#44 – Batman: O Nascimento do Demônio (‘Trilogia do Demônio’ – 1ª Parte)

A maior e última inimiga da raça humana. A delinquente sem piedade que sempre está espreitando as proximidades, pronta para levar todos que nós amamos. A zombadora de todos os nossos sonhos, esperanças, aspirações, nossa cruel mestra. Morte. Como eu odeio a morte.

Olá!
Hoje vamos ter no Batman Guide uma HQ que, particularmente, me deixa muito impressionada. Ela traz a história do nascimento de um mito: o vilão Ra’s Al Ghul. Ele é um dos vilões mais perversos de Batman. Vale lembrar que essa é a primeira parte de uma trilogia sobre as relações estabelecidas entre Batman e Ra’s Al Ghul. Mas primeiro vamos saber como aconteceu “O Nascimento do Demônio” (Batman: Birth of the Demon, roteiro de Dennis O’Neil e arte de Norm Breyfogle, dezembro de 1992)!

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A HQ começa com a intervenção de Batman em um cenário deserto. Ele detém o que seria a escavação de um poço. Em seguida, vemos um médico dando um prognóstico extremamente ruim à Talia, dizendo que a saúde de seu pai pioraria progressivamente se ele não recebesse um banho regenerativo – um banho no poço que Batman impedira de ser escavado.
06 Bruce descobre que um desses poços, que garante a longevidade se seu inimigo, está no norte da África, e se dirige para lá para impedir que o poço seja construído, como fizera por tantas outras vezes. Por que tanto esforço, por que a regeneração de Ra’s Al Ghul causa tanto temor a Bruce Wayne?
Ra’s tem um plano. Ele quer simplesmente destruir metade da humanidade – e dominar a outra metade num governo tirânico, de maneira cruel e impiedosa. E quando Batman encontra Talia, a história desse vilão é contada. E, aliás, esse é um detalhe que deixa a HQ muito mais bonita: seu tom de história antiga, de conto das 1001 noites. O conto começa dessa maneira:

Este é um tempo de loucura. É um tempo de misturar coisas que deveriam para sempre permanecer separadas. Pois ao meio-dia a luz morreu e a escuridão reivindicou o oásis, e agora o céu ralha e se divide, e irregulares lâminas de luz cortam a terra abaixo, e o próprio deserto se ergue e cavalga o vento gritante derrubando qualquer coisa em seu caminho. Assim o dia assume a aparência da noite. A água e a areia aliam-se.
Agora, veja. Do turbilhão de insanidade de um mundo em tormenta vem um homem. É um eremita, que durante estes últimos quarenta anos tem vivido sozinho em um lugar sem misericórdia.
Alguns dizem que ele é um profeta. Alguns dizem que ele é um demônio. Todos dizem que ele há muito tempo abandonou aquilo que faz de uma criatura um ser humano.

04-1O passado de Ra’s Al Ghul esconde um cientista com habilidades para a medicina (lembra um pouco Thomas Wayne, não?). A época era a das Cruzadas. Um dos filhos do Sultão estava à beira da morte, e então Ra’s tem um sonho em que, ao mergulhar-se em um lago conectado diretamente com a terra, ele consegue vencer a maior inimiga de todas: a morte. Então, utilizando-se de dosagens específicas de aços, venenos e a energia mística que sentia da terra – elementos que, combinados, transformam-se em agentes de cura – ele cria o tal poço. O Poço de Lázaro. E lá o filho do Sultão é mergulhado. Mas a criatura que surgiu do poço… Não era normal, não era natural.

