#62 – Pistoleiro: Desejo de Morte para Dois

“Como salvar um homem que deseja morrer? Eu já falhei nisso uma vez… Mas agora não posso permitir. Se não por ele, ao menos pela Batgirl. Gotham já tem órfãos demais”.

Hoje falarei sobre um que de certa forma passa despercebido no conhecimento de muitos fãs do morcego. Mas também, já deve ter décadas que o sujeito não enfrenta o Morcego cara a cara na série principal.
Estou falando de um dos 3 maiores mercenários do universo DC, juntamente com Deathstroke e David Cain, ele se chama Floyd Lawton, e é mais conhecido como “Pistoleiro”, no original “Deadshot”. Ele foi criado em 1950, é mais velho que Jason Todd e boa parte dos demais personagens.
Deadshot é um nome muito mais apropriado. Quando ouvi o nome “`Pistoleiro” pela primeira vez achei que fosse algum vilão importado do Jonah Hex, algum bandido com um par de revólveres e um chapéu de cowboy, mas não, DEADSHOT é um sujeito com o corpo inteiro coberto pelo uniforme, usa uns lances estilo armadura, tem lentes de precisão nos olhos e suas armas são “pistolas de pulso“ com silenciador.
Ok, em Smallville posteriormente o Deadshot apareceu exatamente como um bandido do Jonah Hex, mas é por essas e outras que eu não assisto seriados da DC: QUALQUER UM FAZ O QUE QUER.
Ao pensar em Deadshot imaginem apenas esse das revistas. Agora busquem abrigo que vai sair tiro pra todo canto. BANG! You’re dead by Deadshot.

Line

Primeiro de tudo sejamos coerentes. O sujeito é um mercenário. Contratado pra missões de assassinato. Como diabos ele consegue se manter camuflado/escondido com uniforme colorido daqueles eu não sei. São as mesmas cores do Ronald McDonald. Mas vamos supor que as vítimas não tem tempo de notar a semelhança.
Floyd Lawton começou sua carreira em Gotham como herói. Isso ai, ele queria ser um camarada do bem, mas olho grande não entra na China (nem em Gotham), e o cara quis ficar no lugar do Morcego. É mole?
001Ele não é só um cara que resolveu fazer sua parte em Gotham, ele tem uma triste por trás do capacete/máscara de metal. Floyd quando criança vivia com seu irmão, mãe e pai. O papai Lawton era um sujeitinho desagradável e abusado (entendam como quiserem), e fazendo jus a esse último adjetivo, o papai Lawton sempre ia pra cima do irmão do Floyd, irmão esse que ele adorava. Floyd então catou o rifle do pai e tentou matá-lo quando ele foi pra cima do seu irmão, só que ele ainda não era o Deadshot, apenas uma criança, e devido a um descuido ao invés de matar seu pai, matou seu querido irmão.
Tempos depois, já grandinho como Deadshot, já pego pelo Batman e pelo comissário pela primeira vez, Floyd passou a ter uma vida muuuuito agitada. Ele fez parte de grupos como o Secret Six e Esquadrão Suicída.
“Esquadrão Suicida é alguma esquadrilha de aviões que fazem desenhos de fumaça no ar?”, Não, é um grupo geralmente formado por vilões que já estão presos/condenados e… bom, geralmente não tem muita opção. Uma vez dentro do grupo, você recebe um chip na cabeça que, se você sair da linha, o dono do grupo detona e já era vosso cérebro. Entre morrer executado ou morrer pra sempre numa mesma cela, às vezes o risco das missões é mais interessante.
A dificuldade das missões é o que dá nome ao grupo, “suicída”. Deadshot fez parte de diversas formações. Inclusive uma das formações contou com o lendário Bane na liderança.
002Na última formação do Esquadrão Suicida, Deadshot está de love com ninguém mais ninguém menos que Arlequina. Sim, agora o “C” de “Sr. C” não é mais de Coringa, é de “Corno”, ou de “Chifre”. Não que o Coringa se importe, pois ele tentou matar a Arlequina mais de uma vez. Mas enfim, voltemos ao Deadshot.
O Deathstroke e o David Cain aceitariam morrer num tiroteio/briga por razão simples, ambos são cascudos até na raiz do cabelo. Mas o Deadshot tem uma “motivação” a mais que eles, o Deadshot QUER morrer mas não quer cometer suicídio. Ele não vê razão para continuar vivo, e também não tem um pingo de consideração pela vida humana, é o que o torna um matador incrível, pois ele não mede consequências para chegar onde quer.
E ele é tão simbólico que, uma vez roubaram o uniforme dele e começaram a fazer assassinatos se passando por ele, e quando ele encontrou o sujeito usando o uniforme de Deadshot o matou com um tiro na cabeça. O que tem de simbólico? Ele ficou perturbado por ter dado um tiro nele mesmo. Atirar em alguém com SEU uniforme que cobre o corpo inteiro, pra ele valeu como atirar contra si mesmo. Bizarro? Não. Por tempos ele manteve o furo da bala no capacete. Isso é bizarro.
003Eu disse que ele começou tentando ser herói, mas posteriormente ele atacou de herói novamente. Não como o Batman “atacaria de herói”, claro, foi mais a modo Justiceiro/Frank Castle. Porque? Uma mexidinha em seu coração frio. Ele descobriu que tinha uma filha em Star City. Uma menina chamada Zoe, que vivia em uma área muito violenta na cidade. Deadshot simplesmente resolveu acabar com a violência que cercava sua filha e partiu pra dentro dos traficantes e marginais locais. No fim, ele conseguiu dar uma limpada GRANDE na área, fingiu sua própria morte e convenceu o Arqueiro Verde a patrulhar a área com maior regularidade.
Já o Secret Six é um grupo que originalmente era de heróis, e depois passou a ser de vilões, liderados por um tal de Mockinbird, que depois é revelado ser o Lex Luthor. Deadshot fez parte do grupo de vilões, claro. A ideia é menos “obrigatória” do que a do Esquadrão Suicida, mas ainda assim é um grupo pra fazer coisas sinistras. E o Bane também já fez parte. O que o Bane não fez nesse mundo?
Nos novos 52 (pós-reboot), Deadshot fazparte do Esquadrão Suicida, mas esse tinha sido seu primeiro “convite”, coisa que antes do reboot não bate, pois ele já fez parte várias vezes. Após o reboot, o Secret Six também não existe e ele também nunca fez parte, na verdade tornou-se um “Secret Seven”, onde até a Ravena e a Zatanna estão incluídas.
Agora vamos a história selecionada para esse personagem. “Desejo de Morte Para Dois”.

