#86 – Batman: Escuridão Profunda (“Batman: Renascido” – 7ª Parte)

Reborn

“Muitas coisas mudam. Cultura. Tendências. Massa corpórea. E pessoas… Pessoas mudam. Mas o Batman não. Ele é uma das poucas constantes do universo. O Batman não muda. Mas eu não tinha certeza… Até agora. Pois aqui estou! No interior do santuário! Uma caverna! A Batcaverna! Poético! Obscuro! Bela! Aqui era onde ele vivia! Mas agora ele se foi, e esse ponto está fechado! E o mais importante… Eu invadi. Ele nunca teria sido descuidado assim.”

Atenção, mortais. Deixamos o melhor para o final da coleção “Batman: Renascido”. Essa é a saga de estréia de uma nova era, de uma Gotham com um novo Batman. Bruce Wayne foi dado como morto, e após muitas lutas, discussões e argumentos, Richard Grayson assume o manto do morcego. O título original é “Long Shadows”, na tradução “Escuridão Profunda”, foi lançado em 2010.
A estréia nas primeiras páginas não parece ser boa, já que o Grayson entra apanhando, mas é claro que não dá pra julgar um livro pela capa (nem pelas primeiras páginas). O roteiro não é algo surpreendente. Digo, a “trama” não é daquelas que ao final você diz “Pelo amor das cabritinhas masoquequeisso”, MAS os diálogos, falas, caixas de pensamento pessoal… Isso sim merece prêmios, e no mais… É a primeira história de Dick Grayson oficialmente como Batman, que pra mim é cheat que conta ponto automaticamente.
De uma coisa podem ter certeza, o roteiro é ORIGINAL. Até porque, é um roteiro sem Bruce Wayne, se isso não for original em uma história do Batman, não sei mais o que é. E não vale citar a Queda do Morcego/Filho Pródigo, pois o Bruce estava VIVO, e no caso dessa história é “100% sem Bruce”.
E uma das coisas mais interessantes da saga é notar as diferenças entre o “Batman Bruce” e o “Batman Richard”, que são ressaltadas o tempo inteiro tanto nas preferências dos “detalhes” no uniforme e equipamentos quanto no método de combate ao crime nas ruas. Isso sim é lendário, diga-se de passagem uma das coisas mais incríveis, talvez o ponto principal de todas as sagas em que Bruce está ausente.
Acompanhar as diferenças entre eles deixa em evidência o quão marcantes são os personagens, e o quanto a personalidade e opinião dos dois são diferentes, mostrando assim o quanto cada um deles é único.
Uma equipe das boas entrou para produzir essa história de estréia, Judd Winick que já é burro velho em matéria de Batman, e Mark Bagley, um grande desenhista que passou um bom tempo nas histórias do Homem Aranha na Marvel, e sua participação na estréia do Grayson como Batman também foi sua estréia da série principal do Batman.
Peguem as lanternas, agora estamos sob “Escuridão Profunda”.

