#55 – Batgirl: Corrida Silenciosa (Cassandra Cain)

“Ela foi perfeita. Não ‘boa’. Não ‘melhor que o esperado’. Perfeita. Eu teria inspecionado a sala antes de atacar. Ela não precisou. O estranho treinamento dela possibilita a… Leitura da ‘linguagem corporal’ do oponente. É a única linguagem que ela entende. Com uma simples olhada, ela já sabia o que eles iam pensar em fazer. E a luta estava terminada antes que ela tocasse os pés no chão.”

» Augusto
Este post será para falar sobre uma de minhas personagens preferidas. Mais exatamente, tenho alguns preferidos dentro do “universo morcego” (Batman não conta). Dick Grayson (pela eficiencia e lealdade), Barbara Gordon (pela inteligencia), Stephanie Brown (pelo esforço), Damian Wayne (comportamento comédia) e a personagem tema desse post, Cassandra Cain.

Ela ficou nas histórias por anos, participou de sagas que mudaram o rumo das histórias, como “Terra de Ninguém”, “Assassino? / Foragido”, “Jogos de Guerra” e várias outras, até entregar seu uniforme na “Guerra pelo Manto”. Também foi parte dos “Outsiders” (um grupo de vigilantes formado pelo Batman), tornou-se “Black Bat” durante algum tempo na “Incorporated” e por fim, agora parece ter se tornado “Kasumi” nos Novos Titãs. (Nota da Jéssica: todas essas sagas vão aparecer aqui no Batman Guide com o tempo).
Pode parecer estranho, mas não é por nada disso que acho que ela merece destaque. “Então porque você acha que ela merece tanto destaque?”. Pelo que ela é e por COMO ela é. Vocês já vão entender.

LINE

Ela é filha de David Cain. Pra quem não sabe, David Cain deve ser o terceiro maior matador/mercenário do universo DC, ficando atrás do Deathstroke e do Deadshot (sendo que eu não duvido nada que ele daria uma coça no Deadshot). David tinha planos de treinar ter um sucessor, criar caos contido em um único corpo, o guerreiro perfeito pra ficar em seu lugar. Como David Cain fazia parte da Liga dos Assassinos, e por consequência conhecia Ra’s Al Ghul, ele contou sua ideia ao velho Ra’s e este por sua vez gostou tanto que quis que quando esse guerreiro perfeito ficasse pronto fosse seu guarda-costas.
David então começou o processo por um passo difícil, a mãe ideal pra seu filho.
Ele já planejava sua cria para ser uma máquina de guerra/assassina/exímia lutadora mesmo antes mesmo de saber quem seria a mãe. Parte do processo foi ESCOLHER essa mãe. David Cain foi extremamente seletivo, e escolheu uma lutadora extremamente incrível, chamada Sandra wu-San (ou Woosan, dependendo do local). Essa é a famosa Lady Shiva, a maior lutadora do mundo. Mulher essa que posteriormente treinou tanto Bruce Wayne quanto Tim Drake. Ela é tão boa lutadora que Bruce nunca a venceu na porrada.
Sandra é neta de “Sensei”, um lendário mestre de artes marciais que inclusive também treinou o Batman. Sandra tinha uma irmã mais velha chamada Carolyn. Ambas treinavam desde o momento em que acordavam, desde sempre, o que explica a capacidade altíssima de luta. Coisa que David percebeu. Pra fazer Sandra “despertar” o verdadeiro lutador dentro de si, David mata Carolyn, fazendo com que Sandra busque vingança. A princípio ela busca vingança na pessoa errada, em Richard Dragon, que foi um dos dois discípulos principais de Sensei.
Enfim, Sandra treina MUITO mais do que já treinava, adota o codinome de Shiva, chega a lutar com o Richard Dragon e com o David Cain.
Ela percebe o quão grande é sua habilidade pra lutar, e então decide que quer aprimorar isso. David a treina com a condição de que ela lhe dê um filho, e Sandra aceita. O tempo passa, o tempo voa, a poupança Bamerindus continua numa boa e a criança filha de David Cain e Sandra wu-San nasce. Cassandra Cain.
Após nascer, ela foi treinada não só por seu pai (David Cain), mas também por diversos outros mestres daqueles que você jura a integridade moral da senhora sua mãe que devem ter super-poderes e não tem. A ideia era a guarda-costas perfeita pro Ra’s Al Ghul.
A menina nem sequer aprendeu a falar ou a escrever, só sabia fazer leitura corporal. Cain focou toda capacidade de percepção e controle dela inteira na parte física. Ela sabe o que você vai fazer antes mesmo de você fazer. Ela era a lutadora perfeita, mas então David levou-a para o teste de matar alguém, ela não curtiu o lance e fugiu, passando a viver nas ruas, onde posteriormente foi adotada pela familia morcego.
Mais a frente ela chega até a salvar o Comissário Gordon, e foi graças a isso que com a aprovação da Barbara e do Bruce, ela tornou-se Batgirl durante os eventos da “Terra de Ninguém”, entrando no lugar de Helena Bertinelli (Caçadora) que ficou pouco tempo no cargo.
Ao aprender a falar, ela perdeu a habilidade de ler movimentos, e Batman preocupado dela acabar não podendo se defender e morrer como Jason Todd, a força a reaprender essa habilidade com Lady Shiva.
Ela é uma lutadora incrível, não há dúvidas. Inclusive ela derrotou a lendária Lady Shiva, coisa que gerou até uma parabenização vinda diretamente do Batman.

