#85 – Renegados: O Abismo / Ruas de Gotham: Dinheiro do Silêncio (“Batman: Renascido” – 6ª Parte)

Reborn

Olá!
Desculpem pelo atraso no post, tive problemas com a minha conexão de internet 😦
Hoje teremos o penúltimo post da saga “Batman: Renascido”. Na verdade, trata-se de um post duplo: teremos o arco “Renegados: O Abismo” e o arco lançado na série mensal Ruas de Gotham intitulado “Hush Money”, que preferi traduzir para Dinheiro do Silêncio. Espero que vocês estejam gostando dessa saga e conto com a opinião de vocês no final do texto.

Renegados: O Abismo
(Outsiders: The Deep, roteiro de Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, março a setembro de 2009)

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001Primeiro, é preciso explicar uma mudança de títulos na série mensal na qual esse arco foi publicado. Como expliquei nesse texto, os Renegados são um grupo de heróis da DC que não se ajustaram adequadamente a grupos sérios como a Liga da Justiça. Eles não precisam de aprovação pública para suas ações e tem um código de conduta próprio. Inicialmente, eles eram liderados por Batman, então a série mensal se chamava “Batman e os Renegados” (Batman and The Outsiders V2, 2007, 14 volumes). Porém, quando Batman some, como continuar sendo “Batman e os Renegados”? A partir do volume #15, a série mensal começa a se chamar apenas “Renegados” (Outsiders, V4). O arco “O abismo”  (The Deep) compreende do volume Renegados #15 até o volume #20.
Mais uma informação: essa é a formação dos Renegados da qual falaremos nesse texto.

Formacao

  • Geoforça (Brion Markov)
  • Raio Negro (Jefferson Pierce)
  • Halo (Gabrielle Doe)
  • Metamorfo (Rex Mason)
  • Katana (Tatsu Yamashiro)
  • Rastejante (Jack Ryder)
  • Coruja (Roy Raymond Jr.)

002Explicações feitas, começaremos a analisar o roteiro.
Alfred convocou os Renegados, agora sem rumo, para uma importante reunião. Nessa reunião, ele anuncia que Batman havia deixado uma missão para eles – uma missão que ultrapassa a ação local dos Renegados, para além de Gotham, visando salvar o mundo (sim, nessas palavras um tanto quanto ambiciosas).
A decisão de seguir nesse projeto está à cargo dos Renegados. E se decidirem, eles terão um novo chefe: o próprio Alfred Pennyworth. Essa mudança no RH dos Outsiders é comentada com ironia por Brion Markov, o Geoforça:

“De servidor de chá para salvador do mundo, isso é um grande voto de fé que você está nos pedindo, Alfred.”

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Mas quem acompanha as histórias sabe que, a despeito da insistência de Alfred para que seus patrões mantenham uma certa regularidade alimentar, “servidor de chá” é a última coisa que ele é. O cara é assistente pessoal de Bruce Wayne, Dick Grayson e todos os membros da bat-família, cirurgião de guerra, serviu como Oficial de Inteligência no MI-6 (o serviço de inteligência britânico!) e por aí vai a lista.

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Ok, qual a decisão que o Alfred está pedindo aos Renegados? Se eles quiserem continuar sendo Outsiders, eles precisarão levar a palavra no sentido mais literal. Renegar o contato com qualquer ser humano que não seja do grupo. Ficar sem falar com seus entes queridos por meses. Desligarem a sua vida. Como soldados indo para a Guerra. Ser a linha de frente contra uma parede de fogo. Um inimigo implacável. Os que não quiserem aceitar essa premissa inicial podem se retirar sem ônus de suas honras, afinal foram parceiros valorosos para o Morcego. Mas os que decidirem aceitar… Deverão ter consciência do que o que os aguarda será longo e amargo.
005Certo, isso não é nada que possamos estranhar vindo do BATMAN, o cara é o mestre dos pedidos impossíveis. Mas acho que ele se excedeu um pouco. A missão dos Renegados começa fora da Terra. Como diz o Geoforça: “Isso é ser tão Renegado quanto se pode ser!”
A razão desse afastamento é para dar perspectiva na resolução de um caso – um desabamento provocado provavelmente por algum deslocamento de placas tectônicas, com dezenas de mortos e apenas uma sobrevivente.

006Os Renegados foram deixados como uma espécie de “braço” de Batman; cada um deles representa uma habilidade do Morcego. Metamorfo faz para o Coruja, o novo membro, um resumo do que cada um dos integrantes dos Renegados representa da personalidade de Batman. Indispensável para quem quer saber mais sobre cada um dos membros. (Metamorfo se transformando em Batman e Robin é impagável).

  • Geoforça: a força de combate, o “poder de fogo” do grupo
  • Raio Negro: o “coração” do grupo, faz do mundo um lugar melhor através da eletricidade
  • Katana: bem-humorada, odeia desembainhar a espada quando não é necessário
  • Rastejante: o fator “medo” do grupo, causando terror no coração dos criminosos
  • Halo: a vibração positiva do grupo, o “Robin”, que existe para mantê-los acreditando
  • Metamorfo: o cinto de utilidades dos Renegados.