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Equipe boa? Não. Equipe ÓTIMA. Pra quem não conhece Mark Bagley: o sujeito foi desenhista da revista “Amazing Spider-man” e da “Ultimate Spider-man” por bastante tempo, então é óbvio que Mark é já tem uma instrução nível NASA de qualidade pra fazer desenhos de movimentos largos, saltos, contorções, posições de alta flexibilidade e acrobacias. Sem dúvida um dos desenhistas mais apropriados para desenhar Dick Grayson. Fora que ele também foi o desenhista da segunda série da “Trinity” (Superman, Batman e Mulher Maravilha).
001-1E o Judd Winick… Eu dispensaria os comentários que farei, mas a lista é tão interessante que merece vir a tona. Ele foi o responsável do retorno do Jason Todd, a transformação dele em Red Hood, também foi ele quem fez o casamento do Arqueiro Verde com a Canário Negro.
Eu colecionava a Ultimate Spider-man desde o dia de lançamento aqui no Brasil, e foi uma decepção quando vi que o Mark deixou de ser o desenhista. Mas a decepção virou surpresa alguns anos depois quando vi que o cara entrou como desenhista na série mensal do Batman, logo a história de estréia do Dick como Batman, a primeira da melhor época das histórias do Batman na minha opinião. Raramente tenho boas surpresas com a DC, essa foi uma das raras e super positivas.
O melhor da saga é ver a adaptação de um Asa Noturna para se tornar um Batman. Ele acertando abertura dos olhos da máscara, peso da capa… Não, ele não é o Edney Silvestre. E não, ele não é tão “meticuloso”. Lendo a história vão entender que certos detalhes que encaixam pro estilo de combate do Bruce, não batem pro estilo de combate do Grayson.
000As primeiro a páginas do novo Homem Morcego já trazem o Batman apanhando dentro da Bat-caverna. Que furo hein, Sr. Grayson, estreou levando porrada. Porradas sob um discurso que ficará um tanto batido um tempo a frente disso, em outras sagas posteriores, pois bateram muito nessa tecla de “o novo Batman” ser um “falso Batman”, pois o original é insubstituível.
Palhaçada, né. Apesar de termos fãs e leitores aqui que talvez concordem com isso, deixemos essa visão xiita de lado, pois o melhor leque que a DC poderia ter aberto nas histórias foi essa mudança generalizada, onde mudou-se em uma só tacada Batman, Robin e Batgirl.
Gryason apanha até cair sob a vitrine onde estava um dos uniformes mais tradicionais de seu pai e mentor, Bruce Wayne. Uma queda um tanto simbólica.
007A história muda de tempo e voltamos para as ruas de Gotham, onde Batman exerce as palavras do juramento feito na caverna. A narrativa da repórter fala sobre as “mudanças” de estilo do Batman, que pra eles ainda é o mesmo de sempre. Segundo as informações da repórter, vídeos do Batman eram raros e acreditava-se que o próprio Batman desabilitava as câmeras de segurança dos locais por onde passava, já esse… Se deixa ser filmado prendendo gangues inteiras.
Como a própria história diz, as cenas do crime ficam tão limpas que fica tudo mastigado pra polícia, ficando mais “rápido” pras leis funcionarem também, dando uma aberta impressão de que esse Batman está do lado da policia e que é SIM uma ajuda pra sociedade. Até mesmo o Pinguim, um dos maiores prejudicados pelo novo Morcego, reconheceu que antes o Batman era “um pouco cuidadoso”, e que esse parecia trabalhar pra mídia.
gordonOutro que sentiu a mudança foi o Comissário Jim Gordon. Junto com outro policial, por dias ele ia ao terraço só pra acender o bat-sinal e desligar. O policial questionou a razão disso, Gordon retrucou que era só pro Batman saber que eles estavam ali, e se mostrando um tanto entendido do que costuma a ocorrer ali no terraço, ele lembrou que geralmente Gordon encontra com o Morcego sozinho, mas Jim encerra o papo principal dizendo que o Batman “agora não ligaria pra isso”.
No bat-bunker, temos Dick Grayson reclamando do campo curto de visão que a máscara do morcego oferece, e do peso da capa que já foi diminuÍda 3x e ainda continua parecendo uma lona de circo. É citado por Alfred (sempre observador) que o estilo de luta do Grayson é mais aéreo, coisa que o do Bruce não era, e Grayson na revolta diz que não vai mudar o jeito de lutar por causa da roupa. Alfred apresenta a solução de mudar alguns materiais da roupa por outros mais leves porém não menos duráveis.
