#87- Batman: Vida Após a Morte

“Eu não sou Bruce Wayne. Mas quando vidas foram perdidas… E a cidade estava em jogo… Eu fiz o que o Batman faria. Eu agi como o Cavaleiro das Trevas. A melhor de minhas habilidades – foi me tornar ele. E eu consegui. Não como Dick Grayson, e não como Bruce Wayne, mas como o Batman”.

Cidadãos honorários de Gotham, estamos hoje reunidos em razão do arco “Life After Death”, aqui no Brasil chamado de “Vida Após a Morte”, lançado no ano de 2010 pela DC (claro).
Como devem saber, Bruce morreu no confronto contra Darkseid, outrora chamado por mim e pelos chegados de “mano Uxas”. Dick Grayson assumiu o manto do morcego após uma série de fatos que vocês acompanham na “Batalha pelo Manto”, e também suas primeiras morcegagens por Gotham na “Escuridão Profunda”.
Com prazer anuncio que roteiro e desenhos são por contra de Tony S. Daniel. Já falei umas mil vezes que sou fã do cara, gosto da arte dele de graça, e os roteiros tem o ponto surpresa de sempre trazer algo bem das antigas a tona de novamente.
Admito que hoje em dia a arte dele mudou um pouco, eu preferia a época em que ele estava fazendo essas histórias do Batman, mas em todo caso é um desenhista/roteirista de mão cheia. Nessa história ele ainda está acompanhado de seu side-kick Sandu Florea, que por VÁRIAS histórias foi o colorista pros desenhos do Tony.
Época brilhante da DC, a série mensal saiu de Judd Winick e Mark Bagley (mesma dupla responsável por “Escuridão Profunda”) pra entrar novamente com Tony Daniel. Digo novamente porque ele também estava desenhando a “Batalha pelo Manto”, e algumas outras antes dessa.
Não encarem a história como algo “diferente” devido a ausência do Bruce. Às vezes as coisas parecem ter mudado… Mas quem muda somos nós. Mudamos nossos olhos que aceitavam o fato de que ele podia morrer para olhos que acreditavam que as habilidades do Batman o salvariam pra sempre. A história apenas seguiu o fluxo que a realidade seguiria, morte e recomeço, um ômega seguido de um alfa. Bruce seguido de Richard. Um novo Batman.
Não tem nada a ver com o Ra’s Al Ghul, mas entrem no clima: “Vida Após a Morte”.

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001A primeira página da história já é uma evidência da razão pela qual gosto da arte do Tony Daniel. Vejam o quão sombrio e ainda assim rico em detalhes está o desenho. Ele usa com maestria as sombras, e mesmo essas partes sendo monocromáticas, não é em qualquer lugar que se aplicam sombras, você tem que ter a malandragem, e ainda mantendo espaço para arte com detalhes como o movimento na água, a máscara do compadre nas mãos do Batman, os galhos das árvores secas e a cidade ao fundo… É arte. Se não for arte, não sei mais o que é.
Dick está fazendo o que foi treinado pra fazer, “detetivar”. Seu raciocínio o leva a crer que o camarada mascarado ali é um desertor do Máscara Negra, e seguindo para as coordenadas que o sujeito passou, ele vai rumo a Praça do Diabo, local onde o Máscara Negra supostamente está agindo. No caminho, Grayson põe seus sentidos para trabalhar ao seu lado, até o olfato o ajuda a anteceder o que está por vir.
008Os amigos do capanga arriado no início não demoram a aparecer. Quer dizer, o Batman não demora a encontrá-los, pois estes estavam mortos por ali, provavelmente vítimas de emboscada. Alguém trabalhando contra o Máscara Negra?
Jim Gordon chega na cena. Felizmente podemos ver que os papos dedutivos e trocas de informação entre Batman e Gordon estão vivas e saudáveis. Argumentam sobre o envolvimento de Duas-Caras, envolvimento do Pinguim… Mas nenhum deles parece estar envolvido. Grayson diz que gostaria de levar a máscara de um dos capangas para análise, e Gordon retruca com “O Batman não precisa de permissão”.
Ainda veremos muitos detalhes como este, Grayson age com uma… “educação”, ou “consideração” que o Bruce não tinha. Realmente, como foi dito no “Long Shadows”, esse Batman está preocupado com as cenas de crime e com a polícia.
002Mudando a cena, Torre Wayne. Dick Grayson e Selina Kyle curtindo uma piscina. Cena raríssima de se ver, e diálogo mais raro ainda. De certo a primeira vez que verão algo do gênero. É uma das razões pela qual essa é minha época preferida das histórias, veio a tona uma situação que nunca houve antes, a ausência total do Bruce.
Milhares de situações riquíssimas que exploram a complexidade de cada personagem e suas respectivas ligações entre si e com o finado Bruce, situações essas que antes seriam impossíveis e agora nos saltam diante dos olhos. Tipo o Batman marcar um encontro com a Mulher-Gato de dia, na beira de uma piscina, ela de biquíni e ele de sunga. Se fosse o Bruce nem teria posto ninguém atrás dela, ele mesmo teria cercado a mulher de noite em Gotham e já era. “Escrevi num leu o pau comeu”.
A conversa que inicialmente já revela ter sido marcada um tanto “a força” (já que Grayson pôs pessoas atrás de Selina nas ruas de Gotham), tem um desenrolar um tanto “afiado“, uma guerra silenciosa entre os olhos verdes de Selina e os azuis do Grayson. “Meias ameaças” partindo de ambos lados, Selina se garantindo de que aquele é só “o garoto do Bruce”, e Dick se garantindo no óbvio, “I am Batman”.
Selina compara Dick ao Bruce quando mais novo e afirma que só está ali em consideração ao Bruce, coisa que é deveras chata, pois o Grayson é extremamente competente e vive nessa imortal “sombra do Bruce” aos olhos de muitos. E já que cheguei nesse assunto… Uma frase que achei perfeita sobre essa influencia post-mortem do Bruce:

“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala.” (José Saramago)

Bruce é um caso límpido e inquestionável de homem imortalizado pelas ações. Colocação feita, seguimos com a história.
“Richard… você pode ter as chaves do Batmóvel, da mansão, agora da Torre Wayne… Mas não ache que isso te torna dono de todas as posses do Bruce.” Essa não foi do Saramago, foi da Selina mesmo. Particularmente eu teria ido embora depois dessa,mas ele é o goddamn Batman. A discussão segue, e no fim ficamos sabendo que Dick quer a Mulher-Gato extraindo informação sobre o esconderijo do Máscara Negra com a Hera Venenosa, pois esta esteve envolvida com o boi da cara preta. Selina cobra pelo “risco”, inicialmente Grayson reluta com essa negociação, mas… A gata sempre consegue o que quer. Parece que independente de quem seja o Homem-Morcego, as coisas sempre andam assim diante de Selina Kyle.
003O novo encontro da dupla é mais a caráter, um terraço de Gotham, de noite, um vestido de morcego e a outra de gata. Grayson pagou para Selina arrancar da Hera o que ele já sabia. Praça do Diabo. Ele questionou se poderia pedir devolução do dinheiro quase como quem faz uma piada. Incomum em alguém vestido de Batman. Mas a coisa não vai totalmente pelo ralo, Selina fala sobre algo grande, algo grande acontecendo em paralelo a Gotham.
Batman vai conferir de perto, e encontra o que sem dúvidas trouxe a morte daqueles capangas do Máscara Negra no inicio. Mafiosos. “Bruce livrou Gotham de todos os seus mafiosos, mas parece que eles querem voltar. Não no meu turno”.
Uma cena clássica da fúria do homem morcego, os dentes à mostra dentro da silhueta escura, como uma fera rosnando nas sombras. Um Batman rosnando no escuro no dicionário dos marginais deveria constar como “Corre. Não que isso adiante, mas tente”.
004Dick comete um erro e dispara uma armadilha explosiva, e como o próprio diz, já era o elemento surpresa. Ele vê Mario Falcone. Sim, mais uma vez os Falcone metidos em confusão. Apesar desse ser o “ovelha negra” entre os mafiosos e ter ajudado o lado do bem, agora ele aparentemente está “enrolado” também.
O Homem-Morcego vai derrubando quem está na frente, usando até a capa como artifício para tal, um estilo de luta aérea que reconhecemos claramente dos tempos de Asa Noturna, para finalmente então ficar cara a cara com Falcone.
Selina aproveitou-se da distração causada pelo Batman e assaltou o cofre dos Falcone, e que quadro lindo esse da Selina. Vejam os detalhes das jóias, dá pra ver que as pedras tem faces lisas e imaginar o formato das mesmas, permitindo assim vermos que se tratam de várias pedras diferentes. Quanta meticulosidade da parte do Tony Daniel em dar uma forma única a cada pedra desse quadro.

