#75 – Batman: Descanse em Paz

“Bem-vindos a Gotham City. Claro que ninguém nunca disse que seria fácil destruir o Batman. […] Mas este auto-intitulado bem feitor, esse aristocratazinho arrogante e mimado está prestes a ter um merecido e duro despertar. […] O que estamos prestes a fazer será uma obra de arte. Nada menos que a completa e total ruína de um nobre espírito humano. “

Olá!
Espero que tenham gostado do texto da Crise Final, escrito pelo Augusto.
Até esse momento, eu e ele viemos construindo um caminho, uma “estrada” para a HQ que venho apresentar hoje até vocês. E finalmente chega um dos momentos cruciais para o Batman Guide, e um dos momentos definitivos para a cronologia do Morcego: “Batman – Descanse em Paz” é a HQ de hoje.

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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No roteiro temos Grant Morrison e na arte nomes como Andy Kubert, Jon Van Fleet, JH Williams III e Tony Daniel – só os “dinossauros” da DC Comics. Antes de começar, uma pequena citação de Morrison para a Comic Book Resourcs, a respeito do destino de Batman em “Descanse em Paz” – se era definitivamente o fim do Bruce Wayne. A tradução é minha, mas você pode ler o original aqui:

“Sim, mas como eu digo: é bem melhor que a morte. As pessoas tem matado os personagens no passado, mas pra mim, isso meio que encerra a história! Eu gosto de manter a história girando e se transformando. Então o que eu estou fazendo é um destino pior que a morte. Coisas que ninguém nunca imaginaria acontecer com esses caras.”

Um segundo detalhe que ficou um tanto quanto escondido na tradução de “RIP” para “Descanse em Paz”. Como você deve saber, a sigla “RIP” é o acrônimo de “Rest in Peace”, que é literalmente “Descanse em Paz”. Então qual é o problema? É que depois de muitos eventos, foi revelado que a sigla “RIP” não significava exatamente isso, e sim outra expressão em inglês. Revelarei isso para vocês posteriormente. Caso você queira saber direto o motivo, você pode ler nesse texto (vários spoilers!)
Posto isso, vamos para a análise das 20 edições que compõe “Batman: Descanse em Paz”.

001

Começamos com o volume “Meia-Noite na Casa da Dor”, que é uma espécie de prelúdio para os eventos que se seguirão. Você se lembra da minha resenha sobre “A Luva Negra”? Terminamos com Bruce Wayne se revelando para Jezebel Jet: ele é Batman. De fato, algumas outras mulheres de sua vida já souberam dessa ligação: Silver St. Cloud (uma mulher com a qual se envolveu na série nos anos 70), Sasha Bordeux. Um detalhe a ser notado é que nos relacionamentos anteriores de Batman ele jamais se “entregou” tanto assim, mostrou suas vulnerabilidades. Um Batman com uma paixão assim, quase adolescente… Isso é possível? É como se ele sempre tivesse amado Jezebel Jet (lembre-se disso posteriormente). Devido a esses fatores, Tim Drake está preocupado com a sanidade mental de Batman, diante dos acontecimentos recentes . Ao discutir isso com Alfred, o fiel mordomo afirma que as grandes habilidades físicas e mentais não permitiriam que Bruce Wayne se perdesse em loucura.

“Você entende que patrão Bruce tem uma visão clara da busca pela perfeição humana a qual constantemente empenha-se. O domínio físico absoluto das artes marciais, ginástica e ioga, as habilidades dedutivas e lógicas dos principais filósofos, cientistas forenses e detetives, o entendimento, discernimento e objetividade moral dos supremos adeptos do zen… Devo continuar? […] Ele é uma mente como nenhuma outra. Eu tenho sérias dúvidas se algum de nós irá compreender completamente suas decisões, mas nunca devemos subestimar sua força e resistência.”

002Contudo, fica muito claro para nós que talvez essa não seja a realidade. Batman começa a se perder em meio aos seus próprios pensamentos, em meio as suas idéias, suas concepções. Por favor, não se esqueça desse fato do qual eu venho falando desde “A Luva Negra”: a sanidade mental de Bruce Wayne está cada vez mais deteriorada, fragmentada, o limite entre e o que é real e o que é ilusão está cada vez menos nítido.

003Bruce e Jezebel recebem um estranho convite: “A Luva Negra concede um convite à senhorita Jezebel Jet e ao senhor Bruce Wayne… O tema desta temporada: danse macabre”.
Enquanto isso, no Asilo Arkham, Coringa é submetido a um teste de Rorschach – você vai se lembrar da edição “O Palhaço à Meia-Noite” da HQ “Batman e Filho”, em que Coringa só enxerga dor, morte, tripas, sangue e destruição. Aqui não é diferente: por alguns instantes, vemos como Coringa enxerga as coisas, pessoas mortas e sangue por todo o lado. E instantes antes antes do efeito dos calmantes passarem, ele é convidado por alguém em nome de Luva Negra, para “a dança da morte do Batman”.

