#47 – Batman: Pulp Fiction

Quem acreditaria? Uma ruiva linda e um delinquente juvenil, ambos mascarados… E em busca de encrenca.

Oi!
Conforme eu prometi, aqui estou com um post maior para compensar o fato de o anterior ter sido curtinho. Antes de tudo, preciso agradecer ao Jair, do CoringaFiles, que foi quem me ajudou a encontrar essa HQ em formato digital. Obrigada! Aliás, vocês já visitaram o melhor site de scans de toda a internet?

Eu não tenho palavras suficientes para falar sobre essa história. Eu a li pela primeira vez na Gibiteca Henfil (SP) e fiquei apaixonada. É uma das HQs mais transgressoras e inesperadas que já tive o privilégio de ler. E a arte, então, eu nunca poderia esperar algo tão incrivelmente bem-feito. É uma história madura, inteligente, moderna. Se você curte história e cinema, então, vai adorar. É material muito bom que você simplesmente não pode deixar de ler!

Prepare-se para ler uma das melhores HQs do Batman (na minha opinião): “Batman – Pulp Fiction” (Batman: Thrillkiller, roteiro de Howard Chaykin e arte de Daniel Brereton, 1997-98)!

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04Antes, uma pequena explicação: o título dessa HQ vai remeter a maioria de vocês ao filme “Pulp Fiction – Tempos de Violência” (1994), de Quentin Tarantino. Entretando, o conceito de pulp fiction é um pouco mais abrangente. As revistas conhecidas como “pulp fiction” eram publicações lançadas desde as primeiras décadas do século XX e até meados dos anos 50, caracterizadas por serem feitas de material mais barato e de menor qualidade. Custavam algo em torno de 10 cents, isto é, eram bem populares. Os roteiros envolviam casos policiais misteriosos, grandes reviravoltas, e conteúdo sobre violência bem explícito. Esse é o ponto principal dessa HQ.

002Vamos nos situar: essa revista saiu sob o selo “Elseworlds”, que foi traduzido aqui no Brasil para “Túnel do Tempo” (no caso das editoras  Abril, Devir e Mythos) e para “Realidade Alternativa” (no caso da editora Brainstore). E o que isso significa? Significa que nos quadrinhos da coleção “Elseworlds” a realidade é apresentada era totalmente não-convencional, isto é, de forma paralela à habitual nos quadrinhos. Personagens são movidos de seus mundos para serem colocados em outras situações a que NUNCA chegariam numa HQ da cronologia normal. O contexto original dos personagens é transferido; criam-se situações que nunca ocorreriam normalmente. Vão para lugares e situações que nunca iriam em seu mundo.

02É exatamente isso que acontece em “Pulp Fiction”. (Prepare-se para as novidades dessa HQ). A dupla dinâmica já não é mais Batman & Robin. Agora é Robin & Batgirl. São eles que combatem o crime no submundo de Gotham City. Os pais de Batman não foram mortos por assaltantes: após entrarem em falência na Depressão, eles foram assassinados pelos ex-empregados da mansão Wayne, e o pobre garoto, crescido num orfanato, precisou vender sua única herança, a própria mansão, para pagar as dívidas do pai e poder exercer a profissão de um detetive comum. Aliás, a mansão foi comprada por Bárbara, com o dinheiro que recebeu do seguro da mãe morta quando ela tinha 12 anos. Duas-Caras não se chama mais Harvey Dent. A Mulher-Gato, loira, abandonou o crime e tornou-se dançarina. Charada é um psicólogo dos bons. E o Coringa… É uma mulher. É a fria, calculista, venenosa, sedutora Bianca Steeplechase. Quantas mudanças do roteiro original, não é?
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A contextualização histórica da HQ é das mais complicadas: 1961, Kennedy acaba de se tornar presidente dos Estados Unidos, os Beatles ainda não existiam, e o submundo de Gotham estava tão denegrido quanto nós o conhecemos. Batgirl & Robin são, aqui, os vigilantes de Gotham, responsáveis por limpar da cidade desta escória. E o fazem de maneira sensacional – as cenas do primeiro combate retratado na HQ é de tirar o fôlego. A Batgirl me deixou orgulhosa, ela desceu a porrada em todos os corruptos que a subestimaram por ser mulher.

“Na época, a idéia de uma bela mulher com a habilidade necessária para derrubar um homem de maior porte era tão rara que às vezes precisava de umas sovas para entrar na cabeça.”

03O comissário Jim Gordon fora designado para cuidar pessoalmente do caso desses misteriosos justiceiros que perturbavam a paz da cidade – e que atrapalhavam os negócios excusos dos ladrões engravatados de Gotham. A Dupla Dinâmica estava interferindo negativamente em casos em que policiais corruptos, e gerando publicidade negativa para os egos inflados da corporação policial da cidade. E Jim Gordon nomeia o detetive Bruce Wayne para o caso, um dos poucos que não estava corrompido e em conluio com o crime organizado. Mal sabe Jim Gordon que sua filha é a própria Batgirl, e o seu namorado Richart Graustark (que ele considerava um molecão dando um golpe do baú) é Robin.

05Ao investigar o caso, o detetive Wayne cruza pela primeira vez o caminho de Blanca Steeplechase, tentando suborná-lo. Ela está por trás dos policiais corruptos que veem em Wayne um inimigo perigoso, a ser destruído. A relação entre Batgirl e Robin começou há um ano, quando a Companhia Gloriosos Graustark de artes circenses via um dos meninos, Richard, com poucos progressos para a acrobacia. A jovem Barbara Jordan (sobrenome falso), fugida da família para se juntar ao circo, tentava se apresentar como garota de palco, também sem sucesso. Ao tentar um salto numa cama elástica, o jovem caira nos braços dela – e foi amor à primeira vista. O interesse de ser Batgirl decorre do fato de que, ao se deparar com a mãe morta em casa, a poça de sangue formava um morcego. E decidira combater o crime com suas próprias mãos, encontrando em Robin o companheiro com a energia necessária.

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