#58 – Quadra de Lama (Cara-de-Barro)

Oi!
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Hoje no Batman Guide teremos mais um dos vilões que apareceram no jogo “Batman- Arkham City”. Assim como boa parte dos personagens, ele tem várias identidades ao longo da cronologia do Morcego – “várias” mesmo, pois ele assume 8 identidades diferentes. Mas fique tranquilo, vou explicar certinho pra ninguém se perder com esse monte de barro 😉
Cuidado para não ser pego pela “Quadra de Lama” (The Mud Pack, roteiro de Alan Grant e arte de Norm Breyfogle e Steve Mitchell, 1989)!

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A HQ de hoje foi a melhor que encontrei para explicar o Cara-de-Barro para vocês, pois como o título sugere ela traz os quatro primeiros “Cara-de-Barros” reunidos em uma história só. Antes de começarmos a falar do roteiro dela, veremos uma pequena biografia de cada um dos personagens (e depois do fim do roteiro, uma rápida passagem pelas outras 4 pessoas que assumiram o papel do vilão).

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FClayIBasil Karlo é um ex-ator de cinema de filmes de terror. Ao descobrir que não seria mais o ator principal do filme “O Horror”, ele enlouquece – e mata todo o elenco do filme usando a máscara do vilão “Cara-de-Barro”. Enviado para o Asilo Arkham, ele nunca abandona sua paranóia a respeito de filmes de terror. Ele foi quem protagonizou o Cara-de-Barro na série “Asilo do Coringa“, e também é ele quem aparece no jogo Batman – Arkham City. É chamado de Cara-de-Barro “original”.

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FClayIIMatt Hagen era um caçador de tesouros que encontrou uma piscina radioativa de protoplasma (o líquido contido nas células vegetais ou animais) e achou que seria divertido dar um mergulho nela. Mas ao invés de ficar molhado, sua composição genética alterou-se para uma forma flexível e maleável à base de barro, que podia transmutar-se para qualquer forma que quisesse. Entretanto, essa transformação iria necessitar que ele fosse periodicamente à piscina de protoplasma para que conseguisse manter seus poderes (lembra um pouco o Poço de Lázaro do Ra’s Al Ghul), então ele copia a fórmula da piscina para se regenerar (embora ela não funcione tão bem quando a piscina original de protoplasma).

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FClayiIIO mais interessante – e amedrontador – dos Cara-de-Barro. Alan Moore escreveu uma história sobre ele chamada “Barro Mortal” que consegue transmitir o verdadeiro desespero da história de Payne (Clique aqui para baixá-la). Preston Payne nasceu com acromegalia ou “gigantismo”, que é uma síndrome causada pelo excesso de produção do hormônio do crescimento (GH). Ela causa, entre outros sintomas, o crescimento do esqueleto e dos tecidos moles, além de outras alterações metabólicas. Quando cresceu, tornou-se um cientista, para tentar curar seu problema. Em seus estudos, visita Matt Hagen na prisão e recolhe uma amostra de seu sangue, e isola uma enzima que é responsável pela maleabilidade do corpo do Cara-de-Barro II. E decide que seria interessante injetá-la em si mesmo. Ao encontrar-se com sua namorada, faz com que ela vire um poço de protoplasma – e começa a acontecer o mesmo com todos em que encosta. Por isso, constrói uma espécie de traje para que não derreta mais pessoas. Mas ele sente dor quando não derrete ninguém, por isso eventualmente precisa destruir algumas pessoas periodicamente – o que o levou a ser inernado no Arkham. E para completar o pacote de bizarrices, ele encontrou Helena, uma alma-gêmea imune ao seu poder. Seria lindo, se não fosse o fato de que ela é uma manequim de cera dessas de loja de departamento.

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FClayIVFinalmente, uma dama feita de barro. Ela foi criada pelo criminoso Kobra, de quem era agente, e o uso de alta tecnologia permite que ela se transforme ilimitadamente. Ao contrário de Matt Hagen, não precisa de um repositório de protoplasma: seus poderes são duradouros.