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05Era uma criatura doente, violenta, e matou a esposa de Ra’s. O Sultão, temendo que seu filho fosse incriminado pela morte da mulher, acusou o próprio Ra’s de ter matado sua esposa.
A punição dada ao médico foi mantê-lo por um mês numa gaiola com a mulher morta, junto a outros presos num buraco cavado no meio do deserto. Esse foi o derradeiro dos acontecimentos que transformou a mente do vilão, deturpando-a. Ra’s se alia a caravana de seu tio para planejar sua sórdida vingança. Mas depois de sua vingança, ele se sente tão vazio e doente, como se sua maior inimiga se aproximasse. E decide, ele próprio, mergulhar no Poço. Proclama-se O Cabeça do Demônio. E parte em viagem pelo mundo, transformando-se em estadista, mercador e fazendeiro – e recorrendo sempre ao Poço de Lázaro quando sua energia vital ameaçava abandoná-lo.

07Ele e Bruce tem conexões parecidas: perderam parte da família, sentindo-se como se tivessem perdido tudo que importava. Mas enquanto Bruce procurou se focar nas boas lembranças que tinha e no que havia aprendido de importante, Ra’s se focou em suprimir as boas memórias e dar vazão à sua fúria. Ele é um homem que está “vivo” há séculos. Como Batman pode lidar com um inimigo imortal? Ele é uma ameaça constante, inabalável, perto de ser indestrutível. A criação do próprio personagem se centra na morte; como enfrentar algo imortal? Batman precisa abrir uma exceção à sua regra de “não matar”.

08Batman quer destruir o acesso de Ra’s Al Ghul ao Poço de Lázaro, impedir que ele fique nessa transição de morte-ressurreição e possa dar lugar ao curso da natureza. Então Batman e Ra’s travam uma batalha em que um dos dois tem que morrer. Ou os dois. As cenas da batalha final entre os dois é de tirar o fôlego.

É necessário prestar atenção na forma como Batman e Talia se tratam, isso será importante em breve.

É importante destacar também a arte dessa HQ. É uma das mais belas que já vi, com o uso abundante de cores quentes em contraste com as frias. As ilustrações são de uma riqueza que poucas vezes pude observar. Os closes nos rostos transparentes da emoção que o personagem está sentindo, os momentos de fúria ou de dor evidenciados para o leitor. Enfim, é quase literatura em quadrinhos.

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É isso. Espero que tenham gostado do texto! Boa leitura!

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#42 – A Queda do Morcego

Olá, queridos!

Decidi começar o ano aqui no Batman Guide da melhor forma possível. Essa saga foi a que os leitores mais pediram aqui no blog, Facebook, por e-mail. Eu pretendia postar algumas coisas antes, mas pensei que talvez demoraria um pouco, daí antecipei o post! 🙂

A primeira coisa que eu vou ter que pedir a vocês é um pouco de paciência. O que a saga “A Queda do Morcego” tem de famosa, tem de extensa. Durante todo o dia de ontem eu fiquei organizando os arquivos e uplodeando numa sequência que não os confundisse – ela é composta por muitas HQs que, se lidas fora de ordem, podem te complicar totalmente. Acredito que cheguei em um resultado bem agradável para a compreensão de todos. E também disponibilizei toda a saga em um único link, pra quem quer ler de uma vez!

Outra coisa que eu preciso pedir para vocês é que me avisem se algo ficar faltando na minha resenha. Como eu disse no primeiro post do Batman Guide, eu não sou especialista nos quadrinhos do Batman, sou só uma fã que gosta de pesquisar. Não estou livre de erros! Então conto com vocês para me avisarem sobre qualquer problema que tiverem no post, ok? Obrigada!

E agora chega de conversa e vamos logo pra parte principal! Boa leitura e espero que vocês gostem, deu um bom trabalho pra fazer e escrevi com bastante cuidado! Divirtam-se!

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“A Queda do Morcego” foi lançada em 1993. Ela contou com autores consagrados como Dennis O’Neil , Chuck Dixon, Alan Grant e Doug Moench. O ponto principal que você precisa saber é que nela você vai encontrar o homem que quebrou o Batman. Ele o quebrou o Morcego de uma forma que nenhum dos outros vilões conseguira fazer, mesmo contando com tecnologia, violência, inteligência, influência ou simplesmente insanidade mesmo.

