#91 – Bruce Wayne: Estrada Para Casa

“Então, minha missão […] é trabalhar duramente comigo mesmo; nunca esquecer que tenho aliados nesta guerra, que preciso deles e dos amigos… E tentar, nem que seja um pouco, aproveitar esses vínculos um pouco mais, porque eles são muito frágeis.”

“De hoje em diante, Batman estará em todo lugar que haja escuridão. Sem lugar para se esconder.”

Oi!
Você se lembra do arco “Batman: Renascido”? Ele foi postado aqui no Batman Guide em 7 partes. Em cada uma delas, vimos a repercussão que o sumiço de Bruce Wayne teve para os aliados de Batman. Como cada um deles se rearranjou, como se adaptaram, as estratégias que se utilizaram para garantir o preenchimento das lacunas que o Morcego original deixou.
Agora Bruce Wayne está de volta. Mas ele não irá se revelar ainda. Ele ainda precisa avaliar até que ponto cada um dos seus aliados está devidamente preparado para o seu aparecimento. Precisa saber como eles se saíram nesse período de ausência. Precisa trilhar sua estrada de volta para casa. E, acima de tudo, precisa descobrir se eles estão preparados para o grande desafio que está por vir.
A HQ de hoje é “Bruce Wayne: Estrada para Casa” (“Bruce Wayne: The Road Home”, dezembro de 2010-janeiro 2011).

Atenção: apesar de serem one-shots lançadas no mesmo mês, recomenda-se a leitura na ordem abaixo para melhor entendimento.

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#1 – Batman & Robin: Olhando de Fora para Dentro
(“Outside Looking In”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Cliff Richards, dezembro de 2010).

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Leitura relacionada:
■ #83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido”)

Essa HQ tem Fabian Nicieza no roteiro. Eu já disse aqui o quanto eu gosto do trabalho do cara, então já estava disposta a gostar dessa HQ antes de lê-la. Lembrando que isso não significa que eu vá fazer vista grossa caso o roteiro esteja ruim; não devemos endeusar ninguém a ponto de não aceitar que essa pessoa cometa erros. O que não foi, de todo, o caso dessa história.
O narrador dessa história parece estar observando o trabalho de Dick e Damian enquanto Batman e Robin.
Se você observar pensamento dessa história, irá observar que existem duas tipologias de balões: a primeira, escrita à mão em linhas de caderno; e a segunda, parecendo ter sido digitada em uma fonte de computador, como um relatório de trabalho. Veja:

Narradores

Isso nos indica que há dois narradores nessa história.
O primeiro narrador, do diário escrito à mão, observa algumas coisas sobre a Dupla Dinâmica caçando o misterioso Killshot. A primeira delas é que eles não só correspondem totalmente às expectativas, como também as superam. A segunda observação parece ter um tom reflexivo: nós sabemos que o método de Dick de enfrentar os problemas é com certo bom-humor, fazendo piadas o tempo todo, com um viés meio circense, que está no seu sangue. Assim, a Dupla Dinâmica terá errado em transformar o seu trabalho de Batman e Robin “em uma aventura, ao invés de uma obsessão”? Essa nova metodologia, única, é válida? O “novo” Batman é absurdamente confiante. E além disso, tem um mérito incrível: conseguiu colocar Damian Wayne na linha. Quem faz essas observações deve saber, em primeiro lugar, que Batman não é o mesmo de antigamente (isto é, não é mais Bruce Wayne). Ora, poucas pessoas sabiam disso em Gotham City – a maioria delas, incluindo Jim Gordon, achava que Batman continuava o mesmo, apenas com algumas mudanças comportamentais.

O segundo narrador, das linhas digitadas, também sabe que novo Batman é Dick Grayson. O que ela não entende é como e porque ele se tornou Batman. O que faz dele o novo Morcego. Onde estaria Bruce Wayne? Ela está chantageando a Bat-família em busca de informações. Quando ela descobrir isso, poderá publicar no jornal de Gotham e alcançar o sucesso que tanto almeja.
A segunda narradora é Vicki Vale, a ex-namorada de Bruce Wayne.

