#103 – Flash: Renascido

Hi, I’m Johnny Knoxville and this is Jackass. Mentira.

Cidadãos de Gotham, apertem os cintos que a viagem será veloz. Mais veloz que o som, mais veloz que a luz. Ponto de partida? Central City, a cidade do FLASH.
Estamos em uma empreitada valente dentro de um blog sobre Batman: falar dos demais heróis que fazem parte de seu “circulo social”, e aqui vamos nós com um post para o Flash.
Já falamos sobre:

Asa Noturna
Mulher-Maravilha
Superman
Lanterna Verde

Chegou a hora de falar do “fastest man alive“.
Assim como o uniforme de diversos heróis, o manto do velocista escarlate já foi usado por mais de uma pessoa, mais exatamente três: Barry Allen, Wally West e Bart Allen. Mas existiram QUATRO Flash. “Santa lesma com bronquite, Batman! Como pode isso?”. Na série dos Lanternas Verdes, rolou algo do gênero: Evolução de idéia.
Quando se fala de “Lanterna Verde” lembramos de quem? Claro, depende de quem você mais curte, eu diria Kyle Rayner, maioria esmagadora lembraria do Hal Jordan, alguém que assiste a animação da Liga da Justiça lembraria do John Stewart, Guy teria sua porcentagem também… Mas o PRIMEIRO Lanterna Verde nos quadrinhos foi Alan Scott. O cara não tinha nada a ver com Oa, com bateria central, com Parallax, Sinestro, Multiverso… Era um sujeito com um anel mágico. Só. Assim era Jay Garrick, o primeiro Flash, só um sujeito que corria pra caramba, sem nenhuma ligação com Speed Force, viagens no tempo e coisas do tipo.
No texto dos Lanternas Verdes vocês viram um resumo pessoal de cada um dos membros terrestres da Tropa, e nesse texto também teremos um resumo pessoal de cada velocista da Terra. É, malandragem, tão achando que só tem os Flash e fim de papo? Tem maior galera correndo junto nessa maratona em mach. Mais louco que mamute com calvice.

Fora os já citados, ainda temos os Flashes Reversos (Edward Clariss/Eobard Thawne/Hunter Zolomon), Johnny e Jesse Quick (Johnny e Jesse Chambers) e Quicksilver (Max Mercury). Para isso não virar um texto desnecessariamente gigante, falarei o básico sobre o “Universo Flash” e seus participantes.

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Mas antes de falar dos velocistas do Universo DC, faremos 5 intervenções para você entender melhor o personagem. Vamos a primeira delas.

Speed

“Já saquei o lance, quanto mais velocidade eu conseguir pra dar uma voadora, melhor”. Em parte é verdade, mas não se trata disso. A Speed Force é uma “fonte” pros velocistas da DC, é a Valhalla dos Flash. É um boteco onde só que passa da velocidade Mach pode tomar umas biritas.
A Speed Force é uma “dimensão” que divide o mesmo espaço que nossa realidade da Terra, e a influencia diretamente. É como se ela conectasse a física de tudo e todos que existem em todas as épocas de todos os universos, e apenas alguns pouquíssimos podem fazer “uso” de sua energia. Esses poucos são os velocistas Jay Garrick, Barry Allen, Wally West, Bart Allen, Johnny e Jesse Quick, Quicksilver e etc.
É literalmente uma energia onipresente e também é um “espaço físico” para os velocistas, podendo ser acessado pelos mesmos. Como se não fosse suficiente, também é o “paraíso” deles. Quando um velocista morre, vai pra Speed Force. Que beleza, né? Não precisam mais se preocupar com inferno nem nada do tipo.
Mais recentemente, Max Mercury (Quicksilver), que já estava preso lá e tornou-se meio que um “especialista” na coisa, explicou ao Barry que a Speed Force foi criada no momento em que ele (Barry) ganhou seus poderes, e que a Speed Force é alimentada por cada passo que ele dá. É como se o Barry fosse o messias dos velocistas e o gerador de onde todos velocistas puxam energia.
Inclusive, ela também é um tipo de “forma de medida” de velocidade. Existe a barreira do som, a barreira da luz, a barreira do tempo, a barreira da dimensão, e enfim a barreira da Speed Force. Dá pra entender bem qual é a ordem das coisas, né? Pra viajar no tempo, você tem que superar consideravelmente a velocidade da luz. Pra passar de uma dimensão pra outra, tem que superar a velocidade de viagem no tempo, e por fim, para acessar a Speed Force, tem que superar a velocidade necessária para viajar entre dimensões.

Flash

Não é “O” Flash, são OS Flash. Speed Force colocada onde deve, prosseguiremos falando dos personagens.

Jay

Jay_GarrickJason Peter Garrick é o Flash original. O primeirão. Teve sua estréia em 1940 (lembrando que Batman e Superman tiveram suas datas de estréia em 1938/39) sendo criado por Gardner Fox e Harry Lampert. Esse Flash ganhou seus poderes após inalar uns vapores loucos em um laboratório, vapores estes que despertaram/otimizaram alguma coisa no cérebro dele e o camarada começou a se mover numa velocidade absurdamente alta.
O uniforme não tem mistério, exceto seu penico na cabeça. Depois de eu explicar a origem do penico vocês ficarão com pena de pensar no capacete dessa forma. Aquele capacete na verdade era do pai de Jay Garrick. O pai dele ela do exército e foi pra guerra com aquele capacete. Jay personalizou com as asas do lado como uma referência ao deus grego Hermes (Mercúrio dos romanos), que possuia as botas com asinhas semelhantes nas laterais, que lhe garantiam a super velocidade necessária para ser o mensageiro do Olimpo.
Como podem perceber, não tem lhufas de Speed Force no assunto. É uma capacidade inteiramente corporal, nada a ver com campos de energia ou “física” propriamente dita.
Jay Garrick faz parte da Sociedade da Justiça quase desde sempre, sendo um dos membros mais antigos da mesma.
Apesar de muito veloz e de ter algumas capacidades parecidas com a dos velocistas mais modernos, Jay é visivelmente posto como “abaixo” de Barry Allen e cia. A DC coloca Jay como “segundo mais rápido” do mundo.
Alguns de seus poderes fora a alta velocidade é poder vibrar seus atomos tão rápido a ponto de ficar invisível. Após o reboot, Jay passou a ser um personagem da Earth 2, tornando Barry Allen então o primeiro Flash da Earth 1. Seus poderes são completamente providos de uma força mágica natural que já nasceu com ele. DC é incrível, não? Destruindo tudo o que você sabe desde os anos 30.

Barry“Barry é o tipo de homem que eu esperava me tornar se meus pais não tivessem sido assassinados”. (Batman)

Flash-Barry-Allen-by-Alex-RossEsse é o primeiro Flash morderno, segundo Flash da contagem pré-reboot, e primeiro Flash da contagem pós-reboot. Bartholomew Henry Allen, criado em 1956 por Robert Kanigher, Carmine Infantino e John Broome. Com esse teremos MUITO assunto.
Esse é o famoso Flash que foi o primeiro a ser membro da Liga da Justiça, foi o criador do “Cosmic Treadmill” que é uma máquina usada para fazer viagens no tempo, foi o primeiro a usar o tal anel que carrega o uniforme de Flash… Com Barry Allen muita coisa nova surgiu.
Barry não teve uma história tão trágica como os demais heróis que o cercam. Por um bom tempo ele teve um emprego razoavelmente bom (policial forense), uma mãe, uma esposa… Uma vida “normal” exceto pelo fato dele poder se mover na velocidade da luz. Mas não se enganem, não é porque ele tem o poder da super velocidade que isso faz dele um sujeito pontual. Barry Allen sempre foi um sujeito muito lerdo e vivia chegando atrasado em tudo que marcava.
A história dele conta com diversas viagens no tempo, ele inclusive chegou a viver um tempo no futuro. A coisa é meio complicada. No principio da história a Speed Force sequer foi citada. Começando do início… Um raio atingiu uns produtos químicos que acabaram por banhar Barry Allen, lhe dando os poderes que conhecemos hoje.
“Beleza, então a chave pra Speed Force é misturar água sanitária com pinho sol e um relâmpago? É nóis que corre, Claudinei Quirino”.
Essa foi a forma que ele se tornou o velocista que é. Eobard Thawne também fez isso, e Wally West também. Taxa de raios atingindo pessoas nas histórias do Flash deve ser maior do que nas do Thor.
Mas então… Barry é admirado por todos os demais velocistas que vieram após ele. Todos se espelham em Barry de alguma forma. Seu uniforme foi inspirado no uniforme do Shazam (vermelho com um raio no peito), e todos os demais após dele se basearam no de Barry.
Ele fez parte da primeira formação da Liga da Justiça, que foi criada após uma invasão alienígena na Terra, onde heróis de toda parte se uniram para salvar o planeta, mas até aí a história dele não teve grandes tragédias, as coisas começaram a complicar depois do casamento. Como todos sabem, casamento costuma a ser a primeira de muitas tragédias na vida de um homem. Tô brincando, não teve nada a ver com isso, e casamento também não é tragédia (às vezes).
Já casado com sua amada Iris West-Allen, durante seu sono ele acabou contando a ela que era o Flash. Ela fingiu que não tinha ouvido nada, mas após algum tempo Barry contou isso a ela por conta própria. “Santa revelação, Batman! A vida dela virou uma zona!”. Nada disso. A revelação do Barry era bombástica mas não tanto quanto a revelação que Iris tinha para ele: ela veio do século 30 ainda como criança e foi adotada nessa época (presente).

Tudo certo, pra tudo se tem solução, menos pra morte. Mas a morte veio até a família Allen. Eobard Thawne, o “segundo” Flash Reverso (se considerarmos o inimigo de Jay Garrick no run oficial), um homem que era apaixonado há tempos por Iris, veio do futuro e a matou por ciúme. Tempos depois Barry ia casar com outra mulher, e o cara tentou matar a futura esposa dele DE NOVO. Barry conseguiu impedir, mas acabou matando Eobard quebrando seu pescoço, e por estar lutando contra ele, não pode aparecer em seu próprio casamento, e sua noiva acabou perdendo a sanidade de tamanha decepção.