005É uma das partes mais ricas da adaptação. Nunca em momento algum foi apresentado esse tipo de questão. Bruce estava acostumado com aqueles uniformes e equipamentos, mas e alguém que viesse depois? Nada disso foi abordado quando Dick Grayson assumiu o manto no Filho Pródigo, mas agora… Temos um roteiro hiper realista onde foi lembrado que as pessoas não são iguais. Winick merecia uma medalha.
002Primeira participação de Damian foi em um treinamento com Grayson, de madrugada no bunker. Apesar do garoto ter sido treinado pela Liga dos Assassinos… ainda é um garoto diante do grande Asa Noturna, que é um guerreiro com experiência suficiente para ser o que é agora, o Batman.
A cena seguinte é o Duas-Caras e um capanga que ele julga ser mais inteligente que os demais, um tal de Benny. O plano é simples… Kill the Batman. Brincadeira? Na verdade nem tanto, mas isso seria a consequência final do plano, na verdade a ideia era por esse “falso Batman” atrás do Pinguim.
Como vocês sabem, o Duas-Caras e o Pinguim tem uma eterna richa por territórios do submundo, que já se estendem desde o “Terra de Ninguém”, e mais recentemente na “Batalha pelo Manto”.
004Temos mais uma investida do Homem Morcego em um antro de safadeza criminosa, e mais uma vez o Duas-Caras fica de olho. Não só de olho, mas também muito incomodado com o fato desse Morcego falseta sorrir demais.
Dick e Alfred tem conversado muito no bunker, eu estou lhes poupando dos detalhes, mas adianto que o Winick fez um trabalho de MESTRE. Como eu disse na introdução desse texto, a trama pode não ter sido a melhor, mas os diálogos merecem prêmios. Não estragarei a surpresa, até porque ler isso sem ver os desenhos do Mark Bagley junto não dá o mesmo ar.
O que posso dizer… O Comissário, a Polícia, o Alfred, todos estão adorando o novo Batman.
Pinguim bate um papo com Máscara Negra, que o incentiva a se tornar o novo rei do crime em Gotham, e lhe apresenta um soldado que foi vítima de experimentos do governo, uma máquina de guerra, um louco varrido super forte pra ajudar nessa empreitada.
003Nessa cena da conversa podemos ver um colorido que se assemelha bastante com o do Sandu Florea, que geralmente trabalha com o Tony Daniel. Um colorido forte onde todas as cores são bem definidas, sem parecer que tudo leva uma camada de alguma outra cor por cima de forma geral. Na verdade, esse é um estilo mais moderno de colorir. Há histórias onde tudo é puxado pro cinza, outras em que tudo é puxado pra sépia… E tem essas que tudo tem cores bem distintas.
Bom? Ruim? Depende da proposta da história, para uma dessas está ótimo. Ser colorido demais não bateria bem pra uma… Batman/Deathblow por exemplo, que ficou claramente puxado pro sépia, dando uma aparencia de… “quente”, ou papel amarelado igual aquelas bordas de uma folha que quase queimou. O que encaixa perfeitamente com a trama da Batman/Deathblow, uma vez que o caos principal é em torno do pirocinético Maxwell Kai.
008Voltando a história, Dick dá um exemplo do que esse novo (e horrível) Batmóvel pode fazer. Coisas como voar e apagar incêndios igual um caminhão de bombeiros voador. Durante esse papel de combatente de chamas, Batman dá de cara com o tal super soldado do Pinguim, e pra piorar tudo, também com o Cara de Barro.
Dick Grayson leva umas boas porradas, tem que usar alguns quilos de explosivos, bombas e um bom número de golpes, mas consegue sozinho derrubar o super soldado “Blanco” (que de alguma forma faz lembrar o Deathblow que citei há pouco). Mas havia mais gente envolvida naquela história, observando a luta ao longe.
012Alfred vê em seus sistemas que aconteceu uma invasão. Não no bat-bunker, mas sim na caverna. Pra quem se perdeu nesse rolo entre caverna e bunker ai vai a explicação: o Grayson não queria usar a mesma base do Bruce, preferiu começar em outro lugar, um bunker. A caverna ficou com tudo lá, intocado.
Grayson chega rapidamente na caverna para ver o que aconteceu, mas não encontra ninguém. Pelo menos não a princípio, apenas uma coisa que simbolicamente ficou incrível. A moeda gigante que Bruce mantinha na caverna estava descoberta, e com uma das faces riscada. Quem é que usa uma moeda com um dos lados riscado? Quem acertar vai ganhar um… “Não fez mais que sua obrigação como fã de Batman”. Isso ai, o Duas-Caras.009
Ao passar pro outro lado da moeda para ver os riscos, Grayson é atingido por dardos com algum alucinógeno, e então Harvey dá as caras (AS caras, literalmente) e então ele fica com uma aparência que é uma mistura do primeiro uniforme do Batman com o do Batman de Zur En Arrh. E a questão abordada por ele era simples. “Quem é você? Onde está o verdadeiro Batman?”.

