#91 – Bruce Wayne: Estrada Para Casa

“Então, minha missão […] é trabalhar duramente comigo mesmo; nunca esquecer que tenho aliados nesta guerra, que preciso deles e dos amigos… E tentar, nem que seja um pouco, aproveitar esses vínculos um pouco mais, porque eles são muito frágeis.”

“De hoje em diante, Batman estará em todo lugar que haja escuridão. Sem lugar para se esconder.”

Oi!
Você se lembra do arco “Batman: Renascido”? Ele foi postado aqui no Batman Guide em 7 partes. Em cada uma delas, vimos a repercussão que o sumiço de Bruce Wayne teve para os aliados de Batman. Como cada um deles se rearranjou, como se adaptaram, as estratégias que se utilizaram para garantir o preenchimento das lacunas que o Morcego original deixou.
Agora Bruce Wayne está de volta. Mas ele não irá se revelar ainda. Ele ainda precisa avaliar até que ponto cada um dos seus aliados está devidamente preparado para o seu aparecimento. Precisa saber como eles se saíram nesse período de ausência. Precisa trilhar sua estrada de volta para casa. E, acima de tudo, precisa descobrir se eles estão preparados para o grande desafio que está por vir.
A HQ de hoje é “Bruce Wayne: Estrada para Casa” (“Bruce Wayne: The Road Home”, dezembro de 2010-janeiro 2011).

Atenção: apesar de serem one-shots lançadas no mesmo mês, recomenda-se a leitura na ordem abaixo para melhor entendimento.

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#1 – Batman & Robin: Olhando de Fora para Dentro
(“Outside Looking In”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Cliff Richards, dezembro de 2010).

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Leitura relacionada:
■ #83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido”)

Essa HQ tem Fabian Nicieza no roteiro. Eu já disse aqui o quanto eu gosto do trabalho do cara, então já estava disposta a gostar dessa HQ antes de lê-la. Lembrando que isso não significa que eu vá fazer vista grossa caso o roteiro esteja ruim; não devemos endeusar ninguém a ponto de não aceitar que essa pessoa cometa erros. O que não foi, de todo, o caso dessa história.
O narrador dessa história parece estar observando o trabalho de Dick e Damian enquanto Batman e Robin.
Se você observar pensamento dessa história, irá observar que existem duas tipologias de balões: a primeira, escrita à mão em linhas de caderno; e a segunda, parecendo ter sido digitada em uma fonte de computador, como um relatório de trabalho. Veja:

Narradores

Isso nos indica que há dois narradores nessa história.
O primeiro narrador, do diário escrito à mão, observa algumas coisas sobre a Dupla Dinâmica caçando o misterioso Killshot. A primeira delas é que eles não só correspondem totalmente às expectativas, como também as superam. A segunda observação parece ter um tom reflexivo: nós sabemos que o método de Dick de enfrentar os problemas é com certo bom-humor, fazendo piadas o tempo todo, com um viés meio circense, que está no seu sangue. Assim, a Dupla Dinâmica terá errado em transformar o seu trabalho de Batman e Robin “em uma aventura, ao invés de uma obsessão”? Essa nova metodologia, única, é válida? O “novo” Batman é absurdamente confiante. E além disso, tem um mérito incrível: conseguiu colocar Damian Wayne na linha. Quem faz essas observações deve saber, em primeiro lugar, que Batman não é o mesmo de antigamente (isto é, não é mais Bruce Wayne). Ora, poucas pessoas sabiam disso em Gotham City – a maioria delas, incluindo Jim Gordon, achava que Batman continuava o mesmo, apenas com algumas mudanças comportamentais.

O segundo narrador, das linhas digitadas, também sabe que novo Batman é Dick Grayson. O que ela não entende é como e porque ele se tornou Batman. O que faz dele o novo Morcego. Onde estaria Bruce Wayne? Ela está chantageando a Bat-família em busca de informações. Quando ela descobrir isso, poderá publicar no jornal de Gotham e alcançar o sucesso que tanto almeja.
A segunda narradora é Vicki Vale, a ex-namorada de Bruce Wayne.

Para tentar contornar isso, Bruce Wayne convida-a para jantar. Epa… Não tão cedo. É Thomas Elliot, que foi pego pela bat-família tentando roubar o patrimônio de Bruce, e está sendo forçado por eles a aparecer publicamente como Bruce Wayne desde o arco Últimos Sacramentos. Mas Vicki Vale é ardilosa. Ela já esteve intimamente com ele, e percebeu que não era Bruce Wayne.
Enquanto isso, a Dupla Dinâmica continua procurando Killshot pela cidade, estragando operações ilegais, deslocando o maxilar de criminosos, tentando desmanchar um complô para assassinar o prefeito, um Torneio Internacional de Assassinato, essas coisas comuns para Batman & Robin. Até que vemos Killshot conversando pacificamente com Red Robin. Terá Tim Drake mudado de lado? Quem está se vestindo de Killshot?
Quem é o primeiro narrador, que está observando Batman e Robin de maneira tão precisa? A resposta para essa pergunta é a mesma: Bruce Wayne. As observações que ele faz nas últimas páginas valem a pena a edição toda.

