#92 – Corporação Batman: Leviatã Ataca!

“Há uma coisa que aprendi como membro da Corporação Batman. Você nunca está sozinho com um Batsinal.”

Finalmente chegamos ao post sobre a Corporação Batman aqui no blog. A semente para essa idéia foi plantada em uma conversa de Bruce com os seus aliados no post de “Bruce Wayne – Estrada para Casa”. Naquela edição, ele pontua sua intenção de expandir o alcance de Batman para cada lugar do mundo, criando uma rede em que cada um dos Morcegos receberá uma atribuição. “De hoje em diante, Batman estará em todo lugar que haja escuridão. Sem lugar para se esconder.”
Antes de começar o texto em si, alguns esclarecimentos para que tudo possa ficar bem entendido entre nós. Para falar dessa nova fase de Batman, eu tinha duas opções: apresentar a série mensal de Corporação Batman, que durou 8 edições (janeiro-outubro de 2011), ou apresentar o especial “Leviathan Strikes!”, de 2012. A série mensal é importante? Sim. Assim como a série mensal de Batman é importante em todas as suas 713 edições + os especias, as 4 séries mensais de Robin com aproximadamente 206 edições, as 3 séries mensais do Asa Noturna que somam aproximadamente 193 edições… Entendem meu ponto? Se fôssemos ler as séries mensais todos os personangens ao pé da letra, só com esses três personagens principais já teriamos mais de 1000 HQs acumuladas para leitura. Claro que se você tiver tempo, você deve ler os arcos mensais, são interessantíssimos. Mas como o objetivo do Batman Guide é apresentar só o que é essencial para a leitura, eu escolhi apresentar logo o especial da Corporação Batman.
Mas para não deixá-los totalmente desorientados, vou fazer um resumo das 8 edições mensais antes de falar do especial. Você pode baixá-las no nosso parceiro DSClub.
Em seguida, você lerá: “Corporação Batman – Leviatã Ataca!” (“Batman Inc: Leviathan Strikes!” Roteiro de Grant Morrison e arte de Chris Burnham e Cameron Stewart, fevereiro de 2012)

Introdução – Corporação Batman

Line001Em primeiro lugar, é preciso que eu diga: essas mensais tiveram as capas mais lindas que já vi. Acho que foi a sequência de capas de uma série mais bem-feitas da história do Morcego. Clique para aumentar.

001Batman encontra Mulher-Gato em uma de suas missões – Batman está atrás de algo que foi inventado e não deve cair nas mãos de outra pessoa senão as dele. O Morcego pensa em convidar um dos rapazes envolvidos para entrar na Corporação Batman, mas como ele havia utilizado uma arma de fogo, ele é vetado. Mas ele irá surpreender Batman, “zerando” sua personalidade e sendo convidado a entrar para a Corporação Batman com um juramento bem parecido com os feitos pelos Robins. O primeiro ramo da Batman Inc no Japão: Jiro Osamu, como Senhor Desconhecido.
A capa da terceira edição é de chorar de tão linda. Ela traz logo na capa um personagem que já vimos na Luva Negra; El Gaúcho. Bruce Wayne vai até a Argentina tentar convencê-lo a integrar a Corporação Batman. De início ele resiste, mas se vê preso numa armadilha com o Morcego com um dos personagens que eles julgavam estar mortos – um dos capangas de Dr. Hurt em “Descanse em Paz”.
binc_04_021Na quarta edição, outra personagem sumida aparece em um flashback: Katherine Webb-Kane, a primeira Batwoman, original. Descobrimos que ela teve um relacionamento com Batman e com El Gaúcho, sendo motivo de uma antiga desavença entre eles. Segredos são revelados na armadilha montada para eles. A Batwoman original acaba se encontrando com a atual Batwoman, e elas caem na porrada.
Batman consegue encurralar o capanga que estava mantendo ele e Gaúcho reféns. Eles se revezam no interrogatório tentando descobrir para quem eles estavam trabalhando, mas o criminoso não revela nada. Entra em cena um vilão chamado Dr. Dédalus que tem um instrumento chamado Labirinto da Morte, capaz de matar heróis. Vários foram mortos nesse labirinto, mas um deles deixou uma arma que foi convertida em uma bomba. Essa bomba será utilizada para iniciar uma guerra que mandará Batman para o inferno. Sob ordens… Do Leviatã.
Um prólogo do edição #5 nos é particularmente interessante: uma sala de aula do que parece ser a África. Um professor ensina aos alunos uma doutrina perigosa: o Leviatã é a resposta para todas as perguntas. Para garantir que todos no mundo também achem isso, o professor distribui rifles e AKs para os alunos. Um homem esguio com uma armadura de Batman ultra-tecnológica espia tudo do teto. Seu nome é David Zavimbe. Ele é Batwing. O novo membro da Corporação Batman (Estou tão ansiosa para falar sobre ele aqui!)

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002 Começa a se espalhar a notícia de que Bruce Wayne está contratando e patrocinando Batmen por todo o mundo. Em contrapartida os chefões do submundo estão mexendo os pauzinhos para lidar com isso (e no meio deles um chamado “Homem-Emoticon” que… Usa máscaras de emoticons. Ok.)
Em suas coletivas de imprensa o bilionário esclarece que segurança é uma de suas prioridades, assim como a construção de um mundo mais seguro. Uma pequena cena exibicionista para os jornalistas de Gotham.
Batman passa o comando dos Renegados para Red Robin. Ele decide articular o combate àquele que vem se mostrando um inimigo cada vez mais poderoso: o Leviatã. Ele está criando, entre outras coisas, um… Exército de crianças assassinas, que ficam felizes em matar em nome do Leviatã.

Aparece também o Homem-dos-Morcegos e seu sidekick Corvo Vermelho, mais um dos “Batmen de Todas as Nações” (não lembra quem são eles? Clique aqui) Trecho engraçadíssimo é a entrada NADA discreta da Batcaverna do Homem-dos-Morcegos.

Homem dos morcegos

003Muita tensão na 7ª edição, com direito a luta de gangues, o Homem-dos-Morcegos  no meio da briga mesmo esfaqueado num lugar perdido dos Estados Unidos. Eles também entram para a Batman Inc.
Na 8ª e última edição, com temática high-tech, um teaser do que encontraremos em “Leviatã ataca!”: Oráculo fala a Batman sobre um trabalho especial que Batgirl está desenvolvendo em uma “escola do mal”, envolvida com o Leviatã. E Batman liga os pontos sobre um pequeno país africano, até pouco tempo governado por uma supermodelo. Que enganou Batman, levando-o a uma armadilha que quase o matou. Seu corpo nunca foi encontrado.
Jezebel Jet está de volta.

Para facilitar a vida de vocês, reuni a formação da Corporação Batman no fim dessas 8 edições:

BATMAN INCORPORATED

Lista de membros da Corporação Batman

(Queridos, essa lista deu trabalho para ser feita, então espero que gostem. Se encontrarem um erro, por favor, me avisem!

Introdução feita, vamos às vias de fato: a HQ de hoje!

Corporação Batman: Leviatã Ataca!

Line002001A HQ começa com um juramento característico do Leviatã: “Não tememos a morte, pois somos a morte!”. O cenário é um prédio antigo, uma escola. E quem está fazendo o juramento é Stephanie Brown e uma amiga. Com cordas ao redor do pescoço. Rodeadas por meninas com rostos de caveira. Certo, as coisas estão indo rápido demais. Como chegamos até aqui?
Flashback de um mês atrás. Stephanie Brown está sendo levada para seu primeiro dia de aula no tradicional Colégio de St. Hadrian. Nem tão tradicional assim: na primeira aula de Stephanie, a professora está ensinando como confeccionar uma granada de mão com objetos encontrados em qualquer cozinha. Bela aula.

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#91 – Bruce Wayne: Estrada Para Casa

“Então, minha missão […] é trabalhar duramente comigo mesmo; nunca esquecer que tenho aliados nesta guerra, que preciso deles e dos amigos… E tentar, nem que seja um pouco, aproveitar esses vínculos um pouco mais, porque eles são muito frágeis.”

“De hoje em diante, Batman estará em todo lugar que haja escuridão. Sem lugar para se esconder.”

Oi!
Você se lembra do arco “Batman: Renascido”? Ele foi postado aqui no Batman Guide em 7 partes. Em cada uma delas, vimos a repercussão que o sumiço de Bruce Wayne teve para os aliados de Batman. Como cada um deles se rearranjou, como se adaptaram, as estratégias que se utilizaram para garantir o preenchimento das lacunas que o Morcego original deixou.
Agora Bruce Wayne está de volta. Mas ele não irá se revelar ainda. Ele ainda precisa avaliar até que ponto cada um dos seus aliados está devidamente preparado para o seu aparecimento. Precisa saber como eles se saíram nesse período de ausência. Precisa trilhar sua estrada de volta para casa. E, acima de tudo, precisa descobrir se eles estão preparados para o grande desafio que está por vir.
A HQ de hoje é “Bruce Wayne: Estrada para Casa” (“Bruce Wayne: The Road Home”, dezembro de 2010-janeiro 2011).

Atenção: apesar de serem one-shots lançadas no mesmo mês, recomenda-se a leitura na ordem abaixo para melhor entendimento.

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#1 – Batman & Robin: Olhando de Fora para Dentro
(“Outside Looking In”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Cliff Richards, dezembro de 2010).

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Leitura relacionada:
■ #83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido”)

Essa HQ tem Fabian Nicieza no roteiro. Eu já disse aqui o quanto eu gosto do trabalho do cara, então já estava disposta a gostar dessa HQ antes de lê-la. Lembrando que isso não significa que eu vá fazer vista grossa caso o roteiro esteja ruim; não devemos endeusar ninguém a ponto de não aceitar que essa pessoa cometa erros. O que não foi, de todo, o caso dessa história.
O narrador dessa história parece estar observando o trabalho de Dick e Damian enquanto Batman e Robin.
Se você observar pensamento dessa história, irá observar que existem duas tipologias de balões: a primeira, escrita à mão em linhas de caderno; e a segunda, parecendo ter sido digitada em uma fonte de computador, como um relatório de trabalho. Veja:

Narradores

Isso nos indica que há dois narradores nessa história.
O primeiro narrador, do diário escrito à mão, observa algumas coisas sobre a Dupla Dinâmica caçando o misterioso Killshot. A primeira delas é que eles não só correspondem totalmente às expectativas, como também as superam. A segunda observação parece ter um tom reflexivo: nós sabemos que o método de Dick de enfrentar os problemas é com certo bom-humor, fazendo piadas o tempo todo, com um viés meio circense, que está no seu sangue. Assim, a Dupla Dinâmica terá errado em transformar o seu trabalho de Batman e Robin “em uma aventura, ao invés de uma obsessão”? Essa nova metodologia, única, é válida? O “novo” Batman é absurdamente confiante. E além disso, tem um mérito incrível: conseguiu colocar Damian Wayne na linha. Quem faz essas observações deve saber, em primeiro lugar, que Batman não é o mesmo de antigamente (isto é, não é mais Bruce Wayne). Ora, poucas pessoas sabiam disso em Gotham City – a maioria delas, incluindo Jim Gordon, achava que Batman continuava o mesmo, apenas com algumas mudanças comportamentais.