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#66 – Capuz Vermelho: Dias Perdidos

“Meu pai estava certo. Eu liberei uma maldição sobre o mundo.”

Oi!
O último post do Batman Guide foi com o arco “Sob o Capuz”, em que lemos o reencontro de Batman com Jason Todd, renascido dos túmulos devido a uma alteração na realidade provocada pelo Superboy Primordial, no contexto da Crise Infinita.
Mas as informações ficaram meio “jogadas” nesse arco. O responsável por esse retorno de Jason Todd, Jude Winick, explicou que essa ausência de informações devia-se ao fato de ele estar muito mais interessado no fato de trazer Jason de volta à vida e o quanto isso iria afetar o Batman do que explicações mais complexas para a ressurreição do personagem. Winnick estava muito ansioso para fazer o personagem, e de criar uma enredo em que ele enfrentasse Batman usando as habilidades que ele mesmo lhe ensinara. Leia aqui uma entrevista que ele concedeu ao Comic Book Resources a respeito de Jason Todd.  Assim, a edição de Batman Annual #25 (presente no arco Sob o Capuz) gerou bastante controvérsia por ter explicado a ressurreição de Jason de maneira quase superficial, meio confusa.
Restou um monte de dúvidas: mas como assim, ele simplesmente levantou e saiu do coma? Se seu corpo estava todo lesionado, se sua mente estava fragmentada, como ele conseguiu se reestabelecer e voltar a lutar? Onde esteve, até ser encontrado por Talia? Como foi o período em que Talia cuidou dele? Ra’s Al Ghul aceitou sua presença sem questionar?
Todas essas questões você vai descobrir lendo “Capuz Vermelho: Dias Perdidos”! (Red Hood: The Lost Days, roteiro de Judd Winick e arte de Pablo Raimondi, agosto de 2010 a janeiro de 2011).

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001Começamos com Ra’s Al Ghul ameaçando Talia por ela algo terrível que ela fez. Nós sabemos que o Cabeça do Demônio a ama muito, então não estaria tão mortalmente nervoso por algo banal. Ele a está culpando por ter soltado uma maldição no mundo.
A cena volta para um flashback de anos atrás. Talia é orientada a resolver alguns problemas de Ra’s Al Ghul que envolveriam Bruce Wayne, mas sem se envolver pessoalmente com ele. Quando é informada que Jason Todd morreu num acidente, ela fica bastante sensibilizada, principalmente pensando nas emoções de Batman. Em Gotham, descobrimos que ela colocou uma equipe para monitorar os passos de Jason Todd.
002Depois de ter fugido da casa de repouso onde ficou internado por 5 meses, ele foi viver nos esgotos. Atualmente, ele está meio morto, tem traumas graves, queimaduras de uma explosão, mas… Continua vivo. Ra’s Al Ghul deseja saber como ele pôde ressuscitar dos mortos, e sair sozinho do caixão em que estava. Pede que Talia comande as investigações. A capacidade física dele não é problema, ele a resgatou, mas as habilidades mentais ainda estão deterioradas, como um efeito autista causado pela lesão no cérebro. Quando ele é atacado, ele reage se defendendo e derrotando o oponente, mas nunca quando Talia o ataca.
003Apesar desse laço emocional que os une, Jason não é capaz de falar ou de expressar emoções, apesar de derramar uma lágrima triste quando Talia o fala do quanto Bruce está arrasado e destruído depois de perdê-lo. De qualquer forma, ele não está fazendo grandes progressos mentais. Ra’s Al Ghul se irrita porque a investigação de Talia não está avançando, e ele tampouco acredita que Todd poderá se recuperar um dia e revelar os segredos de sua ressurreição, e se irrita pelo fato de que Talia estaria cuidando de Jason apenas para conseguir tocar o coração de Batman. Então estabelece que no dia seguinte ele iria embora da mansão, para ser cuidado em outro lugar. Talia não pode aceitar isso.
004Então joga Jason no Poço de Lázaro.
A carta que deixa para ele é muito bonita, começam a ficar claros os motivos pelos quais ela se apegou tanto a Todd. E por que ela o está tornando imortal. Ela acredita que ele tem um destino a cumprir, e que se até agora esse mesmo destino o auxiliou a chegar até ali, ele não deve ser interrompido. E, mais do que uma forma de não atrapalhar o curso do destino, ela a jogou no Poço de Lázaro por amor. Depois do Poço, ela o jogou de um penhasco, lançando-o à água com um kit de sobrevivência, uma grande quantidade de dinheiro e a carta em que explicava o caminho dele até ali. Ra’s Al Ghul fica profundamente nervoso ao tomar conhecimento do fato de que ele havia sigo jogado em sua fonte da imortalidade.

