#68 – Batman/Deathblow

“Apesar de suas rigorosas convicções, o mundo não funciona exatamente num sistema tão irretocável e preto e branco… Mas em milhões de tons de cinza. Eu sou um deles. Goste ou não, você também”.

Sabem o papo de “você pode, é só querer, se esforçar e nhenhenhe, blablabla (…)”? As coisas não são tão bonitinhas assim. Ao ver histórias desse gênero você sente que falta algo mais pra chegar nesse nível.
Mais uma vez tenho o privilégio de escrever sobre uma história desenhada por Lee Bermejo, e como se não fosse suficiente, roteiros de Brian Azzarello. Dois de meus desenhistas/roteiristas preferidos.
Como de costume em histórias do Azzarello, a trama é bem urbana. Quase tudo nessa história é “pé no chão”, e temos a oportunidade de conhecer o “Deathblow”, que ao contrário do que alguns pensam, é um personagem. Digo isso porque já vi algumas pessoas achando que “Deathblow” era só o título da história, coisa que também é de certa forma errada, pois o título ainda tem um “After the Fire” em seu total.
“Batman/Deathblow” foi lançada em 2002, vocês encontram aqui no Brasil com o mesmo titulo, lançado com capa dura pela Panini anos a frente. Antes de entrar em detalhes já adianto a vocês, vale a pena ter aí na sua estante.
Tens medo de fogo? Cuidado dobrado After the Fire.

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Azzarello e Bermejo. Complicado pensar em que nome citar primeiro nessa dupla, fico com a velha ordem alfabética mesmo, pois em qualidade… Ambos são mestres no que fazem. Brian Azzarello fez um trabalho dos grandes nessa história. Já li reviews em outros sites dizendo que a história não tinha nada demais e que a “única salvação é arte do Bermejo”. Besteira.
O roteiro na verdade é complicado, e ser complicado não necessariamente faz ser ruim. Claro que tem roteiros que ficam tão complicados que comprometem a obra, mas não é esse caso. Talvez a maior dificuldade sejam os flashbacks que no geral tem a mesma cara. Se você não estiver lendo com atenção, você acha que está no presente e na verdade está no passado.
Como deve ter dado pra notar, a história se passa em dois tempos, Gotham atual, e Gotham há 10 anos. Na atual o herói é o morcego, Bruce Wayne, na de 10 anos atrás é o Deathblow, Michael Cray. Em ambas épocas o “vilão” é o mesmo, Maxwell Kai.
001“Oi, eu sou chinês e a internet aqui é censurada, quando abro o Google aparece o rosto do Bruce Lee dizendo ‘Seja água’ e o pc trava. Não tenho como pesquisar esses nomes todos”.
Vamos lá, quem são Michael Cray e Maxwell Kai. Michael Cray é um soldado/agente secreto/Pau-mandado da CI (Comando Internacional), e o título”Deathblow” que ele carrega como codinome é apenas um “cargo”, assim como maioria dos nomes de herói. Um morre, entra outro no lugar usando o mesmo nome. Mais a frente veremos que já existiram dúzias de Deathblows, e que a carreira deles é curta porque é perigosa pra caramba. Alguém aí pensou “as do Batman também são loucura e o velho Bruce ta aí firme e forte pra contar sobre como escapou de todas”? É, mas ele não é um simples soldado como o Deathblow.
Deathblow_2De aparência, Michael Cray tem o semblante do Dolph Lundgren tomado de anabolizantes. Bandana/touca, um listra vermelha na vertical descendo de cada um dos olhos, e o resto não tem grande grife nem detalhe, o sujeito é um soldado, se ele precisar matar alguém vestido de bailarina, mendigo ou pelado, ele vai matar. E vai deixar a carta branca com duas listras vermelhas na vertical, é a sua carta da morte, carta esta que começa boa parte da confusão na trama do “presente”.
Na Gotham de 10 anos atrás, Deathblow caçava o líder terrorista conhecido como “Falcão”, e acabou topando com Maxwell Kai que, sozinho, levou a missão ao fracasso. Como um homem pode ter sobrevivido a uma investida do Deathblow e feito o sujeito com uma carreira invicta ter tido sua primeira falha?
Max Kai não é um simples homem, ele é um pirocinético. Cuidado vocês com mente suja, pirocinético quer dizer que o rapaz tem o poder de criar fogo com a mente. Não é bem como o Pyro dos X-Men. O Pyro não “gera” fogo, ele apenas manipula o fogo já feito, já o caso do Kai é diferente, ele CRIA o fogo.
É um personagem que, ao longo da história, vocês talvez vão até passar a gostar. É misterioso, leal, importante pra diversas pessoas e fins, e só quer paz pra si mesmo. Só não abandona o jogo porque não pode. Fora que sua habilidade é um tanto especial.
Se formos tentar pegar alguém de estilo parecido para representar sua imagem… Vamos de Tyler Durden no Clube da Luta. Junta personalidade, aparência bacana e uma habilidade especial, fica difícil dizer que é um personagem qualquer. Eu particularmente curti mais o Max Kai do que o Michael Cray em si. Personagem com muito mais background.
BATMAN_DEATHBLOW_AFTER_THE_FIRE_3Claro que cada mínimo detalhe de como a trama deve ser, cada fala, atitude, ação dos personagens… TUDO nesse aspecto é obra do Brian Azzarello. Claro que ele não criou o Batman, não criou o Deathblow, não criou o Kai, não é o “criador” de nada nessa história. Assim como o atual melhor atirador do mundo também não foi o criador das armas de fogo. Azzarello fez bom uso do que tinha disponível.
Quanto aos desenhos, aí concordo com qualquer site por ai, Lee Bermejo faz estrago em tudo que toca. Ele é quase o contra-peso do Rob Liefeld no universo. Este último que citei é quase um alquimista, tudo que ele encosta vira merda. Mas o Bermejo está ai para não nos fazer perder a fé numa boa arte, e fiquemos todos gratos do Liefeld não ter NADA a ver com essa história.
Se formos pegar os traços DESSA história que o Bermejo fez e compararmos com histórias mais atuais como “Batman – Noël”, dá pra notar boa diferença. O Bermejo evoluiu. Sim, ainda havia pra onde evoluir. Com isso não estou dizendo que a arte dessa HQ esteja “pior” que a Noël, só diferente em alguns aspectos que em nada condenam a obra total.
Eu poderia novamente detalhar como é o Batman segundo os traços do Bermejo, falar dos olhos por dentro da máscara, costuras, fivelas, o cinto de utilidades de tamanho plausível, falar dos detalhes mínimos das dobras de capa e etc… Mas não vou entrar nesses detalhes todos novamente, serei mais específico no que essa história tem de único. O aspecto “queimado”.