Para tentar contornar isso, Bruce Wayne convida-a para jantar. Epa… Não tão cedo. É Thomas Elliot, que foi pego pela bat-família tentando roubar o patrimônio de Bruce, e está sendo forçado por eles a aparecer publicamente como Bruce Wayne desde o arco Últimos Sacramentos. Mas Vicki Vale é ardilosa. Ela já esteve intimamente com ele, e percebeu que não era Bruce Wayne.
Enquanto isso, a Dupla Dinâmica continua procurando Killshot pela cidade, estragando operações ilegais, deslocando o maxilar de criminosos, tentando desmanchar um complô para assassinar o prefeito, um Torneio Internacional de Assassinato, essas coisas comuns para Batman & Robin. Até que vemos Killshot conversando pacificamente com Red Robin. Terá Tim Drake mudado de lado? Quem está se vestindo de Killshot?
Quem é o primeiro narrador, que está observando Batman e Robin de maneira tão precisa? A resposta para essa pergunta é a mesma: Bruce Wayne. As observações que ele faz nas últimas páginas valem a pena a edição toda.

#2 – Red Robin: O Infiltrado
(“The Insider”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Ramon Bachs, dezembro de 2010)

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Leitura relacionada:
■ #81 – Red Robin: O Graal (“Batman: Renascido”)

Recapitulando um pouco a história de Tim Drake, do post #81: Desde o começo ele foi o único que realmente acreditava que Bruce não havia morrido, e sua insistência foi tanta que ele decidiu se separar do resto da Bat-família e se tornar o Red Robin, entrando em missões heróicas pela Europa.
Ao tomar conhecimento disso, Bruce decide analisar o trabalho de Red Robin:

“Agora, eu preciso ver como Tim Drake e seus planos à longo prazo como Red Robin vão funcionar com (ou contra?) minha nova perspectiva operacional. Eu preciso ver se ele tirou o melhor do que lhe ensinei… Ou o pior das coisas que eu fiz errado.”

Ele será analisado enquanto luta com o Concílio das Aranhas – do qual o Augusto já falou em “Red Robin – O Graal”. Drake está trabalhando com Prudência, ex-assassina de Ra’s Al Ghul, quando Killshot – isto é, Bruce Wayne – decide testá-lo: ver como ele se comporta diante do inesperado. E, bem, nas próprias palavras de Wayne, “Sua organização tática e estratégica é brilhante”, porém ele precisa aprender a improvisar. A essa altura eles já estão trabalhando juntos.
Vicki Vale vai atrás de Alfred para mais uma rodada de chantagem e ameaças, e acaba descobrindo a verdade que tanto procura sobre Bruce: que ele esteve morto/perdido no tempo, e que fará seu retorno quando estiver preparado. Ela sabe que precisará pegar mais pesado se quiser algum resultado.
Bruce, enquanto Killshot, está infiltrado no Concílio das Aranhas, fingindo que quer se graduar. Um nível de risco que só alguém como ele pode aguentar. Ele recebe a missão de matar Tim Drake para que se integre verdadeiramente ao Concílio – uma excelente oportunidade para eles se testarem, mutuamente.
Ver as reflexões de um sobre o outro é o ponto alto dessa edição. A relação entre Wayne e Drake sempre foi muito profunda, desde o começo, quando Drake pediu para se tornar Robin, desde quando ele foi adotado e se tornou o Robin mais perito em tecnologia e com as qualidades mais equilibradas entre todos os meninos-prodígio.
Prudência esteve ajudando Red Robin durante todo esse tempo, mas aparentemente ela também é uma agente-dupla. E ela está se reportando a alguém que já tem um histórico de problemas com Batman. Uma dívida que envolve imortalidade.

Uma das coisas que você precisa estar atento nessas edições são as anotações finais de cada volume; são as conclusões finais do Caderno Branco de Bruce. Elas são bem valiosas. Alguns dos comentários feitos sobre Red Robin:

“De cada tragédia que Tim suportou, e houve muitas, ele se ergueu das sombras mais forte, mais brilhante do que ele era antes. […] Sua força está em sua habilidade de balancear a escuridão com a luz e o entendimento de que no final a ordem não pode ganhar sem uma saudável participação dos casos.”

