#90 – “Descanse em Paz”: O Capítulo Perdido

“Eu sobrevivi ao encontro com algo maior do que eu, mais forte do que eu. Algo capaz de torcer cada momento da minha vida e fazer um caminho que me leva até aqui. […] O tempo ainda está se movendo. […] Eu deveria saber, quando escolhi trilhar este caminho. Ele nunca termina.”

Olá, queridos!
A última HQ de 2013 no Batman Guide irá nos esclarecer algumas coisas a respeito das sagas Batman: Descanse em Paz e da Crise Final – ou então, o que é mais provável, acrescentar outras dúvidas.
Por todo esse tempo nunca ficou muito claro qual era exatamente a ligação entre “Batman RIP” e os eventos que aconteceram com o Morcego em Crise Final. Certos detalhes eram controversos e até mesmo contraditórios. Tudo estava muito confuso, não dava para entender exatamente que eventos vinham primeiro… Se para nós que estamos lendo isso depois de 3 anos já está difícil de entender, imagine para quem acompanhou as séries na época de lançamento (2009-2010). Essas duas sagas foram lançadas paralelamente.
É exatamente por isso que eu recomendo que mesmo quem já conhece bem essa parte da cronologia do Morcego leia meu texto. Darei o meu melhor para esclarecer alguns pontos que ficaram perdidos nessa confusão, através dessa HQ que é, exatamente, o elo entre os eventos de Crise Final e Descanse em Paz.
Acompanhe agora “Descanse em Paz”: O Capítulo Perdido” (“R.I.P.: The Missing Chapter”, roteiro de Grant Morrisson e arte de Tony S. Daniel, setembro-outubro de 2010).

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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A primeira coisa que você precisa saber sobre essa HQ: ela foi feita meio que sob “encomenda”. As edições de “Descanse em Paz” e “Crise Final” haviam sido sucesso de vendas, mas sofriam terríveis críticas justamente por essa confusão que se instaurou para a compreensão até mesmo dos fãs mais antigos. Então, Grant Morrison foi convidado para escrever uma minissérie que ataria TODAS as pontas soltas no que se refere à compreensão desse momento da cronologia do Morcego. Acredito que ele tenha sido orientado a ser mais claro e didático quanto aos acontecimentos, e menos subjetivo, usando menos de elementos simbólicos e metafóricos (claro que ele não abandonou isso, ou não seria o Grant Morrison). E assim surgiram os dois volumes que compõe “‘Descanse em Paz’: O Capítulo Perdido”.
Para garantir que todas as suas dúvidas sejam sanadas, vou dividir esse texto em duas partes, uma para cada volume.

001Parte 1: O Buraco nas Coisas
A narrativa é conduzida por Batman, o que confere um tom bastante pessoal à história. Eu tenho um apreço pessoal pelas histórias em que Bruce é o narrador. Por favor, observe a contagem que está aparecendo nas páginas: “__ dias até o Ômega”. Ou seja, estamos em uma contagem regressiva dos dias até que Batman será sancionado pelo Efeito Ômega de Darkseid.
Batman sai de um rio, depois de conseguir escapar da morte após os eventos conduzidos pelo Doutor Hurt em “Descanse em Paz” (se não se lembra como a história terminou, por favor, releia o meu texto). Ele vai até Alfred, que limpa suas feridas e cozinha para ele. Contudo, dessa vez Batman QUASE não escapou: ele teve alguns erros de cálculos ao utilizar a dosagem de anti-veneno do Coringa, e esteve à mercê de seus inimigos por 30 minutos inteiros. Trecho interessante é quando ele comenta com Alfred que eles estavam certos sobre Jezebel Jet; no fim das contas, Batman não acreditava realmente na ruiva.
002Existe outra coisa intrigando Batman. O corpo de Hurt não estava no rio abaixo de onde seu foguete explodira. Ele sabia que um ser humano normal (isto é, outra pessoa que não fosse ele mesmo) não sobreviveria naquelas condições; entretanto, onde estaria o cadáver? Não havia sinal do corpo de Hurt ou do piloto do foguete. Alfred ainda tenta argumentar que possivelmente os restos mortais poderiam ter sido levados pelas correntezas, mas Batman sente que essa explicação não é suficiente.

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Sabem, desde que comecei a escrever essas HQs sobre o Morrisson, tem uma expressão que me chama MUITO a atenção. É ela que dá nome a essa edição: “O buraco nas coisas”. Cheguei a pensar que se tratasse de uma referência bíblica; fiz essa pesquisa em português e em inglês, mas não obtive nenhum resultado. Essa expressão é usada por Doutor Hurt para se referir a ele mesmo. Por que essa expressão? Ela é explicada nessa HQ. [Alerta de spoiler! Se deseja ler, selecione o texto a seguir]. Doutor Hurt é um membro perdido da família Wayne, uma “ovelha negra”. Um buraco na árvore genealógica. [Fim do spoiler]
Batman é, então, convocado por Superman para uma tarefa. Alguém matou um deus (Órion). Os céus já estão vermelhos. Já começou a Crise Final. Tem uma fala de Bruce interessante nesse trecho a respeito do seu relacionamento com os outros heróis:

“Eu trabalhei tão duro para ganhar o respeito deles que às vezes eles esqueciam que eu sou de carne e osso.”

003-1Não é segredo para nós o respeito que Batman recebe parte dos outros heróis. A despeito da sua “falta” de super-poderes, suas qualidades dedutivas, estratégicas e de combate, e sua integridade moral o colocam como um dos elementos da Trindade dos heróis da Liga da Justiça. Mas isso é material para o começo do ano que vem (aguardem!).
Voltando, Superman convida (isto é, intima) Batman para conduzir uma investigação de assassinato de nível interplanetário. Bruce havia sido amaldiçoado por Hurt: a próxima vez que ele vestisse a capa e o capuz, seria a última.Mas você já viu Batman ceder a alguma ameaça? Ele aceita o chamado da Liga da Justiça.

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#89 – O Tempo e o Batman

“O amanhã pertence ao Batman.”

Olá!
Como as coisas se complicaram nessas últimas semanas… É meu penúltimo semestre da faculdade e o laboratório onde eu trabalho esteve envolvido em grandes seminários e congressos que exigiram muito de mim e de todas as meninas que trabalham comigo. E o resultado foi mais de um mês sem postar aqui no Batman Guide! Peço desculpas a todos vocês por esse atraso. Entretanto, nem tudo são más notícias: são minhas primeiras férias de trabalhos e estudos desde o começo de 2012! Desde então, quando eu não estava trabalhando, estava estudando, e vice-versa. Agora estou de folga dos dois! Vamos tentar compensar o tempo perdido então?

A HQ de hoje foi publicada na Batman #700, em uma edição gigante de aniversário. Conta com o roteiro de Grant Morrison e a arte de Tony Daniel (pgs. 3-10), David Finch (pgs. 11-18), Andy Kubert (pgs. 19-27) e Frank Quitely (pgs. 28-33). Além disso, tem uma galeria de imagens que conta com artes de Guillem March, Dustin Nguyen e Bill Sienkiewicz, entre outros. Sim, esse é o grupo de DINOSSAUROS responsáveis por essa história. Eu tenho a impressão que você não deveria deixar de lê-la.
Aprecie “O Tempo e o Batman”! (“Time and the Batman”, agosto de 2010)!

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Você, leitor do Batman Guide, sabe o que acontece quando Grant Morrison está no roteiro de uma obra. É hora de abandonar alguns conceitos pré-estabelecidos: tempo, espaço, consciência, realidade, sonho. O conceito que você precisará redefinir para esta HQ é, como o próprio nome da história diz, tempo. O templo é flexível.
Como comemoração da edição #700, o que temos é uma viagem pela trajetória do Morcego ao longo dos exatamente 40 anos de história. Cada período da história de Batman é homenageado com primor e detalhismo que irão agradar aqueles que, como nós, tem interesse no caminho que o Morcego percorreu desde o caráter brincalhão da Era de Prata até seu estabelecimento como o Cavaleiro das Trevas sério e implacável que ele se tornou.
Introduções feitas, vamos para a história.

001Primeira parte: o “Ontem”.
Batman (Bruce Wayne) e Robin (Dick Grayson) estão sendo mantidos reféns por Coringa, Mulher-Gato e outros vilões como Chapeleiro Louco, Charada e Espantalho. A arte dessa parte é riquíssima em detalhes. Vou pedir para que você leia com cuidado um dos enigmas que Charada faz em uma dessas páginas. Ao identificá-lo, tente respondê-lo mentalmente.
Os heróis estão sendo submetidos a uma máquina de hipnose temporal. Trata-se de uma Máquina de Possibilidades; nas palavras de Batman, ela “gera visões de como as coisas poderiam ter sido”. Mas nem por um minuto vocês devem se esquecer que estamos falando do Goddamn Batman: levará três minutos para a máquina ser reiniciada pelo doutor Carter, e ele avisa aos vilões que estará livre das algemas em apenas dois. Coringa não acredita nisso. Ele acha que conseguiu quebrar Batman, “atropelá-lo” – lembre-se da sua participação nos eventos de “Batman: A Luva Negra”. Inconformado, ele faz uma promessa: ele irá enviá-lo de volta para o grande dia em que Batman nasceu, e dar a Batman a chance de desfazer a sua própria criação, abortando os demônios que o levaram a ser o que é. Através do Livro de Piadas do Coringa.
002Bem otimista esse Coringa, né. Ele realmente acha que o Batman ia deixá-lo brincar de deus dessa maneira? Claro que o Morcego consegue se desvencilhar do plano de Coringa e mandar os vilões para os cuidados de Gordon.
Entretanto, na volta para casa, Batman e Robin começam a conversar… E se Batman tivesse realmente voltado no tempo e impedido Joe Chill de matar seus pais? (Isso me lembrou um dos paradoxos das viagens no tempo, mais especificamente o Paradoxo do Avô, em que se discutem as implicações de uma pessoa voltar no tempo e matar seu avô, que por sua vez não conheceria sua avó, ou seja, essa pessoa não existiria). Entretanto, essa possibilidade não tira o sono de Bruce porque, segundo ele, “somos o que somos e não podemos mudar o que já aconteceu”. É uma filosofia que eu, particularmente, adoto para a vida.

003Segunda parte: o Hoje.
Anos depois. Agora Batman é Dick Grayson, e Robin é Damian Wayne. O doutor Carter Nichols está morto. Um tiro no coração, mas sem sinal da arma. Um sorriso no rosto. E o capacete da Máquina de Possibilidades ao seu lado. Desconfiado, Grayson acha que seria uma boa idéia aparecer no Beco do Crime, onde os pais de Bruce morreram – e o conceito de Batman nasceu – para levar flores em homenagem a Martha e Thomas. Mas como é pedir muito que Batman e Robin tenham UM minutinho de paz em Gotham, eles se deparam com uma legião de bandidos fazendo um arrastão na cidade. Ah, os bons e velhos quadros de porradaria, dentes quebrados e maxilares deslocados, uma cortesia de Batman e Robin.

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004Aparecem uns vilões a mais que contam sobre um leilão ilegal do Pinguim e Batman avisa, sorrindo, que está de olho neles. Na boa, acho que eu me assustaria menos levando umas porradas do Batman do que sendo alertada por ele com esse sorriso perfeito meio maníaco. Esse jeito do Dick Grayson desagrada a alguns, mas é indiscutível que só piorou o medo que os vilões tinham de Batman.
005-2Você vai notar que, da página 18 à 19, a arte sofre uma mudança significativa; a arte fica a cargo de Andy Kubert. Particularmente, eu não curti o desempenho dele nessa HQ. Ele fez os personagens com queixos mega-projetados para a frente e os lábios inferiores muito evidentes. Fica meio difícil de enxergar a seriedade nas coisas com um Batman fazendo beicinho. Mas tudo bem, ninguém acerta o tempo todo. Dick postula sobre a morte de Charter: foi suicídio. Um suicídio com um tiro no coração e sem sinal da arma? Oh, well, quem sou eu para questionar o Batman, não é?

