#60 – A Maldição de Scarface

“Esse boneco vai amaldiçoar qualquer pessoa que tocar nele!”

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O vilão de hoje já apareceu em algumas HQs, quase sempre relacionado ao Pinguim. Na verdade, não se trata de apenas um, mas de dois vilões. Ventríloquo e Scarface. O primeiro é Arnold Wesker, um homem que nunca foi notável em nada, mas com a habilidade de projetar sua voz – a arte da ventriloquia. E o outro é um boneco de madeira… Com vida própria. A explicação dos psicólogos é que Wesker projeta toda a raiva que acumula dentro de si no boneco, como um sintoma da fragmentação múltipla de sua personalidade. Mas na HQ de hoje veremos que a história pode não ser asim tão racional…
Cuidado com “A Maldição de Scarface” (Batman/Scarface: A Psychodrama, roteiro de Alan Grant e arte de Charlie Adlard, 2001)!

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000Antes de começar, gostaria de propor uma reflexão sobre o título dessa HQ em inglês: “Batman/Scarface: A Psychodrama”. A Sociedade de Psicodrama de São Paulo nos diz que o psicodrama foi criado por Jacob L. Moreno, que o definiu como “a ciência que explora a verdade por métodos dramáticos”.

“Inspirado no teatro, o Psicodrama propõe o desempenho de papéis pela dramatização como método de desenvolvimento de papéis. Drama significa ação ou realização. O Psicodrama possibilita o desempenho livre de papéis e seus vínculos ampliando a espontaneidade e a criatividade.”

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Em toda a HQ, passaremos por um exame psicológico do personagem de Arnold e do próprio Scarface. Atente-se a isso no roteiro.
A história começa com o boneco Scarface sendo queimado por Arnold, sob orientação e supervisão do Dr. Jeremiah Arkham. E a partir dessa deixa, somos levados a conehcer a história da criação desse inofensivo boneco – ou nem tão inofensivo assim…
O local é a prisão Blackgate, há muito tempo atrás. Um preso está sendo enforcado, enquanto um padre reza por sua alma. O diretor do presídio, que acompanhava a execução, o adverte:

“Padre, trezentos e treze homens foram executados no Trono dos Enforcados de Blackgate… E aposto que Deus não guardou nenhuma dessas almas repugnantes!”

Nesse momento, como uma espécie de “resposta divina”, um trovão quebra a forca no meio, inutilizando-a. Um tempo depois, um preso chamado Donnegan está reutilizando os pedaços de madeira que sobraram da forca para construir um bonequinho, que lhe fará companhia durante sua sentença de prisão perpétua. O nome do boneco é Tronquinho. O guarda que supervisiona Donnegan nos conta o que será a chave para entender essa HQ:

“Dizem que as almas de cada um daqueles enforcados estão presas até hoje nesse tronco. Confia em mim, Donnegan… Esse boneco vai amaldiçoar qualquer pessoa que tocar nele!”

00xO preso não ouve o que o guarda diz, e leva Tronquinho para todos os cantos. Donnegan divide a cela de Blackgate com Arnold, e certa noite o flagra admirando Tronquinho; enciumado, quebra a cara de Wesker e o manda ficar longe do seu boneco. Mas naquela noite, durante o sono de seu dono, Tronquinho fala com Arnold – e diz que nessa noite eles fugirão, não importam o que tenham que fazer. Nessa noite, dois presos são mortos brutalmente e Arnold foge com Tronquinho – que, agora, não é mais Tronquinho, e sim Scarface. O nome Scarface é uma referência ao mafioso Alphonsus Gabriel Capone – ou simplesmente Al Capone, conhecido por suas intensas atividades criminosas nos Estados Unidos nas décadas de 20 e 30.

