#85 – Renegados: O Abismo / Ruas de Gotham: Dinheiro do Silêncio (“Batman: Renascido” – 6ª Parte)

Reborn

Olá!
Desculpem pelo atraso no post, tive problemas com a minha conexão de internet 😦
Hoje teremos o penúltimo post da saga “Batman: Renascido”. Na verdade, trata-se de um post duplo: teremos o arco “Renegados: O Abismo” e o arco lançado na série mensal Ruas de Gotham intitulado “Hush Money”, que preferi traduzir para Dinheiro do Silêncio. Espero que vocês estejam gostando dessa saga e conto com a opinião de vocês no final do texto.

Renegados: O Abismo
(Outsiders: The Deep, roteiro de Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, março a setembro de 2009)

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001Primeiro, é preciso explicar uma mudança de títulos na série mensal na qual esse arco foi publicado. Como expliquei nesse texto, os Renegados são um grupo de heróis da DC que não se ajustaram adequadamente a grupos sérios como a Liga da Justiça. Eles não precisam de aprovação pública para suas ações e tem um código de conduta próprio. Inicialmente, eles eram liderados por Batman, então a série mensal se chamava “Batman e os Renegados” (Batman and The Outsiders V2, 2007, 14 volumes). Porém, quando Batman some, como continuar sendo “Batman e os Renegados”? A partir do volume #15, a série mensal começa a se chamar apenas “Renegados” (Outsiders, V4). O arco “O abismo”  (The Deep) compreende do volume Renegados #15 até o volume #20.
Mais uma informação: essa é a formação dos Renegados da qual falaremos nesse texto.

Formacao

  • Geoforça (Brion Markov)
  • Raio Negro (Jefferson Pierce)
  • Halo (Gabrielle Doe)
  • Metamorfo (Rex Mason)
  • Katana (Tatsu Yamashiro)
  • Rastejante (Jack Ryder)
  • Coruja (Roy Raymond Jr.)

002Explicações feitas, começaremos a analisar o roteiro.
Alfred convocou os Renegados, agora sem rumo, para uma importante reunião. Nessa reunião, ele anuncia que Batman havia deixado uma missão para eles – uma missão que ultrapassa a ação local dos Renegados, para além de Gotham, visando salvar o mundo (sim, nessas palavras um tanto quanto ambiciosas).
A decisão de seguir nesse projeto está à cargo dos Renegados. E se decidirem, eles terão um novo chefe: o próprio Alfred Pennyworth. Essa mudança no RH dos Outsiders é comentada com ironia por Brion Markov, o Geoforça:

“De servidor de chá para salvador do mundo, isso é um grande voto de fé que você está nos pedindo, Alfred.”

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Mas quem acompanha as histórias sabe que, a despeito da insistência de Alfred para que seus patrões mantenham uma certa regularidade alimentar, “servidor de chá” é a última coisa que ele é. O cara é assistente pessoal de Bruce Wayne, Dick Grayson e todos os membros da bat-família, cirurgião de guerra, serviu como Oficial de Inteligência no MI-6 (o serviço de inteligência britânico!) e por aí vai a lista.

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Ok, qual a decisão que o Alfred está pedindo aos Renegados? Se eles quiserem continuar sendo Outsiders, eles precisarão levar a palavra no sentido mais literal. Renegar o contato com qualquer ser humano que não seja do grupo. Ficar sem falar com seus entes queridos por meses. Desligarem a sua vida. Como soldados indo para a Guerra. Ser a linha de frente contra uma parede de fogo. Um inimigo implacável. Os que não quiserem aceitar essa premissa inicial podem se retirar sem ônus de suas honras, afinal foram parceiros valorosos para o Morcego. Mas os que decidirem aceitar… Deverão ter consciência do que o que os aguarda será longo e amargo.
005Certo, isso não é nada que possamos estranhar vindo do BATMAN, o cara é o mestre dos pedidos impossíveis. Mas acho que ele se excedeu um pouco. A missão dos Renegados começa fora da Terra. Como diz o Geoforça: “Isso é ser tão Renegado quanto se pode ser!”
A razão desse afastamento é para dar perspectiva na resolução de um caso – um desabamento provocado provavelmente por algum deslocamento de placas tectônicas, com dezenas de mortos e apenas uma sobrevivente.