Vamos fazer uma pausa. Eu gostaria que você percebesse um padrão em alguns momentos dessa história: a presença do padrão de cores vermelho e preto.
Na verdade isso vem ocorrendo desde “Batman e Filho”: a coloração do céu no momento em que Coringa leva o tiro. O Batmóvel. Jezebel Jet, novo amor de Bruce Wayne: uma mulher negra com os cabelos vermelhos.
Em “A Luva Negra” esse padrão se repete inúmeras vezes durante a formulação da teoria para destruir Batman. Inúmeras roletas de jogos de azar aparecem, sempre vermelhas e pretas.
Por que existe essa sugestão?
Vamos retornar à história “O Palhaço à Meia Noite“, contida em Batman e Filho. Veja esse quadro:

Red and Black

Vamos também dar uma olhada nas páginas iniciais de “Crise Final”. Batman também percebe essa combinação que aparece várias vezes, e então vai até o Asilo Arkham investigar isso junto a Coringa. Leia essa sequência.
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De uma maneira simplificada, vermelho e preto significam a luta entre a vida e a morte, entre o “bem” e o “mal”, e essa sugestão de conceitos dá a Batman uma idéia do que ele vai enfrentar, o tempo todo.
Outro conceito com o qual você vai se deparar é a “Mão do Morto“, (“Dead Man’s Hand”). Essa é uma jogada de pôquer que consiste em um par de áses e um par de 8. Porém essa não é uma simples jogada, há uma lenda por trás dela; dê uma lida nesse trecho (Fonte)

“Em 2 de agosto de 1876, o jogador de pôquer profissional, pistoleiro, advogado e trambiqueiro Wild Bill Hickok foi até um saloon na cidade de Deadwood, Dakota, para faturar uns dólares em cima dos locais. Infelizmente, para ele, não achou uma cadeira vaga de costas para a parede e de frente para a porta, onde costumava sentar-se por precaução.
Interessado no jogo, ele se contentou com uma cadeira de costas para a porta. Má ideia.
Logo após receber um par de ás e um par de oito, todos pretos, um colega de profissão seu se aproximou por trás e o fuzilou na nuca. Como ele era uma espécie de celebridade no Velho Oeste, jornais publicaram várias matérias falando do sujeito e do jogo, com ênfase nas cartas na mão dele, que se tornariam sinal de mau presságio.”

Voltemos a “Descanse em Paz”. Na edição seguinte, “Batman no Submundo”, o Morcego está enfrentando um novo vilão mascarado de Gotham (mais um?) para saber o que todos nós nos perguntamos: Quem é o Luva Negra? Mas aparentemente aquele criminoso meia-boca não está envolvido com o Luva Negra. Gordon duvida de Batman, e dessa entidade/organização na qual ele anda insistindo tanto nos últimos tempos.
Enquanto isso, num prédio obscuro de Gotham, Dr. Hurt está combinando um novo plano contra Batman. Será um plano grandioso. Uma obra de arte, nada menos que “a completa e total ruína de um nobre espírito humano”. Questionado por um dos vilões se seria possível concluir uma tarefa que é tentada pelos inimigos de Batman há anos, Dr. Hurt responde: “Ninguém o conhece melhor que eu.” O método utilizado será a indução da frase Zur-En-Arrh, a frase gatilho implantada na mente de Batman anos atrás. Um botão, e Batman se autodestruirá.

Ao ver a capa das edições, perceba que Batman parece cada vez mais… “Afundar”. Assim como sua mente, louca e incerta. Ele está cada vez mais mentalmente instável, e você observará isso na bipolaridade das reações que tem ao conversar com Jezebel, por exemplo. Ela começa a discursar que talvez seja melhor ele superar o trauma da morte de seus pais e abandonar todo aquele “império” construído sob sangue, violência e tristeza. Esse quadro retrata como Batman se sente cada vez mais sufocado, engolfado por uma mente fragmentada, vulnerável. Todo o sofrimento parece chegar cada vez mais para cima dele, avolumar-se sobre suas costas.

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004É quando Jezebel sugere que A Luva Negra é… O próprio Bruce. E sua teoria faz sentido: quem conhece melhor que ninguém todas as fraquezas de Batman? Quem é o único humano páreo para um combate corpo-a-corpo com Bruce Wayne? Quem também adora mistérios, charadas, e tem tantos recursos bélicos e logísticos para declarar uma guerra contra Bruce Wayne, além dele mesmo? Mas ele não quer sucumbir. Ele não quer. Tanto que ele ignora uma série de documentos sobre esses casos – eles vivem sendo deixados em sua mesa por Alfred, esquecidos (!) por Bruce.

E essa edição termina com Batman tendo um colapso e sendo atacado pelo Clube de Vilões, assim como seu fiel mordomo Alfred.

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O próximo capítulo se chama “Zur-En-Arrh”. Certo, vamos parar um pouco nossa resenha para esclarecer um pouco sobre “Zur-en-Arrh”, recapitular seu surgimento e compreender seu significado.

005Já se sabia que Batman não estava em condições de aguentar o estresse mental a que é submetido todos os dias desde muito pequeno. Então, como você vai se lembrar da HQ “A Luva Negra“, o Dr. Hurt torna-se uma espécie de “especialista” em Batman, e ao estudar sua vida, entende que o que dá origem a Batman é o trauma, a violência que sofreu, as dores recorrentes do seu sofrimento, e de uma decisão de não tomar isso de maneira passiva. E então, em conjunto com o exército e o Departamento de Polícia de Gotham, Dr. Hurt conduz um experimento em que cria três “versões” de Batman para substituí-lo quando sua mente entrar em colapso definitivamente. Contudo, essa experiência não passa de um pretexto para que ele induza Batman a experimentos psíquicos e coloque nele a frase-gatilho “Zur-en-Arrh“. E o que diabos é uma frase-gatilho?
A frase Zur-En-Arrh é uma ferramenta que destrói a força de Batman, dispara nele um estado de fragilidade mental e consequentemente física – para que exponha sua fraqueza Como ele diz nessa HQ: “Os Meios extremos que o nosso garoto usou para se fortalecer são fortes indicadores da fraqueza que ele sente que precisa superar. Essa Fraqueza ainda está dentro dele”.
Agora você me pergunta porque dessa palavra, e não qualquer outra do dicionário de qualquer língua do mundo. Bom, eu vou te contar isso no final do texto.

