#79 – Batalha pelo Manto: Especiais

Olá!
Paralelamente à publicação mensal de “Batalha pelo Manto”, foram lançadas 6 one-shots e 2 minisséries contando a repercussão desses eventos no restante do mundo do Morcego – o que aconteceu no asilo Arkham? Como Oráculo reagiu? E o Comissário Gordon? E os heróis que ficaram para tentar proteger Gotham?
Elas foram depois compiladas num encadernado chamado “Battle for the Cowl: Companion”, e é sobre elas que eu venho falar hoje! Boa leitura!
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Oráculo: A Cura
(Oracle: The Cure, roteiro de Kevin VanHook e arte de Julian Lopez, maio-julho de 2009)

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Começamos com a minissérie em 3 edições de “Oráculo, a Cura”. Lindas capas de Guillem March.
Enquanto se estabelece num novo apartamento, Bárbara Gordon está procurando por maiores informações sobre a Equação Anti-Vida. Enquanto isso, ela faz valiosas reflexões sobre sua paralisia e o fato de que, tantos anos depois do crime cometido por Coringa, ela ainda sinta as pernas às vezes.
Ela conta com a ajuda de outra super-hacker apelidada de Demônio de Queijo. Elas encontram uma pista: um homem num jogo virtual parecido com Second Life diz ter o que falta para que o mistério da Equação Anti-Vida seja solucionado. Mas era uma armadilha.
Charles Babbage é o Calculador, e também está atrás da Equação Anti-Vida para acordar sua filha do coma. No jogo ele simula a representação em cristal dos fragmentos que encontra da Equação, antes de criar sua contraparte na vida real. Ele tenciona eliminar sua rival (Bárbara) de seu caminho, e faz isso usando sua amiga para atingi-la – de uma forma que não fica muito clara no arco, parece que as ações feitas ao avatar no jogo também acontecem com quem está controlando, baseado em algum sistema de estrondo sônico. Esse arco é um pouco confuso mesmo.
Fazendo vista grossa para alguns elementos que não se conectam, é interessante observar Oráculo em ação. Ela é realmente muito habilidosa, como nós sabemos. Vê-la em ação é excepcional. O Calculador acaba traçando uma rota até seu outro ajudante, Lary Rand – um rota mortal. E Bárbara Gordon é o próximo alvo. Tudo para encontrar a Cura para sua filha Wendy. Não importa quem morra no caminho.
Para quem gosta de alta tecnologia, esse arco será interessante. A arte peca em alguns momentos, a despeito das incríveis capas. E posso dizer que termina de uma forma um tanto quanto cruel.

Azrael: Cavaleiro das Trevas da Morte
(Azrael: Death’s Dark Knight, roteiro de Fabian Nicienza e arte de Frazer Irving, maio-julho de 2009)

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De antemão o nome na capa diz muito sobre a HQ: Fabian Nicienza, habilidoso roteirista de Asa Noturna e Robin.
Um justiceiro anuncia a um suposto tira à paisana que a justiça de Deus chegou a Gotham – amparada por uma espada de fogo, que é brandida na frente do refém. Ele serve a justiça de Deus. Jeitinho estranho esse de servir a Deus, decepando a cabeça dos outros com uma espada flamejante. Ele está a serviço de um padre, mesmo que para isso precise matar e encher sua alma de pecados. E ele carrega tantos… Como ter ajudado a matar Batman.
Nesse arco conhecemos a história de Henry Mitchell, um policial com um histórico conturbado e que perdeu todos os membros da família de maneira trágica. Um homem fragilizado… Um candidato perfeito. Você se lembrou desse nome? Caso tenha lido “Descanse em Paz”, se lembrará que ele foi um dos três policiais que participaram do programa secreto entre o exército e o DPGC para criar um substituto do Batman. E nesses três policiais o efeito desse treinamento foram devastadores, induziram os três a psicoses. Ele parece ser o único sobrevivente. O candidato perfeito.
Um novo Azrael.
Essas pessoas misteriosas alegam que um objeto chamado Manto das Lamentações foi roubado da bat-caverna. Então repassamos a história de Azrael como a conhecemos: um anjo de vingança da Ordem de São Dumas.
Azrael recebe a ordem de pegar o Manto das Lamentações que havia sido devolvido à bat-caverna. E ele fará isso. Para expurgar seus pecados. Para limpar sua alma para o caminho de Deus.