Agora é a vez de Batman passar os olhos por aqueles que praticamente se desfizeram durante sua ausência. Os Renegados.

#3 – Os Renegados: Interferência interna*¹
(“Insider Interference”, roteiro de Mike W. Barr e arte de Javier Saltares, dezembro de 2010)

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Leitura relacionada:
■ #85 – Renegados: O Abismo (“Batman: Renascido”)

Algumas palavras sobre os Renegados. Quando Batman se ausentou da cidade, eles recebem uma missão de Alfred para prosseguir o trabalho do Morcego. Cada um conta com uma habilidade de Bruce. Ainda que tropeçando em alguns pontos, eles prosseguem realizando o que era esperado deles ainda quando eram “Batman e os Renegados”.
O cenário da “inspeção” é na nação sitiada chamada Markovia. Agora contamos com a adesão de Divina (Looker, no original) nos Renegados. A cidade está passando por uma situação de pânico; grupos de mais de três pessoas estão proibidos, para evitar o risco de conspirações. Um atentado ao príncipe está previsto, devidamente descoberto por Katana, que aparentemente adotou o método Bruce Wayne de interrogatório. E, descoberto isso, é hora de evitar que o pior aconteça. Em situações normais seria relativamente fácil de conter isso, mas a conspiração está sendo promovida pelo Concílio das Aranhas, que tem no príncipe Brion o seu principal alvo.
Enquanto isso, Vicki Vale descobriu que foi enganada por Alfred na edição anterior, e vai até Rastejante tentar uma nova abordagem. Tudo por um suposto “instinto profissional”, atingir a verdade.
O próprio principe Brion, ainda que ameaçado de morte, decide combater os tumultos perigosos que estão acontecendo em sua cidade. Como conter um inimigo, ou um grupo de inimigos, infiltrado no meio de uma multidão? Como identificá-lo e puni-lo sem resvalar em cidadãos com os ânimos inflamados, porém ainda inocentes?
É o momento de Bruce observar. Suas palavras não soam muito esperançosas:

“Este é o motivo pelo qual eu vim aqui. Pra ver se os Renegados haviam arruinado todo nosso bom trabalho; pra ver se eles finalmente aprenderam a trabalhar como equipe, mesmo sob provocação.”

Bem… Alguns erros táticos confirmam que talvez os Renegados ainda precisam de alguns aprimoramentos. Mas que nem tudo está perdido.

– Na tradução adotada pela scan e pela Panini quando lançou essa história na Sombra do Batman #17, perde-se o trocadilho feito no título original. “Insider” significa “instruso, infiltrado”, e é o nome original do apelido que Batman recebe nesse arco quando os aliados começam a perceber que ele os está ajudando – “Infiltrado”. Então, “Insider interference” é uma trocadilho em referência à interferência feita pelo personagem de Batman.

Erro original da DcUm pequeno adendo. Você lerá, na última página, a indicação de que a próxima HQ é a da Mulher-Gato. Esse foi um erro da própria DC, conforme você pode ver pela imagem da HQ original. A ordem correta seria a HQ da Batgirl, e é assim que vamos seguir aqui no Batman Guide. 

#4 – Batgirl
(“Batgirl”, roteiro de Bryan Q. Miller e arte de Pere Pérez, dezembro de 2010)

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Leitura relacionada
■ #82 – A Ascensão de Batgirl (“Batman: Renascido”)