Há uma história publicada na Batman #113 chamada “Batman – O Superman do Planeta X,” – você pode baixá-la clicando aqui. Batman, tendo inalado uma certa quantidade de gás tóxico liberado pelo Dr. Milo, fantasia com um sósia de outro planeta. O planeta se chama “Zur-En-Arrh”, e o Batman de lá é mais rápido, mais esperto, mais sagaz, mais capacitado, quase perfeito. Ou seja, era a perfeita materialização daquilo que ele mais desejava, a perfeição e plenitude.

Bom, agora que explicamos a origem dessa frase-gatilho, sabemos a armadilha a que Batman estava submetido e o quão perigoso seria o momento em que essa frase fosse disparada na cabeça de Wayne. E agora ele sucumbe à loucura de uma vez.
Bruce Wayne está perdido em Gotham City. Ele não faz a mínima ideia de quem seja, de onde veio, sua identidade secreta. Ele não perde todas as suas habilidades, como por exemplo a sua capacidade de defesa física, mas ainda assim não conhece mais sua identidade. Agora é a parte em que você me pergunta onde estão Alfred, Dick e Tim Drake. Entretanto, tudo havia sido muito bem planejado por Dr. Hurt: ele conseguira impedir todos aqueles que poderiam resgatar e salvar Batman. Alfred foi abatido agressivamente pelo Clube de Vilões. Dick Grayson foi fortemente drogado e provisoraiemente jogado no Arkham como se fosse um criminoso. O único que milagrosamente consegue fugir é Tim Drake, que se digna a dar uma olhada nos arquivos dos Casos/Arquivos Estranhos, que Batman vem ignorando por tanto tempo. Lá ele encontra referências a histórias das épocas mais antigas de Batman (um oferecimento de Grant Morrison). Descobre que o pai de Bruce, Thomas, já havia se vestido como um Homem Morcego numa festa.

006Vagando por Gotham City, Batman encontra Honor Jack, um misterioso homem que o entrega uma Bat-Rádio, um dispositivo que lembra as Mother Box descritas pelo Augusto no texto da Crise Final. Entretanto, uma revelação questiona o comprometimento mental de Wayne: ele descobre que Honor Jack havia morrido na noite anterior ao momento em que o encontrou.
Depois disso e de saber que precisa se localizar no mundo, o errante Bruce Wayne precisa começar sua experiência como ser humano do zero. É hora de renascer. Como o Batman de Zur-en-Arrh. O personagem de Bat-Mirim é um duende alienígena da 5ª dimensão, uma espécie de último elo entre o Batman de Zur-en-Arrh e a realidade.

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Enquanto isso… Dr. Hurt está planejando ser um novo Morcego. Eles deixaram Alfred muito ferido, e ainda estão utilizando a bat-caverna como base de operações.

”O Cavaleiro das Trevas está morto. Um brinde ao crime. E à Luva Negra. Gotham está indefesa. E nada nem ninguém pode nos impedir agora.”

“Descanse em Paz” contém, além da saga principal que se passa na série mensal de Batman, as séries dos outros personagens – que foram incluídas no encadernado também.

007O arco de Robin se chama “Peças Espalhadas”.
A primeira HQ da série mensal de Robin tem um nome bem sugestivo: Death in Family, Morte em Família. Tanto o nome quanto a arte da capa lembram o arco “Uma Morte em Família”, em que Jason Todd morre – mas nesse caso no sentido contrário; é Robin quem segura o corpo sem-vida de Wayne. Entretanto, não se trata de uma morte física, mas sim “espiritual”, como vamos acompanhar mais abaixo.
Robin está seguindo os passos espirituais de Batman nos últimos anos, analisando o caminho que seu pai percorreu até que se tornasse o justiceiro de Gotham. Ele tem acesso ao seu caderno de anotações. “O que está dentro desse caderno poderia destruir Gotham. Podia destruir a mim. Poderia fazer com que tudo o que o Batman fez se tornasse uma mentira.
008O caderno relata a rotina de Batman em Nanda Parbat, para o ritual Thogal que serviria para simular a morte e o renascimento, em 49 dias. Stephanie Brown, que estava na África por um ano e regressou como “Salteadora”, é informada por Robin que talvez Batman tenha… Ficado maluco. Sua resposta é: “Claro que ele é maluco! Todos nós somos. Quer dizer, olhe para nós! E ele é também o homem são mais insano do mundo!” Mas não se trata só disso. Robin aborda o tanque de isolamento do qual participou para entender Coringa – e que talvez isso tenha gerado nele uma espécie de controle mental pós-hipnótico. E com Luva Negra esse controle foi ativado. Se Tim conseguir localizar Batman, e constatar que de fato ele não está bem… Ele mesmo irá tirá-lo de circulação. A propósito, a arte dessa edição está simplesmente soberba.

Robin pagou a Pinguim (!) para que o vilão pudesse fornecer qualquer informação sobre o paradeiro de Batman. Ele também apela para Jason Bard, o detetive contratado por Batman no arco “Cara a Cara”. Sua preocupação com o estado mental do Morcego é evidente.

“Eu normalmente não gosto das respostas que obtenho quando o assunto é filosofia ou religião, então eu não fiz demasiadas perguntas. Mas Bruce voltou… Diferente. A sua experiência… Despertou algo diferente nele… E agora eu estou preocupado porque ele pode estar perto de quebrar. […] Quarenta e nove dias numa caverna… Ele deveria estar morto. Mas pelo contrário… Ele disse que tinha renascido. Mas a questão lógica que eu não fiz então e que procuro saber agora… Renascido no quê? As suas intenções eram boas, mas tantas coisas se meteram no caminho. A real razão para o ano fora era para nós voltarmos a nos ligar. Em vez disso, em alguns dias, Bruce se afastou ainda mais.”

