#82 – A Ascensão de Batgirl (Stephanie Brown) (“Batman: Renascido” – 3ª Parte)

Reborn

“- ‘A única variável que você pode controlar é você mesma’. Você pode esquecer quem você é, ou pode se tornar quem você quer ser. É por isso que você fica, por uma segunda chance.
– Mas se você ficar, é obrigado a encarar você mesmo… Ninguém é corajoso o bastante para enfrentar quem realmente é!
– Eu sou.
– E quem poderia ser?!
– Eu sou a Batgirl.”

Hoje o post não é apenas sobre uma história, nem apenas sobre uma personagem, e também não é apenas sobre apenas um “título” de herói. É sobre uma personagem, uma história e sua passagem pelo manto de TRÊS heroínas.
Quem fez as contas e sabe que raríssimas mulheres da DC tiveram 3 mantos diferentes devem ter deduzido de que estou falando de Stephanie Brown, que já foi Salteadora (“Spoiler”), Robin (a Garota-Prodígio) e por fim Batgirl.
A história selecionada foi sua estréia como Batgirl, “A Ascensão de Batgirl” – chamada nos EUA de “Batgirl: Rising“, e ela se passa no período em que Bruce Wayne está dado como morto, mas claro, antes da narrativa teremos umas boas linhas dedicadas a trajetória dela até chegar a esse ponto.
“Steph” tornou-se Batgirl um tanto na marra, inicialmente sem autorizações, mas pouco tempo após assumir o uniforme de Cassandra Cain, enfrentou uma barra e provou a Bárbara Gordon (a Batgirl original) que faz jus ao cargo.

Vou andar logo com as explicações pois tem muita coisa pra se falar sobre ela.

Line

“Salteadora, Robin, Batgirl, misturou a bagaça toda na intro”, só até este momento, pois agora falarei sobre “Stephanie Brown – Vida e Obra”, contarei tudo o que ocorreu com ela desde a primeira aparição nas histórias até o momento em que a DC a cortou sem mais nem menos no reboot.
Stephanie Brown. Moça loira dos olhos azuis, inteligente e rebelde. Filha de Arthur Brown, o criminoso conhecido como Cluemaster, traduzido no BR como “Mestre das Pistas”.
Já foi namorada do Tim Drake, já o substituiu como Robin, já substituiu Cassandra Cain como Batgirl, mas no geral ficou famosa como a “Spoiler”, ou “Salteadora” aqui na Ilha de Páscoa.
Eu normalmente sou a favor de se manter os nomes dos heróis no idioma original, ou seja, sou a favor de chamá-la de “Spoiler” ao invés de “Salteadora”, e ela é um ÓTIMO exemplo da razão.

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Mestre das Pistas (Cluemaster)

Vocês sabem o que significa spoiler, ou pelo menos tem noção. Aqui no blog mesmo quando vai ter spoiler da trama da história a Jéssica esconde as coisas e tal… Pois bem, Stephanie adotou esse nome porque ela dava spoilers dos crimes do seu próprio pai, o Cluemaster (Mestre das Pistas).
Ou seja, eu posso explicar a razão do nome “Spoiler”, mas não posso explicar o “Salteadora”. Difícil, né? Imaginem o Zé Pequeno nos EUA. “Little Zé”. Adaptações são ridículas, nunca poderemos cobrar que os outros mantenham nossos nomes no original se não fazemos o mesmo por eles. Querem saber se isso servirá de motivação a eles fazerem a parte deles? Não importa. Vocês como leitores de Batman sabem que “a coisa certa a se fazer” não pode esperar retorno, só deve ser feita.
Aqui no blog ainda usamos o máximo possível de nomes traduzidos pra facilitar a leitura e compreensão pra todas idades e níveis de inglês, mas aconselho a todos a sempre buscarem o nome original. As traduções às vezes dão uma atrapalhada seríssima.
Voltando a Stephanie em si… O pai dela, o Cluemaster, é um criminoso genérico do Charada, um sujeito que cometia crimes e deixava pistas a serem seguidas. Meio idiota pra alguém que não quer ser preso. O Charada pelo menos fazia coisas difíceis ou armadilhas, grandes planos… Enfim… O sujeito terminou preso, o que já era de se esperar.
Steph cresceu passando boa parte da sua vida sem o pai, pois o mesmo estava encarcerado. Após alguns anos, o velho Cluemaster sai da cadeia dizendo estar reabilitado, mas no fim das contas ainda era um mal elemento, ele continuou fazendo seus crimes, mas dessa vez sem deixar pistas. Ai entrou Steph, dando spoilers dos crimes do pai para a polícia e o Batman, como “Spoiler”.

