Pausa de fim de semestre!

Studying BatmanOlá!
Bom, como vocês perceberam, não atualizei o blog nessa última semana por pura falta de tempo. Como venho falando para alguns de vocês, estou terminando a faculdade e com isso as enormes monografias e relatórios de estágio tem consumido todo o meu tempo.
Por isso, vim deixar esse recado para avisá-los que essa semana não tem atualização, mas dia 02/07 eu saio de férias e vou voltar ao blog com força total! Estou acertando várias coisas legais para vocês, posts temáticos bem interessantes, HQs para sortear, itens para sortear que já vieram de fora do Brasil, enfim, muita coisa!
PS: Alguns de vocês já notaram que o Mediafire está bloqueando meus links. Eu já efetuei a migração dos links de download para outros servidores, mas ainda não tive tempo de trocar o link de todos os posts. Essa será minha primeira tarefa assim que eu sair de férias. Peço desculpas a vocês por esse incômodo 😦 Enquanto eu não troco os links, vocês podem acessar essa pasta do 4shared onde os links estão hospedados. Mas logo estarão todos nos seus devidos posts!

Pasta do Batman Guide no 4shared

Muito obrigada a todos pela compreensão. Conto com vocês na semana que vem!

(PS do Augusto: Não sei se alguém se perguntou “e o Augusto está fazendo o quê?” (alguns talvez não tenham notado que há Augusto, enfim), nós aqui dividimos as histórias entre nós. “Você escreve essa, eu escrevo essa” e daí por diante. Eu continuo escrevendo os meus, inclusive já tenho um ou outro prontos, mas não podemos postá-los pois quebraríamos a ordem cronológica. Então, vamos dar apoio pra morcega-chefe em seu fim de semestre e nada de pensar que tô de bobeira. Quando ela voltar será força total, cheia de tubos injetando venom, veias saltando, máscara… peraí, esse é o Bane…)

#69 – Batman e Filho

“Pai. Eu imaginei você mais alto.”

Oi!
A obra de hoje é bastante polêmica, como não poderia deixar de ser – basta lembrarmos que é de autoria de Grant Morrison. A arte é de Andy Kubert. Foi publicada numa edição de luxo pela Panini ano passado, pena que eu ainda não comprei. Espero que vocês gostem do meu texto 😉 Quem me acompanha na página do blog sabe que esse fim de semestre está sendo uma loucura (tô escrevendo esse texto de madrugada) mas por sorte logo chegam as férias e eu vou poder me dedicar bem mais ao blog!

Para melhor entendimento, recomendo que vocês tenham lido a seguinte trilogia:

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001A história começa de uma forma bem particular: crianças suspensas por um dirigível pintado de palhaço ouvem Coringa gritando “O Comissário foi envenenado pelo Coringa! Consegui! Até que enfim matei o Batman! Em frente a um monte de crianças deficientes e vulneráveis!” E o palhaço segura o corpo morto, inerte e ensanguentado de Batman. Será o fim do Cavaleiro das Trevas? Ora, claro que não. Estamos falando do goddamn Batman. Batman totalmente vivo toma a arma de Coringa e dá um tiro no meio da carinha do palhaço. “Oh, o Batman matou alguém!” Repetindo: claro que não. Coringa está vivo (infelizmente). Uma deixa para que Bruce delicadamente jogue Coringa desacordado em uma lixeira. Delicado como sempre.
002As crianças saíram ilesas, Gordon nem tanto. Coringa aplicou aquela toxina tão conhecida por nós – a que provoca contrações musculares e forma um sorriso duradouro, e o faz achar graça e tudo, até em tragédias. Ao visitá-lo no hospital, Batman conta que quem atirara em Coringa era um outro cara vestido de Batman, e não ele.
Seguindo um conselho de Gordon e depois de Alfred, Batman decide tirar um tempo para si, para reaprender a ser Bruce Wayne. Deixará Tim cuidando das coisas. Ele está fazendo um ótimo trabalho.
004Aparece Talia, que está aprontando mais uma das suas brincadeirinhas habituais – tentando obter uma informação enquanto chantageia e tortura um doutor. Mas nessa cena o chama atenção é a conversa que ela tem com uma criança. Eles afirmam que o jato particular de alguém foi encontrado. E ela profetiza: “O passado finalmente alcançou você, meu querido detetive”.
Batman precisa desistir de sua viagem porque há algo muito suspeito com Robert Langstrom, o inventor do soro do Morcego Humano – o objeto do qual Talia está atrás. Ela o observa em uma festa em que Bruce está cumprindo seu papel de playboy bilionário fútil. Talia está com uma criança. Pede que a criança observe os trejeitos e o diga quem é.
“Aquele é meu pai. O que vamos fazer agora, mamãe?”