O arco “A Ascensão de Batgirl” nos mostrou um panorama da evolução de Stephanie Brown, como Robin, como Salteadora e, depois, recebendo o manto de Batgirl.
Esse arco começa justamente com a lembrança de uma discussão entre Salteadora, Batman e Robin (Tim Drake), muitos anos atrás, a respeito de uma ordem que ela deveria seguir para que o resgate de seu pai obtivesse êxisto. Aliás, há uma citação que faz referência ao roteiro de “Ascensão de Batgirl”: Batman dizendo “Ela era uma variável que eu mal podia controlar”. Ela sempre foi insubordinada e questionou as ordens do Morcego. Ao longo dessa história ela terá alguns flashes da sua história com Batman.
Voltamos para os dias de hoje. Oráculo acionou Batgirl para observar e conter os movimentos de Killshot, o “infiltrado” que anda “ajudando” as operações da Bat-família (o próprio Bruce!). Ela lembra um pouco Dick Grayson no hábito de fazer piadas com o oponente para desconcentrá-lo e enfraquecê-lo. O embate com Killshot não foi o que ela esperava; ela parecia não estar, ainda, à altura do seu oponente. (Ah, a propósito: Batman está usando um traje que pode deixá-lo invisível.)
Bárbara Gordon continua a ser a “mentora” de Stephanie, na condição de Batgirl original. Babs pede que Stephanie se afaste desse caso e deixe que as Aves de Rapina cuidem disso, pelo menos por enquanto. Lembra que eu disse que a garota era insubordinada? Então. Contando com a ajuda de sua amiga Wendy “Proxy” Harris, que tem acesso a um terminal de supercomputadores (tipo uma Oráculo particular!), ela segue a trilha de Killshot através de uma arma que ele roubou da Waynetech.
De maneira bastante inteligente ela consegue seguir o rastro do seu procurado até o prédio em que ele está escondido. E lá, demonstra ter muita coragem – a ponto de dar um soco na cara de Bruce. Garota corajosa. Poucas pessoas já podem dizer que bateram em Bruce sem terem metade dos ossos do corpo deslocados depois. Existem pendências entre ambos. Desde Jogos de Guerra, Bruce não confia totalmente nela. Lembre-se, não foi dele a decisão de Stephanie se tornar Batgirl. Ela talvez não esteja preparada. Ela precisará ter sua coragem testada. Precisará lutar para mostrar a Bruce o seu valor. E que merece o lugar que ocupa atualmente.

#5 – Mulher-Gato: Na Cola de Vale
(“Lifting the Vale”, roteiro de Derek Fridolfs e arte de Peter Nguyen, dezembro de 2010)

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Leituras relacionadas
#73 – Batman: Coração do Silêncio
#84 – Sereias de Gotham: União (“Batman: Renascido”)

Essa história nos lembra dos eventos finais de “Coração do Silêncio”. Selina Kyle havia sido gravamente ferida por Thomas Elliot, e ao deixá-la sob cuidados médicos, Batman acaba confessando seu amor por ela – que ouve, e corresponde do mesmo sentimento. Infelizmente eles não podem discutir os termos dessa nova relação, pois Batman acaba sumindo enquanto ela se recupera.
Mas desde que recuperou a consciência, Wayne se preocupa com ela; aliás, foi com ela com quem ele mais se preocupou.
Ela está, agora, junto com Arlequina e Hera Venenosa, formando as Sereias de Gotham. Elas fomaram esse grupo para tentar não serem pegas por todos os vilões descontrolados que uma Gotham sem Batman pode ter, mas eventualmente são contatadas por Alfred para serviços especiais. É o caso agora: é solicitado a Selina e Pâmela que fiquem de olho nos movimentos de Vicki Vale, que ainda está mexendo os pauzinhos para descobrir absolutamente todos os detalhes sobre Batman e todos os envolvidos. As coisas acabam saindo do controle devido a uma invasão repentina da Arlequina e elas perdem o rastro de Vale; mas Kyle consegue ir até seu apartamento e descobrir que suas investigações estão BEM avançadas.
Mas esse não é o ponto alto dessa HQ; o mais interessante são os diálogos tecidos entre Mulher-Gato e Batman (disfarçado de Killshot), depois dos eventos significativos de Coração do Silêncio. Uma declaração de amor entre pessoas tão diferentes, depois de tanto tempo, precisa de cuidado e cautela para ser desenvolvida.