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Stephanie Brown e Tim Drake (Robin #175, página 19)

Durante o tempo de caçada ao Cluemaster, Steph se apaixona pelo Tim Drake, e revela sua identidade a ele, mas ele não revela a dele pra garota. Pelo menos não inicialmente.
Confusões prosseguem sempre em torno do pai, ela chegou a ser sequetrada por um membro da gangue e tal… alguns pormenores que sempre se resolveram. Ela começou um namoro com Robin (mesmo sem saber a identidade secreta dele), mas em uma desses giros que o planeta costuma a dar… Eles se deparam com um baita golpe. Stephanie Brown estava grávida do ex-namorado que fugiu de Gotham após o Terremoto.
Robin dá todo apoio para Steph e após o parto, eles dão a bebê para a adoção, acreditando que seus novos pais poderiam dar um futuro melhor. Trama muito mais do que séria. E depois dizem que quadrinhos é coisa de criança.

Spoiler

Stephanie Brown como Salteadora (Spoiler)

Devido aos problemas pessoais de Tim Drake (tanto com o próprio pai quanto com o Batman), ele se afastou demais de Steph, e nesse tempo de ausência Batman se aproximou dela, oferecendo treinamento. Ela passou pelo tal treino do morcego, também por uma temporada com as Aves de Rapina, e também foi treinada pela Cassandra Cain em troca de aulas de leitura.
Batman de quebra ainda revela a Steph a identidade do Robin. Só essa explanada de informação criou umas faíscas entre Batman e Robin, e entre Steph e Robin. As coisas ficaram turbulentas.
Acham que ela já teve problemas suficientes? Sim, os problemas foram muitos e bem ruins, mas ainda não foram todos. Batman a proíbe de patrulhar a cidade, e ela continua por conta própria. O pai dela (Cluemaster), morre em uma missão do Esquadrão Suicida (esse esquadrão tem sido bastante citado aqui, e temos um post programado para falar mais a respeito dele daqui a um tempo), e em certo ponto ao longo de suas histórias ela ainda revela ter sido abusada quando criança. Parece que a vida de Morcego nenhum é simples.
Mas nem tudo são “baixos”, o alto de Steph veio após mais uma de suas brigas com Tim Drake na época que este deixou de ser Robin a pedido do pai, que tinha descoberto tudo sobre sua vida de vigilante.
Steph fez seu próprio uniforme de Robin, invadiu a bat-caverna e pediu a Batman que a treinasse para ser a nova Robin. Apesar de ter proibido-a de ser Spoiler e patrulhar a cidade, ele topou. Stephanie foi treinada de forma intensiva por meses pelo Batman, ele providenciou uma roupa de Robin oficialmente para ela, e Stephanie se tornou a nova Robin, a 4ª.

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Arte por Dustin Nguyen
duss005.deviantart.com/‎

Ela patrulhou Gotham ao lado do Morcego por algum tempo, mas depois de desrespeitar ordens do mesmo em duas missões, ele se enfezou com a garota e jogou a história toda pro alto. Além de demiti-la do cargo de Robin ainda a proibiu de patrulhar a cidade (de novo), nem como Robin nem como Spoiler.