006Os Renegados foram deixados como uma espécie de “braço” de Batman; cada um deles representa uma habilidade do Morcego. Metamorfo faz para o Coruja, o novo membro, um resumo do que cada um dos integrantes dos Renegados representa da personalidade de Batman. Indispensável para quem quer saber mais sobre cada um dos membros. (Metamorfo se transformando em Batman e Robin é impagável).

  • Geoforça: a força de combate, o “poder de fogo” do grupo
  • Raio Negro: o “coração” do grupo, faz do mundo um lugar melhor através da eletricidade
  • Katana: bem-humorada, odeia desembainhar a espada quando não é necessário
  • Rastejante: o fator “medo” do grupo, causando terror no coração dos criminosos
  • Halo: a vibração positiva do grupo, o “Robin”, que existe para mantê-los acreditando
  • Metamorfo: o cinto de utilidades dos Renegados.

007Eles se dividem em uma missão: alguns ficam na nave que está sobre a Terra e outros vão para a Alemanha fazer verificações. Mas algo parece estranho. As características das camadas de terra não estão batendo com as características comuns após eventos de tremores sísmicos. Algo parece estar fora do lugar. Parece não ter sido apenas um abalo sísmico.
Enquanto isso, na Filadélfia, um homem idoso chamado Franklin está acertando detalhes de um serviço específico. Um serviço para forjar sua morte, para que ele seja liberado para alguma operação especial – uma dívida antiga. E assim estão sendo forjadas as mortes de pessoas idosas na Inglaterra, em Kyoto, no Cabo da Boa Esperança, no Golfo Pérsico, no Vaticano (!) e na China. Um projeto em que eles irão empenhar os últimos anos de sua vida, que já fora estendida além do comum, em prol de um projeto misterioso envolvendo grandes armaduras de um líder chamado Lixeiro. Uma pesquisa sobre imortalidade, cujo início da resposta se encontra nas profundezas da Terra e o fim da resposta se encontra espalhado na estratosfera.

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#82 – A Ascensão de Batgirl (Stephanie Brown) (“Batman: Renascido” – 3ª Parte)

Reborn

“- ‘A única variável que você pode controlar é você mesma’. Você pode esquecer quem você é, ou pode se tornar quem você quer ser. É por isso que você fica, por uma segunda chance.
– Mas se você ficar, é obrigado a encarar você mesmo… Ninguém é corajoso o bastante para enfrentar quem realmente é!
– Eu sou.
– E quem poderia ser?!
– Eu sou a Batgirl.”

Hoje o post não é apenas sobre uma história, nem apenas sobre uma personagem, e também não é apenas sobre apenas um “título” de herói. É sobre uma personagem, uma história e sua passagem pelo manto de TRÊS heroínas.
Quem fez as contas e sabe que raríssimas mulheres da DC tiveram 3 mantos diferentes devem ter deduzido de que estou falando de Stephanie Brown, que já foi Salteadora (“Spoiler”), Robin (a Garota-Prodígio) e por fim Batgirl.
A história selecionada foi sua estréia como Batgirl, “A Ascensão de Batgirl” – chamada nos EUA de “Batgirl: Rising“, e ela se passa no período em que Bruce Wayne está dado como morto, mas claro, antes da narrativa teremos umas boas linhas dedicadas a trajetória dela até chegar a esse ponto.
“Steph” tornou-se Batgirl um tanto na marra, inicialmente sem autorizações, mas pouco tempo após assumir o uniforme de Cassandra Cain, enfrentou uma barra e provou a Bárbara Gordon (a Batgirl original) que faz jus ao cargo.

Vou andar logo com as explicações pois tem muita coisa pra se falar sobre ela.

