#89 – O Tempo e o Batman

“O amanhã pertence ao Batman.”

Olá!
Como as coisas se complicaram nessas últimas semanas… É meu penúltimo semestre da faculdade e o laboratório onde eu trabalho esteve envolvido em grandes seminários e congressos que exigiram muito de mim e de todas as meninas que trabalham comigo. E o resultado foi mais de um mês sem postar aqui no Batman Guide! Peço desculpas a todos vocês por esse atraso. Entretanto, nem tudo são más notícias: são minhas primeiras férias de trabalhos e estudos desde o começo de 2012! Desde então, quando eu não estava trabalhando, estava estudando, e vice-versa. Agora estou de folga dos dois! Vamos tentar compensar o tempo perdido então?

A HQ de hoje foi publicada na Batman #700, em uma edição gigante de aniversário. Conta com o roteiro de Grant Morrison e a arte de Tony Daniel (pgs. 3-10), David Finch (pgs. 11-18), Andy Kubert (pgs. 19-27) e Frank Quitely (pgs. 28-33). Além disso, tem uma galeria de imagens que conta com artes de Guillem March, Dustin Nguyen e Bill Sienkiewicz, entre outros. Sim, esse é o grupo de DINOSSAUROS responsáveis por essa história. Eu tenho a impressão que você não deveria deixar de lê-la.
Aprecie “O Tempo e o Batman”! (“Time and the Batman”, agosto de 2010)!

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Você, leitor do Batman Guide, sabe o que acontece quando Grant Morrison está no roteiro de uma obra. É hora de abandonar alguns conceitos pré-estabelecidos: tempo, espaço, consciência, realidade, sonho. O conceito que você precisará redefinir para esta HQ é, como o próprio nome da história diz, tempo. O templo é flexível.
Como comemoração da edição #700, o que temos é uma viagem pela trajetória do Morcego ao longo dos exatamente 40 anos de história. Cada período da história de Batman é homenageado com primor e detalhismo que irão agradar aqueles que, como nós, tem interesse no caminho que o Morcego percorreu desde o caráter brincalhão da Era de Prata até seu estabelecimento como o Cavaleiro das Trevas sério e implacável que ele se tornou.
Introduções feitas, vamos para a história.

001Primeira parte: o “Ontem”.
Batman (Bruce Wayne) e Robin (Dick Grayson) estão sendo mantidos reféns por Coringa, Mulher-Gato e outros vilões como Chapeleiro Louco, Charada e Espantalho. A arte dessa parte é riquíssima em detalhes. Vou pedir para que você leia com cuidado um dos enigmas que Charada faz em uma dessas páginas. Ao identificá-lo, tente respondê-lo mentalmente.
Os heróis estão sendo submetidos a uma máquina de hipnose temporal. Trata-se de uma Máquina de Possibilidades; nas palavras de Batman, ela “gera visões de como as coisas poderiam ter sido”. Mas nem por um minuto vocês devem se esquecer que estamos falando do Goddamn Batman: levará três minutos para a máquina ser reiniciada pelo doutor Carter, e ele avisa aos vilões que estará livre das algemas em apenas dois. Coringa não acredita nisso. Ele acha que conseguiu quebrar Batman, “atropelá-lo” – lembre-se da sua participação nos eventos de “Batman: A Luva Negra”. Inconformado, ele faz uma promessa: ele irá enviá-lo de volta para o grande dia em que Batman nasceu, e dar a Batman a chance de desfazer a sua própria criação, abortando os demônios que o levaram a ser o que é. Através do Livro de Piadas do Coringa.
002Bem otimista esse Coringa, né. Ele realmente acha que o Batman ia deixá-lo brincar de deus dessa maneira? Claro que o Morcego consegue se desvencilhar do plano de Coringa e mandar os vilões para os cuidados de Gordon.
Entretanto, na volta para casa, Batman e Robin começam a conversar… E se Batman tivesse realmente voltado no tempo e impedido Joe Chill de matar seus pais? (Isso me lembrou um dos paradoxos das viagens no tempo, mais especificamente o Paradoxo do Avô, em que se discutem as implicações de uma pessoa voltar no tempo e matar seu avô, que por sua vez não conheceria sua avó, ou seja, essa pessoa não existiria). Entretanto, essa possibilidade não tira o sono de Bruce porque, segundo ele, “somos o que somos e não podemos mudar o que já aconteceu”. É uma filosofia que eu, particularmente, adoto para a vida.

003Segunda parte: o Hoje.
Anos depois. Agora Batman é Dick Grayson, e Robin é Damian Wayne. O doutor Carter Nichols está morto. Um tiro no coração, mas sem sinal da arma. Um sorriso no rosto. E o capacete da Máquina de Possibilidades ao seu lado. Desconfiado, Grayson acha que seria uma boa idéia aparecer no Beco do Crime, onde os pais de Bruce morreram – e o conceito de Batman nasceu – para levar flores em homenagem a Martha e Thomas. Mas como é pedir muito que Batman e Robin tenham UM minutinho de paz em Gotham, eles se deparam com uma legião de bandidos fazendo um arrastão na cidade. Ah, os bons e velhos quadros de porradaria, dentes quebrados e maxilares deslocados, uma cortesia de Batman e Robin.