005Temos a saída de Selina… E a aparição de Kitrina. Quem é Kitrina? Kitrina Falcone, irmã de Mario Falcone. Essa é a futura Catgirl. Será pano pra manga mais a frente, e em outra saga a sua existência vai gerar um dos diálogos/quadros mais sinistros, esperem pra ver.
Já na Praça do Diabo, no esconderijo subterrâneo, Hugo Strange traz alguém de volta dos mortos. Como eu disse, roteiros do Tony Daniel sempre trazem algo das antigas.
006A situação é clara: O Máscara Negra está na mira da Força Nacional, do Batman, e dos Falcone. Batman e Robin encontram alguns capangas do Máscara Negra a uma distância curta das terras dos Falcone e todo mundo entra no cacete.
Ninguém é de ferro, após tanta ação, Dick Grayson foi descansar. Mansão Wayne? Não. Torre Wayne. Não bastou trocar a bat-caverna pelo Bat-bunker, Dick também mudou de residência. passando para um apartamento ao invés da mansão. Deitado na cama, com a capa jogada aos pés da mesma. Um Batman menos preocupado, clássico caso do filho que assume a empresa do pai.
Dick tinha de aparecer em um evento de ricassos daqueles que o Bruce ia quase que obrigado, e Alfred arrumou companhia para ele. Cá entre nós, com essa companhia que o Alfred arrumou, eu trabalharia o resto da vida para contratar o velho Alfie como mordomo também. Sujeito de bom gosto.
007Na página inicial de sua chegada à festa, em cada quadro apenas seus conhecidos apareciam devidamente coloridos, diferentes da massa. Muito interessante. Entre eles, Jim e Babara Gordon, e acompanhia do Grayson… Helena Bertinelli, a Caçadora. Dá-lhe Alfred.
Na festa também estão presentes o doutor Thomas Elliot, passando-se por Bruce Wayne, pois este fez uma plástica em si mesmo e está com o rosto do Bruce desde os eventos passados em “Coração do Silêncio”, Mario Falcone, e o Charada, que agora não é mais Charada, é apenas Edward Nigma, exercendo função de detetive. Que festa hein, quanta gente, quanta alegria. Todo mundo calibrado no equilíbrio, pois qualquer vacilo ali ia virar uma terceira guerra mundial.
009O “falso Bruce” some da vista de Richard, este tenta encontrá-lo mas comete uma pequena falha que iria entregá-lo, “Bruce” tinha parado para conversar com o Jeremiah Arkham, Helena agarrou o Grayson e aplicou um eficiente “beijo de camuflagem” para encobri-lo e não dar a parecer que estava seguindo alguém. Que idéia genial. Não dela, do Alfred em tê-la escolhido como companhia. Santo Alfie.
O plano não desmoronou, mas Bárbara estava com linha aberta com Helena e Richard, e obviamente ficou por dentro da técnica de camuflagem da Caçadora. Situação ficou meio incômoda. Os eventos se desenrolam e Kitrina consegue fugir, deixando duas pessoas desacordadas.

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#86 – Batman: Escuridão Profunda (“Batman: Renascido” – 7ª Parte)

Reborn

“Muitas coisas mudam. Cultura. Tendências. Massa corpórea. E pessoas… Pessoas mudam. Mas o Batman não. Ele é uma das poucas constantes do universo. O Batman não muda. Mas eu não tinha certeza… Até agora. Pois aqui estou! No interior do santuário! Uma caverna! A Batcaverna! Poético! Obscuro! Bela! Aqui era onde ele vivia! Mas agora ele se foi, e esse ponto está fechado! E o mais importante… Eu invadi. Ele nunca teria sido descuidado assim.”

Atenção, mortais. Deixamos o melhor para o final da coleção “Batman: Renascido”. Essa é a saga de estréia de uma nova era, de uma Gotham com um novo Batman. Bruce Wayne foi dado como morto, e após muitas lutas, discussões e argumentos, Richard Grayson assume o manto do morcego. O título original é “Long Shadows”, na tradução “Escuridão Profunda”, foi lançado em 2010.
A estréia nas primeiras páginas não parece ser boa, já que o Grayson entra apanhando, mas é claro que não dá pra julgar um livro pela capa (nem pelas primeiras páginas). O roteiro não é algo surpreendente. Digo, a “trama” não é daquelas que ao final você diz “Pelo amor das cabritinhas masoquequeisso”, MAS os diálogos, falas, caixas de pensamento pessoal… Isso sim merece prêmios, e no mais… É a primeira história de Dick Grayson oficialmente como Batman, que pra mim é cheat que conta ponto automaticamente.
De uma coisa podem ter certeza, o roteiro é ORIGINAL. Até porque, é um roteiro sem Bruce Wayne, se isso não for original em uma história do Batman, não sei mais o que é. E não vale citar a Queda do Morcego/Filho Pródigo, pois o Bruce estava VIVO, e no caso dessa história é “100% sem Bruce”.
E uma das coisas mais interessantes da saga é notar as diferenças entre o “Batman Bruce” e o “Batman Richard”, que são ressaltadas o tempo inteiro tanto nas preferências dos “detalhes” no uniforme e equipamentos quanto no método de combate ao crime nas ruas. Isso sim é lendário, diga-se de passagem uma das coisas mais incríveis, talvez o ponto principal de todas as sagas em que Bruce está ausente.
Acompanhar as diferenças entre eles deixa em evidência o quão marcantes são os personagens, e o quanto a personalidade e opinião dos dois são diferentes, mostrando assim o quanto cada um deles é único.
Uma equipe das boas entrou para produzir essa história de estréia, Judd Winick que já é burro velho em matéria de Batman, e Mark Bagley, um grande desenhista que passou um bom tempo nas histórias do Homem Aranha na Marvel, e sua participação na estréia do Grayson como Batman também foi sua estréia da série principal do Batman.
Peguem as lanternas, agora estamos sob “Escuridão Profunda”.