Reverse_Flash_067Flash foi julgado culpado pela morte de Eobard, mas o júri tinha sofrido algum tipo de lavagem cerebral, e Barry percebendo que a sentença não estava sendo feita por gente em sã consciência, fugiu. Como as respostas para o crime estavam em outra época, foi geral pro futuro ver que porcaria estava havendo. Descobriram que o vilão “Abra Kadabra” estava se passando por Flash Reverso. Após derrotar o babaca, Flash passa a viver no futuro com a Íris de lá (século 30), que não morreu.
Mas aí algumas semanas depois veio a Crise nas Infinitas Terras. Barry foi trazido de volta ao presente e aprisionado pelo Anti-Monitor, por ser o único ser capaz de viajar entre os universos como bem entende. O anti-monitor tinha um canhão antimatéria pronto pra detonar a Terra, e Barry acaba com os planos do sujeito correndo em alta velocidade criando um vortex pra impedir o canhão de atingir a Terra. Ele conseguiu, porém acelerou tanto que acabou preso na Speed Force. Após isso, Kid Flash (na época Wally West) assumiu como novo Flash.
Depois disso Barry faz uma aparição junto a Max Mercury e Johnny Quick, ajudando Bart Allen naquele lendário trecho onde eles tentam ferrar o Superboy-Prime, e mais a frente durante a Crise Final, correndo atrás da bala de radion, seguido logo a seguir pelo Black Racer.

No evento “A Noite Mais Densa”, ele exerce papel interessante numa luta direta contra William Hand (Black Hand), e de quebra ainda foi convocado para ser membro temporário da Tropa dos Lanternas Azuis, transformando seu tradicional uniforme vermelho em um inovador uniforme azul.
Na saga Rebirth, Barry passa por maus bocados. Eobard Thawne, o Flash-Reverso, infectou a Speed Force, e Barry acabou tornando-se o Black Flash, praticamente a”morte” do universo dos velocistas. Acidentalmente chega a matar o herói Johnny Quick e o vilão Savitar. Não vou me prolongar nos detalhes dessa história aqui, pois foi a história selecionada para esse post, e virá com todos detalhes necessários.
Por fim, tivemos o Ponto de Ignição/Flashpoint, onde surge a “brecha” para o reboot.
Hoje em dia, nos Novos 52, Barry já fez bico na “The Dark Knight”, entrou para a “nova primeira formação” da Liga da Justiça (junto a Superman, Batman, Mulher Maravilha, Aquaman, Cyborg e Lanterna Verde (Hal Jordan) e, claro, está com sua revista solo.
A nova HQ do Flash está muito interessante. Além de estarem aproveitando e demonstrando muito bem as capacidades do herói, também pegaram o uniforme já modernizado do Wally West pré-reboot e modernizaram ainda mais para ser o “primeiro e oficial” do Barry Allen pós-reboot. O estilo de traço da nova HQ dele não é dos meus preferidos, mas nem de longe é ruim.

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Kid_Flash_(Wally_West)_2nd_costumeE enfim o queridinho da galera, Wallace Rudolph West, o Wally West.
Wally foi criado por John Broome e Carmine Infantino em 1959. Foi o primeiro Kid Flash e terceiro Flash, também é o Flash presente em boa parte dos desenhos da Liga da Justiça e é o Flash presente nas épocas de evolução e transição da DC. Assim como o John Stewart é o Lanterna mais famoso por ser o representante da Tropa nas animações da DC, Wally West é o Flash mais famoso pela mesma razão.
Por mais legal e engraçado que ele seja, temos que admitir que a história de como Wally ganhou seus poderes foi meio ridícula. Um raio atingiu um monte de produtos químicos que acabaram por banhá-lo e dar-lhe seus poderes.
Alguém se perguntou “Ué, foi o mesmo que aconteceu ao Barry, não foi tão ridículo”. Mas foi no exato LOCAL onde aconteceu com o Barry, da mesma exata FORMA. Dois raios no mesmo lugar, nos mesmos compostos e virados pra uma pessoa. Ao meu ver, eles forçaram a barra.
Ele ainda era novo, e decidiu fazer um uniforme baseado no do Barry Allen, então tornou-se o Kid Flash. Logo se aliou aos Jovens Titãs onde fez amizade com Dick Grayson que na época era Robin.
Durante a “Crise nas Infinitas Terras”, Wally foi comandado pelo Jay Garrick pra combater as forças do Anti-Monitor, e o Barry se sacrificou para acabar com o canhão anti-matéria que iria destruir a Terra.
Como vocês devem saber, após essa crise muitas coisas mudaram na DC, e uma delas foi o nível de poder dos heróis. Barry atingia a velocidade da luz, já Wally como Flash alcançava apenas a do som, e ainda tinha que manter seu metabolismo comendo feito um louco, como se a velocidade afetasse diretamente o organismo.
Wally se deu bem na vida, fez o que muitos de nós queria. “Arrumou um trabalho bom?”, que mané trabalho. Se trabalho fosse bom não se chamava trabalho, se chamava “lazer”. Ele ganhou na loteria, comprou uma mansão e o escambau. O uniforme deu uma modernizada, mudando alguns detalhes que ficaram até hoje pro uniforme pós-reboot do Barry.
Os poderes do Wally não desenvolveram bem inicialmente porque ele tinha um bloqueio mental que o impedia de tentar/permitir ser melhor que o Barry Allen (seu mentor), mas após um encontro com o segundo Flash Reverso (Eobard Thawne, de quem falarei mais a frente), fez ele quebrar essa conversa de “limites” e se tornar até mais rápido do que Barry Allen era.

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#99 – Batman: Garotos Perdidos

“A neve sempre me deixa inquieto – o jeito com que ela enterra tudo. […] Eles sempre voltam para mim no inverno, os casos sem solução. Aqueles que eu não pude resolver. Se você se pergunta se tem um que seja pior, um caso de muito mais tempo que me incomoda mais do que qualquer outro numa noite como essa… Posso dizer sem hesitação que sim, existe.”

Alô bandidada, o Batman chegou, trazendo a tortura, a justiça e o terror ♫

Vocês notaram o meu sumiço e o do Augusto, né? Pois então. Nunca nossa vida esteve tão atribulada. Entre perdas pessoais, trocas de emprego e reviravoltas dignas de um roteiro do Morrison, cá estamos nós. E dessa vez, pra chegar na cronologia atual do Morcego.

Nesse último post de dois dígitos do Batman Guide, vamos trazer uma história importante para introduzir alguém que aparecerá depois do reboot. E, apesar da tradução horrível no título, a história é boa e muito reveladora: nos mostra que nenhum lar, por mais correto que seja, está imune dos erros e de uma mente criminosa. Sejam bem-vindos a “Batman: Garotos perdidos” (“Lost boys“, Detective Comics #875. Roteiro de Scott Snyder e arte de Francesco Francavilla. Maio de 2011.)

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001O bom e velho Harvey Bullock está executando sua atividade preferida no mundo depois de prender criminosos: fumando, ouvindo seu rádio de pilha e pensando na vida sob o telhado do Departamento de Polícia de Gotham City. E os seus pensamentos variam sobre os novos tiras do DPGC que não o respeitam, sobre Batman, sobre os bandidos freak que brotam na cidade a uma velocidade incrível, e sobre James Gordon – e o filho dele, James Gordon Jr. Que, segundo sua opinião não é a melhor pessoa do mundo.
002Outro velho pensador da cidade, o Comissário incorruptível James Gordon, também está pensando sobre a cidade. Gotham às vezes não parece ser uma entidade com vida própria, quase uma personagem das histórias? Comissário Gordon não gosta do inverno. Ele sempre traz questões não-resolvidas e problemas. E, falando em problemas…
003Esse deveria ser o sobrenome do menino James Gordon Jr. Eu disse “menino”? Ele já é um homem. Mas é de menino que vem suas atitudes questionáveis. Como aquela vez em que, pequeno, talvez tenha envenenado um colega que mexera com ele. Como aquela vez em que matou um pássaro para ver onde ela guardava os ossos no estômago. Um garoto que tem tudo de errado… Ou apenas uma criança travessa demais?

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#98 – Gotham Central: Apagar das Luzes

Apresentei a pistola (RIP Chaves).
Começando sério agora, bom dia a quem se importa. Esse texto é sobre um dos maiores dilemas das histórias do morcego velho: a relação do Cavaleiro das Trevas com a polícia de Gotham.

Uma das coisas que me tornaram fã das histórias do Batman foram os dilemas. Dilemas tem pra dar e vender. O Batman tem seus dilemas com cada vilão, com cada herói… Tudo na história se faz pensar. São casos deveras originais em vista das condições apresentadas serem mais puxados ao “fantástico” do que a realidade, apesar de Batman ser um dos heróis mais realistas da DC.
O Batman em si é um dilema. É um personagem extremamente complexo, e isso serve de ponte para se criar argumentos de todo o tipo sobre todo tipo de situação, personagem ou grupo que o cerca numa história; por consequência, nem a galera que está do lado dele escapa da complexidade. Um dos dilemas mais antigos nas histórias do Batman, que provavelmente data quase da mesma época (se é que não no mesmo momento) em que o dilema com vilões começou, é o dilema com a polícia de Gotham. A HQ de hoje trata exatamente sobre isso. Sejam bem-vindos a: “Apagar das Luzes” (“Gotham Central #25: Lights Out“, roteiro de Greg Rucka e arte de Michael Lark, janeiro de 2005).

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1. Introdução: o Departamento de Polícia de Gotham
Quem está acostumado com os seriados onde a Tia do Bátima era a principal fonte de piadas em Gotham, lembra bem que havia um telefone vermelho tipo o das Meninas Super-Poderosas, pelo qual a polícia tinha uma linha direta com o a Dupla Dinâmica, que na época estava no ápice da tecnologia com seus Bat-escudos que dobravam igual papel e eram guardados dentro da cueca e tal. Mas aquilo é um tempo passado. No universo refeito lá pelos anos 70, a relação do Batman com a polícia ganhou uns rumos mais loucos que o Chapeleiro.

A questão que impera tanto pra polícia quanto para o povo de Gotham é “De que lado ele está?”. Há os policiais que acreditam que o Batman obviamente está do lado deles, há os que acreditam que o Batman bate nos vagabundos mas é tão louco quanto eles, e os que acham que o Batman é mais um vilão que dá um cacete nos demais apenas por questões pessoais. Ou por pura diversão, o que não deixa de ser uma questão pessoal.