» Jéssica
001Fica até difícil escrever depois de um texto tão completo, não é?
Cassandra Cain foi a primeira Batgirl a ter uma série só para ela: de 2000 a 2006, foram publicadas 73 edições com suas histórias. A HQ de hoje é um arco dessa série, que engloba as 6 primeiras revistas. Esse arco foi chamado de “Batgirl: Silent Running” (que eu traduzi livremente para “Corrida Silenciosa”. Se você encontrar outra tradução mais adequada, por favor, me avise nos comentários).
Como o Augusto já disse, ela é uma mestra das artes marciais. Essa HQ mostra algumas das primeiras atividades dela como Batgirl, ainda tendo muitas dificuldades de se adaptar ao método que Batman emprega. No segundo volume, que se chama “Por favor, me ajude, não quero morrer”, ela salva um prisioneiro injustamente condenado para que ele possa ver a esposa, mas ele acaba morrendo nos braços dela devido à ferimentos internos que tivera numa briga anterior. Batman, sempre meticuloso, não admite o que ele considera ter sido um “erro” de Cassandra – segundo ele, ela falhou por não ter conseguido salvá-lo.
Ela também salva uma garotinha que carregava, sem saber, um ursinho que escondia um vídeo com as filmagens dos lançamentos corruptos de uma família mafiosa. Eu cheguei a temer pela segurança da menininha nos braços de uma personagem tão forte, tão letal como Cassandra, mas depois de conhecer melhor a personagem percebi que ela não faria mal à menina, de modo algum. Como poucas personagens, Cassandra consegue cativar e impressionar os leitores ao mesmo tempo, e antes que você perceba também estará simpatizando com ela. Batman começa a sentir orgulho da Batgirl. Depois de ver um ataque que ela conduz de maneira esplêndida, ele comenta com Alfred:

“Ela foi perfeita. Não ‘boa’. Não ‘melhor que o esperado’. Perfeita. Eu teria inspecionado a sala antes de atacar. Ela não precisou. O estranho treinamento dela possibilita a… Leitura da ‘linguagem corporal’ do oponente. É a única linguagem que ela entende. Com uma simples olhada, ela já sabia o que eles iam pensar em fazer. E a luta estava terminada antes que ela tocasse os pés no chão. Mas não foi isso que me impressionou.
Aqueles homens eram assassinos frios, atirariam em mulheres e crianças sem hesitar. Batgirl sabia disso. Ela também sabia o que eu pensava a respeito. Sabia que eu seria contra qualquer… Excesso de zelo da parte dela. Mas… Não houve excesso. Na velocidade em que agiu, deve ter sido difícil, mas ela fez apenas o suficiente para desacordá-los. Nada mais. Ela foi… Ninguém mais acharia isso, mas… Ela foi… Até delicada com ele. Perfeita.”

