#85 – Renegados: O Abismo / Ruas de Gotham: Dinheiro do Silêncio (“Batman: Renascido” – 6ª Parte)

Reborn

Olá!
Desculpem pelo atraso no post, tive problemas com a minha conexão de internet 😦
Hoje teremos o penúltimo post da saga “Batman: Renascido”. Na verdade, trata-se de um post duplo: teremos o arco “Renegados: O Abismo” e o arco lançado na série mensal Ruas de Gotham intitulado “Hush Money”, que preferi traduzir para Dinheiro do Silêncio. Espero que vocês estejam gostando dessa saga e conto com a opinião de vocês no final do texto.

Renegados: O Abismo
(Outsiders: The Deep, roteiro de Peter Tomasi e arte de Lee Garbett, março a setembro de 2009)

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001Primeiro, é preciso explicar uma mudança de títulos na série mensal na qual esse arco foi publicado. Como expliquei nesse texto, os Renegados são um grupo de heróis da DC que não se ajustaram adequadamente a grupos sérios como a Liga da Justiça. Eles não precisam de aprovação pública para suas ações e tem um código de conduta próprio. Inicialmente, eles eram liderados por Batman, então a série mensal se chamava “Batman e os Renegados” (Batman and The Outsiders V2, 2007, 14 volumes). Porém, quando Batman some, como continuar sendo “Batman e os Renegados”? A partir do volume #15, a série mensal começa a se chamar apenas “Renegados” (Outsiders, V4). O arco “O abismo”  (The Deep) compreende do volume Renegados #15 até o volume #20.
Mais uma informação: essa é a formação dos Renegados da qual falaremos nesse texto.

Formacao

  • Geoforça (Brion Markov)
  • Raio Negro (Jefferson Pierce)
  • Halo (Gabrielle Doe)
  • Metamorfo (Rex Mason)
  • Katana (Tatsu Yamashiro)
  • Rastejante (Jack Ryder)
  • Coruja (Roy Raymond Jr.)

002Explicações feitas, começaremos a analisar o roteiro.
Alfred convocou os Renegados, agora sem rumo, para uma importante reunião. Nessa reunião, ele anuncia que Batman havia deixado uma missão para eles – uma missão que ultrapassa a ação local dos Renegados, para além de Gotham, visando salvar o mundo (sim, nessas palavras um tanto quanto ambiciosas).
A decisão de seguir nesse projeto está à cargo dos Renegados. E se decidirem, eles terão um novo chefe: o próprio Alfred Pennyworth. Essa mudança no RH dos Outsiders é comentada com ironia por Brion Markov, o Geoforça:

“De servidor de chá para salvador do mundo, isso é um grande voto de fé que você está nos pedindo, Alfred.”

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Mas quem acompanha as histórias sabe que, a despeito da insistência de Alfred para que seus patrões mantenham uma certa regularidade alimentar, “servidor de chá” é a última coisa que ele é. O cara é assistente pessoal de Bruce Wayne, Dick Grayson e todos os membros da bat-família, cirurgião de guerra, serviu como Oficial de Inteligência no MI-6 (o serviço de inteligência britânico!) e por aí vai a lista.

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Ok, qual a decisão que o Alfred está pedindo aos Renegados? Se eles quiserem continuar sendo Outsiders, eles precisarão levar a palavra no sentido mais literal. Renegar o contato com qualquer ser humano que não seja do grupo. Ficar sem falar com seus entes queridos por meses. Desligarem a sua vida. Como soldados indo para a Guerra. Ser a linha de frente contra uma parede de fogo. Um inimigo implacável. Os que não quiserem aceitar essa premissa inicial podem se retirar sem ônus de suas honras, afinal foram parceiros valorosos para o Morcego. Mas os que decidirem aceitar… Deverão ter consciência do que o que os aguarda será longo e amargo.
005Certo, isso não é nada que possamos estranhar vindo do BATMAN, o cara é o mestre dos pedidos impossíveis. Mas acho que ele se excedeu um pouco. A missão dos Renegados começa fora da Terra. Como diz o Geoforça: “Isso é ser tão Renegado quanto se pode ser!”
A razão desse afastamento é para dar perspectiva na resolução de um caso – um desabamento provocado provavelmente por algum deslocamento de placas tectônicas, com dezenas de mortos e apenas uma sobrevivente.

006Os Renegados foram deixados como uma espécie de “braço” de Batman; cada um deles representa uma habilidade do Morcego. Metamorfo faz para o Coruja, o novo membro, um resumo do que cada um dos integrantes dos Renegados representa da personalidade de Batman. Indispensável para quem quer saber mais sobre cada um dos membros. (Metamorfo se transformando em Batman e Robin é impagável).

  • Geoforça: a força de combate, o “poder de fogo” do grupo
  • Raio Negro: o “coração” do grupo, faz do mundo um lugar melhor através da eletricidade
  • Katana: bem-humorada, odeia desembainhar a espada quando não é necessário
  • Rastejante: o fator “medo” do grupo, causando terror no coração dos criminosos
  • Halo: a vibração positiva do grupo, o “Robin”, que existe para mantê-los acreditando
  • Metamorfo: o cinto de utilidades dos Renegados.

007Eles se dividem em uma missão: alguns ficam na nave que está sobre a Terra e outros vão para a Alemanha fazer verificações. Mas algo parece estranho. As características das camadas de terra não estão batendo com as características comuns após eventos de tremores sísmicos. Algo parece estar fora do lugar. Parece não ter sido apenas um abalo sísmico.
Enquanto isso, na Filadélfia, um homem idoso chamado Franklin está acertando detalhes de um serviço específico. Um serviço para forjar sua morte, para que ele seja liberado para alguma operação especial – uma dívida antiga. E assim estão sendo forjadas as mortes de pessoas idosas na Inglaterra, em Kyoto, no Cabo da Boa Esperança, no Golfo Pérsico, no Vaticano (!) e na China. Um projeto em que eles irão empenhar os últimos anos de sua vida, que já fora estendida além do comum, em prol de um projeto misterioso envolvendo grandes armaduras de um líder chamado Lixeiro. Uma pesquisa sobre imortalidade, cujo início da resposta se encontra nas profundezas da Terra e o fim da resposta se encontra espalhado na estratosfera.