007Eles se dividem em uma missão: alguns ficam na nave que está sobre a Terra e outros vão para a Alemanha fazer verificações. Mas algo parece estranho. As características das camadas de terra não estão batendo com as características comuns após eventos de tremores sísmicos. Algo parece estar fora do lugar. Parece não ter sido apenas um abalo sísmico.
Enquanto isso, na Filadélfia, um homem idoso chamado Franklin está acertando detalhes de um serviço específico. Um serviço para forjar sua morte, para que ele seja liberado para alguma operação especial – uma dívida antiga. E assim estão sendo forjadas as mortes de pessoas idosas na Inglaterra, em Kyoto, no Cabo da Boa Esperança, no Golfo Pérsico, no Vaticano (!) e na China. Um projeto em que eles irão empenhar os últimos anos de sua vida, que já fora estendida além do comum, em prol de um projeto misterioso envolvendo grandes armaduras de um líder chamado Lixeiro. Uma pesquisa sobre imortalidade, cujo início da resposta se encontra nas profundezas da Terra e o fim da resposta se encontra espalhado na estratosfera.

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#84 – Sereias de Gotham: União (“Batman: Renascido” – 5ª Parte)

Reborn

Oi!
Esse é, particularmente, um dos posts que eu mais queria escrever desde que comecei com o Batman Guide. A história de hoje tratará dessas três mulheres sobre as quais já falei aqui no Batman Guide: Arlequina, Mulher-Gato e Hera Venenosa. O que elas tem em comum, além de uma predisposição natural para se envolverem em crimes e problemas? Toda uma cidade contra elas. A única maneira delas sobreviverem em Gotham é se elas se juntarem. Cuidado para não ser pego pelas “Sereias de Gotham: União” (Gotham City Sirens: Union. Roteiro de Paul Dini, Scott Lobdell e Christopher Yost, arte de Guillem March e David Lopez, agosto de 2009 a fevereiro de 2010)!

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001Mulher-Gato tem sofrido muito nos últimos tempos em Gotham City. Primeiro, ela teve seu coração arrancado pelo vilão Silêncio. Depois, Jason Todd, vestido de Batman, a atirou de cima de um prédio. Ela se sente fraca como um filhote, mesmo depois de Zatanna ter fortificado seu coração com um elixir mágico. E para ajudar ainda apareceu um novo vilão chamado “Quebra-Ossos” cujo poder é… Quebrar ossos. Com um toque, estilhaçar ossos das pessoas. Tem aparecido montes desses vilões lunáticos em Gotham ultimamente, não? Mas pelo jeito esse vai conseguir acabar com a Mulher-Gato. Ou conseguiria, se não fosse pela intervenção providencial de Hera Venenosa.

002E onde a moça tem ficado ultimamente? Hera está dividindo apartamento com Charada. Certo, talvez “dividindo apartamento” não seja uma boa expressão. Ela está seduzindo ele com seus poderes tóxicos e o mantendo drogado enquanto pega a casa dele, depois de ter doado os 30 milhões de dólares que recebeu de Mulher-Gato para uma instituição que cuida de plantas (é, e a gente vendendo o almoço pra comprar o jantar).
A “adorável” Harley Quinn também é “companheira de apartamento” de Hera Venenosa, e tem vivido com ela desde que se cansou de Coringa (pelo menos até a próxima vez que ele ligar).
As três tem vivido no limite desde que Gotham City virou de pernas para o ar. Quando não estão fugindo da polícia, estão sendo penduradas pelo pescoço por algum vilãozinho de segunda, apanhando ou aceitando trabalhos idiotas de algum maluco. Era hora de tomar alguma medida para evitar isso. Hora de fazer uma união. Uma união de “super-vilãs”.
003Depois de alguma relutância por parte de Hera e de consultar suas “informantes”, ela aceita – Arlequina tem uma única cláusula: que no novo apartamento das três seja construída uma sala de brinquedo. Essa edição é um lapso de humor no meio de uma saga tão séria. A luta das três com o Quebra-Ossos é muito boa. Ah, há uma outra cláusula também, de Hera Venenosa – endossada por um composto orgânico que impede que a pessoa minta. Uma poção da verdade natural. Ela quer saber de Selina… Quem é o Batman.