#6 – Comissário Gordon: O Melhor de Gotham
(“Gotham’s Finest”, roteiro de Adam Beechen e arte de Szymon Kudranski, dezembro de 2010)

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Outro nome que já me chama atenção na capa: Szymon Kudranski, o responsável pela mítica HQ “Pinguim: Dor & Preconceito”, desenhou para a Detective Comics dos Novos 52 atualmente, também fez alguns números de Spawn… A arte dele me agrada bastante, abusando das técnicas de sombreamento, tendendo para o noir.
O relacionamento entre Batman e o Comissário Gordon sempre foi muito peculiar. Batman nunca revelou sua identidade secreta para Jim, mas isso não foi empecílio para se criarem laços estreitos de confiança e respeito. Resgatando um trecho escrito por Augusto em “Terra de Ninguém”:

“Gordon adota a amizade de Batman sem abandonar suas responsabilidades como Comissário; em momento algum você sente Gordon vacilar sua autoridade como policial diante do Batman.”

É justamente essa postura de imparcialidade que faz com que Bruce confie tanto em Gordon.
Quando Dick Grayson assumiu o manto de Batman, Gordon notou alguma diferença: primeiro, na estatura física (levemente menor do que Bruce, porém mais ágil); no comportamento, menos meticulosamente preciso, mais sujeito a erros, mais “bem-humorado” (se podemos colocar dessa maneira). Mas ele preferiu não discutir esses termos e apenas aceitar que talvez Batman tenha adotado novas diretrizes comportamentais.
É chegada a hora, portanto, de Bruce observar como Gordon tem se saído. Se ele continuou suportando a pressão de ser um policial incorruptível em meio à desonesta polícia de Gotham. Se sua mente não se esfacelou diante dos horrores que só os psicopatas de Gotham sabem promover.

“Eu não posso fazer o que eu preciso fazer, ser quem eu preciso ser, sem Jim Gordon. Preciso saber se ele ainda aguenta.”

Vicki Vale conhece os laços que ligam Batman a Gordon, então sabe que não pode perder o Comissário de vista. Excelente cena de fuga em meio a um tiroteio, no inconfundível estilo noir de Kudranski. Bem… Ela descobre porque Batman consegue confiar tanto em um senhor supostamente “de idade” (que salva sua vida). E por que ela corre risco? Bom, o fato é que a jornalista se enfiou tão a fundo nessa história de desmascarar o Morcego que agora TODOS os criminosos de Gotham City estão atrás da moça para 1) descobrir a identidade secreta de Batman e toda a Bat-família 2) cortá-la em pedacinhos, de preferência irreconhecíveis.
Voltamos para horas atrás. Um teaser da próxima edição: Killshot (Batman) aparece para Oráculo. E ele tem a forte impressão de que ela conseguiu perceber de quem se tratava. Poucas coisas escapam de Oráculo, e ela conseguiria lê-lo independente do seu traje.
Pinguim está coordenando uma grande ação no submundo da cidade, que envolve descobrir o paradeiro de Vale (ela está sob custódia protetora da polícia). Enquanto isso, a moça está tentando a todo custo extrair qualquer informação de Gordon, já que ela sabe que, depois da Bat-família, ele é a pessoa mais próxima do Morcego. Ela consegue ser profundamente grosseira nessa busca por informações; provocando Gordon, jogando estatísticas na cara dele, acusando-o de chefiar um departamento corrupto, de deixar Batman fazer o seu trabalho – “Ele é o verdadeiro Comissário em Gotham, não é?”. Indelicada a moça, não? Enquanto eles tinham essa conversinha bastante agradável, um maníaco com poderes elétricos invade a Delegacia e chegamos à cena que dá início a essa HQ.
O que faz Batman e Gordon terem essa relação? Eles não compartilham informações pessoais. Existem segredos. Que chance tem Gordon, sozinho num departamento infecto, trabalhando 20 anos depois da idade que deveria ter se aposentado, um homem comum, sem grandes recursos? É o que Vale descobre.
Agora, uma pergunta que não quer calar. Como vazou a informação de que Vicki Vale tinha informações sobre Batman? Foi um escritório chefiado por Ra’s Al Ghul.