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#84 – Sereias de Gotham: União (“Batman: Renascido” – 5ª Parte)

Reborn

Oi!
Esse é, particularmente, um dos posts que eu mais queria escrever desde que comecei com o Batman Guide. A história de hoje tratará dessas três mulheres sobre as quais já falei aqui no Batman Guide: Arlequina, Mulher-Gato e Hera Venenosa. O que elas tem em comum, além de uma predisposição natural para se envolverem em crimes e problemas? Toda uma cidade contra elas. A única maneira delas sobreviverem em Gotham é se elas se juntarem. Cuidado para não ser pego pelas “Sereias de Gotham: União” (Gotham City Sirens: Union. Roteiro de Paul Dini, Scott Lobdell e Christopher Yost, arte de Guillem March e David Lopez, agosto de 2009 a fevereiro de 2010)!

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001Mulher-Gato tem sofrido muito nos últimos tempos em Gotham City. Primeiro, ela teve seu coração arrancado pelo vilão Silêncio. Depois, Jason Todd, vestido de Batman, a atirou de cima de um prédio. Ela se sente fraca como um filhote, mesmo depois de Zatanna ter fortificado seu coração com um elixir mágico. E para ajudar ainda apareceu um novo vilão chamado “Quebra-Ossos” cujo poder é… Quebrar ossos. Com um toque, estilhaçar ossos das pessoas. Tem aparecido montes desses vilões lunáticos em Gotham ultimamente, não? Mas pelo jeito esse vai conseguir acabar com a Mulher-Gato. Ou conseguiria, se não fosse pela intervenção providencial de Hera Venenosa.

002E onde a moça tem ficado ultimamente? Hera está dividindo apartamento com Charada. Certo, talvez “dividindo apartamento” não seja uma boa expressão. Ela está seduzindo ele com seus poderes tóxicos e o mantendo drogado enquanto pega a casa dele, depois de ter doado os 30 milhões de dólares que recebeu de Mulher-Gato para uma instituição que cuida de plantas (é, e a gente vendendo o almoço pra comprar o jantar).
A “adorável” Harley Quinn também é “companheira de apartamento” de Hera Venenosa, e tem vivido com ela desde que se cansou de Coringa (pelo menos até a próxima vez que ele ligar).
As três tem vivido no limite desde que Gotham City virou de pernas para o ar. Quando não estão fugindo da polícia, estão sendo penduradas pelo pescoço por algum vilãozinho de segunda, apanhando ou aceitando trabalhos idiotas de algum maluco. Era hora de tomar alguma medida para evitar isso. Hora de fazer uma união. Uma união de “super-vilãs”.
003Depois de alguma relutância por parte de Hera e de consultar suas “informantes”, ela aceita – Arlequina tem uma única cláusula: que no novo apartamento das três seja construída uma sala de brinquedo. Essa edição é um lapso de humor no meio de uma saga tão séria. A luta das três com o Quebra-Ossos é muito boa. Ah, há uma outra cláusula também, de Hera Venenosa – endossada por um composto orgânico que impede que a pessoa minta. Uma poção da verdade natural. Ela quer saber de Selina… Quem é o Batman.
004Temos um flashback de Selina Kyle indo ter uma conversa franca com Talia Al Ghul – em meio a tantas mulheres, as únicas duas que Bruce Wayne sempre amou. Acho que o Morcego não ia ficar muito feliz com essa conferência de ex-namoradas, mas o que os bat-olhos não veem, o bat-coração não sente. Além disso, é por um bom motivo: Talia ensina a Selina um método para guardar um segredo tão profundamente que nem você mesma terá acesso se não quiser – uma porta fechada para todo o sempre. Uma questão interessante para uma reflexão interna. Você esconderia algo assim dentro de você, se pudesse? Tem algo que trancaria dentro de você e jogaria as chaves fora?
005E o segredo de Selina em questão é justamente a identidade de Batman, que deve ser preservada a todo custo pelo bem dele e da cidade. E é o que Selina faz – ela inventa uma história bem convincente sobre o Batman na verdade ser dezenas de homens diferentes que assumem o manto por diferentes períodos, e os Robins são dezenas de meninos também. Sua história faz sentido, e aparentemente convence Hera e Harley – embora essa última fique tão entediada com essa resposta sem-graça que decide sair para fazer compras.
014Pausa para um comentário: menos um ponto para o roteirista, que poderia ter explorado algum traço menos fútil da personalidade de Arlequina (personagem de quem já falei neste post). Ela quase sempre é retratada como uma desmiolada. Espero por uma one-shot profunda dela, em que ela exponha o sofrimento causado pela dualidade entre o fato de amar Coringa de maneira tão intensa e de saber que ele é o homem ERRADO para ela, que ele é a escolha errada. Parece bobeira, mas não é. Poderiam criar conflitos relacionados ao comportamento afetivo-obsessivo de Arlequina, o fato de ela estar num relacionamento destrutivo com um homicida, talvez sugerir traços de um transtorno Borderline nela.
Se vocês se lembrarem da história “O Palhaço à Meia-Noite”, inserida no post “Batman & Filho”, vemos uma face mais adulta da Arlequina, em todo o seu sofrimento, e eu acredito que eles poderiam explorar esse nicho (já que é uma personagem muito querida pelos fãs).
006Bom, vamos nos contentar com o que temos agora. Passeando pelo shopping, Arlequina encontra Bruce Wayne.
Nesse momento o leitor estará olhando perplexo para a resenha perguntando “BRUCE WAYNE? MAS COMO ASSIM?”. Bem, quem é o lunático que reconstruiu todo o seu rosto para ficar idêntico ao Bruce Wayne? Sim, ele mesmo, Thomas Elliot. Ele está se passando por Bruce Wayne (no próximo arco vocês descobrirão como isso foi possível) publicamente, o que atrai criminosos tentando roubar a sua fortuna (ah, se soubessem que a Mulher-Gato roubou todo o seu dinheiro…).
007Ela decide salvá-lo. E ele acredita que é uma boa hora para se vingar dela. Ou então… Usá-la para chegar até a pessoa que ele mais quer destruir. Então ele sequestra a Arlequina.
Charada abriu uma firma de investigação e está procurando por pistas de dois supostos suicídios ocorridos em Gotham City. É bem interessante o momento em que ele se depara com Batman e percebe que é um Batman diferente. As habilidades investigativas dos dois se equiparam, e Charada precisa admitir: seja ele quem for, ele é BOM. Aliás, Charada não existe mais: ficou pra trás. Agora ele é só Edward Nigma, um homem sério.
008A participação de Edward nesse arco é bem engraçada porque, de alguma forma, ele e Batman acabam cooperando (sim, isso foi possível). Outro trecho engraçado, que já aconteceu na primeira HQ desse arco, é o fato de os vilões “novos” de Gotham considerarem os vilões clássicos como referências no crime; ao encontrar Charada, uma das criminosas quase pede um autógrafo para seu mestre. É a velha guarda do crime em Gotham.
Ok, 010mas Arlequina ainda está desaparecida? É isso que Hera e Mulher-Gato querem descobrir. Sim, Thomas Elliot ainda quer matá-la, mas não vai fazer isso de maneira que deixe pistas. Talvez seja melhor forjar um acidente. Ele decide desfilar com a belíssima Harley pela cidade, sempre em situações felizes e divertidas, então assim se por acaso acontecesse alguma coisa com ela quem iria suspeitar?