Robin

Stephanie Brown como 4ª Robin

Na tentativa de provar que Batman errou em não confiar nela, Steph faz uma das maiores cagadas que algum membro da Família Morcego já fez. Cagada essa que resultou na saga “Jogos de Guerra” e consequentemente fez o hiato que originou o “Um Ano Depois”.
Ao final dos Jogos de Guerra, Steph foi internada na risca entre a vida e a morte, sendo tratada pela Dra. Leslie. Dando tempo apenas para Batman fazer uma última visita, onde Steph diz ao Morcego que que ela tem uma filha, e Bruce diz pra ela não se preocupar, pois nunca faltará nada a criança.
Quando o bilionário Bruce Wayne diz que nunca faltará nada a uma criança, podem considerar isso ao pé da letra. O primeiro presente que Bruce deu a filha de Selina foi bolsa completa em qualquer faculdade que ela quisesse no mundo, bancada pelas Empresas Wayne. Deu pra captar a magnitude do morcego, né?
Bom, a última questão de Steph no leito de morte foi quanto a ela ter sido Robin, ela perguntou ao Batman se ela realmente viveu aquilo, se ela realmente foi Robin. O Morcego confirmou que sim, e então ela morre ali diante dele.

Alguém ai falou um “Como que pode?!”? É, como que pode ela ter morrido ali e ainda ter se tornado Batgirl depois? Isso ficou mal explicado pra caramba. Tudo bem que estamos falando de uma história onde existe Poços de lázaro pra todo canto, Jason Todd morreu e voltou, o tio Ra’s tá vivo há trocentos séculos… Tudo é possível, não é? Não.
Steph não foi ressuscitada, na verdade ela não chegou a morrer naquele leito de hospital. Inventaram todo um rolo depois disso, mas que ainda não explica COMO ela foi dado como morta ali na cara do maior detetive do mundo.
Ignorando um pouco esse “pequeno grande detalhe”, o que ocorreu após isso foi o seguinte:
Após a “morte”de Steph, Batman descobre que havia um procedimento que poderia ter salvo a vida da garota ali no hospital, e ao indagar a Dra. Leslie, ela diz que não aplicou o tal método que a salvaria pois tinha esperança dessa morte fazer com que Bruce visse o que seus métodos violentos causam, e talvez o fizesse acabar com essa história de vigilantes.

Claro que o Batman entrou em parafuso com essa história e exilou a Dra. Leslie dos EUA, dizendo que se ela voltasse, ele ia entrar com todos meios legais de processá-la incriminá-la e tudo mais. Leslie foi pra África.
Mas cá entre nós, uma mulher como Leslie, que defende a vida acima de tudo, que curou Zsasz durante o “Terra de Ninguém“, uma das únicas médicas que não correm da cidade durante os tempos difíceis, a que é totalmente contra violência… Iria deixar uma jovem garota morrer? Pois é, não deixou.
Steph foi com Leslie pra África, onde trabalhou como missionária enquanto se recuperava dos ferimentos, e uma vez que estava bem novamente, retornou a Gotham como Spoiler.
De seu retorno até a “morte” de Bruce Wayne, as coisas permanecem sem grandes mudanças, mas quando o Morcego some de Gotham… As tais mudança surgem. Cassandra Cain não via mais sentido em usar o simbolo do morcego se o homem que aquele simbolo representa morreu, ela então entrega o uniforme para Steph assim que as duas acabam com alguns marginais juntas na rua.

Agora sim, podemos ir para a história selecionada para esse post, a primeira da Stephanie Brown como Batgirl.

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Stephanie Brown como Batgirl

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A história saiu da mente de Bryan Q. Miller e das mãos de Lee Garbett. Como o próprio nome sugere, é um novo começo. A arte de Lee Garbett é excelente. Claro que estamos lidando com um traço que não tem compromisso com realismo. Sou até chato ao dar esse exemplo, pois em todos os textos o exemplo é o MESMO, mas não tem jeito, Lee Bermejo é um ponto de referência que é difícil de evitar ao falar de desenho.
Como eu disse, Garbett não tem compromisso com o realismo, é traço de quadrinhos mesmo, cores vivas, aspectos e semblantes leves e sem muitos detalhes faciais ou de vestuário, porém o emprego de degradê nos efeitos de luz ficou magnífico. Efeito de chamas, de fumaça… Ou então podem notar a página onde aparece o título da história bem grande, onde Steph está sem a máscara, de pé na frente de uma construção. O aspecto do concreto marcado pelo tempo está impecável. Garbett é um artista de mão cheia.
Claro que tem seus pequenos vacilos, mas nada que o condene.

