo da máscara. De início, nessa saga ele entra torturando a Steph atrás de informações, em parte ele consegue, e soube usar muito bem.
O Máscara Negra discursou diante de câmeras de TV, e falou uma coisa que foi meio “chocante”. Dentre vários comentários e críticas ao Batman, o Máscara Negra afirmou que o Batman acha que a cidade é dele, e disso não há defesa, de alguma forma o Batman realmente acha isso. Só que também podemos ver que o Máscara Negra considera a cidade dele mesmo, e o novo comissário, o Akins, também se refere a cidade como sendo dele, por ele ser a lei. Gotham tá num fogo cruzado enorme, todos querem ser donos dela.

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Ganhador do Sorteio “DC 70 Anos: As Maiores Histórias do Batman”

Oi gente 😀
Já chegou a HQ e o bottom que o Anderson Kimecz ganhou no sorteio de 1 ano do blog, a edição  “DC 70 Anos: As Maiores Histórias do Batman”:

Anderson

Pra quem não ganhou, não fique triste! Estou preparando várias surpresas para sortear no blog, um sorteio especial para as meninas, outros itens além de HQs, enfim… Tem muita coisa boa vindo por aí. Continuem acompanhando o blog!

Muito obrigada!

#62 – Pistoleiro: Desejo de Morte para Dois

“Como salvar um homem que deseja morrer? Eu já falhei nisso uma vez… Mas agora não posso permitir. Se não por ele, ao menos pela Batgirl. Gotham já tem órfãos demais”.

Hoje falarei sobre um que de certa forma passa despercebido no conhecimento de muitos fãs do morcego. Mas também, já deve ter décadas que o sujeito não enfrenta o Morcego cara a cara na série principal.
Estou falando de um dos 3 maiores mercenários do universo DC, juntamente com Deathstroke e David Cain, ele se chama Floyd Lawton, e é mais conhecido como “Pistoleiro”, no original “Deadshot”. Ele foi criado em 1950, é mais velho que Jason Todd e boa parte dos demais personagens.
Deadshot é um nome muito mais apropriado. Quando ouvi o nome “`Pistoleiro” pela primeira vez achei que fosse algum vilão importado do Jonah Hex, algum bandido com um par de revólveres e um chapéu de cowboy, mas não, DEADSHOT é um sujeito com o corpo inteiro coberto pelo uniforme, usa uns lances estilo armadura, tem lentes de precisão nos olhos e suas armas são “pistolas de pulso“ com silenciador.
Ok, em Smallville posteriormente o Deadshot apareceu exatamente como um bandido do Jonah Hex, mas é por essas e outras que eu não assisto seriados da DC: QUALQUER UM FAZ O QUE QUER.
Ao pensar em Deadshot imaginem apenas esse das revistas. Agora busquem abrigo que vai sair tiro pra todo canto. BANG! You’re dead by Deadshot.