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004Aparecem uns vilões a mais que contam sobre um leilão ilegal do Pinguim e Batman avisa, sorrindo, que está de olho neles. Na boa, acho que eu me assustaria menos levando umas porradas do Batman do que sendo alertada por ele com esse sorriso perfeito meio maníaco. Esse jeito do Dick Grayson desagrada a alguns, mas é indiscutível que só piorou o medo que os vilões tinham de Batman.
005-2Você vai notar que, da página 18 à 19, a arte sofre uma mudança significativa; a arte fica a cargo de Andy Kubert. Particularmente, eu não curti o desempenho dele nessa HQ. Ele fez os personagens com queixos mega-projetados para a frente e os lábios inferiores muito evidentes. Fica meio difícil de enxergar a seriedade nas coisas com um Batman fazendo beicinho. Mas tudo bem, ninguém acerta o tempo todo. Dick postula sobre a morte de Charter: foi suicídio. Um suicídio com um tiro no coração e sem sinal da arma? Oh, well, quem sou eu para questionar o Batman, não é?

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Ganhador do Sorteio Nihil, Fuck! – “O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?”

Oi!
Já chegou a HQ que o Kelvin Neres ganhou no Sorteio feito pelo Nihil, Fuck!, da HQ “O que aconteceu com o Cavaleiro das Trevas” (e que edição mais linda, parabéns à Panini!)

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E também chegou a HQ que eu sorteei no Twitter do Batman Guide. Fiz um quiz relâmpago com 3 perguntas, quem acertasse primeiro as respostas levaria a revista. Quem ganhou foi o Fabiano Teixeira, olha aí:

(Sigam o Twitter do blog para participar desses sorteios surpresa :))

Beijos e obrigada por participarem!
Até a próxima!

#76 – O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? // Resultado do Sorteio!

“Eu morri?”
“Ainda não.”
“Bruce, você é o maior detetive do mundo. Por que não descobre?”

Sejam bem-vindos ao resultado do sorteio feito em parceria com o Nihil, Fuck!
A resenha é por conta do próprio Nihil, e a HQ é “O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?“, com roteiro de Neil Gaiman e arte de Andy Kubert! (Batman: Whatever Happened to the Caped Crusader?, abril de 2009)

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Por acaso, eu estava olhando alguns quadrinhos numa livraria e me deparei com a arte que a Panini produziu para essa edição e achei, simplesmente, incrível. A editora teve todo o cuidado do mundo; Além de uma bonita capa dura e desenhos feitos pelo Andy Kubert. Comprei na mesma hora e acho que é um item indispensável para quem é fã do Homem-Morcego e de literatura.

A história foi escrita por ninguém menos que Neil Gaiman (Sandman, Coraline, Filhos de Anansi, Coisas Frágeis, Deuses Americanos), que é um fã confesso do Batman. E como era de se esperar, a trama é louca, duvidosa e incita o seu ponto de investigativo. Você não é um simples leitor nessa história, você é o agente ativo da conclusão final.

001Em Gotham City, no “Beco do Crime”, um caixão está exposto e conforta o corpo sem vida do Cavaleiro das Trevas. Para prestar suas últimas homenagens, quase todos os personagens e inimigos do homem-morcego comparecem ao seu velório. Dentre eles estão: Duas-caras, Pingüim, Coringa, Hera Venenosa, Ra’s Al Ghul, Mulher-gato, Arlequina, Charada, Mr. Freeze… E até mesmo o Comissário Gordon junto com sua filha, Bárbara Gordon, que está numa cadeira de rodas devido episódio contado em “A piada mortal”. O salão está lotado de vilões porque a maior baixa da cidade acaba de acontecer.

Batman está em outro plano, num plano espiritual, talvez. Assistindo ao seu próprio velório e tentando entender o que aconteceu consigo, ele, assim como o leitor, também está perdido. Então os vilões começam a dar seus depoimentos e tomar para si a responsabilidade pela morte do Bruce. Alguns deles gastam minutos criando histórias e tentando convencer todo o resto de que Gotham agora é terra sem lei por conta do narrador da vez.

Nessa parte, o leitor começa a ser desafiado. Qual história é a verdadeira? Aliás, alguma delas é realmente verdadeira? Você precisa observar as nuances descritas e ligar os pontos. E algumas são claramente falsas, já que alguém diz até que atirou no rosto do Batman, sendo que sua imagem no caixão é totalmente serena e sem ferimentos aparentes.

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#75 – Batman: Descanse em Paz

“Bem-vindos a Gotham City. Claro que ninguém nunca disse que seria fácil destruir o Batman. […] Mas este auto-intitulado bem feitor, esse aristocratazinho arrogante e mimado está prestes a ter um merecido e duro despertar. […] O que estamos prestes a fazer será uma obra de arte. Nada menos que a completa e total ruína de um nobre espírito humano. “

Olá!
Espero que tenham gostado do texto da Crise Final, escrito pelo Augusto.
Até esse momento, eu e ele viemos construindo um caminho, uma “estrada” para a HQ que venho apresentar hoje até vocês. E finalmente chega um dos momentos cruciais para o Batman Guide, e um dos momentos definitivos para a cronologia do Morcego: “Batman – Descanse em Paz” é a HQ de hoje.

