#81 – Red Robin: O Graal (“Batman: Renascido” – 2ª Parte)

Reborn

“Ele está vivo. Bruce está vivo… Ele está por aí em algum lugar. Eu sei que ele está. Eu sei que estou certo. Bruce Wayne… Batman… Está vivo. Eles acham que eu estou de luto. Que eu estou em negação. Que eu enlouqueci. Mas ele é tudo que eu tenho. E ele tem que estar vivo.”

Alô alô terezinhas (e pessoas de outros nomes) de todo mundo. Estamos fazendo review de uma época boa e cheia de novidades no universo Morcego. Gotham perdeu seu vigilante e muitas coisas mudaram contra a vontade das pessoas.
Uma dessas mudanças foi Damian Wayne ter assumido o cargo de Robin antes ocupado por Tim Drake. Na ideia do Dick Grayson (agora Batman e bilionário), Tim não era um aprendiz/discípulo/ajudante, mas sim um semelhante.
Devido ao Damian ser o caçula solitário sob responsabilidade do Dick, ele encaixava mais como Robin. Fora que esse garoto precisava de mais foco e cuidados intensivos devido ao seu passado turbulento na Liga dos Assassinos de sua mãe e de seu avô (Talia e Ra’s Al Ghul). Teimoso, genioso, muito esnobe, metido, prepotente, competitivo… Dick precisava dele ali bem na frente de seus olhos, nada melhor do que fazê-lo Robin e ir ensinando as coisas já na linha de fogo.
Bonito da parte do Grayson? Com certeza, uma das atitudes mais nobres já tomadas em uma história do Batman. Mas não tão bonito pro Tim Drake que ficou largado num canto. Não que ele tenha sido “demitido”, mas como ele usaria o R no peito quando o próprio Batman escolheu outro pra ser Robin? A questão não era só orgulho, mas também por Tim acreditar que Bruce ainda estava vivo, perdido em algum lugar precisando de ajuda pra voltar.
Tudo serviu de combustível para essa verdadeira evolução. De sidekick a herói solo, o nascimento de Red Robin. Essa saga mostrará uma série de viagens, ações padrão de vigilante salvando pessoas e parando criminosos aleatoriamente em Madri, Paris e outros cantos, flashbacks contanto toda trajetória de Tim até sua partida de Gotham, e até uma Aliança com Ra’s Al Ghul.
Apresentaremos a vocês um review do primeiro arco de Red Robin, que se chama “O Graal”.

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001Antes de mais nada vamos deixar algumas coisas esclarecidas. “Red Robin” é um título que, assim como “Robin”, já foi usado por mais de uma pessoa, inclusive em histórias fora da cronologia. Se formos contar com todos os usos, essa é a terceira vez que há um Red Robin nas páginas de uma HQ. A primeira foi na história “Kingdom Come”, que em nada tem a ver com a cronologia principal de Batman ou de qualquer outro título da DC.
Nessa história, o “Red Robin” substitui o Batman na Liga da Justiça, e a pessoa embaixo da máscara é Dick Grayson, que nessa versão é casado com a Starfire e tem uma filha chamada Nightstar. NIGHTwing e STARfire. Sacaram? É.
A outra aparição de Red Robin… Foi de Jason Todd. Pois é, pela primeira vez o Jason Todd não chegou por último na fila dos copiões. E enfim temos esse Red Robin, que é o Tim Drake.
002Isto posto… Temos que admitir que ele se mostrou praticamente um Batman no “Ano Um”. Sozinho, montando os próprios equipamentos, sozinho pra tudo, longe de casa, sem ajuda de policia nem nada… Tim Drake deu um salto de independência, uma evolução e tanto de personagem. Esse foi um dos pontos positivos que a drástica mudança que ocorreu em Gotham trouxe. Um excelente novo herói para o mundo.
A equipe de produção dessa obra consiste em Ramon Bachs nos rabiscos e Chris Yost nas letras. Um bom roteirista e um bom desenhista. Cenários bastante detalhados, pouquíssimos quadros sem fundo e boa noção de distâncias e arquitetura. Não é o tipo de arte realista como a do Alex Ross ou Bermejo, mas também não é a proposta neste caso, óbvio.
003A história começa com uma narrativa do Tim Drake, falando sobre um sequestro que estava em todos os noticiários desde que ele chegou em Madrid, há 4 horas. Ele precisava extravazar a raiva de tudo que andou acontecendo, e também esticar as pernas após a viagem. Como? Quebrando ossos de pelo menos 5 homens em sequência na empreitada de acabar com o tal sequestro cujo a policia não estava dando passos certos.
É, o cara desembarcou em um país, viu algo no noticiário e em menos de 4 horas estava fantasiado na rua batendo nos outros atrás da razão das noticias. Até decidir fazer a janta, eu em minha calma levo quase 1 hora, às vezes 2 horas. Realmente o Tim Drake recebeu treinamento do morcego velho Wayne.
006Esse é o “Ano Um” de Tim Drake. Ação solitária, pondo em prática tudo que aprendeu, analisando ao máximo para cometer o menor número de erros possível, ou como prefere o Batman, erro algum. Saindo dali, não tem Alfred pra dar pontos, não tem mansão ou caverna pra retornar… Não há nada, é Tim Drake e Madrid. Durante a tomada de território Tim dá de cara com um pirocinético estilo Maxwell Kai, mas nem se compara, pois esse de Madrid usa combustível nas mãos, Tim agarra um soco flamejante, dá uma bela cabeçada no nariz do oponente e salva a refém de sequestro.
007Depois disso Tim nem ao menos descansa direito e viaja por mais 4 cidades, dando uma parada em Toledo, ainda na Espanha. Momento para o primeiro flashback, a briga que culminou em tudo na caverna. Tim argumentando com Dick sobre o rumo que as coisas tomaram, Dick dizendo que tinha de ficar de olho em Damian para ele não acabar matando novamente, fora tudo que eu já disse um pouco antes, porém na história está com mais detalhes, e vendo os quadros você pode ter noção melhor dos sentimentos envolvidos.
De Toledo para Checoslováquia, onde um assassino da liga aguardou 9 horas pra dar um bote bem sucedido eliminando quem tinha que eliminar, e depois foi morto por alguma pecinha bem esquisita com 4 olhos, e não, não era alguém usando óculos. Eram 4 olhos brilhantes no escuro. Nós que somos os renegados da bioluminescência temos que nos virar como dá, né. Mas o cidadão que assassinou o assassino (7 anos de perdão, igual pra ladrão que rouba ladrão?) brilha pelos olhos.
004Enfim, Paris, a cidade das luzes. Ah, mon petit… É a mesma bosta de sempre, o crime está em toda parte, só muda o sotaque da vagabundagem. Por essas e outras o Batman ficava nervoso. Tim está pilotando uma moto, e em uma sequência incrível de ação ele dá um mortal de costas para cair no capô do carro que o persegue, usa uma lancha secreta de seu bastão e perfura o motor do veículo, enquanto conta a nós leitores a razão de ter escolhido aquele uniforme. Ele não sabia se teria de cruzar a linha (matar), e aquele uniforme já estava manchado mesmo (referência a Jason Todd, provavelmente).
De volta ao esconderijo, Tim é observado pela mira telescópica de um rifle, apontado por um grupo de assassinos enviados por Ra’s Al Ghul… Qual será a ideia do velho Ra’s? O assassino dispara, vai tudo pelos ares, mas Tim conseguiu fugir graças ao reflexo que a mira deu.
00xEle vai ao terraço dos assassinos e começa a luta, se qualquer um desses assassinos estivesse sozinho o resultado era fácil de deduzir, mas estavam em maior número e com armas de fogo. Tim se vira nos 30 e pouco a pouco foi descobrindo os nomes e ao mesmo tempo bolando um pra si. “Asa Vermelha? Robin Vermelho?”, novamente citando que aquela roupa o permite ir aonde um Robin não poderia ir, e também o quanto precisa trabalhar a VOZ.
Sim, segundo Tim Drake, no caso do Batman a voz era metade da batalha. Tim queria fazer uma voz mais dura, coisa que o Batman fazia naturalmente, o esforço do morcego era fazer a voz do Bruce, que era mais “leve”.
Independente de ter quebrado o nariz de um e surrado os demais, os assassinos conseguem fugir graças a um flashbang.
De um flashback pra outro, Tim está de volta a uma central de comando que fez ao sentir que Batman estava enlouquecendo (talvez durante a saga “Luva Negra”). Steph aparece na surdina e acaba levando um chute muito bem dado na barriga. Após pouca conversa já se descobre que Dick a enviou para conversar com Tim, mas não adianta e ele se manda então para sua jornada.
De volta ao tempo atual, de Paris o Robin Vermelho vai para Berlim, passando pela bela Marie no avião, finalmente algo de bom no horizonte do rapazote. Já em Berlim, Tim diz que Ra’s Al Ghul acredita nele, Ra’s também prefere acreditar que Bruce está vivo. O que não é de se estranhar mediante a admiração que o milenar Cabeça-do-Demônio tem pelo Homem-Morcego.