Porém, ao ouvir a explicação do comportamento estranho de Stephanie, descobrimos que, de alguma forma… Batman sabia que isso poderia acontecer. Ele sabia que as coisas poderiam ficar confusas dessa forma. E que, posto isso, ele não queria ser ajudado. Em seu diálogo com a Salteadora:

“- Por que você ia querer que eu fizesse isso?
– Porque o Tim vai ter que continuar sem mim, Salteadora… E você vai ter que o ajudar.”

Falando no Morcego, onde ele está agora? Depois de ter assumido o papel de Batman de Zur-en-Arrh – que é a solução que já havia sido planejada por Batman de antemão quando imaginara que um dias as coisas sairiam do controle. Falarei mais sobre isso em instantes.

A edição seguinte da série principal de Descanse em Paz recebe o título de “Milagre no Beco do Crime”. É uma edição bastante interessante para aqueles que estão lendo sem orientação, porque Bat-mirim e Batman fazem uma revisão dos fatos até agora. Então vamos recapitular:

“Culpe Zur-en-Arrh – um local que você viu uma vez em uma alucinação de flashback, induzida pela arma de gás do professor Milo. Um ‘planeta’ com dois Batman, onde você era super forte, invulnerável e imortal com um ‘duplo’ tecnologicamente e mentalmente avançado chamado Tlano como companheiro. Chamando Dr. Freud. Tudo isso apareceu durante o trauma do experimento de isolamento espacial que você tomou parte para o exército, lembra? Que foi quando Dr. Hurt teve a idéia de usar ‘Zur-en-Arrh’ como uma frase gatilho hipnótica que daria a ele poder para desligar o Batman qualquer hora que ele quisesse. Mas não compensa subestimar o Batman, não é? Alguma coisa… Aconteceu muito tempo atrás. Chame de milagre no Beco do Crime […] Batman pensa em tudo. Batman se preparou até mesmo para um ataque psicológico com uma identidade de backup, lembra? Ele fez um eu secreto para salvá-lo. O Batman de Zur-en-Arrh.”

009É, não é à toa que ele é o maior Detetive do Mundo. O Morcego pensa em tudo. Conseguiu se planejar para um futuro breakdown psicológico de um diabólico vilão, e planejou o Batman de Zur-en-Arrh como sua defesa.
Robin decide recorrer ao Clube de Heróis. Gordon vai atrás de Bruce Wayne, e encontra a Mansão Wayne tomada… Por armadilhas mortais, elaboradas por Dr. Hurt. Ele está se mostrando um inimigo muito perigoso, doentio, que mantém Alfred em cárcere privado. (Ele chega até a supor que é Thomas Wayne, no que é duramente contrariado por Alfred. Essa é uma tentativa óbvia de apagar até mesmo as melhores lembranças que Batman tem em sua vida). 010Ele fica sabendo que Batman sobreviveu ao primeiro ataque, mas ele tem uma carta mortal na manga. E ele está preparando o golpe final contra o Morcego. E como ele vai fazer isso? Temos uma dica: o Dr. Jeremiah Arkham acaba de ser espancado a pauladas. Lembra-se do compromisso firmado com Coringa no começo do texto? O plano final de Dr. Hurt: colocar o que sobrou de Batman e o fiel escudeiro Robin contra seu pior inimigo, seu nêmesis, o Coringa. A Dança Macabra. Eles conseguirão destruir Batman para sempre?
Enquanto isso, o Batman de Zur-en-Arrh está interrogando Calígula, uma espécie de caricatura malfeita do Coringa. É interessante notar como trata-se de um Batman menos consequente, menos responsável, mais impulsivo e violento, imoral – uma faceta distorcida do Morcego, sempre tão justo e equilibrado. Depois do “interrogatório”, Batman sai com os louros que enfeitavam a cabeça de Calígula no seu cinto de utilidades. Ele havia matado o vilão?

011A trama de Asa Noturna durante Batman RIP está coletada no arco chamado “O Grande Salto”. Ele está cooperando com Harvey Dent (!) para proteger uma mulher chamada Carol, que está correndo risco de vida. É, as coisas estão realmente ficando estranhas nesse arco.

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Durante um salvamento, Richard é gravemente ferido, e só é salvo por uma cirurgia de Alfred. (Então, como podemos perceber, o arco de Asa Noturna se passa antes da Mansão Wayne ser tomada pelo Dr. Hurt e pelo Clube de Vilões – você precisa ir percebendo como as histórias vão se ajustando, é um exercício de percepção que vai lhe ser útil ao ler qualquer hQ). Aliás, Alfred se mostra realmente hábil durante o procedimento cirúrgico de retirada da bala alojada no ombro de Dick – Alfred é um personagem complexo, muitas vezes subestimado por algum leitor mais desavisado.

É quando percebe que o forte em que havia deixado sua protegida… Foi tomado por todos os vilões do Arkham. E uma frase é dita por um dos vilões: “Asa Noturna. Descanse em paz. Gosto do som dessa frase.”