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#83 – Batman e Robin (“Batman: Renascido” – 4ª Parte)

Reborn

Olá!

Ao longo dos últimos posts da saga “Batman: Renascido”, temos conhecido um pouco mais sobre Batman e Robin.
Mas não Batman e Robin como estamos acostumados. Agora temos uma nova configuração da Dupla Dinâmica. Batman é Dick Grayson, o filho pródigo de Bruce Wayne – agora desaparecido/morto. E Robin é… Damian Wayne. O incontrolável, insolente e impulsivo filho de 10 anos de Bruce Wayne, treinado pela Liga dos Assassinos para ser uma máquina mortífera, estava sob os cuidados de Batman antes de seu desaparecimento – numa tentativa de refrear sua personalidade explosiva. Como as coisas chegaram até aqui? Como essa nova Dupla Dinâmica vai reagir diante dos inúmeros desafios que só Gotham City pode proporcionar?
É o que vamos descobrir lendo a HQ de hoje. Prepare-se para ler “Batman e Robin” (roteiro de Grant Morrison e arte de Frank Quitely)!

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001Antes de começar, vou recapitular um pouco a decisão de Dick Grayson de fazer de Damian Wayne o seu novo Robin citando o penúltimo texto de Augusto“Dick precisava dele ali bem na frente de seus olhos, nada melhor do que fazê-lo Robin e ir ensinando as coisas já na linha de fogo.”
Claro que não seria fácil. Damian não é fácil de lidar. E em todas as ocasiões possível a provocação entre Dick, Tim e Damian era muito clara, muitas vezes evoluindo até para a violência física. Mas agora é hora de deixar essas rinhas de lado visando um objetivo maior: proteger Gotham do caos que se instaurou com o desaparecimento do Morcego.

003Chega até a dar pena dos marginais de Gotham, que acharam que tinham se livrado para sempre do pesado punho da justiça que Batman socava no meio da cara deles. Bom, o Morcego está de volta, com um belo e high-tech Batmóvel. Eles perseguem um grupinho meio estranho liderado por um homem com cara de sapo (ah, os vilões excêntricos da cidade…) que se refere ao seu chefe como Pyg. Uma transação de drogas, cujo pagamento é feito em… Dólares? Euros? Barras de ouro que valem mais do que dinheiro? Não, amigos. Dominó. Pagamento feito em dominó. O que isso significa?
Para descobrir, Dick se utiliza da velha técnica de seu mestre de ameaçar jogar o vilão-sapo, chamado Toad, de um penhasco de 90 metros – mas essa técnica não funciona bem, porque o batráquio não abre a boca. Deve estar costurada (tá, essa foi ruim).

006Como Dick Grayson está se sentindo no papel de Batman? Péssimo. Não que ele esteja perto de desistir, longe disso. Tampouco ele está indo mal –é provável que Batman ficasse orgulhoso. Mas apesar de ter sido treinado para isso, ele nunca pensou que efetivamente que PRECISARIA assumir esse papel. Só a perspectiva já o fazia ter insônia e medo. Nunca achamos que vamos perder alguém que amamos, mesmo sabendo que isso irá acontecer um dia, nunca estamos preparados.
004E Damian… Apesar de toda a impulsividade e todas as coisas que nós já estamos cansados de saber sobre o menino, por trás da máscara de insolência existe a coragem típica dos Wayne, a determinação de aprender, de aprender a fazer o que é correto – apesar de sua criação baseada no assassinato como um recurso banal, ele quer aprender a fazer o certo. Falando assim parece que o garoto é perfeito, mas ele está louco pra virar o Batman. É claro que ninguém vai deixar um garoto de 10 anos ser o Batman, então no momento ele vai ter que se contentar com o R sobre seu peito mesmo. O crime que se cuide.

Bonito ver Batman e Robin atendendo o chamado do Comissário Gordon, que vem ligando o Bat-sinal incessantemente desde que Batman sumiu. Eles justificam o sumiço dizendo que estavam “melhorando os equipamentos”. Gordon percebe a diferença na estatura física de Batman (Dick sempre foi ligeiramente menor, mas compensava esse pequeno empecilho com a sua agilidade de acrobata).

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008E qual é a zona da vez em Gotham? Vamos por partes. Tem um vilão tocando o terror em Gotham (novidade). Um carniceiro com uma máscara de porco. Isso já seria suficiente para assustar um desavisado, mas ainda temos um adicional: o porquinho aí curte amarrar pessoas e colocar máscaras de rostos novos fervendo sob os rostos dos seus inimigos. Máscaras de bonecos. Welcome to the mad house.
Não pense que acabou. Tem uma trupe de circos “extrema” causando problemas em Gotham, chamada “Le Cirque d’Etrange”. Um rapaz em chamas que coloca fogo em quem encosta, uma mulher barbada com obesidade mórbida chamada Lona, ninjas carecas amarrados pela cintura que tem o desplante de chamar Batman de “aberração exibida”. A luta evolui de tal forma que Damian acaba se afastando de Batman e desobecendo suas ordens, como falarei melhor a seguir. E com o que essas lindas crias do pior que há em Gotham estão trabalhando? Drogas de controle mental e traficantes russos. Uma combinação explosiva.