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#80 – Batwoman: Elegia (“Batman: Renascido” – 1ª Parte)

Reborn

“O morcego que eles iluminam no céu… Civis pensam que é um pedido de ajuda. Os caras maus pensam que aquilo é um aviso. Mas é mais do que isso, é algo maior. É um chamado pro exército. Eu encontrei meu jeito de servir. Eu finalmente encontrei meu jeito de servir.”

Nana nana nana nana Bat… woman? Olá, pessoas que gostariam de ser cidadãos de Gotham (ou não). Esse aqui não é sobre o Batman ou algum de seus bat-filhotes. Esse post é sobre a saga “Elegy” da Batwoman, que foi publicada na Detective Comics americana ANTES do reboot.
Muita gente acha que a Batwoman apareceu só após o reboot, mas antes disso ela deu seus pitacos no universo morcego ajudando o Dick e Damian (na época como Batman e Robin) a tentar ressuscitar o “finado” Bruce, e como eu disse, também tinha o lançamento dentro da Detective Comics.
Quem prestar atenção em que revistas estou citando, histórias e época, claro que perceberá que estou falando da NOVA Batwoman. A primeira Batwoman foi da época do onça, usava um maiozão amarelo e uma máscara que fazia lembrar a do Wolverine. O nome era praticamente o mesmo, a temática que era diferente. Até porque, se tivessemos uma Batwoman lésbica naquela época a DC teria ido a falência, isso se nao fosse fechada pela censura.
Bom, vamos a Batwoman que importa, Katherine “Kate” Kane.

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001Essa história conta com roteiro do Greg Rucka, nome que já é familiar como componente de diversos arcos importantíssimos das demais histórias do Batman, como por exemplo “Terra de Ninguém” e “Assassino? / Fugitivo”.
Na arte temos J. H. Williams III. Não conheci os dois antecessores, mas em todo caso esse ai já é suficiente. E isso deve ser opinião de mais gente, pois até hoje o homem é o desenhista da série. Isso não é tão “simples” quanto parece. Se for comparar com os demais títulos da DC, vão ver que aproximadamente a cada 1 ano (isso se tivermos sorte de durar tanto) mudam a equipe das histórias, e geralmente é sempre o desenhista.
Por exemplo o Tony Daniel. Desenhava a série mensal do Batman, passou pra Detective Comics após o reboot, e após alguns números saiu dos títulos do morcego e está na Action Comics do Superman. A série “The Dark Knight” começou sendo desenhada pelo David Finch e após uns 15 números é do Ethan Van Sciver. As da Batgirl começaram com Ardian Syaf, depois Ed Benes, Alitha Martinez e Daniel Sampere. E o titulo da Batwoman, antes do reboot (saga Elegy) e pós-reboot (até o momento 3 sagas), teve J. H. Williams III na arte e/ou nos roteiros.
020Há um detalhe interessante na arte desse cidadão. Quando é pra desenhar Kate sem o uniforme… Ele desenha se uma forma até simplista demais, uma rockabilly pálida, porém quando a desenha com o uniforme de Batwoman, parece que brota uma imponência do além e o desenho fica com cara de obra de arte. Como é de se deduzir, o uniforme dela tem aparência de latex, aquele tecido liso, preto e brilhoso, e você quase pode imaginar a textura ao olhar para os traços.
Se você não conhecer a história e primeiro ver a Batwoman antes de ver a Kate, vai imaginar que aquela cabeleira vermelha é dela e que a pele branca é maquiagem… Mas é o contrário, o cabelo que é peruca e a tonalidade da pele que é real. O cabelo natural dela também é vermelho, mas é curto e com franjinha. Sinceramente, a aparencia da Kate não me agrada muito, escolho eternamente a aparencia da Bárbara, mas a aparência de Batwoman, como eu disse, é imponente.
Outro detalhe sobre ele é a maneira única de arrumar os quadros das histórias. Para marinheiro de primeira viagem é MUITO fácil se perder ou acabar deixando algo passar. Às vezes parece que os quadros tem o cenário de dentro E papel de parede pros próprios quadros por fora. Tem quadros formando morcegos, quadros acompanhando ondulações, quadros divididos em vários pedaços como se fosse um espelho quebrado… Como eu disse, às vezes atrapalha, mas não posso dizer que não é original e bem feito.
A saga Elegy ao mesmo tempo que mostra um caso “atual” também muito do passado de Kate Kane. Ela testando o uniforme pela primeira vez, o primeiro encontro com o Batman, coisas da infância e adolescência, um prato cheio pra quem quer conhecer melhor a personagem.
Quanto ao roteiro de Greg Rucka… Lá vamos nós, darei uma narrativa da história.