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Assim começam os trabalhos de Ventríloquo e Scarface. Apesar de Arnold protestar contra as atitudes criminosas do boneco, afinal ele só quer ser um artista e não um criminoso, Scarface parece exercer um estranho controle sobre sua mente.
De volta ao Asilo Arkham dos dias atuais, Scarface foi queimado e agora Arnold poderá se regenerar e voltar a se integrar na sociedade, certo? Bem… Talvez não. O boneco não queimou totalmente. Dois pescadores encontram o boneco; quando um deles pega o boneco, e diz as amáveis palavras “Credo! Que coisinha mais horrorosa!”, coincidentemente escorrega numa pedra e bate a cabeça no chão.
003Scarface é encontrado alguns dias depois por um Marvin, menininho com alguns problemas na escola. Ele não tem amigos, seu rendimento escolar é sofrível, ele tem atraso para aprender, é maltratado pelos colegas… (Lembre-se dessa referência, ela será útil no fim do texto.) Decide adotar o boneco como seu amigo especial. Isso não evita que ele sofra bullying na escola, ainda mais depois de levar o boneco de madeira podre e roupas esfarrapadas para a escola.
Ele o leva para a aula, para uma apresentação, e decide apresentar aos colegas o dom que adquiriu de projetar sua voz para o boneco. Contudo, Scarface tem alguns problemas de dicção – não consegue pronunciar bem o M, o B e o P – o que vira motivo de chacota para os alunos da classe. O boneco ameaça a vida dos alunos, e Marvin é expulso da sala – ainda sobre protestos de que não fora ele quem fizera aquelas ameaças, e sim Scarface. Nada feito. Ao tentar jogar o boneco longe, Marvin o acerta no alarme de incêndio; as crianças saem correndo desesperadas, e o menino que batera em Marvin pela manhã é pisoteado e esmagado pelas crianças. É. Sinistro.

004Enquanto isso, Arnold foi liberado do Asilo Arkham. Agora ele está reabilitado, pronto para começar um caminho novo como artista, promover a alegria e a diversão… Com uma nova boneca de madeira. Lola é o seu nome. E é uma dama bastante desbocada, diga-se de passagem. Passa o show inteiro provocando Pinguim. E sabemos que Pinguim não tolera que ninguém o exponha ao ridículo – lembre-se que na HQ “Dor & Preconceito” ele destrói a vida de um cozinheiro que apenas esboçou um sorriso ao olhar para seu nariz. Ele precisa se vingar agora.
Enquanto isso, Scarface aparece no sonho de Arnold (ou será que não era sonho?), muito irritado por ser sido traído pelo seu antigo parceiro, dizendo que deveria matá-lo por tal traição. Arnold implora por sua vida e Scarface aceita que voltem a ser sócios, com uma condição: que ele mate a boneca Lola. O Ventríloquo se irrita, e Scarface incorpora o espírito de todos os 313 enforcados, assassinos e maníacos que estavam enclausurados em seu tronco.

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Instantes antes da boneca ser morta, o ajudante de Arnold o interrompe. Mas a história dos dois ainda não acabou.

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#58 – Quadra de Lama (Cara-de-Barro)

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Hoje no Batman Guide teremos mais um dos vilões que apareceram no jogo “Batman- Arkham City”. Assim como boa parte dos personagens, ele tem várias identidades ao longo da cronologia do Morcego – “várias” mesmo, pois ele assume 8 identidades diferentes. Mas fique tranquilo, vou explicar certinho pra ninguém se perder com esse monte de barro 😉
Cuidado para não ser pego pela “Quadra de Lama” (The Mud Pack, roteiro de Alan Grant e arte de Norm Breyfogle e Steve Mitchell, 1989)!

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A HQ de hoje foi a melhor que encontrei para explicar o Cara-de-Barro para vocês, pois como o título sugere ela traz os quatro primeiros “Cara-de-Barros” reunidos em uma história só. Antes de começarmos a falar do roteiro dela, veremos uma pequena biografia de cada um dos personagens (e depois do fim do roteiro, uma rápida passagem pelas outras 4 pessoas que assumiram o papel do vilão).

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FClayIBasil Karlo é um ex-ator de cinema de filmes de terror. Ao descobrir que não seria mais o ator principal do filme “O Horror”, ele enlouquece – e mata todo o elenco do filme usando a máscara do vilão “Cara-de-Barro”. Enviado para o Asilo Arkham, ele nunca abandona sua paranóia a respeito de filmes de terror. Ele foi quem protagonizou o Cara-de-Barro na série “Asilo do Coringa“, e também é ele quem aparece no jogo Batman – Arkham City. É chamado de Cara-de-Barro “original”.