014O arco de RIP de “Os Renegados” chama-se “Renegados nunca mais”. Antes, uma pequena explicação sobre esse grupo da DC.
De maneira geral, os Renegados são um grupo de heróis da DC que não se ajustaram adequadamente a grupos mais sérios como a Liga da Justiça. Liderador por Batman, eles não precisam de aprovação pública para suas ações.
Nesse caso, o grupo é composto por Batgirl, Arqueiro Verde, Metamorfo, Grace, Geoforça, Katana, Tormenta e Raio Negro.
Todos esses heróis estão em conflito interno pela ausência de Batman – afinal, o grupo de chamava “Batman e os Renegados”… Quando o nome principal do grupo some assim, qual é o futuro do grupo? Não é a primeira vez que Bruce some, mas nunca havia sido… Assim. Nunca desse jeito, deixando tantos escombros para trás. Dessa vez… Batman não vai voltar.
No Arkham os vilões estão em polvorosa com a notícia do sumiço de Batman. Gordon também está se sentindo péssimo. Ele também sabe que eventualmente Batman some, mas dessa vez o deixou sem aviso.
A fala de Tormenta explicita a relação que muitos heróis tem com Batman: “Bem… Ele é o Batman. E por mais que eu odeie admitir, mesmo que ele seja um babaca colossal às vezes… Eu sei que o mundo precisa dele.
E então, através das artimanhas sórdidas de Luva Negra, o grupo começa a se desintegrar – um dos Renegados morre, outro entra em coma… Tudo que está próximo a Batman está começando a desmoronar, se fragmentar… Alguém precisa juntá-los novamente, e fortalecer a resistência. E essa pessoa é… Cassandra Cain, a Batgirl.

016Voltemos à saga principal. Estamos chegando ao momento derradeiro da nossa obra… O momento em que você perderá o fôlego lendo (por favor, não deixe de ler a HQ, mesmo com a minha resenha!) – Para entender melhor essa história, eu pediria que você lesse novamente a história “O Palhaço À Meia-Noite”, contida na HQ “Batman e Filho
O penúltimo capítulo de RIP se chama “O Magro Duque Branco da Morte” (The Thin White Duke of Death, que na tradução da Panini recebeu o nome de “O Pequeno Duque Branco da Morte”, o que não fez muito sentido para mim). Esse título é também uma referência de Morrison aos anos 70: “The Thin White Duke” foi uma persona que o cantor David Bowie assumiu em 1976. Vamos ler mais sobre essa persona na Wikipédia:

David Bowie

David Bowie como Thin Duke

“À primeira vista, o “Duke” parecia mais “normal” do que as anteriores encarnações de Bowie, pois usava um vestuário estilizado de cabaret, mas as quantidades massivas de cocaína que a estrela de rock consumia durante aquele período tornaram a sua personalidade, ou pelo menos a personalidade que ele exibiu durante entrevistas, mais perturbante do que alguma vez havia sido. Nesta altura disse que vivia de “malaguetas, cocaína e leite”. Impecavelmente vestido com uma camisa branca, calças pretas e colete, o “Duke” era um homem vazio que cantava canções de amor com uma intensidade desesperada, enquanto nada sentia, “gelo mascarado de fogo”.A personagem tem sido descrita como “um aristocrata demente”, “um zombie amoral” e “um super-homem ariano sem emoção”. Para o próprio Bowie, o “Duke” era “de fato uma personagem desagradável” , e mais tarde, “um monstro, para mim”.

Esse personagem lembra o Dr. Hurt, que sempre se veste elegantemente durante duas aparições em “Descanse em Paz” – a despeito da sua total falta de qualquer senso moral, comi fica evidente nesse arco. Ele é DOENTE.
Aqui, vamos ver o que acontece no auge dessa “peça” que vem sendo encenada. É o teste final do Batman de Zur-en-Arrh.
É ótimo para quem está com dificuldades de acompanhar até agora, pois temos explicações sobre alguns pontos que ficaram indefinidos. Dr. Hurt tem um acordo com o Coringa: ele traria Batman e Robin para uma luta mortal contra Coringa, aos moldes de um combate entre gladiadores romanos, para ser exibido em um telão para alguns dos homens mais ricos e cruéis do mundo. Em troca, ele precisaria apenas seguir suas ordens (o que, claro, não acontece. Lembre-se disso: o Coringa não é confiável. Nunca foi e nunca será). O encontro acontecerá no subsolo do Asilo Arkham – perceba o significado disso: num ambiente de LOUCURA, essa luta se passará no nível mais BAIXO. Batman chegou ao subsolo da sua própria loucura.

015Batman se dirige a esse encontro, mas quando chega na porta é alertado por Bat-mirim, sua “voz da consciência”, sua ligação com o mundo da sanidade: “Eu sou o último eco da voz da razão, desaparecendo. E a razão não vai servir ao passar por essa porta. Você vai ter que encarar isso sozinho.
Quando Batman chega, os ricos e cruéis capitalistas ficam nervosos com Dr. Hurt: aquele não era Batman. O Batman vestia preto, e não aquela roupa colorida e nonsense. Mas logo percebem que era realmente o Cavaleiro das Trevas. Dr. Hurt diz:

“Vocês estão olhando para o que sobrou de Batman. Levou anos, mas meus cenários cuidadosamente preparados e sugestão pós-hipnótica dividiram sua já frágil personalidade. Eu tenho a chave da mente do Batman.”

Enquanto isso, Gordon está tentando atravessar a Mansão Wayne sem ser atingido por nenhuma das armadilhas implantadas pelo Clube do Vilões – e não são armadilhas como aquelas de filmes antigos não, são armadilhas mortais, envolvendo armas de fogo e lanças que perfuram o crânio – quando recebe o reforço de algumas pessoas que amam o Morcego. Talia e Damian, junto com a Liga dos Assassinos, vão ajudar a localizar o paradeiro de Bruce Wayne.
E a luta entre Batman e Coringa, ambos no limite de suas próprias psicopatias… É algo inexplicável, profundo. Não há espaço para piadas, para risos agora. Coringa despreza o fato de Batman ter se “enfiado” naquela experiência com o objetivo de entendê-lo. Não é assim que as coisas funcionam, segundo o Palhaço: “Você realmente acredita que todo o que precisaria seria de alguns dias de isolamento induzido por drogas e um colapsozinho nervoso barato e você teria me entendido?