#7 – Oráculo
(“Oracle”, roteiro de Marc Andreyko e arte de Agustin Padilla, dezembro de 2010)

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#64 – Aves de Rapina: Almas Gêmeas

O suporte virtual de Bruce Wayne e de toda a Bat-família é feito por Bárbara Gordon – Oráculo. Quando seu amado Dick Grayson assume o papel de novo Batman, ela continua a fornecer todas as informações e ações necessárias para suas missões. Oráculo sempre foi uma das pessoas mais fortes da Bat-família e das mais leais a Batman, desde sempre. Nas suas próprias palavras:

“Havia muitas pessoas em quem eu pensava enquanto estava fora, muitas com quem me preocupava. Dick, Tim, Damian. Mas havia algumas que eu sabia que seguiriam em frente. Algumas que poderiam encarar a adversidade, a dor, a morte de frente, e […] continuariam a lutar a boa luta. Bárbara Gordon era uma dessas pessoas.”

Vicki Vale ainda está sendo procurada por todo e qualquer criminoso de Gotham que já teve os ossos quebrados pelo Morcego. E não é só isso: há também um clã atrás dela. Um clã denominado “Os Sete Homens Mortais” – o Esquadrão Mortal pessoal de Ra’s Al Ghul.
E por onde anda a jornalista que causou 70% da confusão desse arco? Sendo protegida pessoalmente por Killshot.
Obviamente Oráculo percebe semelhanças entre aquele estranho “infiltrado” e o modus operandi de Bruce Wayne. O físico, a linguagem corporal, a confiança inabalável. Ao longo desse arco temos alguns flashes das conversas que Bruce teve com Bárbara depois dela ter ficado paraplégica. O porquê dessa relação de confiança mútua ser tão forte. O que ele significou para ela naquele momento, o quanto ele foi importante para que ela se tornasse quem é hoje. Quando ela se tornou Oráculo e o levou para checar sua “batcaverna”, sua central de operações.
Voltando… O cerco está se fechando ao redor de Vale. As Aves de Rapina estão tentando conter os grupos que estão atrás dela, enquanto Batman foge com ela e é severamente atingido pelos Sete Homens Mortais – que tem ordens de levá-la, viva ou morta (de preferência). E por que Ra’s Al Ghul gostaria de vê-la morta?
Por respeito a Batman.

Ele não queria que o segredo do seu mais valioso inimigo fosse exposto de forma tão desrespeitosa para o mundo, e expor seu precioso legado de maneira tão simples. Apesar dos 7 terem sido contidos, a vida da jornalista está correndo perigo nesse momento. Bruce precisa intervir. E, nas palavras de Batman…

“Deus ajude quem entrar no meu caminho”.

#8 – Ra’s Al Ghul: Uma Vida que Vale a Pena ser Vivida
(“A Life Worth Living”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Scott McDaniel, dezembro de 2010)

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Está chegando o fim a análise de Bruce Wayne. Uma avaliação que começou com a observação de “aliados” e terminou com a observação dos “amigos” – a mudança da terminologia mostrou que a percepção de Batman sobre a Bat-família e aliados mudou. Entretanto, sua investigação foi atrapalhada pela situação envolvendo Vicki Vale. E agora, é hora de defendê-la daquele que é seu maior e mais poderoso inimigo… Ra’s Al Ghul. Que quer acabar com a vida da jornalista para manter o segredo da identidade de seu mais valioso inimigo. Essa mulher não é digna de destruir todas as realizações do Detetive, como ele o chama. O pai de seu neto. Se alguém tiver que destrui-lo, será ele.
E para conseguir a morte da jornalista, Al Ghul articula aliados em toda Gotham City. Toda, mesmo. De policiais a lixeiros. O Fantasma Branco é escalado para enfrentar e matar o Infiltrado, que parece querer proteger Vale com sua própria vida.
E, em análise final, Vicki Vale precisará enfrentar o próprio Ra’s Al Ghul.