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“Salteadora, Robin, Batgirl, misturou a bagaça toda na intro”, só até este momento, pois agora falarei sobre “Stephanie Brown – Vida e Obra”, contarei tudo o que ocorreu com ela desde a primeira aparição nas histórias até o momento em que a DC a cortou sem mais nem menos no reboot.
Stephanie Brown. Moça loira dos olhos azuis, inteligente e rebelde. Filha de Arthur Brown, o criminoso conhecido como Cluemaster, traduzido no BR como “Mestre das Pistas”.
Já foi namorada do Tim Drake, já o substituiu como Robin, já substituiu Cassandra Cain como Batgirl, mas no geral ficou famosa como a “Spoiler”, ou “Salteadora” aqui na Ilha de Páscoa.
Eu normalmente sou a favor de se manter os nomes dos heróis no idioma original, ou seja, sou a favor de chamá-la de “Spoiler” ao invés de “Salteadora”, e ela é um ÓTIMO exemplo da razão.

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Mestre das Pistas (Cluemaster)

Vocês sabem o que significa spoiler, ou pelo menos tem noção. Aqui no blog mesmo quando vai ter spoiler da trama da história a Jéssica esconde as coisas e tal… Pois bem, Stephanie adotou esse nome porque ela dava spoilers dos crimes do seu próprio pai, o Cluemaster (Mestre das Pistas).
Ou seja, eu posso explicar a razão do nome “Spoiler”, mas não posso explicar o “Salteadora”. Difícil, né? Imaginem o Zé Pequeno nos EUA. “Little Zé”. Adaptações são ridículas, nunca poderemos cobrar que os outros mantenham nossos nomes no original se não fazemos o mesmo por eles. Querem saber se isso servirá de motivação a eles fazerem a parte deles? Não importa. Vocês como leitores de Batman sabem que “a coisa certa a se fazer” não pode esperar retorno, só deve ser feita.
Aqui no blog ainda usamos o máximo possível de nomes traduzidos pra facilitar a leitura e compreensão pra todas idades e níveis de inglês, mas aconselho a todos a sempre buscarem o nome original. As traduções às vezes dão uma atrapalhada seríssima.
Voltando a Stephanie em si… O pai dela, o Cluemaster, é um criminoso genérico do Charada, um sujeito que cometia crimes e deixava pistas a serem seguidas. Meio idiota pra alguém que não quer ser preso. O Charada pelo menos fazia coisas difíceis ou armadilhas, grandes planos… Enfim… O sujeito terminou preso, o que já era de se esperar.
Steph cresceu passando boa parte da sua vida sem o pai, pois o mesmo estava encarcerado. Após alguns anos, o velho Cluemaster sai da cadeia dizendo estar reabilitado, mas no fim das contas ainda era um mal elemento, ele continuou fazendo seus crimes, mas dessa vez sem deixar pistas. Ai entrou Steph, dando spoilers dos crimes do pai para a polícia e o Batman, como “Spoiler”.

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Stephanie Brown e Tim Drake (Robin #175, página 19)

Durante o tempo de caçada ao Cluemaster, Steph se apaixona pelo Tim Drake, e revela sua identidade a ele, mas ele não revela a dele pra garota. Pelo menos não inicialmente.
Confusões prosseguem sempre em torno do pai, ela chegou a ser sequetrada por um membro da gangue e tal… alguns pormenores que sempre se resolveram. Ela começou um namoro com Robin (mesmo sem saber a identidade secreta dele), mas em uma desses giros que o planeta costuma a dar… Eles se deparam com um baita golpe. Stephanie Brown estava grávida do ex-namorado que fugiu de Gotham após o Terremoto.
Robin dá todo apoio para Steph e após o parto, eles dão a bebê para a adoção, acreditando que seus novos pais poderiam dar um futuro melhor. Trama muito mais do que séria. E depois dizem que quadrinhos é coisa de criança.