003E o que eles vão fazer fica muito claro: atacar o museu em que Batman está com os Morcegos Humanos criados com o soro obtido através da ameaça a Robert Langstrom. O Morcego Humano é um vilão um pouco desconhecido de Batman. Kirk Langstrom, um especialista em morcegos, criou uma fórmula que conferia a ele poderes de audição e visão de morcegos, além de transformar a aparência. Ele não é de todo uma pessoa ruim, às vezes até ajuda no combate ao crime, mas na maioria das vezes usa essas características monstruosas para tocar o terror na cidade. E bem, como se um Morcego Humano não fosse bastante ruim, temos vários Morcegos Humanos. E como se isso não fosse o ápice de uma escala de “temos problemas”… São Morcegos Humanos ninjas. Great! O Batman nem queria relaxar mesmo. E lá está ele para salvar o dia (a noite, na verdade) novamente. E começa a fazer o que ele faz de melhor: bater em quem ouse tirar a paz de SUA cidade.

Morcegos Humanos

Seus novos bichinhos de estimação.

005Sensacional a arte durante essa luta. É um museu com referências Pop, com elementos coloridos e vibrantes que parecem alheios e deslocados à briga severa que está acontecendo ali. Existem MUITOS deles. São pelo menos 30 Morcegos-Humanos. E são muito maiores que Batman. Mesmo Batman sucumbe às vezes. Ele é rendido e levado desacordado a um cais, onde quem o espera é a bela Talia.
O discurso dela nessa parte é particularmente interessante. Ela faz referência à noite que eles passaram na HQ “Filho do Demônio” (dê uma lida no texto, caso não se lembre). Ela menciona um garoto que tem sido treinado pela Liga dos Assassinos desde seu nascimento, mas que está perdendo o controle porque falta a ele disciplina e a mão de um grande homem para direcioná-lo. Agora era a hora de reverter isso, porque Talia tinha alguns planos – coisa simples, liberar um novo tipo de horror ao mundo – e deixará o garoto sob cuidados de Bruce.
Ele é Damian Wayne. O filho de Batman.
“Pai. Eu imaginei você mais alto.” Isso porque o Bruce tem pouco menos de 2m, né.

Damian

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ESPECIAL: Dia dos Namorados #2 – Bárbara Gordon e Dick Grayson

Oi!
O amor está no ar aqui no Batman Guide Hoje é Dia dos Namorados no Brasil, e para comemorar essa data tão bonita o post de hoje vai ser sobre um dos casais mais lindos – e complicados – do universo Batman.
Clique aqui para ver o Especial de Dia dos Namorados #1 – Bruce Wayne e Selina Kyle, publicado em 14/02.

Ela é Bárbara “Babs” Gordon, filha do Comissário Jim Gordon. Foi a primeira Batgirl. Bibliotecária de dia, combatia o crime à noite usando suas habilidades de luta – até que um encontro com o psicótico Coringa a deixa paraplégica e presa para sempre em uma cadeira de rodas. Mas isso não foi empecilho para sua vontade de lutar contra os criminosos. Tornou-se Oráculo, uma super-hacker com memória eidética à serviço de Batman, monitorando pontos estratégicos da cidade, tendo acesso a bases de informações sigilosas e gerenciando equipamentos ultratecnológicos.
Ele é Richard “Dick” Grayson. Quando pequeno, era um acrobata de circo na equipe “Os Grayson Voadores”, vê seu destino sendo mudado de forma definitiva quando um acidente encomendado mata sua mãe e seu pai. É acolhido por Batman, adotado como seu filho e treinado para se tornar o primeiro Robin. Entretanto, decide começar a atuar sozinho e vai para a cidade de Blüdhaven, onde é um policial de dia e Asa Noturna à noite. Sua contribuição para Batman é notável em diversas HQs, e os dois apresentam uma sincronia admirável (Em breve, haverá um texto do Augusto com a trajetória completa de Dick Grayson, com mais detalhes sobre sua atuação).