O segundo narrador, das linhas digitadas, também sabe que novo Batman é Dick Grayson. O que ela não entende é como e porque ele se tornou Batman. O que faz dele o novo Morcego. Onde estaria Bruce Wayne? Ela está chantageando a Bat-família em busca de informações. Quando ela descobrir isso, poderá publicar no jornal de Gotham e alcançar o sucesso que tanto almeja.
A segunda narradora é Vicki Vale, a ex-namorada de Bruce Wayne.

Para tentar contornar isso, Bruce Wayne convida-a para jantar. Epa… Não tão cedo. É Thomas Elliot, que foi pego pela bat-família tentando roubar o patrimônio de Bruce, e está sendo forçado por eles a aparecer publicamente como Bruce Wayne desde o arco Últimos Sacramentos. Mas Vicki Vale é ardilosa. Ela já esteve intimamente com ele, e percebeu que não era Bruce Wayne.
Enquanto isso, a Dupla Dinâmica continua procurando Killshot pela cidade, estragando operações ilegais, deslocando o maxilar de criminosos, tentando desmanchar um complô para assassinar o prefeito, um Torneio Internacional de Assassinato, essas coisas comuns para Batman & Robin. Até que vemos Killshot conversando pacificamente com Red Robin. Terá Tim Drake mudado de lado? Quem está se vestindo de Killshot?
Quem é o primeiro narrador, que está observando Batman e Robin de maneira tão precisa? A resposta para essa pergunta é a mesma: Bruce Wayne. As observações que ele faz nas últimas páginas valem a pena a edição toda.

#2 – Red Robin: O Infiltrado
(“The Insider”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Ramon Bachs, dezembro de 2010)

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Leitura relacionada:
■ #81 – Red Robin: O Graal (“Batman: Renascido”)

Recapitulando um pouco a história de Tim Drake, do post #81: Desde o começo ele foi o único que realmente acreditava que Bruce não havia morrido, e sua insistência foi tanta que ele decidiu se separar do resto da Bat-família e se tornar o Red Robin, entrando em missões heróicas pela Europa.
Ao tomar conhecimento disso, Bruce decide analisar o trabalho de Red Robin:

“Agora, eu preciso ver como Tim Drake e seus planos à longo prazo como Red Robin vão funcionar com (ou contra?) minha nova perspectiva operacional. Eu preciso ver se ele tirou o melhor do que lhe ensinei… Ou o pior das coisas que eu fiz errado.”

Ele será analisado enquanto luta com o Concílio das Aranhas – do qual o Augusto já falou em “Red Robin – O Graal”. Drake está trabalhando com Prudência, ex-assassina de Ra’s Al Ghul, quando Killshot – isto é, Bruce Wayne – decide testá-lo: ver como ele se comporta diante do inesperado. E, bem, nas próprias palavras de Wayne, “Sua organização tática e estratégica é brilhante”, porém ele precisa aprender a improvisar. A essa altura eles já estão trabalhando juntos.
Vicki Vale vai atrás de Alfred para mais uma rodada de chantagem e ameaças, e acaba descobrindo a verdade que tanto procura sobre Bruce: que ele esteve morto/perdido no tempo, e que fará seu retorno quando estiver preparado. Ela sabe que precisará pegar mais pesado se quiser algum resultado.
Bruce, enquanto Killshot, está infiltrado no Concílio das Aranhas, fingindo que quer se graduar. Um nível de risco que só alguém como ele pode aguentar. Ele recebe a missão de matar Tim Drake para que se integre verdadeiramente ao Concílio – uma excelente oportunidade para eles se testarem, mutuamente.
Ver as reflexões de um sobre o outro é o ponto alto dessa edição. A relação entre Wayne e Drake sempre foi muito profunda, desde o começo, quando Drake pediu para se tornar Robin, desde quando ele foi adotado e se tornou o Robin mais perito em tecnologia e com as qualidades mais equilibradas entre todos os meninos-prodígio.
Prudência esteve ajudando Red Robin durante todo esse tempo, mas aparentemente ela também é uma agente-dupla. E ela está se reportando a alguém que já tem um histórico de problemas com Batman. Uma dívida que envolve imortalidade.

Uma das coisas que você precisa estar atento nessas edições são as anotações finais de cada volume; são as conclusões finais do Caderno Branco de Bruce. Elas são bem valiosas. Alguns dos comentários feitos sobre Red Robin:

“De cada tragédia que Tim suportou, e houve muitas, ele se ergueu das sombras mais forte, mais brilhante do que ele era antes. […] Sua força está em sua habilidade de balancear a escuridão com a luz e o entendimento de que no final a ordem não pode ganhar sem uma saudável participação dos casos.”

Agora é a vez de Batman passar os olhos por aqueles que praticamente se desfizeram durante sua ausência. Os Renegados.

#3 – Os Renegados: Interferência interna*¹
(“Insider Interference”, roteiro de Mike W. Barr e arte de Javier Saltares, dezembro de 2010)

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Leitura relacionada:
■ #85 – Renegados: O Abismo (“Batman: Renascido”)

Algumas palavras sobre os Renegados. Quando Batman se ausentou da cidade, eles recebem uma missão de Alfred para prosseguir o trabalho do Morcego. Cada um conta com uma habilidade de Bruce. Ainda que tropeçando em alguns pontos, eles prosseguem realizando o que era esperado deles ainda quando eram “Batman e os Renegados”.
O cenário da “inspeção” é na nação sitiada chamada Markovia. Agora contamos com a adesão de Divina (Looker, no original) nos Renegados. A cidade está passando por uma situação de pânico; grupos de mais de três pessoas estão proibidos, para evitar o risco de conspirações. Um atentado ao príncipe está previsto, devidamente descoberto por Katana, que aparentemente adotou o método Bruce Wayne de interrogatório. E, descoberto isso, é hora de evitar que o pior aconteça. Em situações normais seria relativamente fácil de conter isso, mas a conspiração está sendo promovida pelo Concílio das Aranhas, que tem no príncipe Brion o seu principal alvo.
Enquanto isso, Vicki Vale descobriu que foi enganada por Alfred na edição anterior, e vai até Rastejante tentar uma nova abordagem. Tudo por um suposto “instinto profissional”, atingir a verdade.
O próprio principe Brion, ainda que ameaçado de morte, decide combater os tumultos perigosos que estão acontecendo em sua cidade. Como conter um inimigo, ou um grupo de inimigos, infiltrado no meio de uma multidão? Como identificá-lo e puni-lo sem resvalar em cidadãos com os ânimos inflamados, porém ainda inocentes?
É o momento de Bruce observar. Suas palavras não soam muito esperançosas:

“Este é o motivo pelo qual eu vim aqui. Pra ver se os Renegados haviam arruinado todo nosso bom trabalho; pra ver se eles finalmente aprenderam a trabalhar como equipe, mesmo sob provocação.”

Bem… Alguns erros táticos confirmam que talvez os Renegados ainda precisam de alguns aprimoramentos. Mas que nem tudo está perdido.

– Na tradução adotada pela scan e pela Panini quando lançou essa história na Sombra do Batman #17, perde-se o trocadilho feito no título original. “Insider” significa “instruso, infiltrado”, e é o nome original do apelido que Batman recebe nesse arco quando os aliados começam a perceber que ele os está ajudando – “Infiltrado”. Então, “Insider interference” é uma trocadilho em referência à interferência feita pelo personagem de Batman.

Erro original da DcUm pequeno adendo. Você lerá, na última página, a indicação de que a próxima HQ é a da Mulher-Gato. Esse foi um erro da própria DC, conforme você pode ver pela imagem da HQ original. A ordem correta seria a HQ da Batgirl, e é assim que vamos seguir aqui no Batman Guide. 

#4 – Batgirl
(“Batgirl”, roteiro de Bryan Q. Miller e arte de Pere Pérez, dezembro de 2010)

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Leitura relacionada
■ #82 – A Ascensão de Batgirl (“Batman: Renascido”)

O arco “A Ascensão de Batgirl” nos mostrou um panorama da evolução de Stephanie Brown, como Robin, como Salteadora e, depois, recebendo o manto de Batgirl.
Esse arco começa justamente com a lembrança de uma discussão entre Salteadora, Batman e Robin (Tim Drake), muitos anos atrás, a respeito de uma ordem que ela deveria seguir para que o resgate de seu pai obtivesse êxisto. Aliás, há uma citação que faz referência ao roteiro de “Ascensão de Batgirl”: Batman dizendo “Ela era uma variável que eu mal podia controlar”. Ela sempre foi insubordinada e questionou as ordens do Morcego. Ao longo dessa história ela terá alguns flashes da sua história com Batman.
Voltamos para os dias de hoje. Oráculo acionou Batgirl para observar e conter os movimentos de Killshot, o “infiltrado” que anda “ajudando” as operações da Bat-família (o próprio Bruce!). Ela lembra um pouco Dick Grayson no hábito de fazer piadas com o oponente para desconcentrá-lo e enfraquecê-lo. O embate com Killshot não foi o que ela esperava; ela parecia não estar, ainda, à altura do seu oponente. (Ah, a propósito: Batman está usando um traje que pode deixá-lo invisível.)
Bárbara Gordon continua a ser a “mentora” de Stephanie, na condição de Batgirl original. Babs pede que Stephanie se afaste desse caso e deixe que as Aves de Rapina cuidem disso, pelo menos por enquanto. Lembra que eu disse que a garota era insubordinada? Então. Contando com a ajuda de sua amiga Wendy “Proxy” Harris, que tem acesso a um terminal de supercomputadores (tipo uma Oráculo particular!), ela segue a trilha de Killshot através de uma arma que ele roubou da Waynetech.
De maneira bastante inteligente ela consegue seguir o rastro do seu procurado até o prédio em que ele está escondido. E lá, demonstra ter muita coragem – a ponto de dar um soco na cara de Bruce. Garota corajosa. Poucas pessoas já podem dizer que bateram em Bruce sem terem metade dos ossos do corpo deslocados depois. Existem pendências entre ambos. Desde Jogos de Guerra, Bruce não confia totalmente nela. Lembre-se, não foi dele a decisão de Stephanie se tornar Batgirl. Ela talvez não esteja preparada. Ela precisará ter sua coragem testada. Precisará lutar para mostrar a Bruce o seu valor. E que merece o lugar que ocupa atualmente.