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#88 – O Retorno de Bruce Wayne

Olá, queridos!
Em primeiro lugar, peço desculpas pela demora nos posts, eu e Augusto estávamos tendo problemas com tempo, tudo muito corrido… Mas finalmente voltamos!
Depois do nosso Especial sobre as sagas “A Noite Mais Densa/O Dia Mais Claro”, eu trouxe para vocês uma história que vai solucionar muitas das nossas dúvidas sobre o que vem acontecendo com Bruce.
A HQ de hoje será “O Retorno de Bruce Wayne”. É uma saga com 6 volumes. Mas não deixe o baixo número de edições te enganar: trata-se de uma série complexa que, se lida sem instrução, pode facilmente confundir o leitor. Só por essa descrição nem preciso dizer para vocês que é Grant Morrison o roteirista dessa HQ. Ele não deixa de abusar de elementos ocultistas nas suas tramas, simbologias que passariam incógnitas num olhar despercebido.
Posso ter errado em qualquer interpretação, então por favor me avise nos comentários caso encontre alguma discrepância. Então, se prepare para O Retorno de Bruce Wayne! (Return of Bruce Wayne, roteiro de Grant Morrison e vários artistas, julho a dezembro de 2010).

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Volume #1 – “Sombra sobre Pedra” (Era Paleolítica)
(Shadow on Stone, roteiro de Grant Morrison e arte de Chris Sprouse. Julho de 2010)

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001Isso mesmo que você leu, caro leitor. Trata-se de uma viagem no tempo.
A história começa justamente com a nave que o pessoal do Planeta Diário lançou para o espaço em Crise Final, com o corpo “morto” de Bruce e a história da Crise Final (para que ela não se perdesse no tempo; como uma espécie de “cápsula do tempo); e ela caiu no meio de uma tribo de homens da caverna, num solo dito sagrado. A tribo se chama Tribo dos Cervos. Batman acaba interrompendo um ritual de iniciação de um dos garotos da tribo; e isso causa um efeito devastador para aqueles homens, pois os rituais de iniciação são realizados em solos sagrados, com a presença dos deuses, então quando Bruce aparece justamente lá ele é visto como uma espécia de “deus”, uma representação divina não necessariamente imortal mas certamente enviada pelo próprio Supremo.
Apesar de lermos as edições traduzidas, eles não necessariamente se comunicam, pois falam a sua língua e Bruce fala inglês. Bruce está sem memória, mas involuntariamente lembra-se de Coringa, o que lhe causa sofrimento.

002O Efeito Ômega de Darkseid lançou Batman através do tempo. Entenda: A cápsula em que Batman “estava” foi lançada pelo tempo enquanto o multiverso era banhado pelo Efeito Ômega, causado pela queda de Darkseid. E por que Batman caiu justamente na era paleolítica? Um dos anciões da Tribo havia dado um colar para sua esposa, um colar feito de pelos de corça branca – tal qual o colar de Martha Wayne.
Justamente por isso Batman é transportado para essa era; é a primeira vez na história em que um colar foi utilizado como símbolo de amor, como símbolo de proteção. Guarde essa informação na cabeça: ao longo dos 6 volumes dessa saga, Batman sempre será transportado para lugares com algum significado para sua história, de seu nascimento enquanto Bruce e enquanto Batman.
003E então um conhecido nosso do último texto dá as caras: Vandal Savage, que é considerado um homem amaldiçoado pelos homens da tribo, líder do Povo do Sangue, sem nem um pingo de respeito por qualquer solo sagrado. Um garoto assiste de perto a morte de seu pai – a primeira vez na história em que um filho assiste um assassinato de seu pai. Isso remete ao começo da história do Batman. Savage rouba o colar de pérolas, assim como Joe Chill fez.
Batman tenta fazer um ataque surpresa ao Povo do Sangue, mas é capturado por Savage. Ele ameaça Wayne, dizendo que comerá seu cérebro e seu coração pela manhã (como faziam as tribos canibais primitivas). Devorar um “homem-deus” significaria tornar-se um deus também. E assim ele reina por um dia como líder da tribo, com direito a todas as mulheres e as regalias prestadas a um líder.
004Pois bem, se Batman era tratado como deus quando chegou na tribo inicial, agora ele é um refém de Savage; é chegada a hora do sacrifício.
Por toda essa primeira edição um menininho tem ajudado Batman, como uma espécie de Robin, que ajuda Batman a escapar da sua prisão e ficar em segurança. O menino ajuda Batman a tomar um composto que acaba com as dores e as infecções resultantes da tortura comandada por Savage. Agora Bruce está livre para fugir e salvar sua pele… Ou ficar e salvar a tribo que o acolheu. E conhecendo o Batman como o conhecemos, não fica difícil saber o que ele decide. Decide pela justiça. Então Batman se veste com um uniforme improvisado e, munido dos instintos das artes marciais que praticava, ele consegue salvar os sobreviventes, reconquistar a tribo e salvar os poucos que sobraram da tribo anterior. Cena engraçada é Batman usando um gadget moderno, o Batclaw, na era paleolítica. Como diria a expressão em inglês, “Savage doesn’t stand a chance”.

005Essa tribo agora não se organiza mais pelo nome de Tribo dos Cervos, mas sim Tribo dos Morcegos. Savage é banido da tribo por sua provocação e humilhação ao homem-deus, e se coloca como uma maldição que seguirá a história, o mal puro, primitivo – e também porque a chegada de um eclipse na tribo é associada a ele. Chega ao final nossa primeira edição. Por favor, guarde na cabeça a informação sobre a passagem do tempo se dando exatamente durante o eclipse. Então, ele aterrisa num lugar com uma espécie de… monstro lovecraftiano presente.
No exato momento em que Batman sai, a Liga da Justiça entra em cena, procurando por vestígios da sua presença. Para isso, eles contam com a ajuda do bioarquivista ou arquivista biorgânico, sobre o qual falarei melhor no fim do texto.

Volume #2 – “Até o Fim dos Tempos” (Idade Média)
(Until the End of Time, roteiro de Grant Morrison e arte de Frazer Irving, julho de 2010.

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02-01Preparado para o segundo volume? Não? É muita coisa pra sua cabeça? Eu sei, também me senti assim escrevendo. Mas vamos continuar mesmo assim.
Uma referência que quem já leu HP Lovecraft, um mestre da literatura de terror, vai pegar logo de primeira: Batman está lutando contra uma criatura que lembra Cthulhu, o terrível monstro criado por Lovecraft, e aparece a expressão “rrn’g’h’lyeh y’th’la’yh’nrgrai phtnalg y’rrech lych’hei”, que lembra o vocabulário lovecraftiano. Não sei se essa expressão em exato consta de algum de seus livros, mas…É bem sinistro. Ainda quero falar mais um pouco sobre Lovecraft aqui, inclusive tem uma HQ de Batman inspirada nele. Caso você não conheça sobre o assunto, vale a pena pesquisar um pouco. É terror que transcende o nível dos sustinhos baratos de cinema (falando assim eu fico parecendo o Basil Karlo criticando a indústria de terror, né), é de dar medo mesmo.
Batman acorda e está sendo cuidado por uma moça que guarda em sua casa os símbolos que Anthro havia desenhado no início da série. O símbolo do Superman e da Mulher-Maravilha. Vamos pensar sobre o assunto. Que tipo de colar algumas das pessoas cristãs usam em seu peito ou penduram em sua parede? Um crucifixo. Que simboliza deus, um culto à divindade que acreditam.
02-02A moça, que carrega uma doninha, promete cuidar de Batman. Muitas moças adorariam cuidar de Batman, mas somente uma delas carrega consigo uma espécime de quadrúpede. Selina Kyle. Também lembra Selina no fato de que ela também perdeu os pais e ficou à mercê da sorte durante anos. Ela faz a referência ao mal que acometeu Bruce: “Um grande deus negro pôs uma maldição em você.”
Agora temos aqui algumas páginas em que buscaremos entender melhor o que está acontecendo aqui. Peço desculpas se houver alguma falha na minha explicação, eu não tenho nenhuma especialização no assunto, mas vá lá. Por favor, se alguém entender mais do assunto e quiser me corrigir, sinta-se à vontade.
02-03Você conhece as três dimensões: altura, largura e profundidade. A quarta dimensão é o tempo. Depois da quarta dimensão já não entendo nada, nem vou tentar explicar. Ok, considere que você esteja vivenciando a quarta dimensão, o tempo. No tempo, você sai do ponto A (seu passado) para chegar ao ponto B (seu futuro), e há uma relação de sucessão nesse movimento – o ponto B acontece DEPOIS do ponto A, e não ao mesmo tempo. Porém, visto “de fora”, esses pontos A e B poderiam estar acontecendo de maneira simultânea. Para quem enxerga assim, o ponto B já está estabelecido; porém, a maneira como se sai do ponto A para chegar ao ponto B ainda não está determinada, podemos seguir uma série de alternativas – o livre-arbítrio. É aí que entra o conceito do Efeito Ômega; uma energia capaz de criar curvas nesta linha que nos leva ao ponto B, o que criaria um caminho sem começo nem fim. E, ao mesmo tempo, paralelamente aos planos temporais, está o cubo temporal; e nesses cubos, estão criaturas com tamanho, largura e dimensões que não podemos imaginar. Por isso Batman apareceu lutando contra aquele monstro absurdamente grande durante sua passagem temporal. O bioarquivista, que aparece falando com os heróis, explica mais ou menos isso aos heróis.

Voltando ao mundo em que o Morcego está, na Idade Média… Encontramos um Pastor revistando a casa de uma senhora que afirma que o marido foi levado pelo demônio. Só que ele acaba culpando a própria senhora pela morte do marido, além de acusá-la de bruxaria, uma prática típica da Idade Média para justificar fenômenos que eles não podiam explicar, ou mesmo de marginalizar outras religiões, como fazem até hoje.
A senhora (que pode até ser uma assassina, mas não é bruxa) é defendida no último instante por um pastor puritano – Bruce Wayne. Ele lembra um grupo mais radical do protestantismo, os anabatistas, que tem uma interpretação mais consciente dos escritos bíblicos e da própria palavra sagrada, uma leitura menos mística e mais lógica (isso é a cara do Batman). Seu nome agora é Mordecai Wayne. Batman ainda não se lembra de seu passado – embora tenha flashes da Batcaverna. Assim como Annie, a moça que o acolheu, ele também está perdido.
02-04Em sua postura como Mordecai, Batman rapidamente conquista a inimizade do Pastor que citei logo acima (que usa o codinome Malleus, Martelo em latim, ocultando seu nome para evitar ser encontrado por bruxos – uma prática comum dos inquisidores). Ele acha que a postura de Mordecai (Batman) de uma interpretação mais racionalizada e menos mística dos eventos que não consegue explicar é uma heresia, uma evidência da falta de fé: “um homem que nega o diabo, também nega a deus!
Algo de que você deve se lembrar: Batman deixa um livro com um homem chamado irmão Martin, um livro no qual estão escritas coisas das quais ele “precisa se lembrar”.
É revelado a forma como Batman chegou especificamente até ali: Na mesma caverna que Anthro usou; na mesma caverna do Povo-Morcego (e que um dia será a Batcaverna) Annie rezou e implorou aos seus próprios deuses que enviassem a Justiça, e também alguém que acabasse com a sua solidão. Assim, Annie atrai Batman para a sua época e momento. Mas também acaba convocando aquele monstro com o qual Batman teve que lidar logo que chegou aqui. Os inquisidores, abusando da força, conseguem acabar com Annie. E onde estava Batman? Lutando contra o monstro – nem deus, nem demônio.
E então, eis que cai um eclipse. Lembre-se que, nessa saga, as passagens temporais são feitas por eclipses. Antes disso, Superman e os outros heróis da Liga da Justiça ficam presos numa bolha temporal e tem que lidar com uma imagem – uma espécie de holograma – de Batman, e descobrimos que, nessa vertigem temporal a que Batman está sendo submetido, se ele conseguir alcançar o século XXI, ele matará todo o mundo. O juízo final.
Outro detalhe: Malleus se chama, na verdade, Nathaniel Wayne. E ele é amaldiçoado por Annie até o fim dos tempos.
Vamos para a próxima edição.

