#83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido” – 4ª Parte)

Reborn

Olá!

Ao longo dos últimos posts da saga “Batman: Renascido”, temos conhecido um pouco mais sobre Batman e Robin.
Mas não Batman e Robin como estamos acostumados. Agora temos uma nova configuração da Dupla Dinâmica. Batman é Dick Grayson, o filho pródigo de Bruce Wayne – agora desaparecido/morto. E Robin é… Damian Wayne. O incontrolável, insolente e impulsivo filho de 10 anos de Bruce Wayne, treinado pela Liga dos Assassinos para ser uma máquina mortífera, estava sob os cuidados de Batman antes de seu desaparecimento – numa tentativa de refrear sua personalidade explosiva. Como as coisas chegaram até aqui? Como essa nova Dupla Dinâmica vai reagir diante dos inúmeros desafios que só Gotham City pode proporcionar?
É o que vamos descobrir lendo a HQ de hoje. Prepare-se para ler “Batman e Robin” (roteiro de Grant Morrison e arte de Frank Quitely)!

Line

001Antes de começar, vou recapitular um pouco a decisão de Dick Grayson de fazer de Damian Wayne o seu novo Robin citando o penúltimo texto de Augusto“Dick precisava dele ali bem na frente de seus olhos, nada melhor do que fazê-lo Robin e ir ensinando as coisas já na linha de fogo.”
Claro que não seria fácil. Damian não é fácil de lidar. E em todas as ocasiões possível a provocação entre Dick, Tim e Damian era muito clara, muitas vezes evoluindo até para a violência física. Mas agora é hora de deixar essas rinhas de lado visando um objetivo maior: proteger Gotham do caos que se instaurou com o desaparecimento do Morcego.

003Chega até a dar pena dos marginais de Gotham, que acharam que tinham se livrado para sempre do pesado punho da justiça que Batman socava no meio da cara deles. Bom, o Morcego está de volta, com um belo e high-tech Batmóvel. Eles perseguem um grupinho meio estranho liderado por um homem com cara de sapo (ah, os vilões excêntricos da cidade…) que se refere ao seu chefe como Pyg. Uma transação de drogas, cujo pagamento é feito em… Dólares? Euros? Barras de ouro que valem mais do que dinheiro? Não, amigos. Dominó. Pagamento feito em dominó. O que isso significa?
Para descobrir, Dick se utiliza da velha técnica de seu mestre de ameaçar jogar o vilão-sapo, chamado Toad, de um penhasco de 90 metros – mas essa técnica não funciona bem, porque o batráquio não abre a boca. Deve estar costurada (tá, essa foi ruim).

006Como Dick Grayson está se sentindo no papel de Batman? Péssimo. Não que ele esteja perto de desistir, longe disso. Tampouco ele está indo mal –é provável que Batman ficasse orgulhoso. Mas apesar de ter sido treinado para isso, ele nunca pensou que efetivamente que PRECISARIA assumir esse papel. Só a perspectiva já o fazia ter insônia e medo. Nunca achamos que vamos perder alguém que amamos, mesmo sabendo que isso irá acontecer um dia, nunca estamos preparados.
004E Damian… Apesar de toda a impulsividade e todas as coisas que nós já estamos cansados de saber sobre o menino, por trás da máscara de insolência existe a coragem típica dos Wayne, a determinação de aprender, de aprender a fazer o que é correto – apesar de sua criação baseada no assassinato como um recurso banal, ele quer aprender a fazer o certo. Falando assim parece que o garoto é perfeito, mas ele está louco pra virar o Batman. É claro que ninguém vai deixar um garoto de 10 anos ser o Batman, então no momento ele vai ter que se contentar com o R sobre seu peito mesmo. O crime que se cuide.

Bonito ver Batman e Robin atendendo o chamado do Comissário Gordon, que vem ligando o Bat-sinal incessantemente desde que Batman sumiu. Eles justificam o sumiço dizendo que estavam “melhorando os equipamentos”. Gordon percebe a diferença na estatura física de Batman (Dick sempre foi ligeiramente menor, mas compensava esse pequeno empecilho com a sua agilidade de acrobata).

