#41 – Batman: Jekyll & Hyde

Em primeiro lugar, antes de falar da HQ, é necessário explicar seu título.
“Jekyll e Hyde” faz referência ao livro “Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde” (Comumente traduzido no Brasil por “O médico e o monstro”). Esse livro foi lançando em 1886 por Robert Louis Stevenson. Ele conta a história de Gabriel John Utterson, um advogado de Londres que começa a notar semelhanças entre seu amigo médico Dr. Henry Jekyll e o misantropo chamado Edward Hyde. Dr. Jekyll conseguiu polarizar todas as emoções negativas e, com uma poção, criar Mr. Hyde, muito forte e inteligente, mas muito maldoso; e essa poção era tomada sempre que Jekyll chava necessário. Entretanto, o lado maldoso (Hyde) foi tomando controle da personalidade do médico, chegando até a assassinar um homem. Mas talvez fosse tarde demais.

O filme teve inúmeras adaptações para o cinema. A mais famosa é a de 1931, que não está no Youtube, mas você pode assisti-la clicando aqui. Você também pode assistir à versão de 1920, dirigida por J. Charles Haydon e com Sheldon Lewis no papel principal.

Feita essa introdução, vamos à resenha da HQ de hoje: “Batman: Jekyll & Hyde” (Batman: Jekyll and Hyde. Roteiro de Paul Jenkins e arte de Jae Lee/ Sean Phillips, junho a novembro de 2005).

Line

J01O primeiro e mais importante detalhe dessa história é tão significativo pra mim que antes de qualquer coisa pularei direto a ele, assunto que normalmente só começo a tratar pelo terceiro parágrafo de texto. Este detalhe é a arte da história.
Lembrando que essa história teve dois desenhistas, Jae Lee e Sean Phillips, a coisa não fica evidente ao ler a história, pois ambos desenham de forma muito parecida, e o “detalhe da arte da história” sobre o qual eu quero falar antes de tudo, é a arte desses dois.J02
Eles não são clones de nenhum pintor renascentista, nada de Michellangelo, nada de Leonardo, e nenhuma outra tartaruga ninja. Desenhistas “normais”, bons a nível de serem pagos pra desenhar pela Marvel e DC, é tão bons quanto vários outros por ai tipo o Tony Daniels ou Jim Lee, mas a questão está no ESTILO de desenho deles. Algum ser do além deve ter berrado ao infinito “Usem essa habilidade de fazer sombras em alguma história do Bááátema”, e as forças cósmicas conspiraram pra eles serem o desenhista dessa história.
J03Como eu disse, o traço não é nada de absurdo, mas o JEITO de desenhar, é o necessário pra uma boa história sombria do Batman. É um caso semelhante ao do John Van Fleet na “Batman: Ankh”, ele não é o melhor do mundo, longe de ser, mas é MUITO original e o melhor de tudo, combinou. Vocês que vão ler a revista, olhem o tanto que o Jae Lee e o Sean Phillips se aproveitam de sombas nos desenhos, e vejam o quanto fica bom.
Agora que já esclareci meu ponto quanto aos cidadãos, vamos ao roteiro, que também merecia tanto destaque quanto a arte, mas a arte me chamou mais atenção.J06O roteiro é do Paul Jenkins, e direi a vocês, é um roteiro daqueles bons com cenas de crime, Batman e Gordon avaliando tudo nos mínimos detalhes, se o assassino era canhoto, se a atitude foi um surto ou algo premeditado… É uma história de detetive, e que eu saiba, essa era a ideia inicial dos criadores do Batman, histórias de detetive muito interessantes.
Esse Jenkins é o tipo de gente que SABE o que uma história do Batman precisa. O fato de tanto o roteirista quanto o desenhista saberem fazer seus trabalhos a caráter de uma história do morcego ajudou MUITO a essa história ser uma das melhores.

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