Eu trouxe duas HQs para o Especial de hoje.
A primeira foi publicada em “Birds of Prey #8”, e a participação do Asa Noturna mudou o título para “Nightwing Ignites Birds of Prey” (algo como “Asa Noturna incendeia as Aves de Rapina”). A história se chama “Asas da Liberdade”. Ela conta uma história bonita e sensível sobre rompimento de barreiras, sobre orgulho e um amor difícil de se concretizar.
A segunda foi publicada em “Nightwing Annual #2” e traz uma linda mensagem na capa: “Até que a Morte nos Separe”. A história se chama “Jornada de Herói”.
Espero que vocês gostem! 

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A história dos dois é muito, muito complicada.
Divulgação 4Eles são duas pessoas realmente habilidosas. Dick foi o Robin mais talentoso. Independente demais para estar sob comando de Batman, se separa e segue como Asa Noturna, que leva a justiça para Bludhaven sob dois viés: como policial e como um justiceiro à noite.Bárbara foi brilhante como Batgirl e é indispensável como Oráculo – basta lembrar das dificuldades que Batman enfrenta toda vez que perde o contato com ela. Ela é corajosa e destemida, e sua deficiência motora não foi motivo para que desistisse ou para que se tornasse menos eficiente. Como ela diz numa ilustração de Adam Hughes: “Não deixe a cadeira de rodas te enganar… Eu ainda posso chutar o seu rabo.

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Ela não tem medo. Enquanto figuras individuais, eles são poderosíssimos. Como dupla, então, são praticamente invencíveis.
BabsQuando eles eram jovens – ela era Batgirl, ele era Robin – eles eram um time perfeito. Quando Batman saia da cidade e deixava Gotham a cargo deles, eles se saiam excepcionalmente bem. Gotham era o parque de diversões deles, um lugar para desbravar e combater o crime nos seus pequenos nichos e becos. Juntos, conheciam a cidade e conheciam a si mesmos. Era uma relação de companheirismo desde o início. E não se tratava de uma parceria limitada somente às suas identidades como super heróis: Bárbara Gordon e Richard Grayson eram também geniais juntos. Essa relação foi se desenvolvendo de maneira tão intensa ao longo dos alunos que inevitavelmente evoluiu para um romance.
Depois de amadurecerem e adotarem seus novos mantos, eles se complementam: ele é frenético, enérgico, às vezes pensa com os punhos, um fluxo constante de emoções à flor da pele.

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Ela é a calma que ele precisa para se estabilizar, o pensamento racional que muitas vezes falta a ele. Ele a deixa nervosa, irritada, encantada, excitada – um mar de emoções em uma vida baseada totalmente no elemento racional. Ele a faz sentir viva. Quando não há ninguém com quem podem contar… Eles tem um ao outro. Para sempre. Mais do que apaixonados, eles são acima de tudo amigos. Tem uma conexão que não pode ser explicada. Eles podem dizer o que querem um ao outro. Estão juntos em todas as situações. Bárbara conhece Dick com a palma da sua mão, e vice-versa.
Eles juntos são indestrutíveis. A relação deles seria quase perfeita. Quase.
Divulgação 5Babs reluta em namorar com Dick porque não se considera boa o suficiente para ele: ela o considera um homem incrível, o mais carinhoso e doce homem que existe – portanto, merece a melhor mulher possível, não alguém que está presa numa cadeira de rodas. Esse mar de inseguranças se mistura ao fato de que seu orgulho não a deixaria que ele se tornasse uma espécie de babá para ela. Ela reluta demais em deixar transparecer qualquer sinal de fraqueza. Há algo dentro de seu coração que se fechou quando o acidente aconteceu. Ela sentiu sua feminilidade e sensualidade diminuírem consideravelmente ao se prender a uma cadeira de rodas. Mas o que ela não entende é que Dick nunca a viu como uma garota frágil devido ao seu acidente. Pelo contrário. Para ele, ela ainda é a mesma Bárbara, forte e admirável, aquela ruiva que saltava os prédios sem medo, com uma inteligência anormal, e uma coragem que a transforma em alguém com o dobro do seu tamanho.
A relação deles passou por vários baques (como você lerá na HQ “Jornada de Herói”). Dick também se opõe ao fato de que Bárbara cuide demais dele – é independente demais para isso. Ele se cobra demais, é perfeccionista, não admite ter algum ponto fraco.

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Feita essa introdução, vamos às HQs agora!