#2 – Red Robin: O Infiltrado
(“The Insider”, roteiro de Fabian Nicieza e arte de Ramon Bachs, dezembro de 2010)

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■ #81 – Red Robin: O Graal (“Batman: Renascido”)

Recapitulando um pouco a história de Tim Drake, do post #81: Desde o começo ele foi o único que realmente acreditava que Bruce não havia morrido, e sua insistência foi tanta que ele decidiu se separar do resto da Bat-família e se tornar o Red Robin, entrando em missões heróicas pela Europa.
Ao tomar conhecimento disso, Bruce decide analisar o trabalho de Red Robin:

“Agora, eu preciso ver como Tim Drake e seus planos à longo prazo como Red Robin vão funcionar com (ou contra?) minha nova perspectiva operacional. Eu preciso ver se ele tirou o melhor do que lhe ensinei… Ou o pior das coisas que eu fiz errado.”

Ele será analisado enquanto luta com o Concílio das Aranhas – do qual o Augusto já falou em “Red Robin – O Graal”. Drake está trabalhando com Prudência, ex-assassina de Ra’s Al Ghul, quando Killshot – isto é, Bruce Wayne – decide testá-lo: ver como ele se comporta diante do inesperado. E, bem, nas próprias palavras de Wayne, “Sua organização tática e estratégica é brilhante”, porém ele precisa aprender a improvisar. A essa altura eles já estão trabalhando juntos.
Vicki Vale vai atrás de Alfred para mais uma rodada de chantagem e ameaças, e acaba descobrindo a verdade que tanto procura sobre Bruce: que ele esteve morto/perdido no tempo, e que fará seu retorno quando estiver preparado. Ela sabe que precisará pegar mais pesado se quiser algum resultado.
Bruce, enquanto Killshot, está infiltrado no Concílio das Aranhas, fingindo que quer se graduar. Um nível de risco que só alguém como ele pode aguentar. Ele recebe a missão de matar Tim Drake para que se integre verdadeiramente ao Concílio – uma excelente oportunidade para eles se testarem, mutuamente.
Ver as reflexões de um sobre o outro é o ponto alto dessa edição. A relação entre Wayne e Drake sempre foi muito profunda, desde o começo, quando Drake pediu para se tornar Robin, desde quando ele foi adotado e se tornou o Robin mais perito em tecnologia e com as qualidades mais equilibradas entre todos os meninos-prodígio.
Prudência esteve ajudando Red Robin durante todo esse tempo, mas aparentemente ela também é uma agente-dupla. E ela está se reportando a alguém que já tem um histórico de problemas com Batman. Uma dívida que envolve imortalidade.

Uma das coisas que você precisa estar atento nessas edições são as anotações finais de cada volume; são as conclusões finais do Caderno Branco de Bruce. Elas são bem valiosas. Alguns dos comentários feitos sobre Red Robin:

“De cada tragédia que Tim suportou, e houve muitas, ele se ergueu das sombras mais forte, mais brilhante do que ele era antes. […] Sua força está em sua habilidade de balancear a escuridão com a luz e o entendimento de que no final a ordem não pode ganhar sem uma saudável participação dos casos.”

Agora é a vez de Batman passar os olhos por aqueles que praticamente se desfizeram durante sua ausência. Os Renegados.

#3 – Os Renegados: Interferência interna*¹
(“Insider Interference”, roteiro de Mike W. Barr e arte de Javier Saltares, dezembro de 2010)

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■ #85 – Renegados: O Abismo (“Batman: Renascido”)