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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No roteiro temos Grant Morrison e na arte nomes como Andy Kubert, Jon Van Fleet, JH Williams III e Tony Daniel – só os “dinossauros” da DC Comics. Antes de começar, uma pequena citação de Morrison para a Comic Book Resourcs, a respeito do destino de Batman em “Descanse em Paz” – se era definitivamente o fim do Bruce Wayne. A tradução é minha, mas você pode ler o original aqui:

“Sim, mas como eu digo: é bem melhor que a morte. As pessoas tem matado os personagens no passado, mas pra mim, isso meio que encerra a história! Eu gosto de manter a história girando e se transformando. Então o que eu estou fazendo é um destino pior que a morte. Coisas que ninguém nunca imaginaria acontecer com esses caras.”

Um segundo detalhe que ficou um tanto quanto escondido na tradução de “RIP” para “Descanse em Paz”. Como você deve saber, a sigla “RIP” é o acrônimo de “Rest in Peace”, que é literalmente “Descanse em Paz”. Então qual é o problema? É que depois de muitos eventos, foi revelado que a sigla “RIP” não significava exatamente isso, e sim outra expressão em inglês. Revelarei isso para vocês posteriormente. Caso você queira saber direto o motivo, você pode ler nesse texto (vários spoilers!)
Posto isso, vamos para a análise das 20 edições que compõe “Batman: Descanse em Paz”.

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Começamos com o volume “Meia-Noite na Casa da Dor”, que é uma espécie de prelúdio para os eventos que se seguirão. Você se lembra da minha resenha sobre “A Luva Negra”? Terminamos com Bruce Wayne se revelando para Jezebel Jet: ele é Batman. De fato, algumas outras mulheres de sua vida já souberam dessa ligação: Silver St. Cloud (uma mulher com a qual se envolveu na série nos anos 70), Sasha Bordeux. Um detalhe a ser notado é que nos relacionamentos anteriores de Batman ele jamais se “entregou” tanto assim, mostrou suas vulnerabilidades. Um Batman com uma paixão assim, quase adolescente… Isso é possível? É como se ele sempre tivesse amado Jezebel Jet (lembre-se disso posteriormente). Devido a esses fatores, Tim Drake está preocupado com a sanidade mental de Batman, diante dos acontecimentos recentes . Ao discutir isso com Alfred, o fiel mordomo afirma que as grandes habilidades físicas e mentais não permitiriam que Bruce Wayne se perdesse em loucura.

“Você entende que patrão Bruce tem uma visão clara da busca pela perfeição humana a qual constantemente empenha-se. O domínio físico absoluto das artes marciais, ginástica e ioga, as habilidades dedutivas e lógicas dos principais filósofos, cientistas forenses e detetives, o entendimento, discernimento e objetividade moral dos supremos adeptos do zen… Devo continuar? […] Ele é uma mente como nenhuma outra. Eu tenho sérias dúvidas se algum de nós irá compreender completamente suas decisões, mas nunca devemos subestimar sua força e resistência.”

002Contudo, fica muito claro para nós que talvez essa não seja a realidade. Batman começa a se perder em meio aos seus próprios pensamentos, em meio as suas idéias, suas concepções. Por favor, não se esqueça desse fato do qual eu venho falando desde “A Luva Negra”: a sanidade mental de Bruce Wayne está cada vez mais deteriorada, fragmentada, o limite entre e o que é real e o que é ilusão está cada vez menos nítido.

003Bruce e Jezebel recebem um estranho convite: “A Luva Negra concede um convite à senhorita Jezebel Jet e ao senhor Bruce Wayne… O tema desta temporada: danse macabre”.
Enquanto isso, no Asilo Arkham, Coringa é submetido a um teste de Rorschach – você vai se lembrar da edição “O Palhaço à Meia-Noite” da HQ “Batman e Filho”, em que Coringa só enxerga dor, morte, tripas, sangue e destruição. Aqui não é diferente: por alguns instantes, vemos como Coringa enxerga as coisas, pessoas mortas e sangue por todo o lado. E instantes antes antes do efeito dos calmantes passarem, ele é convidado por alguém em nome de Luva Negra, para “a dança da morte do Batman”.

Vamos fazer uma pausa. Eu gostaria que você percebesse um padrão em alguns momentos dessa história: a presença do padrão de cores vermelho e preto.
Na verdade isso vem ocorrendo desde “Batman e Filho”: a coloração do céu no momento em que Coringa leva o tiro. O Batmóvel. Jezebel Jet, novo amor de Bruce Wayne: uma mulher negra com os cabelos vermelhos.
Em “A Luva Negra” esse padrão se repete inúmeras vezes durante a formulação da teoria para destruir Batman. Inúmeras roletas de jogos de azar aparecem, sempre vermelhas e pretas.
Por que existe essa sugestão?
Vamos retornar à história “O Palhaço à Meia Noite“, contida em Batman e Filho. Veja esse quadro:

Red and Black

Vamos também dar uma olhada nas páginas iniciais de “Crise Final”. Batman também percebe essa combinação que aparece várias vezes, e então vai até o Asilo Arkham investigar isso junto a Coringa. Leia essa sequência.
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De uma maneira simplificada, vermelho e preto significam a luta entre a vida e a morte, entre o “bem” e o “mal”, e essa sugestão de conceitos dá a Batman uma idéia do que ele vai enfrentar, o tempo todo.
Outro conceito com o qual você vai se deparar é a “Mão do Morto“, (“Dead Man’s Hand”). Essa é uma jogada de pôquer que consiste em um par de áses e um par de 8. Porém essa não é uma simples jogada, há uma lenda por trás dela; dê uma lida nesse trecho (Fonte)

“Em 2 de agosto de 1876, o jogador de pôquer profissional, pistoleiro, advogado e trambiqueiro Wild Bill Hickok foi até um saloon na cidade de Deadwood, Dakota, para faturar uns dólares em cima dos locais. Infelizmente, para ele, não achou uma cadeira vaga de costas para a parede e de frente para a porta, onde costumava sentar-se por precaução.
Interessado no jogo, ele se contentou com uma cadeira de costas para a porta. Má ideia.
Logo após receber um par de ás e um par de oito, todos pretos, um colega de profissão seu se aproximou por trás e o fuzilou na nuca. Como ele era uma espécie de celebridade no Velho Oeste, jornais publicaram várias matérias falando do sujeito e do jogo, com ênfase nas cartas na mão dele, que se tornariam sinal de mau presságio.”

Voltemos a “Descanse em Paz”. Na edição seguinte, “Batman no Submundo”, o Morcego está enfrentando um novo vilão mascarado de Gotham (mais um?) para saber o que todos nós nos perguntamos: Quem é o Luva Negra? Mas aparentemente aquele criminoso meia-boca não está envolvido com o Luva Negra. Gordon duvida de Batman, e dessa entidade/organização na qual ele anda insistindo tanto nos últimos tempos.
Enquanto isso, num prédio obscuro de Gotham, Dr. Hurt está combinando um novo plano contra Batman. Será um plano grandioso. Uma obra de arte, nada menos que “a completa e total ruína de um nobre espírito humano”. Questionado por um dos vilões se seria possível concluir uma tarefa que é tentada pelos inimigos de Batman há anos, Dr. Hurt responde: “Ninguém o conhece melhor que eu.” O método utilizado será a indução da frase Zur-En-Arrh, a frase gatilho implantada na mente de Batman anos atrás. Um botão, e Batman se autodestruirá.

Ao ver a capa das edições, perceba que Batman parece cada vez mais… “Afundar”. Assim como sua mente, louca e incerta. Ele está cada vez mais mentalmente instável, e você observará isso na bipolaridade das reações que tem ao conversar com Jezebel, por exemplo. Ela começa a discursar que talvez seja melhor ele superar o trauma da morte de seus pais e abandonar todo aquele “império” construído sob sangue, violência e tristeza. Esse quadro retrata como Batman se sente cada vez mais sufocado, engolfado por uma mente fragmentada, vulnerável. Todo o sofrimento parece chegar cada vez mais para cima dele, avolumar-se sobre suas costas.

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004É quando Jezebel sugere que A Luva Negra é… O próprio Bruce. E sua teoria faz sentido: quem conhece melhor que ninguém todas as fraquezas de Batman? Quem é o único humano páreo para um combate corpo-a-corpo com Bruce Wayne? Quem também adora mistérios, charadas, e tem tantos recursos bélicos e logísticos para declarar uma guerra contra Bruce Wayne, além dele mesmo? Mas ele não quer sucumbir. Ele não quer. Tanto que ele ignora uma série de documentos sobre esses casos – eles vivem sendo deixados em sua mesa por Alfred, esquecidos (!) por Bruce.

E essa edição termina com Batman tendo um colapso e sendo atacado pelo Clube de Vilões, assim como seu fiel mordomo Alfred.

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O próximo capítulo se chama “Zur-En-Arrh”. Certo, vamos parar um pouco nossa resenha para esclarecer um pouco sobre “Zur-en-Arrh”, recapitular seu surgimento e compreender seu significado.

005Já se sabia que Batman não estava em condições de aguentar o estresse mental a que é submetido todos os dias desde muito pequeno. Então, como você vai se lembrar da HQ “A Luva Negra“, o Dr. Hurt torna-se uma espécie de “especialista” em Batman, e ao estudar sua vida, entende que o que dá origem a Batman é o trauma, a violência que sofreu, as dores recorrentes do seu sofrimento, e de uma decisão de não tomar isso de maneira passiva. E então, em conjunto com o exército e o Departamento de Polícia de Gotham, Dr. Hurt conduz um experimento em que cria três “versões” de Batman para substituí-lo quando sua mente entrar em colapso definitivamente. Contudo, essa experiência não passa de um pretexto para que ele induza Batman a experimentos psíquicos e coloque nele a frase-gatilho “Zur-en-Arrh“. E o que diabos é uma frase-gatilho?
A frase Zur-En-Arrh é uma ferramenta que destrói a força de Batman, dispara nele um estado de fragilidade mental e consequentemente física – para que exponha sua fraqueza Como ele diz nessa HQ: “Os Meios extremos que o nosso garoto usou para se fortalecer são fortes indicadores da fraqueza que ele sente que precisa superar. Essa Fraqueza ainda está dentro dele”.
Agora você me pergunta porque dessa palavra, e não qualquer outra do dicionário de qualquer língua do mundo. Bom, eu vou te contar isso no final do texto.