004Roteiro de Ed Brubaker e Geoff Johns, desenhos de Scott McDaniel. A equipe vos lembra de algo? Pois é, sagas como “Assassino?” e “Fugitivo”. Essa história é uma continuação direta de onde a “Fugitivo” parou. David Cain se entregou para as autoridades e Bruce Wayne foi inocentado. O interrogatório de David Cain provavelmente entregaria o nome do mandante do assassinato de Vesper Fairchild.
Bruce deu uma pesquisada e descobriu que foi posta uma recompensa de 10 milhões de dólares pela cabeça de Cain. Ao mesmo tempo que sabe sobre a dificuldade absurda de matarem alguém como o lendário David Cain, ele também está contando com o fato de que seu antigo mestre está estranho, e que talvez até se deixasse matar. Outro ponto avaliado foi “quem seria louco suficiente de tentar matá-lo?”, e com a ajuda da Oráculo eles descobriram que um determinado sujeito que faz parte da lista dos mais procurados simplesmente desapareceu do mapa há alguns dias. Deadshot.
A primeira aparição de Floyd é matando um rapaz para conseguir “acesso” ao tribunal onde Cain estaria. E a cena seguinte já é Cain em uma cela no meio de um salão, algo bem estilo Hannibal depois que foi transferido de sua lendária cela de vidro. Cain sentado com o uniforme laranja de presidiário, sem comer há 20 dias por opção própria, prestes a ser levado pro tribunal.
005Seu aluno mais bacana aparece para uma visita (tô falando do Batman, só avisando). O Morcego passa pro Cain a fofoca de que estão querendo matá-lo, ele pergunta quem, Batman revela ser o Pistoleiro. David diz “Ele é bom, eu o treinei um tempo”. Mais um detalhe para nossos arquivos. Deadshot TAMBÉM foi treinado pelo David Cain, o que explica muita coisa.
Cain deixa claro que realmente não tem a intenção de fazer nada a respeito. Sobe então um rápido diálogo sobre o que é covardia e o que é valentia, Cain diz que “sua vida se foi sem o consultar” e o papo foi interrompido pela chegada da Polícia para levar Cain ao tribunal. Batman, obviamente sumiu como em um passe de mágica.
O matador foi sendo levado, e Batman o acompanha do alto. Vem a tona então a principal razão de Batman estar tão preocupado. Tudo bem, ele é o Homem-Morcego, ele impede QUALQUER CRIME, inclusive se o crime for alguém tentar matar outro criminoso. O negócio do Batman é salvar vidas e fazer justiça, e o que estava prestes a acontecer se enquadra nos dois tópicos ao mesmo tempo. Mas como eu disse, a razão que deu uma “temperada” na história foi outra. Como diz a frase inicial, “Gotham já tem órfãos demais”. Ele não queria que Cassandra Cain, filha de David, passasse pelo que ele passou e gerou o nascimento do Batman.
Não demora muito e nesse exato momento Batman nota algo um pouco tarde demais. Deadshot detona a passarela por onde a Polícia estava levando Cain, Batman salva os que consegue, e a situação deixa Cain pendurado sozinho, e Deadshot de pé na sua frente, com sua arma de pulso apontada para a vitima.