005A noite foi horrível, quatro policiais mortos e seis gravemente feridos. Bruce realmente se orgulharia? Nesse momento, fica difícil dizer que sim. Robin está tendo imensas dificuldades em se ajustar ao método de “uso conveniente de violência”. Ele acaba indo muito além no papel de intimidar um suspeito, ecos de seu severo treinamento na Liga dos Assassinos. Mais do que isso, ele sente falta de seu pai, da autoridade que ele impunha, o único que conseguia dar a ele uma ordem de verdade. Ele enxerga Dick como um mero imitador de Batman – e a cidade toda parece pensar isso. Talvez seja hora de encarar o manto de Batman sob uma nova perspectiva. Uma perspectiva de performance, como nos tempos de circo. Uma interpretação. Potencializar as qualidades de Grayson, ao invés de criar um memorial sobre Batman. Um verdadeiro herói. Essa decisão foi tomada sob influência de Alfred, como falarei também no fim do texto.

Robin, nossa pequena ave impulsiva, foi pega como refém pelo excêntrico doutor Pyg (traduzido aqui como Doutor Porko). Cabe aqui uma pequena citação do próprio Grant Morrison a respeito desse vilão; ele foi descrito como (tradução minha):

“[…] um dos mais estranhos e insanos personagens já vistos em Batman. Nós sempre ouvimos falar sobre Batman enfrentando vilões loucos, mas tentamos fazer esse cara parecer genuinamente perturbado e incoerente.”

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#82 – A Ascensão de Batgirl (Stephanie Brown) (“Batman: Renascido” – 3ª Parte)

Reborn

“- ‘A única variável que você pode controlar é você mesma’. Você pode esquecer quem você é, ou pode se tornar quem você quer ser. É por isso que você fica, por uma segunda chance.
– Mas se você ficar, é obrigado a encarar você mesmo… Ninguém é corajoso o bastante para enfrentar quem realmente é!
– Eu sou.
– E quem poderia ser?!
– Eu sou a Batgirl.”

Hoje o post não é apenas sobre uma história, nem apenas sobre uma personagem, e também não é apenas sobre apenas um “título” de herói. É sobre uma personagem, uma história e sua passagem pelo manto de TRÊS heroínas.
Quem fez as contas e sabe que raríssimas mulheres da DC tiveram 3 mantos diferentes devem ter deduzido de que estou falando de Stephanie Brown, que já foi Salteadora (“Spoiler”), Robin (a Garota-Prodígio) e por fim Batgirl.
A história selecionada foi sua estréia como Batgirl, “A Ascensão de Batgirl” – chamada nos EUA de “Batgirl: Rising“, e ela se passa no período em que Bruce Wayne está dado como morto, mas claro, antes da narrativa teremos umas boas linhas dedicadas a trajetória dela até chegar a esse ponto.
“Steph” tornou-se Batgirl um tanto na marra, inicialmente sem autorizações, mas pouco tempo após assumir o uniforme de Cassandra Cain, enfrentou uma barra e provou a Bárbara Gordon (a Batgirl original) que faz jus ao cargo.

Vou andar logo com as explicações pois tem muita coisa pra se falar sobre ela.

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“Salteadora, Robin, Batgirl, misturou a bagaça toda na intro”, só até este momento, pois agora falarei sobre “Stephanie Brown – Vida e Obra”, contarei tudo o que ocorreu com ela desde a primeira aparição nas histórias até o momento em que a DC a cortou sem mais nem menos no reboot.
Stephanie Brown. Moça loira dos olhos azuis, inteligente e rebelde. Filha de Arthur Brown, o criminoso conhecido como Cluemaster, traduzido no BR como “Mestre das Pistas”.
Já foi namorada do Tim Drake, já o substituiu como Robin, já substituiu Cassandra Cain como Batgirl, mas no geral ficou famosa como a “Spoiler”, ou “Salteadora” aqui na Ilha de Páscoa.
Eu normalmente sou a favor de se manter os nomes dos heróis no idioma original, ou seja, sou a favor de chamá-la de “Spoiler” ao invés de “Salteadora”, e ela é um ÓTIMO exemplo da razão.

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Mestre das Pistas (Cluemaster)

Vocês sabem o que significa spoiler, ou pelo menos tem noção. Aqui no blog mesmo quando vai ter spoiler da trama da história a Jéssica esconde as coisas e tal… Pois bem, Stephanie adotou esse nome porque ela dava spoilers dos crimes do seu próprio pai, o Cluemaster (Mestre das Pistas).
Ou seja, eu posso explicar a razão do nome “Spoiler”, mas não posso explicar o “Salteadora”. Difícil, né? Imaginem o Zé Pequeno nos EUA. “Little Zé”. Adaptações são ridículas, nunca poderemos cobrar que os outros mantenham nossos nomes no original se não fazemos o mesmo por eles. Querem saber se isso servirá de motivação a eles fazerem a parte deles? Não importa. Vocês como leitores de Batman sabem que “a coisa certa a se fazer” não pode esperar retorno, só deve ser feita.
Aqui no blog ainda usamos o máximo possível de nomes traduzidos pra facilitar a leitura e compreensão pra todas idades e níveis de inglês, mas aconselho a todos a sempre buscarem o nome original. As traduções às vezes dão uma atrapalhada seríssima.
Voltando a Stephanie em si… O pai dela, o Cluemaster, é um criminoso genérico do Charada, um sujeito que cometia crimes e deixava pistas a serem seguidas. Meio idiota pra alguém que não quer ser preso. O Charada pelo menos fazia coisas difíceis ou armadilhas, grandes planos… Enfim… O sujeito terminou preso, o que já era de se esperar.
Steph cresceu passando boa parte da sua vida sem o pai, pois o mesmo estava encarcerado. Após alguns anos, o velho Cluemaster sai da cadeia dizendo estar reabilitado, mas no fim das contas ainda era um mal elemento, ele continuou fazendo seus crimes, mas dessa vez sem deixar pistas. Ai entrou Steph, dando spoilers dos crimes do pai para a polícia e o Batman, como “Spoiler”.