A introdução dessa saga começa com a apresentação de dois personagens que serão vitais nessa saga. O primeiro deles é Jean-Paul Valley – ou Azrael. Jean foi um bebê de proveta, cujos genes foram alterados e combinados com genes animais para potencializar suas habilidades de lutador. Ele descobre que está sendo treinado por uma ordem religiosa secreta para se tornar um assassino. (Azrael aparece, inclusive, em “Batman – Arkham City”, durante uma das missões paralelas do jogo. Clique aqui para assistir sua aparição). Batman descobre sobre essa ordem secreta, que se chama Ordem de São Dumas, com a ajuda de Oráculo, e vai até o local onde Jean-Paul está descobrindo sobre sua missão futura, causando um acidente.

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O outro personagem essencial nessa história é Bane. Eu já falei sobre ele nesse post. (Mas, nesse caso, peço que você leia a resenha somente da “Vingança de Bane I”, que se passa antes dos acontecimentos que se desenrolam n’”A Queda do Morcego”).

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02Bom, como você já leu, Bane estava obcecado em derrotar Batman. Mas ele não subestimou seu adversário, e sabia que não derrotaria o vigilante de Gotham sem uma estratégia firmemente traçada. E Bane, ao contrário do que foi mostrado na primeira adaptação para o cinema, é um homem muito inteligente. Então ele começa a se aliar aos super-vilões de Gotham – chega até mesmo a injetar a droga Veneno no Charada, tornando possível que um vilão cujo principal ponto não é a força enfrente o Morcego.

03Nós sabemos que a força policial de Gotham tem muitas falhas, mas seu contingente começa a sumir cada vez mais das ruas. Mais trabalho para Batman, que precisará lidar com tudo apenas com o auxílio de Tim Drake (mas que, como devemos lembrar, tinha a atuação limitada). Bruce Wayne nunca foi o exemplo de alguém que cuidava devidamente da saúde. Já vimos em várias HQs, aqui mesmo no Batman Guide, a menção às suas inúmeras escoriações e contusões por todo o corpo, o comprometimento das cartilagens e ossos de todo o seu corpo, já vimos Alfred relembrando seu patrão de que ele não dormia há pelo menos 30 horas… Mas nesse momento específico, o estado de Batman vai piorando em níveis críticos. Sua saúde física nunca estivera tão deteriorada.

04Percebendo que poderia ter que vir a deixar seu posto em breve, Batman pede a Robin que treine Jean-Paul Valley para se tornar um auxiliar.  Enquanto isso, Bane vai agindo e se aliando aos vilões, até que, num momento crucial, ele destrói as paredes do Asilo Arkham e liberando todos aqueles que odeiam o Morcego (com explosivos militares que conseguira).  Como se já não bastassem os criminosos comuns que assolam o submundo de Gotham, agora os criminosos mentalmente instáveis estão soltos por aí. O comprometimento da sua forma física e mental faz com que ele comece a falhar em suas missões. Ele falha ao capturar o vilão Máscara Negra. Ele apanha do Charada. Ele quase se afoga (sim, o Batman!). Ele está nos limites, estressado, degenerado, tendendo à depressão – e ainda assim luta por 3 meses para garantir que os internos retornem ao Asilo Arkham. Tudo isso faz parte do plano de Bane para quebrar o Morcego.

05Uma noite, o prefeito Krol é sequestrado por Coringa e o Espantalho, e ao resgatá-lo Batman chega, finalmente, aos limites da sua exaustão. O Espantalho, como era de se esperar, utiliza seu gás do medo para dar um golpe psicológico duríssimo em Batman – ele retorna ao momento da morte de Jason Todd, um evento do qual ele nunca se recuperou totalmente. Depois desses eventos caóticos, Batman chega na Mansão Wayne e Bane está lá.