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#63 – Batman: Jogos de Guerra

Estamos aqui hoje reunidos em memória de ”Batman: Jogos de Guerra” (no original “War Games”, bem traduzido graças às entidades cósmicas regentes). Trata-se de um roteiro complexo demais, com muitos personagens, tanto vilões quanto heróis, alguns personagens desenterrados, outros relativamente novos ou quase nunca usados… Enfim, MUITOS personagens sendo usados ao mesmo tempo na trama, como toda história do Batman deveria ser.

Não está tão longo e absurdo quanto o “Terra de Ninguém”, dêem graças ao São Dumas, ou a quem preferirem. E o número de pessoas envolvidas nos roteiros e traços também é bem grande, é gente pra encher uma sala (pequena, mas enche).

Nessa história, os fatos culminam numa total virada de mesa, tudo que o Morcego conquistou ao longo de anos vai por água a baixo devido a uma sequência de erros, e um vilão se torna o “rei do crime” se aproveitando dos fatos. Nessa história contamos também com um óbito de personagem. Quem será? Não ganho pra fazer mistério, mas também não vou contar agora.

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001“Jogos de Guerra” foi um titulo devidamente posto. Se formos ver Gotham como um território onde grupos tentam chegar ao poder, derrotando uns aos outros em matéria de domínio, influência e até conflitos diretos de gangues, essas verdadeiras batalhas que ocorrem no submundo e o povo sequer tem conhecimento, o termo “guerra” encaixa como uma luva. Mas porque “jogos”?
Estamos falando de Gotham, e Gotham tem um dono, o tal do morcego. Ou como diria aquele palhacinho bem apessoado, o “Batsy”. Uma vez que é virtualmente impossível acabar com todas as gangues no braço, uma jogada de estratégia seria extremamente necessária e eficaz.
002Dentro do conceito de “estratégia”, em grego “strateegia”, em latim “strategi” (…), (faca na caveira), Batman escreveu um passo-a-passo de como resolveria todo o problema, com todas as pessoas envolvidas, lugares… Tudo. Esse é o Batman. Dez saídas diferentes para todos cenários que se possam imaginar. Eis a razão de “jogos”. É um xadrez, onde as peças têm de estar nos devidos lugares pra tudo funcionar. Um jogo que levaria Gotham a um novo período, um período melhor. Batman montou esse “jogo de guerra” a ser feito.
O problema do jogo foi o mais simples possível, o problema veio logo no primeiro passo. O jogo era pra ser feito pelo BATMAN, mas quem fez foi Stephanie Brown, como Salteadora. E sabem do melhor? Por conta própria, sem o Batman saber. Lindo, né? Se ela resolvesse pintar um afresco com uma metralhadora de fezes não teria saído tão bom.
003Ela tomou decisões sem contar com os passos que Fósforos Malone daria, pois não sabia que Fósforos Malone era Bruce Wayne. Esse era um jogo que Bruce Wayne criou, e ele controlava 2 personagens: Batman e Fósforos. E acima disso, Steph esqueceu um detalhe óbvio. Ela não tem a eficiência do Batman. O morcego traçou um jogo onde ELE jogaria, não a Steph, muito menos Steph SOZINHA.
Foi interessante ver que no decorrer da história o Batman não se tocou de que era o plano que ele traçou, mas ele estava reconhecendo padrões, vendo que tudo parecia ter sido premeditado por alguém inteligente demais, e mal sabia que tinha sido ele mesmo.
004Cavalheiros, olhando por esse lado, eu tive vontade de mudar o título de “Jogos de Guerra” por “Cagadas da Steph”. Já tinha sido reprovada como Robin e depois faz essa lambisgoiada de estourar a rabiola do papagaio. É triste, Batman vai direto pro céu quando morrer. Essas peças como a Steph o cara leva nas costas, fica consertando todos os erros que esse povo faz, come o pão que o diabo amassou, feito do trigo do quinto dos infernos pra resolver as pancadarias com vilões e ainda tem que desfazer burrada interna do time.
011Falei bastante da trama em si e não falei dos responsáveis por ela. Razão simples, tem uma HORDA de gente envolvida nisso. Kinsun, Brad Walker, Mike Lilly, Jon Proctor, Pete Woods, Mike Huddleston e Paul Gulacy nos traços. Ed Brubaker, Devin Grayson, A.J. Lieberman, Dylan Horrocks, Andersen Gabrych, Al Barrionuevo e Bill Willingham nos roteiros, e desculpem se esqueci alguém.
Em resumo de todos os traços, posso dizer que a história merecia melhores desenhistas. Teve um ou dois que fazem jus, mas algo desse porte, de tamanha importancia pro rumo dos fatos e das histórias futuras, merecia melhor representação. Mas os roteiristas fizeram bem seu trabalho, claro que tem altos e baixos, mas na média ficou tudo bem, ao contrário da arte, que ao meu ver ficou em “baixa” tirando a média entre todos.
E já que falei da arte, mais especificamente do Barrionuevo, temos uma observação, ou se quiser chamem de “easter egg” desse post, há um desenho do Batman pilotando uma moto em uma das páginas que ele fez que você poderá encontrar igual numa história bem mais a frente, se não me engano na saga “Guerra pelo Manto”. Só que ao invés do Batman na moto, era o Asa Noturna.

006Como em toda guerra, há divisão de territórios. Selina é responsável pela zona leste. Ela intercepta Steph numa corrida, e um diálogo interessante cheio de detalhes começa. Selina foi praticamente a primeira a saber pela boca da Steph que a cagada toda começou com ela.
A Steph contou tin-tin por tin-tin pra Selina, da Batcaverna, do Batcomputador com planos B, do plano que ela roubou de colocar todas as gangues e criminosos sob controle do Batman, que ela mesma enviou as mensagens e fez a reunião que constava no plano acontecer… Só que a peça principal, Fósforos Malone, não apareceu. O legal é que antes de citar o nome “Fósforos”, ela só disse que um dos caras, o principal, não apareceu e que o plano foi pras cucuias.

Segue então uma das frases que define BEM o que é ser Batman, e mais adiante, em outra parte, há outra, vou colocar as duas aqui:

Selina: Espera um pouco… o plano do Batman tinha uma FALHA? Não pode ser.
&
Selina: Ele tem planos de contingência pra qualquer coisa que aconteça.

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Isso é uma das coisas mais incríveis quanto ao universo do Morcego, o que os demais personagens acham dele. Ele está sempre em um patamar de… Não direi de deus, nem semi-deus, nem exu, mas algo praticamente sobre-humano.
Eu particularmente achei interessante que a Selina se mostrou bastante compreensiva. Claro, não tinha mais o que se fazer, mas ao menos perder a cabeça pelo inferno que veio por causa do erro da Steph, mas ainda assim manteve a calma. Mais a frente quando Selina revela que o Bruce e o Fósforos são a mesma pessoa, a Steph dá um piti, mete uma bifa na lata da Mulher Gato e tenta fugir, leva um cacete baiano e sossega o facho.
Nessa cena da “revelação”, houve um quadro em especial que, podia ter rendido uma arte sensacional. Quando a Steph aponta pra Gotham em chamas, tiro e fogo, dizendo “Tudo isso é culpa minha”… Caramba, dava pra ter explorado isso, terfeito uma única página com um desenho dessa cena, só que bem feito, não com esse traço PORCO do Brad Walker.
010Quando foram procurar pelo Tim, Batman diz “O primeiro a encontrar o Tim avisa os outros imediatamente. Ele já terá localizado os criminosos”, Batgirl (Cassandra) pergunta “Como pode ter certeza?”, e o Morcego lança um “Porque eu o treinei”, fuck yea.
Primeira imagem em vídeo do lendário protetor de Gotham. E a TV/imprensa fazendo o que faz de melhor, falar merda. Vocês estão vendo isso numa revista em quadrinhos, a imprensa falando um monte de asneira só de ter visto o Batman, mas isso acontece MUITO na vida real, e como se não bastasse, as vezes nem é só por ingorância, mas também por conveniência. Muitas vezes eles sabem qual é a realidade e apresentam outra coisa, ou apresentam o problema pela metade, as razões variam entre dinheiro e rabo preso. O mundo bem representado.
Enfim, retrataram muito bem o que já se esperava que fosse acontecer caso o Batman aparecesse em público.
Asa Noturna, Oráculo, Robin, Caçadora, Canário, Batgirl (Cassandra Cain), Salteadora (escondida), Mulher Gato e Tarântula… um time de dar inveja para resolver o problema em Gotham.

O Jim Gordon aparece um pouco mais a frente na trama, falando com o novo Comissário de polícia.

Gordon: Ele esteve aqui?
Akins: Sim.
Gordon: E aí?
Akins: Pensei em prendê-lo na mesma hora.
Gordon: Mas…?
Akins: Em vez disso, resolvi gritar, me indignar e fui embora.
Gordon: Ele tem esse efeito nas pessoas.