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FClayIIMatt Hagen era um caçador de tesouros que encontrou uma piscina radioativa de protoplasma (o líquido contido nas células vegetais ou animais) e achou que seria divertido dar um mergulho nela. Mas ao invés de ficar molhado, sua composição genética alterou-se para uma forma flexível e maleável à base de barro, que podia transmutar-se para qualquer forma que quisesse. Entretanto, essa transformação iria necessitar que ele fosse periodicamente à piscina de protoplasma para que conseguisse manter seus poderes (lembra um pouco o Poço de Lázaro do Ra’s Al Ghul), então ele copia a fórmula da piscina para se regenerar (embora ela não funcione tão bem quando a piscina original de protoplasma).

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FClayiIIO mais interessante – e amedrontador – dos Cara-de-Barro. Alan Moore escreveu uma história sobre ele chamada “Barro Mortal” que consegue transmitir o verdadeiro desespero da história de Payne (Clique aqui para baixá-la). Preston Payne nasceu com acromegalia ou “gigantismo”, que é uma síndrome causada pelo excesso de produção do hormônio do crescimento (GH). Ela causa, entre outros sintomas, o crescimento do esqueleto e dos tecidos moles, além de outras alterações metabólicas. Quando cresceu, tornou-se um cientista, para tentar curar seu problema. Em seus estudos, visita Matt Hagen na prisão e recolhe uma amostra de seu sangue, e isola uma enzima que é responsável pela maleabilidade do corpo do Cara-de-Barro II. E decide que seria interessante injetá-la em si mesmo. Ao encontrar-se com sua namorada, faz com que ela vire um poço de protoplasma – e começa a acontecer o mesmo com todos em que encosta. Por isso, constrói uma espécie de traje para que não derreta mais pessoas. Mas ele sente dor quando não derrete ninguém, por isso eventualmente precisa destruir algumas pessoas periodicamente – o que o levou a ser inernado no Arkham. E para completar o pacote de bizarrices, ele encontrou Helena, uma alma-gêmea imune ao seu poder. Seria lindo, se não fosse o fato de que ela é uma manequim de cera dessas de loja de departamento.

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FClayIVFinalmente, uma dama feita de barro. Ela foi criada pelo criminoso Kobra, de quem era agente, e o uso de alta tecnologia permite que ela se transforme ilimitadamente. Ao contrário de Matt Hagen, não precisa de um repositório de protoplasma: seus poderes são duradouros.

Ela pode se manipular para se transformar em qualquer objeto ou pessoa próxima, independente da constituição física da pessoa. Ela também pode adquirir provisoriamente os poderes de quem ela está se transformando.

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Feitas essas considerações, vamos para o roteiro de “Quadra de Lama”:
Começamos com Preston Payne rompendo seu “relacionamento” com Helena, porque ela é muito… gelada com ele. Num acesso de fúria, ele destrói o manequim – que era a única coisa que o mantia controlado dentro do Asilo Arkham. Ele não consegue ser contido pelos policiais do sanatório, e foge enlouquecido. Batman é convocado para dar conta do recado.
Enquanto isso, Basil Karlo está analisando as produções cinematográficas de terror atuais. E está realmente indignado.

“Motoserras, zumbis e vísceras… Isso não é horror! É náusea… Enjôo… Exploração barata! Essa gente só pensa em dinheiro, enquanto a arte se afoga! No meu tempo, não era assim! Nós entendíamos sobre horror, horror verdadeiro! Eu já deixei milhões fascinados com uma única balançada de minha capa! As mulheres ficavam aterrorizadas quando eu levantava uma sobrancelha! […] Os monstros não são mais seres das sombras que habitam os recônditos obscuros da mente! Hoje, eles não passam de efeitos especiais que saem das telas como arco-íris!”

002Ele está se dirigindo a um teatro vazio, onde é perseguido por dois assaltantes – pobres infelizes que vão comer capim pela raiz agora. Preston está vagando por Gotham, lamentando a tragédia de ter destruído seu verdadeiro amor. Sondra trata de desacordar todos os policiais que estão atrás de Payne, e através de telecinese leva o marido de Helena para o que parece ser o Encontro Anual de Criaturas Modificadas pelo Barro. Basil está revivendo Matt.
Eles se reunem, fazem uma pequena apresentação e apresentam seus modestos objetivos:

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#42 – A Queda do Morcego

Olá, queridos!