Comissário Gordon: Um Dia Frio no Inferno
(Battle for the Cowl: Companion – Commissioner Gordon: A Cold Day in Hell, roteiro de Royal McGraw e arte de Tom Mandrake, maio de 2009)

LINE003 Não é a toa que o Comissário Gordon é um dos meus personagens preferidos. Numa análise corrida e superficial, me arriscaria a dizer que ele é uma versão do Morcego com menos poder aquisitivo e militar.
Senhor Frio está mantendo Gordon refém. Como chegamos até aqui? Victor Fries tem essa mania de conseguir o que quer (o que fica fácil quando se tem uma arma congelante à sua disposição). E não obstante manter Gordon refém, Frio ainda faz terror psicológico com ele. Ele também sofreu muitas perdas em sua vida. Sua filha amada perdendo os movimentos das pernas e ficando presa numa cadeira de rodas para sempre, por causa de Coringa. Sua segunda esposa levando um tiro na cabeça, também de Coringa. E como se não bastasse, perdeu seu maior aliado, Batman. Quantas coisas mais ele pode suportar?
Sabendo disso, Frio quer dar uma lição em – um protocolo que vai congelar a cidade inteira. E isso será possível porque o seu maior protetor sumiu. A não ser que alguém com quase tanto poder de fogo quando Batman possa impedir. Alguém que sempre deu o sangue por Gotham. O senso de justiça de uma pessoa que representa o braço incorruptível da polícia da cidade.

Asilo Arkham: O Lugar Onde A Beleza Repousa
(Battle for the Cowl: Companion – Arkham Asylum #1: The Place Where Beauty Lies, roteiro de David Hine e arte de Jeremy Haun)

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Jeremiah Arkham está vendo os destroços do Asilo Arkham, agora reduzidos a um miserável edifício em escombros – o trabalho da sua vida, agora acabado. Ele decide andar pelo lugar para se certificar de que ninguém ficou preso nos entulhos. Ele sempre tratou seus presos com o máximo de humanidade possível.
Mas ele começa a visualizar os presos como se estivessem lá realmente… A loucura das paredes do Asilo Arkham atingiu o seu administrador? Ao longo desses anos, Arkham tem dançado à beira da loucura. Eles começam a acusar Jeremiah, questionando sua capacidade de gerenciar o manicômio.

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#66 – Capuz Vermelho: Dias Perdidos

“Meu pai estava certo. Eu liberei uma maldição sobre o mundo.”

Oi!
O último post do Batman Guide foi com o arco “Sob o Capuz”, em que lemos o reencontro de Batman com Jason Todd, renascido dos túmulos devido a uma alteração na realidade provocada pelo Superboy Primordial, no contexto da Crise Infinita.
Mas as informações ficaram meio “jogadas” nesse arco. O responsável por esse retorno de Jason Todd, Jude Winick, explicou que essa ausência de informações devia-se ao fato de ele estar muito mais interessado no fato de trazer Jason de volta à vida e o quanto isso iria afetar o Batman do que explicações mais complexas para a ressurreição do personagem. Winnick estava muito ansioso para fazer o personagem, e de criar uma enredo em que ele enfrentasse Batman usando as habilidades que ele mesmo lhe ensinara. Leia aqui uma entrevista que ele concedeu ao Comic Book Resources a respeito de Jason Todd.  Assim, a edição de Batman Annual #25 (presente no arco Sob o Capuz) gerou bastante controvérsia por ter explicado a ressurreição de Jason de maneira quase superficial, meio confusa.
Restou um monte de dúvidas: mas como assim, ele simplesmente levantou e saiu do coma? Se seu corpo estava todo lesionado, se sua mente estava fragmentada, como ele conseguiu se reestabelecer e voltar a lutar? Onde esteve, até ser encontrado por Talia? Como foi o período em que Talia cuidou dele? Ra’s Al Ghul aceitou sua presença sem questionar?
Todas essas questões você vai descobrir lendo “Capuz Vermelho: Dias Perdidos”! (Red Hood: The Lost Days, roteiro de Judd Winick e arte de Pablo Raimondi, agosto de 2010 a janeiro de 2011).