013Porém mais a frente, ao encontrar o morcego, Gordon foi extremamente sincero, como sempre é com o Batman, e admitiu que se o pedido de assumir o controle da força policial de Gotham tivesse sido pra ele, ele o teria prendido.
No decorrer dessa história você vai ver todo império do Batman cair, pessoas ficarem contra ele, e pessoas aliadas também acabarem ficando contra. Numa medida meio… Extrema, o Batman toma conta da frequência da polícia e fala com a cidade inteira. Todo mundo sente o quão sinistro e extremo isso foi. Ele comanda a polícia quando ninguém mais sabia o que fazer, e novamente trabalhando às cegas sem saber que tem um elemento faltando no plano, ele comete outro erro. Uma sequência de fatos que fez com que a polícia e o povo tomassem os mascarados como inimigos, e o grupinho do Batman ficou resumido a “os morcegos”.
015Estes “morcegos” ficaram numa enrascada federal, Asa Noturna baleado, Steph gravemente ferida, Bárbara cercada… E o Batman além de ter sua imagem revelada, ainda foi de forma negativa. Agora ele é tão vilão quanto o Coringa aos olhos do povo.
Toda essa confusão vira palco para quem? Máscara Negra. Ele é um dos vilões mais legais, desde o “Jogos de Guerra” até as confusões com o Jason Todd a respeito de dinheiro, poder e kryptonita (mais a frente vocês verão isso). Ele é um dos meus vilões preferidos. Não que ele seja legal, forte, diferente nem nada, mas ele de certa forma é engraçado, extremamente sagaz e sarcástico, é como se fosse o Coringa, só que menos pirado e mais “chefe”. Ele não tem poder algum, não é grande lutador, ele é um bagunceiro, um fanfarrão que conseguiu chegar onde quis.
018Você que está lendo as sagas de acordo com a ordem apresentada aqui, e não tem noção do que virá adiante, adianto que nesta saga “Jogos de Guerra”, o Máscara Negra assume um reinado, ele ganha bastante poder e influência em Gotham, e só vai cair muuuito tempo depois, e não será pelas mãos do Batman. Quer dizer, será pelas mãos do Batman, mas não como vocês imaginam. E de quebra vocês vão descobrir quem é que está debaixo da máscara. De início, nessa saga ele entra torturando a Steph atrás de informações, em parte ele consegue, e soube usar muito bem.
O Máscara Negra discursou diante de câmeras de TV, e falou uma coisa que foi meio “chocante”. Dentre vários comentários e críticas ao Batman, o Máscara Negra afirmou que o Batman acha que a cidade é dele, e disso não há defesa, de alguma forma o Batman realmente acha isso. Só que também podemos ver que o Máscara Negra considera a cidade dele mesmo, e o novo comissário, o Akins, também se refere a cidade como sendo dele, por ele ser a lei. Gotham tá num fogo cruzado enorme, todos querem ser donos dela.

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#61 – Bruce Wayne: Assassino? / Fugitivo

A bola da vez é a saga “Bruce Wayne: Assassino?” e “Fugitivo”. Post dois em um, pois uma é tão “continuação” da outra que no término de “Assassino?”, se não houvesse nada avisando, você ainda acharia que estava no mesmo arco. Histórias de de 2001~2002. Em alguns momentos vou me referir a elas como se fossem apenas uma.
Ao ver a data achei algo recente, esqueci-me que isso já faz 11 anos. Essa foi uma das primeiras sagas que tive conhecimento em minhas andanças pelo mundo dos morcegos, talvez antes mesmo de descobrir que as histórias do Batman eram divididas em sagas (ou “arcos” como alguns chamam).
A “Bruce Wayne: Fugitivo” é continuação direta da saga “Bruce Wayne: Assassino?”. Demorei um pouco mais do que deveria pra lembrar qual era a ordem das sagas, mas a julgar que você não foge se não estiver sendo acusado… Então os títulos são auto explicativos, se quiserem mais mole que isso só mastigando água.
O que me chamou atenção para ler essa saga foi uma cena em especial que me contaram antes de eu sequer abrir alguma das revistas que compõe a saga, cena que ressaltarei mais a frente.
Não tem invasão de cidade, não tem nenhuma bomba atômica, não tem uma doença letal no ar, não teve fuga em massa do Arkham, não tem NADA de perigosíssimo para Gotham. A questão é um simples assassinato (simples para escala das coisas que acontecem em Gotham). “E o que isso tem de fantástico e brilhante?”, é que ao que tudo indica, o assassino é Bruce Wayne, e o tempo inteiro você não sabe se foi ele ou não.
Abram suas mentes para uma trama sem fatos fantásticos, mas ainda assim brilhante. Diante do que Gotham normalmente enfrenta, o problema é até pequeno, mas que compromete totalmente toda a cidade. Um tema simples e complexo.

“Os gênios são aqueles capazer de dizer algo profundo de maneira simples “ (Charles Bukowski)

Hora de “Assassino?” / “Fugitivo”.

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001Assim como a “Contágio” e (infelizmente) algumas outras várias, a história foi rachada em trocentos titulos. Azrael, Robin, Asa Noturna, Batgirl, Batman, etc e etc. Ainda é assim o esquema nos EUA, e também era assim por aqui. Eu acho meio… “incômodo” você querer dar uma lida na história e ter que saber em qual revista do Azrael, em qual do Batman ou qual do Robin está o trecho que você quer.
Pra quem é organizado e separa cada coleção por ordem numérica e cada título em seu canto, é um caos maior ainda desarrumar tudo pra caçar umas míseras páginas. Isso era algo a se buscar solução. Ou talvez a pessoa devesse buscar uma solução pro TOC. Brincadeiras à parte, a coisa tinha que caminhar diferente, a DC podia facilitar as coisas pros leitores, acredito que tudo ficaria mais acessível e atrativo para os fãs comprarem as HQs. Menos confuso e menos dispendioso.
002Na internet hoje em dia você encontra as sagas inteiras, toda a história de todas revistas arrumadas em ordem como um único grande livro, em formato .cbr ou .pdf. Fica até difícil a HQ competir com essa organização e facilidade que o mundo virtual dispõe.
Mas vamos para a história em si.
Como eu disse, história dividida em vários titulos e, consequentemente, tem MUITA gente envolvida na produção. Roteiros por conta de Greg Hucka, Kelley Puckett, Chuck Dixon, Devin Grayson, Dennis O’Neil e Ed Brubaker, desenhos vindos das mãos de Rick Burchett, Scott McDaniel, Damion Scott, William Rosado, Trevor McCarthy, Roger Robinson, Sergio Cariello, Dave Ross, Sean Phillips, Pete Woods, Steve Lieber, Phil Noto e Rick Leonardi.
003Nesse arco, os desenhos estão satisfatórios. As sagas dessa época são uma “ponte” entre os desenhos mais modernos e os antigos, fase de mudança. A qualidade começa a aumentar bastante. Ainda meio distante do que avalio como “bom”, mas suficiente, não há cenas tipo Robin com aparência mais envelhecida que o Batman, nem ninguém com visual disco.
O roteiro, por sua vez, é ótimo. Merece até um “cacilds” ao terminar de ler a saga. As primeiras páginas, onde Sasha (se não sabem quem é, já vão saber) fala a respeito do Batman são um resumo simples e bem feito da história do Batman e seus motivos.
Ela revela ser apenas uma boa guarda-costas que foi contratada para proteger Bruce Wayne e acabou descobrindo o segredinho que a DC publica mensalmente no mundo todo, Bruce Wayne é o Batman. O que ele fez? Deu-lhe uma fantasia e disse “Come on, Barbie, let’s go party”, e lá está a mulher voando entre prédios com uma roupa roxa acompanhando o Batman pelas noites de Gotham.
004Quadrinhos de pensamento pra cá e pra lá, e a mulher admite que ama o morcego. Uma mulher que acabou de conhecer um ricaço sarado genial que é um vigilante da noite se apaixonou pelo sujeito. Novidade, né. E só pra não passar em branco, até a presente história, não sei se devido a erro de tradução, mas Bruce Wayne não era bilionário, era “só” milionário. Ou seja, o Eike Batista ainda tinha mais dinheiro que ele. A primeira revista segue pela noite onde Batman e Sasha rondam resolvendo grandes e pequenos problemas. Até no zoológico eles foram fornecer ajuda, e por fim… A confusão que deu tema a saga dá as caras.
Mansão Wayne + cadáver + Bruce e Sasha os únicos presentes = … Saibam na próxima revista, na mesma bat-hora, no mesmo bat-canal. E não esqueça de trazer seu bat-maçarico.
Bruce e Sasha foram detidos, e uma equipe da polícia adentra a mansão pra averiguar o local do crime, a vitima, a causa da morte, procurar pistas… Começa o CSI-Gotham City. Interrogatórios, fitas de áudio, repórteres, notícias, advogados… Algo meio “parado” para uma história do Batman, mas de certa forma ainda envolvente.
005Uma das policiais/detetives que está no caso é ninguém mais ninguém menos que Renee Montoya. Até então, só uma detetive, que posteriormente tornará-se a nova “Questão” (Isso é nome de um herói detetive), e também de quebra será namorada da Kate Kane, a Batwoman (que ainda não existe nesse ponto da história).
As investigações continuam, Barbara Gordon manda Batgirl (nesse ponto Batgirl é Cassandra Cain) pra mansão Wayne e lá tenta de qualquer jeito buscar informações. Cassandra foi as pernas de Barbara onde ela não podia ir. E vale citar o belo discurso que Bárbara fez pro espelho, fingindo estar falando com o Batman, da situação de Cassandra. Vale bem pra lembrar a todos que Cassandra foi feita uma máquina de guerra.
006O titulo que dá continuação ao ponto que a história parou em Batgirl é “Asa Noturna”. A capa é uma das mais famosas dele, eu só lembrei ao reler as histórias para poder escrever esse texto. Dificil gravar todas as capas, ainda mais das séries paralelas. Do Batman ainda arrisco.
Dick Grayson trabalha como policial em Bludhaven e pediu ronda em Gotham para poder se aproximar do caso. Uma vez lá, durante um diálogo com a Bárbara surge um ponto que talvez muitos não pensaram. Batman é o senhor dos segredos, como diria o Stark nos “Vingadores”, até os segredos dele tem segredos. “Bruce Wayne” é apenas o que o Batman “se torna” para ocasiões sociais. Bruce Wayne é um disfarce de Batman, a personalidade natural é a do morcego, a “descontração do ricaço” é a real máscara.
008Isto posto, como seria interrogar Bruce Wayne? Um inferno pra polícia e pra ele. Durante o julgamento, você via o Batman lá de pé, no silêncio obscuro que sempre o caracterizou. Um Batman sem uniforme. Alfred chega com uma maleta contendo 5 milhões de dólares para a advogada, e ao sair do tribunal é cercado pelos repórteres, que logo são espantados pelo Grayson que aparece do limbo para salvar o mordomo. E cá entre nós, eu pensei que tivesse sido o Bruce, o traço dos dois está quase idêntico.
015Bruce foi julgado e não poderia responder em liberdade, foi para Blackgate. Bárbara foi visitá-lo, revelou mais uma vez sua genialidade, o informando que ela fez pós-graduação de direito em Harvard no tempo livre. Eu, em minha humilde opinião, acho que o Buce Wayne sendo tipo o Arquiteto da Matrix, sabe de tudo que ocorre ao seu redor, ele saberia se a Bárbara tivesse feito algo do gênero. Mas ok, ele tá ocupado surrando os vagabundos à noite.
Alfred deixa a mansão e sela a caverna, deixando Cassandra e Steph barradas por uma grade. Quem ao olhar esse quadro diria que Steph também seria Batgirl, e que receberia o uniforme das mãos da própria Cassandra?
Interrogatórios, papos repetidos, perguntas repetidas… Bruce e Sasha presos. O morcego estava literalmente vendo o bat-sinal nascer quadrado, pois de sua cela dava pra ver o Bat-sinal, e imaginem a guerra psicológica dele em querer atender ao chamado e não poder? Se ponham no lugar dele.