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Equipe boa? Não. Equipe ÓTIMA. Pra quem não conhece Mark Bagley: o sujeito foi desenhista da revista “Amazing Spider-man” e da “Ultimate Spider-man” por bastante tempo, então é óbvio que Mark é já tem uma instrução nível NASA de qualidade pra fazer desenhos de movimentos largos, saltos, contorções, posições de alta flexibilidade e acrobacias. Sem dúvida um dos desenhistas mais apropriados para desenhar Dick Grayson. Fora que ele também foi o desenhista da segunda série da “Trinity” (Superman, Batman e Mulher Maravilha).
001-1E o Judd Winick… Eu dispensaria os comentários que farei, mas a lista é tão interessante que merece vir a tona. Ele foi o responsável do retorno do Jason Todd, a transformação dele em Red Hood, também foi ele quem fez o casamento do Arqueiro Verde com a Canário Negro.
Eu colecionava a Ultimate Spider-man desde o dia de lançamento aqui no Brasil, e foi uma decepção quando vi que o Mark deixou de ser o desenhista. Mas a decepção virou surpresa alguns anos depois quando vi que o cara entrou como desenhista na série mensal do Batman, logo a história de estréia do Dick como Batman, a primeira da melhor época das histórias do Batman na minha opinião. Raramente tenho boas surpresas com a DC, essa foi uma das raras e super positivas.
O melhor da saga é ver a adaptação de um Asa Noturna para se tornar um Batman. Ele acertando abertura dos olhos da máscara, peso da capa… Não, ele não é o Edney Silvestre. E não, ele não é tão “meticuloso”. Lendo a história vão entender que certos detalhes que encaixam pro estilo de combate do Bruce, não batem pro estilo de combate do Grayson.
000As primeiro a páginas do novo Homem Morcego já trazem o Batman apanhando dentro da Bat-caverna. Que furo hein, Sr. Grayson, estreou levando porrada. Porradas sob um discurso que ficará um tanto batido um tempo a frente disso, em outras sagas posteriores, pois bateram muito nessa tecla de “o novo Batman” ser um “falso Batman”, pois o original é insubstituível.
Palhaçada, né. Apesar de termos fãs e leitores aqui que talvez concordem com isso, deixemos essa visão xiita de lado, pois o melhor leque que a DC poderia ter aberto nas histórias foi essa mudança generalizada, onde mudou-se em uma só tacada Batman, Robin e Batgirl.
Gryason apanha até cair sob a vitrine onde estava um dos uniformes mais tradicionais de seu pai e mentor, Bruce Wayne. Uma queda um tanto simbólica.
007A história muda de tempo e voltamos para as ruas de Gotham, onde Batman exerce as palavras do juramento feito na caverna. A narrativa da repórter fala sobre as “mudanças” de estilo do Batman, que pra eles ainda é o mesmo de sempre. Segundo as informações da repórter, vídeos do Batman eram raros e acreditava-se que o próprio Batman desabilitava as câmeras de segurança dos locais por onde passava, já esse… Se deixa ser filmado prendendo gangues inteiras.
Como a própria história diz, as cenas do crime ficam tão limpas que fica tudo mastigado pra polícia, ficando mais “rápido” pras leis funcionarem também, dando uma aberta impressão de que esse Batman está do lado da policia e que é SIM uma ajuda pra sociedade. Até mesmo o Pinguim, um dos maiores prejudicados pelo novo Morcego, reconheceu que antes o Batman era “um pouco cuidadoso”, e que esse parecia trabalhar pra mídia.
gordonOutro que sentiu a mudança foi o Comissário Jim Gordon. Junto com outro policial, por dias ele ia ao terraço só pra acender o bat-sinal e desligar. O policial questionou a razão disso, Gordon retrucou que era só pro Batman saber que eles estavam ali, e se mostrando um tanto entendido do que costuma a ocorrer ali no terraço, ele lembrou que geralmente Gordon encontra com o Morcego sozinho, mas Jim encerra o papo principal dizendo que o Batman “agora não ligaria pra isso”.
No bat-bunker, temos Dick Grayson reclamando do campo curto de visão que a máscara do morcego oferece, e do peso da capa que já foi diminuÍda 3x e ainda continua parecendo uma lona de circo. É citado por Alfred (sempre observador) que o estilo de luta do Grayson é mais aéreo, coisa que o do Bruce não era, e Grayson na revolta diz que não vai mudar o jeito de lutar por causa da roupa. Alfred apresenta a solução de mudar alguns materiais da roupa por outros mais leves porém não menos duráveis.
005É uma das partes mais ricas da adaptação. Nunca em momento algum foi apresentado esse tipo de questão. Bruce estava acostumado com aqueles uniformes e equipamentos, mas e alguém que viesse depois? Nada disso foi abordado quando Dick Grayson assumiu o manto no Filho Pródigo, mas agora… Temos um roteiro hiper realista onde foi lembrado que as pessoas não são iguais. Winick merecia uma medalha.
002Primeira participação de Damian foi em um treinamento com Grayson, de madrugada no bunker. Apesar do garoto ter sido treinado pela Liga dos Assassinos… ainda é um garoto diante do grande Asa Noturna, que é um guerreiro com experiência suficiente para ser o que é agora, o Batman.
A cena seguinte é o Duas-Caras e um capanga que ele julga ser mais inteligente que os demais, um tal de Benny. O plano é simples… Kill the Batman. Brincadeira? Na verdade nem tanto, mas isso seria a consequência final do plano, na verdade a ideia era por esse “falso Batman” atrás do Pinguim.
Como vocês sabem, o Duas-Caras e o Pinguim tem uma eterna richa por territórios do submundo, que já se estendem desde o “Terra de Ninguém”, e mais recentemente na “Batalha pelo Manto”.
004Temos mais uma investida do Homem Morcego em um antro de safadeza criminosa, e mais uma vez o Duas-Caras fica de olho. Não só de olho, mas também muito incomodado com o fato desse Morcego falseta sorrir demais.
Dick e Alfred tem conversado muito no bunker, eu estou lhes poupando dos detalhes, mas adianto que o Winick fez um trabalho de MESTRE. Como eu disse na introdução desse texto, a trama pode não ter sido a melhor, mas os diálogos merecem prêmios. Não estragarei a surpresa, até porque ler isso sem ver os desenhos do Mark Bagley junto não dá o mesmo ar.
O que posso dizer… O Comissário, a Polícia, o Alfred, todos estão adorando o novo Batman.
Pinguim bate um papo com Máscara Negra, que o incentiva a se tornar o novo rei do crime em Gotham, e lhe apresenta um soldado que foi vítima de experimentos do governo, uma máquina de guerra, um louco varrido super forte pra ajudar nessa empreitada.
003Nessa cena da conversa podemos ver um colorido que se assemelha bastante com o do Sandu Florea, que geralmente trabalha com o Tony Daniel. Um colorido forte onde todas as cores são bem definidas, sem parecer que tudo leva uma camada de alguma outra cor por cima de forma geral. Na verdade, esse é um estilo mais moderno de colorir. Há histórias onde tudo é puxado pro cinza, outras em que tudo é puxado pra sépia… E tem essas que tudo tem cores bem distintas.
Bom? Ruim? Depende da proposta da história, para uma dessas está ótimo. Ser colorido demais não bateria bem pra uma… Batman/Deathblow por exemplo, que ficou claramente puxado pro sépia, dando uma aparencia de… “quente”, ou papel amarelado igual aquelas bordas de uma folha que quase queimou. O que encaixa perfeitamente com a trama da Batman/Deathblow, uma vez que o caos principal é em torno do pirocinético Maxwell Kai.
008Voltando a história, Dick dá um exemplo do que esse novo (e horrível) Batmóvel pode fazer. Coisas como voar e apagar incêndios igual um caminhão de bombeiros voador. Durante esse papel de combatente de chamas, Batman dá de cara com o tal super soldado do Pinguim, e pra piorar tudo, também com o Cara de Barro.
Dick Grayson leva umas boas porradas, tem que usar alguns quilos de explosivos, bombas e um bom número de golpes, mas consegue sozinho derrubar o super soldado “Blanco” (que de alguma forma faz lembrar o Deathblow que citei há pouco). Mas havia mais gente envolvida naquela história, observando a luta ao longe.
012Alfred vê em seus sistemas que aconteceu uma invasão. Não no bat-bunker, mas sim na caverna. Pra quem se perdeu nesse rolo entre caverna e bunker ai vai a explicação: o Grayson não queria usar a mesma base do Bruce, preferiu começar em outro lugar, um bunker. A caverna ficou com tudo lá, intocado.
Grayson chega rapidamente na caverna para ver o que aconteceu, mas não encontra ninguém. Pelo menos não a princípio, apenas uma coisa que simbolicamente ficou incrível. A moeda gigante que Bruce mantinha na caverna estava descoberta, e com uma das faces riscada. Quem é que usa uma moeda com um dos lados riscado? Quem acertar vai ganhar um… “Não fez mais que sua obrigação como fã de Batman”. Isso ai, o Duas-Caras.009
Ao passar pro outro lado da moeda para ver os riscos, Grayson é atingido por dardos com algum alucinógeno, e então Harvey dá as caras (AS caras, literalmente) e então ele fica com uma aparência que é uma mistura do primeiro uniforme do Batman com o do Batman de Zur En Arrh. E a questão abordada por ele era simples. “Quem é você? Onde está o verdadeiro Batman?”.

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ESPECIAL: Jogos do Batman

Alô, gamers que frequentam o Batman Guide!

Hoje falta exatamente UM MÊS para o lançamento do novo jogo do Batman, o Arkham Origins! Você já leu sobre ele nos nossos dois especiais aqui do Batman Guide?

▪ Arkham Origins: Preview, Galeria de Imagens e Vídeos (29/04)
▪ Arkham Origins: Novas Informações, Galeria de Imagens e Vídeos (25/08)

E para comemorar essa data, o Batman Guide traz com exclusividade para você um ESPECIAL com todos os games do Batman, desde 1986 até 2012!
Para conseguir fazer esse post foi necessária MUITA pesquisa, porque eu não pude jogar todos. Eu me esforcei ao máximo para ser clara nas minhas expressões, peço desculpas se eu tiver deixado passar algo, afinal não sou especializada em crítica de videogames. Caso haja alguma imprecisão, por favor me avisem nos comentários.
Preciso agradecer ao meu queridíssimo amigo Paul Richard pela soberba resenha feita para o game “Arkham Asylum”. E também agradeço ao Augusto, que fez com maestria os textos sobre o famoso jogo Arkham City!
Não foram considerados os jogos educacionais do Batman e os jogos lançados apenas para para plataformas portáteis.

Sem mais delongas, é hora de conhecer melhor a história do Morcegão nos games! Boa leitura!