Batsign

008E qual é a zona da vez em Gotham? Vamos por partes. Tem um vilão tocando o terror em Gotham (novidade). Um carniceiro com uma máscara de porco. Isso já seria suficiente para assustar um desavisado, mas ainda temos um adicional: o porquinho aí curte amarrar pessoas e colocar máscaras de rostos novos fervendo sob os rostos dos seus inimigos. Máscaras de bonecos. Welcome to the mad house.
Não pense que acabou. Tem uma trupe de circos “extrema” causando problemas em Gotham, chamada “Le Cirque d’Etrange”. Um rapaz em chamas que coloca fogo em quem encosta, uma mulher barbada com obesidade mórbida chamada Lona, ninjas carecas amarrados pela cintura que tem o desplante de chamar Batman de “aberração exibida”. A luta evolui de tal forma que Damian acaba se afastando de Batman e desobecendo suas ordens, como falarei melhor a seguir. E com o que essas lindas crias do pior que há em Gotham estão trabalhando? Drogas de controle mental e traficantes russos. Uma combinação explosiva.

005A noite foi horrível, quatro policiais mortos e seis gravemente feridos. Bruce realmente se orgulharia? Nesse momento, fica difícil dizer que sim. Robin está tendo imensas dificuldades em se ajustar ao método de “uso conveniente de violência”. Ele acaba indo muito além no papel de intimidar um suspeito, ecos de seu severo treinamento na Liga dos Assassinos. Mais do que isso, ele sente falta de seu pai, da autoridade que ele impunha, o único que conseguia dar a ele uma ordem de verdade. Ele enxerga Dick como um mero imitador de Batman – e a cidade toda parece pensar isso. Talvez seja hora de encarar o manto de Batman sob uma nova perspectiva. Uma perspectiva de performance, como nos tempos de circo. Uma interpretação. Potencializar as qualidades de Grayson, ao invés de criar um memorial sobre Batman. Um verdadeiro herói. Essa decisão foi tomada sob influência de Alfred, como falarei também no fim do texto.

Robin, nossa pequena ave impulsiva, foi pega como refém pelo excêntrico doutor Pyg (traduzido aqui como Doutor Porko). Cabe aqui uma pequena citação do próprio Grant Morrison a respeito desse vilão; ele foi descrito como (tradução minha):

“[…] um dos mais estranhos e insanos personagens já vistos em Batman. Nós sempre ouvimos falar sobre Batman enfrentando vilões loucos, mas tentamos fazer esse cara parecer genuinamente perturbado e incoerente.”

010A inspiração de Morrisson foi na canção Pygmalis, de Kahimi Karie (música assustadora também), ambas inspiradas na lenda do Pigmalião (também lembrei de uma cena de American Horror Story no episódio “Piggy Piggy”, mais especificamente na cena do banheiro). Conheceremos sua história lendo essa HQ.
Posto isso, nós conseguimos acompanhar o desespero que é seu monólogo incompreensível, sua mente conturbada, sua linha de pensamento completamente irregular. E os sons que ele faz quando imita um porco, meu deus, boa sorte para dormir à noite. E ele quer implantar outro rosto em Damian, como fez com tantas pessoas.
011-1É, um dos primeiros casos de Batman & Robin envolve um circo de freaks, imigrantes ilegais, prostituição, doenças mentais, ataques biológicos baseados em vírus ameaçando tomar uma cidade inteira.
E para ajudar uma das aberrações que tentou fazer uma lobotomia em Asa Noturna na saga Descanse em Paz está de volta, para tentar terminar o que não conseguiu. E mais alguém, também um velho conhecido nosso, aparece para tirar a paz de Gotham…

O mais interessante de observar nesse arco, apesar de curto, é como vai se delineando a relação entre o novo Batman e o novo Robin. Como Grayson vai impondo sua existência como o novo Batman, e conquistando o respeito de Damian. Damian ainda não é completamente a pessoa que seu pai esperava que ele fosse, mas está dando largos passos nesse sentido. Essa nova composição da Dupla Dinâmica irá revolucionar Gotham City.