Há uma história publicada na Batman #113 chamada “Batman – O Superman do Planeta X,” – você pode baixá-la clicando aqui. Batman, tendo inalado uma certa quantidade de gás tóxico liberado pelo Dr. Milo, fantasia com um sósia de outro planeta. O planeta se chama “Zur-En-Arrh”, e o Batman de lá é mais rápido, mais esperto, mais sagaz, mais capacitado, quase perfeito. Ou seja, era a perfeita materialização daquilo que ele mais desejava, a perfeição e plenitude.

Bom, agora que explicamos a origem dessa frase-gatilho, sabemos a armadilha a que Batman estava submetido e o quão perigoso seria o momento em que essa frase fosse disparada na cabeça de Wayne. E agora ele sucumbe à loucura de uma vez.
Bruce Wayne está perdido em Gotham City. Ele não faz a mínima ideia de quem seja, de onde veio, sua identidade secreta. Ele não perde todas as suas habilidades, como por exemplo a sua capacidade de defesa física, mas ainda assim não conhece mais sua identidade. Agora é a parte em que você me pergunta onde estão Alfred, Dick e Tim Drake. Entretanto, tudo havia sido muito bem planejado por Dr. Hurt: ele conseguira impedir todos aqueles que poderiam resgatar e salvar Batman. Alfred foi abatido agressivamente pelo Clube de Vilões. Dick Grayson foi fortemente drogado e provisoraiemente jogado no Arkham como se fosse um criminoso. O único que milagrosamente consegue fugir é Tim Drake, que se digna a dar uma olhada nos arquivos dos Casos/Arquivos Estranhos, que Batman vem ignorando por tanto tempo. Lá ele encontra referências a histórias das épocas mais antigas de Batman (um oferecimento de Grant Morrison). Descobre que o pai de Bruce, Thomas, já havia se vestido como um Homem Morcego numa festa.

006Vagando por Gotham City, Batman encontra Honor Jack, um misterioso homem que o entrega uma Bat-Rádio, um dispositivo que lembra as Mother Box descritas pelo Augusto no texto da Crise Final. Entretanto, uma revelação questiona o comprometimento mental de Wayne: ele descobre que Honor Jack havia morrido na noite anterior ao momento em que o encontrou.
Depois disso e de saber que precisa se localizar no mundo, o errante Bruce Wayne precisa começar sua experiência como ser humano do zero. É hora de renascer. Como o Batman de Zur-en-Arrh. O personagem de Bat-Mirim é um duende alienígena da 5ª dimensão, uma espécie de último elo entre o Batman de Zur-en-Arrh e a realidade.

BatmanDeZurEnArrh Continuar lendo

Sorteio Nihil, Fuck! – “O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?” [ENCERRADO]

Olá!

Hoje teremos o sorteio da primeira edição de capa dura aqui no Batman Guide!
Essa edição é uma cortesia do queridíssimo Nihil, do blog Nihil, Fuck!, parceiro do Batman Guide desde o seu surgimento! O Nihil, Fuck! é um blog de conteúdo adulto, entretenimento geral, humor e reflexões filosóficas.

Com o roteiro do fenomenal Neil Gaiman e com arte de Andy Kubert, foi publicada em duas edições da série mensal do Batman e do Dectetive Comics, e compilada originalmente com o nome de “Whatever Happened to the Caped Crusader?” (O que aconteceu com o Cruzado Encapuzado?). Pela Panini, foi lançada em uma edição de luxo esse ano, com a tradução “O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?” Particularmente, essa tradução não me deixou satisfeita, pois “Cruzado Encapuzado” é um título bastante adequado ao Batman, mas pouquíssimo utilizado aqui no Brasil. Mas eu entendo a necessidade de adaptar o título para “Cavaleiro das Trevas”, o título de maior impacto atribuído ao Batman. Essa edição da Panini conta ainda com outras histórias paralelas à trama central do Morcego. A resenha completa virá na semana que vem, junto com o resultado do sorteio!

Capa

Gostaria de agradecer ao Nihil pela gentileza e disposição em oferecer uma edição tão bacana para sortear aqui. Valeu, meu querido!

Então, vamos descobrir como ganhar essa HQ!

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#74 – Batman: A Luva Negra

“E se houver um vilão supremo lá fora, ainda não visto? Uma mente brilhante absoluta, voltada totalmente para matar? E se existisse um inimigo invisível e implacável, que calculasse todas as minhas fraquezas? Que tivesse acesso a aliados, armas e táticas que eu nem pudesse imaginar… Um adversário cujos planos e esquemas fossem tão vastos, tão elaborados que passassem despercebidos… Até que fosse muito tarde. Como eu poderia me preparar para um desafio como esse? Eu teria recursos para lidar com isso? Eu frequentemente me pergunto.”