002Começamos com Batwoman em algum dos lendários cantões obscuros de Gotham, tentando um interrogatório. Quando vemos o Batman fazendo isso, é algo “Eu te quebro ou eu te quebro, decide o nível da minha raiva”. Quando é o Asa Noturna, é algo com piadinhas que envolvem a saúde do criminoso, Batgirl interrogando é meio “inocente demais” até…Mas Batwoman… O interrogatório dela é meio doente, em meio a sorrisos, coisas ameaçadoras como pé na garganta e de repente um carinho acolhedor meio maníaco tipo “PASSE A LOÇÃO!” do Silêncio dos Inocentes.
O besta passa as informações, Batwoman sobe aos telhados como boa morcega que é, e lá topa com quem? Seu muso-inspirador, o morcego-mor, Batman. Ele que dentre todos os 70 estilos de luta e mestrado em todos os setores de humanas e exatas que tem nesse planeta não aprendeu muito a conduzir uma conversa de forma simpática, já se lançou ao que interessava. Crime. Alguma mulher era a nova chefe, eles tinham que chegar lá. Batman deixou a responsabilidade para ela em um gesto de confiança, mas deixou um aviso. “Dê um jeito no seu cabelo. Um puxão e a luta está acabada”.
Após isso a heroína volta pra sua casa, que não é a mansão Wayne mas também não é o apartamento do Peter Parker. Toma um banho, e tenta dormir. O dia seguinte (que na verdade ainda é o dia em que ele tentou ir dormir) inevitávelmente chega, ela se atrasa pro encontro com Anne, sua namorada (século XXI, uhul), que fica nervosa pelo atraso, diz que pela cara dela nem teve um “acordar atrasada” e que na verdade ela nem deve ter dormido.
Rola uma discussão (monólogo de Anne) dizendo que Kate é mimada, tem todo mundo como garantido, que ainda precisa crescer e blablabla… Confusões de gente que tem identidade secreta de vigilante pelas noites de Gotham. Vida de cão, hein?
003Quadros seguintes temos Kate em casa com seu pai que, cá entre nós, é um baita esquisito, e até o momento aparenta ser um militar de patente relativamente alta, mas enfim, Kate começa a malhar levantando ferro pra valer, negócio não é um saco de cimento nem um alteres padrão, o negócio é barra pesada mesmo, pelo que vi no desenho, se não me enganei, são 50kg de cada lado. Somado é mais do que meu peso. Não que eu entenda de o que é peso padrão e o que não, well, deixa pra lá.
Papai Kane fica preocupado com sua filhota, então os roteiros nos mostram que Kate há algum tempo foi esfaqueada no coração, que quase morreu, que ficou apavorada e etc, e entendemos mais uma parcela do que a faz sair de noite vestida de Morcego.
004Podemos ver que o coronel é o Alfred da Kate. Não tão eficiente, mas ainda assim o papel é semelhante. Não demora muito e vemos uma cena que não se passaria na terra dos Wayne… O papai dá uma arma carregada pra Kate se defender, ela aceita e diz que sabe como usar e etc. Dá um leve choque, aposto que ninguém está acostumado a morcegos com armas (esquecendo o Jason, por um instante).
Lembram das organizações loucas de quadros que falei? Temos um ótimo exemplo agora. Uma página dupla com várias tirinhas retangulares na vertical, uma em paralelo a outra, e embaixo um quadro que tem formato de morcego, e fora dos quadros também há coisas se puderem notar. Não dá pra se perder, é bonito, bem feito e original. A seguir outra página dupla, Batwoman dando um chute duplo no ar, coisa de Asa Noturna, mas o chute dele teria mais elasticidade, seria algo mais “Van Damme” no Dragão Branco, mas vá, nenhum de nós daria um chute desses.
005Ela começa o interrogatório no local, e acaba descobrindo que o que ela queria estava exatamente ali. Uma branquela igual a ela, só que mais louca e com um batom estilo Rainha Amigdala do Star Wars. O nome dela é Alice, ou pelo menos é assim que ela se auto-denomina, pois ela parece achar que É a Alice do País das Maravilhas. Batwoman nem entra direito na conversa e aponta a pistola pra cara da moça.

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Arkham Origins: Novas Informações, Galeria de Imagens e Vídeos

Oi!
Hoje faltam exatamente 2 meses para o lançamento do jogo Arkham Origins, o novo game do Batman produzido pela Warner Bros de Montreal.
E aí? Estão ansiosos pelo Arkham Origins? Que fã não estaria. Talvez um que não fosse poder jogar por falta de capacidade no pc ou falta de recursos pra um video-game. O capitalismo tem esse lado maldito, esfrega na sua fuça coisas maravilhosas que você não pode ter.
Mas nosso trabalho é trazer a quem vai jogar e a quem não vai os detalhes que tem sido lançados sobre esse jogo. É sobre o Batman, claro que iríamos falar disso.

Imaginei o Arkham Asylum. Ok, agora aumentem o cenário, mudem uns equipamentos, melhorem o uniforme, coloquem mais personagens e mais mistérios e enfim temos o Arkham City. Agora melhorem TUDO e voltem no tempo. Não faz sentido, mas esse é o Origins.

Esse é o segundo post sobre o Arkham Origins. Para não ficar repetitivo, não trarei as informações que já estão no primeiro post; então vou pedir para que você leia o primeiro texto antes de ler esse aqui.

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Recapitulando um pouco, já sabemos que teremos um Batman jovem, ainda no começo da carreira de vigilante em Gotham City, que tem a cabeça posta a prêmio por Máscara Negra, atraindo 8 perigosos vilões do mundo DC para matar o Morcego.

Em entrevista ao site VG247, o diretor criativo do game Eric Holmes nos explica que Batman está foragido graças a desavenças com o Comissário Gordon (uma constante entre eles, apesar do ótimo trabalho em equipe que eles fazem). Então, além de descobrir porque Máscara Negra o quer morto, Batman ainda precisará provar ao DPGC que está do lado deles – e utilizará Pinguim para obter essa informação. Aliás, ponto interessante é que veremos um dos primeiros encontros entre Pinguim e Batman, e descobrir um pouco da razão pela qual eles se odeiam tanto. Para ajudá-lo nesse interrogatório, ele contará com Batwing para interceptar a base de operação de Pinguim. Não poderemos controlar Batwing diretamente, mas poderemos destruir as torres de redes que porventura bloquearem o seu vôo. Também haverá a oportunidade de destruir sensores que atrapalham as habilidades de Batman em certos pontos do cenário.

Segundo imagens vazadas, um dos cenários será Bat-caverna, em que Batman se encontrará brevemente com Alfred como parte de alguma missão específica, para levantar informações sobre os vilões com os seus recursos tecnológicos. É provável que haja alguma participação dele como Bruce Wayne.