Spoiler

Stephanie Brown como Salteadora (Spoiler)

Devido aos problemas pessoais de Tim Drake (tanto com o próprio pai quanto com o Batman), ele se afastou demais de Steph, e nesse tempo de ausência Batman se aproximou dela, oferecendo treinamento. Ela passou pelo tal treino do morcego, também por uma temporada com as Aves de Rapina, e também foi treinada pela Cassandra Cain em troca de aulas de leitura.
Batman de quebra ainda revela a Steph a identidade do Robin. Só essa explanada de informação criou umas faíscas entre Batman e Robin, e entre Steph e Robin. As coisas ficaram turbulentas.
Acham que ela já teve problemas suficientes? Sim, os problemas foram muitos e bem ruins, mas ainda não foram todos. Batman a proíbe de patrulhar a cidade, e ela continua por conta própria. O pai dela (Cluemaster), morre em uma missão do Esquadrão Suicida (esse esquadrão tem sido bastante citado aqui, e temos um post programado para falar mais a respeito dele daqui a um tempo), e em certo ponto ao longo de suas histórias ela ainda revela ter sido abusada quando criança. Parece que a vida de Morcego nenhum é simples.
Mas nem tudo são “baixos”, o alto de Steph veio após mais uma de suas brigas com Tim Drake na época que este deixou de ser Robin a pedido do pai, que tinha descoberto tudo sobre sua vida de vigilante.
Steph fez seu próprio uniforme de Robin, invadiu a bat-caverna e pediu a Batman que a treinasse para ser a nova Robin. Apesar de ter proibido-a de ser Spoiler e patrulhar a cidade, ele topou. Stephanie foi treinada de forma intensiva por meses pelo Batman, ele providenciou uma roupa de Robin oficialmente para ela, e Stephanie se tornou a nova Robin, a 4ª.

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Arte por Dustin Nguyen
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Ela patrulhou Gotham ao lado do Morcego por algum tempo, mas depois de desrespeitar ordens do mesmo em duas missões, ele se enfezou com a garota e jogou a história toda pro alto. Além de demiti-la do cargo de Robin ainda a proibiu de patrulhar a cidade (de novo), nem como Robin nem como Spoiler.

Robin

Stephanie Brown como 4ª Robin

Na tentativa de provar que Batman errou em não confiar nela, Steph faz uma das maiores cagadas que algum membro da Família Morcego já fez. Cagada essa que resultou na saga “Jogos de Guerra” e consequentemente fez o hiato que originou o “Um Ano Depois”.
Ao final dos Jogos de Guerra, Steph foi internada na risca entre a vida e a morte, sendo tratada pela Dra. Leslie. Dando tempo apenas para Batman fazer uma última visita, onde Steph diz ao Morcego que que ela tem uma filha, e Bruce diz pra ela não se preocupar, pois nunca faltará nada a criança.
Quando o bilionário Bruce Wayne diz que nunca faltará nada a uma criança, podem considerar isso ao pé da letra. O primeiro presente que Bruce deu a filha de Selina foi bolsa completa em qualquer faculdade que ela quisesse no mundo, bancada pelas Empresas Wayne. Deu pra captar a magnitude do morcego, né?
Bom, a última questão de Steph no leito de morte foi quanto a ela ter sido Robin, ela perguntou ao Batman se ela realmente viveu aquilo, se ela realmente foi Robin. O Morcego confirmou que sim, e então ela morre ali diante dele.

Alguém ai falou um “Como que pode?!”? É, como que pode ela ter morrido ali e ainda ter se tornado Batgirl depois? Isso ficou mal explicado pra caramba. Tudo bem que estamos falando de uma história onde existe Poços de lázaro pra todo canto, Jason Todd morreu e voltou, o tio Ra’s tá vivo há trocentos séculos… Tudo é possível, não é? Não.
Steph não foi ressuscitada, na verdade ela não chegou a morrer naquele leito de hospital. Inventaram todo um rolo depois disso, mas que ainda não explica COMO ela foi dado como morta ali na cara do maior detetive do mundo.
Ignorando um pouco esse “pequeno grande detalhe”, o que ocorreu após isso foi o seguinte:
Após a “morte”de Steph, Batman descobre que havia um procedimento que poderia ter salvo a vida da garota ali no hospital, e ao indagar a Dra. Leslie, ela diz que não aplicou o tal método que a salvaria pois tinha esperança dessa morte fazer com que Bruce visse o que seus métodos violentos causam, e talvez o fizesse acabar com essa história de vigilantes.

