#81 – Red Robin: O Graal (“Batman: Renascido” – 2ª Parte)

Reborn

“Ele está vivo. Bruce está vivo… Ele está por aí em algum lugar. Eu sei que ele está. Eu sei que estou certo. Bruce Wayne… Batman… Está vivo. Eles acham que eu estou de luto. Que eu estou em negação. Que eu enlouqueci. Mas ele é tudo que eu tenho. E ele tem que estar vivo.”

Alô alô terezinhas (e pessoas de outros nomes) de todo mundo. Estamos fazendo review de uma época boa e cheia de novidades no universo Morcego. Gotham perdeu seu vigilante e muitas coisas mudaram contra a vontade das pessoas.
Uma dessas mudanças foi Damian Wayne ter assumido o cargo de Robin antes ocupado por Tim Drake. Na ideia do Dick Grayson (agora Batman e bilionário), Tim não era um aprendiz/discípulo/ajudante, mas sim um semelhante.
Devido ao Damian ser o caçula solitário sob responsabilidade do Dick, ele encaixava mais como Robin. Fora que esse garoto precisava de mais foco e cuidados intensivos devido ao seu passado turbulento na Liga dos Assassinos de sua mãe e de seu avô (Talia e Ra’s Al Ghul). Teimoso, genioso, muito esnobe, metido, prepotente, competitivo… Dick precisava dele ali bem na frente de seus olhos, nada melhor do que fazê-lo Robin e ir ensinando as coisas já na linha de fogo.
Bonito da parte do Grayson? Com certeza, uma das atitudes mais nobres já tomadas em uma história do Batman. Mas não tão bonito pro Tim Drake que ficou largado num canto. Não que ele tenha sido “demitido”, mas como ele usaria o R no peito quando o próprio Batman escolheu outro pra ser Robin? A questão não era só orgulho, mas também por Tim acreditar que Bruce ainda estava vivo, perdido em algum lugar precisando de ajuda pra voltar.
Tudo serviu de combustível para essa verdadeira evolução. De sidekick a herói solo, o nascimento de Red Robin. Essa saga mostrará uma série de viagens, ações padrão de vigilante salvando pessoas e parando criminosos aleatoriamente em Madri, Paris e outros cantos, flashbacks contanto toda trajetória de Tim até sua partida de Gotham, e até uma Aliança com Ra’s Al Ghul.
Apresentaremos a vocês um review do primeiro arco de Red Robin, que se chama “O Graal”.