Se a policia de Gotham lesse a HQ saberia que o Batman está do lado deles, mas como isso não é Deadpool e o 4th wall não pode ser derrubado nem pelo Bane virado numa mistura de Venom com Titan, Guaravita e o X-tudão do Chico Dorme-Sujo, a polícia não lê e não sabe. Mas falando sério, temos que levar em consideração a VISÃO que os policiais teriam.

Eles não fazem ideia de quem o Batman é, do que aconteceu a ele, o tanto que ele treinou e estudou, sabem que ele tem mania de fazer o impossível e que é extremamente capacitado no que faz, mas não sabem até onde é sorte e até onde é técnica. Não fazem ideia dos conhecimentos, não fazem ideia da história, não fazem ideia de como ele some e aparece. Eles não sabem NADA sobre o Batman.

A visão deles é basicamente: Um sujeito vestido de Morcego que aparece do nada, cobre todo mundo de porrada e some. Ponto. Não sabem os motivos, não sabem o que ele passa, não veem os ferimentos dentro da roupa, muito menos os ferimentos dentro da alma. É só um homem de preto varrendo tudo com os punhos.

Primeira página da HQ “Detective Comics 27: The Bat-Man: ‘the Case of the Chemical Syndicate'”

Vou dar um exemplo infeliz. Tem alguma cidade aqui no Brasil que há uns anos atrás tinha um motoqueiro fazendo justiça com as próprias mãos pelas noites da cidade dele. Só que esse andava com uma arma e dava tiro nos bandidos na rua e sumia. Sei lá se quem conhece o cara e sabe que ele era o tal motoqueiro entendem as razões dele e o consideram um Frank Castle. Pra uma boa porcentagem da população, e principalmente para a POLÍCIA ele pode ser outro bandido matando rivais.

O dilema “Batman x Policia” parte muito disso. Um civil qualquer não tem permissão pra fazer maior parte do que o Batman faz pra capturar vagabundos. Logo, se ele faz coisas não permitidas, ele tá meio que no mesmo barco dos vagabundos. ISSO É TEORIA, eu adoro Batman, acho que não preciso lembrar a ninguém disso. É só algo a se considerar no assunto.

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#97 – Mulher-Maravilha: Hiketeia


“Venho me oferecer
Em súplica,
A ti, minha ama.
Venho sem proteção.
Venho sem alternativas.
Sem honra, sem esperança.
Sem nada além de mim mesma
Para implorar tua proteção.”


Olá, queridos!
Que sumiço esse que eu dei, né? Mas tenho boas justificativas pra ele, então vou atualizar vocês sobre a minha vida nos últimos meses!
Me formei na faculdade. Agora sou oficialmente bacharel e licenciada em História pela Universidade de São Paulo, olha só! E agora sou oficialmente professora de ensino fundamental e médio na rede pública de São Paulo. Isso significa que agora tenho cerca de 300 pestinhas lindos para educar e ensinar História.
Então peço que me desculpem essa autoria relapsa e continuem a acompanhar o Batman Guide de onde paramos – e falta tão pouco para chegarmos ao reboot!

O post de hoje é sobre uma HQ muito famosa, que tem uma capa magnífica desenhada pelo igualmente magnífico Alex Ross. E é sobre ela que vamos falar hoje. Sejam bem-vindos a: “Mulher-Maravilha: Hiketeia” (Wonder Woman: The Hiketeia, roteiro de Greg Rucka e arte de J. G. Jones, 2002.) E no fim do post tem uma surpresa para vocês!

Line

Em primeiro lugar, muitos de vocês vão me perguntar: “Mas Mulher-Maravilha? Esse blog não é sobre Batman?”, e talvez até achem que essa ausência do blog comprometeu minhas faculdades mentais (que, veja lá, nunca foi das mais sensatas). Mas eu explico: a DC Comics tem aquilo que chamamos de “Trindade”, o carro-chefe das publicações que é formado pelo Superman, pelo Batman e pela Mulher-Maravilha. Teoricamente era para Superman ser o mais importante, mas nos últimos anos Batman vem sendo o personagem mais trabalhado – o que gera críticas por parte de alguns fãs de Batman acerca do exagero no Bat-mito e na superexposição do personagem de Batman. Tem até um meme sobre isso: “Justice League? More likely Batman and his bitches.

Trinity

Ok, voltando: esses três personagens, juntos, protagonizam alguns dos mais célebres arcos disponíveis na cronologia da DC Comics. A Mulher-Maravilha, que é a protagonista do post de hoje, sempre teve uma relação bastante única com Batman, de ódio e respeito mútuo. Você pode perceber isso pela capa – Mulher-Maravilha pisando no rosto de Batman.
Então, já que se trata de uma personagem tão importante, vamos começar falando sobre a sua história, a sua origem.

LineWonder

Em 1940, o o desenhista William Moulton – conhecido popularmente como Charles Moulton, estava disposto a criar uma nova personagem para as novas companhias que formariam a DC Comics. Recebeu de sua esposa a sugestão de criar uma super-heroína do sexo feminino. Essa nova personagem seria de um tipo diferente: ela não triunfaria pela força, mas pela compreensão e pelo poder.
O mais interessante de tudo é o seguinte: William Moulton Marston era um psicólogo que tinha um projeto com uma espécie de polígrafo – popularmente conhecido como “detector de mentiras” – que utilizava a pressão sanguínea para examinar os prisioneiros de guerra germânicos. Essa experiência com o polígrafo mostrou para Marston que as mulheres eram mais confiáveis e honestas que os homens e poderiam trabalhar com mais eficiência.
Nessa reportagem do NYSun, diz-se que Marston afirma sobre Mulher-Maravilha: “A Mulher-Maravilha é o símbolo do novo tipo de mulher que deveria dominar o mundo, em minha opinião.”
Inicialmente, a Mulher Maravilha era uma Amazona Campeã que ganhou o direito de remover o oficial americano Steve Trevor de volta ao mundos dos Homens (o avião dele se chocara contra sua Ilha paradisíaca), e de lutar contra o crime dos nazistas. Ela se disfarçava de secretária, e nesse período, ela integrou a Liga da Justiça Americana como a secretária do time.

Primeiro quadrinho
Diana digita na velocidade da luz!
Chefe: (Pensando) “Os dedos dessa garota se movem tão rápido que mal consigo vê-los! Mas dessa forma, ela vai acabar cometendo vários erros!”
(Em voz alta): “Vá devagar, eu não tolero erros de digitação!”

Segundo quadrinho
Chefe: Inacreditável! Eu jurava que você não anotou metade do que eu ditei, mas essa carta… Está perfeita!
Mulher-Maravilha: (Pensando) “Tenho que ser cuidadosa para não dar na cara… Eles não treinam as garotas aqui para ter memórias perfeitas como as nossas!”

Durante a Era de Prata, a origem de Mulher-Maravilha foi reformulada para um elemento mais mitológica: recebendo a benção da deidade Athena em seu território só de Amazonas, Themyscira. Ela estava destinada a ser bela como Afrodite, esperta como Athena, forte como Hércules e rápida como Hermes.

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#96 – Batman: Julgamento em Gotham

Hoje o papo é sobre uma história que eu particularmente achei a melhor dentro da época “Incorporated”, e também um dos trabalhos mais sinistros do Grayson como Batman. Nessa história ele literalmente salva a cidade, pois ela ia explodir.

No Brasil, “Julgamento em Gotham”. Nos EUA, “Gotham Shall Be Judged”. Tradução boa? Sim, na faixa. Aqui tivemos a história publicada na Sombra do Batman #20 (pré-reboot). A saga que essa história pertence por si só foi uma zona sem pé nem cabeça (agradeçam ao Grant Morrison, o Tio Chico usando um meio termo entre metanfetamina e LSD), mas graças a essa saga louca, essa história fez surgir a oportunidade de uma cena épica que vocês vão conferir.
Arte de Guillem March e roteiro de David Hine. Digo, na “parte principal” da história a equipe é essa, na série mensal “Batman”, pois a saga em si alastrou para mais alguns títulos da época, como a Gotham City Sirens #22, Red Robin #22, e Azrael #14, 15, 16, 17 e 18.
Aqui no Brasil, a Panini lançou a história “Julgamento em Gotham” na revista “Sombra do Batman #20”, com todos esses números de outros títulos que citei acima embutidos. Ai a equipe muda, né.
Cada título tem seu roteirista e seu desenhista. Na Azrael era Cliff Richards na arte e também o David Hine no roteiro, na Red Robin era Fabian Nicieza no roteiro e Freddie Williams II nos traços, e na Sirens tinhamos o Peter Calloway no roteiro e Andres Guinaldo como desenhista. Querem um detalhe interessante? A capa de todas essas revistas foram feitas pelo Guillem March. O maluco é uma máquina.

Mas vamos lá, martelo em mãos, começa o Julgamento em Gotham.

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001Vocês entenderão a história com uma única frase: Azrael é um babaca.
E se vocês acham que é o babaca do Jean-Paul Valley, se enganam, este Azrael é o Michael Lane, que também é um babaca. O manto de Azrael não deveria se chamar “Suit of Sorrows” ou “Manto do Sofrimento”, deveria se chamar “Manto do Otário”. Na verdade… Manto do Sofrimento encaixa bem, deve ser sofrido só fazer merda.
Me desculpem os fãs do Azrael, mas esse estilo de “guerreiro de deus” não me agrada, o comparsa (que é 100x pior que o Azrael) vive falando de vontade de deus, de passagens da bíblia, julgou o Tim Drake um pecador porque não fez sinal da cruz ao entrar numa Igreja, (sendo que ele entrou na correria pra salvar pessoas), dentre um monte de outras babaquices. O Azrael ainda soa menos bitolado que o comparsa dele, mas não muda o fato de que ele não pensa, ele pega a tal “missão divina” e já era a lógica. Ele não pensa sozinho, é literalmente um pau mandado, e eu odeio isso. Mas deixemos minha opinião de lado, só estou deixando claro a razão pela qual vocês não verão elogios ao Azrael aqui.
002A trama é a seguinte: Gotham City foi julgada uma cidade imunda e sem salvação (como sempre), então Azrael com ajuda dos camaradas ”Cruzado” (o sujeito sem nariz com uma cruz no meio da cara) e “Lume” (Surfista Prateado emo) ele vai “julgar” Gotham de acordo com a vontade de deus. O tal Cruzado voa, cria barreiras… É um cara bem articulado, enquanto o Lume (Sami Mousawi) é tipo um recipiente vivo de energia, e ele pode liberar toda energia acumulada em uma explosão. Algo semelhante ao Chemo, usado pra detonar Bludhaven na Crise Infinita.
Gotham ser julgada como um lugar impuro e que deve ser destruída por causa de seus pecadores fazem vocês lembrar de alguém? Pensem a respeito enquanto lêem o texto, e vejam se são bons detetives ao final da trama.
Se juntarem os pontos vão entender fácil que Azrael e Cruzado iam usar o Lume como bomba pra detonar Gotham, para assim Azrael cumprir com a “vontade de deus”. Bruce Wayne está fora da cidade, resolvendo assuntos da “Incorporated” em outro país, e na cidade estão Dick Grayson (como Batman), Tim Drake (como Red Robin) e Selina Kyle (Mulher Gato). Os três seriam testados por Azrael pra decidir se Gotham deveria viver.