Decidi começar o ano aqui no Batman Guide da melhor forma possível. Essa saga foi a que os leitores mais pediram aqui no blog, Facebook, por e-mail. Eu pretendia postar algumas coisas antes, mas pensei que talvez demoraria um pouco, daí antecipei o post! 🙂

A primeira coisa que eu vou ter que pedir a vocês é um pouco de paciência. O que a saga “A Queda do Morcego” tem de famosa, tem de extensa. Durante todo o dia de ontem eu fiquei organizando os arquivos e uplodeando numa sequência que não os confundisse – ela é composta por muitas HQs que, se lidas fora de ordem, podem te complicar totalmente. Acredito que cheguei em um resultado bem agradável para a compreensão de todos. E também disponibilizei toda a saga em um único link, pra quem quer ler de uma vez!

Outra coisa que eu preciso pedir para vocês é que me avisem se algo ficar faltando na minha resenha. Como eu disse no primeiro post do Batman Guide, eu não sou especialista nos quadrinhos do Batman, sou só uma fã que gosta de pesquisar. Não estou livre de erros! Então conto com vocês para me avisarem sobre qualquer problema que tiverem no post, ok? Obrigada!

E agora chega de conversa e vamos logo pra parte principal! Boa leitura e espero que vocês gostem, deu um bom trabalho pra fazer e escrevi com bastante cuidado! Divirtam-se!

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“A Queda do Morcego” foi lançada em 1993. Ela contou com autores consagrados como Dennis O’Neil , Chuck Dixon, Alan Grant e Doug Moench. O ponto principal que você precisa saber é que nela você vai encontrar o homem que quebrou o Batman. Ele o quebrou o Morcego de uma forma que nenhum dos outros vilões conseguira fazer, mesmo contando com tecnologia, violência, inteligência, influência ou simplesmente insanidade mesmo.

A introdução dessa saga começa com a apresentação de dois personagens que serão vitais nessa saga. O primeiro deles é Jean-Paul Valley – ou Azrael. Jean foi um bebê de proveta, cujos genes foram alterados e combinados com genes animais para potencializar suas habilidades de lutador. Ele descobre que está sendo treinado por uma ordem religiosa secreta para se tornar um assassino. (Azrael aparece, inclusive, em “Batman – Arkham City”, durante uma das missões paralelas do jogo. Clique aqui para assistir sua aparição). Batman descobre sobre essa ordem secreta, que se chama Ordem de São Dumas, com a ajuda de Oráculo, e vai até o local onde Jean-Paul está descobrindo sobre sua missão futura, causando um acidente.

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O outro personagem essencial nessa história é Bane. Eu já falei sobre ele nesse post. (Mas, nesse caso, peço que você leia a resenha somente da “Vingança de Bane I”, que se passa antes dos acontecimentos que se desenrolam n’”A Queda do Morcego”).

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02Bom, como você já leu, Bane estava obcecado em derrotar Batman. Mas ele não subestimou seu adversário, e sabia que não derrotaria o vigilante de Gotham sem uma estratégia firmemente traçada. E Bane, ao contrário do que foi mostrado na primeira adaptação para o cinema, é um homem muito inteligente. Então ele começa a se aliar aos super-vilões de Gotham – chega até mesmo a injetar a droga Veneno no Charada, tornando possível que um vilão cujo principal ponto não é a força enfrente o Morcego.

03Nós sabemos que a força policial de Gotham tem muitas falhas, mas seu contingente começa a sumir cada vez mais das ruas. Mais trabalho para Batman, que precisará lidar com tudo apenas com o auxílio de Tim Drake (mas que, como devemos lembrar, tinha a atuação limitada). Bruce Wayne nunca foi o exemplo de alguém que cuidava devidamente da saúde. Já vimos em várias HQs, aqui mesmo no Batman Guide, a menção às suas inúmeras escoriações e contusões por todo o corpo, o comprometimento das cartilagens e ossos de todo o seu corpo, já vimos Alfred relembrando seu patrão de que ele não dormia há pelo menos 30 horas… Mas nesse momento específico, o estado de Batman vai piorando em níveis críticos. Sua saúde física nunca estivera tão deteriorada.