Ela pode se manipular para se transformar em qualquer objeto ou pessoa próxima, independente da constituição física da pessoa. Ela também pode adquirir provisoriamente os poderes de quem ela está se transformando.

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Feitas essas considerações, vamos para o roteiro de “Quadra de Lama”:
Começamos com Preston Payne rompendo seu “relacionamento” com Helena, porque ela é muito… gelada com ele. Num acesso de fúria, ele destrói o manequim – que era a única coisa que o mantia controlado dentro do Asilo Arkham. Ele não consegue ser contido pelos policiais do sanatório, e foge enlouquecido. Batman é convocado para dar conta do recado.
Enquanto isso, Basil Karlo está analisando as produções cinematográficas de terror atuais. E está realmente indignado.

“Motoserras, zumbis e vísceras… Isso não é horror! É náusea… Enjôo… Exploração barata! Essa gente só pensa em dinheiro, enquanto a arte se afoga! No meu tempo, não era assim! Nós entendíamos sobre horror, horror verdadeiro! Eu já deixei milhões fascinados com uma única balançada de minha capa! As mulheres ficavam aterrorizadas quando eu levantava uma sobrancelha! […] Os monstros não são mais seres das sombras que habitam os recônditos obscuros da mente! Hoje, eles não passam de efeitos especiais que saem das telas como arco-íris!”

002Ele está se dirigindo a um teatro vazio, onde é perseguido por dois assaltantes – pobres infelizes que vão comer capim pela raiz agora. Preston está vagando por Gotham, lamentando a tragédia de ter destruído seu verdadeiro amor. Sondra trata de desacordar todos os policiais que estão atrás de Payne, e através de telecinese leva o marido de Helena para o que parece ser o Encontro Anual de Criaturas Modificadas pelo Barro. Basil está revivendo Matt.
Eles se reunem, fazem uma pequena apresentação e apresentam seus modestos objetivos:

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#44 – Batman: O Nascimento do Demônio (‘Trilogia do Demônio’ – 1ª Parte)

A maior e última inimiga da raça humana. A delinquente sem piedade que sempre está espreitando as proximidades, pronta para levar todos que nós amamos. A zombadora de todos os nossos sonhos, esperanças, aspirações, nossa cruel mestra. Morte. Como eu odeio a morte.

Olá!
Hoje vamos ter no Batman Guide uma HQ que, particularmente, me deixa muito impressionada. Ela traz a história do nascimento de um mito: o vilão Ra’s Al Ghul. Ele é um dos vilões mais perversos de Batman. Vale lembrar que essa é a primeira parte de uma trilogia sobre as relações estabelecidas entre Batman e Ra’s Al Ghul. Mas primeiro vamos saber como aconteceu “O Nascimento do Demônio” (Batman: Birth of the Demon, roteiro de Dennis O’Neil e arte de Norm Breyfogle, dezembro de 1992)!

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A HQ começa com a intervenção de Batman em um cenário deserto. Ele detém o que seria a escavação de um poço. Em seguida, vemos um médico dando um prognóstico extremamente ruim à Talia, dizendo que a saúde de seu pai pioraria progressivamente se ele não recebesse um banho regenerativo – um banho no poço que Batman impedira de ser escavado.
06 Bruce descobre que um desses poços, que garante a longevidade se seu inimigo, está no norte da África, e se dirige para lá para impedir que o poço seja construído, como fizera por tantas outras vezes. Por que tanto esforço, por que a regeneração de Ra’s Al Ghul causa tanto temor a Bruce Wayne?
Ra’s tem um plano. Ele quer simplesmente destruir metade da humanidade – e dominar a outra metade num governo tirânico, de maneira cruel e impiedosa. E quando Batman encontra Talia, a história desse vilão é contada. E, aliás, esse é um detalhe que deixa a HQ muito mais bonita: seu tom de história antiga, de conto das 1001 noites. O conto começa dessa maneira:

Este é um tempo de loucura. É um tempo de misturar coisas que deveriam para sempre permanecer separadas. Pois ao meio-dia a luz morreu e a escuridão reivindicou o oásis, e agora o céu ralha e se divide, e irregulares lâminas de luz cortam a terra abaixo, e o próprio deserto se ergue e cavalga o vento gritante derrubando qualquer coisa em seu caminho. Assim o dia assume a aparência da noite. A água e a areia aliam-se.
Agora, veja. Do turbilhão de insanidade de um mundo em tormenta vem um homem. É um eremita, que durante estes últimos quarenta anos tem vivido sozinho em um lugar sem misericórdia.
Alguns dizem que ele é um profeta. Alguns dizem que ele é um demônio. Todos dizem que ele há muito tempo abandonou aquilo que faz de uma criatura um ser humano.

04-1O passado de Ra’s Al Ghul esconde um cientista com habilidades para a medicina (lembra um pouco Thomas Wayne, não?). A época era a das Cruzadas. Um dos filhos do Sultão estava à beira da morte, e então Ra’s tem um sonho em que, ao mergulhar-se em um lago conectado diretamente com a terra, ele consegue vencer a maior inimiga de todas: a morte. Então, utilizando-se de dosagens específicas de aços, venenos e a energia mística que sentia da terra – elementos que, combinados, transformam-se em agentes de cura – ele cria o tal poço. O Poço de Lázaro. E lá o filho do Sultão é mergulhado. Mas a criatura que surgiu do poço… Não era normal, não era natural.

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05Era uma criatura doente, violenta, e matou a esposa de Ra’s. O Sultão, temendo que seu filho fosse incriminado pela morte da mulher, acusou o próprio Ra’s de ter matado sua esposa.
A punição dada ao médico foi mantê-lo por um mês numa gaiola com a mulher morta, junto a outros presos num buraco cavado no meio do deserto. Esse foi o derradeiro dos acontecimentos que transformou a mente do vilão, deturpando-a. Ra’s se alia a caravana de seu tio para planejar sua sórdida vingança. Mas depois de sua vingança, ele se sente tão vazio e doente, como se sua maior inimiga se aproximasse. E decide, ele próprio, mergulhar no Poço. Proclama-se O Cabeça do Demônio. E parte em viagem pelo mundo, transformando-se em estadista, mercador e fazendeiro – e recorrendo sempre ao Poço de Lázaro quando sua energia vital ameaçava abandoná-lo.

07Ele e Bruce tem conexões parecidas: perderam parte da família, sentindo-se como se tivessem perdido tudo que importava. Mas enquanto Bruce procurou se focar nas boas lembranças que tinha e no que havia aprendido de importante, Ra’s se focou em suprimir as boas memórias e dar vazão à sua fúria. Ele é um homem que está “vivo” há séculos. Como Batman pode lidar com um inimigo imortal? Ele é uma ameaça constante, inabalável, perto de ser indestrutível. A criação do próprio personagem se centra na morte; como enfrentar algo imortal? Batman precisa abrir uma exceção à sua regra de “não matar”.

08Batman quer destruir o acesso de Ra’s Al Ghul ao Poço de Lázaro, impedir que ele fique nessa transição de morte-ressurreição e possa dar lugar ao curso da natureza. Então Batman e Ra’s travam uma batalha em que um dos dois tem que morrer. Ou os dois. As cenas da batalha final entre os dois é de tirar o fôlego.

É necessário prestar atenção na forma como Batman e Talia se tratam, isso será importante em breve.

É importante destacar também a arte dessa HQ. É uma das mais belas que já vi, com o uso abundante de cores quentes em contraste com as frias. As ilustrações são de uma riqueza que poucas vezes pude observar. Os closes nos rostos transparentes da emoção que o personagem está sentindo, os momentos de fúria ou de dor evidenciados para o leitor. Enfim, é quase literatura em quadrinhos.