Claro que o Batman entrou em parafuso com essa história e exilou a Dra. Leslie dos EUA, dizendo que se ela voltasse, ele ia entrar com todos meios legais de processá-la incriminá-la e tudo mais. Leslie foi pra África.
Mas cá entre nós, uma mulher como Leslie, que defende a vida acima de tudo, que curou Zsasz durante o “Terra de Ninguém“, uma das únicas médicas que não correm da cidade durante os tempos difíceis, a que é totalmente contra violência… Iria deixar uma jovem garota morrer? Pois é, não deixou.
Steph foi com Leslie pra África, onde trabalhou como missionária enquanto se recuperava dos ferimentos, e uma vez que estava bem novamente, retornou a Gotham como Spoiler.
De seu retorno até a “morte” de Bruce Wayne, as coisas permanecem sem grandes mudanças, mas quando o Morcego some de Gotham… As tais mudança surgem. Cassandra Cain não via mais sentido em usar o simbolo do morcego se o homem que aquele simbolo representa morreu, ela então entrega o uniforme para Steph assim que as duas acabam com alguns marginais juntas na rua.

Agora sim, podemos ir para a história selecionada para esse post, a primeira da Stephanie Brown como Batgirl.

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Stephanie Brown como Batgirl

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#77 – Batman: Últimos Sacramentos

“Pobre Gotham City… Hoje ela precisa de seu Cavaleiro das Trevas, e ninguém sabe onde ele está. Ou se está vivo.”

Olá!
O texto de hoje é sobre uma saga que serve de ponte entre os últimos acontecimentos e um momento decisivo que acontecerá no próximo post. Veremos como Gotham está se virando durante a ausência de seu maior herói. Sejam bem-vindos a “Batman: Últimos Sacramentos” (Batman: Last Rites, roteiro de Grant Morrison, Paul Dini, Dennis O’Neil, Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, Dustin Nguyen, Guillem March, Doug Mahnke, 2008. Na tradução da Panini recebeu o título de “Funeral para o Morcego“).

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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001Fazem parte dessa HQ dois volumes que estão inseridos na “Crise Final” também, a Batman #682 e #683 (que aqui no Brasil recebeu o nome de “Elegia para um Herói”. É uma retrospectiva sobre a carreira de Batman, mas não do modo como já conhecemos – ele introduz elementos controversos, novidades, conceitos inéditos e estranhos. É a oportunidade perfeita para Morrison adicionar elementos na cronologia de Batman, ressuscitar personagens que não são muito utilizados – como a primeira Batwoman, Betty Kane.
Como uma colagem de flashbacks de Batman em detrimento de uma leitura linear, vemos Batman e a ascensão de Dick Grayson de acrobata que perdeu os pais numa queda criminosa ao papel de Robin, que depois segue carreira como Asa Noturna. Em certo momento ficamos confusos quando ao que é passado e o que é presente, ou quem é o narrador da história – muito provavelmente Alfred, ou então a mente do próprio Batman? Vemos cada um dos momentos tristes de Batman – a perda de Jason Todd, os vilões maníacos que enfrentou, as pessoas que não pode salvar, todo o remorso que carrega. Mas também vemos um futuro que poderia ter existido caso Bruce não tivesse perdido os pais. Uma tentativa de implantar memórias falsas em sua cabeça.
002Logo entendemos porque estamos tendo essas visões fragmentadas e dispersas: trata-se do momento da Crise Final em que, por ordem de Darkseid, o Lump se esforça para roubar as memórias de Batman para implantá-las num exército de “Batmen”, que seria usado para lutar ao lado de Darkseid. Contudo, Batman carrega uma carga de remorsos, estresse, culpa e sofrimento tão grande que os clones não suportam isso em sua própria mente – e começam a arrancar os próprios olhos, se destruir e entrar em conflito interno. E depois disso acontece tudo que já lemos no texto da Crise Final.
Aos poucos, vemos os personagens reconstruindo suas vidas depois do desaparecimento/morte de Batman durante a Crise Final.