004Temos um flashback de Selina Kyle indo ter uma conversa franca com Talia Al Ghul – em meio a tantas mulheres, as únicas duas que Bruce Wayne sempre amou. Acho que o Morcego não ia ficar muito feliz com essa conferência de ex-namoradas, mas o que os bat-olhos não veem, o bat-coração não sente. Além disso, é por um bom motivo: Talia ensina a Selina um método para guardar um segredo tão profundamente que nem você mesma terá acesso se não quiser – uma porta fechada para todo o sempre. Uma questão interessante para uma reflexão interna. Você esconderia algo assim dentro de você, se pudesse? Tem algo que trancaria dentro de você e jogaria as chaves fora?
005E o segredo de Selina em questão é justamente a identidade de Batman, que deve ser preservada a todo custo pelo bem dele e da cidade. E é o que Selina faz – ela inventa uma história bem convincente sobre o Batman na verdade ser dezenas de homens diferentes que assumem o manto por diferentes períodos, e os Robins são dezenas de meninos também. Sua história faz sentido, e aparentemente convence Hera e Harley – embora essa última fique tão entediada com essa resposta sem-graça que decide sair para fazer compras.
014Pausa para um comentário: menos um ponto para o roteirista, que poderia ter explorado algum traço menos fútil da personalidade de Arlequina (personagem de quem já falei neste post). Ela quase sempre é retratada como uma desmiolada. Espero por uma one-shot profunda dela, em que ela exponha o sofrimento causado pela dualidade entre o fato de amar Coringa de maneira tão intensa e de saber que ele é o homem ERRADO para ela, que ele é a escolha errada. Parece bobeira, mas não é. Poderiam criar conflitos relacionados ao comportamento afetivo-obsessivo de Arlequina, o fato de ela estar num relacionamento destrutivo com um homicida, talvez sugerir traços de um transtorno Borderline nela.
Se vocês se lembrarem da história “O Palhaço à Meia-Noite”, inserida no post “Batman & Filho”, vemos uma face mais adulta da Arlequina, em todo o seu sofrimento, e eu acredito que eles poderiam explorar esse nicho (já que é uma personagem muito querida pelos fãs).
006Bom, vamos nos contentar com o que temos agora. Passeando pelo shopping, Arlequina encontra Bruce Wayne.
Nesse momento o leitor estará olhando perplexo para a resenha perguntando “BRUCE WAYNE? MAS COMO ASSIM?”. Bem, quem é o lunático que reconstruiu todo o seu rosto para ficar idêntico ao Bruce Wayne? Sim, ele mesmo, Thomas Elliot. Ele está se passando por Bruce Wayne (no próximo arco vocês descobrirão como isso foi possível) publicamente, o que atrai criminosos tentando roubar a sua fortuna (ah, se soubessem que a Mulher-Gato roubou todo o seu dinheiro…).
007Ela decide salvá-lo. E ele acredita que é uma boa hora para se vingar dela. Ou então… Usá-la para chegar até a pessoa que ele mais quer destruir. Então ele sequestra a Arlequina.
Charada abriu uma firma de investigação e está procurando por pistas de dois supostos suicídios ocorridos em Gotham City. É bem interessante o momento em que ele se depara com Batman e percebe que é um Batman diferente. As habilidades investigativas dos dois se equiparam, e Charada precisa admitir: seja ele quem for, ele é BOM. Aliás, Charada não existe mais: ficou pra trás. Agora ele é só Edward Nigma, um homem sério.
008A participação de Edward nesse arco é bem engraçada porque, de alguma forma, ele e Batman acabam cooperando (sim, isso foi possível). Outro trecho engraçado, que já aconteceu na primeira HQ desse arco, é o fato de os vilões “novos” de Gotham considerarem os vilões clássicos como referências no crime; ao encontrar Charada, uma das criminosas quase pede um autógrafo para seu mestre. É a velha guarda do crime em Gotham.
Ok, 010mas Arlequina ainda está desaparecida? É isso que Hera e Mulher-Gato querem descobrir. Sim, Thomas Elliot ainda quer matá-la, mas não vai fazer isso de maneira que deixe pistas. Talvez seja melhor forjar um acidente. Ele decide desfilar com a belíssima Harley pela cidade, sempre em situações felizes e divertidas, então assim se por acaso acontecesse alguma coisa com ela quem iria suspeitar?