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Stephanie Brown e Tim Drake (Robin #175, página 19)

Durante o tempo de caçada ao Cluemaster, Steph se apaixona pelo Tim Drake, e revela sua identidade a ele, mas ele não revela a dele pra garota. Pelo menos não inicialmente.
Confusões prosseguem sempre em torno do pai, ela chegou a ser sequetrada por um membro da gangue e tal… alguns pormenores que sempre se resolveram. Ela começou um namoro com Robin (mesmo sem saber a identidade secreta dele), mas em uma desses giros que o planeta costuma a dar… Eles se deparam com um baita golpe. Stephanie Brown estava grávida do ex-namorado que fugiu de Gotham após o Terremoto.
Robin dá todo apoio para Steph e após o parto, eles dão a bebê para a adoção, acreditando que seus novos pais poderiam dar um futuro melhor. Trama muito mais do que séria. E depois dizem que quadrinhos é coisa de criança.

Spoiler

Stephanie Brown como Salteadora (Spoiler)

Devido aos problemas pessoais de Tim Drake (tanto com o próprio pai quanto com o Batman), ele se afastou demais de Steph, e nesse tempo de ausência Batman se aproximou dela, oferecendo treinamento. Ela passou pelo tal treino do morcego, também por uma temporada com as Aves de Rapina, e também foi treinada pela Cassandra Cain em troca de aulas de leitura.
Batman de quebra ainda revela a Steph a identidade do Robin. Só essa explanada de informação criou umas faíscas entre Batman e Robin, e entre Steph e Robin. As coisas ficaram turbulentas.
Acham que ela já teve problemas suficientes? Sim, os problemas foram muitos e bem ruins, mas ainda não foram todos. Batman a proíbe de patrulhar a cidade, e ela continua por conta própria. O pai dela (Cluemaster), morre em uma missão do Esquadrão Suicida (esse esquadrão tem sido bastante citado aqui, e temos um post programado para falar mais a respeito dele daqui a um tempo), e em certo ponto ao longo de suas histórias ela ainda revela ter sido abusada quando criança. Parece que a vida de Morcego nenhum é simples.
Mas nem tudo são “baixos”, o alto de Steph veio após mais uma de suas brigas com Tim Drake na época que este deixou de ser Robin a pedido do pai, que tinha descoberto tudo sobre sua vida de vigilante.
Steph fez seu próprio uniforme de Robin, invadiu a bat-caverna e pediu a Batman que a treinasse para ser a nova Robin. Apesar de ter proibido-a de ser Spoiler e patrulhar a cidade, ele topou. Stephanie foi treinada de forma intensiva por meses pelo Batman, ele providenciou uma roupa de Robin oficialmente para ela, e Stephanie se tornou a nova Robin, a 4ª.

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Arte por Dustin Nguyen
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Ela patrulhou Gotham ao lado do Morcego por algum tempo, mas depois de desrespeitar ordens do mesmo em duas missões, ele se enfezou com a garota e jogou a história toda pro alto. Além de demiti-la do cargo de Robin ainda a proibiu de patrulhar a cidade (de novo), nem como Robin nem como Spoiler.

Robin

Stephanie Brown como 4ª Robin

Na tentativa de provar que Batman errou em não confiar nela, Steph faz uma das maiores cagadas que algum membro da Família Morcego já fez. Cagada essa que resultou na saga “Jogos de Guerra” e consequentemente fez o hiato que originou o “Um Ano Depois”.
Ao final dos Jogos de Guerra, Steph foi internada na risca entre a vida e a morte, sendo tratada pela Dra. Leslie. Dando tempo apenas para Batman fazer uma última visita, onde Steph diz ao Morcego que que ela tem uma filha, e Bruce diz pra ela não se preocupar, pois nunca faltará nada a criança.
Quando o bilionário Bruce Wayne diz que nunca faltará nada a uma criança, podem considerar isso ao pé da letra. O primeiro presente que Bruce deu a filha de Selina foi bolsa completa em qualquer faculdade que ela quisesse no mundo, bancada pelas Empresas Wayne. Deu pra captar a magnitude do morcego, né?
Bom, a última questão de Steph no leito de morte foi quanto a ela ter sido Robin, ela perguntou ao Batman se ela realmente viveu aquilo, se ela realmente foi Robin. O Morcego confirmou que sim, e então ela morre ali diante dele.

Alguém ai falou um “Como que pode?!”? É, como que pode ela ter morrido ali e ainda ter se tornado Batgirl depois? Isso ficou mal explicado pra caramba. Tudo bem que estamos falando de uma história onde existe Poços de lázaro pra todo canto, Jason Todd morreu e voltou, o tio Ra’s tá vivo há trocentos séculos… Tudo é possível, não é? Não.
Steph não foi ressuscitada, na verdade ela não chegou a morrer naquele leito de hospital. Inventaram todo um rolo depois disso, mas que ainda não explica COMO ela foi dado como morta ali na cara do maior detetive do mundo.
Ignorando um pouco esse “pequeno grande detalhe”, o que ocorreu após isso foi o seguinte:
Após a “morte”de Steph, Batman descobre que havia um procedimento que poderia ter salvo a vida da garota ali no hospital, e ao indagar a Dra. Leslie, ela diz que não aplicou o tal método que a salvaria pois tinha esperança dessa morte fazer com que Bruce visse o que seus métodos violentos causam, e talvez o fizesse acabar com essa história de vigilantes.

Claro que o Batman entrou em parafuso com essa história e exilou a Dra. Leslie dos EUA, dizendo que se ela voltasse, ele ia entrar com todos meios legais de processá-la incriminá-la e tudo mais. Leslie foi pra África.
Mas cá entre nós, uma mulher como Leslie, que defende a vida acima de tudo, que curou Zsasz durante o “Terra de Ninguém“, uma das únicas médicas que não correm da cidade durante os tempos difíceis, a que é totalmente contra violência… Iria deixar uma jovem garota morrer? Pois é, não deixou.
Steph foi com Leslie pra África, onde trabalhou como missionária enquanto se recuperava dos ferimentos, e uma vez que estava bem novamente, retornou a Gotham como Spoiler.
De seu retorno até a “morte” de Bruce Wayne, as coisas permanecem sem grandes mudanças, mas quando o Morcego some de Gotham… As tais mudança surgem. Cassandra Cain não via mais sentido em usar o simbolo do morcego se o homem que aquele simbolo representa morreu, ela então entrega o uniforme para Steph assim que as duas acabam com alguns marginais juntas na rua.