Multiplayer

O modo multiplayer do jogo foi uma das coisas que mais me chamou atenção (e me deixou ansiosa): Não será o tradicional 1 x 1, mas sim o sistema de “2 contra 3 contra 3” (2 vs 3 vs 3, no original). Como diabos isso funciona? Dois jogadores controlarão Batman e Robin, e enfrentarão outros 6 jogadores que representarão os capangas de Coringa e os capangas de Bane. Os capangas também possuirão equipamentos, além de um sistema de visão parecido com a função “visão de detetive” de Batman, minas terrestres e afins.
O objetivo dos vilões é chegar primeiro a um determinado ponto do cenário em que eles se tornarão Coringa ou Bane, adquirindo mais poder de fogo. O objetivo dos jogadores que controlarem Batman e Robin é não serem vistos, já que eles não possuem os mesmos recursos mortais que os inimigos.

Serão mostrados rankings de combate, de acordo com o seu desempenho nas lutas com os capangas. São eles:

S – Apex Vigilante
A – Mythical Vigilante
B – Master Vigilante
C – Warrior Vigilante

Teremos o modo “1 vs. 100”, em que o objetivo é sobreviver a uma luta com 100 inimigos. Assumir o papel de Exterminador que se move mais lentamente e usa um cajado, pistolas e bombas.
Provavelmente teremos desafios e troféus, mas ainda não se sabe se eles estarão ou não envolvidos com Charada.

Viloes

VILÕES PRINCIPAIS

Dos 8 vilões que estão programados para tentar matar Batman em Arkham Origins, 5 já foram revelados:

  • Exterminador (Deathstroke)

  • Pistoleiro (Deadshot)

  • Bane

  • Cobra Venenosa (Cooperhead)

O anúncio da aparição de Cobra Venenosa em Arkham Origins se deu na San Diego Comic-Con, em julho. Com o visual baseado na reformulação proposta pelos Novos 52, Cobra Venenosa será uma mulher (na versão original era um homem) e atacará Batman usando seus artefatos venenosos e sua habilidade de artes marciais/performance de circo.

  • Vagalume (Firefly)

Esse vilão foi revelado essa semana. Utilizando de suas habilidades piromaníacas, ele também está atrás da recompensa pela cabeça de Batman.

VILÕES SECUNDÁRIOS

  • Anarquia e capangas

O vilão Anarquia estará atrapalhando a vida de Batman plantando bombas pela cidade
Ele é contra qualquer forma de sistema organizado, mas que acha que está fazendo a coisa certa, como diz Eric Holmes. Cito:

“Ele não gosta de grandes corporações tentando controlar nossas vidas, ou o governo nos dizendo o que fazer. E ele acha que essas instituições devem ser chutadas, e ele quer destruí-las.” (Tradução minha desse link)

E como ele vai fazer isso em Arkham Origins? De uma maneira brilhante: ele vai plantar bombas na fundação dos principais edifícios dessas instuições em Gotham City, e Batman precisará achá-las e defusá-las a tempo.

Anarquia

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Comentários sobre a polêmica envolvendo Grant Morrison e o final de “A Piada Mortal”

Olá!
Estamos aqui para um post excepcional. Atendendo a vários pedidos, eu e o Augusto viemos hoje comentar a mais recente polêmica envolvendo os quadrinhos do Batman.

No último dia 16, o autor Grant Morrison fez uma série de afirmações bastante controversas a respeito de uma das obras clássicas do Batman durante a gravação de um podcast com Kevin Smith. Ele se refere à HQ “A Piada Mortal“. Você pode ler a minha resenha clicando aqui (por favor, leia antes de prosseguir o texto).

CAPA

Morrison, roteirista de HQs como “Batman e Filho”, “Luva Negra” e “Descanse em Paz”, veio a publico rever o final da história “A Piada Mortal”, de Alan Moore e Brian Bolland. Vamos rever a última página.

Ultima página

Ele afirma que, nesse encerramento, Batman MATOU Coringa apertando sua garganta com as mãos. Ele diz:

“Ninguém entende o final, porque o Batman mata o Coringa. Por isso se chama A Piada Mortal. O Coringa conta a Piada Mortal no fim, Batman estica suas mãos e quebra seu pescoço, e por isso a risada acaba e as luzes vão sumido, porque essa era a última chance de atravessar essa barreira. E Alan Moore escreveu a história definitiva de Batman/Coringa – ele finalizou tudo.”
“Mas ele [o artista Brian Bolland] fez de uma forma que ficou ambíguo, então ninguém precisa ter certeza, o que significa que não precisa ser a última história Batman/Coringa. É brilhante!”

Você pode ouvir esse trecho da entrevista no seguinte vídeo:

Posto isso, vamos à minha análise e, em seguir, a do Augusto.

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#79 – Batalha pelo Manto: Especiais

Olá!
Paralelamente à publicação mensal de “Batalha pelo Manto”, foram lançadas 6 one-shots e 2 minisséries contando a repercussão desses eventos no restante do mundo do Morcego – o que aconteceu no asilo Arkham? Como Oráculo reagiu? E o Comissário Gordon? E os heróis que ficaram para tentar proteger Gotham?
Elas foram depois compiladas num encadernado chamado “Battle for the Cowl: Companion”, e é sobre elas que eu venho falar hoje! Boa leitura!
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Oráculo: A Cura
(Oracle: The Cure, roteiro de Kevin VanHook e arte de Julian Lopez, maio-julho de 2009)

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Começamos com a minissérie em 3 edições de “Oráculo, a Cura”. Lindas capas de Guillem March.
Enquanto se estabelece num novo apartamento, Bárbara Gordon está procurando por maiores informações sobre a Equação Anti-Vida. Enquanto isso, ela faz valiosas reflexões sobre sua paralisia e o fato de que, tantos anos depois do crime cometido por Coringa, ela ainda sinta as pernas às vezes.
Ela conta com a ajuda de outra super-hacker apelidada de Demônio de Queijo. Elas encontram uma pista: um homem num jogo virtual parecido com Second Life diz ter o que falta para que o mistério da Equação Anti-Vida seja solucionado. Mas era uma armadilha.
Charles Babbage é o Calculador, e também está atrás da Equação Anti-Vida para acordar sua filha do coma. No jogo ele simula a representação em cristal dos fragmentos que encontra da Equação, antes de criar sua contraparte na vida real. Ele tenciona eliminar sua rival (Bárbara) de seu caminho, e faz isso usando sua amiga para atingi-la – de uma forma que não fica muito clara no arco, parece que as ações feitas ao avatar no jogo também acontecem com quem está controlando, baseado em algum sistema de estrondo sônico. Esse arco é um pouco confuso mesmo.
Fazendo vista grossa para alguns elementos que não se conectam, é interessante observar Oráculo em ação. Ela é realmente muito habilidosa, como nós sabemos. Vê-la em ação é excepcional. O Calculador acaba traçando uma rota até seu outro ajudante, Lary Rand – um rota mortal. E Bárbara Gordon é o próximo alvo. Tudo para encontrar a Cura para sua filha Wendy. Não importa quem morra no caminho.
Para quem gosta de alta tecnologia, esse arco será interessante. A arte peca em alguns momentos, a despeito das incríveis capas. E posso dizer que termina de uma forma um tanto quanto cruel.