Judgement004Vocês terão oportunidade de ver uma história da infância do Dick Grayson e uma história da infância da Selina. Vão ver Tim Drake sendo julgado pela espada do Azrael e sendo aprovado… Diversas coisas interessantes. Algumas vão parecer meio sem pé nem cabeça, tipo o Morcego queimado no peito do Grayson, ou o próprio Lume em si, pois foram coisas que aconteceram/apareceram em edições anteriores de histórias diferentes. Azrael atravessou o peito do Grayson com sua espada, bem em cima do simbolo do morcego, e o símbolo ficou queimado no peito dele, e toda hora ele sente alguma zique-zira devido a isso.
003Essa história (Julgamento em Gotham) eu li antes na internet, na época que foi lançada nos EUA, e posteriormente (alguns meses depois), comprei em revista aqui, mas na boa, se a revista tivesse vindo apenas a página nº 77, eu voltava feliz pra casa. Não precisa mais nada. Essa página foi linda, foi melhor do que a decisão empresarial de Serginho Malandro: “Investe metade no glu-glu e metade no ié-ié!” (Salve Exu Malandro).
Desculpem o foco tão grande nesse quadro, mas em história nenhuma vocês vão ver uma cena do Grayson como Batman onde ele praticamente incorporou o Bruce. Eu nunca vi o Grayson tão próximo de ser o Bruce, o mais perto que vi ele chegar disso foi durante a saga “Life After Death”, mais pro fim depois que o garoto informante morre.
Azrael com Lume em mãos, pronto pra explodir a cidade, com o auxílio do Cruzado logo atrás. Grayson sozinho pára numa distância ínfima do Azrael, encara o sujeito e diz

Batman: Você quer que eu siga você, é isso? Tenho que me ajoelhar a você e te chamar de “mestre”, como faz o Cruzado? Isso NUNCA vai acontecer.

Azrael

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#95 – Batman: Espelho Sombrio


“Lembro que uma vez perguntei ao meu pai o PORQUÊ. O que tornava Gotham tão especial? E o meu pai olhou pra mim e disse: ‘Alguns lugares tem uma fome em si, filho. E ou você os alimenta com o que querem… Ou você fica longe, muito longe deles.’”


OIá!
A história de hoje foi publicada inteira pela Panini em duas edições de “Sombra do Batman” (#18 e #19). No original, foi um dos últimos da série Detective Comics antes do reboot, tendo saido nas edições #871 a #873. É uma história importante porque nos mostra até onde vai a loucura, mas não vinda dos fundos do asilo Arkham, e sim a loucura dos cidadãos normais, dos homens de terno e gravata que gerem a cidade, das senhoras que organizam as bibliotecas, dos professores, médicos e pessoas influentes de Gotham. E também porque nos introduz um personagem que aparecerá logo que começarmos a falar do reboot.

Senhoras e senhores, fiquem com “Espelhos Sombrios” (The Black Mirror, roteiro de Scott Snyder e arte de Jock, janeiro a março de 2011).

001A história começa com uma cena comum em filmes e livros americanos: um garotinho apanhando dos moleques mais velhos no vestiário de um colégio. Aliás, nunca vi nada nesses banheiros que não fosse gente apanhando, desconfio que essa seja a real finalidade deles. Enquanto isso, uma voz está contando sobre os procedimentos de sua família circense quando saiam para turnês e apresentações: eles marcavam as cidades que visitariam com alfinetes coloridos. Um alfinete azul significa uma apresentação mais modesta, sem grandes truques. Um alfinete vermelho significava arriscar mais, fazer shows maiores. Gotham estava marcada com um alfinete preto. Deveria ser um show sem limites. Sem redes de proteção, sem cabos, ir até o fim para entreter a cidade. Porque ela pedia por isso. Bem, o molequinho do começo da história arranjou um jeito bem sangrento de se defender dos vilões da escola.

002Como você já deve ter imaginado, o relato do menino circense vinha de Dick Grayson, olhando languidamente pela janela da Mansão Wayne. Ele reclama para Alfred que desde que Bruce voltou ele não se sente muito à vontade na Mansão. Alfred até se oferece para deixar o lugar mais com a cara dele, e acredito que isso envolveria pendurar alguns pôsteres de ruivas pela casa, mas ele se recusa. Porque as coisas que possui não encheriam uma parede da casa; ele não é, exatamente, o apego em pessoa.
O Comissário Gordon virá até o laboratório criminal e forense dentro da mansão para investigar um caso; oferecer o laboratório foi uma medida pensada por Tim como contrapartida para que a criação da Corporação Batman não ofendesse ao Departamento de Polícia de Gotham. Gordon veio investigar uma evidência do incidente ocorrido numa escola – o incidente com o menino que contei no começo do texto. Ele não confia no laboratório de análise da polícia porque algumas evidências tem sumido de lá, roubadas por alguém, possivelmente um policial em turno.
003A “transformação” pela qual o garoto passou foi causada por um hormônio mutagênico, um composto que lembra o que causou as mutações a Waylon Jones – o Crocodilo. O garoto que foi exposto a esse composto está em em coma induzido o hospital de Gotham. A família do pequeno é composta de um pai rico que não quer saber dele, uma mãe louca e de um mordomo que cuida dele como pai – a quem Dick vai fazer uma pequena visita, na pele do Morcego. Bom, o mordomo também não dura muito, assim como a mãe louca. Menos de 20 páginas e 3 pessoas mortas, essa edição promete.
Mas a mãe do menino não estava louca à toa. Tem um dedo nisso tudo, e é o dedo esquizofrênico de Jarvis Tetch, o Chapeleiro Louco, que esteve controlando a senhora à distância. Eles descobrem isso por um chip implantado no pescoço dessa senhora – mas esse chip, essa evidência, também sumiu da central de polícia de Gotham.
004Repare, nesse ponto da leitura, que o aparecimento de aves é uma frequente. Algumas páginas atrás tinhamos um casal de urubus, aqui tem uma outra ave que desconheço, o comissário vai fazer uma metáfora sobre um casal e os chama de “casal de pombinhos”. Em algum momento da HQ, um aviário controlado eletronicamente será aberto por um importante personagem.
Batman decide chegar na casa de Cullen Buck, um policial de Gotham. É no turno dele que andam sumindo as evidências policiais dos últimos casos de Gotham. Lá encontra um arsenal de armas em desacordo com o salário de um policial comum. Aliás, falando em arsenal, Batman anda com uns gadgets excelentes nos últimos quadrinhos; aqui, ele dispara um bat-taser acoplado à ponta do dedo! (Enquanto dá um sorrisinho maroto que me faria dormir um mês debaixo da minha cama em posição fetal, chamando pela minha mãe).

Taser

005Bom, exatamente por esse nível de intimidação é que o policial abre o jogo sobre quem está por trás dos últimos sumiços de evidências policiais em Gotham: um homem chamado apenas de “O mercador”, que comanda um lugar chamado Casa dos Espelhos, em que leiloa itens roubados relacionados aos mais notórios vilões da cidade. Bem, ele não tem tempo de falar muito: uma espécie de árvore venenosa brota de DENTRO dele, matando-o na frente do morcego.

Bom, é hora de ir atrás desse “Mercador”. E é bom ele se cuidar, porque quando o Morcego cola na sua, o mínimo que te acontece é você perder todo o trabalho que o dentista teve com você durante anos.

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#94 – O Cavaleiro das Trevas: Aurora Dourada

“Gotham sob a chuva. Sempre me faz pensar em meus pais. É como uma batida contínua no coração. É o momento em que você perde todas as coisas que não poderá ter de volta. Faz você valorizar a aurora dourada”.

Este era um post que eu estava esperando a hora de fazer. A saga “Golden Dawn” foi o arco de estréia do novo título da DC no início de 2012, chamado “The Dark Knight”. O título veio praticamente junto com o retorno de Bruce Wayne às histórias.
(Vocês podem conferir detalhes sobre todo o processo que Bruce Wayne sofreu lendo os posts “Crise Final”, “Descanse Em Paz”, “Descanse em Paz: O Capítulo Perdido”, “Últimos Sacramentos”, “O Tempo e o Batman”, “Estrada para Casa” e finalmente “Corporação Batman”, entre outros aqui postados).
A proposta da série “The Dark Knight” é o Batman sozinho. Vocês raramente (muito raramente MESMO) vão ver o Asa Noturna, ou Robin, ou Capuz Vermelho. No máximo o Alfred, porém dificilmente algum outro aliado. O foco é quase absolutamente o morcego SEM a Bat-família.
Essa é a primeira saga dessa série que já está circulando há anos, infelizmente numa decadência de artistas, mas em todo caso, ainda um título original.
Golden Dawn pra vocês, traduzido pela Panini como Aurora Dourada.