O trecho final dessa HQ é de um valor incomparável. Batman faz uma última análise sobre a cidade que ele tinha quando começou a cuidar de Gotham, e o que ela é agora, com todos os seus amigos – sim, amigos – auxiliando-os onde ele não pode ir. Batman começou isso. Mas todos eles – Dick, Damian, Tim, Stephanie, Bárbara, Gordon, Selina, os Renegados… Todos eles seguraram as pontas na sua ausência. Eles protegeram a cidade de uma maneira que Batman não poderia ter feito sozinho.
Tudo começou por causa de Batman, mas agora é necessário mais. Batman está disposto a aceitar ajuda na expansão e na realização das missões necessárias em Gotham. E não só em Gotham. Em todo o mundo.

Batman: O Retorno – Planeta Gotham
(“Batman: The Return – Planet Gotham”, roteiro de Grant Morrison e arte de David Finch, janeiro de 2011)

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Essa HQ começa com uma perspectiva inédita nas histórias do Batman (pelo menos das que eu conheço). Você se lembra do exato momento em que Bruce Wayne “se tornou” Batman. Algumas horas antes ele havia ido à periferia de Gotham para tentar alguma maneira de resolver a sede de justiça que sentia. Mas naquele momento ele estava totalmente despreparado para lidar com os desafios do subúrbio da cidade; as coisas ficaram complicadas e, num embate corporal, ele acabou baleado, o tiro acertou sua mão. Cambaleando e sangrando, a noite já escurecendo os céus de Gotham, ele conseguiu voltar para a Mansão Wayne, onde se fechou no seu quarto. Lá, ele teria duas opções. A primeira seria sangrar até a morte, e aceitar que aquela missão era demais para ele, que não existiria nada que ele poderia fazer para resgatar um cidade tão degenerada. A segunda seria tocar o sino que chamaria Alfred para curar o ferimento de sua mão, e assim assumir que poderia existir alguma saída, algum modo de continuar o seu projeto de justiça. Em meio a esses pensamentos, um morcego adentra pela janela quebrando-a; e então Bruce percebe que deveria levar medo ao coração dos criminosos através da figura de um morcego.
Ok, essa é uma história que você já está cansado de saber. Ela já foi recontada e citada em várias histórias ao longo da cronologia. Em “O Retorno de Bruce Wayne”, Grant Morrison, já usou o sino como uma lembrança forte em Batman – pois foi no momento em que ele tocou o sino que ele fez a escolha de continuar vivendo e, mais que isso, se dedicar sua vida ao serviço dos mais fracos. Mas ficou faltando um elemento: o morcego. Sim, esse mamífero voador com hábitos noturnos no qual Bruce se inspirou para o seu projeto de vida.
Img1Essa história começa, portanto, sob a perspectiva do morcego que entrou na janela de Batman aquele dia.
Descobrimos o que aquele morcego tinha feito naquela noite; já estava velho e decrépito, à beira da morte. Mas ele não deveria morrer, não agora. Ele procurava um lugar para repousar e descansar seu corpo cansado. E aí começou toda aquela história que a gente já conhece tão bem.
Por que eu escrevi tanto sobre algo que ocupa apenas 6 folhas dessa HQ? Porque eu fiquei impressionada com essa abordagem. Se você for parar pra pensar é algo muito simples mas também muito genial. Grant Morrisson, você tem um ponto. Eu tenho que admitir que, o que quer que você use para ser assim tão criativo, com certeza está fazendo efeito.

BatcavernaVoltamos para os dias de hoje. Batman está de volta, depois de tudo que lemos nas histórias anteriores. Pelo porte físico intuimos que se trata de Bruce Wayne, primeiro pelo porte físico, e depois pela total falta de bom humor. Sem os sorrisos e as piadas de Dick Grayson. Parece algum lugar do Oriente Médio. Ele está em uma situação de resgate com uma criança refém. Batman ordena que ele libere a menina e se entregue. O criminoso fala sobre algo, uma pessoa ou uma associação chamada Leviatã (guarde esse nome) – “Você não conhece o Leviatã. Você não sabe o que eles fazem com as pessoas. Eu preferiria morrer!”