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#77 – Batman: Últimos Sacramentos

“Pobre Gotham City… Hoje ela precisa de seu Cavaleiro das Trevas, e ninguém sabe onde ele está. Ou se está vivo.”

Olá!
O texto de hoje é sobre uma saga que serve de ponte entre os últimos acontecimentos e um momento decisivo que acontecerá no próximo post. Veremos como Gotham está se virando durante a ausência de seu maior herói. Sejam bem-vindos a “Batman: Últimos Sacramentos” (Batman: Last Rites, roteiro de Grant Morrison, Paul Dini, Dennis O’Neil, Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, Dustin Nguyen, Guillem March, Doug Mahnke, 2008. Na tradução da Panini recebeu o título de “Funeral para o Morcego“).

Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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001Fazem parte dessa HQ dois volumes que estão inseridos na “Crise Final” também, a Batman #682 e #683 (que aqui no Brasil recebeu o nome de “Elegia para um Herói”. É uma retrospectiva sobre a carreira de Batman, mas não do modo como já conhecemos – ele introduz elementos controversos, novidades, conceitos inéditos e estranhos. É a oportunidade perfeita para Morrison adicionar elementos na cronologia de Batman, ressuscitar personagens que não são muito utilizados – como a primeira Batwoman, Betty Kane.
Como uma colagem de flashbacks de Batman em detrimento de uma leitura linear, vemos Batman e a ascensão de Dick Grayson de acrobata que perdeu os pais numa queda criminosa ao papel de Robin, que depois segue carreira como Asa Noturna. Em certo momento ficamos confusos quando ao que é passado e o que é presente, ou quem é o narrador da história – muito provavelmente Alfred, ou então a mente do próprio Batman? Vemos cada um dos momentos tristes de Batman – a perda de Jason Todd, os vilões maníacos que enfrentou, as pessoas que não pode salvar, todo o remorso que carrega. Mas também vemos um futuro que poderia ter existido caso Bruce não tivesse perdido os pais. Uma tentativa de implantar memórias falsas em sua cabeça.
002Logo entendemos porque estamos tendo essas visões fragmentadas e dispersas: trata-se do momento da Crise Final em que, por ordem de Darkseid, o Lump se esforça para roubar as memórias de Batman para implantá-las num exército de “Batmen”, que seria usado para lutar ao lado de Darkseid. Contudo, Batman carrega uma carga de remorsos, estresse, culpa e sofrimento tão grande que os clones não suportam isso em sua própria mente – e começam a arrancar os próprios olhos, se destruir e entrar em conflito interno. E depois disso acontece tudo que já lemos no texto da Crise Final.
Aos poucos, vemos os personagens reconstruindo suas vidas depois do desaparecimento/morte de Batman durante a Crise Final.