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Primeiro de tudo sejamos coerentes. O sujeito é um mercenário. Contratado pra missões de assassinato. Como diabos ele consegue se manter camuflado/escondido com uniforme colorido daqueles eu não sei. São as mesmas cores do Ronald McDonald. Mas vamos supor que as vítimas não tem tempo de notar a semelhança.
Floyd Lawton começou sua carreira em Gotham como herói. Isso ai, ele queria ser um camarada do bem, mas olho grande não entra na China (nem em Gotham), e o cara quis ficar no lugar do Morcego. É mole?
001Ele não é só um cara que resolveu fazer sua parte em Gotham, ele tem uma triste por trás do capacete/máscara de metal. Floyd quando criança vivia com seu irmão, mãe e pai. O papai Lawton era um sujeitinho desagradável e abusado (entendam como quiserem), e fazendo jus a esse último adjetivo, o papai Lawton sempre ia pra cima do irmão do Floyd, irmão esse que ele adorava. Floyd então catou o rifle do pai e tentou matá-lo quando ele foi pra cima do seu irmão, só que ele ainda não era o Deadshot, apenas uma criança, e devido a um descuido ao invés de matar seu pai, matou seu querido irmão.
Tempos depois, já grandinho como Deadshot, já pego pelo Batman e pelo comissário pela primeira vez, Floyd passou a ter uma vida muuuuito agitada. Ele fez parte de grupos como o Secret Six e Esquadrão Suicída.
“Esquadrão Suicida é alguma esquadrilha de aviões que fazem desenhos de fumaça no ar?”, Não, é um grupo geralmente formado por vilões que já estão presos/condenados e… bom, geralmente não tem muita opção. Uma vez dentro do grupo, você recebe um chip na cabeça que, se você sair da linha, o dono do grupo detona e já era vosso cérebro. Entre morrer executado ou morrer pra sempre numa mesma cela, às vezes o risco das missões é mais interessante.
A dificuldade das missões é o que dá nome ao grupo, “suicída”. Deadshot fez parte de diversas formações. Inclusive uma das formações contou com o lendário Bane na liderança.
002Na última formação do Esquadrão Suicida, Deadshot está de love com ninguém mais ninguém menos que Arlequina. Sim, agora o “C” de “Sr. C” não é mais de Coringa, é de “Corno”, ou de “Chifre”. Não que o Coringa se importe, pois ele tentou matar a Arlequina mais de uma vez. Mas enfim, voltemos ao Deadshot.
O Deathstroke e o David Cain aceitariam morrer num tiroteio/briga por razão simples, ambos são cascudos até na raiz do cabelo. Mas o Deadshot tem uma “motivação” a mais que eles, o Deadshot QUER morrer mas não quer cometer suicídio. Ele não vê razão para continuar vivo, e também não tem um pingo de consideração pela vida humana, é o que o torna um matador incrível, pois ele não mede consequências para chegar onde quer.
E ele é tão simbólico que, uma vez roubaram o uniforme dele e começaram a fazer assassinatos se passando por ele, e quando ele encontrou o sujeito usando o uniforme de Deadshot o matou com um tiro na cabeça. O que tem de simbólico? Ele ficou perturbado por ter dado um tiro nele mesmo. Atirar em alguém com SEU uniforme que cobre o corpo inteiro, pra ele valeu como atirar contra si mesmo. Bizarro? Não. Por tempos ele manteve o furo da bala no capacete. Isso é bizarro.
003Eu disse que ele começou tentando ser herói, mas posteriormente ele atacou de herói novamente. Não como o Batman “atacaria de herói”, claro, foi mais a modo Justiceiro/Frank Castle. Porque? Uma mexidinha em seu coração frio. Ele descobriu que tinha uma filha em Star City. Uma menina chamada Zoe, que vivia em uma área muito violenta na cidade. Deadshot simplesmente resolveu acabar com a violência que cercava sua filha e partiu pra dentro dos traficantes e marginais locais. No fim, ele conseguiu dar uma limpada GRANDE na área, fingiu sua própria morte e convenceu o Arqueiro Verde a patrulhar a área com maior regularidade.
Já o Secret Six é um grupo que originalmente era de heróis, e depois passou a ser de vilões, liderados por um tal de Mockinbird, que depois é revelado ser o Lex Luthor. Deadshot fez parte do grupo de vilões, claro. A ideia é menos “obrigatória” do que a do Esquadrão Suicida, mas ainda assim é um grupo pra fazer coisas sinistras. E o Bane também já fez parte. O que o Bane não fez nesse mundo?
Nos novos 52 (pós-reboot), Deadshot fazparte do Esquadrão Suicida, mas esse tinha sido seu primeiro “convite”, coisa que antes do reboot não bate, pois ele já fez parte várias vezes. Após o reboot, o Secret Six também não existe e ele também nunca fez parte, na verdade tornou-se um “Secret Seven”, onde até a Ravena e a Zatanna estão incluídas.
Agora vamos a história selecionada para esse personagem. “Desejo de Morte Para Dois”.