Olá!
Sejam bem-vindos a mais uma resenha do Batman Guide!
A HQ de hoje é a última antes de dois eventos importantes para a cronologia do Morcego – e do próprio universo DC em si. Com roteiro de Grant Morrison e arte de J. H. Williams III, Tony S. Daniel e Andy Kubert, esse encadernado foi lançado pela Panini em uma edição deluxe em junho de 2012. Espero que vocês gostem da resenha!
Batman: A Luva Negra (Batman: The Black Glove, agosto de 2007 a maio de 2008)

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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Na verdade, o encadernado de “Luva Negra” traz duas grandes histórias: a primeira com 3 edições (coleta as edições da série mensal de Batman #667-669) e a segunda com quatro edições (Batman #672-#675). Para descrever essa coleção, vou adotar a seguinte metodologia: falar um pouco de cada uma das 7 histórias, e depois tentar passar a importância dessa compilação para esse momento do Morcego.

Vamos para o primeiro arco.
A primeira história se chama “A ilha do Senhor Mayhew”. Somos levados a um lugar misterioso, onde está havendo uma reunião misteriosa com pessoas misteriosas. Mas logo descobrimos: trata-se de uma reunião dos Batmen de Todas as Nações. E quem são esses caras? Os “Batmen of All Nations” são uma equipe de heróis inspiradas no morcego, cada uma espalhada em um país do mundo. Essa ideia surgiu nos anos 50, devido à inspiração que Batman trouxe ao mundo, e se reuniam sob a alcunha de “Clube de Heróis”.
Nessa HQ, temos os seguintes Batmen (e é ótimo que vocês leiam isso antes de ler a HQ, para não ficarem absolutamente perdidos como eu um dia fiquei na primeira leitura):

 O Cavaleiro (Inglaterra), cujo nome verdadeiro é Cyril Sheldrake, e sua sidekick Square (Escudeira).
 Mosqueteiro (França)
Homem-dos-Morcegos e seu sidekick Corvo Vermelho (Estados Unidos), que são descendentes de indígenas.
Wingman ou Alado (Suécia)
Gaúcho (Argentina)
Dark Ranger (Austrália)
O Legionário (Itália)

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001Entretanto, essa ideia não foi muito para frente. A iniciativa de Grant Morrison de recuperar esse conceito quase esquecido se sai muito bem nessa edição, como falarei mais no fim do texto. Feita essa introdução, vocês poderão contemplar com assombro a perspectiva de vários Batmen reunidos, com roupas inspiradas no traje do Morcego. É engraçado no começo porque todos os “Batmen” (e “Robins”) estão reunidos contando casos de como tem sido esses anos, conversando e brincando com o fato de que o verdadeiro Batman (Bruce Wayne) jamais se dignaria a dar as caras por ali – e eis que surge o Morcego original em pessoa pela porte, imponente, deixando todos estupefatos. Batman continua sendo uma grande inspiração para eles. É hora de descobrir porque todos estão ali reunidos.
002Engana-se quem pensa que o Clube de Heróis está ali reunido para tomar um café e discutir sobre o quão incômodo é usar uma roupa colada e pular de prédios de madrugada. Há um sério caso para se resolver. Eles foram convocados pelo bilionário John Mayhew, mantenedor do Clube de Heróis. De fato, há um vídeo. Gravado por Mayhew.
Mas não é ele. Ele está morto. E alguém está usando sua pele. O plano de fundo é a pintura “The Triumph of Death”, de Pieter Bruegel. Essa pessoa convida os Batmen para desvendarem esse mistério, como uma cortesia de alguém que se intitula Luva Negra. E é melhor eles solucionarem logo… Antes que também acabem mortos.
Destaque para a primeira capa: uma foto do Batman e o Clube de Heróis nos moldes da Era de Prata, que mostra um Batman quase “feliz” e seus representantes ao redor do mundo, com o reflexo do sério e solitário Batman atual refletido em sangue. Pesado.