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É isso. Espero que tenham gostado do texto! Boa leitura!

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#33 – Robin: A Lenda Renasce

Oi!
No último post apresentei para vocês o personagem de Tim Drake. Ele apareceu como um menino esperto que descobriu sozinho toda a verdade sobre Batman e Asa Noturna, e tentou convencer Dick Grayson a voltar a atuar como Robin. Diante das negativas, pediu a Batman uma chance de atuar como Robin. Ele negou no momento, mas aceitou tentar aceitar Drake para o papel.
A HQ de hoje é um encadernado que foi lançado pela Abril em 1992 mas tornou-se um pouco rara de encontrar para comprar. É nela que vamos encontrar o desenvolvimento de Tim Drake, sua evolução e crescimento. E, como o título sugere, a ascensão de um herói.
Fique com a leitura de “Robin: A Lenda Renasce” (Robin: A Hero Reborn, roteiro de Chuck Dixon e Alan Grant e arte de Norm Breyfogle e Tom Lyle, publicada em 1992 no Brasil).

O garoto Drake tem uma grande necessidade de se superar, de superar seus medos. Sua mãe morreu e seu pai está em coma. Para alguns garotos, isso poderia ser motivo suficiente para se perder no caminho, mas não para ele. Ele é um garoto inteligente e dedutivo, extremamente benevolente. Mas ainda assim, o Cavaleiro das Trevas está hesitante em deixar Drake participar – ainda mais depois do que aconteceu à Jason Todd.
A cidade está sendo assolada por um assassino misterioso, mascarado, de quem ninguém suspeita a identidade. Batman é designado para encontrá-lo, mas, apesar da insistência de Drake, ele não se utiliza da ajuda de Robin nesse trabalho. Isso obviamente frustra o menino, porque ele tem razões pessoais para querer ajudar e, assim, superar seus medos e ser digno na confiança de Batman. É necessário estar preparado, ter calma e paciência para ser Robin.

Além disso, a imagem dos dois Robin anteriores paira incessantemente sobre a cabeça de Drake: o primeiro, tão bem sucedido que saiu em carreira solo, e o segundo tão devotado que foi capaz de morrer em serviço. E se ele não estivesse preparado? E se ele manchasse a imagem de Robin, um manto que carregava tanta importância?
Tim Drake parece ser o mais investigativo e inteligente dos Robins. Consegue utilizar as tecnologias disponíveis da Batcaverna a seu favor, cruzando informações de maneira brilhante na ausência de Batman. E através dessas pesquisas, ele acredita chegar à identidade secreta do assassino. Ele havia recebido ordens expressas de Batman para não se envolver e para ficar na Batcaverna durante sua ausência. Mas ao mesmo tempo, se sua pesquisa e intuição estivesse certa, Batman teria ido direto sozinho para uma armadilha que poderia lhe custar a vida… E então, o que fazer? Obedecer as ordens de seu futuro mentor e permanecer na Batcaverna, o que lhe garantiria pontos a mais na sua tentativa de se tornar Robin, mas o mesmo tempo deixar Batman ir direto para uma armadilha?

Ou arriscar sair para desvendar sozinho o mistério do assassino, correndo o risco de estar errado e, em consequência disso, arruinar totalmente qualquer chance de ser o terceiro Robin? O que você faria, no lugar dele?
Uma coisa interessante de se notar nessa HQ é a excelente relação que se estabelece entre Drake e Asa Noturna. É como uma relação de irmãos. Isso se dá porque Drake consegue o respeito, ele MERECE, por ser tão nobre e inteligente.
O papel de Robin é importante para Batman. Quando Batman está sozinho, ele se torna duro, quase ficando cego pela sua raiva. A presença de um sidekick o torna mais afável, mais ponderado e razoável.
Nessa HQ, vemos como um Drake, um homem comum, luta com seus medos, controla suas angústias, desafia sua própria zona de conforto e… se torna um herói.

Boa leitura!

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