Volume #3 – Os “ossos da Baía Bristol” (Piratas)
(The Bones of Bristol Bay, roteiro de Grant Morrison e arte de Yanick Pasquette. Agosto de 2010)

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03-01Yo ho, yo ho, a pirate’s life for me! Proteja seus tesouros porque agora vamos falar de piratas. Essa edição tem algumas referências sobre piratas que provavelmente passaram despercebidas por mim porque esse não é um estilo que costumo ler muito. Agradeço a quem quiser me acrescentar algo.
A história é narrada por um personagem chamado Jack Valor, no ano de 1734. Quem é ele? Vamos descobrir.
O Barba Negra já apareceu na última página da edição anterior, e agora… Ele acredita que Batman é o seu rival, o Pirata Negro – que todos acreditavam estar morto. Sua memória começa a lhe revelar trechos do que aconteceu a ele, mas ainda assim ele não consegue conectar todos os pontos.
03-02Bom, já que Pirata Negro não é uma lenda, é hora de Barba Negra dar seguimento ao seu plano: ele está à procura de um tesouro do Pirata Negro, que ouviu dizer que estaria na Baía de Gotham. O tesouro do Povo-Morcego, os Miagani. Apesar de sua fama, o capitão Barba Negra evitava derramamentos de sangue desnecessários ou tratamentos cruéis a não ser quando se fazia urgente. Seu verdadeiro nome é Comodoro Thatch (existem várias grafias para seu sobrenome: Thatch, Thach, Thache, Thatche…).
Novamente aparece a futura Batcaverna; lembre-se que Batman é recolocado em lugares em que sua justiça se fará necessária, e que de alguma forma foram significativos para sua história. Ele precisa proteger os Miagani.
Bruce prova sua genialidade ao conseguir deduzir a condição econômica de Jack Valor observando detalhes de sua vestimenta. E alguma espécie de “memória” o faz relembrar de todas as armadilhas que os Miagani deixaram na caverna.
03-03Enquanto isso, na Sala da Justiça, os heróis que sobraram estão deliberando sobre seus próximos movimentos, agora que sabem é uma ameaça se voltar para o século XXI. Eles também já sabem que, de alguma forma, Batman encontrou um meio de se salvar. E é através das pesquisas de Red Robin que eles começam a entrar no encalço de Batman através do tempo.
De volta ao tempo dos piratas. As coisas ficam um pouco quentes por lá e os piratas acabam derrubando Batman de uma queda d’água- o único que sabia como sair da caverna sem ser ferido pelas armadilhas. Finalmente descobrimos a verdade: Jack Valor é o verdadeiro Pirata Negro. Bruce consegue uma capa, com a qual afugenta a tripulação. E conhece a tribo-morcego, os Miagani.
03-04Ao ser recebido pela tribo-morcego, Batman encontra uma imagem de si mesmo, da sua época de Homem-dos-Morcegos sob a qual se ajoelha: esse povo o “esperava” desde o começo dos tempos, para que faça a justiça. Como eu disse ali em cima, Batman sempre é levado aos momentos da história em que sua habilidade de fazer justiça é necessária. Esse momento simbólico o ajuda a recuperar uma parte de sua memória.
03-05Mais um eclipse. Batman já percebeu o padrão de sempre sumir durante os eclipses, e se despede dos Miagani e de Valor. Conforme nos relata em seu diário, Valor segue com sua carreira de Pirata Negro até conhecer uma garota.
Contando com a ajuda de Valor, Batman consegue proteger a história daqueles momentos que viveram. Batman pediu a Valor que arquivasse duas coisas: uma anotação incógnita e uma arma secreta, que é também o tesouro dos Miagani.
Por fim, ouvem-se sinos, cujo simbolismo será explicado na edição #6. Como os sinos do juízo final. O sino do Fim dos Tempos.
E, de quebra, um teaser da próxima edição: Jonah Hex. Velho Oeste. Uma referência engraçada é uma carta do Coringa sendo jogada pelo Jonah. Ele está ameaçado por um atirador mais competente, rápido e mais poderoso que ele. Adivinhe quem é.
Prontos para a próxima edição?

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#83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido” – 4ª Parte)

Reborn

Olá!

Ao longo dos últimos posts da saga “Batman: Renascido”, temos conhecido um pouco mais sobre Batman e Robin.
Mas não Batman e Robin como estamos acostumados. Agora temos uma nova configuração da Dupla Dinâmica. Batman é Dick Grayson, o filho pródigo de Bruce Wayne – agora desaparecido/morto. E Robin é… Damian Wayne. O incontrolável, insolente e impulsivo filho de 10 anos de Bruce Wayne, treinado pela Liga dos Assassinos para ser uma máquina mortífera, estava sob os cuidados de Batman antes de seu desaparecimento – numa tentativa de refrear sua personalidade explosiva. Como as coisas chegaram até aqui? Como essa nova Dupla Dinâmica vai reagir diante dos inúmeros desafios que só Gotham City pode proporcionar?
É o que vamos descobrir lendo a HQ de hoje. Prepare-se para ler “Batman e Robin” (roteiro de Grant Morrison e arte de Frank Quitely)!

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001Antes de começar, vou recapitular um pouco a decisão de Dick Grayson de fazer de Damian Wayne o seu novo Robin citando o penúltimo texto de Augusto“Dick precisava dele ali bem na frente de seus olhos, nada melhor do que fazê-lo Robin e ir ensinando as coisas já na linha de fogo.”
Claro que não seria fácil. Damian não é fácil de lidar. E em todas as ocasiões possível a provocação entre Dick, Tim e Damian era muito clara, muitas vezes evoluindo até para a violência física. Mas agora é hora de deixar essas rinhas de lado visando um objetivo maior: proteger Gotham do caos que se instaurou com o desaparecimento do Morcego.

003Chega até a dar pena dos marginais de Gotham, que acharam que tinham se livrado para sempre do pesado punho da justiça que Batman socava no meio da cara deles. Bom, o Morcego está de volta, com um belo e high-tech Batmóvel. Eles perseguem um grupinho meio estranho liderado por um homem com cara de sapo (ah, os vilões excêntricos da cidade…) que se refere ao seu chefe como Pyg. Uma transação de drogas, cujo pagamento é feito em… Dólares? Euros? Barras de ouro que valem mais do que dinheiro? Não, amigos. Dominó. Pagamento feito em dominó. O que isso significa?
Para descobrir, Dick se utiliza da velha técnica de seu mestre de ameaçar jogar o vilão-sapo, chamado Toad, de um penhasco de 90 metros – mas essa técnica não funciona bem, porque o batráquio não abre a boca. Deve estar costurada (tá, essa foi ruim).

006Como Dick Grayson está se sentindo no papel de Batman? Péssimo. Não que ele esteja perto de desistir, longe disso. Tampouco ele está indo mal –é provável que Batman ficasse orgulhoso. Mas apesar de ter sido treinado para isso, ele nunca pensou que efetivamente que PRECISARIA assumir esse papel. Só a perspectiva já o fazia ter insônia e medo. Nunca achamos que vamos perder alguém que amamos, mesmo sabendo que isso irá acontecer um dia, nunca estamos preparados.
004E Damian… Apesar de toda a impulsividade e todas as coisas que nós já estamos cansados de saber sobre o menino, por trás da máscara de insolência existe a coragem típica dos Wayne, a determinação de aprender, de aprender a fazer o que é correto – apesar de sua criação baseada no assassinato como um recurso banal, ele quer aprender a fazer o certo. Falando assim parece que o garoto é perfeito, mas ele está louco pra virar o Batman. É claro que ninguém vai deixar um garoto de 10 anos ser o Batman, então no momento ele vai ter que se contentar com o R sobre seu peito mesmo. O crime que se cuide.

Bonito ver Batman e Robin atendendo o chamado do Comissário Gordon, que vem ligando o Bat-sinal incessantemente desde que Batman sumiu. Eles justificam o sumiço dizendo que estavam “melhorando os equipamentos”. Gordon percebe a diferença na estatura física de Batman (Dick sempre foi ligeiramente menor, mas compensava esse pequeno empecilho com a sua agilidade de acrobata).

Batsign

008E qual é a zona da vez em Gotham? Vamos por partes. Tem um vilão tocando o terror em Gotham (novidade). Um carniceiro com uma máscara de porco. Isso já seria suficiente para assustar um desavisado, mas ainda temos um adicional: o porquinho aí curte amarrar pessoas e colocar máscaras de rostos novos fervendo sob os rostos dos seus inimigos. Máscaras de bonecos. Welcome to the mad house.
Não pense que acabou. Tem uma trupe de circos “extrema” causando problemas em Gotham, chamada “Le Cirque d’Etrange”. Um rapaz em chamas que coloca fogo em quem encosta, uma mulher barbada com obesidade mórbida chamada Lona, ninjas carecas amarrados pela cintura que tem o desplante de chamar Batman de “aberração exibida”. A luta evolui de tal forma que Damian acaba se afastando de Batman e desobecendo suas ordens, como falarei melhor a seguir. E com o que essas lindas crias do pior que há em Gotham estão trabalhando? Drogas de controle mental e traficantes russos. Uma combinação explosiva.

005A noite foi horrível, quatro policiais mortos e seis gravemente feridos. Bruce realmente se orgulharia? Nesse momento, fica difícil dizer que sim. Robin está tendo imensas dificuldades em se ajustar ao método de “uso conveniente de violência”. Ele acaba indo muito além no papel de intimidar um suspeito, ecos de seu severo treinamento na Liga dos Assassinos. Mais do que isso, ele sente falta de seu pai, da autoridade que ele impunha, o único que conseguia dar a ele uma ordem de verdade. Ele enxerga Dick como um mero imitador de Batman – e a cidade toda parece pensar isso. Talvez seja hora de encarar o manto de Batman sob uma nova perspectiva. Uma perspectiva de performance, como nos tempos de circo. Uma interpretação. Potencializar as qualidades de Grayson, ao invés de criar um memorial sobre Batman. Um verdadeiro herói. Essa decisão foi tomada sob influência de Alfred, como falarei também no fim do texto.

Robin, nossa pequena ave impulsiva, foi pega como refém pelo excêntrico doutor Pyg (traduzido aqui como Doutor Porko). Cabe aqui uma pequena citação do próprio Grant Morrison a respeito desse vilão; ele foi descrito como (tradução minha):

“[…] um dos mais estranhos e insanos personagens já vistos em Batman. Nós sempre ouvimos falar sobre Batman enfrentando vilões loucos, mas tentamos fazer esse cara parecer genuinamente perturbado e incoerente.”

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Comentários sobre a polêmica envolvendo Grant Morrison e o final de “A Piada Mortal”

Olá!
Estamos aqui para um post excepcional. Atendendo a vários pedidos, eu e o Augusto viemos hoje comentar a mais recente polêmica envolvendo os quadrinhos do Batman.

No último dia 16, o autor Grant Morrison fez uma série de afirmações bastante controversas a respeito de uma das obras clássicas do Batman durante a gravação de um podcast com Kevin Smith. Ele se refere à HQ “A Piada Mortal“. Você pode ler a minha resenha clicando aqui (por favor, leia antes de prosseguir o texto).

CAPA

Morrison, roteirista de HQs como “Batman e Filho”, “Luva Negra” e “Descanse em Paz”, veio a publico rever o final da história “A Piada Mortal”, de Alan Moore e Brian Bolland. Vamos rever a última página.

Ultima página

Ele afirma que, nesse encerramento, Batman MATOU Coringa apertando sua garganta com as mãos. Ele diz:

“Ninguém entende o final, porque o Batman mata o Coringa. Por isso se chama A Piada Mortal. O Coringa conta a Piada Mortal no fim, Batman estica suas mãos e quebra seu pescoço, e por isso a risada acaba e as luzes vão sumido, porque essa era a última chance de atravessar essa barreira. E Alan Moore escreveu a história definitiva de Batman/Coringa – ele finalizou tudo.”
“Mas ele [o artista Brian Bolland] fez de uma forma que ficou ambíguo, então ninguém precisa ter certeza, o que significa que não precisa ser a última história Batman/Coringa. É brilhante!”

Você pode ouvir esse trecho da entrevista no seguinte vídeo:

Posto isso, vamos à minha análise e, em seguir, a do Augusto.