003Asa Noturna está resolvendo pendências deixadas desde “Descanse em Paz”. Seu acerto de contas com Duas-Caras é bastante intenso (achei engraçado como Asa Noturna é desdenhoso com Harvey e o compara ao Linus, um personagem do Snoopy que só anda com um cobertorzinho para se sentir seguro). Eles se odeiam desde que Dick era Robin, e essa rejeição mútua apenas cresceu com o passar dos tempos. Harvey promete uma coisa: ele tem grandes planos para Asa Noturna ainda. Grandes planos.
Dick Grayson, Alfred e Tim Drake tentam levar sua vida na Mansão Wayne de forma normal, mas agora sem a presença silenciosa porém vital de Batman. E embora todos tentem agir como se a vida continuasse, fica claro para nós que não é assim. Falta o essencial. Sobra silêncio. A lacuna que Batman deixou.
004A história chamada “Últimos Dias de Gotham” nos leva ao encontro de Millicent Mayne, uma atriz que vê sua vida ir do topo ao fundo do poço; é considerada “o rosto de Gotham”, por sua grande beleza e por ser uma benfeitora dos pobres de Gotham, até que Duas-Caras decide jogar ácido em seu rosto durante um baile de caridade. Duas-Caras está deixando a cidade mais caótica do que nunca na ausência do Cavaleiro das Trevas. E é hora de Dick Grayson ajudar. Ele está sobrecarregado, e ainda por cima desorientado pela ausência de seu professor e tutor. Quando Alfred lhe oferece um dos Batmóveis, ele recusa: “Não, obrigado. Eu… Eu não sou o Batman, e me sentiria estranho se dirigisse o carro dele.
006Grayson não se sente à altura de Batman. Ele se cobra demais, acredita que falha em absolutamente todas as suas decisões, não se acha minucioso o suficiente, vê falhas em seus planos. Sua mente está obscurecida, ele não está pensando direito devido ao que aconteceu com Bruce. E com o fato de ter que assumir responsabilidades que antes cabiam ao Morcego, falta a aptidão e experiência que tanto estamos acostumados a ver.

008

Com a ajuda providencial de Alfred, Dick decide… Tentar de novo. Em certo momento desse arco, Asa Noturna visita o Beco do Crime para rememorar o que aconteceu com Batman – sobre como a .45 automática de Joe Chill destruiu a vida dos pais de Bruce e destruiu todo o seu futuro, ditou como seria sua vida. É um trecho de uma carga emocional indizível. Ele é eternamente grato a Bruce por ter dado um futuro a ele no momento mais triste de sua vida.

Dick se enxerga em Batman. Ele também perdeu seus pais em circunstâncias trágicas. Ao acender uma vela no Beco do Crime, em memória dos pais de Bruce e de seus pais. E se lembra de outra vela que acendera, no juramento que fizera com Batman ao se tornar Robin, muitos anos atrás.

“A luz dessa vela foi um farol para a alma de um jovem garoto… Me permitiu ver um caminho sem egoísmo e devoção. Devoção com um bem comum. E essa luz deve brilhar não importando o que aconteça.”

É emocionante vê-lo atendendo o Bat-sinal convocado por Gordon (que ao longo das noites vem incessantemente deixando o Bat-sinal ligado, numa tentativa de estabelecer contato com Batman). Diálogo interessante travado entre Gordon e o Harvey Bullock:

H: “- Ele vai nos ajudar em algo?”
G: “- Ele não é o Batman.”
H: “- Certo. O Batman não usaria as escadas.”

007

Mulher-Gato está mantendo Thomas Elliot, o Silêncio, em cárcere privado, como vingança pelo que ele fez a ela no arco “Coração do Silêncio”. De início ele é confundindo com Bruce Wayne, o que poderia causar problemas para a Bat-família porque Thomas Elliot, embora tenha a aparência de Wayne, não tem nada do seu caráter. Ele faz uma participação interessante nessa história.
Outra participação notável é a de Ra’s Al Ghul, que quer saber dos lábios de Dick Grayson a verdade sobre a morte do “Detetive”. Ele considera a morte de Batman algo injusto, afinal, era ELE quem estava destinado a matar Batman. Ele diz para Asa Noturna, enfurecido: “Um herói do calibre do Batman não deveria perecer nas trevas. Um herói como Batman deveria ter sido assassinado na luz mais brilhante do dia para todo mundo ver.” (Realmente ele sabe como consolar as pessoas, não?)

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