04Percebendo que poderia ter que vir a deixar seu posto em breve, Batman pede a Robin que treine Jean-Paul Valley para se tornar um auxiliar.  Enquanto isso, Bane vai agindo e se aliando aos vilões, até que, num momento crucial, ele destrói as paredes do Asilo Arkham e liberando todos aqueles que odeiam o Morcego (com explosivos militares que conseguira).  Como se já não bastassem os criminosos comuns que assolam o submundo de Gotham, agora os criminosos mentalmente instáveis estão soltos por aí. O comprometimento da sua forma física e mental faz com que ele comece a falhar em suas missões. Ele falha ao capturar o vilão Máscara Negra. Ele apanha do Charada. Ele quase se afoga (sim, o Batman!). Ele está nos limites, estressado, degenerado, tendendo à depressão – e ainda assim luta por 3 meses para garantir que os internos retornem ao Asilo Arkham. Tudo isso faz parte do plano de Bane para quebrar o Morcego.

05Uma noite, o prefeito Krol é sequestrado por Coringa e o Espantalho, e ao resgatá-lo Batman chega, finalmente, aos limites da sua exaustão. O Espantalho, como era de se esperar, utiliza seu gás do medo para dar um golpe psicológico duríssimo em Batman – ele retorna ao momento da morte de Jason Todd, um evento do qual ele nunca se recuperou totalmente. Depois desses eventos caóticos, Batman chega na Mansão Wayne e Bane está lá.

Sim, Bane conseguira descobrir sua verdadeira identidade. Batman entra em confronto com ele, mas ele estava nos limites de sua vulnerabilidade, e é subjugado e derrotado por Bane. Mas ele não quer matá-lo, isso seria simples demais, rápido demais. Ele quer humilhá-lo. Quebrá-lo. Acompanhe essa sequência.

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07E desse modo triste e impactante, o Homem-Morcego, o grande Cruzado Encapuzado, o Vigilante de Gotham, encontra-se encarceirado em uma cadeira de rodas, paraplégico, derrotado. Mas sua mente continua trabalhando. Ele vai procurar a doutora Shondra Kinsolving para começar sua reabilitação. Mas não poderia deixar Gotham sozinha – e por isso decide colocar Jean-Paul Valley em seu lugar, como Batman. Questionado por Tim Drake sobre os motivos pelos quais Dick Grayson (Asa Noturna) não é convocado para assumir o manto de Batman, ele responde que esse já tinha suas próprias incumbências, e que mais um papel só traria mais problemas a ele. Então, Jean-Paul Valley assume o papel de Batman. Mas algo dá errado com ele. Desde a época em que estava sendo treinado, Jean-Paul demonstra prazer em usar excessivamente a violência. Ele parecia não ter amarras no que diz respeito a matar os inimigos, ou de pelo menos fazê-los sofrer o máximo possível. E é assim quando assume o manto de Batman. Ele demonstra ser um homem mentalmente instável, de métodos obscuros e questionáveis, que de forma alguma são adequados ao papel de Batman.

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#33 – Robin: A Lenda Renasce

Oi!
No último post apresentei para vocês o personagem de Tim Drake. Ele apareceu como um menino esperto que descobriu sozinho toda a verdade sobre Batman e Asa Noturna, e tentou convencer Dick Grayson a voltar a atuar como Robin. Diante das negativas, pediu a Batman uma chance de atuar como Robin. Ele negou no momento, mas aceitou tentar aceitar Drake para o papel.
A HQ de hoje é um encadernado que foi lançado pela Abril em 1992 mas tornou-se um pouco rara de encontrar para comprar. É nela que vamos encontrar o desenvolvimento de Tim Drake, sua evolução e crescimento. E, como o título sugere, a ascensão de um herói.
Fique com a leitura de “Robin: A Lenda Renasce” (Robin: A Hero Reborn, roteiro de Chuck Dixon e Alan Grant e arte de Norm Breyfogle e Tom Lyle, publicada em 1992 no Brasil).