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#77 – Batman: Últimos Sacramentos

“Pobre Gotham City… Hoje ela precisa de seu Cavaleiro das Trevas, e ninguém sabe onde ele está. Ou se está vivo.”

Olá!
O texto de hoje é sobre uma saga que serve de ponte entre os últimos acontecimentos e um momento decisivo que acontecerá no próximo post. Veremos como Gotham está se virando durante a ausência de seu maior herói. Sejam bem-vindos a “Batman: Últimos Sacramentos” (Batman: Last Rites, roteiro de Grant Morrison, Paul Dini, Dennis O’Neil, Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, Dustin Nguyen, Guillem March, Doug Mahnke, 2008. Na tradução da Panini recebeu o título de “Funeral para o Morcego“).

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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001Fazem parte dessa HQ dois volumes que estão inseridos na “Crise Final” também, a Batman #682 e #683 (que aqui no Brasil recebeu o nome de “Elegia para um Herói”. É uma retrospectiva sobre a carreira de Batman, mas não do modo como já conhecemos – ele introduz elementos controversos, novidades, conceitos inéditos e estranhos. É a oportunidade perfeita para Morrison adicionar elementos na cronologia de Batman, ressuscitar personagens que não são muito utilizados – como a primeira Batwoman, Betty Kane.
Como uma colagem de flashbacks de Batman em detrimento de uma leitura linear, vemos Batman e a ascensão de Dick Grayson de acrobata que perdeu os pais numa queda criminosa ao papel de Robin, que depois segue carreira como Asa Noturna. Em certo momento ficamos confusos quando ao que é passado e o que é presente, ou quem é o narrador da história – muito provavelmente Alfred, ou então a mente do próprio Batman? Vemos cada um dos momentos tristes de Batman – a perda de Jason Todd, os vilões maníacos que enfrentou, as pessoas que não pode salvar, todo o remorso que carrega. Mas também vemos um futuro que poderia ter existido caso Bruce não tivesse perdido os pais. Uma tentativa de implantar memórias falsas em sua cabeça.
002Logo entendemos porque estamos tendo essas visões fragmentadas e dispersas: trata-se do momento da Crise Final em que, por ordem de Darkseid, o Lump se esforça para roubar as memórias de Batman para implantá-las num exército de “Batmen”, que seria usado para lutar ao lado de Darkseid. Contudo, Batman carrega uma carga de remorsos, estresse, culpa e sofrimento tão grande que os clones não suportam isso em sua própria mente – e começam a arrancar os próprios olhos, se destruir e entrar em conflito interno. E depois disso acontece tudo que já lemos no texto da Crise Final.
Aos poucos, vemos os personagens reconstruindo suas vidas depois do desaparecimento/morte de Batman durante a Crise Final.

003Asa Noturna está resolvendo pendências deixadas desde “Descanse em Paz”. Seu acerto de contas com Duas-Caras é bastante intenso (achei engraçado como Asa Noturna é desdenhoso com Harvey e o compara ao Linus, um personagem do Snoopy que só anda com um cobertorzinho para se sentir seguro). Eles se odeiam desde que Dick era Robin, e essa rejeição mútua apenas cresceu com o passar dos tempos. Harvey promete uma coisa: ele tem grandes planos para Asa Noturna ainda. Grandes planos.
Dick Grayson, Alfred e Tim Drake tentam levar sua vida na Mansão Wayne de forma normal, mas agora sem a presença silenciosa porém vital de Batman. E embora todos tentem agir como se a vida continuasse, fica claro para nós que não é assim. Falta o essencial. Sobra silêncio. A lacuna que Batman deixou.
004A história chamada “Últimos Dias de Gotham” nos leva ao encontro de Millicent Mayne, uma atriz que vê sua vida ir do topo ao fundo do poço; é considerada “o rosto de Gotham”, por sua grande beleza e por ser uma benfeitora dos pobres de Gotham, até que Duas-Caras decide jogar ácido em seu rosto durante um baile de caridade. Duas-Caras está deixando a cidade mais caótica do que nunca na ausência do Cavaleiro das Trevas. E é hora de Dick Grayson ajudar. Ele está sobrecarregado, e ainda por cima desorientado pela ausência de seu professor e tutor. Quando Alfred lhe oferece um dos Batmóveis, ele recusa: “Não, obrigado. Eu… Eu não sou o Batman, e me sentiria estranho se dirigisse o carro dele.
006Grayson não se sente à altura de Batman. Ele se cobra demais, acredita que falha em absolutamente todas as suas decisões, não se acha minucioso o suficiente, vê falhas em seus planos. Sua mente está obscurecida, ele não está pensando direito devido ao que aconteceu com Bruce. E com o fato de ter que assumir responsabilidades que antes cabiam ao Morcego, falta a aptidão e experiência que tanto estamos acostumados a ver.

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Com a ajuda providencial de Alfred, Dick decide… Tentar de novo. Em certo momento desse arco, Asa Noturna visita o Beco do Crime para rememorar o que aconteceu com Batman – sobre como a .45 automática de Joe Chill destruiu a vida dos pais de Bruce e destruiu todo o seu futuro, ditou como seria sua vida. É um trecho de uma carga emocional indizível. Ele é eternamente grato a Bruce por ter dado um futuro a ele no momento mais triste de sua vida.

Dick se enxerga em Batman. Ele também perdeu seus pais em circunstâncias trágicas. Ao acender uma vela no Beco do Crime, em memória dos pais de Bruce e de seus pais. E se lembra de outra vela que acendera, no juramento que fizera com Batman ao se tornar Robin, muitos anos atrás.

“A luz dessa vela foi um farol para a alma de um jovem garoto… Me permitiu ver um caminho sem egoísmo e devoção. Devoção com um bem comum. E essa luz deve brilhar não importando o que aconteça.”

É emocionante vê-lo atendendo o Bat-sinal convocado por Gordon (que ao longo das noites vem incessantemente deixando o Bat-sinal ligado, numa tentativa de estabelecer contato com Batman). Diálogo interessante travado entre Gordon e o Harvey Bullock:

H: “- Ele vai nos ajudar em algo?”
G: “- Ele não é o Batman.”
H: “- Certo. O Batman não usaria as escadas.”

007

Mulher-Gato está mantendo Thomas Elliot, o Silêncio, em cárcere privado, como vingança pelo que ele fez a ela no arco “Coração do Silêncio”. De início ele é confundindo com Bruce Wayne, o que poderia causar problemas para a Bat-família porque Thomas Elliot, embora tenha a aparência de Wayne, não tem nada do seu caráter. Ele faz uma participação interessante nessa história.
Outra participação notável é a de Ra’s Al Ghul, que quer saber dos lábios de Dick Grayson a verdade sobre a morte do “Detetive”. Ele considera a morte de Batman algo injusto, afinal, era ELE quem estava destinado a matar Batman. Ele diz para Asa Noturna, enfurecido: “Um herói do calibre do Batman não deveria perecer nas trevas. Um herói como Batman deveria ter sido assassinado na luz mais brilhante do dia para todo mundo ver.” (Realmente ele sabe como consolar as pessoas, não?)

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#75 – Batman: Descanse em Paz

“Bem-vindos a Gotham City. Claro que ninguém nunca disse que seria fácil destruir o Batman. […] Mas este auto-intitulado bem feitor, esse aristocratazinho arrogante e mimado está prestes a ter um merecido e duro despertar. […] O que estamos prestes a fazer será uma obra de arte. Nada menos que a completa e total ruína de um nobre espírito humano. “

Olá!
Espero que tenham gostado do texto da Crise Final, escrito pelo Augusto.
Até esse momento, eu e ele viemos construindo um caminho, uma “estrada” para a HQ que venho apresentar hoje até vocês. E finalmente chega um dos momentos cruciais para o Batman Guide, e um dos momentos definitivos para a cronologia do Morcego: “Batman – Descanse em Paz” é a HQ de hoje.

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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No roteiro temos Grant Morrison e na arte nomes como Andy Kubert, Jon Van Fleet, JH Williams III e Tony Daniel – só os “dinossauros” da DC Comics. Antes de começar, uma pequena citação de Morrison para a Comic Book Resourcs, a respeito do destino de Batman em “Descanse em Paz” – se era definitivamente o fim do Bruce Wayne. A tradução é minha, mas você pode ler o original aqui:

“Sim, mas como eu digo: é bem melhor que a morte. As pessoas tem matado os personagens no passado, mas pra mim, isso meio que encerra a história! Eu gosto de manter a história girando e se transformando. Então o que eu estou fazendo é um destino pior que a morte. Coisas que ninguém nunca imaginaria acontecer com esses caras.”

Um segundo detalhe que ficou um tanto quanto escondido na tradução de “RIP” para “Descanse em Paz”. Como você deve saber, a sigla “RIP” é o acrônimo de “Rest in Peace”, que é literalmente “Descanse em Paz”. Então qual é o problema? É que depois de muitos eventos, foi revelado que a sigla “RIP” não significava exatamente isso, e sim outra expressão em inglês. Revelarei isso para vocês posteriormente. Caso você queira saber direto o motivo, você pode ler nesse texto (vários spoilers!)
Posto isso, vamos para a análise das 20 edições que compõe “Batman: Descanse em Paz”.

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Começamos com o volume “Meia-Noite na Casa da Dor”, que é uma espécie de prelúdio para os eventos que se seguirão. Você se lembra da minha resenha sobre “A Luva Negra”? Terminamos com Bruce Wayne se revelando para Jezebel Jet: ele é Batman. De fato, algumas outras mulheres de sua vida já souberam dessa ligação: Silver St. Cloud (uma mulher com a qual se envolveu na série nos anos 70), Sasha Bordeux. Um detalhe a ser notado é que nos relacionamentos anteriores de Batman ele jamais se “entregou” tanto assim, mostrou suas vulnerabilidades. Um Batman com uma paixão assim, quase adolescente… Isso é possível? É como se ele sempre tivesse amado Jezebel Jet (lembre-se disso posteriormente). Devido a esses fatores, Tim Drake está preocupado com a sanidade mental de Batman, diante dos acontecimentos recentes . Ao discutir isso com Alfred, o fiel mordomo afirma que as grandes habilidades físicas e mentais não permitiriam que Bruce Wayne se perdesse em loucura.

“Você entende que patrão Bruce tem uma visão clara da busca pela perfeição humana a qual constantemente empenha-se. O domínio físico absoluto das artes marciais, ginástica e ioga, as habilidades dedutivas e lógicas dos principais filósofos, cientistas forenses e detetives, o entendimento, discernimento e objetividade moral dos supremos adeptos do zen… Devo continuar? […] Ele é uma mente como nenhuma outra. Eu tenho sérias dúvidas se algum de nós irá compreender completamente suas decisões, mas nunca devemos subestimar sua força e resistência.”

002Contudo, fica muito claro para nós que talvez essa não seja a realidade. Batman começa a se perder em meio aos seus próprios pensamentos, em meio as suas idéias, suas concepções. Por favor, não se esqueça desse fato do qual eu venho falando desde “A Luva Negra”: a sanidade mental de Bruce Wayne está cada vez mais deteriorada, fragmentada, o limite entre e o que é real e o que é ilusão está cada vez menos nítido.

003Bruce e Jezebel recebem um estranho convite: “A Luva Negra concede um convite à senhorita Jezebel Jet e ao senhor Bruce Wayne… O tema desta temporada: danse macabre”.
Enquanto isso, no Asilo Arkham, Coringa é submetido a um teste de Rorschach – você vai se lembrar da edição “O Palhaço à Meia-Noite” da HQ “Batman e Filho”, em que Coringa só enxerga dor, morte, tripas, sangue e destruição. Aqui não é diferente: por alguns instantes, vemos como Coringa enxerga as coisas, pessoas mortas e sangue por todo o lado. E instantes antes antes do efeito dos calmantes passarem, ele é convidado por alguém em nome de Luva Negra, para “a dança da morte do Batman”.