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“Batman” (1986)
“Batman: The Caped Crusader” (1990)
“Batman – The Video Game” (1990)
“Batman Returns” (1992)
“Batman: Return/Revenge of the Joker” (1992)
“The Adventures of Batman & Robin” (1994)
“Batman Forever: The Arcade Game” (1996)
“Batman & Robin” (1997)
“Batman Beyond: Return of the Joker” – (2000)
“Batman: Gotham City Racer” (2001)
“Batman: Vengeance” (2001)
“Batman: Dark Tomorrow” (2002)
“Batman: Rise of Sin Tzu” (2003)
“Batman Begins” (2005)
“Lego Batman: The Videogame” (2008)
“Batman: Arkham Asylum” (2009)
“Batman: The Brave and the Bold – The Videogame” (2010)
“Batman: Arkham City” (2011)
“Lego Batman 2: DC Super Heroes” (2012)

“Batman” (1986)

Desenvolvedora: Ocean Software
Designers: Bernie Drummond e Jon Ritman
Plataformas: Amstrad CPC, Amstrad PCW, MSX, Sinclair ZX Spectrum

CAOAO primeiro jogo do Batman foi desenvolvido em uma perspectiva isométrica 3D (leia mais sobre isso aqui) do gênero ação/aventura. A primeira versão foi considerada um dos jogos mais populares, muito bem recebido pela crítica e tornou Batman popular também nos videogames.
Com um visual monocromático em 8-bit, o roteiro se desenvolvia da seguinte forma: Robin havia sido capturado pelo Coringa e pelo Charada enquanto consertava o Batmóvel. O jogador, no papel de Batman, deveria procurar pelo garoto-prodígio ao longo do mapa, mas para isso era preciso reunir as 7 partes faltantes do bat-móvel que faltavam e estavam espalhadas por aí.

Os equipamentos eram:

  • Bat-bag, uma maleta que permitia carregar os objetos;
  • Jet Bat-boot, botas que permitiam longos pulos;
  • Batthruster, um propulsor que permitia a movimentação enquanto você caia (talvez uma espécie de precursor do Bat-claw dos jogos modernos?);
  • Low Gravity Batbelt, um cinto de utilidades que reduzia pela metade a velocidade da queda.

Itens disponíveis:

  • Extra Life, para aumenta o número de vidas;
  • Energy, que aumentava a velocidade durante determinado tempo;
  • Shields, tornava Batman invulnerável por determinado tempo;
  • Jump, que duplica a capacidade normal de pulo de Batman.

Batman foi o primeiro jogo a ter a opção de um sistema de checkpoint, como opção para jogadores que quisessem recomeçar o jogo de determinado ponto. O checkpoint era um Batsinal, custava uma do máximo de 8 vidas possíveis para o Morcego, e você podia retornar com a mesma health , itens e equipamentos.
Um remake freeware foi lançado em 2011 com o nome de Watman (clique aqui para ver), e em 2002 foi lançado um remake para for Game Boy Advance sob o nome de Gwatman.

“Batman: The Caped Crusader” (1990)

Desenvolvedora: Special FX Software Ltd
Designers: Jonathan Smith, Charles Davies e Keith Tinman
Plataformas: Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Commodore 64, MS-DOS, ZX Spectrum

CapaNesse jogo no estilo arcade, Batman enfrenta dois de seus maiores inimigos: o Penguim e o Coringa. O jogo se divide em duas partes separadas, uma para cada vilão, que podiam ser jogadas em qualquer ordem.
Batman enfrentava os inimigos com socos, chutes e seu batarangue, e também resolvia desafios que apareciam em seu caminho.
Os gráficos foram baseados no estilo dos painéis de quadrinhos. Quando você entrava em uma nova parte do mapa, a área antiga não desaparecia do nada, mas ia sendo incorporada ao background. A Your Sinclair deu a esse jogo um ranking 9/10, por seus gráficos expressivos e o sistema de divisão em duas partes. A Computer Gaming World também fez uma critica positiva a respeito dos gráficos.
Batman: the Caped Crusader foi considerado um jogo a frente do seu tempo por ser mais voltado para a resolução de puzzles para prosseguir no jogo do que na ação, em bater nos vilões e dirigir o Batmóvel cheio de luzes coloridas.
Foi considerado um jogo complexo, porque em nenhum lugar se explicava o que você tinha que fazer – ao contrário da maioria dos jogos dos anos 80, em que as instruções vinham junto com o manual do jogo. O jogador não tinha uma pista do que iria enfrentar, e precisava ir na base da tentativa-e-erro.

“Batman – The Video Game” (1990)

Desenvolvedora: Ocean Software
Plataformas: Amiga, Amstrad CPC,Apple II, Atari ST,Commodore 64, MS-DOS,ZX Spectrum

CapaEsse jogo foi baseado no filme de 1989 de Batman. Consistia em 5 estágios baseados nos evento diretamente do filme. Cada estágio tinha um tempo limite e um medidor de energia, que era o rosto do Batman se transformando em rosto do Coringa conforme ia perdendo vida.
O primeiro estágio era Batman navegando pelo Axis Chemical Plant para enfrentar Jack Napier, no incidente em que ele se tornou o Coringa (!) Nesse nível, o jogo oferecia a opção de utilizar o Batarangue para se defender dos inimigos, acessar plataformas e pular vãos.
No segundo nível, Batman usava o Batmóvel para destruir pontos de tráfico e evitar a polícia. No terceiro nível, tinhamos um puzzle em que Batman precisava decifrar os componentes do Smilex, a toxina mortal que Coringa havia vendido na cidade. O quarto nível se passava numa Parada promovida por Coringa, e ele precisava usar os batarangues para cortar balões cheios de gás venenoso que sobrevoava a cidade, sem estourar os balões. E o nível final era uma continuação do primeiro nível, em que Batman encontrava Coringa no topo da Catedral de Gotham para o confronto final. A maioria dos elementos foi criada somente para o jogo.

Algumas das armas utilizadas:

  • Fisticuffs – a arma principal de Batman, o soco, que era um dos ataques mais úteis. Não gastava munição, e destruía a maioria dos inimigos com poucos golpes;
  • Batarang – Consumia uma unidade de munição por lançamento, mas podia acertar vários inimigos de uma vez. Utilizada para quando Batman estava longe demais para acertar os inimigos com um soco;
  • Spear Gun – Um lança-dados que consumia duas unidades de munição, e podia atingir um inimigo através de todo o cenário;
  • Dirk – Um ataque de três discos, útil contra inimigos que estavam num andar abaixo. Consumiam três unidades de munição.

Power-ups:

  • Bonus Item – Dava ao Batman 1000 pontos;
  • Pellet Item – Concedia 10 unidades de munição.

“Batman Returns” (1992)

Desenvolvedora: NES, SNES,Mega Drive/Genesis,Mega-CD, Master System,Game Gear, Lynx, Amiga,PC
Designers: Dentons (Amiga) / Spirit of Discovery (PC) / Aspect Co., Ltd. (Game Gear, Sega Master System) / Acme Interactive / Malibu Interactive (Mega Drive/Genesis, Mega-CD/Sega CD) / Atari (Lynx) / Konami (NES, SNES)
Plataformas: NES, SNES,Mega Drive/Genesis,Mega-CD, Master System,Game Gear, Lynx, Amiga,PC

BatmanReturnsCoverartO jogo foi uma versão de videogame para várias plataformas baseada no filme de mesmo nome. A versão para o Sega (Sega Mega Drive/Genesis, Sega Mega-CD, Sega Master System e Sega Game Gear) foi publicada pela própria Sega, enquando as versões do NES e do Super NES foram desenvolvidas e publicadas pela Konami. A versão para PC foi publicada pela Konami e desenvolvida pela Spirit of Discovery. A versão para Amiga foi desenvolvida pela Denton Designs e publicada pela Konami e, por fim, a versão para Atari Lynx version foi publicada pela própria Atari.
A versão de SNES lançada em 93 e era basicamente um jogo de luta em que você precisava ir em direção à direita do mapa (beat’em’up e side-scrolling), que era muito popular na época. Os cenários contemplavam 7 cenas do filme “Batman Returns”. Vários membros do “Red Triangle Circus Gang” atacavam Batman durante o jogo, e ele se defendia com as armas que tinha disponíveis. Havia cenários em 2D e em 3D, e cada fase terminava com um chefe, que precisava de um pouco mais de esforço para ser vencido.
O quinto nível consistia em Batman dirigindo o Batmóvel para perseguir uma gangue num van fortemente armada, e o Batmóvel usava uma arma poderosa para atirar. As críticas ao jogo foram positivas, a despeito de alguns comentários sobre sua falta de originalidade. Os gráficos, sons e controles foram o motivo dos elogios. Na versão do NES, o jogador só tinha uma barra de vida, que podia ser expandida através de itens encontrados no cenário. Havia um sistema de save com senha. A versão de Mega Drive/Genesis eram mais ou menos idênticas, mas a edição do CD também continha um CD de áudio com animações da arte do jogo, e alguns níveis de corrida em 3D. A versão para Atari Lynx era em 2D, com alguns dos melhores gráficos para Atari já disponíveis. Esse jogo foi conhecido por ser um dos mais difíceis até então. A versão para PC, publicada pela Konami, era considerada um jogo de aventura porque também misturava elementos de estratégia e RPG.
A versão para Amiga foi controversa porque trazia um bom número de bugs, e era praticamente impossível de jogar.