O garoto Drake tem uma grande necessidade de se superar, de superar seus medos. Sua mãe morreu e seu pai está em coma. Para alguns garotos, isso poderia ser motivo suficiente para se perder no caminho, mas não para ele. Ele é um garoto inteligente e dedutivo, extremamente benevolente. Mas ainda assim, o Cavaleiro das Trevas está hesitante em deixar Drake participar – ainda mais depois do que aconteceu à Jason Todd.
A cidade está sendo assolada por um assassino misterioso, mascarado, de quem ninguém suspeita a identidade. Batman é designado para encontrá-lo, mas, apesar da insistência de Drake, ele não se utiliza da ajuda de Robin nesse trabalho. Isso obviamente frustra o menino, porque ele tem razões pessoais para querer ajudar e, assim, superar seus medos e ser digno na confiança de Batman. É necessário estar preparado, ter calma e paciência para ser Robin.

Além disso, a imagem dos dois Robin anteriores paira incessantemente sobre a cabeça de Drake: o primeiro, tão bem sucedido que saiu em carreira solo, e o segundo tão devotado que foi capaz de morrer em serviço. E se ele não estivesse preparado? E se ele manchasse a imagem de Robin, um manto que carregava tanta importância?
Tim Drake parece ser o mais investigativo e inteligente dos Robins. Consegue utilizar as tecnologias disponíveis da Batcaverna a seu favor, cruzando informações de maneira brilhante na ausência de Batman. E através dessas pesquisas, ele acredita chegar à identidade secreta do assassino. Ele havia recebido ordens expressas de Batman para não se envolver e para ficar na Batcaverna durante sua ausência. Mas ao mesmo tempo, se sua pesquisa e intuição estivesse certa, Batman teria ido direto sozinho para uma armadilha que poderia lhe custar a vida… E então, o que fazer? Obedecer as ordens de seu futuro mentor e permanecer na Batcaverna, o que lhe garantiria pontos a mais na sua tentativa de se tornar Robin, mas o mesmo tempo deixar Batman ir direto para uma armadilha?

Ou arriscar sair para desvendar sozinho o mistério do assassino, correndo o risco de estar errado e, em consequência disso, arruinar totalmente qualquer chance de ser o terceiro Robin? O que você faria, no lugar dele?
Uma coisa interessante de se notar nessa HQ é a excelente relação que se estabelece entre Drake e Asa Noturna. É como uma relação de irmãos. Isso se dá porque Drake consegue o respeito, ele MERECE, por ser tão nobre e inteligente.
O papel de Robin é importante para Batman. Quando Batman está sozinho, ele se torna duro, quase ficando cego pela sua raiva. A presença de um sidekick o torna mais afável, mais ponderado e razoável.
Nessa HQ, vemos como um Drake, um homem comum, luta com seus medos, controla suas angústias, desafia sua própria zona de conforto e… se torna um herói.

Boa leitura!

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#30 – Batman & Juiz Dredd

Olá!
Hoje vou parar um pouquinho com a postagem de vilões do Batman para trazer um material diferente para vocês. Como vocês devem saber, na última sexta-feira estreou nos cinemas brasileiros o filme Dredd, com direção de Pete Travis.

Segundo a sinopse,

“O juiz Dredd (Karl Urban) vive na megalópole Mega City Um, um oásis de civilização na Terra Maldita, cerca de 120 anos no futuro. Bastante temido pelos infratores da lei, ele acumula os cargos de polícia, de juiz e ainda tem o poder de executar suas sentenças. Um dia, ele é encarregado de treinar uma candidata a juíza com poderes mediúnicos (Olivia Thirlby), e neste primeiro dia de teste os dois enfrentam a maior e mais perigosa traficante de drogas do local (Lena Headey).”
Retirada do site AdoroCinema
Leia mais no IMDb

Sabendo que Batman e Juiz Dredd tem um bom número de HQs juntos, decidi trazer duas para vocês hoje. Então, espero que gostem!


#1. Batman & Juiz Dredd – Julgamento em Gotham
(Batman/Judge Dredd: Judgment on Gotham. Roteiro de Alan Grant e arte de Simon Bisley. Dezembro de 1991.)