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CeteraComics #10 – Batman – Coringa, Duas Caras, Bane, Ra’s Al Ghul / NerdCetera

Oi!
Conforme prometi, vim trazer para vocês o CeteraComics #10, do NerdCetera. Nesse vídeo, o Mustefaga fala sobre alguns dos vilões mais famosos do Batman: Bane, Coringa, Duas Caras e Ra’s Al Ghul. O vídeo está excelente e tem um monte de referências que eu desconhecia! Se gostarem do vídeo, deixem um like lá, adicionem aos favoritos e comentem também 🙂 O trabalho que o NerdCetera e o CoringaFiles desenvolvem é muito inspirador pra mim.
Clique aqui para acessar o CeteraComics #09, sobre a história do Batman, os gadgets, os sidekicks, entre outros.

Ao longo do vídeo o Mustefaga cita algumas HQs, a maioria já está no Batman Guide:

Coringa
» A Piada Mortal
» O Homem que Ri

Duas-Caras
» O Longo Dia das Bruxas

Bane
» Vingança de Bane I e II
» A Queda do Morcego

Ra’s Al Ghul
» Batman: O Nascimento do Demônio (‘Trilogia do Demônio’ – 1ª Parte)
» Batman: O Filho do Demônio (‘Trilogia do Demônio’ – 2ª Parte)
» Batman: Noiva do Demônio (‘Trilogia do Demônio’ – 3ª Parte)
» Batman & Filho

#68 – Batman/Deathblow

“Apesar de suas rigorosas convicções, o mundo não funciona exatamente num sistema tão irretocável e preto e branco… Mas em milhões de tons de cinza. Eu sou um deles. Goste ou não, você também”.

Sabem o papo de “você pode, é só querer, se esforçar e nhenhenhe, blablabla (…)”? As coisas não são tão bonitinhas assim. Ao ver histórias desse gênero você sente que falta algo mais pra chegar nesse nível.
Mais uma vez tenho o privilégio de escrever sobre uma história desenhada por Lee Bermejo, e como se não fosse suficiente, roteiros de Brian Azzarello. Dois de meus desenhistas/roteiristas preferidos.
Como de costume em histórias do Azzarello, a trama é bem urbana. Quase tudo nessa história é “pé no chão”, e temos a oportunidade de conhecer o “Deathblow”, que ao contrário do que alguns pensam, é um personagem. Digo isso porque já vi algumas pessoas achando que “Deathblow” era só o título da história, coisa que também é de certa forma errada, pois o título ainda tem um “After the Fire” em seu total.
“Batman/Deathblow” foi lançada em 2002, vocês encontram aqui no Brasil com o mesmo titulo, lançado com capa dura pela Panini anos a frente. Antes de entrar em detalhes já adianto a vocês, vale a pena ter aí na sua estante.
Tens medo de fogo? Cuidado dobrado After the Fire.

