#67 – Batman: Cara a Cara

Alô a quem se importa. A história de hoje segue a cronologia principal pré-reboot, e se chama “Cara a Cara”, e nos EUA “Face the Face”.
É uma história já com elementos mais recentes, um tanto curta se comparada com as sagas anteriores, dividida apenas em 2 títulos (Batman e Detective Comics),somando um total de 8 edições.
Geralmente ao falarmos de “face”, “rosto”, “cara” e coisas do gênero no título logo nos vem um certo sujeito na mente, não? (Espero que não seja só comigo). Por acaso essa história não é só dele, nas primeiras páginas já temos um vislumbre do “raro” KGbesta, um de Harvey Dent, e mais ao final da primeira edição um indício de que a Hera Venenosa está na trama. Um time não muito comum de aparecer junto na mesma história, o que dá um ar diferente.
James Robinson no roteiro tanto da Batman quanto da Detective Comics, mas na arte da Batman está Don Kramer, e na da Detective temos Leonard Kirk.
Todo mundo é burro velho de guerra, todos os nomes já metidos nas histórias do Morcego há tempo. Um bom time. Vamos começar o texto, as coisas acontecem rápido nas noites de Gotham. Cara a Cara.

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Essa mini-saga saiu um ano depois depois da “Jogos de Guerra”. Quem lembra bem o que aconteceu no final sabe que as coisas não ficaram boas pra nenhum mascarado, e que o império de respeito que o Batman demorou tanto a construir simplesmente desmoronou.
Essa história se encaixa no “One Year Later”, ou “Um Ano Depois”, como manda a tradução. É, por isso sei que foi aproximadamente 1 ano depois do Jogo de Guerra. O roteiro tem diálogos bem articulados e poucas falas clichês, uma boa seleção de ângulos, quadros e cenas. Essa parte pode parecer responsabilidade apenas do desenhista, mas não é bem assim.
003Claro que o Kirk e o Kramer tem seus créditos por isso, e apesar de não serem sujeitos muito detalhistas, trabalham bem com as sombras. Coisa que eu SEMPRE repito: pra ser desenhista em uma história do Batman, ou você trabalha bem com luz e sombra ou você detalha cada quadro como se fosse a Capela Cistina. Um meio termo é o mais apropriado, mas ambos estão mais pra “luz e sombra”. E observação pessoal minha, o Kramer parece desenhar melhor que o Kirk. Mas só comentando mesmo, não faz diferença.

Detalhe das capas das 8 HQs que compõe essa história:

Capas

Agora começando a obra do Robinson.
002Temos de inicio o KGBesta. O nome é besta e tem besta no nome. Besta ao quadrado. É um sujeito raro de se ver nas histórias, para muitos deve ser a primeira visão dele, e última também, pois ele é morto logo nas primeiras páginas.
Alguém dá um tiro no cano da arma que ele ia usar pra assassinar seu alvo, troca umas porradas com o elemento, quebra o seu braço e o joga de cima do telhado. Batman? Não, mais parece um bandido. A não ser que a Armani tenha feito uma linha de toucas de marginal pro Bruce usar nas noites de frio. Mas não, não é o Batman. Além de ter usado uma arma de fogo no inicio da ação, no “durante” jogou o KGBesta do telhado, uma queda que poderia ter matado mas não matou, e no “final” terminou a ação dando dois tiros na cabeça do besta. Execução pura.
004A seguir está a polícia envolta do corpo avaliando o caso, e pouco mais adiante… Um assaltante de banco levando uma surra do mesmo cara que tombou o KGBesta. Achei meio confuso, o sujeito ali ao que tudo indica era Harvey Dent, mas ele estava conversando com alguma outra personalidade que NÃO ERA o lado deformado, pois não tem mais lado deformado. Harvey Dent passou 1 ano inteiro detendo assaltantes, dando porrada em vagabundo na rua… Sendo um Frank Castle amador.
Já de volta aos policiais, Jim Gordon retornou ao seu cargo de Comissário. Segundo as contas de Gordon, já faziam 3 meses desde que ele voltou e 12 desde que o Batman sumiu. Não dá pra negar que Jim está de certa forma feliz com o retorno para o caos que são os crimes de Gotham. É o que acontece com quem trabalha com algo por muito tempo, acaba dando falta quando pára.
Ele nos apresenta uma nova policial na história, e apresenta a ela o batsinal. O batsinal está sem ser ligado há um ano. Gordon admite para si próprio que esperou muito por isso. Mandou o pessoal tirar o pano de cima, e iluminou o simbolo do Morcego no céu. Buzinas e gritos nas ruas começam no mesmo momento. Se perguntam se algum vilão deve ter aparecido, e Gordon diz “São pessoas na rua. Eles o viram também. O sinal”, o povo de Gotham estava comemorando.