BatmanNão temos cinzas de cigarro nem páginas queimadas, nada disso. Temos um estilo obscuro de desenhar, e também de colorir (lembrando que não foi o Bermejo a colorir essa história). Talvez eu tenha sido redundante em dizer “estilo obscuro” em uma história do Batman, mas essa é obscura em totalidade, não é só o cenário e os personagens, parece que até o PAPEL usado é outro diferente do comum, algo mais amarelado, antigo… Não sei explicar bem isso, sei que ficou muito bom. Tudo muito detalhado, com sombras e pouca repetição.
Eu acho que vendia metade da população do mundo pro Sinestro pra ver uma história do Asa Noturna desenhada pelo Bermejo. O roteiro podia ser do Azzarello ou do próprio Bermejo mesmo, que se mostrou competente pra tal em “Noël”.
Lee Bermejo sempre tem cuidado absoluto em cenários, proporções físicas e roupas. Tudo é sempre pensado nos mínimos detalhes, seja um fio solto aqui ou um poster no muro ali. Ele aproveita ao máximo o espaço, dificilmente você verá uma parede sem algum detalhe especial, seja simples sujeira proposital ou detalhes de construção. Tudo impressionante.
Agora indo ao “After the Fire” em si:
002Começamos na Gotham de 10 anos atrás, mais exatamente no bairro oriental. Michael Cray (Deathblow) e seu companheiro Scott. Este só bizolhando com uma luneta de dentro de um quarto de segundo andar enquanto Deathblow está na chuva aguardando a exposição do alvo. Não demora muito e o tal alvo aparece.
Michael pega a tinta vermelha e passa embaixo dos olhos, conforme falei mais acima, e parte pra missão com arma em punho. Seguindo seu alvo ele passa por corredores, escadas, salas e diversos orientais, como era de se esperar em um bairro oriental. Por fim ele encontra resistência por parte de um oriental armado, que usa seu próprio amigo/comparsa como escudo. Deathblow bota os dois pra papear com o Zé Maria e vai embora.
Zé Maria pra quem não sabe é a ilustre “morte”. Pro povo do voodoo é o Barão Samedi, pros americanos é o Grim Reaper, e pra nós é o Zé Maria. Cada um tem a morte que merece, né?
Enfim, a história avança 10 anos a frente. Estamos agora em uma estrada onde há um pedágio logo a frente. Se não prestarmos atenção nos desenhos, deixaremos passar algo muito importante. Vemos um sujeito de óculos escuros dirigindo enquanto ouve música, então em um quadro pulamos para dentro do carro de trás, onde um casal de irmãos pequenos briga no banco de trás, a menina reclama, os pais dão sermões pra trás… Papo comum, mas enquanto essa cena ocorre, podemos ver o carro da frente pelo para-brisas, o motorista deixando algo na lixeira do pedágio.
003Esse é Maxwell Kai, deixando a mão decepada e carbonizada de alguém, com uma carta semelhante a uma carta de baralho, toda em branco exceto pelas duas listras vermelhas na vertical. A carta de morte do Deathblow. O pai da família do carro de trás encontrou aquilo e ficou paralisado.
Ainda no tempo presente, temos um restaurante com música ao vivo que conta com 3 personagens importantíssimos na platéia, reunidos em uma mesa. O tal parceiro do Deathblow, o Scott, uma mulher da CIA chamada Carla, e Bruce Wayne, o tal do Batman.
Falam sobre dinheiro, verbas, criatividade… Papo de aranha do qual Bruce tanto tenta fugir. É mais fácil ser Batman e bater mais do que fala, não? Claro que não. Sabemos que o Batman tem tanto intelecto quanto força, a questão por trás disso é apenas que porradas resolvem mais do que palavras, e ele como gênio que é descobriu isso cedo.
Bruce retira-se do local, e enquanto acerta o local de entrega da conta, leva uma esbarrada de ninguém mais ninguém menos do que Maxwell Kai. O sujeito ainda dá uma baforada de fumaça de cigarro na cara do Bruce. Nem imaginava quantos ossos podia ter quebrado em outra ocasião.