Azrael: Cavaleiro das Trevas da Morte
(Azrael: Death’s Dark Knight, roteiro de Fabian Nicienza e arte de Frazer Irving, maio-julho de 2009)

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De antemão o nome na capa diz muito sobre a HQ: Fabian Nicienza, habilidoso roteirista de Asa Noturna e Robin.
Um justiceiro anuncia a um suposto tira à paisana que a justiça de Deus chegou a Gotham – amparada por uma espada de fogo, que é brandida na frente do refém. Ele serve a justiça de Deus. Jeitinho estranho esse de servir a Deus, decepando a cabeça dos outros com uma espada flamejante. Ele está a serviço de um padre, mesmo que para isso precise matar e encher sua alma de pecados. E ele carrega tantos… Como ter ajudado a matar Batman.
Nesse arco conhecemos a história de Henry Mitchell, um policial com um histórico conturbado e que perdeu todos os membros da família de maneira trágica. Um homem fragilizado… Um candidato perfeito. Você se lembrou desse nome? Caso tenha lido “Descanse em Paz”, se lembrará que ele foi um dos três policiais que participaram do programa secreto entre o exército e o DPGC para criar um substituto do Batman. E nesses três policiais o efeito desse treinamento foram devastadores, induziram os três a psicoses. Ele parece ser o único sobrevivente. O candidato perfeito.
Um novo Azrael.
Essas pessoas misteriosas alegam que um objeto chamado Manto das Lamentações foi roubado da bat-caverna. Então repassamos a história de Azrael como a conhecemos: um anjo de vingança da Ordem de São Dumas.
Azrael recebe a ordem de pegar o Manto das Lamentações que havia sido devolvido à bat-caverna. E ele fará isso. Para expurgar seus pecados. Para limpar sua alma para o caminho de Deus.

Comissário Gordon: Um Dia Frio no Inferno
(Battle for the Cowl: Companion – Commissioner Gordon: A Cold Day in Hell, roteiro de Royal McGraw e arte de Tom Mandrake, maio de 2009)

LINE003 Não é a toa que o Comissário Gordon é um dos meus personagens preferidos. Numa análise corrida e superficial, me arriscaria a dizer que ele é uma versão do Morcego com menos poder aquisitivo e militar.
Senhor Frio está mantendo Gordon refém. Como chegamos até aqui? Victor Fries tem essa mania de conseguir o que quer (o que fica fácil quando se tem uma arma congelante à sua disposição). E não obstante manter Gordon refém, Frio ainda faz terror psicológico com ele. Ele também sofreu muitas perdas em sua vida. Sua filha amada perdendo os movimentos das pernas e ficando presa numa cadeira de rodas para sempre, por causa de Coringa. Sua segunda esposa levando um tiro na cabeça, também de Coringa. E como se não bastasse, perdeu seu maior aliado, Batman. Quantas coisas mais ele pode suportar?
Sabendo disso, Frio quer dar uma lição em – um protocolo que vai congelar a cidade inteira. E isso será possível porque o seu maior protetor sumiu. A não ser que alguém com quase tanto poder de fogo quando Batman possa impedir. Alguém que sempre deu o sangue por Gotham. O senso de justiça de uma pessoa que representa o braço incorruptível da polícia da cidade.

Asilo Arkham: O Lugar Onde A Beleza Repousa
(Battle for the Cowl: Companion – Arkham Asylum #1: The Place Where Beauty Lies, roteiro de David Hine e arte de Jeremy Haun)

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Jeremiah Arkham está vendo os destroços do Asilo Arkham, agora reduzidos a um miserável edifício em escombros – o trabalho da sua vida, agora acabado. Ele decide andar pelo lugar para se certificar de que ninguém ficou preso nos entulhos. Ele sempre tratou seus presos com o máximo de humanidade possível.
Mas ele começa a visualizar os presos como se estivessem lá realmente… A loucura das paredes do Asilo Arkham atingiu o seu administrador? Ao longo desses anos, Arkham tem dançado à beira da loucura. Eles começam a acusar Jeremiah, questionando sua capacidade de gerenciar o manicômio.

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#78 – Batman: Batalha pelo Manto

“Mudar sempre é mais difícil do que permanecer o mesmo. É preciso coragem para se encarar no espelho e ver além do reflexo. Para encontrar o que você deveria ter sido. O você que se perdeu pelos cruéis eventos de infância. Eventos que pegaram a trajetória natural da sua vida e a distorceu. Mudar para algo inimaginável… Ou mesmo incrível… Te dando a coragem para abraçar o seu legado, o seu destino, e finalmente perceber… Que VOCÊ É O BATMAN”.

Precisa escrever algo mais pra essa intro? A frase já valia o texto inteiro, eu podia me despedir agora que não faria diferença. Cidadãos de Gotham, preparem-se pra reta final de uma grande mudança. A essa altura todos vocês já sabem que o Bruce Wayne cantou pra subir graças ao Darkseid, mais conhecido como “Mano Uxas” nos butecos de Apokolips. O título que escolhemos para a tradução não bate totalmente com o título dado aqui no Brasil. Lá fora o título saiu como “Battle for the Cowl”, aqui saiu como “Batalha pelo Capuz”, quando a tradução mais exata seria “Batalha pelo Manto”. Eu prefiro chamar de “Guerra pelo Manto”. Saiu de maio a julho de 2009.

Uma “batalha” e uma “guerra” são coisas diferentes. A proporção e o simbolismo não são os mesmos. Gotham ficou sem o morcego, Gordon perdeu Gotham pras gangues, todo mundo tocou um rebu do inferno se garantindo de que o Morcego sumiu. Apesar de todos imaginarem que o fim do Morcego só podia ser assim, ninguém nunca imaginou esse dia acontecendo. Claro que a cidade não caiu por completo como no “Terremoto” e “Terra de Ninguém”, mas a confusão agora ficou consideravelmente grande, e ao contrário das duas sagas que citei onde Gotham caiu e o Batman permaneceu, nessa é Gotham que fica de pé é o Batman é que some. Darei uns semi-spoilers pra exemplificar ainda mais como isso é uma GUERRA. [Alerta de spoiler! Se deseja ler, selecione o texto a seguir]. Dois membros da familia Wayne se vestem de Batman e vão pras ruas, um fica perto de morrer, esse se atraca com um terceiro membro, os dois lutam até as últimas consequências, o vencedor se torna Batman e o derrotado só não morre por acaso do destino. [Fim do spoiler] Tony S. Daniel é o responsável pelos desenhos e roteiro dessa “passagem” que muitos acharam que nunca iria acontecer, o nascimento de um novo Batman. Trabalho incrível em conjunto com Sandu Florea nas cores. Acompanhem a ascenção de um novo Homem-Morcego na Guerra Pelo Manto.