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017Mas Batman tem um motivo para não destroçar Coringa: Jezebel Jet, sua amada, está presa em uma cadeira, com uma camiseta de força, sob a ação de pétalas de rosa vermelhas e pretas – que ao se tocarem liberarão uma toxina mortal. Agora, você que leu meus textos anteriores… Você se lembra de uma coisa que eu disse sobre Jezebel Jet nesse texto e nos anteriores? Quem é essa mulher? Você conseguiu desvendar esse mistério?

018Asa Noturna. Ao entrar em contato com os vilões liberados do Asilo Arkham, ele inala uma grande quantidade de gás do Espantalho. E começa a enxergar tudo como um mar de sangue e tripas, em que todos os vilões estão ocupados em fazê-lo ficar louco, em machucá-lo e fazer sangrar. É uma tentativa de breakdown psicológico em Asa Noturna também, afinal ele é quase tão bom e hábil quanto Batman. Eles buscam atingir suas fraquezas, suas dores e remorsos, e estilhaçar sua mente – tal como fizeram com Batman. Coringa faz alusão ao episódio da morte de Jason Todd:

JokertalkingaboutJason

019Então, numa reviravolta incrível, descobrimos verdadeiramente porque Duas-Caras solicitou a proteção de Asa Noturna para Carol Bermingham. De quem ele realmente queria protegê-la. E agora Asa Noturna precisará se preparar para enfrentar uma vingança de alguém que quer exterminar a cidade. E ele não irá tolerar isso. Os diálogos desse arco são muito bons, bem como a arte.

020Com Batman desaparecido e os Renegados afastados, quem vai proteger Gotham dos vilões do Asilo Arkham soltos? “Batman agora se foi. E o caos reina na sua ausência. […]” Cassandra Cain está tendo problemas em montar uma rede de proteção a Gotham. “Como se pode substituir um homem insubstituível?” Ela faz uma análise e chega a alguns nomes significativos – Canário Negro, Oráculo, Zatanna, Robin, Arqueiro Verde – que somando as forças poderiam significar o fim do caos de Gotham. Alfred sugere que ela considere Dick também nesse grupo, mas eles tem suas desavenças. Por favor, lembre-se disso.

Bom, estamos chegando ao fim do nosso texto.

Chegamos ao momento crucial desse arco. Se você acompanhou até aqui (muito obrigada!), já entendeu alguns pontos principais: a Luva Negra é um grupo comandado pelo Dr. Hurt e o seu Clube de Vilões, um grupo com forte inspiração no Coringa. E agora descobrimos que uma pessoa que era aliada de Batman também faz parte desse grupo.

Uma frase é citada na terceira página desse volume, e faz parte do texto chinês “Livro das Transformações” (ou I Ching/ Yì Jīng no original):

“O homem superior pensa no mal vindouro e se prepara contra ele.”

022Batman está amarrado numa camisa-de-força, dentro de um caixão fechado. Enterrado vivo pelo Dr. Hurt e pela organização Luva Negra. Eles venceram. Um detalhe de sua lápide é especialmente sinistro: uma cruz com um Morcego. Ele começa a relembrar os momentos do seu treinamento Thogal. Em suas buscas internas, em sua jornada de auto-conhecimento, ele relata ter sentido que há uma espécie de cicatriz em sua consciência, escondido, algo que fora implantado… E o artifício que ele cria, como dito acima no texto: a sua personalidade de emergência, o Batman de Zur-En-Arrh. Mas de que adianta isso, agora que ele está enterrado debaixo de quilos de terra, fechado em um caixão, com uma camisa de força?
021Você se lembra de quando eu disse que o Coringa não é confiável? Havia alguma coisa errada em ele simplesmente se sujeitar a trabalhar PARA Luva Negra, como um mero lacaio.
Dr. Hurt afirma ser Thomas Wayne, o pai de Bruce Wayne. E também se descreve:

“Eu sou o buraco nas coisas, Bruce, o inimigo, o pedaço que nunca se encaixa, lá desde o início.”

Encontrei duas referências signifcativas a “buraco” na Bíblia, com o significado de um poço, cova, algo ruim e perigoso “Cavou um buraco e o fez fundo, e caiu na cova que fez.” (Salmos, 7:15) e “Deixem-nos; eles são guias cegos. Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão num buraco“. (Mateus, 15:14) E para os cristãos, “Inimigo” é um dos nomes pelos quais o Demônio é chamado, como podemos ver claramente nesse trecho da Bíblia: “Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar.” (I Pedro, 5:8)

Além disso, Dr. Hurt faz um convite a Batman: a possibilidade de um trato, de que ele se torne parte da Luva Negra, em troca da liberdade e salvação. O Demônio também tenta fazer trato com as pessoas, não é?

Robin está tentando conter o caos em Gotham City com a ajuda do Clube de Heróis e os Batmen de Todas as Nações. Tudo está chegando ao fim.
É o fim de Batman. A não ser que… Que haja alguma esperança. A não ser que milagrosamente algum dispositivo desse aos poucos amigos de Batman a localização de seu corpo. Mas isso… É apenas uma possibilidade. Batman já passou por tudo. Batman pensa em tudo. Mas talvez dessa vez não tenha sido assim. Afinal, Dr. Hurt e a Luva Negra picharam as paredes de Gotham com a frase-gatilho, dividiram a mente de Bruce, o drogaram, o deixaram sem rumo, o enterraram e envenenaram. Conseguirá Batman se salvar dessa vez?