004Roteiro de Ed Brubaker e Geoff Johns, desenhos de Scott McDaniel. A equipe vos lembra de algo? Pois é, sagas como “Assassino?” e “Fugitivo”. Essa história é uma continuação direta de onde a “Fugitivo” parou. David Cain se entregou para as autoridades e Bruce Wayne foi inocentado. O interrogatório de David Cain provavelmente entregaria o nome do mandante do assassinato de Vesper Fairchild.
Bruce deu uma pesquisada e descobriu que foi posta uma recompensa de 10 milhões de dólares pela cabeça de Cain. Ao mesmo tempo que sabe sobre a dificuldade absurda de matarem alguém como o lendário David Cain, ele também está contando com o fato de que seu antigo mestre está estranho, e que talvez até se deixasse matar. Outro ponto avaliado foi “quem seria louco suficiente de tentar matá-lo?”, e com a ajuda da Oráculo eles descobriram que um determinado sujeito que faz parte da lista dos mais procurados simplesmente desapareceu do mapa há alguns dias. Deadshot.
A primeira aparição de Floyd é matando um rapaz para conseguir “acesso” ao tribunal onde Cain estaria. E a cena seguinte já é Cain em uma cela no meio de um salão, algo bem estilo Hannibal depois que foi transferido de sua lendária cela de vidro. Cain sentado com o uniforme laranja de presidiário, sem comer há 20 dias por opção própria, prestes a ser levado pro tribunal.
005Seu aluno mais bacana aparece para uma visita (tô falando do Batman, só avisando). O Morcego passa pro Cain a fofoca de que estão querendo matá-lo, ele pergunta quem, Batman revela ser o Pistoleiro. David diz “Ele é bom, eu o treinei um tempo”. Mais um detalhe para nossos arquivos. Deadshot TAMBÉM foi treinado pelo David Cain, o que explica muita coisa.
Cain deixa claro que realmente não tem a intenção de fazer nada a respeito. Sobe então um rápido diálogo sobre o que é covardia e o que é valentia, Cain diz que “sua vida se foi sem o consultar” e o papo foi interrompido pela chegada da Polícia para levar Cain ao tribunal. Batman, obviamente sumiu como em um passe de mágica.
O matador foi sendo levado, e Batman o acompanha do alto. Vem a tona então a principal razão de Batman estar tão preocupado. Tudo bem, ele é o Homem-Morcego, ele impede QUALQUER CRIME, inclusive se o crime for alguém tentar matar outro criminoso. O negócio do Batman é salvar vidas e fazer justiça, e o que estava prestes a acontecer se enquadra nos dois tópicos ao mesmo tempo. Mas como eu disse, a razão que deu uma “temperada” na história foi outra. Como diz a frase inicial, “Gotham já tem órfãos demais”. Ele não queria que Cassandra Cain, filha de David, passasse pelo que ele passou e gerou o nascimento do Batman.
Não demora muito e nesse exato momento Batman nota algo um pouco tarde demais. Deadshot detona a passarela por onde a Polícia estava levando Cain, Batman salva os que consegue, e a situação deixa Cain pendurado sozinho, e Deadshot de pé na sua frente, com sua arma de pulso apontada para a vitima.

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#61 – Bruce Wayne: Assassino? / Fugitivo

A bola da vez é a saga “Bruce Wayne: Assassino?” e “Fugitivo”. Post dois em um, pois uma é tão “continuação” da outra que no término de “Assassino?”, se não houvesse nada avisando, você ainda acharia que estava no mesmo arco. Histórias de de 2001~2002. Em alguns momentos vou me referir a elas como se fossem apenas uma.
Ao ver a data achei algo recente, esqueci-me que isso já faz 11 anos. Essa foi uma das primeiras sagas que tive conhecimento em minhas andanças pelo mundo dos morcegos, talvez antes mesmo de descobrir que as histórias do Batman eram divididas em sagas (ou “arcos” como alguns chamam).
A “Bruce Wayne: Fugitivo” é continuação direta da saga “Bruce Wayne: Assassino?”. Demorei um pouco mais do que deveria pra lembrar qual era a ordem das sagas, mas a julgar que você não foge se não estiver sendo acusado… Então os títulos são auto explicativos, se quiserem mais mole que isso só mastigando água.
O que me chamou atenção para ler essa saga foi uma cena em especial que me contaram antes de eu sequer abrir alguma das revistas que compõe a saga, cena que ressaltarei mais a frente.
Não tem invasão de cidade, não tem nenhuma bomba atômica, não tem uma doença letal no ar, não teve fuga em massa do Arkham, não tem NADA de perigosíssimo para Gotham. A questão é um simples assassinato (simples para escala das coisas que acontecem em Gotham). “E o que isso tem de fantástico e brilhante?”, é que ao que tudo indica, o assassino é Bruce Wayne, e o tempo inteiro você não sabe se foi ele ou não.
Abram suas mentes para uma trama sem fatos fantásticos, mas ainda assim brilhante. Diante do que Gotham normalmente enfrenta, o problema é até pequeno, mas que compromete totalmente toda a cidade. Um tema simples e complexo.