BATSINAL

Percebem o poder do símbolo do Morcego? É por isso que eu digo que a DC tem algum grande poder criador de símbolos, coisa que a Marvel não consegue. Nenhum símbolo da Marvel tem impacto, mas os da DC, são auto-explicativos e impactantes. É genial, e genial idem o uso disso nas histórias.
Não demora nem minuto direito e lá está o morcego e o garoto-prodígio.
Como nos velhos tempos, Jim apresenta o problema: Hera Venenosa prendeu 7 homens da policia. Durante a explicação eles vêem a torre onde Hera supostamente está ser tomada por raízes ou caules. Batman apresenta o plano: “Dou um jeito de entrar e detê-la”. Boa, Batman. Todos os anos de estratégia renderam um raciocínio rápido. Brincadeira, é óbvio que ele já sai da caverna pensando em tudo que pode acontecer.
005Eles entram no prédio criando uma entrada um tanto… Chamativa. Uma explosão enorme. Eles passam por uma plantas carnívoras, Robin salta em poço de elevador, Batman abre caminho com explosivos, bastante ação ao melhor estilo da dupla dinâmica. O Morcego enfim encontra a Hera Venenosa.

Ela segurou como reféns os donos/representantes de grandes empresas que só fazem poluir, desmatar e agredir a natureza, e dentre eles o representante das Empresas Wayne, Lucius Fox. Batman é preso por plantas e vai seguindo conversa. Demora um pouco pra Hera notar que ele não está oferecendo resistência, e quando nota já é tarde, Robin dá o sinal de que já chegou no reservatório de água do prédio, pos um fortíssimo desfolheador na água e dispara o sistema de incêndio, matando tudo que a Hera plantou lá dentro, e por consequência soltando o Batman. Ela nem resistiu, se entregou.
A Dupla Dinâmica volta ao Gordon, e são informados de que o justiceiro Dent (sendo que eles não sabem que é o Dent) tirou mais um(a) fora-da-lei de circulação, definitivamente. Dessa vez Magpie, deve ter feito escola com o KGBesta, provavelmente éa primeira vez que boa parte dos leitores estará vendo. Alguém lá no centro do deserto de Gobi deve estar muito triste pois seus dois vilões preferidos morreram.
Harvey não só matou a Magpie, como também matou todas as aves de seu aviário (ainda bem que não as criava em um aquário, não?). Enquanto observam as vítimas emplumadas, o Bullock puxa uma questão interessante. Porque GOTHAM?
006Nunca se perguntaram isso? Bullock diz algo como “Magpie podia ir pra Apache Junction e ser a rainha do Arizona. Podia ir pra Inglaterra, lá só deve ter dois heróis no país todo… Porque os criminosos de agrupam em GOTHAM?”. Pois é, porque Gotham? Algum engraçadinho pode acabar dizendo “Pois sabem que um soco do vigilante de Metrópolis vai sair do outro lado da cabeça”, ou “Sabem que o vigilante de Central City se move na velocidade da luz”, mas vá, não é isso. Gotham já tem a tendência, a tendência a chuvas, neve, tempo escuro, construções de arquitetura antiga, muitas sombras, muitos becos… É como perguntar “Porque Estocolmo é menos violenta que Los Angeles?”.

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