002Se alguém abrisse a revista sem ver a capa diria que estava lendo um “Velozes e Furiosos” versão HQ, pois a história começa com um pega de carros bem desse estilo, e o piloto de um dos carros é do mesmo esteriótipo do Vin Diesel. O pega tem a partida dada, e não leva nem um minuto até que Batgirl aparece e põe fim do racha, arruinando o carro do protótipo de Vin Diesel e arruinando também a perna dele, que quebrou com um chute da heroína.
Longe dali, Batman e Robin (Dick Grayson e Damian Wayne) observam a tudo de binóculos, argumentando sobre aquela não ser Cassandra, pois Cassandra era bem melhor que aquilo. O Garbett foi meio infeliz ao desenhar esse Damian, o moleque parece quase da idade do Tim Drake ali, coisa que está bastante errada.
Já fora da cena de ação, temos um belo exemplar da vida comum de Steph, em casa, com sua mãe, escondendo uniforme no armário, com adesivos e fotos de Robin pelas paredes e cabeceira da cama. Uma garota normal, assim como Bárbara em sua época de Batgirl.

004Em um flashback vemos então como foi a passagem do manto de Batgirl de Cassandra para Stephanie. Durante uma ação contra simples marginais em uma noite chuvosa, eles conversavam enquanto lutavam, e após derrubarem todos, Cassandra tira a máscara, a blusa (calma, ela estava vestida por baixo), pega o manto e entrega para Steph. Cassandra disse que lutou pelo Bruce, mas se ele morreu não faz mais sentido, terminou com um “agora a luta é sua”.
Não sei se a Cassandra tinha ideia do peso, ou responsabilidade de passar um manto adiante, mas ela em toda sua habilidade julgou que Steph deveria ser sua substituta. É um reconhecimento e tanto.
A história foca muito no quanto Barbara Gordon está infeliz. Há uma passagem com a Dra. Leslie e uma com seu pai Jim Gordon, e em ambas cenas dá pra ver que Bárbara se priva de deixar a felicidade vir. Coisa que nós fazemos muito na vida real sem perceber.

005Na cena com Jim Gordon, o celular de Barbara toca, uma ligação de Dick Grayson, provavelmente pra falar sobre uma Batgirl em circulação.
Na noite seguinte mais um problema com a marginalidade de Gotham, o Comissário liderando a policia, e Steph entra como Batgirl salvando a noite mais uma vez, e salvando também um policial em especial, que no fim das contas perguntou “qual morcego é você?”. Acho interessante que todos os “afiliados” ao Batman serem chamados de morcego.
Na manhã seguinte Steph dá de cara com Barbara na sua casa. Claro que não é o mesmo impacto que dar de cara com o Batman de madrugada na sua sala, como aconteceu com Jason Bard na saga “Cara a Cara”, mas ainda assim, você dar de cara com um membro da família morcego sem ser avisado sempre deve ser impactante.
006Barbara aborda as ações de Steph como Batgirl, e a recém “dona” do manto ainda diz pra Batgirl ORIGINAL um “não é da sua conta”. Barbara acerta a porta que Steph estava passando com um batarangue, e pelo visto conseguiu sua atenção. A ruiva explica o quão perigoso é usar um morcego no peito, mas a loira não liga pra um pio e continua suas ações pela rua.
Temos muitas cenas de Steph na faculdade, conhecendo pessoas, em salas de aula e coisas do gênero. Normalmente as partes mais chatas. Em contrapartida temos as partes de ação como Batgirl, e durante uma dessas ações, Barbara entra em contato com Steph no meio da luta, lembrando a ela que o uniforme é de segunda mão e que foi ela (Bárbara) quem instalou toda tecnologia no uniforme.