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004Bruce se disfarça com um de seus vários personagens, como Knox Canhoto ou Fósforos Malone e vai a uma loja de penhores, aparentemente recolher informações do submundo, e descobre algo sobre a tal mão carbonizada deixada na entrada da cidade. Dali seguimos direto para as ruas, onde o Comissário Gordon e os demais policiais recolhem o corpo de um sujeito que foi assassinado por um atirador, um headshot dos bons, digno do Pistoleiro. Mas ele não tem nada a ver com isso.
005Gordon vai ao terraço e troca uma letra com o morcego. Bruce aborda o assunto da mão com a carta de morte que até então tem remetente desconhecido para ambos, mas Batman recebe um alerta do Alfred para dirigir-se ao restaurante do qual saiu há pouco tempo. Chegando lá de volta a paisana sem as bat-traquitanas, a tal Carla informa que o Scott simplesmente pegou fogo, mas não foi uma chama que começou pequena, segundo as aparências foi como uma bomba incendiária que foi detonada. Mas nós sabemos que não teve bomba nem detonador.
Bruce levanta suas suspeitas na figura que assoprou fumaça nas suas ventas mais cedo. O maior detetive do mundo começa a “detetiviar” na mesma hora, liga uma câmera no botão de seu blazer, manda Alfred vasculhas o sistema da policia atrás do inquérito da mão decepada e foi ao hospital falar com Scott.
006O tal Scott, que há 10 anos atrás foi parceiro do Deathblow… Agora está com queimaduras de terceiro grau em 95% do corpo e 78% das queimaduras atingiram órgãos e músculos. Sem chance de recuperação. Bruce foi direto: “Você sabe o que isso significa… sinto muito”, e garantindo-se no fato de que o sujeito não tinha muito tempo, revelou ser o Batman, e disse que podia pegar o assassino. Surge então o nome Deathblow no conhecimento de Bruce Wayne.