Vamos repassar agora a história do termo “Zur-en-Arrh”. [Alerta de spoiler! Se deseja ler, selecione o texto a seguir]. A história é narrada no epílogo de Batman RIP. Começa na noite em que os pais de Bruce foram mortos. Batman está saindo do cinema com seus pais, passando pelo Beco do Crime e comentando sobre o filme que haviam assistindo, Zorro. Batman, todo feliz, brinca que quer ser um justiceiro assim como Zorro. Seu pai comenta com ele que um justiceiro a cavalo não seria bem recebido em Gotham, e provavelmente a cidade jogaria uma pessoa assim no asilo Arkham: “Zorro in Arkham“. Entretanto, o garoto não ouve a expressão direito, escuta algo parecido, algo como ‘zur en arrh‘ – mas seu pai não tem a chance de repetir, pois segundos depois ele e Martha Wayne são mortos.
“Zur en Arrh” é, então, a última expressão que Batman ouve enquanto sua vida ainda é feliz, é sua última lembrança alegre nessa vida. Complicado, mas faz sentido.
[Fim do spoiler]

Batman RIP é a experiência mais intensa da cronologia de Batman até agora. Se você ler com a devida atenção, vai se sentir absorvido – assim como eu me senti lendo da primeira vez, e assim como eu me senti nesses dias escrevendo sobre esse texto (o que é mais difícil, entrar na mente de Bruce Wayne ou entrar na mente de Grant Morrison entrando na mente de Bruce Wayne? Fiquem felizes por eu também não ter ficado louca escrevendo isso :P).
Descanse em Paz” é uma experiência única. A mais cruel caçada já feita ao Morcego, uma batalha massiva usando recursos nunca antes explorados, o maior breakdown pelo qual Bruce Wayne já passou. Mas não é uma história em que ele simplesmente apanha ou leva tiros. Batman sempre teve uma vida conturbada. Mas agora… É uma completa detonação psicológica, uma destruição engendrada, com um alcance absurdo.
É uma batalha na mente de Batman. É a descida vertiginosa de Batman, sua loucura e sua… Morte. A jornada psicológica mais densa que o Morcego jamais experimentou.
Destaque para a aparição mais assustadora do Coringa nos últimos anos. Se você não conseguia temer aquele homem de terno roxo que ria a toa… Aqui você vai ter medo. Ele está realista e sombrio. Estamos longe de conhecer completamente a mente de Coringa… E quando isso acontecer – se um dia acontecer – nós estaremos condenados ao inferno depois das visões que tivermos. Inclusive nesse texto ele usa o termo “apofenia”. Segundo o Dicionário Cético, “ Apofenia é a percepção espontânea de conexões (padrões) e significância de fenômenos que não possuem relação entre si”, e a Wikipédia pode ser “Inicialmente descrita como sintoma de psicose”. A própria utilização do vermelho/preto é uma sugestão de apofenia.

Se você leu o brilhante texto do Augusto sobre “Crise Final’, vai me perguntar: ué, o Batman não tinha morrido? Pois então. Mesmo para quem coleciona, isso não ficou claro. “Crise Final” e “Batman RIP” estavam sendo lançados ao mesmo tempo, em 2008 e 2009 (e tudo que envolve o Morrison tem esse costume de te deixar com a sensação de “O que foi que eu acabei de ler?”). Vamos tentar prosseguir focando na cronologia do BATMAN e ver se as coisas ficam mais claras daqui em diante.

Lendo esse arco pude perceber que realmente Morrison teve ótimas sacadas ao escrever Batman: RIP, o plano de fundo que ele criou para justificar seu roteiro foi grandioso e complexo. A maneira como ele foi construindo o mistério ao redor da Luva Negra nos deixava ansioso por finalmente descobrir quem era essa(s) pessoa(s). E o gatilho mental de Batman, que história complicada e complexa… De fato é uma justificativa interessante. Realmente, Morrison conseguiu impressionar os seus leitores, cativá-los. Ela está no nível de outros clássicos como Piada Mortal, Asilo Arkham, Silêncio, O Longo Dia das Bruxas. O mar de referências que ele utiliza, os mistérios que esconde, as pistas, seja da própria cronologia do Batman, seja de elementos externos, enriquece a história.

Espero que com esse texto eu tenha conseguido esclarecer alguns pontos para vocês, como tenho buscado fazer durante essa viagem pelo Batman de Morrison. Talvez eu não tenha conseguido captar todas as referências, mas eu realmente me esforcei para isso (levei 6 dias escrevendo esse texto). O que eu tenho para pedir é que agora que você eu esse texto, que você leia essa história – vale muito a pena. Modéstia a parte, meus textos vão te ajudar a entender melhor. E o fim dessa história ainda vai render muito assunto.

A checklist é baseada na ordem de leitura do fórum Darkseid Club. Apenas um adendo: se você ler resenhas em alguns lugares que as edições série Detective Comics estava inclusa nesse encadernado, mas ela simplesmente não faz sentido aqui, nela Batman está completamente vivo e estável – então por isso nós a publicamos antes, e você pode lê-la em “Coração do Silêncio”. 

CAPA

Download no MEGA – Descanse em Paz

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  1. Ótimo texto. Mesmo já tendo lido a HQ, parei para ler tudo do início ao fim, e posso dizer que os textos estão ficando cada vez melhores. O roteiro dessa HQ é ímpar; tão bem concatenado quanto histórias do Sherlock Holmes, quando só nas últimas páginas se descobre o significado de detalhes (quase) insignificantes já conhecidos desde o início. Valeu mesmo! Abraço.

    • No início do texto você fala “Um segundo detalhe que ficou um tanto quanto escondido na tradução de “RIP” para “Descanse em Paz”. Como você deve saber, a sigla “RIP” é o acrônimo de “Rest in Peace”, que é literalmente “Descanse em Paz”. Então qual é o problema? É que depois de muitos eventos, foi revelado que a sigla “RIP” não significava exatamente isso, e sim outra expressão em inglês. Revelarei isso para vocês posteriormente.” O que significa afinal?