Algumas palavras sobre os Renegados. Quando Batman se ausentou da cidade, eles recebem uma missão de Alfred para prosseguir o trabalho do Morcego. Cada um conta com uma habilidade de Bruce. Ainda que tropeçando em alguns pontos, eles prosseguem realizando o que era esperado deles ainda quando eram “Batman e os Renegados”.
O cenário da “inspeção” é na nação sitiada chamada Markovia. Agora contamos com a adesão de Divina (Looker, no original) nos Renegados. A cidade está passando por uma situação de pânico; grupos de mais de três pessoas estão proibidos, para evitar o risco de conspirações. Um atentado ao príncipe está previsto, devidamente descoberto por Katana, que aparentemente adotou o método Bruce Wayne de interrogatório. E, descoberto isso, é hora de evitar que o pior aconteça. Em situações normais seria relativamente fácil de conter isso, mas a conspiração está sendo promovida pelo Concílio das Aranhas, que tem no príncipe Brion o seu principal alvo.
Enquanto isso, Vicki Vale descobriu que foi enganada por Alfred na edição anterior, e vai até Rastejante tentar uma nova abordagem. Tudo por um suposto “instinto profissional”, atingir a verdade.
O próprio principe Brion, ainda que ameaçado de morte, decide combater os tumultos perigosos que estão acontecendo em sua cidade. Como conter um inimigo, ou um grupo de inimigos, infiltrado no meio de uma multidão? Como identificá-lo e puni-lo sem resvalar em cidadãos com os ânimos inflamados, porém ainda inocentes?
É o momento de Bruce observar. Suas palavras não soam muito esperançosas:

“Este é o motivo pelo qual eu vim aqui. Pra ver se os Renegados haviam arruinado todo nosso bom trabalho; pra ver se eles finalmente aprenderam a trabalhar como equipe, mesmo sob provocação.”

Bem… Alguns erros táticos confirmam que talvez os Renegados ainda precisam de alguns aprimoramentos. Mas que nem tudo está perdido.

– Na tradução adotada pela scan e pela Panini quando lançou essa história na Sombra do Batman #17, perde-se o trocadilho feito no título original. “Insider” significa “instruso, infiltrado”, e é o nome original do apelido que Batman recebe nesse arco quando os aliados começam a perceber que ele os está ajudando – “Infiltrado”. Então, “Insider interference” é uma trocadilho em referência à interferência feita pelo personagem de Batman.

Erro original da DcUm pequeno adendo. Você lerá, na última página, a indicação de que a próxima HQ é a da Mulher-Gato. Esse foi um erro da própria DC, conforme você pode ver pela imagem da HQ original. A ordem correta seria a HQ da Batgirl, e é assim que vamos seguir aqui no Batman Guide. 

#4 – Batgirl
(“Batgirl”, roteiro de Bryan Q. Miller e arte de Pere Pérez, dezembro de 2010)

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■ #82 – A Ascensão de Batgirl (“Batman: Renascido”)

O arco “A Ascensão de Batgirl” nos mostrou um panorama da evolução de Stephanie Brown, como Robin, como Salteadora e, depois, recebendo o manto de Batgirl.
Esse arco começa justamente com a lembrança de uma discussão entre Salteadora, Batman e Robin (Tim Drake), muitos anos atrás, a respeito de uma ordem que ela deveria seguir para que o resgate de seu pai obtivesse êxisto. Aliás, há uma citação que faz referência ao roteiro de “Ascensão de Batgirl”: Batman dizendo “Ela era uma variável que eu mal podia controlar”. Ela sempre foi insubordinada e questionou as ordens do Morcego. Ao longo dessa história ela terá alguns flashes da sua história com Batman.
Voltamos para os dias de hoje. Oráculo acionou Batgirl para observar e conter os movimentos de Killshot, o “infiltrado” que anda “ajudando” as operações da Bat-família (o próprio Bruce!). Ela lembra um pouco Dick Grayson no hábito de fazer piadas com o oponente para desconcentrá-lo e enfraquecê-lo. O embate com Killshot não foi o que ela esperava; ela parecia não estar, ainda, à altura do seu oponente. (Ah, a propósito: Batman está usando um traje que pode deixá-lo invisível.)
Bárbara Gordon continua a ser a “mentora” de Stephanie, na condição de Batgirl original. Babs pede que Stephanie se afaste desse caso e deixe que as Aves de Rapina cuidem disso, pelo menos por enquanto. Lembra que eu disse que a garota era insubordinada? Então. Contando com a ajuda de sua amiga Wendy “Proxy” Harris, que tem acesso a um terminal de supercomputadores (tipo uma Oráculo particular!), ela segue a trilha de Killshot através de uma arma que ele roubou da Waynetech.
De maneira bastante inteligente ela consegue seguir o rastro do seu procurado até o prédio em que ele está escondido. E lá, demonstra ter muita coragem – a ponto de dar um soco na cara de Bruce. Garota corajosa. Poucas pessoas já podem dizer que bateram em Bruce sem terem metade dos ossos do corpo deslocados depois. Existem pendências entre ambos. Desde Jogos de Guerra, Bruce não confia totalmente nela. Lembre-se, não foi dele a decisão de Stephanie se tornar Batgirl. Ela talvez não esteja preparada. Ela precisará ter sua coragem testada. Precisará lutar para mostrar a Bruce o seu valor. E que merece o lugar que ocupa atualmente.

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