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001Começamos com Ra’s Al Ghul ameaçando Talia por ela algo terrível que ela fez. Nós sabemos que o Cabeça do Demônio a ama muito, então não estaria tão mortalmente nervoso por algo banal. Ele a está culpando por ter soltado uma maldição no mundo.
A cena volta para um flashback de anos atrás. Talia é orientada a resolver alguns problemas de Ra’s Al Ghul que envolveriam Bruce Wayne, mas sem se envolver pessoalmente com ele. Quando é informada que Jason Todd morreu num acidente, ela fica bastante sensibilizada, principalmente pensando nas emoções de Batman. Em Gotham, descobrimos que ela colocou uma equipe para monitorar os passos de Jason Todd.
002Depois de ter fugido da casa de repouso onde ficou internado por 5 meses, ele foi viver nos esgotos. Atualmente, ele está meio morto, tem traumas graves, queimaduras de uma explosão, mas… Continua vivo. Ra’s Al Ghul deseja saber como ele pôde ressuscitar dos mortos, e sair sozinho do caixão em que estava. Pede que Talia comande as investigações. A capacidade física dele não é problema, ele a resgatou, mas as habilidades mentais ainda estão deterioradas, como um efeito autista causado pela lesão no cérebro. Quando ele é atacado, ele reage se defendendo e derrotando o oponente, mas nunca quando Talia o ataca.
003Apesar desse laço emocional que os une, Jason não é capaz de falar ou de expressar emoções, apesar de derramar uma lágrima triste quando Talia o fala do quanto Bruce está arrasado e destruído depois de perdê-lo. De qualquer forma, ele não está fazendo grandes progressos mentais. Ra’s Al Ghul se irrita porque a investigação de Talia não está avançando, e ele tampouco acredita que Todd poderá se recuperar um dia e revelar os segredos de sua ressurreição, e se irrita pelo fato de que Talia estaria cuidando de Jason apenas para conseguir tocar o coração de Batman. Então estabelece que no dia seguinte ele iria embora da mansão, para ser cuidado em outro lugar. Talia não pode aceitar isso.
004Então joga Jason no Poço de Lázaro.
A carta que deixa para ele é muito bonita, começam a ficar claros os motivos pelos quais ela se apegou tanto a Todd. E por que ela o está tornando imortal. Ela acredita que ele tem um destino a cumprir, e que se até agora esse mesmo destino o auxiliou a chegar até ali, ele não deve ser interrompido. E, mais do que uma forma de não atrapalhar o curso do destino, ela a jogou no Poço de Lázaro por amor. Depois do Poço, ela o jogou de um penhasco, lançando-o à água com um kit de sobrevivência, uma grande quantidade de dinheiro e a carta em que explicava o caminho dele até ali. Ra’s Al Ghul fica profundamente nervoso ao tomar conhecimento do fato de que ele havia sigo jogado em sua fonte da imortalidade.

“- Esse Jason Todd é uma entidade desconhecida. Não conhecemos a força que o mandou de volta do além. E você lhe deu poderes pela natureza do poço.
– Lhe devolvi sua vida.
– Não. Apenas liberou uma praga. Eu vivo dentro do poço. E conheço o que queima dentro de meu coração.”

005Foi a partir desse momento em que foi jogado no Poço que ele recuperou suas memórias em sua forma integral. E quando fica sabendo, através dos jornais, que Batman não matou Coringa depois de Coringa tê-lo condenado à morte, ele fica inconsolável. Extravaza sua dor através da violência. Jason Todd é um homem que carrega muita dor e sofrimento em seu coração. Ele não consegue entender porque Batman permitiu que Coringa continuasse vivo após ter sido responsável pela sua morte – e para outros inúmeros assassinatos, ferimentos, roubos, mortes de pessoas próximas. Mas, independentemente disso, ele está de volta… Para fazer o que precisa ser feito. Seu destino é Gotham.
xxEle adquire armamentos militares, fuzis, supercomputadores. Quer atacar Batman, mas não há jeito de penetrar a mansão Wayne. Decide se utilizar do Batmóvel, com as informações que tinha na época em que era Robin – O Batmóvel, que havia sido sua porta de entrada para o mundo de Batman. Ele explodirá o Batmóvel, com Batman dentro. Batman, o hipócrita, que se recusou a matar o monstro que os separou. Seria simples, apenas explodir o carro, e ele seria vingado… Mas na última hora, desiste. Seria muito fácil. Era necessário que Batman soubesse porque estava morrendo, que se arrependesse. Seria necessário planejar cada passo do seu ato de vingança. Jason queria matá-lo, com suas próprias mãos. Jason queria que ele estivesse olhando em seus olhos, quando partisse desse mundo.
007Ra’s Al Ghul estava certo. Ele se tornara um monstro. Talia havia libertado uma maldição sobre esse mundo.
Mas Jason não foi treinado para matar. Contrata um homem que o ensina a lidar com produtos químicos. Contrata um franco atirador que passa três meses o ensinando técnicas de assassinato, mas Jason descobre, através de suas grandes habilidades, que ele está envolvido com tráfico de meninos menores de idade. Tráfico de escravos chineses, talvez tailandeses. Ele não poderia permitir isso… O mundo não seria um lugar pior sem ele, ele não fará falta a ninguém. Jason acredita tem toda a energia, decisão e a mentalidade que faltam a Batman. Jason não tem medo de fazer o que é necessário. Batman tem medo de fazer o trabalho de verdade que vai resultar no que é realmente necessário – na maior parte das vezes, a morte daqueles que nada acrescentam à sociedade.

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