#86 – Batman: Escuridão Profunda (“Batman: Renascido” – 7ª Parte)

Reborn

“Muitas coisas mudam. Cultura. Tendências. Massa corpórea. E pessoas… Pessoas mudam. Mas o Batman não. Ele é uma das poucas constantes do universo. O Batman não muda. Mas eu não tinha certeza… Até agora. Pois aqui estou! No interior do santuário! Uma caverna! A Batcaverna! Poético! Obscuro! Bela! Aqui era onde ele vivia! Mas agora ele se foi, e esse ponto está fechado! E o mais importante… Eu invadi. Ele nunca teria sido descuidado assim.”

Atenção, mortais. Deixamos o melhor para o final da coleção “Batman: Renascido”. Essa é a saga de estréia de uma nova era, de uma Gotham com um novo Batman. Bruce Wayne foi dado como morto, e após muitas lutas, discussões e argumentos, Richard Grayson assume o manto do morcego. O título original é “Long Shadows”, na tradução “Escuridão Profunda”, foi lançado em 2010.
A estréia nas primeiras páginas não parece ser boa, já que o Grayson entra apanhando, mas é claro que não dá pra julgar um livro pela capa (nem pelas primeiras páginas). O roteiro não é algo surpreendente. Digo, a “trama” não é daquelas que ao final você diz “Pelo amor das cabritinhas masoquequeisso”, MAS os diálogos, falas, caixas de pensamento pessoal… Isso sim merece prêmios, e no mais… É a primeira história de Dick Grayson oficialmente como Batman, que pra mim é cheat que conta ponto automaticamente.
De uma coisa podem ter certeza, o roteiro é ORIGINAL. Até porque, é um roteiro sem Bruce Wayne, se isso não for original em uma história do Batman, não sei mais o que é. E não vale citar a Queda do Morcego/Filho Pródigo, pois o Bruce estava VIVO, e no caso dessa história é “100% sem Bruce”.
E uma das coisas mais interessantes da saga é notar as diferenças entre o “Batman Bruce” e o “Batman Richard”, que são ressaltadas o tempo inteiro tanto nas preferências dos “detalhes” no uniforme e equipamentos quanto no método de combate ao crime nas ruas. Isso sim é lendário, diga-se de passagem uma das coisas mais incríveis, talvez o ponto principal de todas as sagas em que Bruce está ausente.
Acompanhar as diferenças entre eles deixa em evidência o quão marcantes são os personagens, e o quanto a personalidade e opinião dos dois são diferentes, mostrando assim o quanto cada um deles é único.
Uma equipe das boas entrou para produzir essa história de estréia, Judd Winick que já é burro velho em matéria de Batman, e Mark Bagley, um grande desenhista que passou um bom tempo nas histórias do Homem Aranha na Marvel, e sua participação na estréia do Grayson como Batman também foi sua estréia da série principal do Batman.
Peguem as lanternas, agora estamos sob “Escuridão Profunda”.