“Batman: Return/Revenge of the Joker” (1992)

Desenvolvedora: Sunsoft / Ringler Studios (Genesis)
Designers: Naoki Kodaka, Nobuyuki Hara, Shinichi Seya (NES) / Tommy Tallarico (Mega Drive) / David Whittaker (SNES)
Plataformas: NES, Game Boy,Sega Mega Drive/Genesis

600full-batman--revenge-of-the-joker-cover“Return” é o título para NES e Game Boy, enquando “Revenge” é o título para Sega/Genesis. O roteiro começa com Coringa escapando do Asilo Arkham, e tentando deixar Gotham no caos. O modo de jogo é basicamente scrolling lateral com várias técnicas de pulo, defender-se de inimigos e chefes e impedir que Gotham seja tomada pelo Coringa.
Os gadgets de Batman são um cinto de utilidades que o permite coletar ícones ao longo dos estágios. Ele é armado com vários tipos de batarangues e projéteis (exceto na versão de Game Boy, que possuía apenas um batarangue). Era possível fazer power-ups das armas em caixas ao longo dos níveis, e também coletar energias. Os chefes possuíam uma inovação em relação aos jogos anteriores: ao invés de Batman perder energia por um sistema de “barras”, energia ia diminuindo por pontos, aumentando a variação possível danos ao levar golpes dos chefes.
Os níveis eram compostos de uma fase na neve, um trem em movimento, uma base militar, torres de observação… Dois níveis específicos requeriam que você corresse e evitasse explosões ao longo dos carros que pegavam fogo nos níveis. Batman também precisava usar um jetpack em algumas missões.
A versão para console possui um ponto de save com senha, para voltar ao ponto em que se parou no jogo; e na versão para Game Boy era possível selecionar um nível no começo do jogo.

“The Adventures of Batman & Robin” (1994)

Desenvolvedora: Konami (SNES), Clockwork Tortoise (Mega Drive/Genesis e Mega-CD/Sega CD), Novotrade (Game Gear)
Designers: Jesper Kyd (Mega Drive/Genesis)
Plataformas: Super NES,Mega Drive/Genesis,Mega-CD/Sega CD,Game Gear

Adventures_of_Batman_and_Robin_SNESNesse jogo, boa parte dos vilões de Batman aparece: Coringa, Hera Venenosa, Pinguim, Mulher-Gato, Duas-Caras, Espantalho, Charada, Cara-de-Barro, Arlequina e Homem-Morcego. Alguns personagens aparecem para dar um suporte ao Morcego: Alfred, o Comissário Gordon e Bárbara Gordon.
O jogo consiste em um jogo de corrida e tiro onde Batman e Robin precisam parar o Senhor Frio, que planeja congelar Gotham. Para impedir que a Dupla Dinâmica o encontre facilmente, Frio liberta Coringa, Duas-Caras e o Chapeleiro Maluco do Arkham, cada um com sua fase: Coringa rouba diamantes de Gotham, Duas-Caras planeja invadir Gotham de avião e o Chapeleiro Louco está criando um exército de robôs para atacar a cidade.
É possível duas pessoas jogarem simultaneamente; um com Batman e um com Robin. Os dois personagens são equiparados em poder de fogo, usam batarangue, maças ou shurikens para longos ataques. Existem quatro níveis que consistem em diversos estágios. Em alguns níveis é possível controlar aviões também.
Foi considerado um jogo difícil de se completar, mas um portfólio interessante dos feitos visuais e sonoros que o Mega Drive e o Genesis possuíam até então.

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#85 – Renegados: O Abismo / Ruas de Gotham: Dinheiro do Silêncio (“Batman: Renascido” – 6ª Parte)

Reborn

Olá!
Desculpem pelo atraso no post, tive problemas com a minha conexão de internet 😦
Hoje teremos o penúltimo post da saga “Batman: Renascido”. Na verdade, trata-se de um post duplo: teremos o arco “Renegados: O Abismo” e o arco lançado na série mensal Ruas de Gotham intitulado “Hush Money”, que preferi traduzir para Dinheiro do Silêncio. Espero que vocês estejam gostando dessa saga e conto com a opinião de vocês no final do texto.

Renegados: O Abismo
(Outsiders: The Deep, roteiro de Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, março a setembro de 2009)

OutsidersLINE

001Primeiro, é preciso explicar uma mudança de títulos na série mensal na qual esse arco foi publicado. Como expliquei nesse texto, os Renegados são um grupo de heróis da DC que não se ajustaram adequadamente a grupos sérios como a Liga da Justiça. Eles não precisam de aprovação pública para suas ações e tem um código de conduta próprio. Inicialmente, eles eram liderados por Batman, então a série mensal se chamava “Batman e os Renegados” (Batman and The Outsiders V2, 2007, 14 volumes). Porém, quando Batman some, como continuar sendo “Batman e os Renegados”? A partir do volume #15, a série mensal começa a se chamar apenas “Renegados” (Outsiders, V4). O arco “O abismo”  (The Deep) compreende do volume Renegados #15 até o volume #20.
Mais uma informação: essa é a formação dos Renegados da qual falaremos nesse texto.

Formacao

  • Geoforça (Brion Markov)
  • Raio Negro (Jefferson Pierce)
  • Halo (Gabrielle Doe)
  • Metamorfo (Rex Mason)
  • Katana (Tatsu Yamashiro)
  • Rastejante (Jack Ryder)
  • Coruja (Roy Raymond Jr.)

002Explicações feitas, começaremos a analisar o roteiro.
Alfred convocou os Renegados, agora sem rumo, para uma importante reunião. Nessa reunião, ele anuncia que Batman havia deixado uma missão para eles – uma missão que ultrapassa a ação local dos Renegados, para além de Gotham, visando salvar o mundo (sim, nessas palavras um tanto quanto ambiciosas).
A decisão de seguir nesse projeto está à cargo dos Renegados. E se decidirem, eles terão um novo chefe: o próprio Alfred Pennyworth. Essa mudança no RH dos Outsiders é comentada com ironia por Brion Markov, o Geoforça:

“De servidor de chá para salvador do mundo, isso é um grande voto de fé que você está nos pedindo, Alfred.”

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Mas quem acompanha as histórias sabe que, a despeito da insistência de Alfred para que seus patrões mantenham uma certa regularidade alimentar, “servidor de chá” é a última coisa que ele é. O cara é assistente pessoal de Bruce Wayne, Dick Grayson e todos os membros da bat-família, cirurgião de guerra, serviu como Oficial de Inteligência no MI-6 (o serviço de inteligência britânico!) e por aí vai a lista.

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Ok, qual a decisão que o Alfred está pedindo aos Renegados? Se eles quiserem continuar sendo Outsiders, eles precisarão levar a palavra no sentido mais literal. Renegar o contato com qualquer ser humano que não seja do grupo. Ficar sem falar com seus entes queridos por meses. Desligarem a sua vida. Como soldados indo para a Guerra. Ser a linha de frente contra uma parede de fogo. Um inimigo implacável. Os que não quiserem aceitar essa premissa inicial podem se retirar sem ônus de suas honras, afinal foram parceiros valorosos para o Morcego. Mas os que decidirem aceitar… Deverão ter consciência do que o que os aguarda será longo e amargo.
005Certo, isso não é nada que possamos estranhar vindo do BATMAN, o cara é o mestre dos pedidos impossíveis. Mas acho que ele se excedeu um pouco. A missão dos Renegados começa fora da Terra. Como diz o Geoforça: “Isso é ser tão Renegado quanto se pode ser!”
A razão desse afastamento é para dar perspectiva na resolução de um caso – um desabamento provocado provavelmente por algum deslocamento de placas tectônicas, com dezenas de mortos e apenas uma sobrevivente.

006Os Renegados foram deixados como uma espécie de “braço” de Batman; cada um deles representa uma habilidade do Morcego. Metamorfo faz para o Coruja, o novo membro, um resumo do que cada um dos integrantes dos Renegados representa da personalidade de Batman. Indispensável para quem quer saber mais sobre cada um dos membros. (Metamorfo se transformando em Batman e Robin é impagável).

  • Geoforça: a força de combate, o “poder de fogo” do grupo
  • Raio Negro: o “coração” do grupo, faz do mundo um lugar melhor através da eletricidade
  • Katana: bem-humorada, odeia desembainhar a espada quando não é necessário
  • Rastejante: o fator “medo” do grupo, causando terror no coração dos criminosos
  • Halo: a vibração positiva do grupo, o “Robin”, que existe para mantê-los acreditando
  • Metamorfo: o cinto de utilidades dos Renegados.