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001Como eu disse há um instante atrás, temos os desenhos e roteiro por Tony S. Daniel, um de meus desenhistas preferidos, sou até suspeito pra falar. As cores estão por Sandu Florea, que sempre está com Tony Daniel na maioria das histórias em que ele trabalha. Se formos na brincadeira dá até pra chamá-los de Batman e Robin. Mas falando sério, são bons profissionais. Vocês terão cores muito vivas diante dos olhos, luzes quase reais nas lâmpadas desenhadas no papel, desenhos com proporções ótimas e anatomia fiel, se quiserem exemplos de más proporções e anatomia, procurem desenhos do Eddy Barrows, onde todo mundo tem as pernas mais curtas que o tronco, e do lendário Rob Liefeld, que não sabe desenhar pés e mãos. 003No primeiro quadro temos Robin (Tim Drake) usando seu uniforme vermelho e a Squire (Beryl Hutchinson), conhecida como “Escudeira” aqui na Ilha de Páscoa, a equivalente do Robin para o Knight, que é tipo o “Batman da Inglaterra”. Foi só exemplo, não chega nem aos pés. Enfim, quem gosta desse uniforme de Robin, aprecie agora, pois será a última história em que o verão. Para os conservadores é tipo um chute no saco. Apesar desse uniforme já estar fazendo bodas de prata com o personagem e eu não ter ligado tanto desse uniforme ter sumido, compreendo bem a sensação de quem não gostou. Eu briguei com meio mundo quando tiraram a cueca por cima da calça que o Batman usava, mas já acostumei. Essas coisas são assim mesmo. 002Voltando ao que importa… Robin e Squire derrubam alguns capangas do Coringa, e ao final vêem uns outros capangas que já foram derrubados antes da chegada deles, acompanhados de um bilhete do “Batman”. Claro que esse não era Bruce Wayne. Robin descreve como está nossa Gotham City. Percebendo a falta do Morcego, vilões grandes como Pinguim e Duas-Caras voltarma a guerras por território, e gangues menores querendo chamar atenção entram na confusão mostrando que não estão pra brincadeira. A força policial de Gotham estava trabalhando demais, recebendo de menos, tendo seus familiares ameaçados e muitos acabaram pedindo demissão da policia devido a isso, dando ainda mais espaço pra vagabundagem. Entendem o porque de “A máscara não é pra você, é pra proteger quem você ama”? Então. 012Foi só o Morcego sumir que Gotham entrou em um Harlem Shake de escalas desastrosas. É como a Caçadora disse durante a “Terra de Ninguém”, o símbolo do morcego exerce uma reação inigualável, e quando o morcego sumiu… Podem ver o que deu. Vamos lá, pra encarar Coringa, chefes de imensas máfias e gangues como Pinguim e Duas-Caras, monstros gigantescos como Croc, Bane, guerreiros milenares como Ra’s Al Ghul… Ou você tem respeito ou não tem. E o respeito dos marginais se foi junto com o Morcego. Diante do caos instalado, Asa Noturna (Richard Grayson) e Batgirl (Cassandra Cain) formaram um grupo de ajuda pra Gotham, entitulado “A Rede”, dentre eles reconhecemos ali nos quadros o Morcego Humano, a Batwoman junto da Batgirl, a Canário Negro, a Lince, Asa Noturna com Caçadora e o Knight (o “Batman” da Squire)… Um estado de emergência onde todos procuram pelo Batman, ou como disse o Tim Drake, por “um” Batman. 004Como se não fosse confusão suficiente, o finado Máscara Negra dá o ar da (des)graça. Fica subentendido que este é outro Máscara Negra. Este parou o comboio de vilões que estava indo para o Asilo Arkham, e soltou todos. Pessoas de bem como Croc, Zsasz, Hera, Espantalho… Todos livres, e devendo esse favorzinho ao novo Máscara Negra. Como se não bastasse isso, todos os detentos receberam um complemento químico junto de seus sedativos que sob um determinado comando de voz… Se ativa e mata a pessoa. Ou seja, todos os detentos do Arkham estavam obrigatoriamente sob ordens do Máscara Negra, e o sujeito não satisfeito com isso, ainda manda o Asilo Arkham pelos ares. Quem tiver as habilidades de detetive pode matar esse mistério de QUEM é o novo Máscara Negra agora mesmo. O misterio só termina oficialmente em uma revista lançada anos depois dessa, mas nessa sequência de fatos vocês já podem deduzir quem é o novo Máscara Negra. Vou só dar uma empurrada no raciocínio de quem tá lerdo: Esse Máscara Negra sabia do comboio, e sabia tanto o trajeto quanto o horário da passagem dele, teve acesso ao Asilo para plantar os explosivos e acesso aos medicamentos dos detentos. Vá, não é difícil assim, a única dificuldade é pensar que esse sujeito teria peito pra isso tudo. Podemos ver Jim Gordon sendo fortemente pressionado pela imprensa, e não é pra menos, até o Batsinal nego sacaneou, escrevendo um RIP dentro do morcego. Não veríamos diferente em um caso assim em nossas cidades. Por casos muito menos sérios vemos um estardalhaço maldito, imaginem num caso desses. 005Na Batcaverna, temos alguns quadros excelentes do Asa Noturna encarando os uniformes do Batman. Tim Drake vê a cena e simbolicamente diz que “ele” (o uniforme, que no caso seria o Batman) parece triste ali dentro, e Grayson completa dizendo “Talvez porque ele possa ver como nós deixamos Gotham virar um inferno”. “Frescura dele, era só pegar logo o uniforme e tcharam”. Não é assim. Se ponham no lugar dele. Você é o homem de confiança do Morcego, o primeiro a lutar a seu lado, o único que já o substituiu de forma bem feita. Era você que ele chamava separado dos demais na cara de TODOS pra passar as informações primeiro. Você deve tudo que tem e tudo que é a ele, ele morre, a cidade que ele dedicou a vida para proteger vira um caos e você não consegue reverter o quadro. Você acha que merece usar a roupa do Batman nas ruas? Não acha que o máximo que conseguira é denegrir a imagem do Morcego talvez tombando derrotado no meio de Gotham? Não é simples. Tim Drake parece estar mais abalado não pelo fato de nenhum eles estar assumindo o manto, mas na verdade porque alguém fez isso na frente deles. Dick chutou que seria algum cidadão brincando de herói, mas Tim diz que é alguém habilidoso, alguém que usa batarangues e bat-cordas iguais as que o Bruce usa. 011Dick não toma muito partido dessa briga, mas Tim está decidido a não deixar barato. Ele analisa todas pistas deixadas e após uma longa lista de quadros citando detalhes de resíduos encontrados nos bilhetes do tal “Batman”, ele deduz que o sujeito que se passa por seu pai se esconde no subsolo, e que apesar de se vestir como Batman e agir parecido, ele não é e nunca será Batman. “Só pode haver um Batman, e não é você”. Podemos ver um jogo de sombras mostrando a silhueta de Tim no escuro, pondo um uniforme do Batman para ir atrás do farsante, e na vitrine onde ele pegou, deixou um bilhete colado. Reparem bem a silhueta dos demais uniformes contra a luz das vitrines, temos ali inclusive o uniforme mais antigo do Batman, aquele com as orelhas meio torcidas e grandes iguais as de Morcego mesmo. Tony Daniel é um cidadão que gosta de poeira, em maior parte das histórias que ele desenha e/ou escreve, vocês vão poder pescar algum detalhe de algo muito antigo a respeito do Morcego. Seja algum dos artefatos da caverna, algum uniforme, algum vilão que há décadas não aparecia… Ele sempre dá um jeito. Todo desenhista/roteirista que se preze deveria seguir esse exemplo, ele mostra que CONHECE e RESPEITA as histórias do Batman, e em momento algum tenta modificá-las de forma absurda, pelo contrário, sempre busca referências das histórias antigas que nem tem a mão dele. Mas bem, só pra não passar em branco, foi bonito ver o Tim se referindo ao Bruce como pai. Dick treina sozinho na caverna, depois treina kendo com Alfred (que aparentemente o vence). Alfred tenta argumentar que Bruce pode ter ido, mas que o Batman não necessariamente precisa ter ido junto. Podemos ver que todos estão em cima do Grayson pra ele botar logo o uniforme e ir pras ruas, mas ele se recusa. Ele não deixa de defender a cidade, saiu para atender Gordon, como Asa Noturna. Página linda por sinal, os efeitos da luz do bat-sinal contra o Asa Noturna e o Gordon, obra de arte. Mascara Negra municia todos seus “soldados” e parte pra ação principal. 006Temos algumas cenas de Selina trocando porradas no beco do crime, e de um Batman voando sobre os prédios acima dela. Esse é Tim Drake, usando um uniforme antigo do morcego, o de elipse amarela no peito. Talvez em homenagem a época em que ele se tornou Robin, vai saber. O que está claro é que Tim deseja dar um couro no Batman farsante. Damian faz sua primeira participação na história dirigindo o Batmóvel do papai carregando alguma jovem desconhecida no carona, Oráculo descobre, ejeta a menina e toma o controle do carro, mas Croc faz o veículo capotar. Sabendo que deu problema dos grandes pro garoto, Barbara pergunta pra Lady Falcão Negro e Caçadora em quanto tempo elas podem chegar lá, mas Asa Noturna ouve a confusão em frequência aberta e vai ao local. Notem a lua atrás do Asa Noturna. Os caras fazem uma monalisa por página. É admirável. Lembro-me de muitos leitores reclamando que o Tony Daniel atrasava com os prazos das revistas… Mas como querem uma história com essa qualidade em pouco tempo? Pra mim a revista podia ser até bimestral se fosse pra sair com esse aspecto. O que não suporto é um zé ruela tipo Greg Capullo ou Eddy Barrows serem elogiados por aquela pouca bosta que fazem. Mas tá, o mundo não gira pra quem merece, não é novidade. Hera Venenosa e Croc estavam em cima do filho do Morcego, Croc ia matá-lo em uma mordida, mas Asa Noturna passa voando e o salva. Esse foi um dos primeiro resgates do Dick para o Damian. O vôo foi encerrado com certa velocidade, foram atingidos ainda no ar e cairam dentro de um prédio, Asa Noturna totalmente baqueado e Damian dessa vez o ajudando. 007Ele manda Damian se esconder e se revela para os capangas do Máscara Negra, uma atitude um tanto suicida,mas que talvez desse chance pro garoto se salvar. Talvez fosse a intenção do Grayson, talvez a morte o livrasse de tudo, talvez no fim das contas, isso não fosse o pior. Eis que do aquém do além de onde não vem ninguém surge quem? Uma cruza do Batman com um fogão dando uma de Lucifer dos Cybercops.