007Steph é avisada sobre a droga que está correndo pela cidade, sobre um garoto que morreu e alguns outros detalhes. Praticamente “Oráculo trabalhando com uma Batgirl”.
Após a sequência de ação, a maquinaria que faz Barbara ser a Oráculo dá uma pane, e ela vai pra Bat-caverna com Stephanie. Lá Bárbara pergunta a si mesma se está com inveja da Steph poder ser Batgirl nas ruas. Alguns detalhes interessantes pela caverna foi a colocação sobre “como ganhar um mostruário”. Só levando tiro, sendo morto, mudando de identidade… Enfim, aposentando o uniforme, coisa que geralmente não vem de forma pacífica.
Poderíamos dizer que Cassandra se aposentou de forma pacífica, mas isso foi devido a morte do Batman, e receber a equação anti-vida do Darkseid não é lá tão “pacífico”.

008Os tais arruaceiros que participaram da última luta de Steph nas ruas de Gotham foram detidos, mas pouco tempo depois foram tirados das mãos da polícia de novo, e o “chefe” deles, acorda em algum lugar escondido, na presença do Dr. Jonathan Crane, o Espantalho.
O Espantalho é um dos responsáveis pela nova droga em circulação. Na verdade ele está sob ordens do Máscara Negra, que está no controle de maior parte dos grandes vilões que estavam presos no Asilo Arkham, graças a um composto químico misturado nas medicações usuais dos “pacientes”, que reaje a um comando sonoro do Máscara Negra podendo simplesmente explodir a cabeça da pessoa “infectada”. Ou seja, O Espantalho (e os demais vilões) estão sob o comando do Máscara Negra de maneira forçada. Mais detalhes quanto a isso é só lerem o texto da “Batalha pelo Manto”.

009Steph vai até o Dr. Crane e sem grandes dificuldades dá de cara com o amiguinho da Dorothy (péssima piadinha com Mágico de Oz. Parei por hoje). Espantalho reclama que mandaram um “morcego de segunda classe” para combatê-lo. Ele esperava quem? Se o Batman aparecesse ali o cara ia agradecer de ter sido a Steph.
A garota leva a pior, a nova droga do Espantalho (chamada “Sensação”) faz um efeito mais forte do que o antídoto injetado anteriormente podia bloquear, e Steph leva uma surra em meio a alucinações enxergando ela mesma como Salteadora e enxergando também Tim Drake ainda vestido de Robin.

Nesse ponto acho que o roteirista deu uma bola fora. Eu disse ACHO, e vou explicar a razão. Ela viu Tim Drake vestido de Robin. O uniforme preto e vermelho que ele adotou no lugar do tradicional vermelho e verde que foram as cores de Dick Grayson, Jason Todd, dele próprio e até da Stephanie.
Um detalhe por fora: Pra quem não sabe, esse uniforme preto e vermelho de Robin foi ideia do Tim Drake, e veio após a morte do Superboy (Conner Kent), que era o melhor amigo do Tim Drake. Ele adotou as cores da blusa do Superboy pra ele (preto e vermelho).
Certo, voltando a outra explicação… Acho que o roteirista teve uma falha porque Steph alucinou vendo Tim Drake com o uniforme de Robin, sendo que nas histórias do Red Robin, Steph ainda era Salteadora quando viu Tim Drake já vestido com o uniforme de Red Robin. Fazendo as contas e seguindo a lógica, quando Steph tornou-se Batgirl, Tim Drake já era Red Robin e já tinha saído de Gotham. Acho que ela deveria ter alucinado com ele vestido de Red Robin.

Isto posto, temos três hipóteses pro ocorrido:
1ª – O roteirista se prendeu a imagem que ela viu o Robin pela primeira vez, imagem que ela devia lembrar com mais carinho. Essa hipótese salva o roteirista da acusação de erro;
2ª – Apesar das histórias terem lançamentos praticamente da mesma época, ele não soube que Steph foi usada no roteiro do Red Robin. Essa o salva parcialmente do erro;
3ª – Ele fez por fazer sem ao menos se importar com as histórias do Red Robin ou se prender a memórias da Steph. Essa seria um desleixo absurdo que eu duvido que ele admitiria se fosse o caso.

010Bom… Steph alucina, apanha muito, tem o uniforme detonado… E num acesso de heroísmo/valentia/força, ela se reergue e ataca o Espantalho com tudo, fazendo o discurso que usei no inicio do texto e por fim derrubando o oponente com um chute na cara.