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004A segunda história, sob o nome de “Agora estamos mortos!”, é uma continuação, mas com um diferencial: essa edição está começa com uma lembrança de alguém, e é ilustrada de acordo com as histórias típicas dos anos 50. Morrison nos ajuda a conhecer aos poucos cada um dos Batmen. Trata-se da memória de Cyril, “O Cavaleiro” da Inglaterra, e da morte de seu pai durante uma reunião do Clube dos Heróis. De fato, eles podem se inspirar em Batman, mas eles são humanos normais que às vezes sentem os nervos à flor da pele. Quem matara o pai de Cyril? 003Flashback feito, voltamos à terrível realidade: Legionário, o representante italiano de Batman, é morto com 23 facadas por alguém a mando do ameaçador homem do vídeo. E o assassino está dentro da Mansão. Pode ser qualquer um deles.
Cena engraçada é quando Wingman desconfia de Batman, dizendo que ele podia ser ao assassino, porque ninguém sabia se quem estava debaixo da máscara realmente era Batman – e Batman se aproxima sorrateiramente por trás e ironiza a guarda baixa de Wingman, dizendo “Se eu não fosse, você já estaria morto.”
005Cyril é pego e envenenado. Por sorte, o Homem-dos-Morcegos tem habilidades médicas e se prepara para salvá-lo. Enquanto isso, o restante dos Batmen prossegue na sua procura pelo assassino à solta na Mansão, e eis que um detalhe amedrontador acontece… Uma armadura se move! Isso é tão típico de livros de mistério, assim como toda a HQ, cheia de pistas para os leitores tentarem desvendar. Quem será o assassino? Ou talvez, como Mosqueteiro propõe, seja… Um grupo diametralmente oposto ao Clube de Heróis? Luva Negra tem um trunfo: sequestrou todos os três sidekicks ali presentes. Você, caro leitor, já descobriu quem está matando e ferindo todos os Batmen?
006A terceira história é “O Cavaleiro das Trevas tem que morrer”. Mais dos Homens-Morcegos são abatidos. Estão sobrando poucos. Agora os Batmen que sobraram precisam ir atrás dos garotos, enquanto tentam não ser mortos por uma ameaça que pode estar ao lado deles. Em um golpe de genialidade, no último minuto Batman consegue desvendar o mistério, e precisa lutar contra ele antes que Corvo Vermelho, Robin e Squire sejam jogados em um lago de piranhas carnívoras famintas ou picados até a morte por vespas assassinas. E bem, tentar fazer isso antes que a Mansão exploda com os explosivos escondidos. Eles conseguirão se salvar?
007O que podemos retirar dessa história é a importância que Batman tem no mundo atual. Batman é quase perfeito. É um ser humano que atingiu um nível de habilidades tão grande que pode ser comparado a um deus. Se não fosse por Batman, o mundo seria ser um caos enorme. O próprio Clube dos Heróis só é um fracasso porque Batman não participa da iniciativa – se participasse, seria quase uma Liga da Justiça de humanos (analogia minha).
Esse arco é bem empolgante, como um livro de mistérios em que ficamos tentando descobrir quem é o culpado. A arte de John van Fleet, como sempre, é excelente. Os grandes quadros são de encher os olhos, e os ângulos que ele capta mostram sempre a importância do personagem naquela cena. As cenas de luta, o sombreamento, as técnicas que remetem à colagem, as referências artísticas, é tudo deslumbrante – não lembro de outra HQ igual a essa.

Legionário

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O segundo arco vai precisar que você relembre os eventos da terceira história da HQ “Batman e Filho”.
Quando postei Batman e Filho optei por apresentar o roteiro de forma mais corrida para não confundir a cabeça de vocês (afinal, o conceito de “Três Fantasmas” daquele arco só será útil agora). Então vamos fazer uma revisão dos acontecimentos do terceiro arco daquela HQ.

[Atenção: esse trecho é uma análise da terceira história da HQ “Batman e Filho”]
Aquela saga, que recebe o nome de “Os Três Fantasmas de Batman”, nos conta que algumas garotas sendo mortas após terem marcado programas com policiais. Batman vai até o lugar onde elas estão desaparecendo, um obscuro prédio abandonado com corpos de prostitutas jogados, e dá de cara com um homem com uma versão alterada do uniforme de Batman – mas não é um homem, é um policial gigante, poderoso, duas vezes o tamanho de Batman, que o golpeia e deixa uma marca gigante de pé nas costas de Batman.
009Na segunda HQ, Morrison sugere que Batman se utiliza de compostos químicos para se manter na ativa. Isso o dá força física, mas como efeito colateral causa alucinações que beiram a esquizofrenia. Depois de apanhar demais do policial-gigante, Batman dorme (finalmente) e sonha com seu filho Damian em frente a três versões grotescas dele, com o seguinte recado: “Pai. O Terceiro fantasma é o pior de todos.” Batman desconfia que se trata de um arquivo que ele possui chamado “Casos Inexplicáveis” – situações em Gotham que envolvem eventos misteriosos como vampiros, fantasmas, discos voadores e viagens no tempo. Batman quer descobrir quem são esses três fantasmas dele mesmo: Um Batman assassino armado, um Batman bestial fortemente drogado, e o terceiro, ainda pior… Um Batman que vendeu sua alma ao demônio em troca da destruição de Gotham. Esses três fantasmas alteram a sanidade mental de Batman.
É Michael Lane, o Terceiro Fantasma, que está presente na elsewords de Batman #666, em um mundo apocalíptico destruído e moralmente questionável. O fim do mundo está batendo à porta de Gotham, devido ao pacto com o demônio realizado por ele. Batman é Damian Wayne, um Batman que mata, em meio a sacrifícios satânicos, heresias e um armaggedom iminente. O Terceiro Fantasma (ou Terceiro Homem) é demoníaco e perigoso.

Voltemos à análise desse segundo arco de “A Luva Negra”.

A primeira edição se chama “Medicina Espacial”. O Terceiro Fantasma (ou Sleeper) está fazendo um ataque à estação de polícia. Ele tem um grande poder de fogo, e a Polícia de Gotham não consegue detê-lo, e Batman chega para tentar impedir o pior (ele escapa quando estava saltando de paraquedas com Jezebel Jet) quando é brutalmente baleado no peito pelo Terceiro Fantasma.