“- Esse Jason Todd é uma entidade desconhecida. Não conhecemos a força que o mandou de volta do além. E você lhe deu poderes pela natureza do poço.
– Lhe devolvi sua vida.
– Não. Apenas liberou uma praga. Eu vivo dentro do poço. E conheço o que queima dentro de meu coração.”

005Foi a partir desse momento em que foi jogado no Poço que ele recuperou suas memórias em sua forma integral. E quando fica sabendo, através dos jornais, que Batman não matou Coringa depois de Coringa tê-lo condenado à morte, ele fica inconsolável. Extravaza sua dor através da violência. Jason Todd é um homem que carrega muita dor e sofrimento em seu coração. Ele não consegue entender porque Batman permitiu que Coringa continuasse vivo após ter sido responsável pela sua morte – e para outros inúmeros assassinatos, ferimentos, roubos, mortes de pessoas próximas. Mas, independentemente disso, ele está de volta… Para fazer o que precisa ser feito. Seu destino é Gotham.
xxEle adquire armamentos militares, fuzis, supercomputadores. Quer atacar Batman, mas não há jeito de penetrar a mansão Wayne. Decide se utilizar do Batmóvel, com as informações que tinha na época em que era Robin – O Batmóvel, que havia sido sua porta de entrada para o mundo de Batman. Ele explodirá o Batmóvel, com Batman dentro. Batman, o hipócrita, que se recusou a matar o monstro que os separou. Seria simples, apenas explodir o carro, e ele seria vingado… Mas na última hora, desiste. Seria muito fácil. Era necessário que Batman soubesse porque estava morrendo, que se arrependesse. Seria necessário planejar cada passo do seu ato de vingança. Jason queria matá-lo, com suas próprias mãos. Jason queria que ele estivesse olhando em seus olhos, quando partisse desse mundo.
007Ra’s Al Ghul estava certo. Ele se tornara um monstro. Talia havia libertado uma maldição sobre esse mundo.
Mas Jason não foi treinado para matar. Contrata um homem que o ensina a lidar com produtos químicos. Contrata um franco atirador que passa três meses o ensinando técnicas de assassinato, mas Jason descobre, através de suas grandes habilidades, que ele está envolvido com tráfico de meninos menores de idade. Tráfico de escravos chineses, talvez tailandeses. Ele não poderia permitir isso… O mundo não seria um lugar pior sem ele, ele não fará falta a ninguém. Jason acredita tem toda a energia, decisão e a mentalidade que faltam a Batman. Jason não tem medo de fazer o que é necessário. Batman tem medo de fazer o trabalho de verdade que vai resultar no que é realmente necessário – na maior parte das vezes, a morte daqueles que nada acrescentam à sociedade.

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#65 – Sob o Capuz

“Ele não podia explicar como voltou dos mortos. Mas na verdade… Esta não era a pergunta que queimava em sua mente. A pergunta será feita… Foram os fogos do poço de Lázaro, ou a força vital de Ra’s Al Ghul… Ou talvez pela carne mortal jamais poder retornar do túmulo sem sujeira… Ou terá sido um surrealíssimo instante de decepção? Estar dentre os vivos sabendo que seu assassino permanece vivo e à solta? E sabendo quem culpar por isto? Foi isso que transformou o coração dele? “

Oi!
Tranque portas e janelas, apague as luzes e se segure na sua cadeira porque as coisas vão ficar sérias aqui no Batman Guide. Aquele que estava morto surge de novo para exorcizar seus demônios e destruir os responsáveis pela sua desgraça.
Prepare-se para o que vai encontrar “Sob o Capuz” (Under the Hood, roteiro de Judd Winick e arte de Doug Mahnke, Tom Nguyen, Paul Lee, Shane Davis, Eric Battle, fevereiro de 2005 a abril de 2006).