003Asa Noturna está resolvendo pendências deixadas desde “Descanse em Paz”. Seu acerto de contas com Duas-Caras é bastante intenso (achei engraçado como Asa Noturna é desdenhoso com Harvey e o compara ao Linus, um personagem do Snoopy que só anda com um cobertorzinho para se sentir seguro). Eles se odeiam desde que Dick era Robin, e essa rejeição mútua apenas cresceu com o passar dos tempos. Harvey promete uma coisa: ele tem grandes planos para Asa Noturna ainda. Grandes planos.
Dick Grayson, Alfred e Tim Drake tentam levar sua vida na Mansão Wayne de forma normal, mas agora sem a presença silenciosa porém vital de Batman. E embora todos tentem agir como se a vida continuasse, fica claro para nós que não é assim. Falta o essencial. Sobra silêncio. A lacuna que Batman deixou.
004A história chamada “Últimos Dias de Gotham” nos leva ao encontro de Millicent Mayne, uma atriz que vê sua vida ir do topo ao fundo do poço; é considerada “o rosto de Gotham”, por sua grande beleza e por ser uma benfeitora dos pobres de Gotham, até que Duas-Caras decide jogar ácido em seu rosto durante um baile de caridade. Duas-Caras está deixando a cidade mais caótica do que nunca na ausência do Cavaleiro das Trevas. E é hora de Dick Grayson ajudar. Ele está sobrecarregado, e ainda por cima desorientado pela ausência de seu professor e tutor. Quando Alfred lhe oferece um dos Batmóveis, ele recusa: “Não, obrigado. Eu… Eu não sou o Batman, e me sentiria estranho se dirigisse o carro dele.
006Grayson não se sente à altura de Batman. Ele se cobra demais, acredita que falha em absolutamente todas as suas decisões, não se acha minucioso o suficiente, vê falhas em seus planos. Sua mente está obscurecida, ele não está pensando direito devido ao que aconteceu com Bruce. E com o fato de ter que assumir responsabilidades que antes cabiam ao Morcego, falta a aptidão e experiência que tanto estamos acostumados a ver.

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Com a ajuda providencial de Alfred, Dick decide… Tentar de novo. Em certo momento desse arco, Asa Noturna visita o Beco do Crime para rememorar o que aconteceu com Batman – sobre como a .45 automática de Joe Chill destruiu a vida dos pais de Bruce e destruiu todo o seu futuro, ditou como seria sua vida. É um trecho de uma carga emocional indizível. Ele é eternamente grato a Bruce por ter dado um futuro a ele no momento mais triste de sua vida.

Dick se enxerga em Batman. Ele também perdeu seus pais em circunstâncias trágicas. Ao acender uma vela no Beco do Crime, em memória dos pais de Bruce e de seus pais. E se lembra de outra vela que acendera, no juramento que fizera com Batman ao se tornar Robin, muitos anos atrás.

“A luz dessa vela foi um farol para a alma de um jovem garoto… Me permitiu ver um caminho sem egoísmo e devoção. Devoção com um bem comum. E essa luz deve brilhar não importando o que aconteça.”

É emocionante vê-lo atendendo o Bat-sinal convocado por Gordon (que ao longo das noites vem incessantemente deixando o Bat-sinal ligado, numa tentativa de estabelecer contato com Batman). Diálogo interessante travado entre Gordon e o Harvey Bullock:

H: “- Ele vai nos ajudar em algo?”
G: “- Ele não é o Batman.”
H: “- Certo. O Batman não usaria as escadas.”

007

Mulher-Gato está mantendo Thomas Elliot, o Silêncio, em cárcere privado, como vingança pelo que ele fez a ela no arco “Coração do Silêncio”. De início ele é confundindo com Bruce Wayne, o que poderia causar problemas para a Bat-família porque Thomas Elliot, embora tenha a aparência de Wayne, não tem nada do seu caráter. Ele faz uma participação interessante nessa história.
Outra participação notável é a de Ra’s Al Ghul, que quer saber dos lábios de Dick Grayson a verdade sobre a morte do “Detetive”. Ele considera a morte de Batman algo injusto, afinal, era ELE quem estava destinado a matar Batman. Ele diz para Asa Noturna, enfurecido: “Um herói do calibre do Batman não deveria perecer nas trevas. Um herói como Batman deveria ter sido assassinado na luz mais brilhante do dia para todo mundo ver.” (Realmente ele sabe como consolar as pessoas, não?)

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#73 – Batman: Coração do Silêncio

“Desta vez eu atingirei Wayne direto em seu coração. Pois apenas sua completa destruição pelas minhas mãos exorcizará os demônios do meu passado.”

Essa frase define bem do que se trata essa história. Vingança atrás de vingança.
Boa noite a vocês, presumindo que queiram ler isso no clima da grande e velha Gotham. Esta é a saga “Coração do Silêncio”, escrita por Paul Dini e desenhada por Dustin Nguyen, já no novo milênio, praticamente um dos últimos passos antes do morcego entrar na saga “RIP”.
É uma história de certa forma realista, com planos e consequências bastante humanas. Não é um ás pra se jogar sozinho na mesa caso queiram apresentar o morcego a alguém, mas dentro de um bom pacote com histórias selecionadas, essa merecia ir dentro.
Mão no peito e cuidado com cada sombra, vamos lá. (“Batman: Heart of Hush”, setembro de 2008 a janeiro de 2009).