Batman

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Ganhador do Sorteio Nihil, Fuck! – “O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?”

Oi!
Já chegou a HQ que o Kelvin Neres ganhou no Sorteio feito pelo Nihil, Fuck!, da HQ “O que aconteceu com o Cavaleiro das Trevas” (e que edição mais linda, parabéns à Panini!)

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E também chegou a HQ que eu sorteei no Twitter do Batman Guide. Fiz um quiz relâmpago com 3 perguntas, quem acertasse primeiro as respostas levaria a revista. Quem ganhou foi o Fabiano Teixeira, olha aí:

(Sigam o Twitter do blog para participar desses sorteios surpresa :))

Beijos e obrigada por participarem!
Até a próxima!

#77 – Batman: Últimos Sacramentos

“Pobre Gotham City… Hoje ela precisa de seu Cavaleiro das Trevas, e ninguém sabe onde ele está. Ou se está vivo.”

Olá!
O texto de hoje é sobre uma saga que serve de ponte entre os últimos acontecimentos e um momento decisivo que acontecerá no próximo post. Veremos como Gotham está se virando durante a ausência de seu maior herói. Sejam bem-vindos a “Batman: Últimos Sacramentos” (Batman: Last Rites, roteiro de Grant Morrison, Paul Dini, Dennis O’Neil, Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, Dustin Nguyen, Guillem March, Doug Mahnke, 2008. Na tradução da Panini recebeu o título de “Funeral para o Morcego“).

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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001Fazem parte dessa HQ dois volumes que estão inseridos na “Crise Final” também, a Batman #682 e #683 (que aqui no Brasil recebeu o nome de “Elegia para um Herói”. É uma retrospectiva sobre a carreira de Batman, mas não do modo como já conhecemos – ele introduz elementos controversos, novidades, conceitos inéditos e estranhos. É a oportunidade perfeita para Morrison adicionar elementos na cronologia de Batman, ressuscitar personagens que não são muito utilizados – como a primeira Batwoman, Betty Kane.
Como uma colagem de flashbacks de Batman em detrimento de uma leitura linear, vemos Batman e a ascensão de Dick Grayson de acrobata que perdeu os pais numa queda criminosa ao papel de Robin, que depois segue carreira como Asa Noturna. Em certo momento ficamos confusos quando ao que é passado e o que é presente, ou quem é o narrador da história – muito provavelmente Alfred, ou então a mente do próprio Batman? Vemos cada um dos momentos tristes de Batman – a perda de Jason Todd, os vilões maníacos que enfrentou, as pessoas que não pode salvar, todo o remorso que carrega. Mas também vemos um futuro que poderia ter existido caso Bruce não tivesse perdido os pais. Uma tentativa de implantar memórias falsas em sua cabeça.
002Logo entendemos porque estamos tendo essas visões fragmentadas e dispersas: trata-se do momento da Crise Final em que, por ordem de Darkseid, o Lump se esforça para roubar as memórias de Batman para implantá-las num exército de “Batmen”, que seria usado para lutar ao lado de Darkseid. Contudo, Batman carrega uma carga de remorsos, estresse, culpa e sofrimento tão grande que os clones não suportam isso em sua própria mente – e começam a arrancar os próprios olhos, se destruir e entrar em conflito interno. E depois disso acontece tudo que já lemos no texto da Crise Final.
Aos poucos, vemos os personagens reconstruindo suas vidas depois do desaparecimento/morte de Batman durante a Crise Final.