Começamos nossa HQ com um personagem muito, muito macabro. Devido ao meu gosto pessoal em leitura, estou acostumada a cenas fortes ou chocantes em HQs, mas esse personagem realmente me chocou. Ele é o Juiz Morte, que transportou-se dimensionalmente até Gotham City. Ele foi responsável pela morte cruel de dois namorados e de um policial – ele matou enfiando suas mãos no cérebro do oficial. Batman aparece, empalando sem querer o Juiz Morte, mas esse parece não se abalar. Seu espírito, está à procura de outro corpo para continuar sua sessão de maldades.
Enquanto isso, Batman, ainda abalado por ter empalado o Juiz Morte acidentalmente, encontra um estranho cinto que ativa acidentalmente. É o mesmo cinto que transportou Juiz Morte até Gotham – e Batman faz o caminho reverso, em direção à megalópole Mega-City Um (Mega-City One).
Ainda tentando descobrir onde está, Batman encontra o Anjo Máquina Malvada, uma mistura de homem e monstro futurista com um dial na cabeça, que pode ajustar para tornar-se um homem calmo ou uma máquina mortífera. Enquanto ele e Batman discutem, aparece o Juiz Dredd, que dá voz de prisão para Máquina Malvada e tenta levar Batman – que discute com ele e é preso por desacatar o juiz Dredd.
Sob a custódia de Dredd, ele conhece Anderson, a telepata de Mega-City Um, que aparentemente discorda muito dos métodos de Dredd, embora tenha de se submeter a eles. Anderson e Batman estão preocupados com Juiz Morte à solta em Gotham – pois Morte não descansaria enquanto cada corpo estivesse caído em Gotham. Mas Dredd diz que nada pode fazer, pois Gotham está além de sua jurisdição. E, sinceramente, parece mais preocupado em acumular anos de prisão para Bruce Wayne, já que não foi nem um pouco com a cara dele.
A preocupação de Batman faz todo o o sentido: em Gotham, Juiz Morte aliou-se ao Espantalho. Embora tenha tentado trair o homem-de-palha, Juiz Morte sente um pouco de seu gás do medo. E do que a encarnação da própria morte, o terror personificado, tem medo? (Uma das sacadas mais geniais que já li).

Ameaçado, Juiz Morte precisa obedecer Espantalho, e seguem para um concerto de numa banda de heavy metal chamada Living Death. Então, contrariando as ordens expressas de Mega-City Um, Anderson e Batman fogem de volta para Gotham, para tentar salvar a cidade da destruição iminente. Dredd, furioso, segue atrás deles para capturá-los. Ele está irritadíssimo com Batman, claro.
Enquanto isso, no show da banda, Juiz Morte está bastante ocupado matando, decapitando e assassinando brutalmente todas as pessoas que passam pela sua frente. No confronto que se segue, Batman se ocupa de destruir seu corpo físico, enquanto Anderson aprisiona seu espírito.

Ao perceber que a decisão de Batman e Anderson fora necessária, Dredd agradece sua dedicação – e, vindo do homem que vem, esse é um grande fato. Começa aí uma espécie do que podemos chamar de parceria que poderá durar muito tempo. (Parceria, porque esperar amizade do austero Juiz Dredd é pedir demais. Ok, talvez “parceria” seja um termo muito íntimo. Talvez um “acordo de cavalheiros”).

#2 – Batman e Juiz Dredd: Morra Sorrindo
(Batman/Judge Dredd Vol 1 – “Die Laughing”, roteiro de Alan Grant e John Wagner e arte de Glenn Fabry, 1998.)

Essa HQ se passa após os eventos ocorridos em “Julgamento em Gotham”. “Morra Sorrindo”, como você deve imaginar, é uma alusão ao Coringa. E é justamente assim que começa a HQ, com o Coringa se transportando para a cidade de Mega-City One. Seu objetivo? Liberar os lendários Juízes Negros, do qual o Juiz Morte faz parte. Eles eram as criaturas mais ameaçadoras de Mega-City, e no momento em que Coringa interfere eles estavam sendo conduzidos em cristais invioláveis para serem incineradoras para sempre.
Batman não poderia deixar isso acontecer, e avisado por Anderson, a telepata, se transporta para Mega-City para evitar a catástrofe. Lá encontra seu velho adversário/colaborador, Juiz Dredd, que também está interessado em parar Coringa e os Juízes Negros. As antigas rivalidades e animosidades deverão ser esquecidas por um tempo para que, juntos, possam combater essa ameaça tão ampla, que pode destruir não apenas Mega-City e Gotham, mas todo o Universo, que está à mercê de uma insanidade e destruição nunca antes vistas.

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