LINE

O artista principal é o David Finch, tanto no roteiro quanto nos rabiscos. A arte do sujeito é uma peça de luxo, quem dera ele estar desenhando tudo da série principal do morcego desde que o reboot começou. Sim, estou mesmo dizendo que nem o Greg Capullo com 5 clones dele próprio ajudando dão conta de fazer a arte do Finch.
E quem dera ainda ser o desenhista da Dark Knight atualmente. Essa série já mudou de desenhista 2 vezes até o presente momento, ao sair o Finch, entrou o Ethan Van Sciver, e após ele o Zsimon Kudranski. Nem juntando os dois faz um David Finch, mas enfim.
Acredito que de uns anos pra cá, se eu tivesse que citar três nomes que realmente AGRADARAM desenhando Batman, David Finch está entre eles. E considerando a DC atualmente, com os desenhistas que lá estão, arrisco a dizer que David Finch foi O desenhista do Batman atualmente. Melhor versão, na minha opinião.
Vocês que estão acompanhando e são detalhistas devem ter reparado que, quando o Bruce voltou, tinhamos dois Batman com o uniforme praticamente igual. As diferenças eram mínimas pros desatentos. O cinto de utilidades do Grayson era mais fino e tinha a “fivela” com formado de morcego, e as luvas do uniforme dele tinham aparencia de braceletes, com uma visivel divisão horizontal no meio do antebraço. Enquanto o uniforme do Bruce era o de sempre.
Mas com o inicio da Batman Inc., Bruce mudou de uniforme. O uniforme novo é algo bem próximo do que temos nos Novos 52. A cueca por cima da calça se foi, e como eu custei a acostumar com isso. Pra mim foi simples questão de costume, mas cheguei a ver comentários aí mundo a fora que diziam coisas como “dá a impressão que o cara tá sem roupa”.
Ok, fora a cueca, outra visivel mudança foi o simbolo no peito. Essa eu custei tanto a acostumar que eu REALMENTE não acostumei, e até hoje tô feliz de terem tirado isso pros Novos 52. O simbolo do Morcego preto estampado na blusa cinza adotado lá pelos anos 70, mudou pra uma versão moderna da velha elipse amarela. Isso ai, ao invés dos caras olharem um avião e pensarem em andar PRA FRENTE criando uma nave, não, eles olham o avião e colocam um par de turbinas num pterodáctilo. Uma vergonha, mas é opinião minha, claro.
Já expliquei meu ponto diversas e diversas vezes quanto a elipse amarela. Representa a fase abobalhada do Batman, a tal época em que os vilões só faziam armadilhas, toda exclamação do Robin começava com “Santa” e todos os golpes tinham onomatopéias tipo “SOC”, “POW” e “TUM”. Essa época ridícula até hoje parece estar tatuada na mente de metade do planeta.
Já não bastou trazerem de volta a elipse, ainda fizeram ela iluminada com algum tipo de energia. Tenho duas teorias, ou quiseram imitar a bateria Ark do Homem de Ferro, ou arrancaram o Batsinal do telhado do Departamento de Policia e puseram no peito do Bruce.
Tudo bem, a história do símbolo e da Incorporated mostra que a intenção dele foi justamente sair das sombras e transformar “Batman” em uma companhia de proteção do mundo. Privatizando a paz, como o Tony Stark, novamente. O Morrison é um sujeito genial, já comentei, né? Não? Deve ser porque nunca fiz isso.
Bom, eis o novo uniforme do Batman (uniforme este que também está presente no jogo “Arkham City” nas skins alternativas). O morcego retornou com tudo, e com tudo novo. Vamos então ao enredo/narrativa da obra. Farei as observações mais pertinentes sobre a arte ao longo do texto.
001A história começa no passado, na infancia de Bruce Wayne. Primeira linha de pensamento do Batman no primeiro quadro: “Dawn Golden”. Na segunda linha já fica explicado que trata-se de uma menina (que diabos a DC tem com ruivas…) que Bruce conheceu em sua infância. Aparentemente a menina é filha de outra familia da alta sociedade de Gotham.
Podemos ver Thomas Wayne mandando Bruce brincar com a menina no meio de um dos salões da Mansão Wayne enquanto ele próprio conversa com um homem chamado Aleister, provavelmente pai de Dawn. Bruce não gosta da tal garota.
Logo depois, os dois vão brincar do lado de fora da mansão. Que bela paisagem, a mansão ao fundo, as árvores, campo, rio… Quase um Eden. David Finch já começa a detonar com a concorrência só em desenhar a água do rio. Quem quiser conferir, olhe ali na parte mais a direita do rio, tem o reflexo marrom de uma árvore na água, imagem perfeitamente distorcida pelo movimento da água. Esse quadro foi um presente.
Bruce está com uma pipa que seus pais trouxeram de uma viagem, ele entrega pra Dawn brincar um pouco, e logo nos primeiros momentos ela solta a linha e deixa a pipa ir embora. Bruce revoltado (e ainda sem noção de que é um ricasso e que uma pipa não custa nem meio dólar) corre atrás de Dawn furioso, e ao tentar pegá-la, acaba tomando uma volta da menina, que o domina contra o chão.
Nesse momento ele notou que a menina não era “tão má” assim. Geralmente é o que acontece com qualquer homem quando uma ruiva bonita o joga no chão e monta nele. O flashback encerra por aí e então chegamos ao presente, mais exatamente no departamento de policia, onde temos Gordon e sua equipe. Descobrimos nessa parte que Dawn desapareceu e que não há pistas de onde está, nem de quem sequestrou.
002Cena seguinte, algum beco de Gotham em uma noite chuvosa (quase nunca viram isso, né?), mais especificamente uma porta em especial. O cenário está completo. A parede de tijolos que está feita de traços pretos na área iluminada e de branco na área sombria, os canos com sujeira e ferrugem, pixações, lixo, relógio de luz… Bem pensado nos mínimos detalhes.
As linhas de pensamento do Batman indicam que ele está na chuva, do lado de fora, esperando alguém que está lá dentro. Alguém que ele poderia ir buscar lá, mas que seria deveras mais dificil, pois pegar o cara sozinho do lado de fora já seria complicado o suficiente.
Quando o Batman afirma uma coisa dessas, de certo ele se refere a um meta-humano ou monstro, e não foi diferente dessa vez. Um grande homem de chapéu e casaco atira outro porta afora todo arrebentado, o grandão trata-se de Waylon Jones, o Crocodilo.
O rosto dele está um pouco diferente do usual, sem o “focinho”, crânio com formato muito mais humano, apesar da aparência muito mais próxima da de um réptil. Temos alguns bons detalhes no quadro do rosto do Croc se revelando. Olhem os dentes, dá quase pra imaginar a textura só de ver os baixo relevos, curvas e sombras empregadas.
003Croc sai no meio da chuva, e finalmente a imagem de Batman surge. Em meio a chuva (e que chuva bem feita, até com água escorrendo pelos canos), a única coisa iluminada é o novo logotipo do morcego no peito. Croc está usando uma versão genérica da “Veneno”, a droga que o Bane usa pra ficar mais louco que strogonoff de basalto (salve o Anônimo), ou seja, está mais forte que nunca. Nos jogos da série Arkham (Asylum e City) a venom tem nome de “titan”. Não façam confusão.
Batman está determinado a descobrir onde Dawn está. O morcego desce igual um zero (avião que os japoneses usavam na segunda guerra) kamikaze e entrou de pé esquerdo na lata feia do Croc. O oponente estava mais forte e veloz do que o esperado, podendo assim ainda atacar com sucesso o Batman.
004Quase que o morcego leva a pior, contou com a sorte pra tombar o Croc. Um interrogatório rápido e ele descobre que Croc realmente encontrou a Dawn, e a vendeu pra um tal de Lars. Ao encontrar Gordon, Batman descobre que o tal Lars já estava boiando no rio antes dele conseguir a informação.
Finch deu uma caprichada na bat-caverna. Ficou um trabalho de primeira, uma página dupla onde couberam todos os principais elementos. A carta do Coringa, as vitrines com uniformes de morcego e o uniforme do Jason, o batmovel, o batcomputador, o T-rex, a moeda gigante… Impressionante a disposição que o cara tem de desenhar.

Batcaverna

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O tal Lars que morreu era ligado a um clube, e o homem morcego vai até lá pra ver se descobria algo mais. Entrou no lugar, arrombou o cofre e dentro encontrou um antigo cordão de Dawn. Porém nem tudo é boa notícia, ele foi surpreendido por capangas do Pinguim e o próprio Pinguim em pessoa, e do lado de fora, ele perdeu o comando do Batmóvel. Que roubada, hein?
005Nada disso, nós apreciamos um novo equipamento do morcego (equipamento cujo nome desconheço). A princípio achei que ele tivesse disparado a bat-corda, mas o lance ricocheteia pelas paredes/teto/chão, fazendo uma enorme rede pela sala, e quando alguém encosta, a rede fecha e amarra todo mundo. Deveras útil.
Batman partiu atrás do Pinguim pelas escadarias. Adivinham quem é mais rápido? Pois é. Batman jogou as boleadeiras de morcego nas pernas do Pinguim só por jogar, óbvio que o alcançaria. Começam as perguntas sobre Dawn. O primeiro quadro é lindo, o Batman está desenhado como deveria ser desenhado sempre.
O interrogatório começa ali nas escadas, Batman perde o controle temendo por Dawn, quebrou braços e pernas do Pinguim, Alfred pela câmera do capuz fica assustado com a violência do morcego, mas o Croc aparece do nada e acaba com a “1035º Festival da Ortopedia” promovida pelo filantropo Bruce Wayne. E a mesa virou feio, Croc enfiou o Batman na parede de um jeito que eu ou você voltaríamos com 90% da alma no mundo dos mortos.

Legs
007O Batmóvel foi levado embora, mas ao contrário do que parecia talvez ser uma ação conjunta de alguém com o Pinguim, na verdade era uma garota. Ela entrou no carro se vazou da cena. Vemos também que Croc está trabalhando pro Pinguim.
Temos um bico do Etrigan, o Cavaleiro Demônio na história, qual papel ele tomará na trama? Veremos.
Batman acorda amarrado numa cadeira cheia de bombas em volta, ligadas aos batimentos cardíacos do morcego. Os poucos segundos que teve após despertar ele usou para lembrar o que aconteceu a ele, e logo leva outra porrada do Croc. Pinguim faz uma vídeo-conferência direto de seu leito de hospital, mostrando uma imagem de Dawn Golden (que nós não vemos). Se o batimento aumentar demais, já era, explode tudo.