Agora sim, podemos ir para a história selecionada para esse post, a primeira da Stephanie Brown como Batgirl.

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Stephanie Brown como Batgirl

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#81 – Red Robin: O Graal (“Batman: Renascido” – 2ª Parte)

Reborn

“Ele está vivo. Bruce está vivo… Ele está por aí em algum lugar. Eu sei que ele está. Eu sei que estou certo. Bruce Wayne… Batman… Está vivo. Eles acham que eu estou de luto. Que eu estou em negação. Que eu enlouqueci. Mas ele é tudo que eu tenho. E ele tem que estar vivo.”

Alô alô terezinhas (e pessoas de outros nomes) de todo mundo. Estamos fazendo review de uma época boa e cheia de novidades no universo Morcego. Gotham perdeu seu vigilante e muitas coisas mudaram contra a vontade das pessoas.
Uma dessas mudanças foi Damian Wayne ter assumido o cargo de Robin antes ocupado por Tim Drake. Na ideia do Dick Grayson (agora Batman e bilionário), Tim não era um aprendiz/discípulo/ajudante, mas sim um semelhante.
Devido ao Damian ser o caçula solitário sob responsabilidade do Dick, ele encaixava mais como Robin. Fora que esse garoto precisava de mais foco e cuidados intensivos devido ao seu passado turbulento na Liga dos Assassinos de sua mãe e de seu avô (Talia e Ra’s Al Ghul). Teimoso, genioso, muito esnobe, metido, prepotente, competitivo… Dick precisava dele ali bem na frente de seus olhos, nada melhor do que fazê-lo Robin e ir ensinando as coisas já na linha de fogo.
Bonito da parte do Grayson? Com certeza, uma das atitudes mais nobres já tomadas em uma história do Batman. Mas não tão bonito pro Tim Drake que ficou largado num canto. Não que ele tenha sido “demitido”, mas como ele usaria o R no peito quando o próprio Batman escolheu outro pra ser Robin? A questão não era só orgulho, mas também por Tim acreditar que Bruce ainda estava vivo, perdido em algum lugar precisando de ajuda pra voltar.
Tudo serviu de combustível para essa verdadeira evolução. De sidekick a herói solo, o nascimento de Red Robin. Essa saga mostrará uma série de viagens, ações padrão de vigilante salvando pessoas e parando criminosos aleatoriamente em Madri, Paris e outros cantos, flashbacks contanto toda trajetória de Tim até sua partida de Gotham, e até uma Aliança com Ra’s Al Ghul.
Apresentaremos a vocês um review do primeiro arco de Red Robin, que se chama “O Graal”.