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Azzarello e Bermejo. Complicado pensar em que nome citar primeiro nessa dupla, fico com a velha ordem alfabética mesmo, pois em qualidade… Ambos são mestres no que fazem. Brian Azzarello fez um trabalho dos grandes nessa história. Já li reviews em outros sites dizendo que a história não tinha nada demais e que a “única salvação é arte do Bermejo”. Besteira.
O roteiro na verdade é complicado, e ser complicado não necessariamente faz ser ruim. Claro que tem roteiros que ficam tão complicados que comprometem a obra, mas não é esse caso. Talvez a maior dificuldade sejam os flashbacks que no geral tem a mesma cara. Se você não estiver lendo com atenção, você acha que está no presente e na verdade está no passado.
Como deve ter dado pra notar, a história se passa em dois tempos, Gotham atual, e Gotham há 10 anos. Na atual o herói é o morcego, Bruce Wayne, na de 10 anos atrás é o Deathblow, Michael Cray. Em ambas épocas o “vilão” é o mesmo, Maxwell Kai.
001“Oi, eu sou chinês e a internet aqui é censurada, quando abro o Google aparece o rosto do Bruce Lee dizendo ‘Seja água’ e o pc trava. Não tenho como pesquisar esses nomes todos”.
Vamos lá, quem são Michael Cray e Maxwell Kai. Michael Cray é um soldado/agente secreto/Pau-mandado da CI (Comando Internacional), e o título”Deathblow” que ele carrega como codinome é apenas um “cargo”, assim como maioria dos nomes de herói. Um morre, entra outro no lugar usando o mesmo nome. Mais a frente veremos que já existiram dúzias de Deathblows, e que a carreira deles é curta porque é perigosa pra caramba. Alguém aí pensou “as do Batman também são loucura e o velho Bruce ta aí firme e forte pra contar sobre como escapou de todas”? É, mas ele não é um simples soldado como o Deathblow.
Deathblow_2De aparência, Michael Cray tem o semblante do Dolph Lundgren tomado de anabolizantes. Bandana/touca, um listra vermelha na vertical descendo de cada um dos olhos, e o resto não tem grande grife nem detalhe, o sujeito é um soldado, se ele precisar matar alguém vestido de bailarina, mendigo ou pelado, ele vai matar. E vai deixar a carta branca com duas listras vermelhas na vertical, é a sua carta da morte, carta esta que começa boa parte da confusão na trama do “presente”.
Na Gotham de 10 anos atrás, Deathblow caçava o líder terrorista conhecido como “Falcão”, e acabou topando com Maxwell Kai que, sozinho, levou a missão ao fracasso. Como um homem pode ter sobrevivido a uma investida do Deathblow e feito o sujeito com uma carreira invicta ter tido sua primeira falha?
Max Kai não é um simples homem, ele é um pirocinético. Cuidado vocês com mente suja, pirocinético quer dizer que o rapaz tem o poder de criar fogo com a mente. Não é bem como o Pyro dos X-Men. O Pyro não “gera” fogo, ele apenas manipula o fogo já feito, já o caso do Kai é diferente, ele CRIA o fogo.
É um personagem que, ao longo da história, vocês talvez vão até passar a gostar. É misterioso, leal, importante pra diversas pessoas e fins, e só quer paz pra si mesmo. Só não abandona o jogo porque não pode. Fora que sua habilidade é um tanto especial.
Se formos tentar pegar alguém de estilo parecido para representar sua imagem… Vamos de Tyler Durden no Clube da Luta. Junta personalidade, aparência bacana e uma habilidade especial, fica difícil dizer que é um personagem qualquer. Eu particularmente curti mais o Max Kai do que o Michael Cray em si. Personagem com muito mais background.
BATMAN_DEATHBLOW_AFTER_THE_FIRE_3Claro que cada mínimo detalhe de como a trama deve ser, cada fala, atitude, ação dos personagens… TUDO nesse aspecto é obra do Brian Azzarello. Claro que ele não criou o Batman, não criou o Deathblow, não criou o Kai, não é o “criador” de nada nessa história. Assim como o atual melhor atirador do mundo também não foi o criador das armas de fogo. Azzarello fez bom uso do que tinha disponível.
Quanto aos desenhos, aí concordo com qualquer site por ai, Lee Bermejo faz estrago em tudo que toca. Ele é quase o contra-peso do Rob Liefeld no universo. Este último que citei é quase um alquimista, tudo que ele encosta vira merda. Mas o Bermejo está ai para não nos fazer perder a fé numa boa arte, e fiquemos todos gratos do Liefeld não ter NADA a ver com essa história.
Se formos pegar os traços DESSA história que o Bermejo fez e compararmos com histórias mais atuais como “Batman – Noël”, dá pra notar boa diferença. O Bermejo evoluiu. Sim, ainda havia pra onde evoluir. Com isso não estou dizendo que a arte dessa HQ esteja “pior” que a Noël, só diferente em alguns aspectos que em nada condenam a obra total.
Eu poderia novamente detalhar como é o Batman segundo os traços do Bermejo, falar dos olhos por dentro da máscara, costuras, fivelas, o cinto de utilidades de tamanho plausível, falar dos detalhes mínimos das dobras de capa e etc… Mas não vou entrar nesses detalhes todos novamente, serei mais específico no que essa história tem de único. O aspecto “queimado”.