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007Ele é o Batman, o paranóico que só enxerga o mundo pelos olhos da justiça. Só quer saber disso, não sabe fazer outra coisa, fica inquieto quando não está fazendo, prefere sair ferido pra fazer seu trabalho do que não sair, e por ser “Bruce Wayne” ele não podia deixar aquele lugar. Bruce Wayne não estava se tornando um peso pro Batman? Pois é.
Começa então a parte que me foi citada antes mesmo de eu começar a ler. Ele preso tendo que lidar com os bandidos. Ele foi tomado como “posse” dos arianos dentro da cadeia, por ser branco. Negou a “oferta” de ser protegido por 2 mil por semana lá dentro, levou uma bandejada na cara e não pode reagir. Só pôde calcular quantos segundos levaria para aleijar todos os presentes, mas teve de ficar quieto. O BATMAN levou uma na cara de um marginal e não pode reagir. Bruce Wayne não estava se tornando um PESADELO na vida do Batman?

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ESPECIAL: Injustiça – Deuses Entre Nós

Oi!
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Essa semana foi lançado o esperado jogo “Injustice: Gods Among Us”. Foi lançado pela Netherrealm para as plataformas PS3, Xbox 360 e Wii. O cenário em que o jogo se desenvolve é peculiar: Superman instaurou um regime totalitário no planeta, e Batman lidera uma revolução para combater esse governo ditatorial. A HQ nos mostrará como os eventos se sucederam até chegar nesse ponto tão extremo. Ela ainda está sendo lançada, então essa resenha se baseará nos 12 primeiros volumes. Boa leitura!
Injustiça: Deuses Entre Nós (“Injustice: Gods Among Us”, janeiro de 2013 – abril de 2013)

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Antes de falar da HQ, deixo alguns gameplays dos personagens do universo de Batman que aparecem no jogo “Injustice: Gods Among Us:




000A HQ começa com um panorama do presente de Gotham, dado pelo Cavaleiro das Trevas. Ele pondera sobre a paz que agora reina sobre a cidade. Na teoria, seria o cenário que ele sempre esperou, mas essa paz para a cidade teve um preço caro demais. E o preço é o governo ditatorial comandado pelo Superman. É a história que conheceremos a seguir, contada principalmente pelo Cavaleiro das Trevas.

0015 anos antes. Superman acaba de descobrir que sua namorada Lois está grávida. Ela recebe um chamado para verificar uma ocorrência de propina de um vereador local, e se dirige ao local para dar o flagrante. Enquanto isso, Superman se encontra com Batman para dar a notícia de que será pai, mas Batman, como o excepcional detetive que é, descobre o fato antes de Superman lhe dar a notícia – através das evidências físicas. Batman é convidado para ser padrinho. Ele não expressada nada, mas se sente emocionado – Superman escuta os batimentos cardíacos dele. Que jeito mais sem emoção de se dar uma notícia, não é? Mas o que esperar de homens cujos apelidos são “Homem de Aço” e “Cavaleiro das Trevas”?

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002Lois Lane e seu parceiro Jimmy estão esperando para fazer o flagrante do senador. Mas algo sai terrivelmente errado. Eles encontram alguém que sempre traz a desgraça por onde passa, alguém que nunca é sinal de boa notícia… Coringa. Ele mata Jimmy e leva Lois com ele.
No dia seguinte, Superman está preocupado e se dirige ao local em que Lois e Jimmy estavam. Encontra o fotógrafo morto e uma carta de baralho característica do Coringa. Os laboratórios Star foram roubados na mesma noite, e fragmentos de kryptonita foram levados (vale lembrar que Super-Homem não pode entrar em contato com a kryptonita verde, sob o risco de se tornar instantaneamente fraco e, em caso de exposição prolongada, até mesmo morrer).

003Clark Kent pede ajuda a Batman para localizar Lois; o Morcego entra em contato com a Liga da Justiça (membros ativos e reservas) para que vasculhem Metrópolis e encontrem a mulher desaparecida. Flash vasculha um laboratório abandonado e encontra Jonathan Crane, o Espantalho, desacordado; Mulher-Maravilha prende um suspeito que informa que o Coringa e sua ajudante palhaça roubaram um submarino e fugiram de Metrópolis. Superman consegue encontrar o submarino e o invade. Coringa e Arlequina estão fazendo um experimento com Lois. E o pior de tudo ainda está por vir: Superman precisa enfrentar o vilão Apocalypse. Enquanto faz isso, os membros da Liga da Justiça conseguem deter Coringa e Arlequina antes que fujam.

004Ao investigar o Submarino, Batman e Flash percebem a estranha relação entre o personagem do Espantalho e o desaparecimento de Lois Lane. Na verdade, o interior do submarino estava impregnado com o gás do medo do Espantalho, que tem a característica de trazer à tona os piores medos e receios de uma pessoa. E Superman inalou uma quantidade considerável desse gás. Então, quando na verdade ele visualiza o corpo do inimigo e acredita estar destruindo Apocalypse, ele está matando… Lois Lane. Como se não fosse trágico o suficiente, Coringa ainda preparou uma armadilha para que, quando o coração de Lois Lane parasse… Uma ogiva nuclear explodisse em Metrópolis.

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005Enquanto os últimos sobreviventes de Metrópolis são resgatados, Superman ainda está inconsolável, se culpando por ter matado sua mulher e seu filho que ainda não nascera. A Mulher-Maravilha faz entendê-lo que aquela tragédia havia sido orquestrada por Coringa, e o Homem de Aço vai atrás do Palhaço, para obter sua vingança.
Entretanto, não é assim que as coisas funcionam entre os heróis da Liga da Justiça. Batman já havia se encarregado de surrar e prender Coringa no Arkham, e Lanterna Verde tenta evitar que o furioso Super-Homem vá atrás do Coringa. Super-Homem ridiculariza os poderes do anel de Lanterna. Não só isso: ele ainda o confisca, para evitar que Hal Jordan se coloque em seu caminho, e também destrói o ponto com o qual ele poderia se comunicar com Batman. Nada poderá deter sua vingança.
Ele mata Coringa com o próprio punho.

Joker

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#54 – Batman: Terra de Ninguém

“… Depois que o solo partiu e os edifícios tombaram, a nação abandonou Gotham City. A partir de então, apenas os valentes, os saqueadores e os insanos permaneceram no lugar que passou a ser chamado de Terra de Ninguém.”

(Imaginem isso na voz do Cid Moreira, terminando com um “E agora, paladino mascarado?”, estilo Mister M.)
Senhoras e senhores, meninos e meninas, religiosos e comunidade GLS (e mais algumas letras caso eu já esteja antiquado), preparem-se para a maior zona que Gotham já viu. Quase mais absurdo do que um embate entre o Capitão Codorna e o Naruto, esta saga é a “Terra de Ninguém”.
Você verá Batman, Asa Noturna, Coringa, Arlequina, Crocodilo, Caçadora, Scarface, Duas-Caras, Barbara Gordon, Bane, Mulher-Gato, Azrael, uma nova Batgirl.
Nome auto-explicativo, como boa parte das vezes. Sequência direta do “Terremoto”. Uma saga muito, mas MUITO longa, dividida em MUITOS titulos do morcego. Gotham foi aos frangalhos, uma ruína gigante. Batman lutava pela cidade, e agora a cidade não existe, mas o Morcego não desistiu, lutou pelo que restou e lutou para reconstruir.
Você acompanha agora as partes importantes desse arco que mudou o rumo de todas histórias até o último reboot da DC recentemente.
Proteja o que é seu, pois daqui pra frente não há leis. Terra de Ninguém.

Nota da Jéssica:
Preciso, antes de tudo, agradecer demais ao Augusto por ter escrito esse texto, que consumiu tanto tempo dele. Não posso expressar minha gratidão por essa contribuição, e por todas os outros magníficos textos que você fez para o Batman Guide. Esse blog não seria o mesmo sem você. Obrigada!
Para a leitura dessa HQ, recomenda-se fortemente que você tenha lido, ou pelo menos conheça em linhas gerais, as seguintes sagas:

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001Roteiristas: Bob Gale, Dennis O’Neil, Devin Grayson, Greg Rucka, Ian Edginton, Chuck Dixon, Scott Beatty, Lisa Klink, Kelley Puckett, Mark Wayd, John Ostrander, Larry Hama, Janet Harvey, Paul Dini, Bronwyn Carlton e Steven Barnes.
Desenhistas: Alex Maleev, Roger Robinson, Dale Eaglesham, Jason Pearson, D’Israeli, Frank Teran, Andy Kuhn, Will Rosado, Guy Davis, Jon Bogdanove, Phil Winslade, Pascal Alixe, Mike Deodato, Staz Johnsson, Damion Scott, Mark Pajarino, Dan Jurgens, Jim Balent, Rick Burchett, Jason Minor, Tom Morgan, Sérgio Cariello, Scott McDaniel, Paul Gulacy, Yvel Guichet, Gordon Purcell, Paul Ryan, Mat Broome, Rafael Kayanan, Greg Land, Steven Harris e Pablo Raimondi.
002(Uma massagem do Bane pra quem conferir se eu pus algum presidente americano no meio dessa bagunça).
Temos desenhistas muito bons e muitos ruins nessa equipe, e roteiristas que, querendo ou não, não podiam fugir da ideia principal da saga. Então podemos dizer que os roteiros são equivalentes. Alguns tem diálogos e falas mais articuladas e naturais, coisa menos manjada e clichê, mas no geral, bom. A temática então nem se fala. Foi extrema.
003As primeiras cenas relatam bem o que está havendo. A cidade parece Racoon City (Resident Evil), tá lá, aos pedaços, mas está. Não tem uma doença, mas a cidade parece estar em quarentena, ninguém entra, ninguém sai, ninguém pode sobrevoar… Virou uma terra proibida. Vemos a tentativa de um padre e de um outro camarada tentando jogar comida pra dento da cidade de qualquer jeito e sendo impedidos, por terra e por céu.
Bárbara continua em suas “funções de Oráculo”. Ela está em um prédio à prova de terremotos e com painéis solares, gerando energia normalmente. Sorte? Não, é um prédio Wayne.
Bárbara explica como a cidade ficou, com gangues pra todo canto marcando seus territórios, tornando-se reis da “terra de ninguem”. Isso em boa parte foi graças ao Jeremiah Arkham, que soltou todos os detentos do Asilo Arkham (relembre aqui.)
Quem acompanha a história há algum tempo e já teve oportunidade de ler histórias a frente dessa já deve ter percebido que o Jeremiah Arkham é um desgraçado de marca maior. Eu sinceramente não entendo porque os heróis da familia morcego tem tanta tolerância com as merdas que esse cara faz. Mas deixando ele de lado (por enquanto…).
004A cidade foi dividida entre os “grandes” do submundo. A revista proporcionou um mapa muito interessante de Gotham, não me recordo de terem apresentado um mapa político de Gotham antes. Duas-Caras com seu território, Hera Venenosa com o seu, Crocodilo com o seu, assim como Mr. Freeze, Scarface, Zsasz, Pinguim, Espantalho, Máscara Negra, Caçadora e também a polícia.
O Coringa desapareceu, e isso deveria assustar muita gente. Já ouviram o ditado “amigos perto, inimigos mais perto ainda”? Então.
Quem estava se dando melhor na confusão foi o Pinguim que estava se aproveitando da situação graças a algum meio de importar coisas de fora da cidade. E o Batman? Pois é, sumiu. Segundo relatos, Bruce Wayne após ter obtido falha em sua tentativa de resolver os problemas de Gotham no congresso, simplesmente desapareceu, e isso já fazia 3 meses. Ainda deu ordens a seus morcegos menores para ficarem fora de lá.
Sumiço por sumiço, Gordon desiste do Batsinal, acha que Batman abandonou a cidade como todos os demais, disse que ele só vai pelos caminhos fáceis… É.

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A relação do Batman com o Gordon tem horas que é incrível, ver a confiança mesmo o Batman sendo um mascarado sem garantia alguma de que vai fazer o que faz, porém não e a primeira vez que o Gordon joga tudo pro alto na hora do nervosismo. Sempre que a merda aperta e ele não consegue garantir pra si mesmo que o Batman ainda tá na boa intenção o velho alopra. Não é como o Dick Grayson ou o Alfred. Tudo bem que ambos sabem a identidade secreta do homem, mas vamos lá, o Gordon tá careca de saber que o Batman tá do lado do bem, só que age por caminhos “diferentes”.
Lembram o que falei do Coringa? Então, ele está montando a“Coringaville”, os território dele. Competindo diretamente com a Batgirl pixando por aí em nome do morcego.
007Não demorou muito e Batman voltou a ação. Por onde andava ninguém sabe, mas Alfred ficou na pior e ele apareceu. Deu um parecer que precisa reaprender a andar pela cidade, uma vez que está tudo destruido e tudo o retarda. Não demora muito e ele encontra a Batgirl. Ele elogia o uniforme e manda a mulher sumir, explica que já mandou todos demais morcegos não se envolverem pois a chapa tá quente em Gotham (ou no que sobrou dela). A mulher diz que a cidade precisa de um morcego, ele concorda, e ele então simplesmente deixa a mulher continuar fazendo o que estava fazendo. Não aprova, mas como ele mesmo disse, “não desaprovo”.
Batman decide adotar a “pixação do morcego” que a Batgirl estava fazendo por Gotham, e como primeira atitude toma o bando do Scarface, dá as ordens como se fosse um líder de gangue e deixa todo mundo avisado de proteger o território recém-tomado SEM armas, e pra continuarem pegando o tributo. Força os “ladrões de território”a pixar o Morcego por cima do próprio simbolo da gangue deles… O sujeito tá gangsta malvadão. Podemos chegar a um acordo… Agora é “GTA: Gotham City”.

“Você começa a salvar o mundo salvando um homem por vez, todo resto é romantismo ou política”. (Charles Bukowski.)

008Caçadora, Batgirl e Azrael meio que são forçadamente necessários pro Batman. O Morcego aciona o Azrael para caçar um dito cujo que pode jogar pra trás o maior investimento já feito por Bruce Wayne. O Morcego pretende aplicar todo seu dinheiro na cidade. Deu-lhe um novo uniforme, pois o outro estava associado a figura de um Azrael criminoso acusado de assassinato. Agora Jean Paul Valley virou uma boneca cibernética, um Robocop Gay. Brincadeira. Mas a roupa é lata pura, de longe até lembra o atual Batwing.
Caçadora ganha mais uns pontos de confiança com o Batman pelo trabalho incansável, entra um período de muita conversa com o Espantalho, espionagem de um ex-Máscara Negra…

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A história por muito tempo é isso, jogadas políticas não-oficiais e decisões sem tempo de pensar. Batman está tendo que aceitar diversas coisas que muito provavelmente em outras ocasiões não aceitaria. Batgirl (que ainda não é Batgirl oficialmente nessa altura), como eu disse antes, foi “não-reprovada” e ficou na ativa na Terra de Ninguém.
Batman ainda encontra a Dra. Leslie e tem mais uma daquelas conversas ótimas que tanto gosto, ela sempre faz o temível Batman ser um eterno garoto.
Os mapas são um plus dentro dessa saga tão complexa e longa. Você vai vendo os avanços das “gangues”, e nesse caso, também estou pondo a polícia de Gotham e os “morcegos” como gangues. (Clique nas imagens para ampliar)

O título o tempo inteiro faz jus a história. Terra de Ninguém. Guerras e tomadas de território ocorrem de hora em hora. Em um trecho, Barbara narra 3 conflitos ao mesmo tempo, enquanto a polícia de Gotham invade territórios do Pinguim, o Pinguim em si quebra o trato que tem com o Batman e invade as terras do Morcego, e Duas-Caras avança rumo a algum lugar, e possui mais homens do que os demais pensavam.

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Duas-Caras foi ao encontro do Pinguim, que estava tendo uma “barreira” do território dos morcegos, a Batgirl. Lá Pinguim foi traído pelo Duas-Caras da mesma forma que traiu o Batman. Ele iria dobrar seus territórios, e acabou perdendo metade do que possuia. E o Batman… Perdeu também. Batgirl abriu mão da luta pois estava sozinha. Batman foi preso por uma russa que foi cobaia de um implante cerebral para ler mentes, a mulher foi ao Batman a mando do Duas-Caras, mas de alguma forma ela não ficou como “inimiga” do Batman, apesar de ter lido a mente dele e descoberto todos os segredos. Pena talvez.

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#53 – Batman: Caminho Para “Terra de Ninguém”

“- Você é como um guardião de Gotham, não?
– Eu passei a vida toda aqui. Gotham me moldou.
– Mas a cidade caiu… E te derrubou.
– Não para sempre.
– Eu sei. As ruas, os prédios… Tudo será reconstruído. Algum dia, todos vão olhar ao redor sem lembrar desta tragédia. Mas essa é a restauração física, Bruce. E quanto às almas devastadas?
– Tem razão… São elas que mais importam. As cicatrizes invisíveis. Só nos resta esperar que o tempo as apague.
– Vamos rezar por isso. […] Eleve o espírito de Gotham. Ele é precioso demais para ruir.”

Olá!
Dando prosseguimento à cronologia do Batman, as obras de hoje contam o que aconteceu em Gotham City depois da tragédia que se abateu em “Terremoto”. Essa história se divide em cinco “arcos”: “Depois do Terremoto”, “Azrael, Agente do Morcego”, “O Homem de Cera e o Palhaço”, “Sr. Wayne via a Washington” e “Lutar ou Fugir”.
A HQ de hoje é: “Batman: Caminho Para Terra de Ninguém” (Batman: Aftershock / Road to No Man’s Land, 1998-1999).

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001Começamos com Batman e Robin tentando desobstruir as passagens da Batcaverna, inacessíveis devido ao terremoto. Apesar de perderem dois batmóveis, eles conseguem cavar a entrada. Contudo, essa parece ser a única boa notícia: ainda há pessoas presas no metrô de Gotham, que costumavam receber comida e água, mas que com os tremores de assentamento pós-terremoto ficaram completamente inacessíveis. Para os policiais de Gotham seria impossível tentar abrir uma passagem até elas, pois poderia soterrá-las. Mas isso na perspectiva das pessoas normais, claro. Batman desconhece o termo “impossível”.
E claro que ele consegue libertar essas pessoas. A única saída seria conduzi-las pela abertura recém-cavada da Batcaverna – e permitir que tomem conhecimento sobre a identidade secreta de Batman. Entretanto, o Morcego acha um preço justo a se pagar.
002Mas eis que são impedidos pelo desequilibrado Otis Flannegan, o Caça-Ratos, que estava preso em Blackgate antes dela ser destruída pelo terremoto. Ele está liderando uma tropa de ratos furiosos, e quer alimentá-los com os cruéis humanos a quem Batman tenta proteger. Mas devido à pressão que os ratos exercem, eles acabam caindo e sendo esmagados pelos destroços do metrô. E agora, subjugado, Caça-Ratos é obrigado a mostrar o caminho de saída para todos os sobreviventes.
Agora é necessário lidar com outro problema: como reconstruir a Mansão Wayne sem que os trabalhadores tomem conhecimento da Batcaverna? Dick Grayson e Alfred tem uma idéia: remover temporariamente toda a mobília, acessórios, batmóveis, batcomputadores, etc. Assim, a caverna pareceria, aos profissionais da construção civil, apenas uma fenda aberta pela ação do terremoto. E assim é feito.
005As corporações Wayne têm contribuído majoritariamente no projeto de reconstrução de Gotham, fornecendo verbas, abrigando pessoas que perderam tudo que tinha, investindo em projetos anti-terremoto. Quando questionado sobre como ficariam os lucros da empresa durante esse período, Bruce é taxativo: “Até Gotham se reerguer, a única prioridade das empresas Wayne não será lucrar. Nós vamos priorizar a melhoria da qualidade de vida na cidade”.
Uma cena tocante é ver Batman desabando nos ombros de Alfred, que, emocionado, se lembra de quando os pais do pequeno Bruce Wayne morreram e ele também se sentiu muito perdido. É emocionante porque Batman sempre se ocupa em esconder seus verdadeiros sentimentos sob uma capa de força desmedida. Nos esquecemos que ele é humano.
003Mas uma cidade tão fragilizada acaba atraindo inúmeros pistoleiros se espalham pela cidade, trazendo o caos a uma cidade em ruínas. (Para isso, Batman conta com a ajuda de Balístico, um ex-policial da SWAT) Além disso, há outros problemas estruturais: os escombros impedem que o caminhão de coleta de lixo passe por toda a cidade, então alguns pontos estão simplesmente com pilhas enormes de lixo. Animais como ratos e cachorros estão se alastrando indiscriminadamente pela cidade.