“Os gênios são aqueles capazer de dizer algo profundo de maneira simples “ (Charles Bukowski)

Hora de “Assassino?” / “Fugitivo”.

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001Assim como a “Contágio” e (infelizmente) algumas outras várias, a história foi rachada em trocentos titulos. Azrael, Robin, Asa Noturna, Batgirl, Batman, etc e etc. Ainda é assim o esquema nos EUA, e também era assim por aqui. Eu acho meio… “incômodo” você querer dar uma lida na história e ter que saber em qual revista do Azrael, em qual do Batman ou qual do Robin está o trecho que você quer.
Pra quem é organizado e separa cada coleção por ordem numérica e cada título em seu canto, é um caos maior ainda desarrumar tudo pra caçar umas míseras páginas. Isso era algo a se buscar solução. Ou talvez a pessoa devesse buscar uma solução pro TOC. Brincadeiras à parte, a coisa tinha que caminhar diferente, a DC podia facilitar as coisas pros leitores, acredito que tudo ficaria mais acessível e atrativo para os fãs comprarem as HQs. Menos confuso e menos dispendioso.
002Na internet hoje em dia você encontra as sagas inteiras, toda a história de todas revistas arrumadas em ordem como um único grande livro, em formato .cbr ou .pdf. Fica até difícil a HQ competir com essa organização e facilidade que o mundo virtual dispõe.
Mas vamos para a história em si.
Como eu disse, história dividida em vários titulos e, consequentemente, tem MUITA gente envolvida na produção. Roteiros por conta de Greg Hucka, Kelley Puckett, Chuck Dixon, Devin Grayson, Dennis O’Neil e Ed Brubaker, desenhos vindos das mãos de Rick Burchett, Scott McDaniel, Damion Scott, William Rosado, Trevor McCarthy, Roger Robinson, Sergio Cariello, Dave Ross, Sean Phillips, Pete Woods, Steve Lieber, Phil Noto e Rick Leonardi.
003Nesse arco, os desenhos estão satisfatórios. As sagas dessa época são uma “ponte” entre os desenhos mais modernos e os antigos, fase de mudança. A qualidade começa a aumentar bastante. Ainda meio distante do que avalio como “bom”, mas suficiente, não há cenas tipo Robin com aparência mais envelhecida que o Batman, nem ninguém com visual disco.
O roteiro, por sua vez, é ótimo. Merece até um “cacilds” ao terminar de ler a saga. As primeiras páginas, onde Sasha (se não sabem quem é, já vão saber) fala a respeito do Batman são um resumo simples e bem feito da história do Batman e seus motivos.
Ela revela ser apenas uma boa guarda-costas que foi contratada para proteger Bruce Wayne e acabou descobrindo o segredinho que a DC publica mensalmente no mundo todo, Bruce Wayne é o Batman. O que ele fez? Deu-lhe uma fantasia e disse “Come on, Barbie, let’s go party”, e lá está a mulher voando entre prédios com uma roupa roxa acompanhando o Batman pelas noites de Gotham.
004Quadrinhos de pensamento pra cá e pra lá, e a mulher admite que ama o morcego. Uma mulher que acabou de conhecer um ricaço sarado genial que é um vigilante da noite se apaixonou pelo sujeito. Novidade, né. E só pra não passar em branco, até a presente história, não sei se devido a erro de tradução, mas Bruce Wayne não era bilionário, era “só” milionário. Ou seja, o Eike Batista ainda tinha mais dinheiro que ele. A primeira revista segue pela noite onde Batman e Sasha rondam resolvendo grandes e pequenos problemas. Até no zoológico eles foram fornecer ajuda, e por fim… A confusão que deu tema a saga dá as caras.
Mansão Wayne + cadáver + Bruce e Sasha os únicos presentes = … Saibam na próxima revista, na mesma bat-hora, no mesmo bat-canal. E não esqueça de trazer seu bat-maçarico.
Bruce e Sasha foram detidos, e uma equipe da polícia adentra a mansão pra averiguar o local do crime, a vitima, a causa da morte, procurar pistas… Começa o CSI-Gotham City. Interrogatórios, fitas de áudio, repórteres, notícias, advogados… Algo meio “parado” para uma história do Batman, mas de certa forma ainda envolvente.