Sim, Bane conseguira descobrir sua verdadeira identidade. Batman entra em confronto com ele, mas ele estava nos limites de sua vulnerabilidade, e é subjugado e derrotado por Bane. Mas ele não quer matá-lo, isso seria simples demais, rápido demais. Ele quer humilhá-lo. Quebrá-lo. Acompanhe essa sequência.

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07E desse modo triste e impactante, o Homem-Morcego, o grande Cruzado Encapuzado, o Vigilante de Gotham, encontra-se encarceirado em uma cadeira de rodas, paraplégico, derrotado. Mas sua mente continua trabalhando. Ele vai procurar a doutora Shondra Kinsolving para começar sua reabilitação. Mas não poderia deixar Gotham sozinha – e por isso decide colocar Jean-Paul Valley em seu lugar, como Batman. Questionado por Tim Drake sobre os motivos pelos quais Dick Grayson (Asa Noturna) não é convocado para assumir o manto de Batman, ele responde que esse já tinha suas próprias incumbências, e que mais um papel só traria mais problemas a ele. Então, Jean-Paul Valley assume o papel de Batman. Mas algo dá errado com ele. Desde a época em que estava sendo treinado, Jean-Paul demonstra prazer em usar excessivamente a violência. Ele parecia não ter amarras no que diz respeito a matar os inimigos, ou de pelo menos fazê-los sofrer o máximo possível. E é assim quando assume o manto de Batman. Ele demonstra ser um homem mentalmente instável, de métodos obscuros e questionáveis, que de forma alguma são adequados ao papel de Batman.

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#37 – Batman/Arqueiro Verde: Futuro Venenoso

Oi!

Preciso agradecer a vocês pela repercussão excelente do último post, o “Especial: Filmes do Batman”. Recebi vários comentários bacanas, que me deixaram muito feliz! Espero fazer mais alguns desses “Especiais”, talvez um sobre os jogos do Batman, quem sabe? Se alguém quiser me ajudar, deixe um comentário ou entre em contato que a gente vai se acertando 😉 E, claro, se tiverem alguma sugestão, é só falar comigo!

Hoje vou começar a falar dos amigos/parceiros do Batman. Estou pensando em um formato mais dinâmico do que quando falei sobre os vilões – talvez fazer postagens duplas, ainda vou decidir. Mas enquanto isso, hoje eu trouxe o Arqueiro Verde. Ele tem uma história complicada, cheia de altos e baixos causados pelas crescentes reformulações da DC Comics. O Arqueiro Verde original, Oliver Queen, chega até a morrer num acidente e ser substituído por seu recém-descoberto filho Connor Hawke. Mas depois Oliver Queen voltou a assumir o papel (A DC explicou o fato da seguinte forma: a explosão do avião em que ele estava o matou, mas ele foi ressuscitado por Lanterna Verde, primeiro seu corpo e depois sua alma.*)

* Não sou expert em Arqueiro Verde, então se eu tiver pesquisado algo errado ou tiver escrito algum equívoco, deixe um comentário com a correção. Obrigada! 😉

A HQ de hoje mostra sua atuação em conjunto com o Batman. Eles são dois homens com um apurado senso de justiça, mas se vêem juntos num grande problema causado pela Hera Venenosa… Que medidas tomar para evitar que ela envenene toda a cidade? Descubra lendo “Batman/Arqueiro Verde: Futuro Venenoso” (Batman/Green Arrow: The Poison Tomorrow, roteiro de Denny O’Neil e arte de Michael Netzer, junho de 1992)!