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001Antes de mais nada vamos deixar algumas coisas esclarecidas. “Red Robin” é um título que, assim como “Robin”, já foi usado por mais de uma pessoa, inclusive em histórias fora da cronologia. Se formos contar com todos os usos, essa é a terceira vez que há um Red Robin nas páginas de uma HQ. A primeira foi na história “Kingdom Come”, que em nada tem a ver com a cronologia principal de Batman ou de qualquer outro título da DC.
Nessa história, o “Red Robin” substitui o Batman na Liga da Justiça, e a pessoa embaixo da máscara é Dick Grayson, que nessa versão é casado com a Starfire e tem uma filha chamada Nightstar. NIGHTwing e STARfire. Sacaram? É.
A outra aparição de Red Robin… Foi de Jason Todd. Pois é, pela primeira vez o Jason Todd não chegou por último na fila dos copiões. E enfim temos esse Red Robin, que é o Tim Drake.
002Isto posto… Temos que admitir que ele se mostrou praticamente um Batman no “Ano Um”. Sozinho, montando os próprios equipamentos, sozinho pra tudo, longe de casa, sem ajuda de policia nem nada… Tim Drake deu um salto de independência, uma evolução e tanto de personagem. Esse foi um dos pontos positivos que a drástica mudança que ocorreu em Gotham trouxe. Um excelente novo herói para o mundo.
A equipe de produção dessa obra consiste em Ramon Bachs nos rabiscos e Chris Yost nas letras. Um bom roteirista e um bom desenhista. Cenários bastante detalhados, pouquíssimos quadros sem fundo e boa noção de distâncias e arquitetura. Não é o tipo de arte realista como a do Alex Ross ou Bermejo, mas também não é a proposta neste caso, óbvio.
003A história começa com uma narrativa do Tim Drake, falando sobre um sequestro que estava em todos os noticiários desde que ele chegou em Madrid, há 4 horas. Ele precisava extravazar a raiva de tudo que andou acontecendo, e também esticar as pernas após a viagem. Como? Quebrando ossos de pelo menos 5 homens em sequência na empreitada de acabar com o tal sequestro cujo a policia não estava dando passos certos.
É, o cara desembarcou em um país, viu algo no noticiário e em menos de 4 horas estava fantasiado na rua batendo nos outros atrás da razão das noticias. Até decidir fazer a janta, eu em minha calma levo quase 1 hora, às vezes 2 horas. Realmente o Tim Drake recebeu treinamento do morcego velho Wayne.
006Esse é o “Ano Um” de Tim Drake. Ação solitária, pondo em prática tudo que aprendeu, analisando ao máximo para cometer o menor número de erros possível, ou como prefere o Batman, erro algum. Saindo dali, não tem Alfred pra dar pontos, não tem mansão ou caverna pra retornar… Não há nada, é Tim Drake e Madrid. Durante a tomada de território Tim dá de cara com um pirocinético estilo Maxwell Kai, mas nem se compara, pois esse de Madrid usa combustível nas mãos, Tim agarra um soco flamejante, dá uma bela cabeçada no nariz do oponente e salva a refém de sequestro.
007Depois disso Tim nem ao menos descansa direito e viaja por mais 4 cidades, dando uma parada em Toledo, ainda na Espanha. Momento para o primeiro flashback, a briga que culminou em tudo na caverna. Tim argumentando com Dick sobre o rumo que as coisas tomaram, Dick dizendo que tinha de ficar de olho em Damian para ele não acabar matando novamente, fora tudo que eu já disse um pouco antes, porém na história está com mais detalhes, e vendo os quadros você pode ter noção melhor dos sentimentos envolvidos.
De Toledo para Checoslováquia, onde um assassino da liga aguardou 9 horas pra dar um bote bem sucedido eliminando quem tinha que eliminar, e depois foi morto por alguma pecinha bem esquisita com 4 olhos, e não, não era alguém usando óculos. Eram 4 olhos brilhantes no escuro. Nós que somos os renegados da bioluminescência temos que nos virar como dá, né. Mas o cidadão que assassinou o assassino (7 anos de perdão, igual pra ladrão que rouba ladrão?) brilha pelos olhos.
004Enfim, Paris, a cidade das luzes. Ah, mon petit… É a mesma bosta de sempre, o crime está em toda parte, só muda o sotaque da vagabundagem. Por essas e outras o Batman ficava nervoso. Tim está pilotando uma moto, e em uma sequência incrível de ação ele dá um mortal de costas para cair no capô do carro que o persegue, usa uma lancha secreta de seu bastão e perfura o motor do veículo, enquanto conta a nós leitores a razão de ter escolhido aquele uniforme. Ele não sabia se teria de cruzar a linha (matar), e aquele uniforme já estava manchado mesmo (referência a Jason Todd, provavelmente).
De volta ao esconderijo, Tim é observado pela mira telescópica de um rifle, apontado por um grupo de assassinos enviados por Ra’s Al Ghul… Qual será a ideia do velho Ra’s? O assassino dispara, vai tudo pelos ares, mas Tim conseguiu fugir graças ao reflexo que a mira deu.
00xEle vai ao terraço dos assassinos e começa a luta, se qualquer um desses assassinos estivesse sozinho o resultado era fácil de deduzir, mas estavam em maior número e com armas de fogo. Tim se vira nos 30 e pouco a pouco foi descobrindo os nomes e ao mesmo tempo bolando um pra si. “Asa Vermelha? Robin Vermelho?”, novamente citando que aquela roupa o permite ir aonde um Robin não poderia ir, e também o quanto precisa trabalhar a VOZ.
Sim, segundo Tim Drake, no caso do Batman a voz era metade da batalha. Tim queria fazer uma voz mais dura, coisa que o Batman fazia naturalmente, o esforço do morcego era fazer a voz do Bruce, que era mais “leve”.
Independente de ter quebrado o nariz de um e surrado os demais, os assassinos conseguem fugir graças a um flashbang.
De um flashback pra outro, Tim está de volta a uma central de comando que fez ao sentir que Batman estava enlouquecendo (talvez durante a saga “Luva Negra”). Steph aparece na surdina e acaba levando um chute muito bem dado na barriga. Após pouca conversa já se descobre que Dick a enviou para conversar com Tim, mas não adianta e ele se manda então para sua jornada.
De volta ao tempo atual, de Paris o Robin Vermelho vai para Berlim, passando pela bela Marie no avião, finalmente algo de bom no horizonte do rapazote. Já em Berlim, Tim diz que Ra’s Al Ghul acredita nele, Ra’s também prefere acreditar que Bruce está vivo. O que não é de se estranhar mediante a admiração que o milenar Cabeça-do-Demônio tem pelo Homem-Morcego.

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#80 – Batwoman: Elegia (“Batman: Renascido” – 1ª Parte)

Reborn

“O morcego que eles iluminam no céu… Civis pensam que é um pedido de ajuda. Os caras maus pensam que aquilo é um aviso. Mas é mais do que isso, é algo maior. É um chamado pro exército. Eu encontrei meu jeito de servir. Eu finalmente encontrei meu jeito de servir.”

Nana nana nana nana Bat… woman? Olá, pessoas que gostariam de ser cidadãos de Gotham (ou não). Esse aqui não é sobre o Batman ou algum de seus bat-filhotes. Esse post é sobre a saga “Elegy” da Batwoman, que foi publicada na Detective Comics americana ANTES do reboot.
Muita gente acha que a Batwoman apareceu só após o reboot, mas antes disso ela deu seus pitacos no universo morcego ajudando o Dick e Damian (na época como Batman e Robin) a tentar ressuscitar o “finado” Bruce, e como eu disse, também tinha o lançamento dentro da Detective Comics.
Quem prestar atenção em que revistas estou citando, histórias e época, claro que perceberá que estou falando da NOVA Batwoman. A primeira Batwoman foi da época do onça, usava um maiozão amarelo e uma máscara que fazia lembrar a do Wolverine. O nome era praticamente o mesmo, a temática que era diferente. Até porque, se tivessemos uma Batwoman lésbica naquela época a DC teria ido a falência, isso se nao fosse fechada pela censura.
Bom, vamos a Batwoman que importa, Katherine “Kate” Kane.