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#93 – Batman: O Observador

Hoje trazemos a vocês o arco “Eye of the Beholder”, lançado em 2011, e traduzido como “O Observador”. Trata-se de mais uma saga da série principal, sequência direta da “Vida Após a Morte”, porém com uma novidade de suma importância: Bruce Wayne está de volta.
É, o morcego velho não estava morto, estava no passado e voltou. Vocês já viram qual foi o (ridículo) processo na “Estrada para Casa” e sagas do gênero trazidas a vocês aqui pela Jéssica. Foi uma confusão do caramba, até pra uma história em quadrinhos onde há pessoas com superpoderes, o ocorrido foi um tanto forçado.
Mas não estou aqui pra debater isso (não agora). Estamos aqui para a saga “Eye of the Beholder”. Quem vê apenas a primeira revista da saga vai a loucura já fica na expectativa de mais uma saga inteira comandada pelo desenhista/roteirista Tony Daniel, mas infelizmente não foi como a coisa procedeu.
Tony Daniel foi roteirista e desenhista de todas as revistas que compõe o arco, e algumas revistas tiveram um toque de bom gosto do Sandu Florea, sendo que oficialmente isso foi obra do Ian Hannin. Obviamente eu preferia que todas fossem do Sandu Florea, mas já que as do Ian estão ali e não podemos fazer nada quanto a isso, aproveitemos para ver a diferença do trabalho de um e de outro. As cores do Sandu são mais vivas e acompanham a profundidade do traço do desenhista, as do outro… São só cores.
Bom, sem mais delongas, estoque de colírio em mãos, vamos a “O Observador”.

Batman_Dick_Grayson_0011

001De início, vale lembrar que há uma “hierarquia” de roteiristas. Na época de lançamento dessas revistas, o roteirista cabeça que ditava como as coisas iam correr nas histórias do Batman (em todas relacionadas, não só na mensal) era o Grant Morrison, o mesmo sujeito que estava por trás da “Crise Final” onde o Morcego recebeu a Sanção Ômega do Darkseid. Na revista mensal e o roteirista “oficial” é o Tony Daniel.
Quando digo “hierarquia” não quero dizer que o Morrison chega pro Tony e diz “Olha… muda essa linha, não gostei”. Não, nada disso. É que o Morrison ditava os principais eventos, tipo o retorno do Bruce. Logo, o Tony não podia fazer o roteiro da saga principal dizendo que o Bruce tava morto, ou fingindo que ele não voltou. Ele podia fazer o que bem entendesse, desde que levasse em consideração tudo que o Morrison anunciava antes, como por exemplo o retorno do Bruce. Não dá pra fugir desses fatos.
Ok, isto posto vamos ao roteiro do Tony Daniel. Assim como em todas sagas escritas por ele, ressalto: Ele sempre traz algo das antigas, e nessa não foi diferente.
O início da história é em algum lugar afastado do centro de Gotham, um casarão, onde um camarada barbudo faz uma ligação traiçoeira sob pressão de um assassino. O barbudo morre do mesmo jeito. A assinatura do matador começa com Henry. Seria Henry Ducard? Mistério.
002A seguir temos uma bela sequência de quadros, da dupla dinâmina na noite de Gotham, um cenário com tom amarelado, daquelas luzes amarelas de inverno (não necessariamente é inverno lá, só quis exemplificar as luzes) e céu vermelho com uma grande lua ao fundo. Uma combinação não muito usual de cores para retratar uma noite na cidade.
Temos Dick Grayson e Damian Wayne em uma perseguição. O alvo? Kitrina Falcone, a nova Moça Gato (Catgirl). E quem tá junto na festa? O Ceifador. Pra quem não lembra dele, o sujeito fez seu retorno a vida (e aos quadros) na saga “Vida Após a Morte”, e não tivemos mais notícias desde que o Grayson o deixou pra detonar Hugo Strange e Dr. Morte na base do Máscara Negra II (Jeremiah Arkham).
003Agora temos a turma toda reunida novamente. Kitrina estava perseguindo o Ceifador por 3 noites querendo a recompensa que há pelo zumbi. O cara não curtiu e partiu pra foice em cima da garota. Como bons estrategistas, Grayson e Damian tentam matar dois coelhos com uma única “caixa d’água”, salvar Kitrina e pegar o Ceifador.
Em uma sequência de golpes que começou com “um movimento estilo Bruce” e terminou com “encerramento estilo Grayson”, Batman consegue derrubar o Ceifador. Eles procuram pela Kitrina, mas a pequena felina já tinha desaparecido. Em seu lugar quem aparece? O Batman. Não o Grayson, outro Batman, o original. Bruce Wayne. “É hora de conversarmos”. Parece um pai pronto pra dar um sermão nos filhos.
Bruce já está com seu novo uniforme, que ainda sofrerá algumas mudanças até o uniforme atual. Este uniforme é conhecido como “Incorporated”, vocês já devem estar por dentro do assunto graças ao post anterior a este (Corporação Batman: Leviatã Ataca!). Bom, os dois morcegos se afastam do local inicial do encontro e no novo ponto de encontro então conversam sobre Kitrina.
É um quadro que fica gravado na minha mente como uma cicatriz, os dois Batmen olhando fixos um pro outro, numa distância curtíssima, ambos de cara feia (seguindo a regra de SER Batman). Se eu sou um criminoso vagando pelos telhados e de repente dou de cara com dois Batmen se encarando com cara de nervosos eu já ia andando sozinho pro hospital, torcendo pra chegar lá só precisando de calmantes, e não de talas e pontos.

Batmen
Um Batman visivelmente maior que o outro, ponto novamente pro Daniel ao retratá-los de forma tão diferente e plausível, pois dá pra identificar ambos só de olhar pro rosto, que teoricamente são iguais (capuz preto com a boca descoberta). Grayson tenta dar explicações sobre o que pretendia fazer quanto a Kitrina, dizendo que ia falar com Selina, e Bruce é bem direto: “Selina não manda em Gotham. Você manda. Enquanto eu estou fora”.
Realmente, o Grayson tem um método mais “conversa”. Ele meio que argumenta com a Selina para conseguir o que quer, coisa que o Bruce não faz com ninguém. Com o Grayson é “Tira a Kitrina da rua, isso não dá certo, blablabla… “ com o Batman original é “Kitrina. Rua. Nunca mais. Se não eu entro. Dai fudeu meio mundo”.
O cenário ao fundo é magnífico, estilo aquela famosa capa que o Tony Daniel fez pra uma história lá dos tempos do Ra’s Al Ghul, cheio de janelas, pontes, caixas d’água, chaminés… o cara nasceu pra isso.
Batman (Bruce) dá o ultimato, e Batman (Richard) diz que vai resolver. Fora dali, o sujeito que foi “enganado por telefone” pelo barbudo no inicio da história, vai nas indicações falsas e acaba disparando uma armadilha, uma bomba. Não temos confirmações nesse quadro, o que parece inicialmente é que o cara deve ter morrido.
Na parte diurna da história, Dick Grayson e Lucius Fox participam de uma reunião em nome da Wayne Enterprises. Dick está fazendo papel completo de Bruce. Diversas vezes em histórias antigas temos Bruce fazendo coisas do gênero. Dá pra ver na cara deles e nas palavras um “Anda com essa porcaria, eu tenho que trazer justiça para a noite daqui a pouco”. Dificilmente vemos Grayson na frente das empresas Wayne. Ele não é do tipo “empresário”. A proposta da empresa chinesa fala de restaurar o Beco do Crime.
A noite dá as caras novamente, Selina está em alguma festa luxuosa passando a perna em algum velho rico qualquer, e Grayson aparece lá a paisana para conversar com a Mulher-Gato sobre sua filhote. Depois da chamada do Bruce, o assunto ganhou prioridade, né.
004Mais uma vez temos a guerra entre olhos azuis e verdes, assim como na Torre Wayne quando Dick queria que Selina arrumasse informações sobre o Máscara Negra com a Hera Venenosa, dessa vez Grayson quer saber onde está Kitrina, mas Selina também não sabe. Pelo visto a menina tem um instinto bem traira.
Ressaltando a arte deste encontro entre Dick e Selina… O vestido dela está com um colorido de rosa suave, porém com brilho, como se tivesse luz própria. Sei que o comentário foi meio Edney Silvestre, mas lembrando que isso não é uma foto e sim um desenho, só podemos chamar de obra de arte. E o Dick está quase como uma versão mais nova do Bruce, assim como Selina disse na Torre Wayne na outra história.
005Depois que Selina deu pra trás com as informações sobre Kitrina, Dick se vai e a Kitrina se revela na cena, revelando a nós então que a Selina está acobertando a garota. Dick vai para as ruas, e novamente dá de cara com uma mulher que se revela perigosa, Sasha Lo, a tal negociante chinesa que quer o Beco do Crime. Ela oferece 10 milhões de bônus ao Grayson separadamente se ele convencer o Bruce a vender as tal propriedades, que também estão sendo compradas por um valor altíssimo, muito além do que valem. Qual interesse ela tem nisso? Só o filantropismo que afirmou? O mundo não é belo assim.
Alguém tenta dar uma flechada em Grayson, Sasha segura a flecha no ar e bate em perseguição do assassino. Grayson não ia deixar barato assim. Acelerou a pé debaixo da chuva em Gotham e usando escadas de incêndio partiu pros telhados. Ele acionou o Alfred para enviar um uniforme, e assim acontece, Grayson põe o manto do Morcego e parte pra conferir qual é a real história.

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007A tal Sasha Lo também mudou de roupa no caminho, virou uma gueixa/ninja/pavão do inferno e pegou o tal arqueiro que tentou matá-la. Ou achou ter pego, era um truque, o real arqueiro ia matá-la, mas dessa vez é Batman (Dick) que a salva. Uma vez com o inimigo derrubado, começam as apresentações. A “Pavão” se apresenta e diz que o assunto não é do interesse do Batman, e ele em uma tacada bem “Bruce” diz “Esta é minha cidade. Tudo me interessa”.

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#92 – Corporação Batman: Leviatã Ataca!

“Há uma coisa que aprendi como membro da Corporação Batman. Você nunca está sozinho com um Batsinal.”