A policia chega e ela usa fumaça para poder fugir.
Bárbara leva Steph para a caverna, no mesmo local onde Bruce e Dick fizeram o juramento, e as duas refazem a cena, Bárbara diz que Steph nunca estará sozinha, e Steph diz o mesmo a Barbara, e então a primeira Batgirl cede um novo uniforme para a Batgirl atual, um uniforme original que não é de segunda mão nem de Cassandra nem da própria Barbara.

Uma passagem incrível, o maior passo dado pela Stephanie Brown. Ela não perdeu tempo e foi logo pras ruas com orientação da Oráculo. Salvou crianças, impediu assaltantes, fez abordagens de ponta-cabeça estilo Batman, tudo isso usando o uniforme e equipamentos super avançados que Bárbara lhe proviu.
Gotham entra em um blackout, e pra fazer constraste aparece logo a Livewire, uma vilã que controla eletricidade. O próximo grande passo foi deter o vilão “Diesel”. Batgirl faz uso de batarangues especiais que congelam (fazendo lembrar as bombas de gelo do jogo Arkham City). Até acredito que Steph daria conta, mas sua ação é “interrompida” pela chegada da Dupla-Dinâmica, Homem Sereia e Mexilhãozinho. Brincadeira, Batman e Robin adentram o fogaréu que o Diesel criou.
012Eles sem saber do modus operandi pra lidar com Diesel cometem um erro, e Steph tentando ajudar acaba congelando o Damian com um de seus novos batarangues. A cena muda para a bat-caverna. Dick discute com Barbara sobre essa nova Batgirl mesmo mal-treinada e já ter saído em campo.
Ele praticamente quis manter a decisão do Bruce em proibir Steph de ser vigilante. Ele foi meio pé no saco, não precisava tanto por apenas um erro. Erro por erro eles também erraram em como iria lidar com o Diesel.
Mas foi quase como seria com o Bruce, a diferença é que o Bruce não diria nada e todo mundo ia entender e acatar tudo no primeiro olhar do Morcego, mas como é o Grayson… E como a discussão é com a mulher que ele quer casar… Palavras acabaram saindo, Bárbara lembra ao novo Batman que o Bruce morreu, e ele manda todo mundo vazar da caverna.

014Depois dessa cena toda, Damian ainda vai ao encontro de Steph e admite que pra ele, ela é um mistério. Pois ela não luta pra vingar nada, não é habilidosa em nada, não parece poder ajudar alguém… E no fim ainda diz que ela não tem peitos. Um esculacho generalizado. Steph apenas diz que as coisas não precisam funcionar só na base do medo, mas também da esperança.
Agora um tanto mais “solo” que no início, Steph segue suas andanças de Batgirl, e num passeio tranquilo ao encontro do rapaz que estuda na faculdade dela, acontece um assalto que ela tenta impedir a paisana, e leva uma bala na cabeça.
Ao ler essa revista há anos atrás achei que a Steph tinha morrido. Uma bala na cabeça é meio letal do lado de cá das páginas, mas o Grayson também levou uma na nuca e não morreu… Quem somos nós pra julgar esses highlanders, né?

016Steph sai viva tanto do tiro quanto a batida da ambulância… Também não morreu no final dos Jogos de Guera… Parece que a menina tem os dotes do Ra’s Al Ghul. Enquanto ela recupera seu rumo, o Comissário vai com o detetive de namorico da Steph pro terraço do bat-sinal, e logo o Batman (Dick Grayson) surge das sombras. Ele mantém um detalhe do Bruce e quebra outro. Primeiro, um aperto de mãos cumprimentando o Comissário, isso quebrou, Bruce geralmente não é de “contato”, e segundo, chegou dando todo background do detetive ali, e ignorou totalmente o mesmo, ponto que Bruce sempre fazia.
De longe, Batgirl observa de binóculos fazendo leitura labial, mas é surpreendida pelo Robin (Damian). Eles começam uma luta que só acaba diante do Batman, que dispensa os dois do caso.