Vamos fazer uma pausa. Eu gostaria que você percebesse um padrão em alguns momentos dessa história: a presença do padrão de cores vermelho e preto.
Na verdade isso vem ocorrendo desde “Batman e Filho”: a coloração do céu no momento em que Coringa leva o tiro. O Batmóvel. Jezebel Jet, novo amor de Bruce Wayne: uma mulher negra com os cabelos vermelhos.
Em “A Luva Negra” esse padrão se repete inúmeras vezes durante a formulação da teoria para destruir Batman. Inúmeras roletas de jogos de azar aparecem, sempre vermelhas e pretas.
Por que existe essa sugestão?
Vamos retornar à história “O Palhaço à Meia Noite“, contida em Batman e Filho. Veja esse quadro:

Red and Black

Vamos também dar uma olhada nas páginas iniciais de “Crise Final”. Batman também percebe essa combinação que aparece várias vezes, e então vai até o Asilo Arkham investigar isso junto a Coringa. Leia essa sequência.
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De uma maneira simplificada, vermelho e preto significam a luta entre a vida e a morte, entre o “bem” e o “mal”, e essa sugestão de conceitos dá a Batman uma idéia do que ele vai enfrentar, o tempo todo.
Outro conceito com o qual você vai se deparar é a “Mão do Morto“, (“Dead Man’s Hand”). Essa é uma jogada de pôquer que consiste em um par de áses e um par de 8. Porém essa não é uma simples jogada, há uma lenda por trás dela; dê uma lida nesse trecho (Fonte)

“Em 2 de agosto de 1876, o jogador de pôquer profissional, pistoleiro, advogado e trambiqueiro Wild Bill Hickok foi até um saloon na cidade de Deadwood, Dakota, para faturar uns dólares em cima dos locais. Infelizmente, para ele, não achou uma cadeira vaga de costas para a parede e de frente para a porta, onde costumava sentar-se por precaução.
Interessado no jogo, ele se contentou com uma cadeira de costas para a porta. Má ideia.
Logo após receber um par de ás e um par de oito, todos pretos, um colega de profissão seu se aproximou por trás e o fuzilou na nuca. Como ele era uma espécie de celebridade no Velho Oeste, jornais publicaram várias matérias falando do sujeito e do jogo, com ênfase nas cartas na mão dele, que se tornariam sinal de mau presságio.”

Voltemos a “Descanse em Paz”. Na edição seguinte, “Batman no Submundo”, o Morcego está enfrentando um novo vilão mascarado de Gotham (mais um?) para saber o que todos nós nos perguntamos: Quem é o Luva Negra? Mas aparentemente aquele criminoso meia-boca não está envolvido com o Luva Negra. Gordon duvida de Batman, e dessa entidade/organização na qual ele anda insistindo tanto nos últimos tempos.
Enquanto isso, num prédio obscuro de Gotham, Dr. Hurt está combinando um novo plano contra Batman. Será um plano grandioso. Uma obra de arte, nada menos que “a completa e total ruína de um nobre espírito humano”. Questionado por um dos vilões se seria possível concluir uma tarefa que é tentada pelos inimigos de Batman há anos, Dr. Hurt responde: “Ninguém o conhece melhor que eu.” O método utilizado será a indução da frase Zur-En-Arrh, a frase gatilho implantada na mente de Batman anos atrás. Um botão, e Batman se autodestruirá.

Ao ver a capa das edições, perceba que Batman parece cada vez mais… “Afundar”. Assim como sua mente, louca e incerta. Ele está cada vez mais mentalmente instável, e você observará isso na bipolaridade das reações que tem ao conversar com Jezebel, por exemplo. Ela começa a discursar que talvez seja melhor ele superar o trauma da morte de seus pais e abandonar todo aquele “império” construído sob sangue, violência e tristeza. Esse quadro retrata como Batman se sente cada vez mais sufocado, engolfado por uma mente fragmentada, vulnerável. Todo o sofrimento parece chegar cada vez mais para cima dele, avolumar-se sobre suas costas.

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004É quando Jezebel sugere que A Luva Negra é… O próprio Bruce. E sua teoria faz sentido: quem conhece melhor que ninguém todas as fraquezas de Batman? Quem é o único humano páreo para um combate corpo-a-corpo com Bruce Wayne? Quem também adora mistérios, charadas, e tem tantos recursos bélicos e logísticos para declarar uma guerra contra Bruce Wayne, além dele mesmo? Mas ele não quer sucumbir. Ele não quer. Tanto que ele ignora uma série de documentos sobre esses casos – eles vivem sendo deixados em sua mesa por Alfred, esquecidos (!) por Bruce.

E essa edição termina com Batman tendo um colapso e sendo atacado pelo Clube de Vilões, assim como seu fiel mordomo Alfred.

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O próximo capítulo se chama “Zur-En-Arrh”. Certo, vamos parar um pouco nossa resenha para esclarecer um pouco sobre “Zur-en-Arrh”, recapitular seu surgimento e compreender seu significado.

005Já se sabia que Batman não estava em condições de aguentar o estresse mental a que é submetido todos os dias desde muito pequeno. Então, como você vai se lembrar da HQ “A Luva Negra“, o Dr. Hurt torna-se uma espécie de “especialista” em Batman, e ao estudar sua vida, entende que o que dá origem a Batman é o trauma, a violência que sofreu, as dores recorrentes do seu sofrimento, e de uma decisão de não tomar isso de maneira passiva. E então, em conjunto com o exército e o Departamento de Polícia de Gotham, Dr. Hurt conduz um experimento em que cria três “versões” de Batman para substituí-lo quando sua mente entrar em colapso definitivamente. Contudo, essa experiência não passa de um pretexto para que ele induza Batman a experimentos psíquicos e coloque nele a frase-gatilho “Zur-en-Arrh“. E o que diabos é uma frase-gatilho?
A frase Zur-En-Arrh é uma ferramenta que destrói a força de Batman, dispara nele um estado de fragilidade mental e consequentemente física – para que exponha sua fraqueza Como ele diz nessa HQ: “Os Meios extremos que o nosso garoto usou para se fortalecer são fortes indicadores da fraqueza que ele sente que precisa superar. Essa Fraqueza ainda está dentro dele”.
Agora você me pergunta porque dessa palavra, e não qualquer outra do dicionário de qualquer língua do mundo. Bom, eu vou te contar isso no final do texto.

Há uma história publicada na Batman #113 chamada “Batman – O Superman do Planeta X,” – você pode baixá-la clicando aqui. Batman, tendo inalado uma certa quantidade de gás tóxico liberado pelo Dr. Milo, fantasia com um sósia de outro planeta. O planeta se chama “Zur-En-Arrh”, e o Batman de lá é mais rápido, mais esperto, mais sagaz, mais capacitado, quase perfeito. Ou seja, era a perfeita materialização daquilo que ele mais desejava, a perfeição e plenitude.

Bom, agora que explicamos a origem dessa frase-gatilho, sabemos a armadilha a que Batman estava submetido e o quão perigoso seria o momento em que essa frase fosse disparada na cabeça de Wayne. E agora ele sucumbe à loucura de uma vez.
Bruce Wayne está perdido em Gotham City. Ele não faz a mínima ideia de quem seja, de onde veio, sua identidade secreta. Ele não perde todas as suas habilidades, como por exemplo a sua capacidade de defesa física, mas ainda assim não conhece mais sua identidade. Agora é a parte em que você me pergunta onde estão Alfred, Dick e Tim Drake. Entretanto, tudo havia sido muito bem planejado por Dr. Hurt: ele conseguira impedir todos aqueles que poderiam resgatar e salvar Batman. Alfred foi abatido agressivamente pelo Clube de Vilões. Dick Grayson foi fortemente drogado e provisoraiemente jogado no Arkham como se fosse um criminoso. O único que milagrosamente consegue fugir é Tim Drake, que se digna a dar uma olhada nos arquivos dos Casos/Arquivos Estranhos, que Batman vem ignorando por tanto tempo. Lá ele encontra referências a histórias das épocas mais antigas de Batman (um oferecimento de Grant Morrison). Descobre que o pai de Bruce, Thomas, já havia se vestido como um Homem Morcego numa festa.

006Vagando por Gotham City, Batman encontra Honor Jack, um misterioso homem que o entrega uma Bat-Rádio, um dispositivo que lembra as Mother Box descritas pelo Augusto no texto da Crise Final. Entretanto, uma revelação questiona o comprometimento mental de Wayne: ele descobre que Honor Jack havia morrido na noite anterior ao momento em que o encontrou.
Depois disso e de saber que precisa se localizar no mundo, o errante Bruce Wayne precisa começar sua experiência como ser humano do zero. É hora de renascer. Como o Batman de Zur-en-Arrh. O personagem de Bat-Mirim é um duende alienígena da 5ª dimensão, uma espécie de último elo entre o Batman de Zur-en-Arrh e a realidade.

BatmanDeZurEnArrh Continuar lendo

ENTENDENDO: Crise Final

Preparem seus objetos pontiagudos, tochas e correntes, vamos falar do Grant Morrison. Brincadeira, foi só pra descontrair. Sabem que o sujeito não é muito “querido” por suas decisões dentro de histórias e tal.
Hoje estamos aqui reunidos em nome da “Crise Final”, lançada em 2008 pela DC comics. Uma grande saga escrita (como eu disse antes) pelo Grant Morrison, e desenhado por Dough Mahnke, Marco Rudy, Carlos Pacheco e J. G. Jones.
A história usa elementos que já existiam nas histórias da DC desde que o mundo é mundo, então tecnicamente eles não fizeram mais do que mesclar tudo de maneira equilibrada, fazer um crossover macabro de grande entre tudo que era elemento disponível e fazer tudo ter coerência (a parte complicada na vida do Morrison).

NOTA: Por favor, não confundir com as seguintes crises:

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Assim como na Crise Infinita, já lhes adianto que praticamente TUDO que ocorre de confuso ou sem pé nem cabeça, é devido a quantidade de informação que há dentro das histórias. Alguém ai sabe o que é a “Source” ou o “Source Wall”? Já ouviram falar de “Fourth World”? Sabem quem são Astorr e Drax? Pois é, informações inacessíveis dentro do universo Morcego. Não estamos falando de Gotham, estamos falando de vários universos, do Multiverso.
Sabem quando algum conhecido de vocês fala “Nossa, mas essas Crises são uma confusão”, “Caramba, mais uma crise?!”, eles tem razão, é confuso DEMAIS, pois envolve elementos espaciais, dimensionais, povos de outros planetas, coisas de origem desconhecidas… Enfim, é meio como tentar explicar a origem do universo, da vida e etc. A origem de certas coisas ainda tem que ficar em branco.
As consequências dessas ideias do Morrison sempre mudam consideravelmente as coisas no rumo das histórias, depois da Crise Final, então… A coisa mudou MUITO, principalmente nos títulos do Morcego e do Azulão (outrora chamados de Batman e Superman).
“Porque tanto se fala em ‘confusão’ nessa Crise?”. É simples. O Sr. Grant Morrison tem uma aptidão inigualável pra fazer merda. Antes que digam que eu cuspi pro alto, eu já elogiei SIM as consequências da Crise Final em algum texto, pois pra mim abriu um leque de possibilidades e situações inimagináveis no universo do morcego, foi brilhante MESMO as novidades e mudanças inseridas, mas o CAMINHO pra se chegar até ali, e o CAMINHO pra se retornar a normalidade… É ai que mora o problema.
O que ele fez na Crise Final foi bom, o que ele fez nas histórias do Batman antes e depois da Crise é onde mora o problema. Geralmente o problema dele com os roteiros do Batman é sempre o CAMINHO entre a cabeça dele e o papel, o caminho entre o início e o fim da ideia. O Morrison é bom roteirista pra coisas de existência, espaço, planetas, raças, blablabla, é complexo sim, não tiro mérito dele, mas pra escrever Batman não deveria ser uma pessoa assim.
Não sei dizer se o Morrison é a contraparte do Brian Azzarello, pois o Azzarello é um roteirista perfeito para tramas urbanas, e o Morrison para tramas universais. Não achem o fato de um universo ser maior que uma cidade faz o Morrison mais criativo que o Azzarello, muito pelo contrário, para se fazer uma trama urbana BOA tem que ser criativo pacas, pois a trama urbana tem mais compromisso com realidade e um leque menor de possibilidades, coisa que não existe nas tramas universais.
Roteiros urbanos do Morrison são como contar uma piada faltando um personagem, ou contar uma piada esquecendo de dizer que eles estavam em um avião com o Papa, o Fidel Castro e o Michael Jackson. Você lê as histórias com a nítida sensação de que perdeu algo, ou que deixou de ler alguma história. Ele é daqueles que mudam as coisas DE QUALQUER JEITO pra chegar no resultado que ele bolou inicialmente.
Um EXEMPLO: Se pra fazer uma crise na qual o Superman morre no fim ele precisasse fazer com que houvesse um tipo de kryptonita cor-de-burro-quando-foge que quando o Clark encosta ele automaticamente EXPLODE, o Morrison simplesmente colocaria essa kryptonita no roteiro e dane-se a origem dela, dane-se quem encontrou, como encontrou e porque isso explode o Clark. Pro Morrison TANTO FAZ esse tipo de coisa. Capaz dele dizer “essa kryptonita cor-de-burro-quando-foge já existia desde sempre, eles só não tinham conhecimento”.
Bom, isto posto, não esperem total coerência entre os fatos, e se dêem por satisfeitos dele ter saído da DC esse ano. Vou fazer um resumo da Crise Final, totalmente a estilo do texto da Crise Infinita que temos aqui no blog. Não estranhem se parecer faltar alguma explicação quanto a algo, algumas coisas realmente não tem explicação.