Finalmente chegamos ao post sobre a Corporação Batman aqui no blog. A semente para essa idéia foi plantada em uma conversa de Bruce com os seus aliados no post de “Bruce Wayne – Estrada para Casa”. Naquela edição, ele pontua sua intenção de expandir o alcance de Batman para cada lugar do mundo, criando uma rede em que cada um dos Morcegos receberá uma atribuição. “De hoje em diante, Batman estará em todo lugar que haja escuridão. Sem lugar para se esconder.”
Antes de começar o texto em si, alguns esclarecimentos para que tudo possa ficar bem entendido entre nós. Para falar dessa nova fase de Batman, eu tinha duas opções: apresentar a série mensal de Corporação Batman, que durou 8 edições (janeiro-outubro de 2011), ou apresentar o especial “Leviathan Strikes!”, de 2012. A série mensal é importante? Sim. Assim como a série mensal de Batman é importante em todas as suas 713 edições + os especias, as 4 séries mensais de Robin com aproximadamente 206 edições, as 3 séries mensais do Asa Noturna que somam aproximadamente 193 edições… Entendem meu ponto? Se fôssemos ler as séries mensais todos os personangens ao pé da letra, só com esses três personagens principais já teriamos mais de 1000 HQs acumuladas para leitura. Claro que se você tiver tempo, você deve ler os arcos mensais, são interessantíssimos. Mas como o objetivo do Batman Guide é apresentar só o que é essencial para a leitura, eu escolhi apresentar logo o especial da Corporação Batman.
Mas para não deixá-los totalmente desorientados, vou fazer um resumo das 8 edições mensais antes de falar do especial. Você pode baixá-las no nosso parceiro DSClub.
Em seguida, você lerá: “Corporação Batman – Leviatã Ataca!” (“Batman Inc: Leviathan Strikes!” Roteiro de Grant Morrison e arte de Chris Burnham e Cameron Stewart, fevereiro de 2012)

Introdução – Corporação Batman

Line001Em primeiro lugar, é preciso que eu diga: essas mensais tiveram as capas mais lindas que já vi. Acho que foi a sequência de capas de uma série mais bem-feitas da história do Morcego. Clique para aumentar.

001Batman encontra Mulher-Gato em uma de suas missões – Batman está atrás de algo que foi inventado e não deve cair nas mãos de outra pessoa senão as dele. O Morcego pensa em convidar um dos rapazes envolvidos para entrar na Corporação Batman, mas como ele havia utilizado uma arma de fogo, ele é vetado. Mas ele irá surpreender Batman, “zerando” sua personalidade e sendo convidado a entrar para a Corporação Batman com um juramento bem parecido com os feitos pelos Robins. O primeiro ramo da Batman Inc no Japão: Jiro Osamu, como Senhor Desconhecido.
A capa da terceira edição é de chorar de tão linda. Ela traz logo na capa um personagem que já vimos na Luva Negra; El Gaúcho. Bruce Wayne vai até a Argentina tentar convencê-lo a integrar a Corporação Batman. De início ele resiste, mas se vê preso numa armadilha com o Morcego com um dos personagens que eles julgavam estar mortos – um dos capangas de Dr. Hurt em “Descanse em Paz”.
binc_04_021Na quarta edição, outra personagem sumida aparece em um flashback: Katherine Webb-Kane, a primeira Batwoman, original. Descobrimos que ela teve um relacionamento com Batman e com El Gaúcho, sendo motivo de uma antiga desavença entre eles. Segredos são revelados na armadilha montada para eles. A Batwoman original acaba se encontrando com a atual Batwoman, e elas caem na porrada.
Batman consegue encurralar o capanga que estava mantendo ele e Gaúcho reféns. Eles se revezam no interrogatório tentando descobrir para quem eles estavam trabalhando, mas o criminoso não revela nada. Entra em cena um vilão chamado Dr. Dédalus que tem um instrumento chamado Labirinto da Morte, capaz de matar heróis. Vários foram mortos nesse labirinto, mas um deles deixou uma arma que foi convertida em uma bomba. Essa bomba será utilizada para iniciar uma guerra que mandará Batman para o inferno. Sob ordens… Do Leviatã.
Um prólogo do edição #5 nos é particularmente interessante: uma sala de aula do que parece ser a África. Um professor ensina aos alunos uma doutrina perigosa: o Leviatã é a resposta para todas as perguntas. Para garantir que todos no mundo também achem isso, o professor distribui rifles e AKs para os alunos. Um homem esguio com uma armadura de Batman ultra-tecnológica espia tudo do teto. Seu nome é David Zavimbe. Ele é Batwing. O novo membro da Corporação Batman (Estou tão ansiosa para falar sobre ele aqui!)

01
002 Começa a se espalhar a notícia de que Bruce Wayne está contratando e patrocinando Batmen por todo o mundo. Em contrapartida os chefões do submundo estão mexendo os pauzinhos para lidar com isso (e no meio deles um chamado “Homem-Emoticon” que… Usa máscaras de emoticons. Ok.)
Em suas coletivas de imprensa o bilionário esclarece que segurança é uma de suas prioridades, assim como a construção de um mundo mais seguro. Uma pequena cena exibicionista para os jornalistas de Gotham.
Batman passa o comando dos Renegados para Red Robin. Ele decide articular o combate àquele que vem se mostrando um inimigo cada vez mais poderoso: o Leviatã. Ele está criando, entre outras coisas, um… Exército de crianças assassinas, que ficam felizes em matar em nome do Leviatã.

Aparece também o Homem-dos-Morcegos e seu sidekick Corvo Vermelho, mais um dos “Batmen de Todas as Nações” (não lembra quem são eles? Clique aqui) Trecho engraçadíssimo é a entrada NADA discreta da Batcaverna do Homem-dos-Morcegos.

Homem dos morcegos

003Muita tensão na 7ª edição, com direito a luta de gangues, o Homem-dos-Morcegos  no meio da briga mesmo esfaqueado num lugar perdido dos Estados Unidos. Eles também entram para a Batman Inc.
Na 8ª e última edição, com temática high-tech, um teaser do que encontraremos em “Leviatã ataca!”: Oráculo fala a Batman sobre um trabalho especial que Batgirl está desenvolvendo em uma “escola do mal”, envolvida com o Leviatã. E Batman liga os pontos sobre um pequeno país africano, até pouco tempo governado por uma supermodelo. Que enganou Batman, levando-o a uma armadilha que quase o matou. Seu corpo nunca foi encontrado.
Jezebel Jet está de volta.

Para facilitar a vida de vocês, reuni a formação da Corporação Batman no fim dessas 8 edições:

BATMAN INCORPORATED

Lista de membros da Corporação Batman

(Queridos, essa lista deu trabalho para ser feita, então espero que gostem. Se encontrarem um erro, por favor, me avisem!

Introdução feita, vamos às vias de fato: a HQ de hoje!

Corporação Batman: Leviatã Ataca!

Line002001A HQ começa com um juramento característico do Leviatã: “Não tememos a morte, pois somos a morte!”. O cenário é um prédio antigo, uma escola. E quem está fazendo o juramento é Stephanie Brown e uma amiga. Com cordas ao redor do pescoço. Rodeadas por meninas com rostos de caveira. Certo, as coisas estão indo rápido demais. Como chegamos até aqui?
Flashback de um mês atrás. Stephanie Brown está sendo levada para seu primeiro dia de aula no tradicional Colégio de St. Hadrian. Nem tão tradicional assim: na primeira aula de Stephanie, a professora está ensinando como confeccionar uma granada de mão com objetos encontrados em qualquer cozinha. Bela aula.

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#91 – Bruce Wayne: Estrada Para Casa

“Então, minha missão […] é trabalhar duramente comigo mesmo; nunca esquecer que tenho aliados nesta guerra, que preciso deles e dos amigos… E tentar, nem que seja um pouco, aproveitar esses vínculos um pouco mais, porque eles são muito frágeis.”

“De hoje em diante, Batman estará em todo lugar que haja escuridão. Sem lugar para se esconder.”

Oi!
Você se lembra do arco “Batman: Renascido”? Ele foi postado aqui no Batman Guide em 7 partes. Em cada uma delas, vimos a repercussão que o sumiço de Bruce Wayne teve para os aliados de Batman. Como cada um deles se rearranjou, como se adaptaram, as estratégias que se utilizaram para garantir o preenchimento das lacunas que o Morcego original deixou.
Agora Bruce Wayne está de volta. Mas ele não irá se revelar ainda. Ele ainda precisa avaliar até que ponto cada um dos seus aliados está devidamente preparado para o seu aparecimento. Precisa saber como eles se saíram nesse período de ausência. Precisa trilhar sua estrada de volta para casa. E, acima de tudo, precisa descobrir se eles estão preparados para o grande desafio que está por vir.
A HQ de hoje é “Bruce Wayne: Estrada para Casa” (“Bruce Wayne: The Road Home”, dezembro de 2010-janeiro 2011).

Atenção: apesar de serem one-shots lançadas no mesmo mês, recomenda-se a leitura na ordem abaixo para melhor entendimento.

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#1 – Batman & Robin: Olhando de Fora para Dentro
(“Outside Looking In”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Cliff Richards, dezembro de 2010).

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Leitura relacionada:
■ #83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido”)

Essa HQ tem Fabian Nicieza no roteiro. Eu já disse aqui o quanto eu gosto do trabalho do cara, então já estava disposta a gostar dessa HQ antes de lê-la. Lembrando que isso não significa que eu vá fazer vista grossa caso o roteiro esteja ruim; não devemos endeusar ninguém a ponto de não aceitar que essa pessoa cometa erros. O que não foi, de todo, o caso dessa história.
O narrador dessa história parece estar observando o trabalho de Dick e Damian enquanto Batman e Robin.
Se você observar pensamento dessa história, irá observar que existem duas tipologias de balões: a primeira, escrita à mão em linhas de caderno; e a segunda, parecendo ter sido digitada em uma fonte de computador, como um relatório de trabalho. Veja:

Narradores

Isso nos indica que há dois narradores nessa história.
O primeiro narrador, do diário escrito à mão, observa algumas coisas sobre a Dupla Dinâmica caçando o misterioso Killshot. A primeira delas é que eles não só correspondem totalmente às expectativas, como também as superam. A segunda observação parece ter um tom reflexivo: nós sabemos que o método de Dick de enfrentar os problemas é com certo bom-humor, fazendo piadas o tempo todo, com um viés meio circense, que está no seu sangue. Assim, a Dupla Dinâmica terá errado em transformar o seu trabalho de Batman e Robin “em uma aventura, ao invés de uma obsessão”? Essa nova metodologia, única, é válida? O “novo” Batman é absurdamente confiante. E além disso, tem um mérito incrível: conseguiu colocar Damian Wayne na linha. Quem faz essas observações deve saber, em primeiro lugar, que Batman não é o mesmo de antigamente (isto é, não é mais Bruce Wayne). Ora, poucas pessoas sabiam disso em Gotham City – a maioria delas, incluindo Jim Gordon, achava que Batman continuava o mesmo, apenas com algumas mudanças comportamentais.