Animais

O necrotério municipal de Gotham está com a capacidade sobrecarregada, tornando-se urgente iniciar a cremação forçada dos corpos que lá estavam. Os bombeiros, apesar de seu trabalho incessante, parecem estar espiritualmente derrotados. As adutoras de água da cidade estão praticamente impossíveis de serem controladas, e há o risco de uma epidemia de cólera e outras doenças contagiosas na cidade. Os serviços públicos suspenderam todas as suas atividades, causando um problema não só financeiro, mas de logística. A alimentação enviada por helicóptero é insuficiente em todas as áreas da cidade. Os hospitais estão trabalhando com o mínimo de recursos possíveis. O corpo de policiais parece não dar conta de lidar com a efervescência de criminosos nascidos com o caos de Gotham. Até mesmo o inquebrantável Batman vê sua esperança diminuindo progressivamente.
004Diversas ocorrências vão surgir durante essa HQ, como quando criminosos cercam o hospital de Gotham para saquear os remédios e drogas medicinais lá estocados. Com um efetivo reduzido, a polícia não conseguiria garantir a segurança das pessoas lá internadas, mas com a ajuda de Batman e Robin isso se torna possível. Crianças perdidas sem as mães precisarão de toda a ajuda possível para não ficarem à deriva. A contagem oficial estabelece o número de um milhão de mortos, além de milhões de desabrigados. Há um crescimento desenfreado da criminalidade e desobediência civil, provocado pelo egoísmo e maldade humanas, ou, numa perspectiva mais otimista, pela destruição dos sonhos da pessoa e da perda de sua capacidade de acreditarem que tudo ficaria bem um dia, de novo. E esses cidadãos parecem ter poucos motivos para acreditar. “Há poucos dias o mundial de beisebol era a preocupação deles. Hoje eles se matam por água.”

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#51 – Batman: Terremoto

“O homem já andou na lua. Ele constrói cidades… Explora o oceano… E planta no deserto. Mas quando a natureza se volta contra ele… Quando placas tectônicas se chocam e a terra se move…
Só lhe resta sofrer.”

Olá!
A HQ de hoje é uma daquelas grandes sagas envolvendo inúmeros personagens. Talvez você não goste porque elas são mais extensas do que one-shots ou minisséries, ou seja, são maiores para ler e exigem um certo conhecimento prévio dos personagens. Mas ainda assim, esse tipo de saga traz eventos que vão repercutir na cronologia por um bom tempo.
Além disso, essa história é o prelúdio para um arco MUITO importante, do qual eu e o Augusto falaremos em breve aqui no Batman Guide.

Explicações dadas, vamos à HQ de hoje, que é “Batman – Terremoto” (Batman: Cataclysm, 1998!)

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001Um terremoto de magnitude 7.6 na escala Richter atinge Gotham. Apesar de tentar avisar com antecedência, a sismóloga Dra. Relazzo não consegue estabelecer contato com Batman, e também Oráculo perde a conexão que tinha com a Batcaverna. Ela está em ruínas, bem como a Mansão Wayne – com Batman e Alfred lá dentro. Batman consegue escapar do meio dos destroços, e promete à Alfred que buscará ajuda. O Comissário Gordon é encontrado em meio às ruinas de Gotham.
Eu gostaria de chamar atenção para o texto no momento em que a Batcaverna e a Mansão Wayne estão sendo atingidas pelo terremoto. Acompanhado por uma arte que eu considerei primorosa, é uma narração muito bem-feita. Na verdade, toda a descrição do momento do terremoto é belíssima, mas colocarei só um trecho. Acompanhe.

“Um rugido infernal toma a caverna. O chão se move, e toneladas de pedras estremecem violentamente. Os computadores se recolhem automaticamente, protegidos por cilindros de kevlar. Ele pensa na segurança dos outros… Como a mansão terá sido afetada? Então, o mundo parece implodir. A mansão Wayne está a penas um quilômetro do epicentro do abalo. Seus tijolos racham sobre a pressão intolerável gerada pelo solo. Por fim, ela cai no abismo.
Estalagmites milenares se quebram como vidro, afundando no chão da caverna. O túnel de saída está intacto, mas o Batmóvel… Agora a única saída é pela passagem para a casa dos Drak. A passagem de Robin. Mas até ela se fecha. Um lençol subterrâneo invade o lugar com a força de um tsunami… Carregando um herói indefeso.”

004Quando Bruce Wayne sai da Batcaverna, constata que os prédios de que é dono aparentemente não haviam sofrido dano, devido à tecnologia anti-sísmica  que absorvia impactos de até 8.5. Após avaliar a situação, volta à Batcaverna para salvar Alfred.
As notícias já estão sendo veiculadas nos meios de comunicação, e chegam aos ouvidos de Dick Grayson.
Ele chega a Gotham pelo porto para verificar como o antigo parceiro estava.

002E também ajuda as vítimas do terremoto que Gotham sofreu (a cena do resgate de um criança realizado por Asa Noturna é comovente). O caos estava definitivamente instaurado na cidade; incontáveis vítimas estavam soterradas, pontes caídas isolavam trechos impossibilitando a chegada de resgate, a cidade está sem energia, a distribuição de água é insuficiente, há postes caídos nas ruas, carros amassados com latarias torcidas, fendas se abrem repentinamente nos espaços deixados pelo movimento das placas tectônicas, incêndios se espalham por toda a cidade…
Gotham está destruída.

007Pouco antes do terremoto, Bane estava sendo conduzido de avião a Gotham, para ser enclausurado na prisão Blackgate. Mas devido às instabilidades do solo no momento do pouso do avião, ele consegue fugir. Azrael corre em seu encalço. Paralelamente, a Caçadora está no metrô de Gotham, enfrentando o pânico de uma população enclausurada no subterrâneo de uma cidade em ruínas. Ao conseguir escapar, encontra os criminosos de Gotham em polvorosa com a situação caótica, se aproveitando da ausência de vigilância dos policiais para fugir impunemente por seus crimes. Mesmo levando um tiro no braço, ela ajuda pessoas soterradas.
003Enquanto isso, Batman está descobrindo uma saída pela qual possa levar Alfred, mas os possíveis caminho para fora da Batcaverna se obstruem rapidamente – sobrando somente um túnel de água cujo fim ninguém pode deduzir.
Mulher-Gato estava começando um assalto quando o terremoto aconteceu. Havia uma criança lá, ela tenta salvá-la, mas… Não consegue. É uma cena tocante. Após constatar o estado geral da sua amada cidade, Selina ajuda a colocar os sobreviventes em segurança e revela algo que não é muito comum em suas histórias: seu lado sensível.
Drake, que envolveu-se numa jornada violenta com Shiva na Europa, chega a Gotham bem no momento em que ela já está devastada.

009O terremoto atinge a prisão Blackgate. E “Wayne não é dono de Blackgate. A prisão não foi feita para suportar terremotos, fortes ou não”. Apenas uma cela se abre: a de um condenado à prisão por mortes brutais. Contudo, logo uma onda de 25 metros varre a baía de Gotham, inundando rapidamente a prisão Blackgate – alguns prisioneiros se afogam, mas outros conseguem se salvar, e começam uma verdadeira cena de horror na prisão, matando os guardas e tomando reféns. Os helicópteros da SWAT são convocados para a contenção, assim como Batman.
005Um momento interessante dessa HQ é quando Batman obriga Pinguim e seus capangas a ajudá-lo a salvar os feridos de Gotham. Toda uma corja de assassinos, ladrões e estupradores estão fazendo algo que nunca fizeram antes: ajudar o próximo. (Mas isso não impede que Pinguim, fora das vistas de Batman, ajude somente aqueles que poderão vir lhe fazer favores futuramente. Há pessoas que simplesmente nunca mudam…)
Há um trecho na HQ em que Ra’s Al Ghul assiste, via satélite, o caos em que Gotham se encontra. Então senta-se e começa a refletir, como se estivesse conversando com Batman. Transcrevi todo esse trecho aqui porque achei muito significativo, acompanhado de uma arte extremamente bem concebida.

“Diga, detetive… Você vê o que eu vejo? Sua cidade o traiu. O concreto e o aço de Gotham mataram mais inocentes do que qualquer interno do Arkham. Quantos morrem? 50 mil? Talvez um milhão? Que ironia! As criações o homem se tornam suas assassinas durante um terremoto. […] A humanidade precisa aprender que nem sempre pode domar a natureza. Eis uma lição que cada cidadão de Gotham aprendeu. […] Fracos e poderosos, ricos e pobres. Todos estamos sujeitos à cruel vontade do meio ambiente.
Essa é a realidade que Bruce Wayne partilha com os cidadãos inferiores que tanto protege. Nem toda a riqueza o afastou do mesmo destino que o povo de Gotham. Veja a casa do pai dele. Até seu santuário foi violado. A terra se abriu e expôs o seu segredo à luz do dia. Como ele pretende consertar isso? E quanto a você, detetive? O campeão de Gotham é forçado a andar nas ruas entre escombros, tentando vencer o invencível.
Não há vilões a esmurrar. Não há Bane ou Coringa. Você não pode dar vazão à sua necessidade infantil de se vingar. Você não pode depender do que sempre confiou. A instabilidade de Gotham tornou inúteis todos os seus truques. Seus esforços são em vão.
Ainda assim, você continua a perseguir o que considera o inimigo. Você espera derrubar um oponente intocável. Por fim, você encontrou algo em que não pode aplicar suas percepções ingênuas de bem e mal. Mesmo com tantos desafios, você prossegue em sua guerra santa, mas não pode salvar Gotham desta vez. Eu pergunto, detetive… Quem é o louco agora?
Não importa… A sua obsessão cega não vai mudar a conclusão inevitável: Gotham não pode ser reconstruída. Ela será abandonada e consumida pela vegetação, erosão e decadência. Tente enxergar além dos seus interesses locais. Veja o mundo. Talvez agora você assuma seu devido lugar ao meu lado. Talvez aceite a verdade. A guerra acabou. Sua cidade não precisa mais de proteção. Gotham caiu.”

