Comentários sobre a polêmica envolvendo Grant Morrison e o final de “A Piada Mortal”

Olá!
Estamos aqui para um post excepcional. Atendendo a vários pedidos, eu e o Augusto viemos hoje comentar a mais recente polêmica envolvendo os quadrinhos do Batman.

No último dia 16, o autor Grant Morrison fez uma série de afirmações bastante controversas a respeito de uma das obras clássicas do Batman durante a gravação de um podcast com Kevin Smith. Ele se refere à HQ “A Piada Mortal“. Você pode ler a minha resenha clicando aqui (por favor, leia antes de prosseguir o texto).

CAPA

Morrison, roteirista de HQs como “Batman e Filho”, “Luva Negra” e “Descanse em Paz”, veio a publico rever o final da história “A Piada Mortal”, de Alan Moore e Brian Bolland. Vamos rever a última página.

Ultima página

Ele afirma que, nesse encerramento, Batman MATOU Coringa apertando sua garganta com as mãos. Ele diz:

“Ninguém entende o final, porque o Batman mata o Coringa. Por isso se chama A Piada Mortal. O Coringa conta a Piada Mortal no fim, Batman estica suas mãos e quebra seu pescoço, e por isso a risada acaba e as luzes vão sumido, porque essa era a última chance de atravessar essa barreira. E Alan Moore escreveu a história definitiva de Batman/Coringa – ele finalizou tudo.”
“Mas ele [o artista Brian Bolland] fez de uma forma que ficou ambíguo, então ninguém precisa ter certeza, o que significa que não precisa ser a última história Batman/Coringa. É brilhante!”

Você pode ouvir esse trecho da entrevista no seguinte vídeo:

Posto isso, vamos à minha análise e, em seguir, a do Augusto.

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#3 – Batman: A Piada Mortal

Olá, amigos! Espero que estejam acompanhando o andamento do blog até agora.

Hoje vou falar sobre uma obra que obviamente não pode faltar na estante de qualquer pessoa que queira conhecer sobre o Batman e o universo que o cerca – incluindo seu maior inimigo.

Fiquei em dúvida sobre qual obra indicar para começar a conhecer a história do Coringa. Estava indecisa sobre esse, A Piada Mortal, e outra excelente obra intitulada “O Homem que Ri”, de 2005. Essa última retorna nos primeiros eventos do Coringa.
Mas optei por divulgar essa em primeiro lugar pela sua fama e magnitude. O roteiro é do sr. Alan Moore e a arte é de Brian Bolland.

O Coringa é um vilão muito didático, que em “A Piada Mortal” quer mostrar para Batman que qualquer um pode enlouquecer – não precisa muito. Basta apenas um dia ruim. Para isso, tortura o comissário Gordon obrigando-o a assisti-lo aleijando, torturando e, ao que tudo indica, estuprando sua filha adotiva Barbara. Ele não está apenas tentando justificar-se para Batman, mas também – e talvez principalmente – para si mesmo, ser condescendente com seus próprios erros. Um dia ruim pode ser tão doloroso que é preferível refugiar-se no conforto da loucura do que conviver com o tormento das lembranças daquele dia.
A trama, além de uma profunda análise psicológica do Coringa e do Batman, traz uma nova visão para a origem do mais importante inimigo do Cavaleiro das Trevas.

Nessa obra, Alan Moore tira do Coringa o estigma de sem passado, pois mostra não só seu passado, como sua família e as tragédias pelas quais passou e enfrentou covardemente, com a criação de uma máscara, uma fuga maníaca da realidade.
Batman é retirado de seu patamar de herói equilibrado e sensato; Coringa é retirado de seu papel de totalmente doentio e incoerente.  No encerramento da história, o Coringa demonstra um lapso de razão, e Batman demonstra indícios de insanidade.
É uma história completa, que rompe estereótipos maniqueístas, e mostra aspectos psicológicos de Batman e de seu maior inimigo, aliadas à trama de Gordon. No entanto, essas transições são perfeitas e não se confundem, ainda que o fluxo da narrativa oscile entre presente e passado.  Essas mudanças são dadas pelas tonalidades das cores – boas lembranças com cores claras; lembranças tristes, num tom alaranjado.  Esse magnífico trablho de criar atmosferas climáticas é obra de Brian Bolland, que desenvolve aquilo que talvez seja a representação mais icônica do Coringa.
“A Piada Mortal” mostra o passado de um dos maiores bandidos da DC Comics, seus passados, o que lhe fazia sorrir sinceramente e suas grandes frustrações.
A história começa com Batman indo visitar Coringa no Asilo Arkham (que será devidamente apresentado a você daqui a algumas postagens), mas descobrindo que ele não estava lá. Estava torturando Barbara Gordon. Não vou contar o resto da história, mas é de tirar qualquer fôlego.

A grande reflexão que a obra propõe é: se é necessário apenas “um dia ruim” para enlouquecer, por que Wayne cria um personagem combativo, o Batman, porque um homem comum que só queria dar uma vida digna para sua esposa torna-se o Coringa, e por que Gordon resiste tão bem ao seu “dia ruim”, diferentemente dos dois anteriores?

Você vai encontrar em “A Piada Mortal” um raro momento de sanidade do Coringa, em que ele admite sua covardia e sua péssima maneira de lidar com as tragédias da sua vida.

Em 1989, “A piada mortal”recebeu os maiores prêmios da Indústria de quadrinhos:Will Eisner Awards (melhor escritor, desenhista e álbum gráfico) e o Harvey Award (melhor história, álbum gráfico, desenhista e colorista).

Então, não OUSE deixar de ler essa obra prima. Você vai entender melhor e de uma maneira profunda o que se passa por trás do Palhaço do Crime.

Hora de fazer o download dessa obra!

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