007Eles se dividem em uma missão: alguns ficam na nave que está sobre a Terra e outros vão para a Alemanha fazer verificações. Mas algo parece estranho. As características das camadas de terra não estão batendo com as características comuns após eventos de tremores sísmicos. Algo parece estar fora do lugar. Parece não ter sido apenas um abalo sísmico.
Enquanto isso, na Filadélfia, um homem idoso chamado Franklin está acertando detalhes de um serviço específico. Um serviço para forjar sua morte, para que ele seja liberado para alguma operação especial – uma dívida antiga. E assim estão sendo forjadas as mortes de pessoas idosas na Inglaterra, em Kyoto, no Cabo da Boa Esperança, no Golfo Pérsico, no Vaticano (!) e na China. Um projeto em que eles irão empenhar os últimos anos de sua vida, que já fora estendida além do comum, em prol de um projeto misterioso envolvendo grandes armaduras de um líder chamado Lixeiro. Uma pesquisa sobre imortalidade, cujo início da resposta se encontra nas profundezas da Terra e o fim da resposta se encontra espalhado na estratosfera.

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#84 – Sereias de Gotham: União (“Batman: Renascido” – 5ª Parte)

Reborn

Oi!
Esse é, particularmente, um dos posts que eu mais queria escrever desde que comecei com o Batman Guide. A história de hoje tratará dessas três mulheres sobre as quais já falei aqui no Batman Guide: Arlequina, Mulher-Gato e Hera Venenosa. O que elas tem em comum, além de uma predisposição natural para se envolverem em crimes e problemas? Toda uma cidade contra elas. A única maneira delas sobreviverem em Gotham é se elas se juntarem. Cuidado para não ser pego pelas “Sereias de Gotham: União” (Gotham City Sirens: Union. Roteiro de Paul Dini, Scott Lobdell e Christopher Yost, arte de Guillem March e David Lopez, agosto de 2009 a fevereiro de 2010)!

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001Mulher-Gato tem sofrido muito nos últimos tempos em Gotham City. Primeiro, ela teve seu coração arrancado pelo vilão Silêncio. Depois, Jason Todd, vestido de Batman, a atirou de cima de um prédio. Ela se sente fraca como um filhote, mesmo depois de Zatanna ter fortificado seu coração com um elixir mágico. E para ajudar ainda apareceu um novo vilão chamado “Quebra-Ossos” cujo poder é… Quebrar ossos. Com um toque, estilhaçar ossos das pessoas. Tem aparecido montes desses vilões lunáticos em Gotham ultimamente, não? Mas pelo jeito esse vai conseguir acabar com a Mulher-Gato. Ou conseguiria, se não fosse pela intervenção providencial de Hera Venenosa.

002E onde a moça tem ficado ultimamente? Hera está dividindo apartamento com Charada. Certo, talvez “dividindo apartamento” não seja uma boa expressão. Ela está seduzindo ele com seus poderes tóxicos e o mantendo drogado enquanto pega a casa dele, depois de ter doado os 30 milhões de dólares que recebeu de Mulher-Gato para uma instituição que cuida de plantas (é, e a gente vendendo o almoço pra comprar o jantar).
A “adorável” Harley Quinn também é “companheira de apartamento” de Hera Venenosa, e tem vivido com ela desde que se cansou de Coringa (pelo menos até a próxima vez que ele ligar).
As três tem vivido no limite desde que Gotham City virou de pernas para o ar. Quando não estão fugindo da polícia, estão sendo penduradas pelo pescoço por algum vilãozinho de segunda, apanhando ou aceitando trabalhos idiotas de algum maluco. Era hora de tomar alguma medida para evitar isso. Hora de fazer uma união. Uma união de “super-vilãs”.
003Depois de alguma relutância por parte de Hera e de consultar suas “informantes”, ela aceita – Arlequina tem uma única cláusula: que no novo apartamento das três seja construída uma sala de brinquedo. Essa edição é um lapso de humor no meio de uma saga tão séria. A luta das três com o Quebra-Ossos é muito boa. Ah, há uma outra cláusula também, de Hera Venenosa – endossada por um composto orgânico que impede que a pessoa minta. Uma poção da verdade natural. Ela quer saber de Selina… Quem é o Batman.
004Temos um flashback de Selina Kyle indo ter uma conversa franca com Talia Al Ghul – em meio a tantas mulheres, as únicas duas que Bruce Wayne sempre amou. Acho que o Morcego não ia ficar muito feliz com essa conferência de ex-namoradas, mas o que os bat-olhos não veem, o bat-coração não sente. Além disso, é por um bom motivo: Talia ensina a Selina um método para guardar um segredo tão profundamente que nem você mesma terá acesso se não quiser – uma porta fechada para todo o sempre. Uma questão interessante para uma reflexão interna. Você esconderia algo assim dentro de você, se pudesse? Tem algo que trancaria dentro de você e jogaria as chaves fora?
005E o segredo de Selina em questão é justamente a identidade de Batman, que deve ser preservada a todo custo pelo bem dele e da cidade. E é o que Selina faz – ela inventa uma história bem convincente sobre o Batman na verdade ser dezenas de homens diferentes que assumem o manto por diferentes períodos, e os Robins são dezenas de meninos também. Sua história faz sentido, e aparentemente convence Hera e Harley – embora essa última fique tão entediada com essa resposta sem-graça que decide sair para fazer compras.
014Pausa para um comentário: menos um ponto para o roteirista, que poderia ter explorado algum traço menos fútil da personalidade de Arlequina (personagem de quem já falei neste post). Ela quase sempre é retratada como uma desmiolada. Espero por uma one-shot profunda dela, em que ela exponha o sofrimento causado pela dualidade entre o fato de amar Coringa de maneira tão intensa e de saber que ele é o homem ERRADO para ela, que ele é a escolha errada. Parece bobeira, mas não é. Poderiam criar conflitos relacionados ao comportamento afetivo-obsessivo de Arlequina, o fato de ela estar num relacionamento destrutivo com um homicida, talvez sugerir traços de um transtorno Borderline nela.
Se vocês se lembrarem da história “O Palhaço à Meia-Noite”, inserida no post “Batman & Filho”, vemos uma face mais adulta da Arlequina, em todo o seu sofrimento, e eu acredito que eles poderiam explorar esse nicho (já que é uma personagem muito querida pelos fãs).
006Bom, vamos nos contentar com o que temos agora. Passeando pelo shopping, Arlequina encontra Bruce Wayne.
Nesse momento o leitor estará olhando perplexo para a resenha perguntando “BRUCE WAYNE? MAS COMO ASSIM?”. Bem, quem é o lunático que reconstruiu todo o seu rosto para ficar idêntico ao Bruce Wayne? Sim, ele mesmo, Thomas Elliot. Ele está se passando por Bruce Wayne (no próximo arco vocês descobrirão como isso foi possível) publicamente, o que atrai criminosos tentando roubar a sua fortuna (ah, se soubessem que a Mulher-Gato roubou todo o seu dinheiro…).
007Ela decide salvá-lo. E ele acredita que é uma boa hora para se vingar dela. Ou então… Usá-la para chegar até a pessoa que ele mais quer destruir. Então ele sequestra a Arlequina.
Charada abriu uma firma de investigação e está procurando por pistas de dois supostos suicídios ocorridos em Gotham City. É bem interessante o momento em que ele se depara com Batman e percebe que é um Batman diferente. As habilidades investigativas dos dois se equiparam, e Charada precisa admitir: seja ele quem for, ele é BOM. Aliás, Charada não existe mais: ficou pra trás. Agora ele é só Edward Nigma, um homem sério.
008A participação de Edward nesse arco é bem engraçada porque, de alguma forma, ele e Batman acabam cooperando (sim, isso foi possível). Outro trecho engraçado, que já aconteceu na primeira HQ desse arco, é o fato de os vilões “novos” de Gotham considerarem os vilões clássicos como referências no crime; ao encontrar Charada, uma das criminosas quase pede um autógrafo para seu mestre. É a velha guarda do crime em Gotham.
Ok, 010mas Arlequina ainda está desaparecida? É isso que Hera e Mulher-Gato querem descobrir. Sim, Thomas Elliot ainda quer matá-la, mas não vai fazer isso de maneira que deixe pistas. Talvez seja melhor forjar um acidente. Ele decide desfilar com a belíssima Harley pela cidade, sempre em situações felizes e divertidas, então assim se por acaso acontecesse alguma coisa com ela quem iria suspeitar?

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#83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido” – 4ª Parte)

Reborn

Olá!