RasAlGhul

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#50 – Batman: Contágio

Este post será sobre a saga “Contágio”, ou Contagion no original, de 1996. Desde já fique claro que minha falta de ânimo para escrever sobre essa história está diretamente ligado ao fato da qualidade da mesma.
Sei que dizer uma coisa dessas logo no primeiro parágrafo deve desanimar a pessoa a ler, mas eu (assim como qualquer outro) tenho uma opinião, que não necessariamente é igual a dos demais.
A saga é boa SIM, o roteiro até então não teve nenhum que sequer fosse parecido, foi original pra série, só que eu não tenho paciência com histórias tão mal desenhadas. Pra época não era lá tão mal desenhada, mas vá, é tosqueira demais. Há quem prefira esse estilo de traço e cores, negócio mais retrô. Se fosse refeito do zero, com outros desenhistas, ficaria excelente, pois o roteiro não tem problema algum, pelo contrário, foi muito interessante. Preparem seus uniformes lacrados. Vamos ao Contágio.

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001Como já falei, a arte dessa história é tosquíssima. O Azrael (que a essa altura ainda é o Jean-Paul Valley) parece o Gorpo do He-man. Se não lembram de quem falo, é o anão encapuzado que anda com o He-man. Roupa roxa, só os olhos a mostra e tal. Enfim.
Em alguns traços vocês vão ver um Robin às vezes com o corpo igual ao do Batman, às vezes com rosto de garoto, às vezes com rosto de adulto, às vezes com o rosto do Bert do Vila Sésamo (ou aqueles bonecos do South Park, Philip e Terrance)….
002Uma Mulher Gato daquelas bem 1900 e poeira, ainda com roupa branca pra combinar com a neve e uma juba que a deveria render nome de Mulher Leão, um Batman de orelhas ridiculamente grandes, como ocorreu na “Batman & Lobo”, lançada na Batman Extra #15 aqui do Brasil (se não me engano), e pela época, claro, a elipse amarela no peito, que a mim só traz más lembranças.
A elipse me representa a época boba e infantil das histórias/seriados, onde vilão nenhum mata, só se criavam armadilhas pra Batman e Robin saírem, havia um telefone vermelho com ligação DIRETA na base SECRETA do Batman, e tudo sempre terminava em um “Santa alguma coisa, Batman!”. Tenham dó e compreendam minha frustração com essa elipse.
003Essa história foi fragmentada em trocentos titulos. Uma parte saiu na Robin, outra na Sombra do Batman, outra na Batman, outra na Mulher-Gato e dai por diante. Uma benção na vida de qualquer colecionador.
A história teve diversos desenhistas, e nenhum deles escapa do “estilo da época”, tudo antiquado, monocromático e etc… Citarei os nomes só por dever essas informações a vocês leitores, pois não to aqui escrevendo pra mim, e por mim nem mereciam ser citados. Tommy Lee Edwards, Mike Wieringo, Barry Kitson, Kelley Jones, Vince Giarrano, Graham Nolan, Dick Giordano e se tiver mais alguém passou despercebido no tornado de esterco. Vamos ao roteiro, pois a arte eu quero esquecer.
004Chuck Dixon está na parada, eis a salva-guarda/ponto-alto dessa saga. Também não foi o único roteirista, e como eu disse antes, o roteiro está bom, todo mundo fez sua parte bem feita. Que eu me lembre, não haviam abordado um tema assim nas histórias do Morcego. Alguém que não esteja afim de fazer vista grossa dirá “mas isso não é temática original, problemas vindos de doenças mortais é mais velho que andar pra frente” (diz isso pro Curupira). Sabemos que o tema não surgiu pela primeira vez numa história do Batman, claro, mas foi a primeira vez que foi utilizada essa ideia na série, e foi muito bem feita, usou um leque bom de personagens e situações.
Está rolando uma doença mundial e adivinhem, Gotham também está pra ser atingida. A equipe Morcego corre atrás do prejuízo antes a gripe do morcego (mentira, é “Ebola Golfo-A”) chegar em Gotham. Eles podiam arrumar a cura a partir do sangue de um determinado homem, para então imunizar todos que precisassem, e curar quem já estivesse doente.
004-1Rola parceria em missão conjunta entre Robin e Mulher-Gato, que poderia ter sido resolvida com deteminada velocidade se não fosse o babaca do Azrael vir com as ideias dele. Depois de muito corre-corre, encontros, “roubos”, troca de uniformes, de desenhistas e roteiristas, tcharam, geral se ferrou. Batman anunciou que estavam todos condenados, não dava mais tempo de bolar uma cura.
Como sabemos, a Hera Venenosa costuma a saber lidar com coisas do gênero, e se nós pensamos isso, óbvio que uma hora ou outra isso ia bater nas idéias do Morcego. Asa Noturna e Caçadora se juntam ao grupo. O Asa com aquele rabo de cavalo tipo Steven Seagal super Saiyajin lvl. 3, a Caçadora parecendo uma fusão de uma Xena gótica com a Gretchen, e o Robin apenas com cara de Robin infectado. Sim, o “Bird-Brain” (vide o jogo Arkham City) foi infectado pela doença macabra Ebola Golfo-A. O primeiro sintoma se manifestou, sangue pelos olhos.

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#49 – Batman: Filho Pródigo

“Eu sou o Batman, mas o Batman não sou eu. Dick Grayson, Robin, Asa Noturna, Batman… Todos diferentes, mas nem tanto. A pele de Robin agora é usada por outro… E ser Batman é só temporário. Talvez mais um mês, talvez mais uma noite. Mas só leva um segundo para perder tudo… E é preciso coragem para usar um morcego sobre seu coração.”

Olá!
Dando prosseguimento à cronologia regular de Batman, os eventos da HQ de hoje se passam imediatamente após “A Queda do Morcego”. Batman precisa deixar a cidade novamente, e dessa vez, seu lugar será ocupado por Dick Grayson. Espero que você goste de “Batman: Filho Pródigo” (Batman, Prodigal, 1994).

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O título se refere à famosa parábola bíblica do Filho Pródigo, que disserta sobre um filho que retorna à casa de seu pai após uma vida dedicada à prazeres mundanos. Você pode lê-la clicando aqui.

002A premissa inicial de roteiro é a seguinte: Depois de ter retirado de Azrael o manto de Batman (lembrando novamente: Os eventos de “Filho Pródigo” são sucessores aos eventos de “Queda de Morcego”, então caso você não se lembre de algum detalhe, dê uma olhada no post), Bruce Wayne precisa deixar Gotham novamente. E a única pessoa que pode substituí-lo é Dick Grayson, o Asa Noturna.
Dick Grayson foi o primeiro “filho” de Batman, isto é, o primeiro Robin. Mas quando Batman precisou de um substituto, depois de ter a coluna quebrada, ele não foi convocado. A relação entre ambos não era das melhores, e um dos responsáveis por melhorá-la foi o jovem e esperto Tim Drake. É notável que ele está se transformando em um homem realmente responsável e inteligente.
001E uma das coisas mais interessantes sobre “Filho Pródigo” é a relação estabelecida entre Dick Grayson e Tim Drake, em como atuam juntos combatendo o crime em Gotham. Parecem dois irmãos, unidos e em sincronia, uma sincronia que nunca seria possível entre Wayne e Drake devido ao caráter de “pai” que Wayne assume.
A trajetória de Grayson nos mostra que, em certo momento, ele não pode mais se subordinar a Batman. Ambos divergiam muito, e tinham personaldiades fortes demais. Assim, Dick decidiu seguir carreira-solo como Asa Noturna – e assim desenvolver seu próprio método, suas próprias maneiras de combater o crime e consequentemente seus próprios erros. Algumas coisas entre eles ficaram pendentes desde então. Mas nessa ausência de Wayne, ele era o único que podia proteger Gotham adequadamente.

003A caracterização de Dick Grayson é muito diferente daquela desempenhada por Bruce Wayne. Ele se torna um Batman mais benevolente, menos impulsivo, menos autoritário com o jovem Tim Drake, mais equilibrado. Mas isso também implica um Batman menos enérgico, menos “justiceiro”, menos forte e completo.
E os desafios começam logo cedo. Eles precisam enfrentar vários vilões: Crocodilo, Scarface. e… Duas-Caras foge da prisão e ameaça a cidade, juntamente de seus capangas. Como sabemos, o Duas-Caras é obcecado pelo fato de que o sistema penal de Gotham não funciona como deveria, então ele decide mudá-lo sozinho, e segundo suas próprias regras, mudando as penalidades dos presos de Blackgate e misturando os arquivos sobre os criminosos. Ele cria o caos.
004É importante saber que, nessa e em outras grandes sagas do Morcego, não são os mesmos artistas responsáveis pela arte de todo o arco. Isso significa que de edição para edição podem ocorrer mudanças estílisticas, na coloração, nos logotipos, nas letras, enfim. Mas de maneira geral, a arte é o que se espera de uma grande saga: clássica, simples de entender, sem muitos floreios ou inovações. É o que se espera de uma HQ de Batman.
007O grande trunfo desta HQ é lançar uma luz à um personagem tão relevante como Dick Grayson, e vislumbrar como seria se Batman não fosse Bruce Wayne. Costuma-se dizer que essa é uma das histórias mais significativas para a cronologia de Grayson, e de fato, é realmente um marco. Sua aparição em “A Queda do Morcego” foi modesta e não fez justiça à grandeza de seu personagem. Então, “Filho Pródigo” é uma compensação mais do que justa. Além de ser uma ótima história, claro.

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Originalmente, eram 13 edições, mas eu compilei num link só para vocês. Eu pessoalmente acho melhor baixar num link só do que baixar as 13 edições, uma por uma. O que vocês acham?
Boa leitura!

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