#20 – Batman: O Messias

“Minha realidade, hoje, não é uma visão muito atraente. Ela é feita de agonia e de delírio.”

Olá!

Hoje já adianto que teremos uma obra muito forte e impactante. Ela foi criada por Jim Starlin, responsável por diversas obras clássicas do Batman. É um roteiro denso; a sobrecarga psicológica vai agradar aqueles que gostaram de Asilo Arkham, por exemplo. A arte de Bernie Wrightson se caracteriza pelo seu realismo violento, sujo, com uma ênfase impactante nas cenas de ação. A sensação claustrofóbica de prisão nos persegue durante toda a HQ, fruto da combinação genial de roteirista e artista.

Publicada em 1988, a sinopse nos traz um Batman dilacerado, quase louco, com pensamentos que nunca tivera antes. Ele está amarrado, acorrentado em um dos esgotos da doentia Gotham City. Ele foi drogado, espancado, está há dias sem comer. Quem é responsável por isso? Descubra em “Batman: O Messias”! (Batman: The Cult, 1988)

O responsável pela prisão de Batman é o Diácono Blackfire. Ele é um líder religioso megalomaníaco e agressivo, que arrebanha mendigos e desesperados para sua seita religiosa hedionda, que tem por objetivo assassinar criminosos. Ganhando a confiança dessas pessoas oprimidas, o Diácono Blackfire pretende… tomar Gotham de assalto e dominá-la.
E claro que Batman seria um empecilho a esse tipo de dominação ideológica e física, por isso Blackfire decide subjugá-lo. Seu pensamento de usar a violência somente quando estritamente necessário vai contra os planos doentios de Blackfire: ele quer extirpar o crime, que considera o pior mal da humanidade, através da morte dos criminosos. O Cavaleiro das Trevas já não tem noção de quanto tempo está ali; seus sonhos revelam possíveis desejos de seu subconsciente de que ele não pode se orgulhar.

Ele está perdendo o controle, está prestes a cruzar a linha entre a sanidade e a loucura. Mesmo Bruce Wayne não consegue ficar imune a esse tipo de tortura psicológica. Ele é um homem. Ele também tem limites. Estamos acostumados a vê-lo se saindo bem em suas batalhas, mantendo suas convicções firmes, e quando chegamos em “O Messias”, temos um Batman prestes a desistir do que acredita, sucumbindo à torturas que mostram o que ele tem de mais frágil. Ele sonha que está matando – e sente prazer nisso. Isso não é um pensamento habitual do Batman. Então… Quais são mesmo os objetivos do Homem-Morcego?
Tudo isso como a obra de um extremista religioso, cego em seus objetivos… O contexto social dessa obra está presente em nosso dia-a-dia, também.
Ela é impactante porque é violenta, uma saga brutal que não nos poupa de enormes banhos de sangue ao longo das páginas – mas também porque é contemporâneo, porque é verossímil. E nos mostra que, levado ao extremo do fanatismo religioso, até mesmo o Cavaleiro das Trevas pode sucumbir. Conseguirá ele se safar dessa lavagem cerebral?

Não deixe de ler essa, que é uma das HQs mais sombrias do Batman. Nela você também verá a atuação de Jason Todd, que foi introduzido na postagem passada, como Robin. Acompanhe o descontrole de Batman. Veja até onde ele consegue aguentar.

Continuar lendo