Parte 1

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Monitor e Anti-Monitor

Começando do início: Na Crise Infinita fomos apresentados a serem antiguíssimos como o Monitor e o Anti-Monitor, que tem vários bilhões de anos de idade, cerca de uns 13 bilhões que eu me lembre (não que eu tenha estado lá no início pra confirmar).
Apesar do Anti-Monitor usar a antimatéria e o outro ser a contraparte que “desfaz”, isso não necessariamente faz deles os criadores do universo, nem os seres mais antigos do mesmo. O Monitor e o Anti-Monitor surgiram quase junto com a criação (acidental) do multiverso, coisa que foi desencadeada por um cientista habitante do planeta Maltus, planeta este em que surgiu uma das primeira raças inteligentes do universo, os maltusianos.
Quem fez a cagada que gerou o multiverso foi um cientista maltusiano chamado Krona. Pois é, até então, não existiam outras dimensões. Nada de Earth 2, Earth 3, Earth1/New Earth nem nada. Era só o universo, sem outras versões.

Krona

Krona

Como eu disse, Krona era um maltusiano. Os maltusianos posteriormente então tornaram-se os Guardiões do Universo. “Porque?”
Krona tentou assistir o momento de criação do universo usando uma máquina de “mesclar tempo”, é como se fosse uma “viagem no tempo controlada”. O experimento deu errado, e de alguma forma ele corrompeu o momento da criação do universo, a energia meio que transbordou… É complicado explicar. Digamos que o nosso Big Bang teve janelas a mais por onde vazar e graças a isso criou mais de um universo. Todos eles coexistem separados por uma fina camada vibratória. Esse transbordamento gerou o multiverso.
Hoje em dia, do lado de cá das páginas, nós estamos ai com o LHC tentando recriar um bigbang. Daqui a pouco fazem um multiverso sem querer, daí eu quero ver. Vai ser um tal de “Não fui eu, foi minha versão da Earth 2” pra tudo que é canto.
Os maltusianos vendo a barbeiragem que o Krona fez, sentiram-se responsáveis por tudo, e decidiram então por proteger o universo, deixaram o planeta Maltus pra trás e mudando-se pro planeta “Oa”, que é a sede da Tropa dos Lanternas Verdes atualmente. “Porque foram justo pra Oa?” O planeta Oa fica exatamente no centro do universo e a partir dali eles mapearam o universo em setores. Oa fica no “Setor 0”, Maltus no “Setor 38”, a Terra fica no “Setor 2814”, Krypton no “Setor 2813”, Daxam (planeta do Mon-El) no “Setor 1760”, Tamaran (planeta da Starfire) no “Setor 2828” e daí seguem as divisões.
Muito bem. Em uma das luas de Oa, nasce o Monitor, que é tipo a personificação de toda energia positiva dos universos. Como o multiverso é cheio de facetas, um dos universos que nasceram a partir da burrada do Krona foi o universo Anti-Matéria, que é uma cópia do nosso, só que todo ferrado em negatividade. Lá, o planeta que fica no centro do universo (equivalente a Oa) é Qwarf, e em numa lua de Qwarf quem nasce? O Anti-Monitor, a personificação de toda energia negativa.
O Monitor e o Anti-Monitor entram naquela guerra de bilhões de anos atrás que termina com ambos desacordados por uns 9 bilhões de anos, e acontece a “Crise nas Infinitas Terras”, onde eles morrem. Com a morte deles, surge um novo monitor em cada universo, e no fim das contas os monitores se juntam para fazer tipo uma “vigilância geral comunitária” de todos os universos, todos juntos. Ótimo? Não, pois sempre tem a maçã podre. Mais pra frente explico.

Malthusianos

Maltusianos

Em Oa os maltusianos perderam a aparência alta e cinza com cabelos negros, e a medida que envelheceram ficaram um tanto diferentes. Sabem aqueles “chefes” dos Lanternas Verdes? Vocês que já leram alguma história dos Lanternas Verdes com certeza já devem ter visto. São anões azuis voadores de roupa vermelha. Então, esses são os maltusianos. Ficaram aliviados de lembrar que eles são dos quadrinhos e não de alguma alucinação proveniente de absinto ou LSD? É, eu também.
Então, pra que esse discurso todo sobre os Guardiões e os Monitores? Mostrar a origem do multiverso e para dar uma noção de TEMPO, pois ainda faltam mais coisas bilhões de anos antes da origem do multiverso, coisas mais pra trás no único universo que existia até a gracinha do Krona.
A fonte de tudo que existe no universo, é a “Source”, ou Fonte mesmo, tanto faz. Chamarei de Source porque é o original. A Source, obviamente veio antes dos Monitores, antes dos maltusianos, antes de tudo. Digamos que é o olho do Big Bang. A Source é protegida por um muro, a “Source Wall” (Ah vá, sério?). Esse Source Wall não é algo com o que se brinque, dali não se passa, quem tenta simplesmente fica preso pra eternidade, seja lá que tipo de ser você seja. A Source (e por consequência a Source Wall) ficam no limite do que se conhece como universo.
Sejamos sinceros, se fosse pra definir a Source como alguma coisa, seria o que muitas religiões chamam de “Deus”. Isto posto, vamos para o tópico seguinte: Os mundos.
Eu disse lá em cima que os maltusianos foram uma das primeiras raças, mas não a primeira. Vou dar números aproximados, não me venham cobrar exatidão pois eu não tenho todas fontes disponíveis. Monitor e Anti-monitor devem ter uns 13 bilhões de anos, os maltusianos devem ter seus 15 bilhões… Mas antes de todos eles existiam os Deuses Antigos, esses com seus 18 bilhões de anos.
Digamos que as eras fossem separadas em “primeiro mundo”, “segundo mundo” e daí por diante. Esses deuses antigos viveram no que foi o “primeiro mundo” e “segundo mundo”, em um planeta chamado God World. No “primeiro mundo” (lembrando que é pra enxergar isso como contagem de tempo) as formas humanóides que se desenvolveram foram ganhando dons divinos, e quando essas formas humanóides tornaram-se deuses, entramos no “segundo mundo”.
Nessa parte digamos que a coisa ficou bem “Thor”. Lá pelo final do “segundo mundo” estoura uma guerra entre esses deuses, havia o lado do bem e o lado do mal, no lado do mal havia um tal de “Lokee”, que era o filho de consideração do governante entre os deuses, e devido a guerra entre os antigos deuses que eram absurdamente poderosos… BOOOM, God World fez o Harlem Shake e explodiu. Quase todo mundo morreu.

Highfather Izaya

Highfather Izaya

A explosão de God World gerou a “God Wave”, uma onda divina mesmo, que espalhou a essência de God World por todo o universo, possibilitando o surgimento de deuses (ou seres de poderes semelhante aos deles) em todos os planetas atingidos. Começa então o “terceiro mundo”, nessa época enfim ocorre o primeiro povoamento na Terra.
Os que sobraram de God World se separaram em dois planetas… Os bons formaram New Genesis, e os maus formaram Apokolips. E adivinhem só, depois que esses sujeitos de New Genesis e Apokolips conseguiram poderes semelhantes aos dos deuses antigos um tempo depois… Entraram em guerra de novo, dando inicio ao “quarto mundo”. Tanto New Genesis quanto Apokolips ficam no “Setor 38”.

Outro tópico encerrado, agora o tópico seguinte é: Os Novos Deuses.

New Genesis

New Genesis

New Genesis é um planeta pacífico e limpo, coberto pela natureza, muitas florestas, rios… E sua única cidade é uma ilha flutuante chamada Supertown. O manda-chuva de New Genesis se chama Izaya. Após seu primeiro encontro com a “Source”, ele mudou seu nome para “Highfather” (Pai Celestial), e trouxe a sabedoria adquirida com a Source para seu povo.

Highfather Izaya também foi o responsável por um experimento que consistia em selecionar alguns habitantes da Terra para serem levados para viver New Genesis. Esses passaram a ser chamados de “Forever People”. Darkseid até sequestrou uma dessas pessoas, e o Superman se meteu pra resolver. Enfim, são outros 500 que não vem tanto ao caso.

Apokolips

Apokolips… É localizada em um ponto vibracional entre o mundo físico que conhecemos e o inferno. É um lugar coberto de fogo, sem recursos, literalmente um inferno. Quem dá as ordens por lá? Uxas, posteriormente conhecido como Darkseid. Nem sempre foi ele, até porque nem sempre ele foi poderoso como é, esse poder “divino” veio através de um monte de jogadas e traições.

Uxas é irmão de Drax, ambos filhos do rei de Apokolips, que se perdeu há tempos no Source Wall. Drax era muito pacífico, e Uxas muito violento. O reino cairia para Drax que é herdeiro mais velho, mas Uxas é quem queria o trono, então ele simplesmente mata o irmão, que na verdade não morre, mas até ali Uxas não sabia.

Infinity Man

Infinity Man

Drax foi salvo pelo “Infinity man”, um cara chamado Astorr, cheio dos poderes e tal… Mas Astorr já estava nas últimas devido a idade avançada (não é tão “Infinity” assim, tá pior que a Tim), e pouco tempo após salvar Drax, Astorr morre e passa o cargo Infinity Man para Drax. Ele só vem a exercer o papel de Infinity Man após algum tempo de treino e estudos, mas assim que a coisa se torna oficial, ele vai a New Genesis servir ao Highfather.

Uxas

Uxas (Darkseid)

Bom, voltando ao Uxas, depois das tais jogadas e traições e conexão com a dimensão Ômega ele conseguiu poder suficiente, tornando-se o gorilão chefe de Apokolips, e adotando o nome de DARKSEID. O sonho do Darkseid não era coisa simples. Alguns se satisfazem ao rodar o pião do bau e ganhar uma casa, mas o Darkseid não… Ele queria mais. Ele queria a Equação Anti-Vida.
“Putz cara… Matemática nessa altura do campeonato?”. Calma lá, se fosse matemática nem eu iria gostar. A matemática é uma ciência exata, só que no caso dessa equação, os fatores são elementos de ciências humanas, ou seja, sentimentos e coisas do gênero. Uma expressão matemática onde no lugar dos números temos sentimentos e conceitos. A equação é a seguinte:

Solidão + Alienação + Medo + Desespero + Auto-estima ÷ Zombaria ÷ Condenação ÷ Desentendimento x Culpa x Vergonha x Falha x Juízo… n = y, onde y = esperança e n = loucura, amor = mentiras, vida = morte, eu = Dark side

Quando essa equação é dita na mente de um ser vivo, ele ganha a certeza de que a vida, a esperança e a liberdade não tem sentido. A equação anula o livre arbítrio de qualquer ser. Tá bom ou querem mais? Porque tem mais. Posteriormente é revelado que a Equação Anti-Vida na verdade é uma entidade viva, mais exatamente a contraparte da Source. A Equação Anti-vida é o outro lado da moeda, o yang.