017Bárbara entra em linha fechada com Batman,e pergunta se ele não pegou pesado demais com os dois (Steph e Damian), e o lembrou que no passado, Batgirl e Robin também não se davam bem de inicio, falando deles mesmos. Isso talvez tenha dado ao Dick um pouco do Asa Noturna de volta, e ele dá a entender que não vai impedir Steph de ser Batgirl.
Durante o papo com pistas e deduções, Dick pede para Barbara passar as informações pro Batmóvel, ela manda ele pedir “por favor”, e o temível Homem-Morcego, sorrindo para a câmera diz “Por favor, linda”. É, queridos, não é o Bruce, é o grande Richard Grayson.

Steph e Damian vão interrogar a Sra. Spencer quanto ao paradeiro de Francisco Gracia, mas Batman o encontra primeiro, e é surpreendido por “Roxy”, “Tumulto” e ”Dr. Phosphorus”, três vilões de segunda. Roxanne Sutton, Freddie Frankenstein e Alexander Sartorius, respectivamente. Todos liderados pela Roleta, uma outra vilã secundária comandando o reality show.
Barbara tombou 30 firewalls do sistema deles, mas não foi suficiente por hora. Phosphorus alcança Batman, Robin pega sua moto e Batgirl usa o veículo de fuga da Oráculo, e ambos vão para onde o Batman está enrascado. Damian faz o tal rodeio que falhou com o Diesel e consegue derrubar o Phosphorus, e Batgirl vai atrás da Roxy, “se catapulta” do veículo da Oráculo e consegue subir a bordo do foguete da Roxy, dá uns murros nela e guia o foguete na direção de Phosphorus, que ainda estava de pé e conseguiu dominar Damian.
Batgirl e Robin fizeram uma ação conjunta que deu certo. Tumulto segura Grayson e Damian toma conta da situação. Batgirl ajuda Batman a sair do local, ele confirma ter quebrado pelo menos duas costelas e ainda diz um ”bom trabalho” pra Steph.
Os dois conseguem deter o Tumulto, Oráculo consegue finalmente invadir o sistema daRoleta, e o “trio dinâmico” invade o tal local secreto, pondo fim na confusão toda. Quadro lindo por sinal, Batman, Robin e Batgirl, juntos como nos velhos tempos, porém, sob todos os mantos há uma pessoa diferente. Já foi Bruce, Dick e Barbara… Bruce, Jason e Barbara… depois Bruce, Tim e Cassandra, e por fim Dick, Damian e Stephanie. Um quadro bastante simbólico, um belo representativo da nova era pras histórias do Batman. Era essa que pra mim não deveria ter acabado. Já expliquei esse meu ponto diversas vezes em vários textos que me meti a escrever.

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Já na caverna, Steph e Damian em um canto conversando, Dick e Barbara em outro. Dick enfaixado, sendo cuidado por ela, os dois conversando sobre os jovens do outro lado, uma cena quase de pai e mãe olhando para os filhos, e de fato, assim como Dick “tomou a responsabilidade” do Damian pra si, Barbara tomou a da Stephanie. No fim da história, fica claro o seguinte: Batgirl está pronta para o que vier.

Como foi dito, a história foi extremamente satisfatória, tanto em roteiro quanto em arte, assim como a Red Robin da mesma época também foi. Séries incríveis, com personagens incríveis fazendo coisas incríveis. As mudanças foram LINDAS e obrigaram a todos os personagens a evoluírem e ficarem mais unidos, revelando lados novos de todos eles.

Foi uma época de ouro com dezenas de oportunidades.

steph

Sobre a Stephanie… Muita gente fala das “incapacidades” dela em comparação aos demais membros da família morcego, ou até mesmo (mais especificamente) comparado as demais Batgirls (ou demais Robins, quando ela foi Robin).
Não há discussão, a Barbara é mais inteligente SIM do que a Steph e do que a Cassandra. A Cassandra é mais forte SIM do que Barbara e Steph. E a Steph… Bom, ela tem mais SORTE que a Barbara e a Cassandra.