LINE

Equipe boa? Não. Equipe ÓTIMA. Pra quem não conhece Mark Bagley: o sujeito foi desenhista da revista “Amazing Spider-man” e da “Ultimate Spider-man” por bastante tempo, então é óbvio que Mark é já tem uma instrução nível NASA de qualidade pra fazer desenhos de movimentos largos, saltos, contorções, posições de alta flexibilidade e acrobacias. Sem dúvida um dos desenhistas mais apropriados para desenhar Dick Grayson. Fora que ele também foi o desenhista da segunda série da “Trinity” (Superman, Batman e Mulher Maravilha).
001-1E o Judd Winick… Eu dispensaria os comentários que farei, mas a lista é tão interessante que merece vir a tona. Ele foi o responsável do retorno do Jason Todd, a transformação dele em Red Hood, também foi ele quem fez o casamento do Arqueiro Verde com a Canário Negro.
Eu colecionava a Ultimate Spider-man desde o dia de lançamento aqui no Brasil, e foi uma decepção quando vi que o Mark deixou de ser o desenhista. Mas a decepção virou surpresa alguns anos depois quando vi que o cara entrou como desenhista na série mensal do Batman, logo a história de estréia do Dick como Batman, a primeira da melhor época das histórias do Batman na minha opinião. Raramente tenho boas surpresas com a DC, essa foi uma das raras e super positivas.
O melhor da saga é ver a adaptação de um Asa Noturna para se tornar um Batman. Ele acertando abertura dos olhos da máscara, peso da capa… Não, ele não é o Edney Silvestre. E não, ele não é tão “meticuloso”. Lendo a história vão entender que certos detalhes que encaixam pro estilo de combate do Bruce, não batem pro estilo de combate do Grayson.
000As primeiro a páginas do novo Homem Morcego já trazem o Batman apanhando dentro da Bat-caverna. Que furo hein, Sr. Grayson, estreou levando porrada. Porradas sob um discurso que ficará um tanto batido um tempo a frente disso, em outras sagas posteriores, pois bateram muito nessa tecla de “o novo Batman” ser um “falso Batman”, pois o original é insubstituível.
Palhaçada, né. Apesar de termos fãs e leitores aqui que talvez concordem com isso, deixemos essa visão xiita de lado, pois o melhor leque que a DC poderia ter aberto nas histórias foi essa mudança generalizada, onde mudou-se em uma só tacada Batman, Robin e Batgirl.
Gryason apanha até cair sob a vitrine onde estava um dos uniformes mais tradicionais de seu pai e mentor, Bruce Wayne. Uma queda um tanto simbólica.
007A história muda de tempo e voltamos para as ruas de Gotham, onde Batman exerce as palavras do juramento feito na caverna. A narrativa da repórter fala sobre as “mudanças” de estilo do Batman, que pra eles ainda é o mesmo de sempre. Segundo as informações da repórter, vídeos do Batman eram raros e acreditava-se que o próprio Batman desabilitava as câmeras de segurança dos locais por onde passava, já esse… Se deixa ser filmado prendendo gangues inteiras.
Como a própria história diz, as cenas do crime ficam tão limpas que fica tudo mastigado pra polícia, ficando mais “rápido” pras leis funcionarem também, dando uma aberta impressão de que esse Batman está do lado da policia e que é SIM uma ajuda pra sociedade. Até mesmo o Pinguim, um dos maiores prejudicados pelo novo Morcego, reconheceu que antes o Batman era “um pouco cuidadoso”, e que esse parecia trabalhar pra mídia.
gordonOutro que sentiu a mudança foi o Comissário Jim Gordon. Junto com outro policial, por dias ele ia ao terraço só pra acender o bat-sinal e desligar. O policial questionou a razão disso, Gordon retrucou que era só pro Batman saber que eles estavam ali, e se mostrando um tanto entendido do que costuma a ocorrer ali no terraço, ele lembrou que geralmente Gordon encontra com o Morcego sozinho, mas Jim encerra o papo principal dizendo que o Batman “agora não ligaria pra isso”.
No bat-bunker, temos Dick Grayson reclamando do campo curto de visão que a máscara do morcego oferece, e do peso da capa que já foi diminuÍda 3x e ainda continua parecendo uma lona de circo. É citado por Alfred (sempre observador) que o estilo de luta do Grayson é mais aéreo, coisa que o do Bruce não era, e Grayson na revolta diz que não vai mudar o jeito de lutar por causa da roupa. Alfred apresenta a solução de mudar alguns materiais da roupa por outros mais leves porém não menos duráveis.
005É uma das partes mais ricas da adaptação. Nunca em momento algum foi apresentado esse tipo de questão. Bruce estava acostumado com aqueles uniformes e equipamentos, mas e alguém que viesse depois? Nada disso foi abordado quando Dick Grayson assumiu o manto no Filho Pródigo, mas agora… Temos um roteiro hiper realista onde foi lembrado que as pessoas não são iguais. Winick merecia uma medalha.