Orion

Orion

Ai então novamente entram as guerras entre New Genesis e Apokolips. Mas como tudo demais na vida cansa, eles entraram em um tratado de paz bem diferente. Para mostrar que estão “na boa” um com o outro, Highfather e Darkseid fazem uma troca… De filhos. Isso ai, Darkseid manda seu filho Orion para ser criado em New Genesis e Highfather manda seu filho Scott Free (Mister Miracle, Senhor Milagre) para viver em Apokolips.
Orion cresce aprendendo a controlar sua fúria e se torna o maior guerreiro do mundo. Já Scott, cresce sendo criado por uma serva sádica do Darkseid, a Granny Goodness. Esse Scott tem um talento natural para… Escapar. Ele é o que chamam de “escape artist”. O Batman, por exemplo, também é um escape artist, mas o Scott… É outro nível. Uma frase do próprio Batman quanto ao Scott:

“Ele não se tornou o maior mestre de fugas do mundo pelos aplausos. Ele fez isso para sobreviver”.

Mister Miracle

Scott Free (Mister Miracle)

Scott tinha a bondade natural de New Genesis, e não se deixou levar por todo sofrimento e absurdos de Apokolips. A habilidade de escapar de tudo que é armadilha ou situação chamou a atenção de um sujeito chamado Himon. Ele é outro dos novos deuses, originalmente um cientista de New Genesis, que vive escondido em Apokolips.

Esse Himon é um inventor de primeira, ele é o descobridor do “Elemento X”, um material que é usado pra fazer outra de suas invenções, a “Mother Box”. Essa Mother Box é usada por praticamente todos os novos deuses, mais frequentemente encontrada em New Genesis.

Mother Box

Mother Box

Nem mesmo os próprios usuários sabem de todas capacidades das Mother Box, e dentre as habilidades estão: Mudar a constante gravitacional de uma área, transferir energia de um lugar pro outro, controlar o estado mental de outra pessoa, se comunicar por telepatia com outra forma de vida, manipular a força da vida e salvar pessoas de ferimentos letais, tomar controle de outras máquinas, evoluir outras máquinas, manter o usuário vivo em ambientes nocivos a sua saúde, tipo espaço ou lugares com veneno, e uma das principais funções, abrir e fechar os “Boom Tubes”.
Os Boom Tubes são como portais. Para quem tem alguma noção de astronomia, é o equivalente a um wormhole, ou buraco de minhoca. A teoria de que o caminho mais curto entre dois pontos NÃO É seguir uma reta, mas sim unir os dois pontos.
Há algumas Mother Boxes que tem capacidades diferentes. A Mother Box do Orion (filho do Darkseid) controla a raiva dele e também sua aparência. A do “Forever People” tem a capacidade de invocar o Infinity Man… E daí por diante.
Himon ensina o Scott a fazer a tal Mother Box. Essas caixas são tipo uma conexão com a Source, uma “conexão com o divino”. Com que cargas d’água o Himon criou algo que se conecta com a Source eu não sei. As Mother Box são caixas que aparentam ter quase o tamanho de uma fita k7, mas apesar de serem super computadores, ainda assim são organismos vivos.
Citação por fora… Há lendas antigas sobre um aparelho semelhante aqui do lado de fora dos quadrinhos, aqui mesmo no mundo onde vivemos. Explicaria muita coisa sobre nossas antigas civilizações. Alguns arqueólogos e estudiosos dizem que pra cortar e mover aquelas pedras de toneladas que nem mesmo nossas máquinas de hoje conseguiriam, os Incas usavam um aparelho de tamanho não muito maior que um controle remoto de TV, cedido por seres que vieram do espaço.
Há alguns daqueles registros antigos em paredes que mostram humanos usando algo do gênero pra cortar e mover os grandes blocos, e também havia algumas outras funções, acho que as pessoas voavam quando estavam em posse daquilo, enfim. Eu sabia o nome dado ao tal aparelho, mas esqueci e não encontro mais em lugar nenhum. Em todo caso, provavelmente a Mother Box foi baseada nisso.

Big Barda

Big Barda

Voltando ao Scott Free… Ele se apaixonou por Big Barda, uma mulher que fazia parte da tropa feminina de seguranças do Darkseid. É, o velho mano Uxas tinha guarda feminina igual o finado Muammar Gaddafi lá da Líbia. Por fim ela também se apaixonou por ele (o Scott, não o Gaddafi) e se casaram lá (em Apokolips, não na Líbia).
Com o tempo, claro, ficou inviável continuar lá, então Scott fugiu pra Terra, onde virou amigo de um escape artist que trabalhava em circo, um homem que usava o nome de Mister Miracle no palco. Após a morte desse homem, Scott assume o nome de Mister Miracle pra si. Big Barda também fugiu pra terra e eles passaram a viver juntos.

Esses Novos Deuses apesar do nome “deuses” e etc… também morrem. O Highfather teve seu momento e cantou pra subir. Quem entrou no lugar? Alguém que estiva a altura, supomos. Ai entra um que não citei ainda, Takion.

Takion

Takion

Joshua Saunders é o nome real de Takion. Ele foi escolhido pelo próprio Highfather em vida, pois este em sua sabedoria e poderes viu que Joshua era um homem sem destino. Então Joshua tornou-se parte da Source, passando a ser conhecido como “Takion of the Source”, Takion da Fonte, ou coisa assim na tradução.
O sujeito ficou incrivelmente mais poderoso, e assim que o Highfather bateu as botas divinas ele entrou como cabeça de New Genesis. A intenção do Highfather era simples, ao morrer, ele se tornou uma coisa só junto da Source. Fique claro que ele não “se tornou” a Source, nem responde por ela nem nada do tipo, ele apenas “faz parte”. Como o Takion também era tipo um canal ambulante da Source, mesmo depois de morto, o Highfather original poderia assumir controle de Takion, como se ele fosse seu avatar.
Tecnicamente, quem deveria assumir como novo Highfather era o Scott Free, o Miracle Man, mas esse recusou, não restando então muitas opções pro Highfather Izaya.
Independente do rumo que os filhos trocados tomaram… Apokolips e New Genesis continuaram trocando farpas, então a Source tomou uma decisão: Acabar com a Guerra.
Agora sim, depois disso tudo explicado, finalmente, começará o resumo da CRISE FINAL. Tudo que escrevi até agora foi com uma única intenção. Digamos que nem tanto “por mim”, mas por uma das principais qualidades do Batman Guide que já existia desde o primeiro dia, muito antes de eu sequer cogitar a escrever aqui. Ajudar quem está começando.
Não importa tanto o que eu “penso”, apesar de eu gostar de deixar claro. Na vida sempre temos uma escolha, só contra a morte não há escolhas. Médicos fazem um juramento que os comprometem a cuidar até mesmo do pior criminoso. Eu particularmente deixaria a vagabundagem pra morrer, mas se eu me tornei médico e fiz a porcaria do juramento, eu seguirei, pois eu tinha a opção de não fazer. Se eu fiz, eu sigo. Dane-se o resto.
Ao entrar pro Batman Guide assumi esse compromisso primário de fazer os textos pensando em quem está lendo pela primeira vez. Eu dispensaria mais da metade dessas explicações sobre a ”origem do universo” da DC, mas acho que pra entender a Crise Final é bom saber de todos esses detalhes. Até porque o Batman, nosso foco do blog, vive dentro desse universo que citei, e eu NUNCA vi um resumo assim das origens dos povos e multiverso.
Não que eu tenha fornecido TUDO o que há de detalhes sobre o universo da DC, mas será um adianto para quem quer entender. Eu posso SIM ter errado alguma coisa nesse “resumo do universo” segundo a DC. Se realmente errei, espero que possam transformar meus erros em degraus para complementos.

Ok, Crise Final.

Parte 2

A Source achou que acabando com o “quarto mundo” e com os Novos Deuses, Apokolips e New Genesis finalmente acabariam com sua guerra. Como diria Confuso Sobrinho, “pelo sim pelo não, como a gente fica?”. A guerra resultou na vitória de Apokolips, Darkseid conseguiu o que mais queria, a Equação Anti-Vida.

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#74 – Batman: A Luva Negra

“E se houver um vilão supremo lá fora, ainda não visto? Uma mente brilhante absoluta, voltada totalmente para matar? E se existisse um inimigo invisível e implacável, que calculasse todas as minhas fraquezas? Que tivesse acesso a aliados, armas e táticas que eu nem pudesse imaginar… Um adversário cujos planos e esquemas fossem tão vastos, tão elaborados que passassem despercebidos… Até que fosse muito tarde. Como eu poderia me preparar para um desafio como esse? Eu teria recursos para lidar com isso? Eu frequentemente me pergunto.”

Olá!
Sejam bem-vindos a mais uma resenha do Batman Guide!
A HQ de hoje é a última antes de dois eventos importantes para a cronologia do Morcego – e do próprio universo DC em si. Com roteiro de Grant Morrison e arte de J. H. Williams III, Tony S. Daniel e Andy Kubert, esse encadernado foi lançado pela Panini em uma edição deluxe em junho de 2012. Espero que vocês gostem da resenha!
Batman: A Luva Negra (Batman: The Black Glove, agosto de 2007 a maio de 2008)

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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Na verdade, o encadernado de “Luva Negra” traz duas grandes histórias: a primeira com 3 edições (coleta as edições da série mensal de Batman #667-669) e a segunda com quatro edições (Batman #672-#675). Para descrever essa coleção, vou adotar a seguinte metodologia: falar um pouco de cada uma das 7 histórias, e depois tentar passar a importância dessa compilação para esse momento do Morcego.

Vamos para o primeiro arco.
A primeira história se chama “A ilha do Senhor Mayhew”. Somos levados a um lugar misterioso, onde está havendo uma reunião misteriosa com pessoas misteriosas. Mas logo descobrimos: trata-se de uma reunião dos Batmen de Todas as Nações. E quem são esses caras? Os “Batmen of All Nations” são uma equipe de heróis inspiradas no morcego, cada uma espalhada em um país do mundo. Essa ideia surgiu nos anos 50, devido à inspiração que Batman trouxe ao mundo, e se reuniam sob a alcunha de “Clube de Heróis”.
Nessa HQ, temos os seguintes Batmen (e é ótimo que vocês leiam isso antes de ler a HQ, para não ficarem absolutamente perdidos como eu um dia fiquei na primeira leitura):

 O Cavaleiro (Inglaterra), cujo nome verdadeiro é Cyril Sheldrake, e sua sidekick Square (Escudeira).
 Mosqueteiro (França)
Homem-dos-Morcegos e seu sidekick Corvo Vermelho (Estados Unidos), que são descendentes de indígenas.
Wingman ou Alado (Suécia)
Gaúcho (Argentina)
Dark Ranger (Austrália)
O Legionário (Itália)

Batmen

001Entretanto, essa ideia não foi muito para frente. A iniciativa de Grant Morrison de recuperar esse conceito quase esquecido se sai muito bem nessa edição, como falarei mais no fim do texto. Feita essa introdução, vocês poderão contemplar com assombro a perspectiva de vários Batmen reunidos, com roupas inspiradas no traje do Morcego. É engraçado no começo porque todos os “Batmen” (e “Robins”) estão reunidos contando casos de como tem sido esses anos, conversando e brincando com o fato de que o verdadeiro Batman (Bruce Wayne) jamais se dignaria a dar as caras por ali – e eis que surge o Morcego original em pessoa pela porte, imponente, deixando todos estupefatos. Batman continua sendo uma grande inspiração para eles. É hora de descobrir porque todos estão ali reunidos.
002Engana-se quem pensa que o Clube de Heróis está ali reunido para tomar um café e discutir sobre o quão incômodo é usar uma roupa colada e pular de prédios de madrugada. Há um sério caso para se resolver. Eles foram convocados pelo bilionário John Mayhew, mantenedor do Clube de Heróis. De fato, há um vídeo. Gravado por Mayhew.
Mas não é ele. Ele está morto. E alguém está usando sua pele. O plano de fundo é a pintura “The Triumph of Death”, de Pieter Bruegel. Essa pessoa convida os Batmen para desvendarem esse mistério, como uma cortesia de alguém que se intitula Luva Negra. E é melhor eles solucionarem logo… Antes que também acabem mortos.
Destaque para a primeira capa: uma foto do Batman e o Clube de Heróis nos moldes da Era de Prata, que mostra um Batman quase “feliz” e seus representantes ao redor do mundo, com o reflexo do sério e solitário Batman atual refletido em sangue. Pesado.