Mas na realidade, qualquer um dentro do universo morcego luta pior que a Cassandra, a garota é uma máquina de guerra. E a Bárbara é chamada de “Oráculo” por uma boa razão, e com certeza não tem nada a ver com voodoo nem mico-doido. A mulher é um gênio, dificilmente veremos alguém mais inteligente do que ela.
Então podemos ver que o ponto não é que a Stephanie é fraca ou burra, ela entrou substituindo as melhores no que fazem, é até sacanagem tentarmos comparar. O Tim Drake também luta menos que a Cassandra e nem por isso ele é fraco, e daí por diante.

A Steph simplesmente pegou cargos difíceis, mas ela é extremamente competente. Não devemos esquecer de que ela foi treinada pelo Batman em seus tempos de Robin.
Quanto a “importância” e “espaço” que ela tem nas histórias, muita gente também questiona. Ela foi Batgirl, foi Robin, namorada de um Robin, responsável direta pela saga “Jogos de Guerra” e “Um Ano Depois”, trouxe alguns dos problemas adolescentes/adultos mais sérios que a história já apresentou, como gravidez, dar filho pra adoção, abuso na infância… Enfim. Uma peça de suma importância nos tempos modernos do Batman.

Infelizmente, após o reboot que gerou os “Novos 52”, Stephanie Brown simplesmente SUMIU. Com o retrocesso de tempo na história e mudança/exclusão de alguns itens (conforme explicaremos em tempo oportuno aqui no blog), Stephanie Brown foi anulada sem mais nem menos.

Na nova “versão” da história da familia morcego, Tim Drake nunca foi “Robin”, ele sempre foi Red Robin desde sempre e patrulhou Gotham como dupla do Morcego por algum tempo. Não houve “Terremoto” pro namorado da Steph fugir e largá-la grávida sozinha, e por consequência não houve “Terra de Ninguém” onde a Caçadora criou um novo uniforme de Batgirl que pouco tempo após passou para as mãos de Cassandra Cain, o que também altera o fato de ter sido Cassandra Cain a dar o uniforme de Batgirl para Stephanie.

Steph também nunca substituiu o Tim Drake como Robin, e claro, devido a isso também não foi demitida, nem precisou provar nada ao Batman, o que também fez com que os Jogos de Guerra e One Year Later não acontecessem.

O reboot acabou com toda história que conhecíamos sobre Stephanie Brown. E admito pra vocês, apesar de já ter lido todas revistas da Stephanie como Batgirl, de ter lido as revistas dela como Robin, ter visto as confusões dela como Spoiler… Nunca gostei muito dela. Mas após escrever esse texto, acho que passei a ver as coisas pelos olhos dela e mudei de opinião. Nesse momento, ao fim do texto, fico até chateado de terem tirado ela do cargo de Batgirl, eu gostaria que ela ainda fosse Batgirl nos “Novos 52”.

COVERDownload no MEGA – A Ascensão de Batgirl

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  1. Ótimo texto, fazia tempo que eu tinha lido as historias dela e deu uma boa refrescada na memória. Tbm nunca curti ela, mas as motivações dela eram interessantes, nao precisa ter ocorrido algo horrível na vida dela pra fazer o certo. Me corrija se estiver errado, mas o Tim começou tbm sem ter que se vingar de nada.

  2. Desde a minha infancia lendo VIGILANTES DE GOTHAN, que Steph é minha personagem favorita no universo DC. Ela sempre foi desvalorizada e tratada com desdém por todos. Tudo sempre foi dificil pra ela!
    Adorei o post!

    • Realmente é uma ótima personagem, e como eu disse no texto, ocupou mantos importantíssimos dentro da DC. Coisa semelhante talvez só podemos dizer do Dick Grayson, que é o segundo mais antigo circulando nas histórias do morcego. Resta ver se a DC vai colocá-la de volta em circulação.

      Obrigado pelo comentário e continue por aqui. Até a próxima.

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    • Na verdade o filme onde o George Clooney foi Batman tivemos uma Batgirl loira que acredito ter sido o mais próximo de uma Stephanie Brown que tivemos em filme. Mas claro, não era ela no filme.

      Seria interessante sim, como eu defendo há ANOS, a melhor época das histórias do Batman foram pós-crise final, onde a equipe inteira mudou e teve que se adaptar. Por mim a Steph teria continuado até hoje.

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