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001Essa história conta com roteiro do Greg Rucka, nome que já é familiar como componente de diversos arcos importantíssimos das demais histórias do Batman, como por exemplo “Terra de Ninguém” e “Assassino? / Fugitivo”.
Na arte temos J. H. Williams III. Não conheci os dois antecessores, mas em todo caso esse ai já é suficiente. E isso deve ser opinião de mais gente, pois até hoje o homem é o desenhista da série. Isso não é tão “simples” quanto parece. Se for comparar com os demais títulos da DC, vão ver que aproximadamente a cada 1 ano (isso se tivermos sorte de durar tanto) mudam a equipe das histórias, e geralmente é sempre o desenhista.
Por exemplo o Tony Daniel. Desenhava a série mensal do Batman, passou pra Detective Comics após o reboot, e após alguns números saiu dos títulos do morcego e está na Action Comics do Superman. A série “The Dark Knight” começou sendo desenhada pelo David Finch e após uns 15 números é do Ethan Van Sciver. As da Batgirl começaram com Ardian Syaf, depois Ed Benes, Alitha Martinez e Daniel Sampere. E o titulo da Batwoman, antes do reboot (saga Elegy) e pós-reboot (até o momento 3 sagas), teve J. H. Williams III na arte e/ou nos roteiros.
020Há um detalhe interessante na arte desse cidadão. Quando é pra desenhar Kate sem o uniforme… Ele desenha se uma forma até simplista demais, uma rockabilly pálida, porém quando a desenha com o uniforme de Batwoman, parece que brota uma imponência do além e o desenho fica com cara de obra de arte. Como é de se deduzir, o uniforme dela tem aparência de latex, aquele tecido liso, preto e brilhoso, e você quase pode imaginar a textura ao olhar para os traços.
Se você não conhecer a história e primeiro ver a Batwoman antes de ver a Kate, vai imaginar que aquela cabeleira vermelha é dela e que a pele branca é maquiagem… Mas é o contrário, o cabelo que é peruca e a tonalidade da pele que é real. O cabelo natural dela também é vermelho, mas é curto e com franjinha. Sinceramente, a aparencia da Kate não me agrada muito, escolho eternamente a aparencia da Bárbara, mas a aparência de Batwoman, como eu disse, é imponente.
Outro detalhe sobre ele é a maneira única de arrumar os quadros das histórias. Para marinheiro de primeira viagem é MUITO fácil se perder ou acabar deixando algo passar. Às vezes parece que os quadros tem o cenário de dentro E papel de parede pros próprios quadros por fora. Tem quadros formando morcegos, quadros acompanhando ondulações, quadros divididos em vários pedaços como se fosse um espelho quebrado… Como eu disse, às vezes atrapalha, mas não posso dizer que não é original e bem feito.
A saga Elegy ao mesmo tempo que mostra um caso “atual” também muito do passado de Kate Kane. Ela testando o uniforme pela primeira vez, o primeiro encontro com o Batman, coisas da infância e adolescência, um prato cheio pra quem quer conhecer melhor a personagem.
Quanto ao roteiro de Greg Rucka… Lá vamos nós, darei uma narrativa da história.

002Começamos com Batwoman em algum dos lendários cantões obscuros de Gotham, tentando um interrogatório. Quando vemos o Batman fazendo isso, é algo “Eu te quebro ou eu te quebro, decide o nível da minha raiva”. Quando é o Asa Noturna, é algo com piadinhas que envolvem a saúde do criminoso, Batgirl interrogando é meio “inocente demais” até…Mas Batwoman… O interrogatório dela é meio doente, em meio a sorrisos, coisas ameaçadoras como pé na garganta e de repente um carinho acolhedor meio maníaco tipo “PASSE A LOÇÃO!” do Silêncio dos Inocentes.
O besta passa as informações, Batwoman sobe aos telhados como boa morcega que é, e lá topa com quem? Seu muso-inspirador, o morcego-mor, Batman. Ele que dentre todos os 70 estilos de luta e mestrado em todos os setores de humanas e exatas que tem nesse planeta não aprendeu muito a conduzir uma conversa de forma simpática, já se lançou ao que interessava. Crime. Alguma mulher era a nova chefe, eles tinham que chegar lá. Batman deixou a responsabilidade para ela em um gesto de confiança, mas deixou um aviso. “Dê um jeito no seu cabelo. Um puxão e a luta está acabada”.
Após isso a heroína volta pra sua casa, que não é a mansão Wayne mas também não é o apartamento do Peter Parker. Toma um banho, e tenta dormir. O dia seguinte (que na verdade ainda é o dia em que ele tentou ir dormir) inevitávelmente chega, ela se atrasa pro encontro com Anne, sua namorada (século XXI, uhul), que fica nervosa pelo atraso, diz que pela cara dela nem teve um “acordar atrasada” e que na verdade ela nem deve ter dormido.
Rola uma discussão (monólogo de Anne) dizendo que Kate é mimada, tem todo mundo como garantido, que ainda precisa crescer e blablabla… Confusões de gente que tem identidade secreta de vigilante pelas noites de Gotham. Vida de cão, hein?
003Quadros seguintes temos Kate em casa com seu pai que, cá entre nós, é um baita esquisito, e até o momento aparenta ser um militar de patente relativamente alta, mas enfim, Kate começa a malhar levantando ferro pra valer, negócio não é um saco de cimento nem um alteres padrão, o negócio é barra pesada mesmo, pelo que vi no desenho, se não me enganei, são 50kg de cada lado. Somado é mais do que meu peso. Não que eu entenda de o que é peso padrão e o que não, well, deixa pra lá.
Papai Kane fica preocupado com sua filhota, então os roteiros nos mostram que Kate há algum tempo foi esfaqueada no coração, que quase morreu, que ficou apavorada e etc, e entendemos mais uma parcela do que a faz sair de noite vestida de Morcego.
004Podemos ver que o coronel é o Alfred da Kate. Não tão eficiente, mas ainda assim o papel é semelhante. Não demora muito e vemos uma cena que não se passaria na terra dos Wayne… O papai dá uma arma carregada pra Kate se defender, ela aceita e diz que sabe como usar e etc. Dá um leve choque, aposto que ninguém está acostumado a morcegos com armas (esquecendo o Jason, por um instante).
Lembram das organizações loucas de quadros que falei? Temos um ótimo exemplo agora. Uma página dupla com várias tirinhas retangulares na vertical, uma em paralelo a outra, e embaixo um quadro que tem formato de morcego, e fora dos quadros também há coisas se puderem notar. Não dá pra se perder, é bonito, bem feito e original. A seguir outra página dupla, Batwoman dando um chute duplo no ar, coisa de Asa Noturna, mas o chute dele teria mais elasticidade, seria algo mais “Van Damme” no Dragão Branco, mas vá, nenhum de nós daria um chute desses.
005Ela começa o interrogatório no local, e acaba descobrindo que o que ela queria estava exatamente ali. Uma branquela igual a ela, só que mais louca e com um batom estilo Rainha Amigdala do Star Wars. O nome dela é Alice, ou pelo menos é assim que ela se auto-denomina, pois ela parece achar que É a Alice do País das Maravilhas. Batwoman nem entra direito na conversa e aponta a pistola pra cara da moça.

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