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001Começamos essa HQ com David Coates, um garoto que mora na rua há uns 14 meses. Ele está sentado na chuva, sozinho, desolado, quando sente alguns pingos de sangue caindo na sua testa. Antes que arranje mais encrenca, foge. O que ele não sabe é que o sangue que cai sobre ele vem dos lábios do próprio Cavaleiro das Trevas – sangue arrancado com um poderoso soco de um homem misterioso com um capuz vermelho sobre sua cabeça.
Mas Batman não é um homem que apanha sem revidar, e a frenética luta parece se destacar contra a chuva fina que cai sobre Gotham. Batman consegue empurrar o misterioso homem de capuz para o chão, o imobiliza com uma voadora no peito e antes do golpe final anuncia que aquela luta sem sentido está terminada. Mas o outro homem não aceita. Num golpe só, arranca a máscara de Batman – uma ousadia que poucos homens já tiveram. Bruce Wayne parece estar derrotado, seriamente contundido. O misterioso homem então, para se equiparar ao segredo revelado por Batman, retira também seu Capuz Vermelho. Sabemos que poucas coisas surpreendem o “sempre-prevenido” Batman. E essa foi uma delas.

002Corte para 5 meses antes, na Mansão Wayne, onde o clima está bem pior do que antes (e olha que a Mansão Wayne nunca foi o lugar mais alegre do mundo). Lucius Fox vem visitar Bruce Wayne para trazer as notícias ruins: a Wayne Enterprises fora vítima de um minucioso roubo, Wayne fora removido da diretoria e a divisão de PYD fora totalmente eliminada. Em termos práticos, significa que todos os gadgets que já foram criados por Batman – e isso envolve uma maça de alta potência que não causa dano permanente, uma toxina paralisante de nervos capaz de simular morte, e uma variedade incrível de precisos sistemas de guia explosivos de curto alcance, bombas químicas e outras dezenas de acessórios exclusivos – poderiam ser, na melhor das hipóteses, abertos ao público. Ou, na pior das hipóteses, serem vendidas a psicóticos, governos, mercenários ou terroristas.

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Enquanto isso, em algum dos lugares escondidos de Gotham, está acontecendo uma reunião de pessoas envolvidas com negócios ilegais. Os oito mais prósperos traficantes de rua da cidade. Estranho é que ninguém sabe quem marcou a reunião. Mas logo ele dá as caras.

É o misterioso homem de Capuz Vermelho, que só pra garantir que seria ouvido porta uma AK-47 totalmente carregada. Então, ele começa sua pequena lista de exigências: a partir de agora, ele será o chefe do tráfico de Gotham, e deve receber 40% dos lucros dos traficantes (bem melhor do que o acordo que eles tinham com Máscara Negra), e que não traficassem em áreas escolares ou perto de crianças. Em troca, teriam proteção total contra Máscara Negra e Batman. E é claro que todos eles riem da cara pela sua ideia absurda, e se perguntam que diabos de motivo teriam para aceitá-la. Como resposta, ele joga uma singela mala com a cabeça dos tenentes deles com a seguinte frase: “Isso me levou duas horas. Querem ver o que consigo fazer durante toda uma noite?”. O rapaz é perigoso. E na verdade ele não estava nem perguntando se eles aceitavam o acordo. Estava ordenando.