A HQ já começa de forma intensa: um velho está destruindo potes no que parece ser um laboratório com um machado. Ele parece estar cheio de estranhas feridas em seu rosto. Seu nome é Efrem Parsons. Batman chega para impedir que ele prossiga com tal destruição. O velho oferece resistência, mas Batman é mais forte e mais esperto.  Após desacordá-lo, o Homem-Morcego está pronto para levá-lo para as autoridades competentes, quando é impedido pela aparição súbita do Lanterna Verde. O Arqueiro faz questão de levar dr. Parsons para Seattle, o lugar onde vive, mas Batman se nega a conceder isso sem uma explicação muito plausível. Então Arqueiro conta a história que ocorrera a sua mulher Dinah (Canário Negro): aquele homem começara a agir de forma impulsiva em um supermercado e, ao tentar detê-lo, Dinah fora mordida por aquele velho. Ele fora preso, mas em seguida liberado com pagamento de fiança. Mas Dinah… Entrara em coma, e alguns dias depois começou a aparecer com algumas erupções e feridas na pele, tais quais Dinah. E era em busca do antídoto para o que quer que seja a doença que ele fora atrás do doutor.

Enquanto isso, a mortal Hera Venenosa estava seduzindo um doutor. Devo dizer que ela está excepcionalmente atraente nessa HQ. Esse é um dos lados mais letais dela, não se consegue simplesmente resistir à sua sedução. Mas ela não é uma simples mulher. Ela está planejando algo, o tal antídoto, e irá testá-lo em um rapaz chamado Jason – que está num grau bastante severo da doença. Ela também havia seduzido e abandonado o doutor Parsons. Aliás, falando nele, ele morre devido à moléstia que o atingira. (Ao mesmo tempo, por telefone um empresário chamado Sr. Fenn estava “encerrando o contrato” – leia-se: encomendando a morte – do dr. Parsons. E na frente dos seus filhos! Que tipo de vilão encomenda uma morte na frente dos seus filhos?). Um legista amigo de Batman constata, na autópsia, que o sangue do morto possui alta concentração de hemometatrioxina, uma toxina altamente contagiosa que gera um vírus letal nas próprias hemácias do sangue. Imediatamente, Batman estabelece a ligação com Hera Venenosa.

O tal antídoto funcionara perfeitamente com Jason. Hera discute seus planos megalomaníacos com Mr. Fenn, depois de uma noitada. Qual é o plano? Um plano diabólico. Infectar papinhas de bebê com hemometatrioxina, e, sendo essa altamente contagiosa, ela não ficaria somente nos bebês, mas contagiaria milhares de pessoas. Então, miraculosamente, o laboratório de Fenn venderia a vacina – pelo preço abusivo de $ 50 mil dólares.

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#16 – Um Conto de Batman: A Escolha (Robin I)

Olá!
Hoje, começaremos a desvendar a trajetória de um personagem de suma importância nas HQs do Batman: seu companheiro e pupilo, o Robin.

No entanto, não trataremos de apenas um Robin: ao longo das HQs, temos CINCO Robins!
Mas não se assuste, eu apresentarei todos eles, de maneira clara – assim você não terá como se confundir.
Bem, vamos a uma rápida apresentação de cada um deles, por ordem cronológica (Fique tranquilo, falarei de cada um deles em hora oportuna!)

Primeiro Robin: Dick Grayson

Segundo Robin: Jason Todd

Terceiro Robin: Tim Drake

Quarto Robin: Stephanie Brown (sim, uma garota!)

Quinto Robin: Damian Wayne

Hoje começarei pelo Dick Grayson, o primeiro Robin!
A HQ escolhida traz a história de Dick Grayson, o filho único de uma família de talentosos trapezistas, que sob trágicas circunstâncias é o primeiro a assumir o papel de Robin. Leremos hoje “Um conto de Batman: A escolha” (Legends of the Dark Knight #100, novembro de 1997, roteiro de Denis O’Neil e arte de Dave Taylor).

Dick Grayson (também chamado de Richard Grayson), seu pai e sua mãe formam os “Grayson voadores”, os acrobatas que movimentam o Circo Haly com seus movimentos precisos e suas manobras perigosas, porém experientes.
Porém, um dia, o corajoso Dick assiste a uma cena estranha, com um homem violento ameaçando o dono do circo. Contudo, é levado a crer que aquela cena não tem importância, e parte para mais uma noite de espetáculo. Entretanto, essa noite não seria de modo algum parecido com as outras.
Em primeiro lugar, o espetáculo da noite seria assistido pelo excêntrico milionário Bruce Wayne, que aparentemente não tinha motivos para estar em uma zona tão afastada da cidade para ver um circo decadente. Em segundo lugar, o que aconteceria naquela noite cruzaria os caminhos de Wayne e de Dick Grayson para sempre… Os pais de Grayson morrem. Mas não de maneira inocente ou acidental. Existia algo por trás disso.