BatmanNão temos cinzas de cigarro nem páginas queimadas, nada disso. Temos um estilo obscuro de desenhar, e também de colorir (lembrando que não foi o Bermejo a colorir essa história). Talvez eu tenha sido redundante em dizer “estilo obscuro” em uma história do Batman, mas essa é obscura em totalidade, não é só o cenário e os personagens, parece que até o PAPEL usado é outro diferente do comum, algo mais amarelado, antigo… Não sei explicar bem isso, sei que ficou muito bom. Tudo muito detalhado, com sombras e pouca repetição.
Eu acho que vendia metade da população do mundo pro Sinestro pra ver uma história do Asa Noturna desenhada pelo Bermejo. O roteiro podia ser do Azzarello ou do próprio Bermejo mesmo, que se mostrou competente pra tal em “Noël”.
Lee Bermejo sempre tem cuidado absoluto em cenários, proporções físicas e roupas. Tudo é sempre pensado nos mínimos detalhes, seja um fio solto aqui ou um poster no muro ali. Ele aproveita ao máximo o espaço, dificilmente você verá uma parede sem algum detalhe especial, seja simples sujeira proposital ou detalhes de construção. Tudo impressionante.
Agora indo ao “After the Fire” em si:
002Começamos na Gotham de 10 anos atrás, mais exatamente no bairro oriental. Michael Cray (Deathblow) e seu companheiro Scott. Este só bizolhando com uma luneta de dentro de um quarto de segundo andar enquanto Deathblow está na chuva aguardando a exposição do alvo. Não demora muito e o tal alvo aparece.
Michael pega a tinta vermelha e passa embaixo dos olhos, conforme falei mais acima, e parte pra missão com arma em punho. Seguindo seu alvo ele passa por corredores, escadas, salas e diversos orientais, como era de se esperar em um bairro oriental. Por fim ele encontra resistência por parte de um oriental armado, que usa seu próprio amigo/comparsa como escudo. Deathblow bota os dois pra papear com o Zé Maria e vai embora.
Zé Maria pra quem não sabe é a ilustre “morte”. Pro povo do voodoo é o Barão Samedi, pros americanos é o Grim Reaper, e pra nós é o Zé Maria. Cada um tem a morte que merece, né?
Enfim, a história avança 10 anos a frente. Estamos agora em uma estrada onde há um pedágio logo a frente. Se não prestarmos atenção nos desenhos, deixaremos passar algo muito importante. Vemos um sujeito de óculos escuros dirigindo enquanto ouve música, então em um quadro pulamos para dentro do carro de trás, onde um casal de irmãos pequenos briga no banco de trás, a menina reclama, os pais dão sermões pra trás… Papo comum, mas enquanto essa cena ocorre, podemos ver o carro da frente pelo para-brisas, o motorista deixando algo na lixeira do pedágio.
003Esse é Maxwell Kai, deixando a mão decepada e carbonizada de alguém, com uma carta semelhante a uma carta de baralho, toda em branco exceto pelas duas listras vermelhas na vertical. A carta de morte do Deathblow. O pai da família do carro de trás encontrou aquilo e ficou paralisado.
Ainda no tempo presente, temos um restaurante com música ao vivo que conta com 3 personagens importantíssimos na platéia, reunidos em uma mesa. O tal parceiro do Deathblow, o Scott, uma mulher da CIA chamada Carla, e Bruce Wayne, o tal do Batman.
Falam sobre dinheiro, verbas, criatividade… Papo de aranha do qual Bruce tanto tenta fugir. É mais fácil ser Batman e bater mais do que fala, não? Claro que não. Sabemos que o Batman tem tanto intelecto quanto força, a questão por trás disso é apenas que porradas resolvem mais do que palavras, e ele como gênio que é descobriu isso cedo.
Bruce retira-se do local, e enquanto acerta o local de entrega da conta, leva uma esbarrada de ninguém mais ninguém menos do que Maxwell Kai. O sujeito ainda dá uma baforada de fumaça de cigarro na cara do Bruce. Nem imaginava quantos ossos podia ter quebrado em outra ocasião.

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004Bruce se disfarça com um de seus vários personagens, como Knox Canhoto ou Fósforos Malone e vai a uma loja de penhores, aparentemente recolher informações do submundo, e descobre algo sobre a tal mão carbonizada deixada na entrada da cidade. Dali seguimos direto para as ruas, onde o Comissário Gordon e os demais policiais recolhem o corpo de um sujeito que foi assassinado por um atirador, um headshot dos bons, digno do Pistoleiro. Mas ele não tem nada a ver com isso.
005Gordon vai ao terraço e troca uma letra com o morcego. Bruce aborda o assunto da mão com a carta de morte que até então tem remetente desconhecido para ambos, mas Batman recebe um alerta do Alfred para dirigir-se ao restaurante do qual saiu há pouco tempo. Chegando lá de volta a paisana sem as bat-traquitanas, a tal Carla informa que o Scott simplesmente pegou fogo, mas não foi uma chama que começou pequena, segundo as aparências foi como uma bomba incendiária que foi detonada. Mas nós sabemos que não teve bomba nem detonador.
Bruce levanta suas suspeitas na figura que assoprou fumaça nas suas ventas mais cedo. O maior detetive do mundo começa a “detetiviar” na mesma hora, liga uma câmera no botão de seu blazer, manda Alfred vasculhas o sistema da policia atrás do inquérito da mão decepada e foi ao hospital falar com Scott.
006O tal Scott, que há 10 anos atrás foi parceiro do Deathblow… Agora está com queimaduras de terceiro grau em 95% do corpo e 78% das queimaduras atingiram órgãos e músculos. Sem chance de recuperação. Bruce foi direto: “Você sabe o que isso significa… sinto muito”, e garantindo-se no fato de que o sujeito não tinha muito tempo, revelou ser o Batman, e disse que podia pegar o assassino. Surge então o nome Deathblow no conhecimento de Bruce Wayne.