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Nesse momento, os conflitos do novo Batman não estão relacionados só aos criminosos que fervilham em Gotham, mas ele também precisa lidar com o peso do manto que assumiu, com as responsabilidades que ele carrega sendo Batman. Ele precisa provar para si mesmo, para a polícia de Gotham e para a cidade que é capaz – e honrar a memória de Wayne. Além disso, ele precisa conquistar o respeito de Damian – que é extremamente insubordinado a qualquer um que não seja Bruce Wayne.
012Gordon não está satisfeito com esse Batman, ainda que não possua provas concretas sobre o fato de ser um Batman diferente. Mas ele aceita e espera que ele continue fazendo o bem que sempre fez sobre a cidade. A conversa que Alfred tem com ele nesse arco é essencial: ele sugere que talvez seja melhor que ele tente adaptar o papel de Batman para a personalidade de Dick Grayson, suas próprias características de luta e habilidade, ao invés de simular as de Bruce. Conhecemos o jeito que Asa Noturna usa em combate – ridicularizar seus inimigos, atingir seus pontos fracos, satirizá-los para enfraquecê-los. Um Batman menos “pesado”, menos sombrio. Na verdade, apesar dos pontos “densos” dessa história, alguns diálogos lembram até mesmo o clássico seriado do Batman dos anos 60.
Entretanto, até mesmo Damian está começando a entrar nos eixos, lembrando de seu pai. Ele está ganhando espaço e provando o seu valor.

007Como Alfred bem salienta, nunca devemos nos esquecer o histórico conturbado do pequeno Damian – nascido numa família sem ternura, treinado para matar pela Liga dos Assassinos, impulsivo, intransigente. Diz-se que ele é o maior presente de Grant Morrison para o Universo DC, e ao longo dessas sagas que venho escrevendo, não consigo discordar. A repercussão dessa série na época do lançamento foi boa e serviu para popularizar o personagem de Damian, para torná-lo uma espécie de anti-herói que busca a redenção, que decididamente quer melhorar – mesmo que seja difícil para ele contrariar tudo o que aprendeu até agora (claro que boa parte dos leitores ainda acha que ele é um molequinho mimado muito irritante). Ele aprenderá a obedecer, a não matar mais em memória de seu pai, e a tentar conter toda a fúria que guarda dentro de si.

Uma clara inversão de papéis: se no começo tínhamos um Batman (Bruce Wayne) com punhos de ferro que convida Robin a se juntar a ele para que se lembre de que a vida pode ser mais leve, agora temos um Batman mais leve e um Robin cheio de fúria que mal consegue conter.
A arte de Frank Quitely beira o cartunesco, com excesso de uso de cores, principalmente primárias. Mas o resultado final não fica infantilizado, pelo contrário, fica muito interessante e pertinente. (Me lemboru a arte do Dustin Nguyen, mas bem mais adulta) É algo que não estamos acostumados a ver nas histórias do taciturno Morcego. Ele constrói grandes quadros que realmente dão a sensação de estar visualizando as lutas de perto. Destaque para o uniforme de Damian, que remete ao uniforme do próprio Grayson em seus tempos de Robin. A dupla Morrison & Quitely se sai muito bem nessa saga.

Quadro 1

Espero ter falado tudo que era necessário nessa resenha, e que vocês continuem acompanhando o Batman Guide! Até o próximo post!

COVER

Download no MEGA – Batman e Robin

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  1. Opa o Augusto havia respondido uma dúvida minha em outro post exatamente sobre essa fase do Batman e Robin ,que bela surpresa ver esta resenha aqui,Valeu.
    Boa semana,Cbr.

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