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#14 – Batgirl (Barbara Gordon)

Hoje falaremos sobre Barbara Gordon, a filha do comissário Gordon. Mas antes vou ter que me prolongar um pouco sobre ela, já que eu optei por disponibilizar uma HQ mais curta. Se eu fosse disponibilizar uma HQ que contasse toda a sua trajetória até se tornar a Batgirl, seriam 9 downloads. Além disso, o traço da HQ que escolhi hoje para o Batman Guide é mais adulto e mais conciso que os desenhos das 9 HQs. Em todo caso, caso você queira ler, aqui está o link para Batgirl: Ano Um.
Bárbara Gordon é sobrinha de Jim Gordon, mas foi adotada como filha por ele depois que seus pais Thelma e Roger Gordon morreram. Se gradua na Universidade de Gotham em biblioteconomia e sistemas de informação ainda muito jovem – e com excelentes notas –  e torna-se bibliotecária. Seu treinamento físico também era intenso, pois era dona de várias medalhas de judô, karatê, ginástica olímpica e corrida.  E são justamente essas habilidades físicas que promovem o advento inesperado de Batgirl: em um baile de máscaras, costura uma roupa de “Batgirl” para surpreender seu pai, mas no caminho encontra o vilão Mariposa Assassina prestes a sequestrar Bruce Wayne. Sua interferência garante que o Homem-Morcego consiga escapar, e assim Bárbara inicia sua vida como vigilante do crime em Gotham City como uma alegre e inexperiente versão feminina de Batman que vai aprimorando suas técnicas ao longo do tempo. Como pode-se perceber na HQ de hoje, a adrenalina mexe com ela: ela até modifica sua moto, adicionando um laboratório de criminalística embutido, para ter mais recursos e mais velocidade em suas ações. Além disso, conseguira desenvolver dispositivos de ataque, visão telescópica/microscópica/térmica.

Contudo, ela também vai ficando mais velha e vai abandonando aos poucos a vida de vigilante para cuidar de seu velho e cansado pai. E como você deve se lembrar na HQ “A Piada Mortal”, que eu já postei aqui, Coringa invade a casa dos Gordon e atira à queima roupa na espinha de Bárbara, deixando a moça paralítica para sempre. Entretanto, isso não é suficiente para pará-la. Ela treina suas técnicas de defesa pessoal, adaptando-as para a cadeira de rodas (e mesmo nela, ainda mantém grande força na parte superior de seu corpo), e adquire uma nova identidade: Oráculo, que auxilia Batman e toda a Liga da Justiça com ajuda técnica e informações privilegiadas obtidas nos supercomputadores da torre do relógio de Gotham.

Mas Oráculo ainda terá sua vez aqui no Batman Guide, vamos nos concentrar hoje na nossa revista: Batgirl (Batgirl, 1997, lançada no Brasil em 2004. Roteiro de Kelley Puckett e arte de Matt Haley)!

Essa história se passa logo após seu primeiro caso, em que derrota o Mariposa Assassina. Mas aqui, ela vai lidar pela primeira vez com o vilão que seria responsável por sua tragédia tardia – o Coringa. E vai descobrir que não é tão fácil e tão divertido ser uma super-heroína… É interessante observar a relação entre ela e o comissário Gordon,  que tem motivos suficientes para querer que a filha esteja distante da vida como policial – mas mesmo assim, ela o desafia.

Essa retrospectiva aborda principalmente os primeiros dias da carreira de Bárbara e seus pensamentos acerca da ocupação que desenvolve, da densidade e da seriedade do que o espera. Não é uma HQ brilhante, complexa – é explicativa, boa de ler. Alguns criticam a personagem por pretender ser somente uma Batman feminina, sem personalidade, mas nessa HQ é possível enxergar nela um elemento de originalidade que a distingue perfeitamente do Homem-Morcego.

Kelley Puckett consegue dar singularidade à Bárbara Gordon explorando justamente o que parece faltar em Batman: humanidade e vulnerabilidade diante dos inimigos e dos desafios. É possível perceber isso na sequência em que ela está tentando escapar junto com um menininho de uma prisão feita por Coringa. Ela duvida, oscila, questiona, quase erra – porque é humana. Esse realismo é personificado na arte de Matt Haley, clara e bela de se ver – e, como não poderia deixar de ser, explorando a silhueta delineada e sensual de Bárbara. O uso das sombras e dos closes de rosto, e também dos quadros de corpo inteiro, dão uma sensação de grandiosidade à obra.
Temos elementos curiosos nessa HQ: o fato de ela conseguir trabalhar, paralelamente, o lado psíquico aliado ao lado físico dela. Não é uma história perfeita ou épica , e talvez essa simplicidade seja o triunfo da história de hoje. Nela você vai acompanhar alguns dias da história de Bárbara Gordon  – não apenas da Batgirl, a roupa colada e os socos precisos, mas de Bárbara e suas convicções pessoais, sua força de caráter, seu senso de justiça e sua determinação.

E aí, vai deixar de ler?

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