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004A segunda história, sob o nome de “Agora estamos mortos!”, é uma continuação, mas com um diferencial: essa edição está começa com uma lembrança de alguém, e é ilustrada de acordo com as histórias típicas dos anos 50. Morrison nos ajuda a conhecer aos poucos cada um dos Batmen. Trata-se da memória de Cyril, “O Cavaleiro” da Inglaterra, e da morte de seu pai durante uma reunião do Clube dos Heróis. De fato, eles podem se inspirar em Batman, mas eles são humanos normais que às vezes sentem os nervos à flor da pele. Quem matara o pai de Cyril? 003Flashback feito, voltamos à terrível realidade: Legionário, o representante italiano de Batman, é morto com 23 facadas por alguém a mando do ameaçador homem do vídeo. E o assassino está dentro da Mansão. Pode ser qualquer um deles.
Cena engraçada é quando Wingman desconfia de Batman, dizendo que ele podia ser ao assassino, porque ninguém sabia se quem estava debaixo da máscara realmente era Batman – e Batman se aproxima sorrateiramente por trás e ironiza a guarda baixa de Wingman, dizendo “Se eu não fosse, você já estaria morto.”
005Cyril é pego e envenenado. Por sorte, o Homem-dos-Morcegos tem habilidades médicas e se prepara para salvá-lo. Enquanto isso, o restante dos Batmen prossegue na sua procura pelo assassino à solta na Mansão, e eis que um detalhe amedrontador acontece… Uma armadura se move! Isso é tão típico de livros de mistério, assim como toda a HQ, cheia de pistas para os leitores tentarem desvendar. Quem será o assassino? Ou talvez, como Mosqueteiro propõe, seja… Um grupo diametralmente oposto ao Clube de Heróis? Luva Negra tem um trunfo: sequestrou todos os três sidekicks ali presentes. Você, caro leitor, já descobriu quem está matando e ferindo todos os Batmen?
006A terceira história é “O Cavaleiro das Trevas tem que morrer”. Mais dos Homens-Morcegos são abatidos. Estão sobrando poucos. Agora os Batmen que sobraram precisam ir atrás dos garotos, enquanto tentam não ser mortos por uma ameaça que pode estar ao lado deles. Em um golpe de genialidade, no último minuto Batman consegue desvendar o mistério, e precisa lutar contra ele antes que Corvo Vermelho, Robin e Squire sejam jogados em um lago de piranhas carnívoras famintas ou picados até a morte por vespas assassinas. E bem, tentar fazer isso antes que a Mansão exploda com os explosivos escondidos. Eles conseguirão se salvar?
007O que podemos retirar dessa história é a importância que Batman tem no mundo atual. Batman é quase perfeito. É um ser humano que atingiu um nível de habilidades tão grande que pode ser comparado a um deus. Se não fosse por Batman, o mundo seria ser um caos enorme. O próprio Clube dos Heróis só é um fracasso porque Batman não participa da iniciativa – se participasse, seria quase uma Liga da Justiça de humanos (analogia minha).
Esse arco é bem empolgante, como um livro de mistérios em que ficamos tentando descobrir quem é o culpado. A arte de John van Fleet, como sempre, é excelente. Os grandes quadros são de encher os olhos, e os ângulos que ele capta mostram sempre a importância do personagem naquela cena. As cenas de luta, o sombreamento, as técnicas que remetem à colagem, as referências artísticas, é tudo deslumbrante – não lembro de outra HQ igual a essa.

Legionário

008

O segundo arco vai precisar que você relembre os eventos da terceira história da HQ “Batman e Filho”.
Quando postei Batman e Filho optei por apresentar o roteiro de forma mais corrida para não confundir a cabeça de vocês (afinal, o conceito de “Três Fantasmas” daquele arco só será útil agora). Então vamos fazer uma revisão dos acontecimentos do terceiro arco daquela HQ.

[Atenção: esse trecho é uma análise da terceira história da HQ “Batman e Filho”]
Aquela saga, que recebe o nome de “Os Três Fantasmas de Batman”, nos conta que algumas garotas sendo mortas após terem marcado programas com policiais. Batman vai até o lugar onde elas estão desaparecendo, um obscuro prédio abandonado com corpos de prostitutas jogados, e dá de cara com um homem com uma versão alterada do uniforme de Batman – mas não é um homem, é um policial gigante, poderoso, duas vezes o tamanho de Batman, que o golpeia e deixa uma marca gigante de pé nas costas de Batman.
009Na segunda HQ, Morrison sugere que Batman se utiliza de compostos químicos para se manter na ativa. Isso o dá força física, mas como efeito colateral causa alucinações que beiram a esquizofrenia. Depois de apanhar demais do policial-gigante, Batman dorme (finalmente) e sonha com seu filho Damian em frente a três versões grotescas dele, com o seguinte recado: “Pai. O Terceiro fantasma é o pior de todos.” Batman desconfia que se trata de um arquivo que ele possui chamado “Casos Inexplicáveis” – situações em Gotham que envolvem eventos misteriosos como vampiros, fantasmas, discos voadores e viagens no tempo. Batman quer descobrir quem são esses três fantasmas dele mesmo: Um Batman assassino armado, um Batman bestial fortemente drogado, e o terceiro, ainda pior… Um Batman que vendeu sua alma ao demônio em troca da destruição de Gotham. Esses três fantasmas alteram a sanidade mental de Batman.
É Michael Lane, o Terceiro Fantasma, que está presente na elsewords de Batman #666, em um mundo apocalíptico destruído e moralmente questionável. O fim do mundo está batendo à porta de Gotham, devido ao pacto com o demônio realizado por ele. Batman é Damian Wayne, um Batman que mata, em meio a sacrifícios satânicos, heresias e um armaggedom iminente. O Terceiro Fantasma (ou Terceiro Homem) é demoníaco e perigoso.

Voltemos à análise desse segundo arco de “A Luva Negra”.

A primeira edição se chama “Medicina Espacial”. O Terceiro Fantasma (ou Sleeper) está fazendo um ataque à estação de polícia. Ele tem um grande poder de fogo, e a Polícia de Gotham não consegue detê-lo, e Batman chega para tentar impedir o pior (ele escapa quando estava saltando de paraquedas com Jezebel Jet) quando é brutalmente baleado no peito pelo Terceiro Fantasma.

012 Continuar lendo

#71 – A Ressurreição de Ra’s Al Ghul

“Eu tenho caminhado com a morte nas costas. Eu tenho me arrastado entre os restos sem carne… Sem corpo nas noites que não tem fim […] Eu vi muitas coisas. Mas eu voltei para casa. Sou Ra’s Al Ghul.”

Olá!
Vocês já se inscreveram no sorteio da HQ “Batman: O Cálice” que a Empório HQ e o Batman Guide estão fazendo? Não? Então clique aqui pra se inscrever!

A HQ de hoje é mais uma obra de Grant Morrisson, em parceria com Paul Dini e mais uma série de roteiristas. É uma saga bem interessante, e saiu em 10 volumes e uma edição adicional. Essa saga é importante para a cronologia de Ra’s Al Ghul, e será bastante apreciada por aqueles que se interessam pela Bat-família e pela construção da personalidade de Damian Wayne. Prepare-se para presenciar “A Ressurreição de Ra’s Al Ghul” (Batman: The Resurrection of Ra’s Al Ghul, dezembro de 2007 a fevereiro de 2008)!

Line
Na última HQ que postei aqui no blog, “Morte e as Donzelas“, nos deparamos com uma situação inédita nos últimos séculos: a morte de Ra’s Al Ghul. Desde que tomara conhecimento das atividades criminosas de Ra’s Al Ghul, que envolviam a morte de milhares de pessoas ao redor do mundo para seus fins megalomaníacos, Batman vinha lacrando os Poços de Lázaro – os locais onde Ra’s se reestabelecia nos períodos de fraqueza e que permitiam que estivesse vivo desde o tempo das Cruzadas. Ra’s interrompia, assim, o curso da natureza, a ordem correta de nascer, crescer, criar um legado e morrer. Batman se recusa a ceder qualquer Poço para Ra’s.
Ra’s estava debilitado e fragilizado demais. Ao ser esfaqueado por sua filha Nyssa, Ra’s Al Ghul morre.
001Começamos a HQ com um estranho sendo enfático com Talia: o seu filho Damian deve conhecer a história de seu avô Ra’s Al Ghul, diante de uma perigosa ameaça ao legado dele. Essa perigosa ameaça é Batman, como era de se esperar. O Morcego está estudando o desaparecimento de dois ecologistas ligados à Fundação Wayne, que no momento estavam pesquisando o ciclo de vida de uma espécie de mariposa. O comportamento das mariposas indicava a alteração do ecossistema local – elas estavam vivendo por mais tempo. Multiplicando em muitas vezes seu período normal de vida.
002Damian Wayne não se interessa nem um pouco pela história do avô – em suas sempre gentis palavras, “Por que eu ligaria pro que aconteceu com um velho morto?”. Ele é um garoto bastante insolente. Mas ainda assim, Talia rememora a trajetória de seu pai (já contada na história “O Nascimento do Demônio“) desde o casamento com Sora, o desenvolvimento dos Poços de Lázaro e o primeiro teste com o Príncipe do Reino – ao sair do poço ele enlouquece e mata Sora. Para Damian é tudo um monte de besteira inútil, até que sua mãe conta para ele como Ra’s al Ghul enganou a morte. Assim como em “Morte e as Donzelas”, temos uma perspectiva da vida de Ra’s Al Ghul ao longo dos séculos. Na Batalha de Waterloo, com as cortesãs de Napoleão. Em Whitechapel, na Inglaterra, terra dos assassinatos de Jack O Estripador.
003Em todas os momentos ele é acompanhado por seu ajudante Fantasma Branco, que o fala sobre regras determinadas há muito tempo atrás. Há uma maneira de enganar a morte, mesmo sendo destroçado membro por membro: possuir o corpo de outra pessoa.
De preferência, de um garoto saudável e forte.
004Batman encontra alguém que pode ajudá-lo a desvendar o mistério do desaparecimento dos ecologistas. Um homem velho. Muito velho. Ele está começando a descobrir o que se passa quando é atacado por 4 ninjas. Quem nós conhecemos que treina uma liga de ninjas? Alguém muito poderoso. Que está prestes a ressurgir, com o corpo de Damian.
Num primeiro momento, essa tentativa de roubar o corpo de Damian dá errado devido às habilidades de combate do menino, e ele e Talia conseguem fugir.
Batman está cada vez mais próximo das pistas que o levarão ao que procura. Ele já tem uma ideia. Ao interceptar um assalto planejado por Talia e suas irmãs, ele ouve a seguinte profecia: “A cabeça de demônio está voltando da tumba”.
E Ra’s Al Ghul vai ao encontro de Talia.
Morto desde a HQ “Morte e as Donzelas”, ele ressurge.
Como isso é possível? Como ele conseguiu vencer a morte? Que mecanismos permitem a sobrevivência da mente além da morte do corpo? Como se mata um demônio?

Ras
005O corpo em que Ra’s Al Ghul está envenenado com radiação, por isso possui um aspecto asqueroso e reptiliano. A carne o recusa, o rejeita, ele não sente dor, não sente a carne. Logo ela o expulsará, e ele nada mais será do que uma casca vazia e inerte. Por isso, ele precisa de fato do corpo de Damian, que contém seu próprio sangue e seu próprio DNA. Ao fazer essa proposta, o garoto fica indignado: “Você quer o meu corpo? Outra vez com essa merda? Como espera que eu reaja diante disso? Pareço-te um completo imbecil?” Ra’s fica irado com a ousadia de Damian, e afirma que exige dele nada menos do que “absoluta obediência”. Damian encerra a conversa: “Velho ranzinza. Meu pai te fará em pedaços… Quando eu lhe disser que você voltou.

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