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#52 – Batman: Noël

Sejam bem-vindos à mais um post de one-shot. Venho satisfeito por essa história ter caído em minhas mãos, vocês talvez nem tanto, pois a morcego-chefe talvez fosse falar mais bonitinho a respeito dessa história tão bem feita.
Essa é uma história made in Lee Bermejo’s head. Eu já sabia que ele era um desenhista de mão cheia, mas revelou-se também um roteirista de primeira. Acredito eu que esta é a primeira história que leio dele como roteirista.
Assim como as demais histórias “recentes” que ele tem desenhado pra DC, “Coringa” (com o Azzarello no roteiro) e a “Lex Luthor” (também com o Azzarello no roteiro), essa história é bastante envolvente, e com um diferencial que eu achava ser marca registrada só do Azzarello, o “herói” não é o foco.
Vamos a Noël. (“Batman: Noël“, no original)

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A história tem uma arte impecável, provavelmente o uniforme mais realista e bem feito que o Morcego pode ter. Talvez essa seja uma das razões que Lee Bermejo não poderia ser desenhista da série mensal, ele deve demorar séculos pra terminar uma simples revista. Isso é dedução minha, se ele tiver capacidade pra ser desenhista mensal a DC tinha que ter um pingo de vergonha na cara e contratar o homem pra série mensal, URGENTE, porque o atual tá deixando a desejar.

CapaContracapa

Detalhes da capa e contracapa de “Batman: Noël”.
Clique para aumentar.

Mas então, o uniforme. Querem detalhes? Os olhos por dentro da máscara. Eu prefiro os olhos “brancos” que fazem aquele contraste na escuridão, coisa que faz parte de qualquer boa história sombria do Batman, mas se for pra fazer sem os olhos brancos TEM que ser igual ao Bermejo. Segundo ponto, as costuras das calças e camisa, em terceiro o cinto que claramente tem caimento na cintura e grandes compartimentos que não são meras caixinhas de tic-tac. Quarto, fivelas nas botas (isso eu particularmente achei meio dominatrix demais, porém ficou bom). Fora os cenários que são dignos de você perder um tempo procurando algum Wally, de tão detalhados e completos.

Detalhes da roupa de Batman

O roteiro, também vindo das mãos desse artista, se assemelha muito aos roteiros do Brian Azzarello, coisa que ele deve ter pego com certeza do próprio Azzarello, uma vez que eles trabalham/trabalharam juntos diversas vezes ao longo da vida.
A história fala de Bob e Scrooge. Começa com o tal Bob, um sujeito caricato com jeito de ser um baita enrolado. O narrador diz que ele tem um filho, que o menino tem um problema na perna e não tinha a saúde boa, que mora em um lugar ruim, que passam necessidades… Enfim, conta por alto a vida do Bob. Na boa, eu fiquei até meio triste.
Bob em suas andanças e busca por algum boost em sua vida, foi dar uma mão a quem não devia, carregando algum pacote… E durante uma chuva de Xuxa, no colo dele caiu o Pelé. O Batman desceu na frente do coitado igual um demônio por causa da tal caixa, deu-lhe um susto básico e botou o cara pra correr.

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003Chegando em casa, Bob correndo de medo da “assombração”, dá de cara com seu filho lhe mostrando a árvore de natal que ele fez com coisas que achou no lixo. O pai nervoso e assustado grita com ele, o garoto fica triste e logo o pai sente o que fez. Ele pede desculpas e dá atenção pra árvore feita com latas e bonecos.
O menino comenta que queria colocar o simbolo do Superman no soldadinho, pois ele (Superman) tinha cores vermelhas que lembrava o natal, e que talvez colocasse algo do Batman. O pai (que tinha acabado de tomar um apavoro do morcego) diz que o Batman não tem nada de natalino, a criança argumenta que ele só pega gente ruim, e surge o dilema, “Às vezes, mesmo as pessoas boas fazem coisas ruins”.
004Depois desse tanto da vida do Bob, assim como vários personagens nos quadrinhos e filmes, caímos na caverna. Lá está o Scrooge, mais conhecido como Bruce, visivelmente gripado, junto ao Alfred que… Talvez tenha sido a única coisa feia que vi o Bermejo desenhar. Ignorando esse detalhe, o Alfred comenta que o Bruce pode ter pego algo devido ao frio, Bruce nega, então Alfred solta uma frase muito boa: “Seria, depois de tudo, impossível o ‘Cavaleiro das Trevas’ assoar o nariz”.
Temos um quadro interessante nessa altura da história na caverna. Uma vitrine com uniformes antigos do Batman, inclusive o primeiro de todos. Ver algo tão antigo no traço do Bermejo faz até parecer que ficaria legal hoje em dia. Tá, nem tanto.