Peraí. Como as coisas evoluíram a esse ponto? Bruce voltou pra Batcaverna, tirou os trajes tamanho XGG do armário, deu dois tapas amistosos nas costas do Dick Grayson, disse “valeu por segurar as pontas aí, fera!” e voltou pro batente como Homem-Morcego – num vôo sem escalas para o Yemen? Calma. Não vou te deixar sem explicações.
22 horas atrás, Bruce reuniu toda a Bat-família na batcaverna para falar sobre algo novo. Note o símbolo em seu peito, uma elipse amarela.
Não vou antecipar o discurso que Bruce faz nesse momento porque eu gostaria que você lesse a HQ. Eu faço questão, aliás. Mas resumindo, ele fala sobre as experiências sem precedentes que vivera. E que ele irá expandir o alcance de Batman.

Darkness

E como fazer isso? Cada um dos Morcegos receberá uma nova atribuição. Não haverá mais lugar no mundo para o crime se esconder.
Img3De volta ao terno e gravata, o playboy Bruce Wayne comunica a Lucius Fox que os recursos da Waynetech agora serão mobilizados para ajudar a guerra contra o crime de Batman. A artilharia é pesada; trajes que promovem vôos a curta distância. Protótipos que reformam a resistência de um ser humano. Modelos de teste aprimorados por Fox. E na versão em preto, é claro.
30 horas depois. Bruce e Damian estão, agora, no Yemen, lidando com superhumanos guarda-costas de um bilionário criminoso que esteva financiando bio-experimentos ilegais – experimentos envolvendo metagene, superpoderes sintéticos, etc. Um dia normal para o clã Wayne.
Robin desobedece seu pai e acaba se deparando com uma criatura tão misteriosa quanto poderosa, que profetiza: eles se conhecerão, mas não agora. Parece se tratar de uma seita mística envolvida com lavagem cerebral e assassinatos a sangue frio.

Leviatã
Img4Essa desobediência rende uma discussão entre pai e filho. Bruce afirma: eles não podem mais ser Batman e Robin. O fim de uma era? Não. O começo de uma nova. Bruce pede que Robin e Damian continuem como Batman e Robin em Gotham.
Ele tem coisas a resolver. Primeiro no Japão, depois na Argentina. Construir mais algumas Batcavernas.
Algo grande está por vir. O jogo começou.
Essa edição contém material extra, algumas sketchbooks de cenas e das capas variantes dessa edição, a caracterização do novo traje de Bruce, algumas páginas do roteiro, alguns rascunhos das próximas edições de Corporação Batman e os testes de logotipo da Batman Inc. (Que você descobrirá o que é no próximo post!)

Espero que vocês tenham gostado dessa história! E, no próximo post… Corporação Batman!


91Download no MEGA – Bruce Wayne: Estrada Para Casa

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  1. Oi, estou aqui p/ dizer q finalmente consegui a hq Silêncio, na Comix. Tava um pouco cara (o dobro do preço de capa, 99,90), mas ainda é melhor q pagar 300 em uma usada no Mercado Livre! Então é isso, quem quiser corre lá q ainda tem.

    • Bom, sobre o “Robin” é relativo, tivemos mais de um Robin dentro dos Jovens Titãs, mas se fala do Grayson, em breve haverá um texto só dele onde haverá menção da fase nos Jovens Titãs.

      Até a próxima, Francesco.

  2. Pingback: #92 – Corporação Batman: Leviatã Ataca! | Batman Guide

  3. Pingback: #93 – Batman: O Observador | Batman Guide

  4. Pingback: #94 – O Cavaleiro das Trevas: Aurora Dourada | Batman Guide

  5. Ótima postagem! Uma coisa que gosto bastante nessas Hq’s é a interação dos personagens, que é sempre abordada de forma bem interessante. No caso de “Estrada para casa”, achei bem legal o retorno de Vick Vale, gosto de bons personagens que não usem mascaras envolvidos assim como Gordon.

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