#23 – Batman: O Filho do Diplomata

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Hoje tornaremos a falar de Jason Todd. A HQ se chama “O Filho do Diplomata” (Batman #424 – “The Diplomat’s Son”, outubro de 1988), escrita por Jim Starlin e com a arte de Mark Bright. É um episódio dramático e revelador sobre Todd. Mas começaremos conversando um pouco sobre seu comportamento.

O Segundo Robin tem uma história um pouco parecida com Batman – a mãe desaparecida, o pai morto. Contudo, Jason Todd não teve a assistência de um segundo pai, como Bruce Wayne teve Alfred Pennyworth. Ele cresceu nas ruas, cometendo pequenos furtos para sobreviver, roubando pneus de carro, fumando… Mas Batman viu potencial nesse menino. Acreditou que sua raiva, bem canalizada, poderia surtir num Robin capaz de combater o mal que acabara com seus pais, não por conta própria, mas deixando-os à cargo da justiça. Você viu sua atuação em “Batman – O Messias”. Era perceptível que, naquele momento, ele possuía as características necessárias – raciocínio rápido, senso de justiça, equilíbrio.

Mas… O tempo foi passando, e Jason Todd começou a se tornar irritado, inconsequente, explosivo,  desobediente, cheio de fúria. Ele não estava conseguindo transformar todos os seus rancores em algo positivo, que era a vontade de agir com justiça. Pelo contrário – ele começou a burlar as ordens de Batman, atacando de maneira violenta, destruindo todos os planos feitos cautelosamente e pegando os vilões na porrada, simplesmente, sem pensar nas consequências.

O uso excessivo da força se transformava em algo inadmissível para Batman. Ele não estava batendo para desacordar momentaneamente – ele estava batendo para machucar, para matar. É possível perceber isso no seguinte trecho de Batman #422:

Páginas 15 e 16 da HQ “Batman #422 – O que merece” (Batman #422 – Just Deserts), de agosto de 1888.

Essa não era, de modo algum, a prática comum de Batman, que entendia que a violência era apenas um meio intermediário para praticar a justiça – e não a própria justiça em si, que era como Robin estava agindo.

Robin descobre, por conta própria nos computadores da Batcaverna, que seu pai havia sido morto por Duas-Caras. Furioso pelo fato e por Batman ter escondido dele, ao encontrar o vilão tenta mata-lo com suas próprias mãos:

Páginas 12 e 13 da HQ “Batman #411 – Segunda Chance” (Batman #422 – Second Chance), de setembro de 1987.

Os valores de Batman e Jason estavam se chocando drasticamente. E a HQ de hoje é um dos episódios mais dramáticos desse choque de valores.

Começamos com Jason ouvindo um grito de mulher de um apartamento. Depois de desacordar os bandidos, Batman e Robin encontram uma mulher, Gloria, com sinais claros de ter sofrido violência física e sexual. Ela havia sido sequestrada e violentada por um espanhol chamado Felipe Garzonas. A dupla dinâmica o entrega à polícia, mas… por ser filho de um embaixador americano, Garzonas tem imunidade diplomática e é liberto para ser deportado.

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#20 – Batman: O Messias

“Minha realidade, hoje, não é uma visão muito atraente. Ela é feita de agonia e de delírio.”

Olá!

Hoje já adianto que teremos uma obra muito forte e impactante. Ela foi criada por Jim Starlin, responsável por diversas obras clássicas do Batman. É um roteiro denso; a sobrecarga psicológica vai agradar aqueles que gostaram de Asilo Arkham, por exemplo. A arte de Bernie Wrightson se caracteriza pelo seu realismo violento, sujo, com uma ênfase impactante nas cenas de ação. A sensação claustrofóbica de prisão nos persegue durante toda a HQ, fruto da combinação genial de roteirista e artista.

Publicada em 1988, a sinopse nos traz um Batman dilacerado, quase louco, com pensamentos que nunca tivera antes. Ele está amarrado, acorrentado em um dos esgotos da doentia Gotham City. Ele foi drogado, espancado, está há dias sem comer. Quem é responsável por isso? Descubra em “Batman: O Messias”! (Batman: The Cult, 1988)

O responsável pela prisão de Batman é o Diácono Blackfire. Ele é um líder religioso megalomaníaco e agressivo, que arrebanha mendigos e desesperados para sua seita religiosa hedionda, que tem por objetivo assassinar criminosos. Ganhando a confiança dessas pessoas oprimidas, o Diácono Blackfire pretende… tomar Gotham de assalto e dominá-la.
E claro que Batman seria um empecilho a esse tipo de dominação ideológica e física, por isso Blackfire decide subjugá-lo. Seu pensamento de usar a violência somente quando estritamente necessário vai contra os planos doentios de Blackfire: ele quer extirpar o crime, que considera o pior mal da humanidade, através da morte dos criminosos. O Cavaleiro das Trevas já não tem noção de quanto tempo está ali; seus sonhos revelam possíveis desejos de seu subconsciente de que ele não pode se orgulhar.

Ele está perdendo o controle, está prestes a cruzar a linha entre a sanidade e a loucura. Mesmo Bruce Wayne não consegue ficar imune a esse tipo de tortura psicológica. Ele é um homem. Ele também tem limites. Estamos acostumados a vê-lo se saindo bem em suas batalhas, mantendo suas convicções firmes, e quando chegamos em “O Messias”, temos um Batman prestes a desistir do que acredita, sucumbindo à torturas que mostram o que ele tem de mais frágil. Ele sonha que está matando – e sente prazer nisso. Isso não é um pensamento habitual do Batman. Então… Quais são mesmo os objetivos do Homem-Morcego?
Tudo isso como a obra de um extremista religioso, cego em seus objetivos… O contexto social dessa obra está presente em nosso dia-a-dia, também.
Ela é impactante porque é violenta, uma saga brutal que não nos poupa de enormes banhos de sangue ao longo das páginas – mas também porque é contemporâneo, porque é verossímil. E nos mostra que, levado ao extremo do fanatismo religioso, até mesmo o Cavaleiro das Trevas pode sucumbir. Conseguirá ele se safar dessa lavagem cerebral?

Não deixe de ler essa, que é uma das HQs mais sombrias do Batman. Nela você também verá a atuação de Jason Todd, que foi introduzido na postagem passada, como Robin. Acompanhe o descontrole de Batman. Veja até onde ele consegue aguentar.

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