  2. Só tenho q agradecer por me apresentar essa historia fantástica, rica tanto em arte ou em escrita. Muito obrigado!
    Depois de ler essa historia meu único medo é nunca e jamais entender a mente de Bruce Wayne por completo…

  3. Excelente texto…
    Realmente, entender “Batman RIP” e muito complicado…rsrs
    A psicologia do cavaleiro das trevas e muito complexa…Alguns ate questionam a sanidade do mesmo (Li uma vez que ele sofre de transtorno pos traumatico).
    Apesar de acompanhar hqs a mais de 15 anos, reconheço humildemente que nao conseguiria fazer um texto sobre esta complexa saga tao bem explicado; e tenho que registrar que embora ja tenha lido essa saga, algumas informaçoes foram pra mim novidade. Destaco aqui (ate por ser o meu heroi preferido na DC comics) o destaque (merecido) dado ao Asa Noturna em parte desse texto, concordo que ele seja tao capaz quanto o Batman.
    Recomendo aos amigos do Batman guide (ja que o texto faz uma brilhante viagem na psicologia do Batman) a assistirem o documentario “Batman desmascarado – A psicologia do cavaleiro das trevas”, exibido pelo history channel. Estarei postando abaixo o link do documentario dividido em 5 partes e legendado em portugues.

    Desculpe o texto extenso e parabens pelo blog (aguardando o post sobre o Dick Grayson/Asa Noturna…rs)

    Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=Moqgizz4Cww&feature=youtube_gdata_player

    Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=PGL8NUw20mE&feature=youtube_gdata_player

    Parte 3: https://www.youtube.com/watch?v=c3YVfl4JLm8&feature=youtube_gdata_player

    Parte 4: https://www.youtube.com/watch?v=LTEjes0PyMI&feature=youtube_gdata_player

    Parte 5: https://www.youtube.com/watch?v=LTEjes0PyMI&feature=youtube_gdata_player

  4. O texto está ótimo, Parabéns!
    Sempre quis ler mais sobre Batman, mas sempre achei bem confuso e não sabia por onde começar. Acompanho seu blog há um bom tempo e já li quase tudo que foi aqui postado. Espero que você continue com ele por muito tempo e que, ao “terminar”, porque não um Supermanguide? haha!

  5. Jéssica, muito bom o texto e o seu blog é um dos melhores (se não sor o melhor) blogs de Batman do Brasil. E eu queria lhe perguntar, você já fez ou pretende fazer uma postagem de Um longo dia das bruxas, porque eu sempre tive interesse em comprar mas queria saber qual a história ou se vale a pena. 🙂

  6. Pingback: #77 – Batman: Últimos Sacramentos | Batman Guide

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  8. Pingback: Comentários sobre a polêmica envolvendo Grant Morrison e o final de “A Piada Mortal” | Batman Guide

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  12. Pingback: #88 – O Retorno de Bruce Wayne | Batman Guide

  13. Excelente post… pessoalmente não goste de RIP. Mas respeito quem gosta.

    Deixa ver se eu entendi:

    Zur-En-Arrh era a apalavra chave que a Luva Negra usou pra atiavar o gatilho hipnótico no Batman. Ok

    Mas Zur-En-Arrh também é uma personalidade backup do Batman…

    Por que tanto A Luva Negra e o Batman escolherem o mesmo nome?

    • Renver,
      Na verdade, o que aconteceu foi o seguinte: durante as sessões de experimentos psíquicos a que Batman foi submetido pelo Doutor Hurt, ele inseriu a frase-gatilho Zur-en-Arrh na mente de Batman. Quando Batman fosse exposto a essa frase, ele perderia todos os freios morais e sucumbiria, ficaria louco. É a “fraqueza” dentro do Morcego.

      Quando Batman tem um colapso, é atacado pelo Clube de Vilões e fica perdido em Gotham City, Batman assume uma nova personalidade, que é o Batman depois do evento de Zur-en-Arrh, ou seja… Batman de Zur-en-Arrh! Entendeu? O sufixo ‘de Zur-en-Arrh’ denota a condição do Morcego naquele momento.

  14. Pingback: #89 – O Tempo e o Batman | Batman Guide

  15. Pingback: #90 – “Descanse em Paz”: O Capítulo Perdido | Batman Guide

  16. Pingback: Feliz 2014! | Batman Guide

  17. Que hq fantástica, acabei de ler agora e gostei mt. Foi o primeiro especial do Batman q comprei(no final de agosto), mas ñ li até hoje, pois preferi seguir a cronologia do blog. E fiquei um pouco preocupado pois em um debate c/ o Augusto ele disse q odiava o Morrison e achava RIP uma porcaria, mas vi q vc falava bem na resenha. Aí fiquei c/ essa dúvida na kbça até hoje.

    E esses fatos antigos q o Morrison usou de pano de fundo são os q estão em Arquivos de Casos Inexplicáveis, certo?

    • Vou dar um parecer digno do Pelé: A Jéssica é a Jéssica, o Augusto é o Augusto, entende?

      Nós dividimos as sagas do Batman entre nós há muito tempo atrás, eu fiz questão de deixar as do Morrison pra ela pois eu sabia que além de eu não ter paciência pros lances dele, meus textos e comentários seriam muito movidos pela minha indiferença, então ela que é mais neutra do que eu nesse aspecto fez os textos incrivelmente bem como eu esperava.

      Não é muito comum termos opiniões diferentes quanto a qualidade de histórias, mas também não é raridade diferirmos em alguns pontos. Equilibrado.

  18. adorei a HQ, realmente é umas das melhores historias do Batman que eu já li.

    ps: nada supera a fala do coringa ¨aposto o dobro ou nada como o Batman se levanta daquela cova rasa e caça vocês como os cães que são¨.

    ps: NUNCA mexa com o Batman,porque Thalia te pega XD.

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