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#4 – Batman – O Homem Que Ri

Olá, pessoas bonitas e interessantes que acessam meu blog!

Desculpem pelo intervalo entre o post anterior e esse, era para esse ter saído anteontem, mas foi uma semana complexa, com provas & trabalhos… Não sou uma herdeira milionária que luta contra o crime, não posso abdicar dessas pequenas preocupações mundanas. 😛
Hoje, continuaremos a tentar compreender melhor o vilão mais complexo da saga do Batman. A obra de hoje é “Batman – O Homem que Ri” (The Man Who Laughs), mas começaremos a entendê-la a partir de seu título.

Provavelmente você conhece Victor Hugo (1802 – 1885), francês autor do clássico Les Misérables. É dele o livro “O homem que ri” (L’homme qui rit, 1869). Leia a sinopse do livro:

Herdeiro de um ducado, Gwynplaine é seqüestrado quando garoto e, por ordem do rei, desfigurado – Deixando-o com o rosto  esculpido num perpétuo sorriso macabro. Vira atração de circo e torna-se um famoso palhaço.

Lembrou alguém?

É interessante perceber a clara inspiração utilizada para a criação de Coringa. Essa obra de Victor Hugo é rara e, caso você queira desembolsá-la, prepare-se para gastar no mínimo R$ 150.
E há o filme de 1928. A capa ao lado é da época (macabra, não?).  Dirigido pelo Paul Leni, o filme fui muito aclamado por contar com o ator Conrad Veidt, consagrado na época.
Se você quiser ver, o filme está disponível no Youtube. Vai aí a primeira parte; depois é só clicar para assistir em sequência.

Agora vamos para a revista do Batman?

Até agora postei grandes clássicos, mas a obra de hoje é uma obra modesta, simples, despretensiosa – mas nesse caso, a simplicidade é que dá o tom especial da obra. Nem mesmo o Homem-Morcego vive só de histórias de tirar o fôlego.
O roteirista Ed Brubaker apresenta um Batman surpreso e um tenente Gordon que ainda consegue se impressionar com a violência de Gotham.  A história narra o primeiro confronto de Batman com um estranho inimigo, que logo se tornaria o mais perigoso. Batman percebe que está quase cruzando a linha da justiça, pois Gotham está em outro nível de violência.

O roteiro é bem escrito e prima por Brubaker evitar fazer referência aos clássicos e ao fantasma da obra de Alan Moore, “A Piada Mortal” – um colosso no que concerne à história do Coringa.

Também acerta ao não criar algum melodrama que associe Batman ao Coringa; não compara a determinação de Wayne com a loucura de Coringa.
O desenhista Doug Mahnke faz um excelente trabalho principalmente nos enquadramentos, sutis, mas fortes, que atribuem densidade à obra. Ele é sombrio, mas sem ser dramático.É uma obra com muita pesquisa e muito significado, então não deixe de conferir.

Vamos ao download?

É só clicar na imagem!  Boa leitura!

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