#95 – Batman: Espelho Sombrio


“Lembro que uma vez perguntei ao meu pai o PORQUÊ. O que tornava Gotham tão especial? E o meu pai olhou pra mim e disse: ‘Alguns lugares tem uma fome em si, filho. E ou você os alimenta com o que querem… Ou você fica longe, muito longe deles.’”


OIá!
A história de hoje foi publicada inteira pela Panini em duas edições de “Sombra do Batman” (#18 e #19). No original, foi um dos últimos da série Detective Comics antes do reboot, tendo saido nas edições #871 a #873. É uma história importante porque nos mostra até onde vai a loucura, mas não vinda dos fundos do asilo Arkham, e sim a loucura dos cidadãos normais, dos homens de terno e gravata que gerem a cidade, das senhoras que organizam as bibliotecas, dos professores, médicos e pessoas influentes de Gotham. E também porque nos introduz um personagem que aparecerá logo que começarmos a falar do reboot.

Senhoras e senhores, fiquem com “Espelhos Sombrios” (The Black Mirror, roteiro de Scott Snyder e arte de Jock, janeiro a março de 2011).

001A história começa com uma cena comum em filmes e livros americanos: um garotinho apanhando dos moleques mais velhos no vestiário de um colégio. Aliás, nunca vi nada nesses banheiros que não fosse gente apanhando, desconfio que essa seja a real finalidade deles. Enquanto isso, uma voz está contando sobre os procedimentos de sua família circense quando saiam para turnês e apresentações: eles marcavam as cidades que visitariam com alfinetes coloridos. Um alfinete azul significa uma apresentação mais modesta, sem grandes truques. Um alfinete vermelho significava arriscar mais, fazer shows maiores. Gotham estava marcada com um alfinete preto. Deveria ser um show sem limites. Sem redes de proteção, sem cabos, ir até o fim para entreter a cidade. Porque ela pedia por isso. Bem, o molequinho do começo da história arranjou um jeito bem sangrento de se defender dos vilões da escola.

002Como você já deve ter imaginado, o relato do menino circense vinha de Dick Grayson, olhando languidamente pela janela da Mansão Wayne. Ele reclama para Alfred que desde que Bruce voltou ele não se sente muito à vontade na Mansão. Alfred até se oferece para deixar o lugar mais com a cara dele, e acredito que isso envolveria pendurar alguns pôsteres de ruivas pela casa, mas ele se recusa. Porque as coisas que possui não encheriam uma parede da casa; ele não é, exatamente, o apego em pessoa.
O Comissário Gordon virá até o laboratório criminal e forense dentro da mansão para investigar um caso; oferecer o laboratório foi uma medida pensada por Tim como contrapartida para que a criação da Corporação Batman não ofendesse ao Departamento de Polícia de Gotham. Gordon veio investigar uma evidência do incidente ocorrido numa escola – o incidente com o menino que contei no começo do texto. Ele não confia no laboratório de análise da polícia porque algumas evidências tem sumido de lá, roubadas por alguém, possivelmente um policial em turno.
003A “transformação” pela qual o garoto passou foi causada por um hormônio mutagênico, um composto que lembra o que causou as mutações a Waylon Jones – o Crocodilo. O garoto que foi exposto a esse composto está em em coma induzido o hospital de Gotham. A família do pequeno é composta de um pai rico que não quer saber dele, uma mãe louca e de um mordomo que cuida dele como pai – a quem Dick vai fazer uma pequena visita, na pele do Morcego. Bom, o mordomo também não dura muito, assim como a mãe louca. Menos de 20 páginas e 3 pessoas mortas, essa edição promete.
Mas a mãe do menino não estava louca à toa. Tem um dedo nisso tudo, e é o dedo esquizofrênico de Jarvis Tetch, o Chapeleiro Louco, que esteve controlando a senhora à distância. Eles descobrem isso por um chip implantado no pescoço dessa senhora – mas esse chip, essa evidência, também sumiu da central de polícia de Gotham.
004Repare, nesse ponto da leitura, que o aparecimento de aves é uma frequente. Algumas páginas atrás tinhamos um casal de urubus, aqui tem uma outra ave que desconheço, o comissário vai fazer uma metáfora sobre um casal e os chama de “casal de pombinhos”. Em algum momento da HQ, um aviário controlado eletronicamente será aberto por um importante personagem.
Batman decide chegar na casa de Cullen Buck, um policial de Gotham. É no turno dele que andam sumindo as evidências policiais dos últimos casos de Gotham. Lá encontra um arsenal de armas em desacordo com o salário de um policial comum. Aliás, falando em arsenal, Batman anda com uns gadgets excelentes nos últimos quadrinhos; aqui, ele dispara um bat-taser acoplado à ponta do dedo! (Enquanto dá um sorrisinho maroto que me faria dormir um mês debaixo da minha cama em posição fetal, chamando pela minha mãe).

Taser

005Bom, exatamente por esse nível de intimidação é que o policial abre o jogo sobre quem está por trás dos últimos sumiços de evidências policiais em Gotham: um homem chamado apenas de “O mercador”, que comanda um lugar chamado Casa dos Espelhos, em que leiloa itens roubados relacionados aos mais notórios vilões da cidade. Bem, ele não tem tempo de falar muito: uma espécie de árvore venenosa brota de DENTRO dele, matando-o na frente do morcego.

Bom, é hora de ir atrás desse “Mercador”. E é bom ele se cuidar, porque quando o Morcego cola na sua, o mínimo que te acontece é você perder todo o trabalho que o dentista teve com você durante anos.

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