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001“Coração do Silêncio” foi só uma das dores de cabeça que antecederam a maior de todas que o Morcego podia ter. Uma história um tanto reveladora, que mostra um Batman deixando seus sentimento expostos a uma mulher, uma história cujo primeiro quadro já dita bem qual será o ritmo das coisas, uma corrida. Teremos a oportunidade de entender melhor o passado de Thomas Elliot, o Silêncio, e a ruína desta mesma família que, junto a dos Wayne e Cobblepot, era uma das 3 maiores de Gotham City.
A arte dessa revista tem pontos altos e baixos quase por igual. É uma arte clara de entender, sem grandes “inovações” daquelas que é tão “nova” que acaba enrolando ou atrapalhando. Organização de quadros, ações e falas bem simples e diretos. Os dois pontos negativos que peguei do Dustin nos desenhos são fáceis de perceber.
Primeiro: tudo feito com muitas retas, deixando o desenho com aparência meio quadriculada/retangular, algo como os primeiros personagens 3D dos videogames.
002Segundo: Essa parte talvez não seja totalmente responsabilidade do Dustin, mas também do colorista. Os desenhos falham no degradê entre as cores luz/sombra. Reparem que você pode praticamente traçar uma linha no local onde o colorido muda, não tem aquele efeito “fade”. Da luz para a sombra não é aquele efeito progressivo de escurecimento, você praticamente traça uma linha, pinta de uma cor onde tem que ser claro, e de outra cor onde é escuro. Tipo colagem de criança.
003Não estou condenando os desenhos do Dustin, só apontando o que notei. Ele desenha bem, e trem criatividade para as cenas, ele soube passar bem com seus traços o “sentimento” da história, tanto a frustração do passado do Silêncio quanto a raiva do Bruce no presente diante dos ocorridos. Fora que para detalhar ele deve ter perdido um bom tempo. Reparem na coronha das armas e nas marcas das bandagens do Silêncio. Fora que ele faz o esquema de “silhueta sombria” do Batman como tanto gosto. Agora começarei a narrativa da história.
Vamos começar já na correria, acompanhando um sujeito fugindo de cães. Mulher-Gato o faz escapar de terminar igual um antilope na savana. Ela dá uma chicotada na fuça do cachorro e o tal fugitivo dispara o gancho que substitui sua mão direita, agarra a Mulher-Gato pela cintura e vão para um terraço.
004O camarada já dá uma de capitão gancho com uma garra de 3 pontas no lugar da mão direita, e pra terminar de surpreender ele dispara a tal garra igual o gancho do Batman. Oh claro, era o Batman. Esse é “Knox Canhoto”, outro disfarce do morcego, assim como o Fósforos Malone.
Ele troca de roupa no alto do prédio e parte aos pulos com Selina pelos terraços de Gotham. Eles não contavam com o fato de estarem sendo observados pelo mal-caráter que deu nome e razão ao título do arco… O Silêncio. O Doutor. Thomas Elliot, herdeiro de uma das 3 maiores famílias de Gotham City.
Todos os 3 personagens principais aparecem logo nas primeiras páginas. Batman, Mulher-Gato e Silêncio. Um fará algo com outro, e o que restou vai correr atrás do prejuízo. Confuso? Que nada, até fácil demais, sigamos o curso da história.
Ocorrem duas passagem solo do Elliot. A primeira é enquanto observa o morcego e a gata, de um local próximo a um hospital. Um morador de rua o aborda, não como o morador de rua abordou o Zsasz, foi na bondade, lhe informando que o hospital estava fechado. Elliot viu um prato cheio ali. Porque? Ele está colecionando gente. Não é nada como um “Dead Human Collection”, nem nada a estilo de “Olhos Famintos”, ele está dopando diversas pessoas com algo que as deixa um tanto “estilo zumbi” e sob seu controle, e as colocando dentro do tal hospital como seus “funcionários”.
Podemos ver que seja lá o que o Elliot quer, ele pegou pesado nos investimentos. Como eu estava dizendo, essa foi a “primeira passagem” de chegada do Elliot nesse arco, a segunda logo consecutiva, é ele falando de si, de sua história e da história de sua familia.
Segundo seu depoimento para os leitores, seu pai era um ricasso de familia nobre de Gotham, que vivia desgostoso com a vida, fazendo nada, bêbado, isso quando não estava gastando milhões em alguma coisa que lhe encheu os olhos no momento, como carros, aviões, mulheres. Parece aquela raposa dos desenhos do Pica-Pau ao conseguir dinheiro: “Carros… Mulheres … Iates… Mulheres… Mansões… Mulheres…”.
006E sua mãe… Ah a mãe do jovem Thomas… Não saia das baladas com a tia do bátema. Brincadeira. A mãe do Thomas era uma mulher normal, que ficou rica ao casar com o Elliot-mor, só que ela o tempo inteiro achava que ela e seu filho deviam mostrar que merecem o status ganho tão facilmente com o casamento. Aparentemente uma mãe mais direita que o pai.
Ele deixou claro com todas as letras que ele quer a ruína de Bruce Wayne, vide a primeira citação do texto.
Os contos do Silêncio passam de quadros com imagens de antigas fotos de familia para um flashback. Aos seus 10 anos, “alterou” o freio da limousine da própria familia. Fica óbvio que o garoto além de um prodígio também era um lunático. Uma criança normal de 10 anos não teria o intuito de sabotar nem uma bicicleta, quanto mais um carro de luxo.
A sabotagem dá certo, eles sofrem um acidente, mas ele não contava com o socorro bem sucedido de Thomas Wayne. Esse é o pai de Bruce Wayne: médico, filantropo e milionário. Se também fosse “bilionario” e “gênio” teria roubado a cena do Tony Stark. Então… Graças a Thomas Wayne, a mamãe Elliot sobreviveu ao acidente.
O flasback vai parar no hospital junto ao jovem Elliot, Bruce e Thomas Wayne. Este último ficou em cima do ocorrido, falando com o detetive Bradley que avaliava o “acidente”. Rolou uma transferência de hospital da mãe do Elliot e ela foi levada para o mesmo hospital que o Silêncio já adulto comprou e abarrotou de “zumbis”. No flashback, chegou a hora do garoto ver sua mãe pós-acidente.
005No quarto a gente até se impressiona, a mulher está com bandagens no rosto exatamente igual a ele no presente. Ela o chama, diz que o Dr. Wayne está cuidando muito bem dela, perguntou se o Bruce estava lá, elogiou o jovem morceguinho, e durante as falas para encorajar seu filho puxou citações de Aristóteles por duas vezes. Por fim deu-lhe seu cordão cujo o pingente era um círculo.
O pequeno maldito então mostra a nós leitores o que ele poderia ter feito com a mãe dele. A coisa vai de chute na traqueia pra baixo. Se com 10 anos está assim, dá pra imaginar o quão podre o Silêncio é por dentro, e ao contrário da maioria dos loucos que rodeiam o Batman, esse é louco desde a infância e era tido como amigo para o Bruce.
Fim de flashback e estamos de volta à Gotham com Batman e Mulher-Gato invadindo um local onde haviam animais ilegais sofrendo maus-tratos e coisas do gênero. Um dos responsáveis foge enquanto os demais pagam nas mãos (e pés) do morcego. Mal sabe ele que correu da cruz e caiu na espada. Deu de cara com o Silêncio, e a múmia dos tempos modernos abriu fogo no sujeito. Batman finalmente viu seu nemesis deste arco.
007Silêncio diz que ele não precisa se preocupar com inimigos, pois ele não deixaria ninguém matá-lo em seu lugar. É o tipo de comentário que alguém de raciocínio lento ainda daria um sorriso feliz pela proteção e em seguida arregalaria os olhos chegando a conclusão de que o cara quer sua caveira. Silêncio dá uns tiros na direção do morcego e este reage com alguns batarangues, Silêncio diz que não é a hora do confronto final deles e foge.
Batman chega ao hospital e lá perde pro Silêncio em uma briga no escuro. O homem-Morcego perder pra um HUMANO no escuro? Tudo bem, não foi na porrada, ele levou um tiro pelas costas e ficou desacordado à mercê dos zumbis do Silêncio.