O segundo narrador, das linhas digitadas, também sabe que novo Batman é Dick Grayson. O que ela não entende é como e porque ele se tornou Batman. O que faz dele o novo Morcego. Onde estaria Bruce Wayne? Ela está chantageando a Bat-família em busca de informações. Quando ela descobrir isso, poderá publicar no jornal de Gotham e alcançar o sucesso que tanto almeja.
A segunda narradora é Vicki Vale, a ex-namorada de Bruce Wayne.

Para tentar contornar isso, Bruce Wayne convida-a para jantar. Epa… Não tão cedo. É Thomas Elliot, que foi pego pela bat-família tentando roubar o patrimônio de Bruce, e está sendo forçado por eles a aparecer publicamente como Bruce Wayne desde o arco Últimos Sacramentos. Mas Vicki Vale é ardilosa. Ela já esteve intimamente com ele, e percebeu que não era Bruce Wayne.
Enquanto isso, a Dupla Dinâmica continua procurando Killshot pela cidade, estragando operações ilegais, deslocando o maxilar de criminosos, tentando desmanchar um complô para assassinar o prefeito, um Torneio Internacional de Assassinato, essas coisas comuns para Batman & Robin. Até que vemos Killshot conversando pacificamente com Red Robin. Terá Tim Drake mudado de lado? Quem está se vestindo de Killshot?
Quem é o primeiro narrador, que está observando Batman e Robin de maneira tão precisa? A resposta para essa pergunta é a mesma: Bruce Wayne. As observações que ele faz nas últimas páginas valem a pena a edição toda.

#2 – Red Robin: O Infiltrado
(“The Insider”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Ramon Bachs, dezembro de 2010)

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■ #81 – Red Robin: O Graal (“Batman: Renascido”)

Recapitulando um pouco a história de Tim Drake, do post #81: Desde o começo ele foi o único que realmente acreditava que Bruce não havia morrido, e sua insistência foi tanta que ele decidiu se separar do resto da Bat-família e se tornar o Red Robin, entrando em missões heróicas pela Europa.
Ao tomar conhecimento disso, Bruce decide analisar o trabalho de Red Robin:

“Agora, eu preciso ver como Tim Drake e seus planos à longo prazo como Red Robin vão funcionar com (ou contra?) minha nova perspectiva operacional. Eu preciso ver se ele tirou o melhor do que lhe ensinei… Ou o pior das coisas que eu fiz errado.”

Ele será analisado enquanto luta com o Concílio das Aranhas – do qual o Augusto já falou em “Red Robin – O Graal”. Drake está trabalhando com Prudência, ex-assassina de Ra’s Al Ghul, quando Killshot – isto é, Bruce Wayne – decide testá-lo: ver como ele se comporta diante do inesperado. E, bem, nas próprias palavras de Wayne, “Sua organização tática e estratégica é brilhante”, porém ele precisa aprender a improvisar. A essa altura eles já estão trabalhando juntos.
Vicki Vale vai atrás de Alfred para mais uma rodada de chantagem e ameaças, e acaba descobrindo a verdade que tanto procura sobre Bruce: que ele esteve morto/perdido no tempo, e que fará seu retorno quando estiver preparado. Ela sabe que precisará pegar mais pesado se quiser algum resultado.
Bruce, enquanto Killshot, está infiltrado no Concílio das Aranhas, fingindo que quer se graduar. Um nível de risco que só alguém como ele pode aguentar. Ele recebe a missão de matar Tim Drake para que se integre verdadeiramente ao Concílio – uma excelente oportunidade para eles se testarem, mutuamente.
Ver as reflexões de um sobre o outro é o ponto alto dessa edição. A relação entre Wayne e Drake sempre foi muito profunda, desde o começo, quando Drake pediu para se tornar Robin, desde quando ele foi adotado e se tornou o Robin mais perito em tecnologia e com as qualidades mais equilibradas entre todos os meninos-prodígio.
Prudência esteve ajudando Red Robin durante todo esse tempo, mas aparentemente ela também é uma agente-dupla. E ela está se reportando a alguém que já tem um histórico de problemas com Batman. Uma dívida que envolve imortalidade.

Uma das coisas que você precisa estar atento nessas edições são as anotações finais de cada volume; são as conclusões finais do Caderno Branco de Bruce. Elas são bem valiosas. Alguns dos comentários feitos sobre Red Robin:

“De cada tragédia que Tim suportou, e houve muitas, ele se ergueu das sombras mais forte, mais brilhante do que ele era antes. […] Sua força está em sua habilidade de balancear a escuridão com a luz e o entendimento de que no final a ordem não pode ganhar sem uma saudável participação dos casos.”

Agora é a vez de Batman passar os olhos por aqueles que praticamente se desfizeram durante sua ausência. Os Renegados.

#3 – Os Renegados: Interferência interna*¹
(“Insider Interference”, roteiro de Mike W. Barr e arte de Javier Saltares, dezembro de 2010)

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■ #85 – Renegados: O Abismo (“Batman: Renascido”)

Algumas palavras sobre os Renegados. Quando Batman se ausentou da cidade, eles recebem uma missão de Alfred para prosseguir o trabalho do Morcego. Cada um conta com uma habilidade de Bruce. Ainda que tropeçando em alguns pontos, eles prosseguem realizando o que era esperado deles ainda quando eram “Batman e os Renegados”.
O cenário da “inspeção” é na nação sitiada chamada Markovia. Agora contamos com a adesão de Divina (Looker, no original) nos Renegados. A cidade está passando por uma situação de pânico; grupos de mais de três pessoas estão proibidos, para evitar o risco de conspirações. Um atentado ao príncipe está previsto, devidamente descoberto por Katana, que aparentemente adotou o método Bruce Wayne de interrogatório. E, descoberto isso, é hora de evitar que o pior aconteça. Em situações normais seria relativamente fácil de conter isso, mas a conspiração está sendo promovida pelo Concílio das Aranhas, que tem no príncipe Brion o seu principal alvo.
Enquanto isso, Vicki Vale descobriu que foi enganada por Alfred na edição anterior, e vai até Rastejante tentar uma nova abordagem. Tudo por um suposto “instinto profissional”, atingir a verdade.
O próprio principe Brion, ainda que ameaçado de morte, decide combater os tumultos perigosos que estão acontecendo em sua cidade. Como conter um inimigo, ou um grupo de inimigos, infiltrado no meio de uma multidão? Como identificá-lo e puni-lo sem resvalar em cidadãos com os ânimos inflamados, porém ainda inocentes?
É o momento de Bruce observar. Suas palavras não soam muito esperançosas:

“Este é o motivo pelo qual eu vim aqui. Pra ver se os Renegados haviam arruinado todo nosso bom trabalho; pra ver se eles finalmente aprenderam a trabalhar como equipe, mesmo sob provocação.”

Bem… Alguns erros táticos confirmam que talvez os Renegados ainda precisam de alguns aprimoramentos. Mas que nem tudo está perdido.

– Na tradução adotada pela scan e pela Panini quando lançou essa história na Sombra do Batman #17, perde-se o trocadilho feito no título original. “Insider” significa “instruso, infiltrado”, e é o nome original do apelido que Batman recebe nesse arco quando os aliados começam a perceber que ele os está ajudando – “Infiltrado”. Então, “Insider interference” é uma trocadilho em referência à interferência feita pelo personagem de Batman.

Erro original da DcUm pequeno adendo. Você lerá, na última página, a indicação de que a próxima HQ é a da Mulher-Gato. Esse foi um erro da própria DC, conforme você pode ver pela imagem da HQ original. A ordem correta seria a HQ da Batgirl, e é assim que vamos seguir aqui no Batman Guide. 

#4 – Batgirl
(“Batgirl”, roteiro de Bryan Q. Miller e arte de Pere Pérez, dezembro de 2010)

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■ #82 – A Ascensão de Batgirl (“Batman: Renascido”)

O arco “A Ascensão de Batgirl” nos mostrou um panorama da evolução de Stephanie Brown, como Robin, como Salteadora e, depois, recebendo o manto de Batgirl.
Esse arco começa justamente com a lembrança de uma discussão entre Salteadora, Batman e Robin (Tim Drake), muitos anos atrás, a respeito de uma ordem que ela deveria seguir para que o resgate de seu pai obtivesse êxisto. Aliás, há uma citação que faz referência ao roteiro de “Ascensão de Batgirl”: Batman dizendo “Ela era uma variável que eu mal podia controlar”. Ela sempre foi insubordinada e questionou as ordens do Morcego. Ao longo dessa história ela terá alguns flashes da sua história com Batman.
Voltamos para os dias de hoje. Oráculo acionou Batgirl para observar e conter os movimentos de Killshot, o “infiltrado” que anda “ajudando” as operações da Bat-família (o próprio Bruce!). Ela lembra um pouco Dick Grayson no hábito de fazer piadas com o oponente para desconcentrá-lo e enfraquecê-lo. O embate com Killshot não foi o que ela esperava; ela parecia não estar, ainda, à altura do seu oponente. (Ah, a propósito: Batman está usando um traje que pode deixá-lo invisível.)
Bárbara Gordon continua a ser a “mentora” de Stephanie, na condição de Batgirl original. Babs pede que Stephanie se afaste desse caso e deixe que as Aves de Rapina cuidem disso, pelo menos por enquanto. Lembra que eu disse que a garota era insubordinada? Então. Contando com a ajuda de sua amiga Wendy “Proxy” Harris, que tem acesso a um terminal de supercomputadores (tipo uma Oráculo particular!), ela segue a trilha de Killshot através de uma arma que ele roubou da Waynetech.
De maneira bastante inteligente ela consegue seguir o rastro do seu procurado até o prédio em que ele está escondido. E lá, demonstra ter muita coragem – a ponto de dar um soco na cara de Bruce. Garota corajosa. Poucas pessoas já podem dizer que bateram em Bruce sem terem metade dos ossos do corpo deslocados depois. Existem pendências entre ambos. Desde Jogos de Guerra, Bruce não confia totalmente nela. Lembre-se, não foi dele a decisão de Stephanie se tornar Batgirl. Ela talvez não esteja preparada. Ela precisará ter sua coragem testada. Precisará lutar para mostrar a Bruce o seu valor. E que merece o lugar que ocupa atualmente.

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