002Primeira participação de Damian foi em um treinamento com Grayson, de madrugada no bunker. Apesar do garoto ter sido treinado pela Liga dos Assassinos… ainda é um garoto diante do grande Asa Noturna, que é um guerreiro com experiência suficiente para ser o que é agora, o Batman.
A cena seguinte é o Duas-Caras e um capanga que ele julga ser mais inteligente que os demais, um tal de Benny. O plano é simples… Kill the Batman. Brincadeira? Na verdade nem tanto, mas isso seria a consequência final do plano, na verdade a ideia era por esse “falso Batman” atrás do Pinguim.
Como vocês sabem, o Duas-Caras e o Pinguim tem uma eterna richa por territórios do submundo, que já se estendem desde o “Terra de Ninguém”, e mais recentemente na “Batalha pelo Manto”.
004Temos mais uma investida do Homem Morcego em um antro de safadeza criminosa, e mais uma vez o Duas-Caras fica de olho. Não só de olho, mas também muito incomodado com o fato desse Morcego falseta sorrir demais.
Dick e Alfred tem conversado muito no bunker, eu estou lhes poupando dos detalhes, mas adianto que o Winick fez um trabalho de MESTRE. Como eu disse na introdução desse texto, a trama pode não ter sido a melhor, mas os diálogos merecem prêmios. Não estragarei a surpresa, até porque ler isso sem ver os desenhos do Mark Bagley junto não dá o mesmo ar.
O que posso dizer… O Comissário, a Polícia, o Alfred, todos estão adorando o novo Batman.
Pinguim bate um papo com Máscara Negra, que o incentiva a se tornar o novo rei do crime em Gotham, e lhe apresenta um soldado que foi vítima de experimentos do governo, uma máquina de guerra, um louco varrido super forte pra ajudar nessa empreitada.
003Nessa cena da conversa podemos ver um colorido que se assemelha bastante com o do Sandu Florea, que geralmente trabalha com o Tony Daniel. Um colorido forte onde todas as cores são bem definidas, sem parecer que tudo leva uma camada de alguma outra cor por cima de forma geral. Na verdade, esse é um estilo mais moderno de colorir. Há histórias onde tudo é puxado pro cinza, outras em que tudo é puxado pra sépia… E tem essas que tudo tem cores bem distintas.
Bom? Ruim? Depende da proposta da história, para uma dessas está ótimo. Ser colorido demais não bateria bem pra uma… Batman/Deathblow por exemplo, que ficou claramente puxado pro sépia, dando uma aparencia de… “quente”, ou papel amarelado igual aquelas bordas de uma folha que quase queimou. O que encaixa perfeitamente com a trama da Batman/Deathblow, uma vez que o caos principal é em torno do pirocinético Maxwell Kai.
008Voltando a história, Dick dá um exemplo do que esse novo (e horrível) Batmóvel pode fazer. Coisas como voar e apagar incêndios igual um caminhão de bombeiros voador. Durante esse papel de combatente de chamas, Batman dá de cara com o tal super soldado do Pinguim, e pra piorar tudo, também com o Cara de Barro.
Dick Grayson leva umas boas porradas, tem que usar alguns quilos de explosivos, bombas e um bom número de golpes, mas consegue sozinho derrubar o super soldado “Blanco” (que de alguma forma faz lembrar o Deathblow que citei há pouco). Mas havia mais gente envolvida naquela história, observando a luta ao longe.
012Alfred vê em seus sistemas que aconteceu uma invasão. Não no bat-bunker, mas sim na caverna. Pra quem se perdeu nesse rolo entre caverna e bunker ai vai a explicação: o Grayson não queria usar a mesma base do Bruce, preferiu começar em outro lugar, um bunker. A caverna ficou com tudo lá, intocado.
Grayson chega rapidamente na caverna para ver o que aconteceu, mas não encontra ninguém. Pelo menos não a princípio, apenas uma coisa que simbolicamente ficou incrível. A moeda gigante que Bruce mantinha na caverna estava descoberta, e com uma das faces riscada. Quem é que usa uma moeda com um dos lados riscado? Quem acertar vai ganhar um… “Não fez mais que sua obrigação como fã de Batman”. Isso ai, o Duas-Caras.009
Ao passar pro outro lado da moeda para ver os riscos, Grayson é atingido por dardos com algum alucinógeno, e então Harvey dá as caras (AS caras, literalmente) e então ele fica com uma aparência que é uma mistura do primeiro uniforme do Batman com o do Batman de Zur En Arrh. E a questão abordada por ele era simples. “Quem é você? Onde está o verdadeiro Batman?”.

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