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#67 – Batman: Cara a Cara

Alô a quem se importa. A história de hoje segue a cronologia principal pré-reboot, e se chama “Cara a Cara”, e nos EUA “Face the Face”.
É uma história já com elementos mais recentes, um tanto curta se comparada com as sagas anteriores, dividida apenas em 2 títulos (Batman e Detective Comics),somando um total de 8 edições.
Geralmente ao falarmos de “face”, “rosto”, “cara” e coisas do gênero no título logo nos vem um certo sujeito na mente, não? (Espero que não seja só comigo). Por acaso essa história não é só dele, nas primeiras páginas já temos um vislumbre do “raro” KGbesta, um de Harvey Dent, e mais ao final da primeira edição um indício de que a Hera Venenosa está na trama. Um time não muito comum de aparecer junto na mesma história, o que dá um ar diferente.
James Robinson no roteiro tanto da Batman quanto da Detective Comics, mas na arte da Batman está Don Kramer, e na da Detective temos Leonard Kirk.
Todo mundo é burro velho de guerra, todos os nomes já metidos nas histórias do Morcego há tempo. Um bom time. Vamos começar o texto, as coisas acontecem rápido nas noites de Gotham. Cara a Cara.

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Essa mini-saga saiu um ano depois depois da “Jogos de Guerra”. Quem lembra bem o que aconteceu no final sabe que as coisas não ficaram boas pra nenhum mascarado, e que o império de respeito que o Batman demorou tanto a construir simplesmente desmoronou.
Essa história se encaixa no “One Year Later”, ou “Um Ano Depois”, como manda a tradução. É, por isso sei que foi aproximadamente 1 ano depois do Jogo de Guerra. O roteiro tem diálogos bem articulados e poucas falas clichês, uma boa seleção de ângulos, quadros e cenas. Essa parte pode parecer responsabilidade apenas do desenhista, mas não é bem assim.
003Claro que o Kirk e o Kramer tem seus créditos por isso, e apesar de não serem sujeitos muito detalhistas, trabalham bem com as sombras. Coisa que eu SEMPRE repito: pra ser desenhista em uma história do Batman, ou você trabalha bem com luz e sombra ou você detalha cada quadro como se fosse a Capela Cistina. Um meio termo é o mais apropriado, mas ambos estão mais pra “luz e sombra”. E observação pessoal minha, o Kramer parece desenhar melhor que o Kirk. Mas só comentando mesmo, não faz diferença.

Detalhe das capas das 8 HQs que compõe essa história:

Capas

Agora começando a obra do Robinson.
002Temos de inicio o KGBesta. O nome é besta e tem besta no nome. Besta ao quadrado. É um sujeito raro de se ver nas histórias, para muitos deve ser a primeira visão dele, e última também, pois ele é morto logo nas primeiras páginas.
Alguém dá um tiro no cano da arma que ele ia usar pra assassinar seu alvo, troca umas porradas com o elemento, quebra o seu braço e o joga de cima do telhado. Batman? Não, mais parece um bandido. A não ser que a Armani tenha feito uma linha de toucas de marginal pro Bruce usar nas noites de frio. Mas não, não é o Batman. Além de ter usado uma arma de fogo no inicio da ação, no “durante” jogou o KGBesta do telhado, uma queda que poderia ter matado mas não matou, e no “final” terminou a ação dando dois tiros na cabeça do besta. Execução pura.
004A seguir está a polícia envolta do corpo avaliando o caso, e pouco mais adiante… Um assaltante de banco levando uma surra do mesmo cara que tombou o KGBesta. Achei meio confuso, o sujeito ali ao que tudo indica era Harvey Dent, mas ele estava conversando com alguma outra personalidade que NÃO ERA o lado deformado, pois não tem mais lado deformado. Harvey Dent passou 1 ano inteiro detendo assaltantes, dando porrada em vagabundo na rua… Sendo um Frank Castle amador.
Já de volta aos policiais, Jim Gordon retornou ao seu cargo de Comissário. Segundo as contas de Gordon, já faziam 3 meses desde que ele voltou e 12 desde que o Batman sumiu. Não dá pra negar que Jim está de certa forma feliz com o retorno para o caos que são os crimes de Gotham. É o que acontece com quem trabalha com algo por muito tempo, acaba dando falta quando pára.
Ele nos apresenta uma nova policial na história, e apresenta a ela o batsinal. O batsinal está sem ser ligado há um ano. Gordon admite para si próprio que esperou muito por isso. Mandou o pessoal tirar o pano de cima, e iluminou o simbolo do Morcego no céu. Buzinas e gritos nas ruas começam no mesmo momento. Se perguntam se algum vilão deve ter aparecido, e Gordon diz “São pessoas na rua. Eles o viram também. O sinal”, o povo de Gotham estava comemorando.

BATSINAL

Percebem o poder do símbolo do Morcego? É por isso que eu digo que a DC tem algum grande poder criador de símbolos, coisa que a Marvel não consegue. Nenhum símbolo da Marvel tem impacto, mas os da DC, são auto-explicativos e impactantes. É genial, e genial idem o uso disso nas histórias.
Não demora nem minuto direito e lá está o morcego e o garoto-prodígio.
Como nos velhos tempos, Jim apresenta o problema: Hera Venenosa prendeu 7 homens da policia. Durante a explicação eles vêem a torre onde Hera supostamente está ser tomada por raízes ou caules. Batman apresenta o plano: “Dou um jeito de entrar e detê-la”. Boa, Batman. Todos os anos de estratégia renderam um raciocínio rápido. Brincadeira, é óbvio que ele já sai da caverna pensando em tudo que pode acontecer.
005Eles entram no prédio criando uma entrada um tanto… Chamativa. Uma explosão enorme. Eles passam por uma plantas carnívoras, Robin salta em poço de elevador, Batman abre caminho com explosivos, bastante ação ao melhor estilo da dupla dinâmica. O Morcego enfim encontra a Hera Venenosa.

Ela segurou como reféns os donos/representantes de grandes empresas que só fazem poluir, desmatar e agredir a natureza, e dentre eles o representante das Empresas Wayne, Lucius Fox. Batman é preso por plantas e vai seguindo conversa. Demora um pouco pra Hera notar que ele não está oferecendo resistência, e quando nota já é tarde, Robin dá o sinal de que já chegou no reservatório de água do prédio, pos um fortíssimo desfolheador na água e dispara o sistema de incêndio, matando tudo que a Hera plantou lá dentro, e por consequência soltando o Batman. Ela nem resistiu, se entregou.
A Dupla Dinâmica volta ao Gordon, e são informados de que o justiceiro Dent (sendo que eles não sabem que é o Dent) tirou mais um(a) fora-da-lei de circulação, definitivamente. Dessa vez Magpie, deve ter feito escola com o KGBesta, provavelmente éa primeira vez que boa parte dos leitores estará vendo. Alguém lá no centro do deserto de Gobi deve estar muito triste pois seus dois vilões preferidos morreram.
Harvey não só matou a Magpie, como também matou todas as aves de seu aviário (ainda bem que não as criava em um aquário, não?). Enquanto observam as vítimas emplumadas, o Bullock puxa uma questão interessante. Porque GOTHAM?
006Nunca se perguntaram isso? Bullock diz algo como “Magpie podia ir pra Apache Junction e ser a rainha do Arizona. Podia ir pra Inglaterra, lá só deve ter dois heróis no país todo… Porque os criminosos de agrupam em GOTHAM?”. Pois é, porque Gotham? Algum engraçadinho pode acabar dizendo “Pois sabem que um soco do vigilante de Metrópolis vai sair do outro lado da cabeça”, ou “Sabem que o vigilante de Central City se move na velocidade da luz”, mas vá, não é isso. Gotham já tem a tendência, a tendência a chuvas, neve, tempo escuro, construções de arquitetura antiga, muitas sombras, muitos becos… É como perguntar “Porque Estocolmo é menos violenta que Los Angeles?”.

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