004Falando em Máscara Negra, o vilão é o chefe do crime em Gotham. Ou, nas suas palavras: “Onde há fogo, há fogo. E no momento detenho toda a gasolina.” Ele ouve os boatos desse novato que está roubando lugar, mas no momento tem coisas mais importantes para fazer do que prestar atenção neles. Como por exemplo, contratar o Senhor Frio para um trabalho bem remunerado e com o assassinato de várias pessoas – justamente o que ele mais gosta, depois de ficar lembrando de Nora Fries.
007No escritório de Máscara Negra, Senhor Frio está tendo alguns problemas para se habituar a um trabalho em equipe – leia-se: matando todos os técnicos que estavam desenvolvendo seu traje. E também todos aqueles que o irritavam. Mas Máscara Negra não vê problemas nisso. Antes vê-lo ao seu lado do que contra ele. Senhor Frio e Máscara Negra discutem a relação, quer dizer, a natureza da relação entre eles: uma relação de parceria, não de submissão. Frio foi chamado para ajudar a proteger um carregamento ilegal muito importante. Máscara Negra também descobre que o louco que estava causando toda essa confusão em Gotham se intitula Capuz Vermelho.
006Mais uma noite em Gotham City. Batman não pode mais contar com Oráculo, depois da saga Jogos de Guerra, então está conversando com Asa Noturna, seu prodígio. Eles vão, juntos, detonar uma operação que envolvia armas de alto calibre roubadas do Departamento de Operações Extraordinárias. Mas as armas militares eram meramente um esconderijo para um roubo muito mais perigoso: bombas e armas de vários vilões de Gotham, coletadas e reunidas – para um colecionador, talvez. Antes que conseguissem descobrir a verdade, uma das bombas explode. Um homem está por trás disso: Capuz Vermelho. Enquanto vão atrás dele, Batman nota que algo nos movimentos de Capuz Vermelho soa estranhamente familiar. Mas não tem muito tempo de pensar isso: se deparam com um gigante chamado Amazo, que é um andróide altamente avançado com células de assimilação. O grandão adquiriu e detém as habilidades e poderes de sete membros da Liga da Justiça. Ou como Asa Noturna diz, “cantar cover com poderes de heróis“. Em resumo, um problema. Um GRANDE problema.
Enquanto lutam contra esse gigante poderoso, vemos os pensamentos de Asa Noturna sobre trabalhar com Batman. Transcrevo esse trecho a seguir:

“Nunca me acostumei ao silêncio de Batman. Na vida já era difícil. Mas no trabalho… Ele nunca tira onda ou ofende o oponente. Não faz a dele. Talvez por isso quando criança, quando Robin, eu nunca calasse a boca. Ele nunca me mandou ficar quieto mesmo. Como depois refleti em retrospectiva, sempre achei que ele não ligasse. Ou ele se valia como distração? Porque ele sempre foi de achar o movimento seguinte. Sempre soube como finalizar a luta. Agora o silêncio leva a nós dois. Compreendo agora. E outrora eu compreendia. Há uma hora para falar… E uma hora de agir.”

008E como estamos falando de Bruce Wayne e Richard Grayson, é óbvio que eles conseguem detonar Amazo (ainda que temporariamente), e frustrar a ação de Máscara Negra. Esse está tendo seu primeiro contato com Capuz Vermelho, que roubou algo muito importante que o pertencia – uma caixa com mais de cem libras de kryptonita. Nós sabemos que kryptonita é um material raríssimo, que possuem um valor inominável, e cujo valor seria pago por qualquer preço por uma quantia pequena dela. E, bem, Capuz Vermelho estava com um enorme carregamento dela, pertencente a Máscara Negra. Para tê-la de volta, o preço era 50 milhões de dólares. Capuz Vermelho, o rei dos pedidos absurdos. O secretário de Máscara Negra fica chocado e diz que ele é insano, ao que Máscara Negra rebate: “Não, os insanos fariam um traje com a pedra e marchariam até Metrópolis bancando o rei da montanha. Este aí sabe o que faz.” Embora relutante, ele aceita, e Capuz Vermelho fica de retornar a ligação dizendo o local desse encontro tão amigável.
011Hora do encontro de amigos, Frio vai junto para tentar resolver o problema, e é claro que dá tudo errado e Capuz Vermelho sai atirando como se tivesse munição infinita ao seu dispor e matando todos os capangas, exceto Frio – com ele, é necessário um toque especial. Mas Victor tem esse dom de deixar as coisas um pouco mais frias (piada pronta, desculpem), e quando está pronto para fazer Capuz Vermelho virar sorvete ele é interrompido por Batman e Asa Noturna (que conseguiram rastrear os sinais de radiação da kryptonita). Mas antes que ficasse feio pra ele, Capuz abre uma barreira no chão e foge, e Frio usa sua arma para se impulsionar. Ninguém gosta de ficar perto de um Batman furioso e um Asa Noturno irritado. Mas eles tem que reconhecer: Capuz Vermelho é habilidoso.
No fim dessa edição, um epílogo. Alguém está procurando por outra pessoa. A encontra em um circo, jogada num canto. É Coringa, talvez um pouco triste. E a pessoa que veio procurá-lo está segurando um pé-de-cabra. Ela espanca Coringa até que ele vire quase uma poça de sangue. Ao fim dessa sessão de tortura, pergunta:

“Diga-me… Como é a sensação?”

ToddvsJoker

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