003Asa Noturna está resolvendo pendências deixadas desde “Descanse em Paz”. Seu acerto de contas com Duas-Caras é bastante intenso (achei engraçado como Asa Noturna é desdenhoso com Harvey e o compara ao Linus, um personagem do Snoopy que só anda com um cobertorzinho para se sentir seguro). Eles se odeiam desde que Dick era Robin, e essa rejeição mútua apenas cresceu com o passar dos tempos. Harvey promete uma coisa: ele tem grandes planos para Asa Noturna ainda. Grandes planos.
Dick Grayson, Alfred e Tim Drake tentam levar sua vida na Mansão Wayne de forma normal, mas agora sem a presença silenciosa porém vital de Batman. E embora todos tentem agir como se a vida continuasse, fica claro para nós que não é assim. Falta o essencial. Sobra silêncio. A lacuna que Batman deixou.
004A história chamada “Últimos Dias de Gotham” nos leva ao encontro de Millicent Mayne, uma atriz que vê sua vida ir do topo ao fundo do poço; é considerada “o rosto de Gotham”, por sua grande beleza e por ser uma benfeitora dos pobres de Gotham, até que Duas-Caras decide jogar ácido em seu rosto durante um baile de caridade. Duas-Caras está deixando a cidade mais caótica do que nunca na ausência do Cavaleiro das Trevas. E é hora de Dick Grayson ajudar. Ele está sobrecarregado, e ainda por cima desorientado pela ausência de seu professor e tutor. Quando Alfred lhe oferece um dos Batmóveis, ele recusa: “Não, obrigado. Eu… Eu não sou o Batman, e me sentiria estranho se dirigisse o carro dele.
006Grayson não se sente à altura de Batman. Ele se cobra demais, acredita que falha em absolutamente todas as suas decisões, não se acha minucioso o suficiente, vê falhas em seus planos. Sua mente está obscurecida, ele não está pensando direito devido ao que aconteceu com Bruce. E com o fato de ter que assumir responsabilidades que antes cabiam ao Morcego, falta a aptidão e experiência que tanto estamos acostumados a ver.

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Com a ajuda providencial de Alfred, Dick decide… Tentar de novo. Em certo momento desse arco, Asa Noturna visita o Beco do Crime para rememorar o que aconteceu com Batman – sobre como a .45 automática de Joe Chill destruiu a vida dos pais de Bruce e destruiu todo o seu futuro, ditou como seria sua vida. É um trecho de uma carga emocional indizível. Ele é eternamente grato a Bruce por ter dado um futuro a ele no momento mais triste de sua vida.

Dick se enxerga em Batman. Ele também perdeu seus pais em circunstâncias trágicas. Ao acender uma vela no Beco do Crime, em memória dos pais de Bruce e de seus pais. E se lembra de outra vela que acendera, no juramento que fizera com Batman ao se tornar Robin, muitos anos atrás.

“A luz dessa vela foi um farol para a alma de um jovem garoto… Me permitiu ver um caminho sem egoísmo e devoção. Devoção com um bem comum. E essa luz deve brilhar não importando o que aconteça.”

É emocionante vê-lo atendendo o Bat-sinal convocado por Gordon (que ao longo das noites vem incessantemente deixando o Bat-sinal ligado, numa tentativa de estabelecer contato com Batman). Diálogo interessante travado entre Gordon e o Harvey Bullock:

H: “- Ele vai nos ajudar em algo?”
G: “- Ele não é o Batman.”
H: “- Certo. O Batman não usaria as escadas.”

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Mulher-Gato está mantendo Thomas Elliot, o Silêncio, em cárcere privado, como vingança pelo que ele fez a ela no arco “Coração do Silêncio”. De início ele é confundindo com Bruce Wayne, o que poderia causar problemas para a Bat-família porque Thomas Elliot, embora tenha a aparência de Wayne, não tem nada do seu caráter. Ele faz uma participação interessante nessa história.
Outra participação notável é a de Ra’s Al Ghul, que quer saber dos lábios de Dick Grayson a verdade sobre a morte do “Detetive”. Ele considera a morte de Batman algo injusto, afinal, era ELE quem estava destinado a matar Batman. Ele diz para Asa Noturna, enfurecido: “Um herói do calibre do Batman não deveria perecer nas trevas. Um herói como Batman deveria ter sido assassinado na luz mais brilhante do dia para todo mundo ver.” (Realmente ele sabe como consolar as pessoas, não?)

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#76 – O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? // Resultado do Sorteio!

“Eu morri?”
“Ainda não.”
“Bruce, você é o maior detetive do mundo. Por que não descobre?”

Sejam bem-vindos ao resultado do sorteio feito em parceria com o Nihil, Fuck!
A resenha é por conta do próprio Nihil, e a HQ é “O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?“, com roteiro de Neil Gaiman e arte de Andy Kubert! (Batman: Whatever Happened to the Caped Crusader?, abril de 2009)

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Por acaso, eu estava olhando alguns quadrinhos numa livraria e me deparei com a arte que a Panini produziu para essa edição e achei, simplesmente, incrível. A editora teve todo o cuidado do mundo; Além de uma bonita capa dura e desenhos feitos pelo Andy Kubert. Comprei na mesma hora e acho que é um item indispensável para quem é fã do Homem-Morcego e de literatura.

A história foi escrita por ninguém menos que Neil Gaiman (Sandman, Coraline, Filhos de Anansi, Coisas Frágeis, Deuses Americanos), que é um fã confesso do Batman. E como era de se esperar, a trama é louca, duvidosa e incita o seu ponto de investigativo. Você não é um simples leitor nessa história, você é o agente ativo da conclusão final.

001Em Gotham City, no “Beco do Crime”, um caixão está exposto e conforta o corpo sem vida do Cavaleiro das Trevas. Para prestar suas últimas homenagens, quase todos os personagens e inimigos do homem-morcego comparecem ao seu velório. Dentre eles estão: Duas-caras, Pingüim, Coringa, Hera Venenosa, Ra’s Al Ghul, Mulher-gato, Arlequina, Charada, Mr. Freeze… E até mesmo o Comissário Gordon junto com sua filha, Bárbara Gordon, que está numa cadeira de rodas devido episódio contado em “A piada mortal”. O salão está lotado de vilões porque a maior baixa da cidade acaba de acontecer.

Batman está em outro plano, num plano espiritual, talvez. Assistindo ao seu próprio velório e tentando entender o que aconteceu consigo, ele, assim como o leitor, também está perdido. Então os vilões começam a dar seus depoimentos e tomar para si a responsabilidade pela morte do Bruce. Alguns deles gastam minutos criando histórias e tentando convencer todo o resto de que Gotham agora é terra sem lei por conta do narrador da vez.

Nessa parte, o leitor começa a ser desafiado. Qual história é a verdadeira? Aliás, alguma delas é realmente verdadeira? Você precisa observar as nuances descritas e ligar os pontos. E algumas são claramente falsas, já que alguém diz até que atirou no rosto do Batman, sendo que sua imagem no caixão é totalmente serena e sem ferimentos aparentes.

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