Ao longo dos últimos posts da saga “Batman: Renascido”, temos conhecido um pouco mais sobre Batman e Robin.
Mas não Batman e Robin como estamos acostumados. Agora temos uma nova configuração da Dupla Dinâmica. Batman é Dick Grayson, o filho pródigo de Bruce Wayne – agora desaparecido/morto. E Robin é… Damian Wayne. O incontrolável, insolente e impulsivo filho de 10 anos de Bruce Wayne, treinado pela Liga dos Assassinos para ser uma máquina mortífera, estava sob os cuidados de Batman antes de seu desaparecimento – numa tentativa de refrear sua personalidade explosiva. Como as coisas chegaram até aqui? Como essa nova Dupla Dinâmica vai reagir diante dos inúmeros desafios que só Gotham City pode proporcionar?
É o que vamos descobrir lendo a HQ de hoje. Prepare-se para ler “Batman e Robin” (roteiro de Grant Morrison e arte de Frank Quitely)!

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001Antes de começar, vou recapitular um pouco a decisão de Dick Grayson de fazer de Damian Wayne o seu novo Robin citando o penúltimo texto de Augusto“Dick precisava dele ali bem na frente de seus olhos, nada melhor do que fazê-lo Robin e ir ensinando as coisas já na linha de fogo.”
Claro que não seria fácil. Damian não é fácil de lidar. E em todas as ocasiões possível a provocação entre Dick, Tim e Damian era muito clara, muitas vezes evoluindo até para a violência física. Mas agora é hora de deixar essas rinhas de lado visando um objetivo maior: proteger Gotham do caos que se instaurou com o desaparecimento do Morcego.

003Chega até a dar pena dos marginais de Gotham, que acharam que tinham se livrado para sempre do pesado punho da justiça que Batman socava no meio da cara deles. Bom, o Morcego está de volta, com um belo e high-tech Batmóvel. Eles perseguem um grupinho meio estranho liderado por um homem com cara de sapo (ah, os vilões excêntricos da cidade…) que se refere ao seu chefe como Pyg. Uma transação de drogas, cujo pagamento é feito em… Dólares? Euros? Barras de ouro que valem mais do que dinheiro? Não, amigos. Dominó. Pagamento feito em dominó. O que isso significa?
Para descobrir, Dick se utiliza da velha técnica de seu mestre de ameaçar jogar o vilão-sapo, chamado Toad, de um penhasco de 90 metros – mas essa técnica não funciona bem, porque o batráquio não abre a boca. Deve estar costurada (tá, essa foi ruim).

006Como Dick Grayson está se sentindo no papel de Batman? Péssimo. Não que ele esteja perto de desistir, longe disso. Tampouco ele está indo mal –é provável que Batman ficasse orgulhoso. Mas apesar de ter sido treinado para isso, ele nunca pensou que efetivamente que PRECISARIA assumir esse papel. Só a perspectiva já o fazia ter insônia e medo. Nunca achamos que vamos perder alguém que amamos, mesmo sabendo que isso irá acontecer um dia, nunca estamos preparados.
004E Damian… Apesar de toda a impulsividade e todas as coisas que nós já estamos cansados de saber sobre o menino, por trás da máscara de insolência existe a coragem típica dos Wayne, a determinação de aprender, de aprender a fazer o que é correto – apesar de sua criação baseada no assassinato como um recurso banal, ele quer aprender a fazer o certo. Falando assim parece que o garoto é perfeito, mas ele está louco pra virar o Batman. É claro que ninguém vai deixar um garoto de 10 anos ser o Batman, então no momento ele vai ter que se contentar com o R sobre seu peito mesmo. O crime que se cuide.

Bonito ver Batman e Robin atendendo o chamado do Comissário Gordon, que vem ligando o Bat-sinal incessantemente desde que Batman sumiu. Eles justificam o sumiço dizendo que estavam “melhorando os equipamentos”. Gordon percebe a diferença na estatura física de Batman (Dick sempre foi ligeiramente menor, mas compensava esse pequeno empecilho com a sua agilidade de acrobata).

Batsign

008E qual é a zona da vez em Gotham? Vamos por partes. Tem um vilão tocando o terror em Gotham (novidade). Um carniceiro com uma máscara de porco. Isso já seria suficiente para assustar um desavisado, mas ainda temos um adicional: o porquinho aí curte amarrar pessoas e colocar máscaras de rostos novos fervendo sob os rostos dos seus inimigos. Máscaras de bonecos. Welcome to the mad house.
Não pense que acabou. Tem uma trupe de circos “extrema” causando problemas em Gotham, chamada “Le Cirque d’Etrange”. Um rapaz em chamas que coloca fogo em quem encosta, uma mulher barbada com obesidade mórbida chamada Lona, ninjas carecas amarrados pela cintura que tem o desplante de chamar Batman de “aberração exibida”. A luta evolui de tal forma que Damian acaba se afastando de Batman e desobecendo suas ordens, como falarei melhor a seguir. E com o que essas lindas crias do pior que há em Gotham estão trabalhando? Drogas de controle mental e traficantes russos. Uma combinação explosiva.

005A noite foi horrível, quatro policiais mortos e seis gravemente feridos. Bruce realmente se orgulharia? Nesse momento, fica difícil dizer que sim. Robin está tendo imensas dificuldades em se ajustar ao método de “uso conveniente de violência”. Ele acaba indo muito além no papel de intimidar um suspeito, ecos de seu severo treinamento na Liga dos Assassinos. Mais do que isso, ele sente falta de seu pai, da autoridade que ele impunha, o único que conseguia dar a ele uma ordem de verdade. Ele enxerga Dick como um mero imitador de Batman – e a cidade toda parece pensar isso. Talvez seja hora de encarar o manto de Batman sob uma nova perspectiva. Uma perspectiva de performance, como nos tempos de circo. Uma interpretação. Potencializar as qualidades de Grayson, ao invés de criar um memorial sobre Batman. Um verdadeiro herói. Essa decisão foi tomada sob influência de Alfred, como falarei também no fim do texto.

Robin, nossa pequena ave impulsiva, foi pega como refém pelo excêntrico doutor Pyg (traduzido aqui como Doutor Porko). Cabe aqui uma pequena citação do próprio Grant Morrison a respeito desse vilão; ele foi descrito como (tradução minha):

“[…] um dos mais estranhos e insanos personagens já vistos em Batman. Nós sempre ouvimos falar sobre Batman enfrentando vilões loucos, mas tentamos fazer esse cara parecer genuinamente perturbado e incoerente.”

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#82 – A Ascensão de Batgirl (Stephanie Brown) (“Batman: Renascido” – 3ª Parte)

Reborn

“- ‘A única variável que você pode controlar é você mesma’. Você pode esquecer quem você é, ou pode se tornar quem você quer ser. É por isso que você fica, por uma segunda chance.
– Mas se você ficar, é obrigado a encarar você mesmo… Ninguém é corajoso o bastante para enfrentar quem realmente é!
– Eu sou.
– E quem poderia ser?!
– Eu sou a Batgirl.”

Hoje o post não é apenas sobre uma história, nem apenas sobre uma personagem, e também não é apenas sobre apenas um “título” de herói. É sobre uma personagem, uma história e sua passagem pelo manto de TRÊS heroínas.
Quem fez as contas e sabe que raríssimas mulheres da DC tiveram 3 mantos diferentes devem ter deduzido de que estou falando de Stephanie Brown, que já foi Salteadora (“Spoiler”), Robin (a Garota-Prodígio) e por fim Batgirl.
A história selecionada foi sua estréia como Batgirl, “A Ascensão de Batgirl” – chamada nos EUA de “Batgirl: Rising“, e ela se passa no período em que Bruce Wayne está dado como morto, mas claro, antes da narrativa teremos umas boas linhas dedicadas a trajetória dela até chegar a esse ponto.
“Steph” tornou-se Batgirl um tanto na marra, inicialmente sem autorizações, mas pouco tempo após assumir o uniforme de Cassandra Cain, enfrentou uma barra e provou a Bárbara Gordon (a Batgirl original) que faz jus ao cargo.

Vou andar logo com as explicações pois tem muita coisa pra se falar sobre ela.

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“Salteadora, Robin, Batgirl, misturou a bagaça toda na intro”, só até este momento, pois agora falarei sobre “Stephanie Brown – Vida e Obra”, contarei tudo o que ocorreu com ela desde a primeira aparição nas histórias até o momento em que a DC a cortou sem mais nem menos no reboot.
Stephanie Brown. Moça loira dos olhos azuis, inteligente e rebelde. Filha de Arthur Brown, o criminoso conhecido como Cluemaster, traduzido no BR como “Mestre das Pistas”.
Já foi namorada do Tim Drake, já o substituiu como Robin, já substituiu Cassandra Cain como Batgirl, mas no geral ficou famosa como a “Spoiler”, ou “Salteadora” aqui na Ilha de Páscoa.
Eu normalmente sou a favor de se manter os nomes dos heróis no idioma original, ou seja, sou a favor de chamá-la de “Spoiler” ao invés de “Salteadora”, e ela é um ÓTIMO exemplo da razão.