005Uma das policiais/detetives que está no caso é ninguém mais ninguém menos que Renee Montoya. Até então, só uma detetive, que posteriormente tornará-se a nova “Questão” (Isso é nome de um herói detetive), e também de quebra será namorada da Kate Kane, a Batwoman (que ainda não existe nesse ponto da história).
As investigações continuam, Barbara Gordon manda Batgirl (nesse ponto Batgirl é Cassandra Cain) pra mansão Wayne e lá tenta de qualquer jeito buscar informações. Cassandra foi as pernas de Barbara onde ela não podia ir. E vale citar o belo discurso que Bárbara fez pro espelho, fingindo estar falando com o Batman, da situação de Cassandra. Vale bem pra lembrar a todos que Cassandra foi feita uma máquina de guerra.
006O titulo que dá continuação ao ponto que a história parou em Batgirl é “Asa Noturna”. A capa é uma das mais famosas dele, eu só lembrei ao reler as histórias para poder escrever esse texto. Dificil gravar todas as capas, ainda mais das séries paralelas. Do Batman ainda arrisco.
Dick Grayson trabalha como policial em Bludhaven e pediu ronda em Gotham para poder se aproximar do caso. Uma vez lá, durante um diálogo com a Bárbara surge um ponto que talvez muitos não pensaram. Batman é o senhor dos segredos, como diria o Stark nos “Vingadores”, até os segredos dele tem segredos. “Bruce Wayne” é apenas o que o Batman “se torna” para ocasiões sociais. Bruce Wayne é um disfarce de Batman, a personalidade natural é a do morcego, a “descontração do ricaço” é a real máscara.
008Isto posto, como seria interrogar Bruce Wayne? Um inferno pra polícia e pra ele. Durante o julgamento, você via o Batman lá de pé, no silêncio obscuro que sempre o caracterizou. Um Batman sem uniforme. Alfred chega com uma maleta contendo 5 milhões de dólares para a advogada, e ao sair do tribunal é cercado pelos repórteres, que logo são espantados pelo Grayson que aparece do limbo para salvar o mordomo. E cá entre nós, eu pensei que tivesse sido o Bruce, o traço dos dois está quase idêntico.
015Bruce foi julgado e não poderia responder em liberdade, foi para Blackgate. Bárbara foi visitá-lo, revelou mais uma vez sua genialidade, o informando que ela fez pós-graduação de direito em Harvard no tempo livre. Eu, em minha humilde opinião, acho que o Buce Wayne sendo tipo o Arquiteto da Matrix, sabe de tudo que ocorre ao seu redor, ele saberia se a Bárbara tivesse feito algo do gênero. Mas ok, ele tá ocupado surrando os vagabundos à noite.
Alfred deixa a mansão e sela a caverna, deixando Cassandra e Steph barradas por uma grade. Quem ao olhar esse quadro diria que Steph também seria Batgirl, e que receberia o uniforme das mãos da própria Cassandra?
Interrogatórios, papos repetidos, perguntas repetidas… Bruce e Sasha presos. O morcego estava literalmente vendo o bat-sinal nascer quadrado, pois de sua cela dava pra ver o Bat-sinal, e imaginem a guerra psicológica dele em querer atender ao chamado e não poder? Se ponham no lugar dele.

LineCenter
007Ele é o Batman, o paranóico que só enxerga o mundo pelos olhos da justiça. Só quer saber disso, não sabe fazer outra coisa, fica inquieto quando não está fazendo, prefere sair ferido pra fazer seu trabalho do que não sair, e por ser “Bruce Wayne” ele não podia deixar aquele lugar. Bruce Wayne não estava se tornando um peso pro Batman? Pois é.
Começa então a parte que me foi citada antes mesmo de eu começar a ler. Ele preso tendo que lidar com os bandidos. Ele foi tomado como “posse” dos arianos dentro da cadeia, por ser branco. Negou a “oferta” de ser protegido por 2 mil por semana lá dentro, levou uma bandejada na cara e não pode reagir. Só pôde calcular quantos segundos levaria para aleijar todos os presentes, mas teve de ficar quieto. O BATMAN levou uma na cara de um marginal e não pode reagir. Bruce Wayne não estava se tornando um PESADELO na vida do Batman?

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