Line

001Antes de mais nada vamos deixar algumas coisas esclarecidas. “Red Robin” é um título que, assim como “Robin”, já foi usado por mais de uma pessoa, inclusive em histórias fora da cronologia. Se formos contar com todos os usos, essa é a terceira vez que há um Red Robin nas páginas de uma HQ. A primeira foi na história “Kingdom Come”, que em nada tem a ver com a cronologia principal de Batman ou de qualquer outro título da DC.
Nessa história, o “Red Robin” substitui o Batman na Liga da Justiça, e a pessoa embaixo da máscara é Dick Grayson, que nessa versão é casado com a Starfire e tem uma filha chamada Nightstar. NIGHTwing e STARfire. Sacaram? É.
A outra aparição de Red Robin… Foi de Jason Todd. Pois é, pela primeira vez o Jason Todd não chegou por último na fila dos copiões. E enfim temos esse Red Robin, que é o Tim Drake.
002Isto posto… Temos que admitir que ele se mostrou praticamente um Batman no “Ano Um”. Sozinho, montando os próprios equipamentos, sozinho pra tudo, longe de casa, sem ajuda de policia nem nada… Tim Drake deu um salto de independência, uma evolução e tanto de personagem. Esse foi um dos pontos positivos que a drástica mudança que ocorreu em Gotham trouxe. Um excelente novo herói para o mundo.
A equipe de produção dessa obra consiste em Ramon Bachs nos rabiscos e Chris Yost nas letras. Um bom roteirista e um bom desenhista. Cenários bastante detalhados, pouquíssimos quadros sem fundo e boa noção de distâncias e arquitetura. Não é o tipo de arte realista como a do Alex Ross ou Bermejo, mas também não é a proposta neste caso, óbvio.
003A história começa com uma narrativa do Tim Drake, falando sobre um sequestro que estava em todos os noticiários desde que ele chegou em Madrid, há 4 horas. Ele precisava extravazar a raiva de tudo que andou acontecendo, e também esticar as pernas após a viagem. Como? Quebrando ossos de pelo menos 5 homens em sequência na empreitada de acabar com o tal sequestro cujo a policia não estava dando passos certos.
É, o cara desembarcou em um país, viu algo no noticiário e em menos de 4 horas estava fantasiado na rua batendo nos outros atrás da razão das noticias. Até decidir fazer a janta, eu em minha calma levo quase 1 hora, às vezes 2 horas. Realmente o Tim Drake recebeu treinamento do morcego velho Wayne.
006Esse é o “Ano Um” de Tim Drake. Ação solitária, pondo em prática tudo que aprendeu, analisando ao máximo para cometer o menor número de erros possível, ou como prefere o Batman, erro algum. Saindo dali, não tem Alfred pra dar pontos, não tem mansão ou caverna pra retornar… Não há nada, é Tim Drake e Madrid. Durante a tomada de território Tim dá de cara com um pirocinético estilo Maxwell Kai, mas nem se compara, pois esse de Madrid usa combustível nas mãos, Tim agarra um soco flamejante, dá uma bela cabeçada no nariz do oponente e salva a refém de sequestro.
007Depois disso Tim nem ao menos descansa direito e viaja por mais 4 cidades, dando uma parada em Toledo, ainda na Espanha. Momento para o primeiro flashback, a briga que culminou em tudo na caverna. Tim argumentando com Dick sobre o rumo que as coisas tomaram, Dick dizendo que tinha de ficar de olho em Damian para ele não acabar matando novamente, fora tudo que eu já disse um pouco antes, porém na história está com mais detalhes, e vendo os quadros você pode ter noção melhor dos sentimentos envolvidos.
De Toledo para Checoslováquia, onde um assassino da liga aguardou 9 horas pra dar um bote bem sucedido eliminando quem tinha que eliminar, e depois foi morto por alguma pecinha bem esquisita com 4 olhos, e não, não era alguém usando óculos. Eram 4 olhos brilhantes no escuro. Nós que somos os renegados da bioluminescência temos que nos virar como dá, né. Mas o cidadão que assassinou o assassino (7 anos de perdão, igual pra ladrão que rouba ladrão?) brilha pelos olhos.
004Enfim, Paris, a cidade das luzes. Ah, mon petit… É a mesma bosta de sempre, o crime está em toda parte, só muda o sotaque da vagabundagem. Por essas e outras o Batman ficava nervoso. Tim está pilotando uma moto, e em uma sequência incrível de ação ele dá um mortal de costas para cair no capô do carro que o persegue, usa uma lancha secreta de seu bastão e perfura o motor do veículo, enquanto conta a nós leitores a razão de ter escolhido aquele uniforme. Ele não sabia se teria de cruzar a linha (matar), e aquele uniforme já estava manchado mesmo (referência a Jason Todd, provavelmente).
De volta ao esconderijo, Tim é observado pela mira telescópica de um rifle, apontado por um grupo de assassinos enviados por Ra’s Al Ghul… Qual será a ideia do velho Ra’s? O assassino dispara, vai tudo pelos ares, mas Tim conseguiu fugir graças ao reflexo que a mira deu.
00xEle vai ao terraço dos assassinos e começa a luta, se qualquer um desses assassinos estivesse sozinho o resultado era fácil de deduzir, mas estavam em maior número e com armas de fogo. Tim se vira nos 30 e pouco a pouco foi descobrindo os nomes e ao mesmo tempo bolando um pra si. “Asa Vermelha? Robin Vermelho?”, novamente citando que aquela roupa o permite ir aonde um Robin não poderia ir, e também o quanto precisa trabalhar a VOZ.
Sim, segundo Tim Drake, no caso do Batman a voz era metade da batalha. Tim queria fazer uma voz mais dura, coisa que o Batman fazia naturalmente, o esforço do morcego era fazer a voz do Bruce, que era mais “leve”.
Independente de ter quebrado o nariz de um e surrado os demais, os assassinos conseguem fugir graças a um flashbang.
De um flashback pra outro, Tim está de volta a uma central de comando que fez ao sentir que Batman estava enlouquecendo (talvez durante a saga “Luva Negra”). Steph aparece na surdina e acaba levando um chute muito bem dado na barriga. Após pouca conversa já se descobre que Dick a enviou para conversar com Tim, mas não adianta e ele se manda então para sua jornada.
De volta ao tempo atual, de Paris o Robin Vermelho vai para Berlim, passando pela bela Marie no avião, finalmente algo de bom no horizonte do rapazote. Já em Berlim, Tim diz que Ra’s Al Ghul acredita nele, Ra’s também prefere acreditar que Bruce está vivo. O que não é de se estranhar mediante a admiração que o milenar Cabeça-do-Demônio tem pelo Homem-Morcego.

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