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Mestre das Pistas (Cluemaster)

Vocês sabem o que significa spoiler, ou pelo menos tem noção. Aqui no blog mesmo quando vai ter spoiler da trama da história a Jéssica esconde as coisas e tal… Pois bem, Stephanie adotou esse nome porque ela dava spoilers dos crimes do seu próprio pai, o Cluemaster (Mestre das Pistas).
Ou seja, eu posso explicar a razão do nome “Spoiler”, mas não posso explicar o “Salteadora”. Difícil, né? Imaginem o Zé Pequeno nos EUA. “Little Zé”. Adaptações são ridículas, nunca poderemos cobrar que os outros mantenham nossos nomes no original se não fazemos o mesmo por eles. Querem saber se isso servirá de motivação a eles fazerem a parte deles? Não importa. Vocês como leitores de Batman sabem que “a coisa certa a se fazer” não pode esperar retorno, só deve ser feita.
Aqui no blog ainda usamos o máximo possível de nomes traduzidos pra facilitar a leitura e compreensão pra todas idades e níveis de inglês, mas aconselho a todos a sempre buscarem o nome original. As traduções às vezes dão uma atrapalhada seríssima.
Voltando a Stephanie em si… O pai dela, o Cluemaster, é um criminoso genérico do Charada, um sujeito que cometia crimes e deixava pistas a serem seguidas. Meio idiota pra alguém que não quer ser preso. O Charada pelo menos fazia coisas difíceis ou armadilhas, grandes planos… Enfim… O sujeito terminou preso, o que já era de se esperar.
Steph cresceu passando boa parte da sua vida sem o pai, pois o mesmo estava encarcerado. Após alguns anos, o velho Cluemaster sai da cadeia dizendo estar reabilitado, mas no fim das contas ainda era um mal elemento, ele continuou fazendo seus crimes, mas dessa vez sem deixar pistas. Ai entrou Steph, dando spoilers dos crimes do pai para a polícia e o Batman, como “Spoiler”.

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Stephanie Brown e Tim Drake (Robin #175, página 19)

Durante o tempo de caçada ao Cluemaster, Steph se apaixona pelo Tim Drake, e revela sua identidade a ele, mas ele não revela a dele pra garota. Pelo menos não inicialmente.
Confusões prosseguem sempre em torno do pai, ela chegou a ser sequetrada por um membro da gangue e tal… alguns pormenores que sempre se resolveram. Ela começou um namoro com Robin (mesmo sem saber a identidade secreta dele), mas em uma desses giros que o planeta costuma a dar… Eles se deparam com um baita golpe. Stephanie Brown estava grávida do ex-namorado que fugiu de Gotham após o Terremoto.
Robin dá todo apoio para Steph e após o parto, eles dão a bebê para a adoção, acreditando que seus novos pais poderiam dar um futuro melhor. Trama muito mais do que séria. E depois dizem que quadrinhos é coisa de criança.

Spoiler

Stephanie Brown como Salteadora (Spoiler)

Devido aos problemas pessoais de Tim Drake (tanto com o próprio pai quanto com o Batman), ele se afastou demais de Steph, e nesse tempo de ausência Batman se aproximou dela, oferecendo treinamento. Ela passou pelo tal treino do morcego, também por uma temporada com as Aves de Rapina, e também foi treinada pela Cassandra Cain em troca de aulas de leitura.
Batman de quebra ainda revela a Steph a identidade do Robin. Só essa explanada de informação criou umas faíscas entre Batman e Robin, e entre Steph e Robin. As coisas ficaram turbulentas.
Acham que ela já teve problemas suficientes? Sim, os problemas foram muitos e bem ruins, mas ainda não foram todos. Batman a proíbe de patrulhar a cidade, e ela continua por conta própria. O pai dela (Cluemaster), morre em uma missão do Esquadrão Suicida (esse esquadrão tem sido bastante citado aqui, e temos um post programado para falar mais a respeito dele daqui a um tempo), e em certo ponto ao longo de suas histórias ela ainda revela ter sido abusada quando criança. Parece que a vida de Morcego nenhum é simples.
Mas nem tudo são “baixos”, o alto de Steph veio após mais uma de suas brigas com Tim Drake na época que este deixou de ser Robin a pedido do pai, que tinha descoberto tudo sobre sua vida de vigilante.
Steph fez seu próprio uniforme de Robin, invadiu a bat-caverna e pediu a Batman que a treinasse para ser a nova Robin. Apesar de ter proibido-a de ser Spoiler e patrulhar a cidade, ele topou. Stephanie foi treinada de forma intensiva por meses pelo Batman, ele providenciou uma roupa de Robin oficialmente para ela, e Stephanie se tornou a nova Robin, a 4ª.

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Arte por Dustin Nguyen
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Ela patrulhou Gotham ao lado do Morcego por algum tempo, mas depois de desrespeitar ordens do mesmo em duas missões, ele se enfezou com a garota e jogou a história toda pro alto. Além de demiti-la do cargo de Robin ainda a proibiu de patrulhar a cidade (de novo), nem como Robin nem como Spoiler.

Robin

Stephanie Brown como 4ª Robin

Na tentativa de provar que Batman errou em não confiar nela, Steph faz uma das maiores cagadas que algum membro da Família Morcego já fez. Cagada essa que resultou na saga “Jogos de Guerra” e consequentemente fez o hiato que originou o “Um Ano Depois”.
Ao final dos Jogos de Guerra, Steph foi internada na risca entre a vida e a morte, sendo tratada pela Dra. Leslie. Dando tempo apenas para Batman fazer uma última visita, onde Steph diz ao Morcego que que ela tem uma filha, e Bruce diz pra ela não se preocupar, pois nunca faltará nada a criança.
Quando o bilionário Bruce Wayne diz que nunca faltará nada a uma criança, podem considerar isso ao pé da letra. O primeiro presente que Bruce deu a filha de Selina foi bolsa completa em qualquer faculdade que ela quisesse no mundo, bancada pelas Empresas Wayne. Deu pra captar a magnitude do morcego, né?
Bom, a última questão de Steph no leito de morte foi quanto a ela ter sido Robin, ela perguntou ao Batman se ela realmente viveu aquilo, se ela realmente foi Robin. O Morcego confirmou que sim, e então ela morre ali diante dele.

Alguém ai falou um “Como que pode?!”? É, como que pode ela ter morrido ali e ainda ter se tornado Batgirl depois? Isso ficou mal explicado pra caramba. Tudo bem que estamos falando de uma história onde existe Poços de lázaro pra todo canto, Jason Todd morreu e voltou, o tio Ra’s tá vivo há trocentos séculos… Tudo é possível, não é? Não.
Steph não foi ressuscitada, na verdade ela não chegou a morrer naquele leito de hospital. Inventaram todo um rolo depois disso, mas que ainda não explica COMO ela foi dado como morta ali na cara do maior detetive do mundo.
Ignorando um pouco esse “pequeno grande detalhe”, o que ocorreu após isso foi o seguinte:
Após a “morte”de Steph, Batman descobre que havia um procedimento que poderia ter salvo a vida da garota ali no hospital, e ao indagar a Dra. Leslie, ela diz que não aplicou o tal método que a salvaria pois tinha esperança dessa morte fazer com que Bruce visse o que seus métodos violentos causam, e talvez o fizesse acabar com essa história de vigilantes.

Claro que o Batman entrou em parafuso com essa história e exilou a Dra. Leslie dos EUA, dizendo que se ela voltasse, ele ia entrar com todos meios legais de processá-la incriminá-la e tudo mais. Leslie foi pra África.
Mas cá entre nós, uma mulher como Leslie, que defende a vida acima de tudo, que curou Zsasz durante o “Terra de Ninguém“, uma das únicas médicas que não correm da cidade durante os tempos difíceis, a que é totalmente contra violência… Iria deixar uma jovem garota morrer? Pois é, não deixou.
Steph foi com Leslie pra África, onde trabalhou como missionária enquanto se recuperava dos ferimentos, e uma vez que estava bem novamente, retornou a Gotham como Spoiler.
De seu retorno até a “morte” de Bruce Wayne, as coisas permanecem sem grandes mudanças, mas quando o Morcego some de Gotham… As tais mudança surgem. Cassandra Cain não via mais sentido em usar o simbolo do morcego se o homem que aquele simbolo representa morreu, ela então entrega o uniforme para Steph assim que as duas acabam com alguns marginais juntas na rua.

Agora sim, podemos ir para a história selecionada para esse post, a primeira da Stephanie Brown como Batgirl.

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Stephanie Brown como Batgirl

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