Acervo
005Ainda falando de uniformes, impossível não notar o uniforme de um Robin ali. Até então, foi a primeira vez algo relacionado a Robin apareceu em uma história feita pelas mãos de Bermejo. Finalmente vemos que nesse universo “Azzarello/Bermejo” (lembrando que Azzarello não está nessa produção) existiu um Robin, só que ficou no ar uma lacuna maior que o tríceps do Hulk. Quem diabos era aquele Robin?
Foi dito ali que aquele Robin tinha morrido, e que após isso o Batman “secou” por dentro e virou um pitboy na rua. “Ah, se morreu, só pode ser o Jason!”.

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#34 – Coringa – Brian Azzarello

Oi!
Em primeiro lugar, quero agradecer os comentários compreensivos e carinhosos que recebi no meu último post! Obrigada por terem me entendido e por visitarem o Batman Guide!

Para comemorar o retorno das minhas postagens, hoje eu trouxe para vocês uma HQ que você NÃO PODE deixar de ler. Sério. Ela foi lançada em 2008, mas continua sendo referência quando falamos em histórias mais realistas do Batman. Os traços dessa HQ são adultos, bem desenhados, e o roteiro é superdenso. É uma daquelas obras para se ler avidamente.
Talvez você já tenha ouvido falar dela, ou mesmo tenha lido, mas em todo caso, hoje vamos falar de “Coringa”, de Brian Azzarello (Joker, roteiro de Brian Azzarello e arte de Lee Bermejo, dezembro de 2008).

Você se lembra da outra HQ de Brian Azzarello que eu postei aqui, “Cidade Castigada”? (Caso não lembre, sempre é tempo de dar uma olhadinha!) Então você sabe que estamos falando do renomado autor da série “100 balas” (que você encontra no excelente site de scans Coringa-Files). Antes mesmo de saber o roteiro, dá pra sentir que vem coisa boa nesse material, não é? Mas vamos conhecer um pouco mais.
De alguma maneira sórdida, Coringa foi solto do Asilo Arkham depois de uma suposta “regeneração”. Na saída da prisão para criminosos que necessitam de tratamento psiquiátrico, está à sua espera Jonny Frost, que leva Coringa para um passeio em Gotham. (Aliás, toda a HQ se passa pelos olhos atentos de Jonny Frost, um capacho que nutre admiração profunda pelo vilão). Mas Coringa não tem mais nada, além do seu nome. Ele não tem mais dinheiro, não tem mais capangas, não tem mais poder – toda sua influência foi ultrapassada pelas diversas facções que disputam o poder no submundo de Gotham City.
Mas ele continua sendo Coringa, e nunca aceitaria tal humilhação, não é mesmo? Ele precisa recuperar seu poder. E é essa a narrativa central da HQ.

Entretanto, essa busca de influência não é pacífica – ela envolve sangue e brutalidade, com um nível de insanidade que só seria possível ao Coringa. Aliado ao Crocodilo – que aqui é mostrado muito mais como um gângster truculento do que como um réptil, e não obstante, acaba por obter a ajuda forçada de Pinguim e de Duas-Caras. “Por que eles o ajudam?”, você pode pensar. Por medo das armas? Por medo de apanhar do Coringa? Não. Por medo de sua insanidade, algo tão grande e tão terrível que pode aterrorizar mais que um rifle apontado para seu peito. Todos percebem que, durante todo este tempo em que esteve submetido à tal reabilitação só serviu para torná-lo ainda mais psicótico.
Talvez você não saiba o que vai encontrar nessa HQ, então vou te contar um trechinho do primeiro acontecimento após a chegada de Coringa na cidade: ele dá uma festa. Na festa, está o homem que deixara no comando ao ser internado no Asilo Arkham, e que deveria tomar conta de seus negócios. Obviamente, ele não fizera um bom trabalho. E como ele é punido? Simples. Coringa arranca sua pele do corpo todo, deixando apenas o rosto. Para quem quiser ver a imagem, é só clicar aqui, mas adianto que é um pouco forte.

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