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#71 – A Ressurreição de Ra’s Al Ghul

“Eu tenho caminhado com a morte nas costas. Eu tenho me arrastado entre os restos sem carne… Sem corpo nas noites que não tem fim […] Eu vi muitas coisas. Mas eu voltei para casa. Sou Ra’s Al Ghul.”

Olá!
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A HQ de hoje é mais uma obra de Grant Morrisson, em parceria com Paul Dini e mais uma série de roteiristas. É uma saga bem interessante, e saiu em 10 volumes e uma edição adicional. Essa saga é importante para a cronologia de Ra’s Al Ghul, e será bastante apreciada por aqueles que se interessam pela Bat-família e pela construção da personalidade de Damian Wayne. Prepare-se para presenciar “A Ressurreição de Ra’s Al Ghul” (Batman: The Resurrection of Ra’s Al Ghul, dezembro de 2007 a fevereiro de 2008)!

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Na última HQ que postei aqui no blog, “Morte e as Donzelas“, nos deparamos com uma situação inédita nos últimos séculos: a morte de Ra’s Al Ghul. Desde que tomara conhecimento das atividades criminosas de Ra’s Al Ghul, que envolviam a morte de milhares de pessoas ao redor do mundo para seus fins megalomaníacos, Batman vinha lacrando os Poços de Lázaro – os locais onde Ra’s se reestabelecia nos períodos de fraqueza e que permitiam que estivesse vivo desde o tempo das Cruzadas. Ra’s interrompia, assim, o curso da natureza, a ordem correta de nascer, crescer, criar um legado e morrer. Batman se recusa a ceder qualquer Poço para Ra’s.
Ra’s estava debilitado e fragilizado demais. Ao ser esfaqueado por sua filha Nyssa, Ra’s Al Ghul morre.
001Começamos a HQ com um estranho sendo enfático com Talia: o seu filho Damian deve conhecer a história de seu avô Ra’s Al Ghul, diante de uma perigosa ameaça ao legado dele. Essa perigosa ameaça é Batman, como era de se esperar. O Morcego está estudando o desaparecimento de dois ecologistas ligados à Fundação Wayne, que no momento estavam pesquisando o ciclo de vida de uma espécie de mariposa. O comportamento das mariposas indicava a alteração do ecossistema local – elas estavam vivendo por mais tempo. Multiplicando em muitas vezes seu período normal de vida.
002Damian Wayne não se interessa nem um pouco pela história do avô – em suas sempre gentis palavras, “Por que eu ligaria pro que aconteceu com um velho morto?”. Ele é um garoto bastante insolente. Mas ainda assim, Talia rememora a trajetória de seu pai (já contada na história “O Nascimento do Demônio“) desde o casamento com Sora, o desenvolvimento dos Poços de Lázaro e o primeiro teste com o Príncipe do Reino – ao sair do poço ele enlouquece e mata Sora. Para Damian é tudo um monte de besteira inútil, até que sua mãe conta para ele como Ra’s al Ghul enganou a morte. Assim como em “Morte e as Donzelas”, temos uma perspectiva da vida de Ra’s Al Ghul ao longo dos séculos. Na Batalha de Waterloo, com as cortesãs de Napoleão. Em Whitechapel, na Inglaterra, terra dos assassinatos de Jack O Estripador.
003Em todas os momentos ele é acompanhado por seu ajudante Fantasma Branco, que o fala sobre regras determinadas há muito tempo atrás. Há uma maneira de enganar a morte, mesmo sendo destroçado membro por membro: possuir o corpo de outra pessoa.
De preferência, de um garoto saudável e forte.
004Batman encontra alguém que pode ajudá-lo a desvendar o mistério do desaparecimento dos ecologistas. Um homem velho. Muito velho. Ele está começando a descobrir o que se passa quando é atacado por 4 ninjas. Quem nós conhecemos que treina uma liga de ninjas? Alguém muito poderoso. Que está prestes a ressurgir, com o corpo de Damian.
Num primeiro momento, essa tentativa de roubar o corpo de Damian dá errado devido às habilidades de combate do menino, e ele e Talia conseguem fugir.
Batman está cada vez mais próximo das pistas que o levarão ao que procura. Ele já tem uma ideia. Ao interceptar um assalto planejado por Talia e suas irmãs, ele ouve a seguinte profecia: “A cabeça de demônio está voltando da tumba”.
E Ra’s Al Ghul vai ao encontro de Talia.
Morto desde a HQ “Morte e as Donzelas”, ele ressurge.
Como isso é possível? Como ele conseguiu vencer a morte? Que mecanismos permitem a sobrevivência da mente além da morte do corpo? Como se mata um demônio?

Ras
005O corpo em que Ra’s Al Ghul está envenenado com radiação, por isso possui um aspecto asqueroso e reptiliano. A carne o recusa, o rejeita, ele não sente dor, não sente a carne. Logo ela o expulsará, e ele nada mais será do que uma casca vazia e inerte. Por isso, ele precisa de fato do corpo de Damian, que contém seu próprio sangue e seu próprio DNA. Ao fazer essa proposta, o garoto fica indignado: “Você quer o meu corpo? Outra vez com essa merda? Como espera que eu reaja diante disso? Pareço-te um completo imbecil?” Ra’s fica irado com a ousadia de Damian, e afirma que exige dele nada menos do que “absoluta obediência”. Damian encerra a conversa: “Velho ranzinza. Meu pai te fará em pedaços… Quando eu lhe disser que você voltou.

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#28 – Arlequina

“Meu amor pelo Coringa era mais forte do que as paredes do sanatório.”

Olá!

Em primeiro lugar, tenho que me desculpar com vocês pela demora em produzir esse post. Quem acompanha o Batman Guide há um tempinho sabe que costumo postar às quartas e sábados, mas essa semana atrasei bastante! Tive alguns probleminhas pessoais que me deixaram sem tempo para escrever, então espero que aceitem minhas desculpas 🙂

Continuando com nossos vilões, hoje trarei uma vilã que me deixa boba toda vez que aparece. O motivo? Ela é muito sem noção! Mas isso é meio óbvio, vindo de uma mulher que é apaixonada pelo Coringa. Quero dizer: “Apaixonada” é pouco. Ela é obcecada!

Jogue-se no universo incompreensível da louca e fatal Arlequina (Batman: Harley Quinn, roteiro de Paul Dini e arte de Yvel Guichet, outubro de 1999)!

Gotham City está mais perdida que nunca. Depois de um terremoto que destrói várias construções, Hera Venenosa é obrigada por Batman a trabalhar para alimentar pessoas perdidas e famintas.
No meio dos destroços, encontra uma moça loira chamada Harleen Quinzel. E ela começa a contar sua história.

Ela era uma psicóloga que fazia seu primeiro ano de residência no Asilo Arkham, quando conheceu Coringa, e se apaixonou perdidamente por esse misto de loucura  e (para ela) charme. Não obstante, ainda facilitava suas fugas do sanatório. Quando descoberta, foi demitida e internada no próprio asilo. Mas na primeira oportunidade de fugir, foi atrás do homem que amava – parando numa loja de fantasias para se embelezar e adotar uma personalidade única, como é única a personalidade de Coringa. Ou para seu “pudinzinho” , como ela o chama.
E então surge a Arlequina, que começa sua jornada atrás do maior vilão de Batman.
Entretanto, ele não é uma pessoa acostumada à sentimentos doces. Ele engana Arlequina, pois a moça mais atrapalha do que ajuda e consegue ser inconveniente em muitas ocasiões.