Eles possuem algo em comum. Leia a página a seguir. Ela me deixou bastante emocionada.

Contudo, essa não é a única coisa que os une. Ambos são durões, corajosos, e primam pela necessidade da justiça. Sobretudo, Dick consegue fazer Batman lembrar-se de quem ele foi quando menino, e de quem ele deve ser agora, como no trecho a seguir:

Há outros trechos também, como quando Dick lamenta pela morte do criminoso que matara seus pais, porque não desejava sua morte – desejava apenas que a justiça fosse cumprida.
Esse comportamento, aliado à sua extrema coragem e a uma pontinha de inconsequência, incentivam Batman a convidá-lo para o papel de seu pupilo. Em um post que virá em breve, explicarei sobre o mito de um suposto romance entre Batman e Robin, algo que não faz sentido nenhum para quem conhece a relação que se desenvolve entre eles, que está muito mais para pai/filho.

A arte é muito bonita de se ver, bem simples e instintiva. O roteiro tem passagens importantes, sem diálogos extensos ou complicados, mas cheios de significado.
Você não vai perder a história que trata do advento do menino prodígio, vai?

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#13 – Gordon de Gotham

Olá!
A HQ de hoje infelizmente não foi lançada no Brasil, mas eu a considero extremamente interessante e nos fará lançar um olhar mais específico a esse personagem tão importante para as histórias do Batman – o Comissário Jim Gordon, que trabalha paralelamente com Batman na missão difícil de tentar limpar as ruas de Gotham da podridão que assola seus becos escuros.

Hoje, vamos ler “Gordon de Gotham” (Gordon of Gotham, 1998, roteiro de Denny O’Neil e desenho de Dick Giordano e Klaus Janson).

O roteiro nos mostra um Gordon reminiscente, que está contando a Batman sua epopeia antes de chegar a Gotham City – como era sua vida como um policial inocente que não tinha os manejos necessários para estar numa corporação já contaminada pela corrupção e pelos jogos de interesse. Ele narra sua história sem grandes glórias, demonstrando seus medos e inseguranças de forma clara. Ele não é um super-herói, não tem super-poderes – é apenas um homem determinado a fazer a Justiça ser cumprida, mas que percebe que isso implica sair da linha às vezes.
Os dias de Jim Gordon na Polícia de Chicago eram atribulados. Como policial, ele começa a suspeitar do envolvimento de um oficial que trabalha com ele com atividades ilegais relacionadas à próxima eleição. Contudo, quando essa suspeita evolui para a procura de pistas, ele se vê encurralado: ele se torna o alvo desse oficial – que, diferente de Gordon, não tem escrúpulos quando se trata de defender seus interesses.

Além disso, Gordon se vê às voltas com um agente internacional que está sempre salvando a sua vida, mas que vai se revelar uma chaga em seu currículo, algo que ele nunca consegue superar… Ou talvez consiga encontrar a redenção, com a ajuda de Batman, outro homem que também aprendeu que contar unicamente com a Justiça não é suficiente.

Essa HQ é envolvente, com diálogos inteligentes e bons de ler. É dramática sem ser melosa; é realista, mas também intensa e profunda. Mostra como Gordon lida com os vilões, mas que ele também tem características de vilão. Não tinha, mas desenvolveu pela necessidade.
Nessa HQ, você poderá observar mais minuciosamente esse personagem que muitas vezes apenas observamos passivamente nas HQs do Batman, mas que é de suprema importância para fazer a Justiça em Gotham City.
Vamos para o download? 🙂

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