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#69 – Batman e Filho

“Pai. Eu imaginei você mais alto.”

Oi!
A obra de hoje é bastante polêmica, como não poderia deixar de ser – basta lembrarmos que é de autoria de Grant Morrison. A arte é de Andy Kubert. Foi publicada numa edição de luxo pela Panini ano passado, pena que eu ainda não comprei. Espero que vocês gostem do meu texto 😉 Quem me acompanha na página do blog sabe que esse fim de semestre está sendo uma loucura (tô escrevendo esse texto de madrugada) mas por sorte logo chegam as férias e eu vou poder me dedicar bem mais ao blog!

Para melhor entendimento, recomendo que vocês tenham lido a seguinte trilogia:

Line

001A história começa de uma forma bem particular: crianças suspensas por um dirigível pintado de palhaço ouvem Coringa gritando “O Comissário foi envenenado pelo Coringa! Consegui! Até que enfim matei o Batman! Em frente a um monte de crianças deficientes e vulneráveis!” E o palhaço segura o corpo morto, inerte e ensanguentado de Batman. Será o fim do Cavaleiro das Trevas? Ora, claro que não. Estamos falando do goddamn Batman. Batman totalmente vivo toma a arma de Coringa e dá um tiro no meio da carinha do palhaço. “Oh, o Batman matou alguém!” Repetindo: claro que não. Coringa está vivo (infelizmente). Uma deixa para que Bruce delicadamente jogue Coringa desacordado em uma lixeira. Delicado como sempre.
002As crianças saíram ilesas, Gordon nem tanto. Coringa aplicou aquela toxina tão conhecida por nós – a que provoca contrações musculares e forma um sorriso duradouro, e o faz achar graça e tudo, até em tragédias. Ao visitá-lo no hospital, Batman conta que quem atirara em Coringa era um outro cara vestido de Batman, e não ele.
Seguindo um conselho de Gordon e depois de Alfred, Batman decide tirar um tempo para si, para reaprender a ser Bruce Wayne. Deixará Tim cuidando das coisas. Ele está fazendo um ótimo trabalho.
004Aparece Talia, que está aprontando mais uma das suas brincadeirinhas habituais – tentando obter uma informação enquanto chantageia e tortura um doutor. Mas nessa cena o chama atenção é a conversa que ela tem com uma criança. Eles afirmam que o jato particular de alguém foi encontrado. E ela profetiza: “O passado finalmente alcançou você, meu querido detetive”.
Batman precisa desistir de sua viagem porque há algo muito suspeito com Robert Langstrom, o inventor do soro do Morcego Humano – o objeto do qual Talia está atrás. Ela o observa em uma festa em que Bruce está cumprindo seu papel de playboy bilionário fútil. Talia está com uma criança. Pede que a criança observe os trejeitos e o diga quem é.
“Aquele é meu pai. O que vamos fazer agora, mamãe?”

003E o que eles vão fazer fica muito claro: atacar o museu em que Batman está com os Morcegos Humanos criados com o soro obtido através da ameaça a Robert Langstrom. O Morcego Humano é um vilão um pouco desconhecido de Batman. Kirk Langstrom, um especialista em morcegos, criou uma fórmula que conferia a ele poderes de audição e visão de morcegos, além de transformar a aparência. Ele não é de todo uma pessoa ruim, às vezes até ajuda no combate ao crime, mas na maioria das vezes usa essas características monstruosas para tocar o terror na cidade. E bem, como se um Morcego Humano não fosse bastante ruim, temos vários Morcegos Humanos. E como se isso não fosse o ápice de uma escala de “temos problemas”… São Morcegos Humanos ninjas. Great! O Batman nem queria relaxar mesmo. E lá está ele para salvar o dia (a noite, na verdade) novamente. E começa a fazer o que ele faz de melhor: bater em quem ouse tirar a paz de SUA cidade.

Morcegos Humanos

Seus novos bichinhos de estimação.

005Sensacional a arte durante essa luta. É um museu com referências Pop, com elementos coloridos e vibrantes que parecem alheios e deslocados à briga severa que está acontecendo ali. Existem MUITOS deles. São pelo menos 30 Morcegos-Humanos. E são muito maiores que Batman. Mesmo Batman sucumbe às vezes. Ele é rendido e levado desacordado a um cais, onde quem o espera é a bela Talia.
O discurso dela nessa parte é particularmente interessante. Ela faz referência à noite que eles passaram na HQ “Filho do Demônio” (dê uma lida no texto, caso não se lembre). Ela menciona um garoto que tem sido treinado pela Liga dos Assassinos desde seu nascimento, mas que está perdendo o controle porque falta a ele disciplina e a mão de um grande homem para direcioná-lo. Agora era a hora de reverter isso, porque Talia tinha alguns planos – coisa simples, liberar um novo tipo de horror ao mundo – e deixará o garoto sob cuidados de Bruce.
Ele é Damian Wayne. O filho de Batman.
“Pai. Eu imaginei você mais alto.” Isso porque o Bruce tem pouco menos de 2m, né.

Damian

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