Ela é inteligente, mas é doida, sem-noção, insana, divertida. Mas se enganada também pode ser muito vingativa, falsa e manipuladora, e qualquer um que ousar entrar em seu caminho…

Essa HQ traz a história dessa personagem e mostra seu relacionamento com o Coringa, com uma arte que tende bastante para o cartoon, em detrimento da capa ultra realista (desenhada por ninguém menos que o genial Alex Ross). Além disso, explora sua raiva por Batman – ela acredita que o Homem-Morcego “atrapalhe” seu relacionamento amoroso, pois Coringa se interessa mais por derrotar Batman do que por ela. É possível perceber isso nesse trecho de uma outra HQ dedicada à ela, chamada “Louco Amor”:

Página 19 da HQ “Louco Amor” (Batman Adventures: Mad Love, roteiro de Paul Dini e arte de Bruce Timm & Glen Murakami, fevereiro de 1994)

Essa HQ é bem divertida e leve, mas ao mesmo tempo a presença da Arlequina torna a história ácida e instigante. Não deixe de ler! 😉

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#11 – Batman: Guerra ao Crime

Olá!
Hoje eu trouxe a vocês uma obra com a qual eu tenho uma particular história de admiração.

A primeira vez que li essa HQ, eu estava na Gibiteca Henfil, em São Paulo (Não conhece? Saiba mais aqui). E fiquei particularmente impressionada. Até então, nunca tinha lido uma HQ tão realista do Batman. Mas sobretudo, nunca tinha ficado com a impressão que fiquei. Um soco no estômago, foi isso que senti. Ali eu percebi talvez o verdadeiro fundamento da história do Batman. Claro que havia toda a coisa dos vilões, o elemento místico da Hera Venenosa, a insanidade do Coringa, a obsessão da Mulher-Gato, o transtorno mental de Duas-Caras. Mas o maior inimigo do Batman não estava em um casaco roxo ou em um macacão de látex.

O maior inimigo do Batman estava nas ruas, nos becos escuros, se aproveitando da fragilidade de alguns e da tendência à maldade de outros. O crime é um elemento a ser combatido, como Batman jurou depois da morte dos seus pais. Mas não é fácil combater algo que está em todos os lugares, mudando de forma, mudando de pessoas… E as pessoas não lidam com a violência da mesma forma.
E isso é explorado nessa sensacional HQ. Não deixe de ler Batman: Guerra ao Crime (Batman – War on crime, 1999, roteiro de Paul Dini, arte de Alex Ross).


A primeira coisa que você vai notar é a técnica utilizada: o Fotorrealismo. Não é foto, mas vai te enganar a ponto de parecer ser uma foto de tão real que é o desenho. Ou seja, já começamos com uma obra madura, densa, para um leitor que gosta desse lado menos lúdico e mais realista e cru do Batman. A história não se fixa no lado “super-heróico”, mas sim nas suas reflexões sociais sobre a cidade, as pessoas e a violência.

Essa história foi lançada em comemoração aos 60 anos da criação do Batman (1939-1999). Não possui balões de quadrinho, pois a história é uma narrativa do próprio Wayne. A história começa com o foco em um bairro decadente de Gotham, uma das piores áreas da cidade, corrompida pelos assaltos, pela violência e pelo descaso das autoridades com as pessoas que passam necessidades ali. E é claro que isso deixa Bruce insatisfeito.

Planeja-se fazer investimentos naquela área, mas eles não visam, de forma alguma, ajudar as pessoas. A companhia de Wayne é convidada para investir em um projeto milionário que transformaria essa região decadente em um centro comercial. Paralelamente, encontramos a história do menino Marcus. Para começar, mostrarei uma imagem que, para mim, já fez a HQ inteira valer a pena:

A partir daí, podemos perceber o que chama tanta atenção nessa obra. Marcus é um menino cujos pais foram assassinados por criminosos em um assalto – assim como Bruce Wayne, aos oito anos. Bruce Wayne poderia ter tomado vários caminhos, o alcoolismo, as drogas, a violência – mas partiu para combater o crime, a violência que matara seus pais. Marcus não teve essa força, e foi sugado pela boca maldita do crime. Mas por que? Porque Wayne não poderia ter seguido aquele caminho? Como ele mesmo reflete,

“Que tipo de homem eu teria me tornado se as coisas tivessem sido diferentes? Se, em vez de usar minha fortuna para combater o crime, eu me permitisse ser dominado por ela e todas as suas tentações? Se eu realmente fosse o que pareço ser para os outros?”

Marcus é um reflexo de Batman, distorcido e desgarrado. É o que Batman seria se tivesse feito outra opção.
Batman precisa de atitudes globais para combater o crime. Os bandidos, as armas, as ocasiões, os políticos corruptos, os policiais que não trabalham bem. Mas não é isso. Às vezes é preciso mais do que jogar os bandidos na cadeia e cuidar para que o braço da lei seja pesado com ela. É preciso cuidar de quem ficou fora das grades, mas que continua preso – preso no sofrimento, na dor, na amargura e nas feridas causadas por um ciclo de violência que nunca termina. É preciso cuidar de Marcus, que teve sua vida dilacerada pelo crime – e cada vítima de violência cujo destino pode facilmente se pervertido. E a violência não está somente nos becos sujos e escuros. Está também nos arranha-céus lotados de políticos com ternos impecáveis e reputações imundas. Ali, onde tudo se resolve com influência, e o que não se resolve com influência se resolve com dinheiro.

Enfim, é uma obra intensa em todos os sentidos. Não deixe de lê-la. Acho que é uma das obras mais adultas do Batman que já postei aqui. E vai te fazer perceber o processo que Batman passa todos os dias, e por que ele insiste num ideal criado há muitos anos. Ele tem motivos. E você vai perceber quais.

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